{"id":103924,"date":"2026-09-10T14:40:24","date_gmt":"2026-09-10T17:40:24","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/neoliberalismo-como-ideologia-da-alienacao\/"},"modified":"2026-09-10T14:40:24","modified_gmt":"2026-09-10T17:40:24","slug":"neoliberalismo-como-ideologia-da-alienacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/neoliberalismo-como-ideologia-da-alienacao\/","title":{"rendered":"Neoliberalismo como ideologia da aliena\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>O abuso do conceito <\/span><i><span>neoliberalismo <\/span><\/i><span>como chave explicativa quase total da hist\u00f3ria brasileira recente produziu um paradoxo te\u00f3rico paralisante. Quanto mais o termo passou a nomear fen\u00f4menos diversos \u2014 privatiza\u00e7\u00f5es, abertura comercial, desregulamenta\u00e7\u00e3o, austeridade, flexibiliza\u00e7\u00e3o do trabalho, financeiriza\u00e7\u00e3o, regress\u00e3o social, redu\u00e7\u00e3o de direitos \u2014, menos ele foi capaz de explicar as determina\u00e7\u00f5es estruturais que conferem unidade a esses processos. N\u00e3o se trata de negar a exist\u00eancia hist\u00f3rica do neoliberalismo, nem em desconhecer a especificidade das reformas implementadas desde o final do s\u00e9culo XX. Mas recusar sua autonomiza\u00e7\u00e3o como categoria central de interpreta\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o social brasileira. Quando convertido em princ\u00edpio explicativo global, o neoliberalismo tende a isolar um conjunto de pol\u00edticas e institui\u00e7\u00f5es de sua base material e a transformar uma forma hist\u00f3rica particular da domina\u00e7\u00e3o burguesa em causa origin\u00e1ria das contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span>Do ponto de vista marxista, tal procedimento inverte a ordem da an\u00e1lise: parte-se da forma pol\u00edtica e ideol\u00f3gica para explicar a totalidade, quando seria necess\u00e1rio reconstruir o movimento da totalidade social para compreender por que determinadas formas pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas se tornam historicamente funcionais \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do capital.<\/span><\/p>\n<p><span>Em Marx, o concreto n\u00e3o \u00e9 o imediatamente dado, mas <\/span><i><span>s\u00edntese de m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es<\/span><\/i><span>. A abertura comercial dos anos 1990, as privatiza\u00e7\u00f5es, o enfraquecimento de determinadas capacidades estatais, a reorganiza\u00e7\u00e3o financeira, as reformas trabalhistas e previdenci\u00e1rias e a intensifica\u00e7\u00e3o da disciplina fiscal n\u00e3o podem ser compreendidas como elementos autossuficientes. Ao contr\u00e1rio. Elas integram uma reconfigura\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de reprodu\u00e7\u00e3o do capital em uma forma\u00e7\u00e3o social historicamente dependente, cuja inser\u00e7\u00e3o subordinada no mercado mundial, concentra\u00e7\u00e3o da propriedade, desigualdade estrutural e superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho antecedem em muito a hegemonia neoliberal. O neoliberalismo, nessa perspectiva, \u00e9 uma forma hist\u00f3rica de gest\u00e3o e recomposi\u00e7\u00e3o dessas contradi\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o sua origem.<\/span><\/p>\n<p><span>A insufici\u00eancia da categoria torna-se ainda mais evidente quando se observa que grande parte da literatura sobre neoliberalismo foi constru\u00edda a partir da experi\u00eancia dos pa\u00edses centrais. Nesse registro, o neoliberalismo aparece como ofensiva contra o compromisso keynesiano, o Estado de bem-estar, o poder sindical e os sistemas universais de prote\u00e7\u00e3o social constitu\u00eddos no p\u00f3s-guerra. Esse esquema \u00e9 parcialmente verdadeiro para as economias centrais, mas perde capacidade explicativa quando transportado de maneira mec\u00e2nica para a periferia. O Brasil jamais constituiu um Estado social universal compar\u00e1vel ao europeu; jamais superou a informalidade estrutural; jamais universalizou direitos trabalhistas em toda a for\u00e7a de trabalho; jamais eliminou a desigualdade regional, racial e fundi\u00e1ria que comp\u00f5e a pr\u00f3pria estrutura de reprodu\u00e7\u00e3o do capital. Falar em <\/span><i><span>desmonte neoliberal<\/span><\/i><span> sem reconhecer a incompletude hist\u00f3rica da cidadania social brasileira pode produzir a ilus\u00e3o de que existiu, antes dos anos 1990, uma ordem capitalista nacional relativamente integrada e socialmente inclusiva, posteriormente destru\u00edda por uma doutrina externa. Essa narrativa, al\u00e9m de historicamente incorreta, obscurece a continuidade das formas dependentes de acumula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>O ponto de partida mais fecundo est\u00e1 na tradi\u00e7\u00e3o marxista que pensou a especificidade do capitalismo brasileiro como capitalismo dependente. Caio Prado J\u00fanior demonstrou que a forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds n\u00e3o poderia ser compreendida por etapas abstratas copiadas da experi\u00eancia europeia, mas sim pela constitui\u00e7\u00e3o de uma economia orientada desde a origem para necessidades externas. A coloniza\u00e7\u00e3o, longe de constituir simples passado pr\u00e9-capitalista, integrou precocemente o territ\u00f3rio brasileiro \u00e0 expans\u00e3o mercantil e \u00e0 divis\u00e3o internacional do trabalho. Essa determina\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica ajuda a compreender porqu\u00ea, mesmo ap\u00f3s a industrializa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o de um mercado interno mais complexo, a din\u00e2mica nacional permaneceu condicionada por rela\u00e7\u00f5es de subordina\u00e7\u00e3o externa e pela associa\u00e7\u00e3o entre classes dominantes internas e capitais internacionais. O capitalismo brasileiro n\u00e3o \u00e9 apenas um capitalismo <\/span><i><span>atrasado<\/span><\/i><span>; \u00e9 uma forma espec\u00edfica de desenvolvimento desigual e combinado, na qual moderniza\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia se reproduzem conjuntamente.<\/span><\/p>\n<p><span>Florestan Fernandes aprofundou essa problem\u00e1tica ao demonstrar que a revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil n\u00e3o produziu uma ordem burguesa nos moldes cl\u00e1ssicos. A burguesia brasileira consolidou-se por meio de uma dupla articula\u00e7\u00e3o: internamente, mediante a preserva\u00e7\u00e3o de estruturas de concentra\u00e7\u00e3o de poder e riqueza; externamente, mediante sua associa\u00e7\u00e3o subordinada e dependente ao capitalismo monopolista internacional. Da\u00ed a forma autocr\u00e1tica assumida pela domina\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil. A democracia liberal, quando existente, permaneceu tensionada por mecanismos de restri\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o popular, pelo peso dos aparelhos coercitivos e pela incapacidade das classes dominantes em incorporar, de modo est\u00e1vel, as demandas das massas trabalhadoras. Essa leitura \u00e9 decisiva porque mostra que autoritarismo, concentra\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o desvios produzidos pelo neoliberalismo. Eles pertencem \u00e0 pr\u00f3pria forma hist\u00f3rica de constitui\u00e7\u00e3o do poder burgu\u00eas no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span>Ruy Mauro Marini oferece outra determina\u00e7\u00e3o central ao formular o conceito de superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Nas economias dependentes, a compensa\u00e7\u00e3o das transfer\u00eancias de valor para os centros do sistema mundial tende a ocorrer por meio da intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do trabalho, seja pela extens\u00e3o da jornada, pela eleva\u00e7\u00e3o da intensidade do trabalho ou pela remunera\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho abaixo de seu valor. Essa categoria permite compreender a persist\u00eancia de sal\u00e1rios reduzidos, precariedade, rotatividade, informalidade e fragilidade da reprodu\u00e7\u00e3o social da classe trabalhadora como elementos estruturais do capitalismo dependente. Nesse quadro, a flexibiliza\u00e7\u00e3o neoliberal n\u00e3o cria <\/span><i><span>ex nihilo<\/span><\/i><span> a precariza\u00e7\u00e3o; ela reorganiza, potencializa e radicaliza uma tend\u00eancia hist\u00f3rica j\u00e1 inscrita no padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rico. O que muda s\u00e3o os dispositivos jur\u00eddicos, pol\u00edticos e empresariais atrav\u00e9s dos quais essa superexplora\u00e7\u00e3o \u00e9 administrada.<\/span><\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-265302\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/crowded_carriage_of_a_frota_p_train_sao_paulo_metro.jpg\" alt=\"Falar em desmonte neoliberal sem reconhecer a incompletude hist\u00f3rica da cidadania social brasileira pode produzir a ilus\u00e3o de que existiu, antes dos anos 1990, uma ordem capitalista nacional relativamente integrada e socialmente inclusiva. &lt;br&gt; (Foto: Wilfredor \/ Wikimedia Commons)\" width=\"1280\" height=\"853\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/crowded_carriage_of_a_frota_p_train_sao_paulo_metro.jpg 1280w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/crowded_carriage_of_a_frota_p_train_sao_paulo_metro-300x200.jpg 300w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/crowded_carriage_of_a_frota_p_train_sao_paulo_metro-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/crowded_carriage_of_a_frota_p_train_sao_paulo_metro-768x512.jpg 768w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/crowded_carriage_of_a_frota_p_train_sao_paulo_metro-53x35.jpg 53w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><\/p>\n<p>Falar em desmonte neoliberal sem reconhecer a incompletude hist\u00f3rica da cidadania social brasileira pode produzir a ilus\u00e3o de que existiu, antes dos anos 1990, uma ordem capitalista nacional relativamente integrada e socialmente inclusiva. <br \/>(Foto: Wilfredor \/ Wikimedia Commons)<\/p>\n<\/div>\n<p><span>A cr\u00edtica de Francisco de Oliveira \u00e0 <\/span><i><span>raz\u00e3o dualista<\/span><\/i><span> converge com esse argumento. O capitalismo brasileiro n\u00e3o deve ser interpretado como coexist\u00eancia exterior entre um setor moderno e outro arcaico. O chamado atraso \u00e9 funcional ao moderno; a informalidade, o baixo sal\u00e1rio, a urbaniza\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e as formas n\u00e3o plenamente mercantis de reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho reduzem custos e sustentam a acumula\u00e7\u00e3o. A imagem de um Brasil moderno deformado por sobreviv\u00eancias tradicionais perde, assim, seu sentido. O desenvolvimento capitalista produz e incorpora ativamente essas heterogeneidades. Essa formula\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente importante para criticar a narrativa segundo a qual o neoliberalismo teria <\/span><i><span>desmodernizado<\/span><\/i><span> o pa\u00eds. A precariedade n\u00e3o \u00e9 exterior \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o capitalista brasileira. \u00c9 uma de suas condi\u00e7\u00f5es recorrentes.<\/span><\/p>\n<p><span>Se se adota esse conjunto de determina\u00e7\u00f5es, a hist\u00f3ria econ\u00f4mica do s\u00e9culo XX aparece sob outra luz. A industrializa\u00e7\u00e3o substitutiva de importa\u00e7\u00f5es, o varguismo, o desenvolvimentismo e a expans\u00e3o do Estado produtor representaram transforma\u00e7\u00f5es reais na estrutura econ\u00f4mica, mas n\u00e3o romperam a depend\u00eancia. Ao contr\u00e1rio, sobretudo a partir dos anos 1950, a industrializa\u00e7\u00e3o pesada aprofundou a associa\u00e7\u00e3o entre capital estatal, capital privado nacional e capital estrangeiro. O Plano de Metas, a entrada de multinacionais, a expans\u00e3o da ind\u00fastria automobil\u00edstica e o financiamento externo mostraram que industrializa\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia n\u00e3o eram polos excludentes. O pa\u00eds podia industrializar-se e, simultaneamente, refor\u00e7ar sua subordina\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, financeira e empresarial.<\/span><\/p>\n<p><span>A ditadura de 1964 confirma essa tese. Muito antes da consagra\u00e7\u00e3o mundial do neoliberalismo, o regime militar promoveu forte concentra\u00e7\u00e3o de renda, repress\u00e3o salarial, abertura ao capital internacional, reestrutura\u00e7\u00e3o financeira e expans\u00e3o de grandes grupos monopolistas, ao mesmo tempo em que o Estado realizava investimentos maci\u00e7os em infraestrutura e empresas p\u00fablicas. Trata-se de uma combina\u00e7\u00e3o que desafia a oposi\u00e7\u00e3o simplista entre <\/span><i><span>Estado desenvolvimentista<\/span><\/i><span> e <\/span><i><span>mercado neoliberal<\/span><\/i><span>. O essencial n\u00e3o \u00e9 perguntar se havia mais ou menos Estado, mas a servi\u00e7o de quais rela\u00e7\u00f5es de classe, de qual padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o e de qual articula\u00e7\u00e3o com o capital internacional esse Estado operava. O Estado capitalista jamais \u00e9 exterior ao mercado: ele organiza juridicamente a propriedade, disciplina a for\u00e7a de trabalho, socializa custos, garante infraestruturas e administra as condi\u00e7\u00f5es gerais da acumula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>A crise dos anos 1980 deve, por isso mesmo, ser tratada como momento de transi\u00e7\u00e3o no interior da crise do padr\u00e3o de reprodu\u00e7\u00e3o do capital dependente. O endividamento externo, a eleva\u00e7\u00e3o das taxas de juros internacionais, a infla\u00e7\u00e3o, a crise fiscal e a perda de dinamismo industrial n\u00e3o foram simples resultado de <\/span><i><span>erros de pol\u00edtica econ\u00f4mica<\/span><\/i><span>, mas express\u00f5es da posi\u00e7\u00e3o subordinada do Brasil no sistema mundial e dos limites internos do ciclo anterior de acumula\u00e7\u00e3o. A virada liberal posterior encontrou, portanto, uma forma\u00e7\u00e3o social j\u00e1 profundamente marcada por endividamento, concentra\u00e7\u00e3o, internacionaliza\u00e7\u00e3o produtiva e fragilidade estrutural da classe trabalhadora. O neoliberalismo n\u00e3o chega a uma economia nacional soberana para destru\u00ed-la; ele reorganiza uma depend\u00eancia j\u00e1 constitu\u00edda.<\/span><\/p>\n<p><span>Nos anos 1990, essa reorganiza\u00e7\u00e3o assume formas conhecidas: liberaliza\u00e7\u00e3o comercial e financeira, privatiza\u00e7\u00f5es, reforma patrimonial do Estado, consolida\u00e7\u00e3o de novos mecanismos de endividamento p\u00fablico, atra\u00e7\u00e3o de capitais externos e subordina\u00e7\u00e3o crescente da pol\u00edtica macroecon\u00f4mica \u00e0 estabilidade monet\u00e1ria e \u00e0s exig\u00eancias dos credores. Tais medidas devem ser analisadas, por\u00e9m, n\u00e3o apenas como ado\u00e7\u00e3o de uma doutrina, mas como resposta das classes dominantes \u00e0 crise de acumula\u00e7\u00e3o e \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es do capitalismo mundial. A mundializa\u00e7\u00e3o financeira, a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, a expans\u00e3o das cadeias globais de valor e a centraliza\u00e7\u00e3o transnacional do capital criaram press\u00f5es objetivas que foram internalizadas de modo espec\u00edfico pelas burguesias dependentes. A ideologia neoliberal forneceu linguagem, legitimidade e programa a essa reconfigura\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o a explica por si s\u00f3.<\/span><\/p>\n<p><span>A insist\u00eancia no neoliberalismo como categoria dominante tamb\u00e9m produz um problema pol\u00edtico. Ela tende a organizar a cr\u00edtica em torno da defesa abstrata do <\/span><i><span>Estado<\/span><\/i><span> contra o <\/span><i><span>mercado<\/span><\/i><span>, como se a estatiza\u00e7\u00e3o, por si mesma, significasse supera\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica capitalista ou fortalecimento nacional. A tradi\u00e7\u00e3o marxista exige pergunta distinta: qual Estado, dirigido por quais classes, para organizar qual padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o? A experi\u00eancia brasileira mostra que um Estado economicamente ativo pode ampliar a industrializa\u00e7\u00e3o e, simultaneamente, reproduzir concentra\u00e7\u00e3o de renda, depend\u00eancia tecnol\u00f3gica e repress\u00e3o pol\u00edtica. Do mesmo modo, privatiza\u00e7\u00f5es podem transferir patrim\u00f4nio p\u00fablico a capitais privados sem que isso implique desaparecimento do Estado; frequentemente ocorre o contr\u00e1rio, pois o Estado continua financiando, regulando, garantindo contratos e socializando riscos.<\/span><\/p>\n<p><span>A categoria de capitalismo dependente permite, portanto, compreender a unidade entre momentos aparentemente opostos. Desenvolvimentismo e neoliberalismo n\u00e3o s\u00e3o equivalentes, nem devem ser dissolvidos numa continuidade indiferenciada. Produzem regimes distintos de pol\u00edtica econ\u00f4mica, padr\u00f5es diversos de interven\u00e7\u00e3o estatal e correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7a espec\u00edficas. Entretanto, ambos operam sobre uma mesma estrutura de classes e sobre uma inser\u00e7\u00e3o internacional historicamente subordinada. A an\u00e1lise marxista deve apreender simultaneamente continuidade e descontinuidade. O erro te\u00f3rico est\u00e1 tanto em negar a especificidade da fase neoliberal quanto em convert\u00ea-la em ruptura absoluta capaz de apagar as determina\u00e7\u00f5es anteriores.<\/span><\/p>\n<p><span>Isso significa tamb\u00e9m recusar uma narrativa moral da hist\u00f3ria econ\u00f4mica, na qual o neoliberalismo aparece como triunfo de <\/span><i><span>m\u00e1s ideias<\/span><\/i><span> sobre um Estado nacional anteriormente virtuoso. Ideias importam, mas sua efic\u00e1cia hist\u00f3rica depende de rela\u00e7\u00f5es materiais. O neoliberalismo s\u00f3 se converteu em for\u00e7a porque correspondeu a interesses de fra\u00e7\u00f5es do capital, a uma determinada correla\u00e7\u00e3o entre classes e a transforma\u00e7\u00f5es objetivas do capitalismo mundial. A burguesia interna n\u00e3o foi simples v\u00edtima de uma imposi\u00e7\u00e3o externa. Grandes grupos nacionais participaram das privatiza\u00e7\u00f5es, internacionalizaram-se, associaram-se a capitais estrangeiros, beneficiaram-se de altas taxas de juros, de cr\u00e9dito p\u00fablico e da abertura de novos mercados. A depend\u00eancia n\u00e3o significa aus\u00eancia de ag\u00eancia das classes dominantes nacionais; significa que sua reprodu\u00e7\u00e3o ocorre de modo articulado e subordinado ao capital internacional.<\/span><\/p>\n<p><span>Essa dimens\u00e3o \u00e9 central. A burguesia dependente pode defender interesses nacionais particulares sem constituir uma burguesia nacional historicamente capaz de liderar um projeto aut\u00f4nomo de desenvolvimento. Sua associa\u00e7\u00e3o com o capital externo e seu temor da mobiliza\u00e7\u00e3o popular limitam a possibilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa democr\u00e1tica e nacional nos moldes cl\u00e1ssicos. Por isso, projetos de moderniza\u00e7\u00e3o <\/span><i><span>pelo alto<\/span><\/i><span>, de tipo prussiano, reiteradamente combinam crescimento, concentra\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o. A Quest\u00e3o Nacional, na tradi\u00e7\u00e3o marxista brasileira, n\u00e3o desaparece, mas deve ser pensada como problema de classe: soberania econ\u00f4mica e democratiza\u00e7\u00e3o substantiva entram em tens\u00e3o com a pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o das classes dominantes associadas.<\/span><\/p>\n<p><span>Do ponto de vista do materialismo hist\u00f3rico a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 perguntar quando o Brasil <\/span><i><span>se tornou neoliberal<\/span><\/i><span>, mas que transforma\u00e7\u00f5es ocorreram no padr\u00e3o de reprodu\u00e7\u00e3o do capital, na composi\u00e7\u00e3o das classes, na inser\u00e7\u00e3o internacional e nas formas estatais de organiza\u00e7\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o. A periodiza\u00e7\u00e3o deve emergir dessas determina\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o de uma taxonomia previamente importada. Em certos momentos, pol\u00edticas consideradas neoliberais podem coexistir com expans\u00e3o do gasto social, fortalecimento de empresas p\u00fablicas ou pol\u00edticas industriais. Em outros, governos que reivindicam o desenvolvimento nacional podem manter mecanismos macroecon\u00f4micos e financeiros herdados da fase anterior. Essas combina\u00e7\u00f5es aparentemente contradit\u00f3rias s\u00e3o intelig\u00edveis quando o foco se desloca das etiquetas para as rela\u00e7\u00f5es de classe e para a din\u00e2mica da acumula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>A categoria de imperialismo torna-se, assim, indispens\u00e1vel. Desde L\u00eanin, o marxismo reconhece que a expans\u00e3o monopolista do capital cria hierarquias entre forma\u00e7\u00f5es sociais. No p\u00f3s-guerra, essas rela\u00e7\u00f5es tornaram-se mais complexas com empresas transnacionais, organismos multilaterais, circuitos financeiros globais e cadeias produtivas internacionalizadas. A depend\u00eancia brasileira deve ser analisada nesse n\u00edvel. As reformas neoliberais s\u00e3o momentos de adapta\u00e7\u00e3o a uma ordem imperialista em transforma\u00e7\u00e3o. Sem essa media\u00e7\u00e3o, a cr\u00edtica corre o risco de substituir a an\u00e1lise do capital internacional por uma cr\u00edtica moral ao <\/span><i><span>mercado<\/span><\/i><span> ou a organismos espec\u00edficos, perdendo de vista as rela\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas que produzem a subordina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>A cr\u00edtica aqui proposta n\u00e3o implica abandonar o conceito, mas implica subordin\u00e1-lo a categorias de maior poder explicativo. Neoliberalismo pode designar tanto uma forma hist\u00f3rica espec\u00edfica de regula\u00e7\u00e3o, uma racionalidade pol\u00edtica burguesa, um programa de reformas ou um conjunto de dispositivos institucionais. Ele \u00e9 \u00fatil para caracterizar determinadas modalidades de hegemonia, de gest\u00e3o estatal e de disciplinamento social. Torna-se problem\u00e1tico apenas quando passa a explicar aquilo que, na verdade, precisa ser explicado por determina\u00e7\u00f5es mais profundas: a depend\u00eancia, a superexplora\u00e7\u00e3o, a concentra\u00e7\u00e3o da propriedade, a internacionaliza\u00e7\u00e3o do capital, o poder das fra\u00e7\u00f5es financeiras e a forma autocr\u00e1tica da domina\u00e7\u00e3o burguesa.<\/span><\/p>\n<p><span>A vantagem te\u00f3rica dessa invers\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m estrat\u00e9gica. Se o neoliberalismo for concebido como causa fundamental, sua supera\u00e7\u00e3o poderia parecer poss\u00edvel por meio de uma simples mudan\u00e7a de pol\u00edtica econ\u00f4mica: mais Estado, mais investimento, mais prote\u00e7\u00e3o social, mais regula\u00e7\u00e3o. Essas medidas podem ser necess\u00e1rias e podem melhorar concretamente a vida das classes populares, mas n\u00e3o rompem automaticamente com a depend\u00eancia. Uma pol\u00edtica verdadeiramente transformadora teria de enfrentar a estrutura da propriedade, a subordina\u00e7\u00e3o financeira e tecnol\u00f3gica, o padr\u00e3o de apropria\u00e7\u00e3o do excedente, a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, o poder monopolista e as formas pol\u00edticas que asseguram a reprodu\u00e7\u00e3o das classes dominantes.<\/span><\/p>\n<p><span>O limite da categoria neoliberalismo para pensar o Brasil reside em sua tend\u00eancia a isolar uma fase hist\u00f3rica e convert\u00ea-la em explica\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma do capitalismo nacional. A tradi\u00e7\u00e3o marxista oferece um caminho mais rigoroso: partir da totalidade concreta do capitalismo dependente brasileiro, reconstruir suas determina\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e compreender o neoliberalismo como uma forma espec\u00edfica de reorganiza\u00e7\u00e3o dessa totalidade. O que deve ser explicado n\u00e3o \u00e9 apenas a ascens\u00e3o de uma doutrina, mas a reprodu\u00e7\u00e3o ampliada de uma forma\u00e7\u00e3o social subordinada, desigual e marcada pela superexplora\u00e7\u00e3o. O neoliberalismo \u00e9 uma media\u00e7\u00e3o real e relevante, mas n\u00e3o seu fundamento \u00faltimo.<\/span><\/p>\n<p><span>A tarefa te\u00f3rica, portanto, consiste em recolocar o debate nos termos da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. Isso exige superar a oposi\u00e7\u00e3o abstrata entre Estado e mercado, romper com periodiza\u00e7\u00f5es importadas mecanicamente do capitalismo central e recuperar a an\u00e1lise das classes, do imperialismo e da depend\u00eancia. O Brasil n\u00e3o se torna intelig\u00edvel quando visto como uma democracia social incompleta posteriormente destru\u00edda pelo neoliberalismo. Ele deve ser compreendido como uma forma\u00e7\u00e3o capitalista dependente cuja moderniza\u00e7\u00e3o sempre combinou avan\u00e7o produtivo, heterogeneidade estrutural, concentra\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o externa. As formas neoliberais s\u00e3o parte desse movimento hist\u00f3rico. E explic\u00e1-las exige ir al\u00e9m delas.<\/span><\/p>\n<p><b><i>(*) Guilherme Diniz <\/i><\/b><i><span>\u00e9 professor de Hist\u00f3ria do Brasil e dedica-se ao estudo da forma\u00e7\u00e3o social brasileira, do pensamento brasileiro e das ideias que moldaram o pa\u00eds. Minhas pesquisas transitam por temas como For\u00e7as Armadas, republicanismo e nacionalismo no Brasil, buscando compreender as continuidades, disputas e projetos que atravessam nossa trajet\u00f3ria hist\u00f3rica, pol\u00edtica e intelectual.<\/span><\/i><\/p>\n<p>O post Neoliberalismo como ideologia da aliena\u00e7\u00e3o apareceu primeiro em Opera Mundi.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/e-sempre-mais-facil-investir-na-guerra-do-que-na-paz-afirma-lula-na-cupula-do-brics\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018\u00c9 sempre mais f\u00e1cil investir na guerra do que na ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/especial-lula-80-anos-os-encontros-que-moldaram-a-diplomacia-brasileira\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/papa-francisco-e-lula-e1745239787190-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Especial Lula 80 anos: os encontros que moldaram a...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/contarato-propoe-alteracao-no-codigo-penal-para-impedir-relativizacao-do-estupro-de-vulneravel\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Contarato prop\u00f5e altera\u00e7\u00e3o no C\u00f3digo Penal para im...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/adolescentes-e-anciaos-lutam-juntos-no-acampamento-terra-livre-celebra-lideranca-neidinha-surui\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Adolescentes e anci\u00e3os lutam juntos no Acampamento...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abuso do conceito neoliberalismo como chave explicativa quase total da hist\u00f3ria brasileira recente produziu um paradoxo te\u00f3rico paralisante. Quanto mais o termo passou a nomear fen\u00f4menos diversos \u2014 privatiza\u00e7\u00f5es, abertura comercial, desregulamenta\u00e7\u00e3o, austeridade, flexibiliza\u00e7\u00e3o do trabalho, financeiriza\u00e7\u00e3o, regress\u00e3o social, redu\u00e7\u00e3o de direitos \u2014, menos ele foi capaz de explicar as determina\u00e7\u00f5es estruturais que conferem [\u2026]<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/opiniao\/neoliberalismo-como-ideologia-da-alienacao\/\">Neoliberalismo como ideologia da aliena\u00e7\u00e3o<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/\">Opera Mundi<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":103925,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[6803,978,221,17045,82500,2956,153,4631],"tags":[],"class_list":["post-103924","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alienacao","category-capitalismo","category-economia","category-estado","category-financeiro","category-neoliberalismo","category-opiniao","category-regime-militar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103924","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103924"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103924\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103925"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}