{"id":103524,"date":"2026-09-08T20:48:52","date_gmt":"2026-09-08T23:48:52","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/aumento-da-violencia-fisica-politica-e-digital-os-efeitos-da-machosfera-na-vida-das-mulheres\/"},"modified":"2026-09-08T20:48:52","modified_gmt":"2026-09-08T23:48:52","slug":"aumento-da-violencia-fisica-politica-e-digital-os-efeitos-da-machosfera-na-vida-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/aumento-da-violencia-fisica-politica-e-digital-os-efeitos-da-machosfera-na-vida-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Aumento da viol\u00eancia f\u00edsica, pol\u00edtica e digital: os efeitos da machosfera na vida das mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Fruto de anos de pesquisa, o livro<a href=\"https:\/\/loja.editoradialetica.com\/humanidades\/machosfera-quando-a-misoginia-vira-politica?srsltid=AfmBOoqxRUHU7h22sY3txk7yUHAWYIFVwiaFAKSvV4pS0CYPtMAt87kO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>\u201cMachosfera: quando a misoginia vira pol\u00edtica\u201d<\/em><\/a> de Bruna Camilo aborda os processos organizativos da chamada \u201cmachosfera\u201d, uma esp\u00e9cie de subcultura predominante no ambiente virtual que prega a inferioridade das mulheres. Ao estudar a atua\u00e7\u00e3o dos grupos nas redes, a pesquisadora teve como foco compreender como a rela\u00e7\u00e3o entre os ideais dos coletivos masculinistas com a extrema direita dialoga com a radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e enfraquece a democracia.<\/p>\n<p>De acordo com a obra, a misoginia (\u00f3dio \u00e0s mulheres) n\u00e3o se trata de uma a\u00e7\u00e3o individual, mas sim de um elemento estruturante de movimentos que utilizam as plataformas digitais para difundir a desinforma\u00e7\u00e3o e refor\u00e7ar identidades, baseadas em um sentimento generalizado de ressentimento dos homens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida.\u00a0<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" data-dominant-color=\"937257\" data-has-transparency=\"false\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"990\" height=\"973\" sizes=\"(max-width: 990px) 100vw, 990px\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Bruna-Camilo.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Bruna-Camilo.webp 990w, https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Bruna-Camilo-300x295.webp 300w, https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Bruna-Camilo-150x147.webp 150w, https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Bruna-Camilo-768x755.webp 768w\"><\/figure>\n<p><em>A soci\u00f3loga e cientista pol\u00edtica Bruna Camilo (Arquivo pessoal)<\/em><\/p>\n<p>A partir do discurso de culpabiliza\u00e7\u00e3o das mulheres, o \u00f3dio ultrapassa o ambiente das redes e \u00e9 materializado no aumento de casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, sexual e feminic\u00eddios. Confira a entrevista:\u00a0<\/p>\n<p><strong>O seu livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u00e9 desdobramento de um doutorado na \u00e1rea da sociologia, conta um pouco do processo da pesquisa e quais foram as descobertas que te levaram a aprofundar o tema.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Meu livro \u00e9 resultado da minha tese de doutorado que defendi em 2023. Veio a partir de uma inquieta\u00e7\u00e3o sobre como eu percebia a misoginia muito estruturada na extrema direita. \u00c9 claro que a misoginia existe em toda a nossa sociedade, em todos os espectros pol\u00edticos, nos espa\u00e7os de poder e tamb\u00e9m em espa\u00e7os privados. S\u00f3 que eu percebi que na extrema direita era utilizada como um mecanismo, uma ferramenta para estruturar e para, de fato, movimentar, manejar as mulheres \u00e0 margem da sociedade de maneira muito violenta. Ent\u00e3o, quando eu e a minha orientadora entendemos que o objeto seria a pesquisa dos grupos mis\u00f3ginos dentro do Telegram, e a gente pesquisou tamb\u00e9m alguns blogs, e foram realizadas tr\u00eas entrevistas com Lola Aronovich, Adriana Dias e Michele Prado para entender como que essas mulheres, que sofriam algum tipo de misoginia, percebiam essa misoginia acontecer, qual era a percep\u00e7\u00e3o delas. Ent\u00e3o, casando os grupos do Telegram, essas entrevistas e alguns blogs, a gente come\u00e7ou a perceber que existia, de fato, uma um espa\u00e7o na internet onde se disseminava o \u00f3dio \u00e0s mulheres. Ent\u00e3o, naquela \u00e9poca, em 2019, ainda n\u00e3o se falava em \u201cmachosfera\u201d. Existia um termo em ingl\u00eas, o \u201cmanosphere\u201d, que come\u00e7ava a ser utilizado. Ent\u00e3o, a partir desse momento, a gente entendeu que esses grupos mis\u00f3ginos, os blogs que j\u00e1 estavam descontinuados, mas estavam ali alimentando algum tipo de ressentimento, e o que eu ouvi dessas mulheres entrevistadas constitu\u00edram a machosfera.\u00a0<\/p>\n<p><em>A machosfera \u00e9 esse espa\u00e7o no ambiente digital, principalmente, onde se permite a constru\u00e7\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o do \u00f3dio contra as mulheres e n\u00e3o \u00e9 delimitado, \u00e9 qualquer um desses espa\u00e7os, seja em um perfil de rede social, plataforma de v\u00eddeo ou em um grupo de aplicativos de mensagem.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Uma das percep\u00e7\u00f5es que eu tive foi sobre a tend\u00eancia pol\u00edtica desses homens mis\u00f3ginos dentro do Telegram, por exemplo, e tamb\u00e9m ouvindo as mulheres entrevistadas. Todos, absolutamente todos eles, enaltecem o Bolsonaro. Apesar de existirem alguns homens com a radicaliza\u00e7\u00e3o da misoginia mais forte, a ponto de n\u00e3o aceitarem mulheres nos espa\u00e7os de poder, odiarem mulheres declaradamente, muitos deles falavam: \u2018\u00e9, apesar do Bolsonaro colocar conservadias [termo utilizado nos grupos masculinistas para representar mulheres do campo conservador] no poder, eu ainda voto nele porque ele ainda me representa\u2019. Ent\u00e3o, o maior n\u00edvel de insatisfa\u00e7\u00e3o que eu vi desses homens com Bolsonaro era porque ele tinha colocado mulheres no poder. Percebi nas pesquisas que, enquanto Bolsonaro era visto como piada em programas de TV, l\u00e1 em 2010, ele j\u00e1 era percebido como um projeto pol\u00edtico para ser presidente dentro da machosfera. Eles j\u00e1 se organizavam em torno disso, ent\u00e3o acredito que precisamos prestar aten\u00e7\u00e3o em colocar humor excessivo em figuras que reproduzem viol\u00eancia. Esses homens, de alguma maneira, s\u00e3o constru\u00eddos para estarem no poder para dominar a pol\u00edtica institucionalizada.<em> O Bolsonaro traz a institucionaliza\u00e7\u00e3o da misoginia.<\/em>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>A gente sabe que a viol\u00eancia contra a mulher sempre existiu na sociedade. Qual a sua percep\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o desses grupos na materializa\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia f\u00edsica? Como esse conte\u00fado violento que circula no ambiente da machosfera extrapola o virtual? Por exemplo, no crescimento dos \u00edndices de feminic\u00eddios.\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 importante a gente dizer que a misoginia sempre existiu. Inclusive, o nosso pa\u00eds foi explorado baseado na misoginia sofrida por mulheres escravizadas e ind\u00edgenas. \u00c9 importante a gente frisar. S\u00f3 que a misoginia, assim como o capitalismo, vai criando novas roupagens, se adaptando, se apropriando. Ao passo que n\u00f3s, mulheres feministas, estamos utilizando a internet para forma\u00e7\u00e3o, para nos conectar com mais mulheres, para fazer den\u00fancias, a misoginia tamb\u00e9m utiliza a internet nessa disputa de narrativas, disputa de indiv\u00edduos, para se fortalecer. Ent\u00e3o, por exemplo, um homem comum indo para o trabalho, ele vive numa escala 6 por 1, ele se percebe extremamente explorado e frustrado porque v\u00ea nas redes sociais pessoas enriquecendo com bets, com casas de apostas e ele n\u00e3o est\u00e1 enriquecendo daquela forma e muitas vezes, envolvido em endividamento, \u00e9 casado, passando algum tipo de necessidade. Ele ali frustrado, ressentido e sem entender o que \u00e9 esse ressentimento, esse \u00f3dio que ele est\u00e1 sentindo, e dentro desses grupos de mensagem, nos perfis de rede social, nas plataformas de v\u00eddeo, come\u00e7a a perceber uma justificativa para toda essa vida ruim. E muitos homens que t\u00eam canais, que vendem cursos, falam: \u2018olha, voc\u00ea precisa enriquecer, sua vida s\u00f3 est\u00e1 assim porque as mulheres te exploram, porque as mulheres te trazem preju\u00edzo, porque as mulheres te colocam nesse lugar. A mulher precisa estar no lugar de cuidado, cuidando de voc\u00ea, cuidando da sua casa e se ela questionar alguma coisa \u00e9 porque ela est\u00e1 querendo seu lugar\u2019. Ent\u00e3o todo esse discurso que esses homens reproduzem alimenta o ressentimento, de alguma forma, desses homens. N\u00e3o \u00e9 trivial a gente associar esse aumento da viol\u00eancia contra as mulheres com a dissemina\u00e7\u00e3o do \u00f3dio na internet e isso n\u00e3o afeta apenas os homens adultos. Isso afeta tamb\u00e9m os meninos. A gera\u00e7\u00e3o alfa nasce na internet e pesquisas j\u00e1 apontam que meninos de 15 anos acham realmente que mulheres devem ser submissas aos seus maridos. Estamos vendo casos de estupros coletivos planejados por adolescentes. \u00c9 algo muito grave que est\u00e1 acontecendo. A adolesc\u00eancia \u00e9 uma fase de socializa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 comum o menino n\u00e3o saber o que fazer com esses questionamentos que aparecem dispon\u00edveis na internet, esse \u00e9 o momento em que a machosfera absorve esses jovens. Ent\u00e3o, \u00e9 um tipo de viol\u00eancia que est\u00e1 atravessando gera\u00e7\u00f5es. Essa \u00e9 a nossa preocupa\u00e7\u00e3o. Qual \u00e9 o lugar da machosfera para radicalizar os meninos e os homens e para a submiss\u00e3o e aumento da viol\u00eancia contra as meninas e mulheres?<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 que estamos falando de uma viol\u00eancia que nasce a partir de conte\u00fados disseminados nas redes sociais, qual voc\u00ea acredita ser o papel das big techs no fomento desses discursos?<\/strong><\/p>\n<p>A cada mulher que \u00e9 agredida, a cada mulher que \u00e9 morta, n\u00f3s tamb\u00e9m morremos um pouco. Ent\u00e3o, existe a revolta, s\u00f3 que apenas focar no agressor, n\u00e3o \u00e9 o suficiente. O punitivismo, se ele fosse suficiente, a gente n\u00e3o estaria precisando de mais leis para tentar coibir a viol\u00eancia. A gente tem que pensar o que acontece para que esses homens agressores se sintam autorizados a agredirem as mulheres e n\u00e3o terem pudor disso. A\u00ed entram as big techs e as discuss\u00f5es da regula\u00e7\u00e3o, os debates sobre o ECA Digital, sobre qual \u00e9 o papel das empresas, as responsabilidades. Acredito que as\u00a0 big techs precisam ser severamente punidas. Elas permitem a produ\u00e7\u00e3o desses conte\u00fados, hospedam e produzem algoritmos que fazem com que esses conte\u00fados cheguem nas pessoas que elas querem alcan\u00e7ar. Ent\u00e3o isso \u00e9 muito grave. A gente tem o exemplo da China, que tem suas pr\u00f3prias redes sociais, colocam pr\u00e9-requisitos para determinadas empresas de internet, por exemplo, entrarem no pa\u00eds. E a Meta n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1, por exemplo. No Brasil, a gente precisa entender o porqu\u00ea dessas big techs ainda estarem moldando os nossos comportamentos. As redes sociais moldam os nossos comportamentos, as nossas vontades e os nossos desejos. Ent\u00e3o, a gente tem que pensar, e j\u00e1 existem projetos de lei voltados para isso, na puni\u00e7\u00e3o das big techs, suspens\u00e3o, altas multas, medidas que afetem as empresas. A gente tem visto muitos perfis reproduzindo a viol\u00eancia, incentivando. E a\u00ed a big tech, enquanto ela tiver lucrando, enquanto ela tiver produzindo conte\u00fado e esse lucro chegar a partir desse conte\u00fado, parece que nada vai acontecer, parece que ela vai continuar fazendo. Al\u00e9m da puni\u00e7\u00e3o dos agressores, temos que entender de onde vem essa radicaliza\u00e7\u00e3o, entender que as big techs s\u00e3o a raiz disso. Nesse sentido, o tema do letramento digital \u00e9 muito importante para que seja poss\u00edvel, cada vez mais, identificar a viol\u00eancia e n\u00e3o naturalizar o que est\u00e1 acontecendo.\u00a0<\/p>\n<p><strong>E esse ressentimento dos homens canalizado para o \u00f3dio \u00e0s mulheres pode ser considerado um fen\u00f4meno global?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, essa apropria\u00e7\u00e3o da extrema direita na internet, essa radicaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma quest\u00e3o mundial. A gente v\u00ea, por exemplo, nos Estados Unidos, existem grupos mis\u00f3ginos declarados, os <em>groypers<\/em>, que s\u00e3o grupos de jovens que acreditam que o mal do mundo s\u00e3o as mulheres. Ent\u00e3o, Nick Fuentes, que \u00e9 um grande l\u00edder do grupo nos Estados Unidos, j\u00e1 falou, declaradamente em rede aberta de televis\u00e3o, que o mal do mundo \u00e9 a mulher. E muita gente aqui no Brasil bebe dessa fonte, entre outros grupos. Com rela\u00e7\u00e3o a ataques mis\u00f3ginos, podemos citar o que aconteceu com Dilma Rousseff em 2014 e 2016, al\u00e9m do processo eleitoral de 2018 que foi extremamente violento para uma s\u00e9rie de candidatas mulheres, com casos se repetindo em 2022 e agora em 26. E n\u00e3o podemos esquecer que as big techs, que produzem os algoritmos, nesse contexto, s\u00e3o ferramentas comandadas por Mark Zuckerberg, Elon Musk, que j\u00e1 declararam apoio ao governo Trump. Portanto, \u00e9 muito dif\u00edcil enfrentar uma comunica\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica que j\u00e1 tem lado.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Falamos da rela\u00e7\u00e3o entre machosfera e a viol\u00eancia, mas como as mulheres se posicionam dentro disso? Do ponto de vista do ideal conservador, por exemplo, temos as chamadas \u201ctradwifes\u201d, que pregam que a submiss\u00e3o feminina \u00e9 algo positivo para as mulheres. Como voc\u00ea analisa esse grupo?<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Os movimentos feministas permanecem de p\u00e9 porque o discurso do ressentimento ocupa muitos espa\u00e7os. Inclusive, nas redes, temos essas grandes influ\u00eancias que mostram o qu\u00e3o incr\u00edvel s\u00e3o as suas vidas, n\u00e9? Como \u00e9 incr\u00edvel cuidar da sua fam\u00edlia, o qu\u00e3o incr\u00edvel \u00e9 ser conservadora, o qu\u00e3o incr\u00edvel \u00e9 ser uma mulher bela, recatada e do lar, como se as mulheres do cotidiano, as trabalhadoras tamb\u00e9m n\u00e3o fossem mulheres que cuidam e que est\u00e3o, de fato, lutando pelas suas fam\u00edlias. E por tr\u00e1s de todas essas influenciadoras, das esposas tradicionais, h\u00e1 muito engajamento, muito enriquecimento. Ent\u00e3o, elas mostram na frente que elas s\u00e3o conservadoras, que elas s\u00e3o m\u00e3es de fam\u00edlia, que cuidam o dia inteiro dos seus maridos, mas por tr\u00e1s est\u00e3o enriquecendo baseado no que as m\u00e3es, as mulheres comuns, no que as trabalhadoras t\u00eam consumido. Isso gera tamb\u00e9m um certo ressentimento, n\u00e9? A mulher tamb\u00e9m quer ter uma vida tranquila, a mulher comum tamb\u00e9m quer ter um um momento com a sua fam\u00edlia, tamb\u00e9m quer ter um momento com os seus filhos. As meninas tamb\u00e9m querem ter esse espa\u00e7o de notoriedade, o seu lugar na internet, de serem tamb\u00e9m influenciadoras. Tamb\u00e9m \u00e9 muito dif\u00edcil para as meninas o cen\u00e1rio que est\u00e1 colocado. E qual \u00e9 a consequ\u00eancia disso tudo? Elas entraram nessa rede de opress\u00e3o, de submiss\u00e3o, em uma rede de endividamento. As mulheres est\u00e3o mais endividadas, elas s\u00e3o o arrimo de fam\u00edlia geralmente, s\u00e3o elas que tem que sustentar todo o cuidado da fam\u00edlia, s\u00e3o elas que tem que ter mais de um emprego, para al\u00e9m do cuidado que \u00e9 feito, que tamb\u00e9m faz parte da economia do nosso pa\u00eds, que \u00e9 a economia do cuidado. Ent\u00e3o, \u00e0 medida que as mulheres se v\u00eaem amarradas nesse emaranhado de influenciadores que querem falar o que \u00e9 ter uma vida boa, as mulheres se sentem frustradas e a\u00ed elas querem estar em uma rela\u00e7\u00e3o com um homem que seja um sonho de princesa, e isso n\u00e3o existe. A gente percebe que muitas mulheres entram em relacionamentos extremamente abusivos, com homens extremamente violentos para formar uma fam\u00edlia, ter uma casa, filhos e tudo aquilo que as influenciadoras pregam.Toda essa l\u00f3gica de rede social de conto da fantasia tem como consequ\u00eancia mulheres violentadas, mulheres mais submissas, mulheres silenciadas, v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e feminic\u00eddios. Ent\u00e3o as tradwifes s\u00e3o um verdadeiro perigo, uma armadilha, n\u00e3o existe essa vida perfeita que elas pregam.\u00a0<\/p>\n<figure><img data-dominant-color=\"6a6d59\" data-has-transparency=\"false\" decoding=\"async\" width=\"296\" height=\"353\" sizes=\"(max-width: 296px) 100vw, 296px\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/capa_machosfera.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/capa_machosfera.webp 296w, https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/capa_machosfera-252x300.webp 252w, https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/capa_machosfera-126x150.webp 126w\"><\/figure>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quando-a-ia-vira-desculpa-para-demissoes\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Ao estudar a atua\u00e7\u00e3o dos grupos nas redes, a pesquisadora teve como foco compreender como a rela\u00e7\u00e3o entre os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[75167,38241,1782,8620,82223,422],"tags":[],"class_list":["post-103524","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bruna-camilo","category-machosfera","category-misoginia","category-noticia","category-odio-as-mulheres","category-violencia-contra-a-mulher"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103524","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103524"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103524\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}