{"id":105843,"date":"2026-09-24T19:33:00","date_gmt":"2026-09-24T22:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wendy-brown-ha-vida-apos-o-capitalismo-tardio\/"},"modified":"2026-09-24T19:33:00","modified_gmt":"2026-09-24T22:33:00","slug":"wendy-brown-ha-vida-apos-o-capitalismo-tardio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wendy-brown-ha-vida-apos-o-capitalismo-tardio\/","title":{"rendered":"Wendy Brown: H\u00e1 vida ap\u00f3s o capitalismo tardio"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"443\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Sem-260924-WendyBrown.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Sem-260924-WendyBrown.jpeg 800w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/09\/Sem-260924-WendyBrown-300x166.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/09\/Sem-260924-WendyBrown-768x425.jpeg 768w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/09\/Sem-260924-WendyBrown-700x387.jpeg 700w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/09\/Sem-260924-WendyBrown-219x121.jpeg 219w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Wendy Brown<\/strong>, em entrevista a <strong>Thiago Gama<\/strong><\/p>\n<p>E se a extrema direita n\u00e3o fosse o contr\u00e1rio do neoliberalismo, e sim o seu produto mais acabado? A pergunta atravessa a obra de Wendy Brown, para quem o neoliberalismo nunca foi apenas um receitu\u00e1rio econ\u00f4mico: \u00e9 uma raz\u00e3o de governo social que conduz condutas, refaz institui\u00e7\u00f5es e fabrica um sujeito \u00e0 imagem do <em>homo oeconomicus<\/em>, algu\u00e9m que j\u00e1 n\u00e3o sente falta daquilo que perdeu.<\/p>\n<p>Sua obra est\u00e1 traduzida em mais de vinte idiomas. \u201c<em>Undoing the Demos: Neoliberalism\u2019s Stealth Revolution<\/em> (Nova York: Zone Books, 2015) passa de onze mil cita\u00e7\u00f5es no Google Acad\u00eamico; <em>In the Ruins of Neoliberalism<\/em>\u201d (Nova York: Columbia University Press, 2019) chegou ao Brasil como \u201c<em>Nas ru\u00ednas do neoliberalismo<\/em>\u201d (S\u00e3o Paulo: Politeia, 2019); e \u201c<em>Nihilistic Times: Thinking with Max Weber<\/em>\u201d (Cambridge: Harvard University Press, 2023) nasceu das Tanner Lectures que ela deu em Yale. Entrou nos programas de disciplina da USP e da UFRJ, e o cap\u00edtulo de \u201c<em>Undoing the Demos<\/em>\u201d que circula em portugu\u00eas, numa revista da UFPR, \u00e9 justamente aquele em que ela cobra do fil\u00f3sofo franc\u00eas que leu o neoliberalismo como arte de governar o termo que faltava: o homem pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Nesta entrevista exclusiva a <em>Outras Palavras<\/em>, concedida por v\u00eddeo, Brown examina o que a raz\u00e3o neoliberal fez com a ideia de liberdade, por que a adula\u00e7\u00e3o de figuras como Pinochet e Trump floresce onde os seres humanos sentem ter perdido a pr\u00f3pria for\u00e7a, e a que dist\u00e2ncia os Estados Unidos est\u00e3o hoje de um golpe. Diante do caso brasileiro, rev\u00ea a pr\u00f3pria formula\u00e7\u00e3o e reconhece que a sequ\u00eancia descrita para o Norte n\u00e3o era necess\u00e1ria nem universal. E, \u00e0s v\u00e9speras do primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es brasileiras, avalia o que estaria em jogo na volta da extrema direita ao poder, sem confundir derrota com fim de jogo.<\/p>\n<p>Professora em\u00e9rita do Institute for Advanced Study, na Universidade de Princeton, Wendy Brown ensinou por mais de vinte anos em Berkeley, California. Doutorou-se em filosofia pol\u00edtica por Princeton em 1983. \u00c9 doutora <em>honoris causa<\/em> pela Universidade S\u00f6dert\u00f6rn, na Su\u00e9cia, e membro da American Academy of Arts and Sciences. Sua entrevista vem a seguir<strong>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em <\/strong><em><strong>Undoing the Demos<\/strong><\/em><strong>, a senhora prop\u00f5e que a convers\u00e3o do <\/strong><em><strong>homo politicus<\/strong><\/em><strong> em <\/strong><em><strong>homo oeconomicus<\/strong><\/em><strong> se completa quando os cidad\u00e3os n\u00e3o percebem priva\u00e7\u00e3o alguma, n\u00e3o registram d\u00e9ficit algum e n\u00e3o sentem separa\u00e7\u00e3o alguma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Quando o objeto da an\u00e1lise \u00e9 precisamente a condi\u00e7\u00e3o de quem analisa, o texto permanece teoria ou se torna testemunho pessoal? Nos termos das suas Tanner Lectures sobre Weber, a senhora consideraria isso um fracasso da voca\u00e7\u00e3o ou o seu exerc\u00edcio mais preciso?<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-20.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1-20.png 680w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Eu me pergunto se a teoria n\u00e3o \u00e9 sempre uma forma de testemunho, muitas vezes de modo encoberto, ocasionalmente de modo mais expl\u00edcito. Isto \u00e9: eu me pergunto se o bom trabalho te\u00f3rico n\u00e3o \u00e9, inevitavelmente, uma mistura entre o modo como quem teoriza experimenta o mundo, por vezes at\u00e9 traumatizado por ele, e o esfor\u00e7o de interpretar essa experi\u00eancia num quadro mais amplo e mais longo do que a imediatez da experi\u00eancia permite. Em outras palavras, o que sugiro \u00e9 que o nosso trabalho como te\u00f3ricos \u00e9 sempre, em alguma medida, uma express\u00e3o dos nossos interesses, do nosso sofrimento, das nossas perdas, das nossas aspira\u00e7\u00f5es, dos nossos anseios, mesmo quando os te\u00f3ricos aspiram a uma esp\u00e9cie de dist\u00e2ncia ou de objetividade em rela\u00e7\u00e3o a tudo isso.<\/p>\n<p>Deixe-me dizer isso de outro modo. Eu me inquieto com todo trabalho acad\u00eamico, inclusive o te\u00f3rico, que flerta com a ideia de desinteresse, de neutralidade, de objetividade. Donna Haraway chamou esse esfor\u00e7o de objetividade ou de neutralidade de vis\u00e3o do <em>olho de Deus<\/em>, isto \u00e9, uma vis\u00e3o de lugar nenhum, o que \u00e9 imposs\u00edvel para os humanos. Como seres que interpretam, como seres que veem, que pensam e que escutam, estamos sempre envolvidos numa atividade em que a nossa localiza\u00e7\u00e3o, a nossa experi\u00eancia e as nossas paix\u00f5es fazem parte do quadro interpretativo pelo qual compreendemos o mundo.<\/p>\n<p>Nietzsche via nesse esfor\u00e7o de banir do pensamento a vontade de poder e as faculdades interpretativas de quem pensa a forma final de um ascetismo que tentava aniquilar o pr\u00f3prio humano. Nietzsche tamb\u00e9m identificou a nossa situacionalidade naquilo que chamou de perspectivismo: vemos sempre a partir de uma perspectiva; teorizamos e pensamos a partir de uma perspectiva. Ele insistia, como insiste Haraway, que vemos sempre de algum lugar, e com isso ele queria dizer uma localiza\u00e7\u00e3o social e, penso eu, uma localiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, talvez at\u00e9 uma localiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica.<\/p>\n<p>Portanto, a minha resposta te\u00f3rica e prolixa \u00e0 sua pergunta \u00e9 esta. Claro que fui formada por uma educa\u00e7\u00e3o que hoje percebo ter desaparecido, uma educa\u00e7\u00e3o que permitia a americanos comuns, das classes trabalhadora e m\u00e9dia, no nosso caso em sua maioria brancos, obter um ensino superior de boa qualidade, e obt\u00ea-lo n\u00e3o com o prop\u00f3sito de desenvolver habilidades para o mercado de trabalho, mas para se tornarem cidad\u00e3os pensantes. Ver essa educa\u00e7\u00e3o se desintegrar \u00e9, certamente, uma experi\u00eancia muito pessoal para mim, mas eu tamb\u00e9m tentei elaborar as perdas que isso acarreta para algo maior do que eu. N\u00e3o se trata de mim, ainda que, claro, esteja animado pelas minhas preocupa\u00e7\u00f5es, pela minha forma\u00e7\u00e3o, pelos meus cuidados.<\/p>\n<p>Uma \u00faltima observa\u00e7\u00e3o. Weber, evidentemente, discorda de que o trabalho acad\u00eamico desinteressado e a teoriza\u00e7\u00e3o desinteressada sejam imposs\u00edveis, e aqui eu discordo de Weber. Ele achava que poder\u00edamos alcan\u00e7ar a objetividade cient\u00edfica no pensamento social, e que a maior tarefa do cientista social era o desinteresse, a neutralidade, o movimento contra qualquer investimento no objeto ou na an\u00e1lise dele. E, no entanto, Weber, o conservador pol\u00edtico, nos deu uma ci\u00eancia social excepcionalmente conservadora, o que n\u00e3o me parece uma coincid\u00eancia. Ele falhou no pr\u00f3prio teste.<\/p>\n<p><strong>Em 1998, no <\/strong><em><strong>Le Monde <\/strong><\/em><em><strong>D<\/strong><\/em><em><strong>iplomatique<\/strong><\/em><strong>, Bourdieu apresentou o neoliberalismo como um programa de destrui\u00e7\u00e3o met\u00f3dica dos coletivos, uma elimina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das estruturas de solidariedade social. Dezessete anos depois, a senhora o apresentou como uma racionalidade produtiva, que fabrica uma subjetividade, produz uma forma de vida e gera uma nova humanidade. Um dos relatos perde um mundo; o outro ganha uma forma de vida. Qual dos dois tem mais alcance sobre a d\u00e9cada que se seguiu a 2015? E a direita antidemocr\u00e1tica que a senhora descreve em <\/strong><em><strong>In the Ruins of Neoliberalism<\/strong><\/em><strong> \u00e9 produto da destrui\u00e7\u00e3o ou da produ\u00e7\u00e3o, resultado da ru\u00edna ou da fabrica\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Vou responder \u00e0s duas perguntas juntas e, nos dois casos, vou dizer que a resposta \u00e9 ambas. Penso que o neoliberalismo \u00e9, ao mesmo tempo, um mundo perdido e um mundo que produziu novos sujeitos capazes de todo tipo de coisa nova; mas esses novos sujeitos s\u00e3o eles pr\u00f3prios quem anima a perda, e tamb\u00e9m n\u00e3o a sentem como perda.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ADC30_Engels_anuncio_OP-2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/ADC30_Engels_anuncio_OP-2.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2022\/07\/ADC30_Engels_anuncio_OP-300x37.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Ent\u00e3o, quanto \u00e0 sua primeira pergunta: um dos relatos perde um mundo, o outro ganha uma forma de vida. Sim, penso que ganhamos uma forma de vida que n\u00e3o experimenta um mundo perdido. Ela n\u00e3o \u00e9 capaz disso. Em contrapartida, penso que essa produ\u00e7\u00e3o de novos sujeitos veio acompanhada da perda de um mundo: um mundo de solidariedade social, de contrato social, de equidade democr\u00e1tica, de provis\u00e3o modesta e de cuidado de uns com os outros.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero exagerar. N\u00e3o estou sugerindo que tenha havido uma era dourada perdida para a neoliberaliza\u00e7\u00e3o da democracia. Mas perdemos esses princ\u00edpios de um pacto ou de um contrato de uns com os outros e com o Estado, e perdemos um mundo fundado nos princ\u00edpios b\u00e1sicos da igualdade pol\u00edtica e de uma liberdade pol\u00edtica modesta, isto \u00e9, sob a forma da democracia.<\/p>\n<p>\u00c9 justo dizer que essa perda \u00e9 precisamente o que, por sua vez, anima uma extrema direita, ou aquilo que alguns chamam de ascens\u00e3o do autoritarismo ou do fascismo. A extrema direita nasce do neoliberalismo: dos seus efeitos econ\u00f4micos e da desintegra\u00e7\u00e3o do contrato social que ele promoveu.<\/p>\n<p>Isto \u00e9: o sujeito que n\u00e3o valoriza aspecto algum nem mesmo da democracia liberal, nem os seus princ\u00edpios nem a modesta solidariedade social prometida mesmo na sua forma liberal, \u00e9 recrutado com muita facilidade para um programa pol\u00edtico de extrema direita, um programa que desmonta por completo o constitucionalismo, a democracia liberal e os princ\u00edpios b\u00e1sicos de sobreviv\u00eancia das classes mais pobres e do planeta.<\/p>\n<p>Esse novo sujeito \u00e9 motivado inteiramente pela expans\u00e3o do pr\u00f3prio dom\u00ednio, inclusive pela sujei\u00e7\u00e3o dos outros. A sua liberdade, agora, \u00e9 simplesmente a liberdade de expandir o pr\u00f3prio reino de propriedade, de pilhagem, de acesso, e isso inclui sujeitar, subordinar ou mesmo violar os outros. Vemos isso hoje sob a forma de um hiperpatriarcado e de um hiperracismo, em que h\u00e1 uma pretens\u00e3o masculina e branca cada vez mais desassombrada a qualquer coisa e a tudo, inclusive em formas muito violentas. N\u00e3o estou sugerindo que esse fosse o sentido da liberdade sob o neoliberalismo, mas foi o sentido de liberdade que o neoliberalismo desencadeou ao desmontar o contrato social e o valor da democracia.<\/p>\n<p><strong>O Brasil executou o seu argumento de 2019 em forma comprimida e tropical. Entre 2019 e 2022, um ministro da economia formado em Chicago governou em paralelo com uma moralidade evang\u00e9lica da fam\u00edlia tradicional, exatamente a combina\u00e7\u00e3o que a senhora identificou como a alian\u00e7a antidemocr\u00e1tica do neoliberalismo. A diferen\u00e7a \u00e9 que aqui n\u00e3o havia Estado social a eliminar antes: o mercado nunca precisou destruir o social, porque o social nunca havia sido constru\u00eddo. A periferia confirma a sua sequ\u00eancia ou demonstra que a sequ\u00eancia nunca foi necess\u00e1ria, e que a fam\u00edlia moralizada e o mercado podem convergir sem ru\u00edna alguma entre eles, sem destrui\u00e7\u00e3o e sem aut\u00f3psia a escrever?<\/strong><\/p>\n<p>Suspeito que a resposta seja a segunda: aquilo que voc\u00ea descreve como experi\u00eancia da periferia mostra que a sequ\u00eancia nunca foi necess\u00e1ria, e isso, por sua vez, sugere certo provincianismo na minha formula\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9: eu contava a hist\u00f3ria do Norte euro-atl\u00e2ntico, a hist\u00f3ria contada a partir da pot\u00eancia hegem\u00f4nica.<\/p>\n<p>E, no entanto, esse desmonte do social, do Estado social e da solidariedade social tamb\u00e9m ocorreu em algumas partes do Sul Global. Da \u00cdndia ao Chile, o projeto neoliberalizante consistiu em desmontar o Estado social e desintegrar a solidariedade social e at\u00e9 nacional. Isso tamb\u00e9m pode ser visto no Iraque do p\u00f3s-guerra e na \u00c1frica do Sul, onde o projeto de neoliberaliza\u00e7\u00e3o e a ascens\u00e3o da direita foram constru\u00eddos, ao menos em parte, a partir de um desmonte ou de uma privatiza\u00e7\u00e3o do Estado social, transformando o cidad\u00e3o em capital humano, assim como a partir da prepara\u00e7\u00e3o do terreno para forma\u00e7\u00f5es sociais etnonacionalistas, como ocorre com a direita hindu na \u00cdndia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o talvez a melhor resposta seja que a l\u00f3gica que eu pressupunha n\u00e3o se limita \u00e0s pot\u00eancias hegem\u00f4nicas, mas de fato pressup\u00f5e um curso hist\u00f3rico universal de desenvolvimento, um curso natural de desenvolvimento, o que \u00e9 simplesmente falso. A China seria outro bom exemplo de como a neoliberaliza\u00e7\u00e3o pode ocorrer sem cada um dos elementos sequenciais que eu articulava em <em>In the Ruins of Neoliberalism<\/em>. Ali, alguma solidariedade social permanece, e o processo n\u00e3o desmancha o social: ele neoliberaliza dentro dele, e a partir do poder de um Estado autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o penso que a grande resposta \u00e0 sua pergunta \u00e9 que eu contava uma hist\u00f3ria a partir de um lugar da Terra como se ela fosse a hist\u00f3ria natural e inevit\u00e1vel de uma passagem do Estado keynesiano ao Estado neoliberal e deste ao Estado neofascista, e essa n\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria no plano global. Ela \u00e9 muito mais contingente, muito mais complexa historicamente, e a sua pergunta \u00e9 um lembrete de qu\u00e3o frequentemente o impulso te\u00f3rico de generalizar se converte em erro no plano hist\u00f3rico e no plano geopol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 que a senhora mencionou o Chile, permita-me uma pergunta que n\u00e3o estava no meu roteiro. O que me deixa perplexo \u00e9 a figura de Augusto Pinochet, uma figura repugnante \u00e0 frente de uma ditadura horrenda, como a senhora sabe. Por que parte do Chile, talvez quarenta ou cinquenta por cento do pa\u00eds, volta a exalt\u00e1-lo, e por que elegeu um presidente que o admira? Como a mem\u00f3ria de um povo pode esquecer uma figura dessas?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma pergunta perfeitamente razo\u00e1vel. Por que a exalta\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, o esquecimento hist\u00f3rico, quando as pr\u00f3prias pessoas que exaltam s\u00e3o, muitas vezes, aquelas que teriam sido objeto de tortura, de crueldade, de dizima\u00e7\u00e3o, ou que simplesmente teriam sido usadas e instrumentalizadas por esses l\u00edderes nos seus empreendimentos militares ou de outra ordem? Eu n\u00e3o tenho uma resposta. Direi apenas que estamos vendo isso pelo mundo afora, e penso que essa exalta\u00e7\u00e3o do poder autorit\u00e1rio, arbitr\u00e1rio e masculino (s\u00e3o sempre homens; j\u00e1 tivemos l\u00edderes mulheres, mas s\u00e3o todos homens) \u00e9, de algum modo importante, a express\u00e3o de uma aniquila\u00e7\u00e3o sentida do pr\u00f3prio poder, de uma derrota sentida das capacidades mais simples de cuidar de uma fam\u00edlia, de obter uma renda decente, de sentir a pr\u00f3pria for\u00e7a e de ter o respeito dos outros.<\/p>\n<p>Certamente est\u00e1 deslocada. \u00c9, poder\u00edamos dizer, uma express\u00e3o hiperb\u00f3lica desse poder masculino e econ\u00f4mico perdido. Mas penso que parte do que vemos na adula\u00e7\u00e3o de um Pinochet ou de um Hitler, ou mesmo no retorno de sul-africanos aos seus l\u00edderes do apartheid, \u00e9 um anseio declarado por um tempo em que os homens podiam ser homens e os brancos podiam ser brancos, no topo, exercendo o seu poder e manifestando a sua vontade sem pedir desculpas e, em larga medida, sem temer que a sua viol\u00eancia, a sua brutalidade, tivesse ido longe demais.<\/p>\n<p>Estamos tentando n\u00e3o mencion\u00e1-lo, mas n\u00e3o h\u00e1 express\u00e3o melhor disso do que a adula\u00e7\u00e3o de Trump, que a esta altura \u00e9 pura belicosidade imperial, desde o desenho dos mapas dos lugares que deseja conquistar e incorporar aos Estados Unidos at\u00e9 a encena\u00e7\u00e3o de uma luta de boxe sangrenta no gramado da Casa Branca. Ele celebrou os 250 anos de exist\u00eancia dos Estados Unidos com uma exibi\u00e7\u00e3o grotesca de homens se espancando at\u00e9 sangrar. Esse espet\u00e1culo merece uma leitura atenta.<\/p>\n<p>E penso que h\u00e1 uma linha cont\u00ednua entre a exalta\u00e7\u00e3o da crueldade de Pinochet, da sua brutalidade, do encarceramento e da tortura de milhares, e a exalta\u00e7\u00e3o de Trump, que \u00e9 uma vers\u00e3o teatral de tudo isso. O que quero dizer com teatral? Quero dizer que ele o faz encenando lutas ou declarando inten\u00e7\u00f5es de conquista, e n\u00e3o pela via da vers\u00e3o Pinochet, que foi o encarceramento direto, a tortura, a brutalidade e assim por diante.<\/p>\n<p><strong>A senhora teme que o governo Trump possa desfechar um golpe de Estado nos Estados Unidos?<\/strong><\/p>\n<p>Eu temia mais um ano atr\u00e1s, porque a coaliz\u00e3o dele se sustentava muito bem, e ele precisava dessa coaliz\u00e3o para fazer avan\u00e7ar a agenda MAGA. Ele precisava dos magnatas da tecnologia. Ele precisava do Partido Republicano. Ele precisava dos financistas. Ele precisava da base crist\u00e3. E essa coaliz\u00e3o est\u00e1 se desfazendo. N\u00e3o estou dizendo que acabou, e n\u00e3o estou dizendo que o perigo passou. Ele certamente est\u00e1 fazendo tudo o que \u00e9 poss\u00edvel para corromper, se n\u00e3o simplesmente destruir, as elei\u00e7\u00f5es e os processos eleitorais b\u00e1sicos, e os seus muitos e variados ataques ao direito de voto fazem parte desse esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas penso que a coaliz\u00e3o dele est\u00e1 rompida agora. A maioria dessas pessoas poderosas, os financistas, os magnatas da tecnologia e os chefes das corpora\u00e7\u00f5es, est\u00e1 esperando que ele morra. N\u00e3o est\u00e3o rompendo com ele de modo ostensivo, mas est\u00e3o se afastando e esperando que ele termine. Estou menos temerosa agora do que estava quando a coaliz\u00e3o era muito forte e quando ele permitia que outros executassem o programa do Project 2025 para desmontar a democracia nos Estados Unidos. Ele tamb\u00e9m afastou de si os generais, e a Suprema Corte n\u00e3o est\u00e1 fazendo a vontade dele como ele havia planejado. Um golpe de Estado, portanto, n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 espreita.<\/p>\n<p>E, ainda assim, mais uma coisa: eu n\u00e3o penso que o perigo tenha passado, porque h\u00e1 muitos antidemocratas, de JD Vance, o seu vice-presidente, a uma s\u00e9rie de intelectuais em lugares de poder, que seguem construindo um projeto antidemocr\u00e1tico para o centro-direita e tamb\u00e9m para a extrema direita. O Vale do Sil\u00edcio \u00e9 parte importante disso, e alguns financistas decisivos tamb\u00e9m. Um regime de direita mais inteligente do que aquele encarnado por Trump n\u00e3o est\u00e1, de modo algum, para tr\u00e1s. Penso que o perigo espec\u00edfico representado pelo pr\u00f3prio Trump est\u00e1 mais fraco.<\/p>\n<p><strong>O seu trabalho atual pergunta se a liberdade pol\u00edtica pode ser resgatada da sua imbrica\u00e7\u00e3o com a sujei\u00e7\u00e3o de classe, de ra\u00e7a e de g\u00eanero e tornada responsiva \u00e0 crise clim\u00e1tica, \u00e0 emerg\u00eancia planet\u00e1ria. Dois dos seus livros anteriores sugerem um obst\u00e1culo. Se a liberdade euro-atl\u00e2ntica foi constru\u00edda sobre a livre disposi\u00e7\u00e3o de outros corpos humanos e da natureza, e se <\/strong><em><strong>Regulating Aversion<\/strong><\/em><strong> mostrou que os conceitos liberais sobrevivem despolitizando tudo aquilo que absorvem, o que impede que uma liberdade responsiva ao clima repita a opera\u00e7\u00e3o e despolitize o planeta exatamente como a toler\u00e2ncia despolitizou a diferen\u00e7a? O conceito \u00e9 resgat\u00e1vel, ou o seu resgate pertence \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o da qual a senhora tenta sair?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma pergunta muito boa. N\u00e3o tenho certeza de que algum dia deixemos de fato as tradi\u00e7\u00f5es. \u00c9 a piada sobre o cat\u00f3lico n\u00e3o praticante ou o judeu secular n\u00e3o praticante: voc\u00ea pode deixar de crer, pode at\u00e9 se voltar contra Deus, mas continua enredado nos modos de pensar e de ser que essas tradi\u00e7\u00f5es formaram. Ent\u00e3o eu tenho certa cautela diante da ideia de simplesmente partir, de modo radical, das tradi\u00e7\u00f5es de pensamento que fizeram da liberdade uma preocupa\u00e7\u00e3o central dos seres humanos no Ocidente. Dito isso, claro que podemos desafiar e reelaborar radicalmente essas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas veja: essa mesma tradi\u00e7\u00e3o ensina que os seres humanos s\u00e3o, na verdade, muito ambivalentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade. Ningu\u00e9m faz isso melhor do que Dostoi\u00e9vski, que em \u201cO Grande Inquisidor\u201d formula a pergunta sobre se n\u00f3s, seres humanos, queremos realmente a liberdade, ou se damos conta dela. Ele sugere que talvez prefiramos o p\u00e3o, isto \u00e9, simplesmente sobreviver e ser providos. Ele sugere que talvez prefiramos que nos digam o que fazer a descobrir como nos governar, individualmente e em conjunto. Ele sugere que os seres humanos talvez prefiram amontoar-se, como ele diz, feito um grande formigueiro, a ser existencialmente livres. E Dostoi\u00e9vski \u00e9 apenas uma entre muitas vozes que formularam a pergunta sobre se os humanos n\u00e3o fetichizaram sempre a liberdade sem serem de fato capazes de lidar com ela, ou mesmo sem desej\u00e1-la plenamente. Nietzsche, Freud, Foucault: h\u00e1 muitos outros. Essa ambival\u00eancia precisa fazer parte daquilo que entendemos por tradi\u00e7\u00e3o do pensamento pol\u00edtico que colocou a liberdade no centro.<\/p>\n<p>Mas eu tamb\u00e9m quero perguntar aqui: o que acontece se abandonarmos por completo a liberdade pol\u00edtica? E se simplesmente aceitarmos que talvez tenhamos feito mundos complexos demais para comport\u00e1-la, que n\u00e3o a queremos de verdade, que n\u00e3o damos conta dela, que precisamos de outra coisa ou de outra pessoa para conduzir as nossas vidas e orquestrar a nossa exist\u00eancia coletiva, e n\u00e3o de seres humanos livres que se re\u00fanem, naquilo que chamamos de democracia, para governar a si mesmos em conjunto?<\/p>\n<p>Claramente, a liberdade individual, aquilo que poder\u00edamos chamar de liberdade pessoal ou de liberdade privada, precisa ser significativamente atenuada como valor e como pr\u00e1tica se quisermos ter um futuro ecol\u00f3gico e um futuro coletivo em que a justi\u00e7a e a sustentabilidade sejam as coordenadas principais. Mas a liberdade pol\u00edtica, que eu entendo como o direito e a capacidade dos seres humanos de governarem a si mesmos em conjunto, precisa ser fortalecida. Digo isso porque a alternativa \u00e9 ser governado por um s\u00f3 ou por poucos, por um tirano ou por uma oligarquia; ser governado por senhores da tecnologia, por tecnocratas ou por aqueles que acreditam que os princ\u00edpios da tecnocracia s\u00e3o capazes de nos ordenar; ou, como o neoliberalismo advogava, ser simplesmente governado pelos mercados.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 um desastre, n\u00e3o apenas para a alma humana, com a qual eu me importo e que, penso, se expressa pela liberdade, mas para um planeta justo e ecologicamente regenerativo. Nenhuma dessas alternativas poss\u00edveis \u00e0 liberdade humana, \u00e0 democracia como forma na qual os humanos governam a si mesmos (e isso \u00e9 liberdade), oferece um futuro que n\u00e3o seja sombrio. Ent\u00e3o penso que desistir da liberdade pol\u00edtica simplesmente n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, porque as alternativas s\u00e3o p\u00e9ssimas. O fato de ser dif\u00edcil, o fato de ser desafiador, n\u00e3o pode nos deter se a alternativa \u00e9, no fim, desistir de um planeta habit\u00e1vel e de uma ordem justa das coisas.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que estamos agora, e \u00e9 a\u00ed que a direita claramente est\u00e1. Eles desistiram. Acham que cada um deve acumular o que puder, chutar todos os demais para o mar, e para fora do planeta, e tomar o que puder at\u00e9 que o planeta esteja exaurido. E esse ponto est\u00e1 muito pr\u00f3ximo. O desafio da esquerda, penso eu, \u00e9 formular uma vers\u00e3o p\u00f3s-liberal da liberdade e da igualdade que reconhe\u00e7a, na mesma medida em que a direita reconhece, a crise em que o liberalismo est\u00e1 e na qual ele nos meteu, e que esteja disposta a abandonar o liberalismo levando a democracia adiante.<\/p>\n<p><strong>Para concluir, voltemo-nos para a Am\u00e9rica Latina, onde a direita antidemocr\u00e1tica avan\u00e7a e amplia o seu alcance. O Brasil ter\u00e1 elei\u00e7\u00f5es em breve, e o presidente Lula buscar\u00e1 um quarto mandato. Se ele vencer, o que isso representaria para a democracia brasileira e para a Am\u00e9rica Latina? E se for derrotado, e a fam\u00edlia Bolsonaro voltar ao poder, o que isso representaria para o Brasil? Muita gente debate se a vit\u00f3ria dele \u00e9 uma necessidade democr\u00e1tica, um imperativo, at\u00e9 mesmo uma obriga\u00e7\u00e3o. Eu pergunto n\u00e3o como militante, mas como estudioso da sua teoria: como a senhora interpreta essa necessidade? Trata-se de um imperativo democr\u00e1tico ou de um sintoma do esgotamento do horizonte democr\u00e1tico?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sou especialista, e voc\u00ea est\u00e1 me pedindo que comente um contexto que n\u00e3o conhe\u00e7o bem, mas vou come\u00e7ar pela hist\u00f3ria. Da \u00faltima vez que estive no Brasil, Lula estava na pris\u00e3o, e a pergunta era qual seria o futuro do Brasil; desde ent\u00e3o, Lula voltou ao poder. Temos, assim, esse retorno cont\u00ednuo de uma figura que encarna alguma esperan\u00e7a modesta de futuro democr\u00e1tico e, de outro lado, temos essa outra figura, que entra e sai do poder e da pris\u00e3o, e que representa, penso eu, o futuro antidemocr\u00e1tico do Brasil.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 evidente. E, no entanto, h\u00e1 algo na corrup\u00e7\u00e3o persistente, e na dificuldade persistente de governar, que atravessa os dois extremos. Algu\u00e9m poderia dizer: muito bem, o que estamos vendo \u00e9 o colapso da possibilidade democr\u00e1tica, aconte\u00e7a o que acontecer. Mas talvez estejamos vendo tamb\u00e9m a insist\u00eancia continuada numa democracia esperada, para al\u00e9m da corrup\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m da quase impossibilidade de governar para o povo, para al\u00e9m, quero dizer, do apelo teatral de um Bolsonaro e do apelo hist\u00f3rico e sentimental de um Lula.<\/p>\n<p>Talvez o que estejamos vendo n\u00e3o seja um colapso, mas a persist\u00eancia do anseio democr\u00e1tico, aquilo que podemos chamar de sua \u201cperdur\u00e2ncia\u201d, uma palavra que re\u00fane a resist\u00eancia e a persist\u00eancia. Afinal, as pessoas continuam comparecendo \u00e0s elei\u00e7\u00f5es e \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 a passividade, a indiferen\u00e7a, a apatia que tanto preocupavam os cientistas pol\u00edticos e outros nos anos 1980 e 1990. H\u00e1 cidadanias altamente mobilizadas pelo mundo afora. Ent\u00e3o, claro, se o regime bolsonarista retornasse, seria um grande retrocesso para o Brasil, para a Am\u00e9rica Latina e para o planeta, mas eu n\u00e3o penso que seria o fim do jogo. Penso que continuamos a ver, no Brasil e em toda a Am\u00e9rica Latina, o colapso completo da promessa da democracia liberal e do neoliberalismo, ou daquilo que poder\u00edamos chamar simplesmente de democracia de mercado, e a luta por construir um outro tipo de futuro.<\/p>\n<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post Wendy Brown: H\u00e1 vida ap\u00f3s o capitalismo tardio appeared first on Outras Palavras.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/e-preciso-enfrentar-a-arrogancia-imperialista-afirma-dirigente-cubano-em-visita-a-fundacao-perseu-abramo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2026_05_14_Reuniao_com_Abel_Prieto_Ft_SergioSilva_FPA_01_14-150x150.webp') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u201c\u00c9 preciso enfrentar a arrog\u00e2ncia imperialista\u201d, a...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-diz-que-nao-tem-pressa-para-aplicar-lei-da-reciprocidade-contra-eua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula diz que \u201cn\u00e3o tem pressa\u201d para aplicar lei da ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/augusta-brito-assume-interinamente-a-lideranca-do-pt-no-senado\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Augusta Brito assume interinamente a lideran\u00e7a do ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/elias-jabbour-e-dani-balbi-defendem-soberania-e-desenvolvimento-nacional\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/elias-dani-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Elias Jabbour e Dani Balbi defendem soberania e de...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fil\u00f3sofa que desconstruiu o neoliberalismo sustenta, em entrevista: ao romper as ideias de solidariedade e do Comum, o capital reabriu o mundo ao inferno do fascismo. Mas o decl\u00ednio de Trump mostra: n\u00e3o vale a pena desertar da pol\u00edtica<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/wendy-brown-ha-vida-apos-o-capitalismo-tardio\/\">Wendy Brown: H\u00e1 vida ap\u00f3s o capitalismo tardio<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":105844,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[45,5511,19363,23100,14965,536,83254,1023,54415,2859,13097,7263,3905,15133,5604,83255,6814,83256,33489,83257],"tags":[],"class_list":["post-105843","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-capa","category-capitalismo-tardio","category-crise-da-democracia","category-crise-do-neoliberalismo","category-democracia","category-derrot-de-trump","category-donald-trump","category-eleicoes-brasileiras","category-feminismo","category-filosofia","category-globalismo","category-globalizacao","category-logica-neoliberal","category-pos-capitalismo","category-razao-neoliberal","category-sujeito-neoliberal","category-wendy-bronw","category-wendy-brown","category-wokismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105843\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}