{"id":106653,"date":"2026-10-01T11:17:24","date_gmt":"2026-10-01T14:17:24","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/do-racismo-a-violencia-de-genero-dados-expoem-o-abismo-entre-lula-e-flavio-bolsonaro\/"},"modified":"2026-10-01T11:17:24","modified_gmt":"2026-10-01T14:17:24","slug":"do-racismo-a-violencia-de-genero-dados-expoem-o-abismo-entre-lula-e-flavio-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/do-racismo-a-violencia-de-genero-dados-expoem-o-abismo-entre-lula-e-flavio-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Do racismo \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero, dados exp\u00f5em o abismo entre Lula e Fl\u00e1vio Bolsonaro\u00a0"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/XII-Marcha-das-Mulheres-Negras-do-Rio-de-Janeiro-na-orla-de-Copacabana-Foto-Tania-Rego-Agencia-Brasil-2.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/XII-Marcha-das-Mulheres-Negras-do-Rio-de-Janeiro-na-orla-de-Copacabana-Foto-Tania-Rego-Agencia-Brasil-2.webp 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/XII-Marcha-das-Mulheres-Negras-do-Rio-de-Janeiro-na-orla-de-Copacabana-Foto-Tania-Rego-Agencia-Brasil-2-300x225.webp 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/XII-Marcha-das-Mulheres-Negras-do-Rio-de-Janeiro-na-orla-de-Copacabana-Foto-Tania-Rego-Agencia-Brasil-2-768x576.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>XII Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro, na orla de Copacabana (Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Fernanda Alc\u00e2ntara<\/em><em><br \/><\/em><em>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 novidade, pelo menos entre os movimentos sociais e o campo progressista, quando falamos que o Brasil carrega marcas profundas de um projeto pol\u00edtico conservador que naturalizou o racismo, o machismo e a exclus\u00e3o social como pilares de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. Embora este conservadorismo seja hist\u00f3rico, entre 2019 e 2022, o governo Bolsonaro promoveu um desmonte sistem\u00e1tico de pol\u00edticas p\u00fablicas, com piora em 63 indicadores sociais, entre eles educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, meio ambiente e assist\u00eancia social.<\/p>\n<p>Agora, a disputa eleitoral volta a colocar dois projetos frente a frente. De um lado, a retomada das pol\u00edticas de inclus\u00e3o social e de enfrentamento \u00e0s desigualdades raciais e de g\u00eanero nos governos Lula. De outro, a ofensiva da bancada conservadora no Congresso, que amea\u00e7a desmontar conquistas hist\u00f3ricas e aprofundar o racismo estrutural e o machismo institucionalizado.<\/p>\n<p>Para quem ainda tem d\u00favidas sobre o que est\u00e1 em jogo, o MST reuniu o hist\u00f3rico de retrocessos do modelo conservador, a atua\u00e7\u00e3o da bancada de direita no Legislativo e outros riscos de um cen\u00e1rio dominado por esse setor. O foco s\u00e3o as consequ\u00eancias para mulheres e pessoas negras, as principais v\u00edtimas da viol\u00eancia de Estado e da neglig\u00eancia social.<\/p>\n<p>Para Simone Magalh\u00e3es, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do Coletivo \u00c9tnico-Racial Terra, Ra\u00e7a e Classe do MST, o que se decide nas urnas vai al\u00e9m da altern\u00e2ncia de governo. \u201cEstas elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o decisivas para a classe trabalhadora brasileira e as fam\u00edlias negras do nosso pa\u00eds, pois est\u00e3o em disputa dois projetos civilizacionais, dois projetos de pa\u00eds: um que quer estabelecer o projeto de morte, que ter\u00e1 o poder de dizer quem pode morrer pela viol\u00eancia de Estado e pela escassez econ\u00f4mica imposta e o outro que quer estabelecer um projeto de vida e de vida em abund\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Bancada conservadora no Congresso: o poder da direita e da f\u00e9 como projeto pol\u00edtico<\/strong><\/h3>\n<p>A guinada da extrema direita na pol\u00edtica institucional, iniciada em 2018, consolidou-se no pleito de 2022. Enquanto a disputa presidencial consagrou o retorno do campo progressista com Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, as urnas redesenharam o Congresso Nacional sob forte hegemonia conservadora. Na C\u00e2mara dos Deputados, as legendas de direita e de extrema direita, encabe\u00e7adas por PL, Uni\u00e3o Brasil, PP e Republicanos, abrigam quase metade das cadeiras (48%).<\/p>\n<p>Trata-se de um bloco inclinado a pautas armamentistas e a vis\u00f5es autorit\u00e1rias, que se op\u00f5em de forma sistem\u00e1tica desde os direitos sexuais e reprodutivos at\u00e9 a laicidade do Estado. Esse conglomerado parlamentar de direita se articula em dois eixos: o libertarianismo neoliberal e o conservadorismo moral religioso, sendo o segundo uma for\u00e7a consolidada desde a d\u00e9cada de 1990, com o protagonismo de lideran\u00e7as pentecostais e de segmentos cat\u00f3licos tradicionalistas.<\/p>\n<p>Um exemplo da for\u00e7a deste congresso conservador foi o PDL 3\/2025, que ficou conhecida como a \u201cPL da Pedofilia\u201d, que revogou o direito ao aborto legal para crian\u00e7as e adolescentes v\u00edtimas de estupro e viol\u00eancia sexual e deixa meninas e adolescentes vulner\u00e1veis, especialmente v\u00edtimas de abusos dentro da pr\u00f3pria casa. De autoria da deputada Chris Tonietto (PL-RJ), o projeto teve parecer favor\u00e1vel do relator, Luiz Gast\u00e3o (PSD-CE), e a C\u00e2mara o aprovou por 317 votos a 111, em regime de urg\u00eancia. Dos onze nomes ligados ao projeto, contando a autora e o relator, seis s\u00e3o do partido de Jair e Fl\u00e1vio Bolsonaro.<\/p>\n<p>Todos eles est\u00e3o concorrendo este ano: Tonietto, Nikolas, Pazuello e Jordy disputam novo mandato na C\u00e2mara pelo PL, assim como Luiz Gast\u00e3o (PSD-CE), Kim Kataguiri, que agora est\u00e1 no Miss\u00e3o, e Celso Russomanno (Republicanos-SP). Outros quatro tentam uma vaga no Senado, onde o mandato dura oito anos. Bia Kicis divide a chapa do PL no Distrito Federal com Michelle Bolsonaro. Caroline de Toni concorre pelo PL de Santa Catarina. Marcel van Hattem, do Novo, diz ter Fl\u00e1vio Bolsonaro no seu palanque ga\u00facho.\u00a0<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Foto-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil2.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Foto-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil2.webp 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Foto-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil2-300x225.webp 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Foto-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil2-768x576.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<br \/><\/figcaption><\/figure>\n<p>Um levantamento da Ag\u00eancia Patr\u00edcia Galv\u00e3o identificou 63 PDLs, apresentados entre 2020 e julho de 2026, que citam o aborto legal ou interferem no acesso a ele, e 31 ainda tramitam. Com a direita j\u00e1 detendo 48% das cadeiras da C\u00e2mara, ampliar essa maioria \u00e9 ampliar a chance de que vota\u00e7\u00f5es assim se repitam. O voto para deputado e senador decide se Lula, ou qualquer outro presidente, encontrar\u00e1 um Congresso disposto a proteger as v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual ou a restringir ainda mais o acesso delas aos seus direitos.<\/p>\n<p>A soci\u00f3loga e professora da USP Jacqueline Moraes Teixeira, <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/09\/09\/como-a-extrema-direita-constroi-sua-relacao-com-as-mulheres\/\">em entrevista ao Brasil de Fato<\/a>, lembra que essa rela\u00e7\u00e3o tem ra\u00edzes na forma\u00e7\u00e3o do Estado. Ela lembra que, embora o pa\u00eds seja constitucionalmente laico, as diferentes constitui\u00e7\u00f5es mantiveram mecanismos que permitiram a atua\u00e7\u00e3o de grupos religiosos na pol\u00edtica e em parceria com o poder p\u00fablico. Institui\u00e7\u00f5es crist\u00e3s passaram a atuar em \u00e1reas como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia, e organiza\u00e7\u00f5es confessionais ocuparam, com legitimidade, espa\u00e7os que seriam do Estado. Para Teixeira, esse percurso ajuda a explicar a aproxima\u00e7\u00e3o entre setores cat\u00f3licos e evang\u00e9licos e a direita contempor\u00e2nea, al\u00e9m da dificuldade de formular pol\u00edticas p\u00fablicas sem a participa\u00e7\u00e3o de atores religiosos.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio mais recente dessa mistura entre f\u00e9 e poder envolve a elei\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio Bolsonaro \u00e0 presid\u00eancia. Alas da Igreja Cat\u00f3lica se preocuparam com o debate sobre a retirada de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, tema de um PL do ex-deputado e ex-assessor de Bolsonaro, Vict\u00f3rio Galli. Fl\u00e1vio negou a inten\u00e7\u00e3o, mas gerou controv\u00e9rsia ao declarar que, se eleito, decretar\u00e1 que \u201co Brasil \u00e9 do Senhor Jesus Cristo\u201d, tese defendida por sua igreja evang\u00e9lica atual. Ele tamb\u00e9m acusou integrantes da CNBB de disseminarem desinforma\u00e7\u00e3o, sem apresentar provas, e a CNBB negou publicamente.<\/p>\n<p>A pol\u00eamica ataca a pluralidade que sustenta a democracia e abre caminho para a intoler\u00e2ncia contra religi\u00f5es de matriz africana, comunidades ind\u00edgenas, mulheres, popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, al\u00e9m de todos os grupos considerados inconvenientes a esse projeto de poder. Hoje, o preconceito estrutural contra mulheres e negros deixou de ser um tabu envergonhado e virou ferramenta de proje\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Lizandra Guedes, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do setor de G\u00eanero do MST, aponta que isso n\u00e3o \u00e9 acaso. \u201c\u00c9 importante que tenhamos clareza de que o antifeminismo comp\u00f5e o projeto de poder da direita no Brasil e no mundo e que h\u00e1 uma articula\u00e7\u00e3o internacional que aponta para o retrocesso dos direitos das mulheres e meninas. Um caso emblem\u00e1tico \u00e9 a tentativa de retirada do direito ao aborto legal em caso de estupro, que vem acontecendo no Brasil.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Antifeminismo, misoginia e viol\u00eancia: como a extrema direita fala \u00e0s mulheres<\/strong><\/h3>\n<p>Enquanto as estat\u00edsticas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, crimes sexuais e feminic\u00eddios seguem em alta, a sociedade assiste \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o de ofensas e discursos de \u00f3dio que, no passado recente, sofreram condena\u00e7\u00e3o p\u00fablica imediata. Influenciadores digitais, parlamentares, ministros e ocupantes de cargos executivos impulsionam essa guinada reacion\u00e1ria. Sem pudor, voltam a questionar direitos consolidados, como o voto feminino, a autonomia no mercado de trabalho e o acesso ao esporte, e defendem o confinamento das mulheres ao espa\u00e7o dom\u00e9stico e sua subordina\u00e7\u00e3o aos maridos.<\/p>\n<p>O aspecto mais inquietante da ofensiva \u00e9 a capacidade de expans\u00e3o. O discurso antifeminista ganha atra\u00e7\u00e3o entre os homens e tamb\u00e9m encontra apoio em parcelas do p\u00fablico feminino. Para Jacqueline Moraes Teixeira, isso \u00e9 fruto de uma constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deliberada, com s\u00edmbolos religiosos que dialogam com a vida concreta das mulheres. Ela explica que a associa\u00e7\u00e3o de Michelle Bolsonaro \u00e0 rainha Ester ganhou for\u00e7a na campanha de 2022 e retomou uma representa\u00e7\u00e3o difundida por novelas da Record apoiadas pela Igreja Universal, e isso repercute ainda agora, na campanha de Fl\u00e1vio Bolsonaro e os constantes esc\u00e2ndalos sexuais envolvendo o ex-senador.\u00a0<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Foto-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil.webp\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Foto-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil.webp 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Foto-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil-300x225.webp 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Foto-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil-768x576.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<br \/><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEssa met\u00e1fora \u00e9 realmente muito forte para as mulheres evang\u00e9licas. A ideia de uma mulher casada com um homem de virtudes duvidosas, mas capaz de administrar um reino, administrar essa rela\u00e7\u00e3o e inclusive melhorar a figura desse marido desastrado \u00e9 bastante forte\u201d, afirma a pesquisadora. Ela acrescenta que as mulheres de direita difundem a ideia de que nem toda mulher consegue ser feminista, mas toda mulher consegue ser feminina. Trata-se, segundo Teixeira, de uma estrat\u00e9gia de disputa que apresenta o feminismo como algo que \u201cn\u00e3o \u00e9 para qualquer pessoa\u201d, enquanto o feminino seria para todas.<\/p>\n<p>Esse ambiente tem efeitos materiais. Embora a misoginia digital seja um fen\u00f4meno global, o ambiente incentivado nos discursos e nas a\u00e7\u00f5es de Jair Bolsonaro estimulou o avan\u00e7o de ataques online e de discursos radicais, como os conte\u00fados redpill e a plataformiza\u00e7\u00e3o do \u00f3dio. Pesquisa do Observat\u00f3rio NetLab-UFRJ aponta que 88% dos v\u00eddeos analisados nas redes cont\u00eam desprezo ostensivo \u00e0s mulheres, alimentando um ciclo que termina em agress\u00f5es f\u00edsicas e assassinatos. Os dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a registraram 947 novos casos de feminic\u00eddio s\u00f3 em janeiro de 2026.<\/p>\n<p>A soci\u00f3loga Analba Braz\u00e3o Teixeira, do Levante Feminista contra o Feminic\u00eddio, Lesboc\u00eddio e Transfeminic\u00eddio, afirma que a ascens\u00e3o dos governos de direita desmantelou os programas de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. Em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos (IHU), ela diz que a facilita\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s armas de fogo se somou ao menosprezo p\u00fablico promovido pelo governo Bolsonaro: \u201carmando f\u00edsica e verbalmente, inflamaram e naturalizaram a sanha machista da sociedade brasileira\u201d.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de preven\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem respons\u00e1veis. Juliana Brand\u00e3o, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia P\u00fablica em agosto de 2026, \u00e9 direta.<\/p>\n<p>\u00a0\u201cQuando a gente se abst\u00e9m de pensar em sa\u00eddas preventivas, a gente est\u00e1 consentindo com essa escalada. A gente est\u00e1 dando de ombros e est\u00e1 jogando, muitas vezes, no colo das pr\u00f3prias mulheres a responsabilidade pela prote\u00e7\u00e3o delas, porque significa que elas s\u00f3 viram cidad\u00e3s, s\u00f3 come\u00e7am a importar para o Estado quando registram um boletim de ocorr\u00eancia de uma viol\u00eancia que j\u00e1 est\u00e3o sofrendo.\u201d<\/p>\n<p>No campo, o problema \u00e9 mais agudo. Lizandra Guedes, do MST, descreve que \u201cuma dificuldade concreta na prote\u00e7\u00e3o das mulheres rurais contra todo tipo de viol\u00eancia, pois faltam dados concretos sobre o que se passa com as mulheres no \u00e2mbito rural.\u201d Para Simone Magalh\u00e3es, a viol\u00eancia tem endere\u00e7o de classe e ra\u00e7a. Na vis\u00e3o dela, o \u201cprojeto de morte\u201d pesa primeiro sobre as fam\u00edlias negras, submetidas \u00e0 viol\u00eancia de Estado e \u00e0 escassez econ\u00f4mica.<\/p>\n<h3><strong>Dados dos governos Lula e Bolsonaro: pobreza, igualdade racial e pol\u00edticas para as mulheres<\/strong><\/h3>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre os governos de Jair Bolsonaro e de Lula revela um abismo na condu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas e na garantia dos direitos humanos e Fl\u00e1vio Bolsonaro se apresenta como continuidade da gest\u00e3o do pai. A gest\u00e3o bolsonarista foi marcada pelo esvaziamento de programas de prote\u00e7\u00e3o social, pela ret\u00f3rica discriminat\u00f3ria e pelo recrudescimento da viol\u00eancia estrutural. Os governos Lula, por sua vez, consolidaram marcos de combate \u00e0 pobreza, de promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial e de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres. Esse contraste aparece nos indicadores socioecon\u00f4micos e no cotidiano das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>No campo dos direitos humanos e das a\u00e7\u00f5es afirmativas, a gest\u00e3o Lula criou a Lei Maria da Penha (2006) e o Ligue 180, e instituiu a Pol\u00edtica Nacional de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (2003), o Estatuto da Igualdade Racial (2010) e a Lei de Cotas (2012). Em 2026, o governo lan\u00e7ou o novo Plano Nacional de Enfrentamento ao Racismo Estrutural, reconhecido pelo STF e com metas or\u00e7ament\u00e1rias e indicadores detalhados para fortalecer a equidade racial. Sob Jair Bolsonaro, o esvaziamento das pol\u00edticas afirmativas e a institucionaliza\u00e7\u00e3o do racismo no \u00e2mbito estatal aprofundaram esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>O preconceito racial apareceu em declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do ent\u00e3o presidente Bolsonaro e em a\u00e7\u00f5es concretas com cortes profundos no or\u00e7amento voltado \u00e0s comunidades tradicionais e redu\u00e7\u00e3o de 60% nas verbas do programa de Enfrentamento ao Racismo e Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial. Denunciado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal por danos morais coletivos, Bolsonaro foi absolvido sob a justificativa de imunidade parlamentar e do uso de \u201cpiadas e bom humor\u201d. A decis\u00e3o evidencia os privil\u00e9gios jur\u00eddicos que sustentam a impunidade do discurso de \u00f3dio.<\/p>\n<p>Para as mulheres do campo, Lizandra Guedes v\u00ea avan\u00e7os concretos no atual governo. Ela cita a cria\u00e7\u00e3o de um f\u00f3rum sobre o tema, vinculado ao Minist\u00e9rio das Mulheres, que re\u00fane movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais do campo. \u201cAs novas pol\u00edticas de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres tornaram o acesso \u00e0 den\u00fancia mais adequado e poss\u00edvel de ser materializado nos munic\u00edpios menores, como a cria\u00e7\u00e3o da sala lil\u00e1s nas delegacias de pol\u00edcia\u201d, diz. Para ela, a continuidade do governo Lula pode ampliar a produ\u00e7\u00e3o de dados que subsidiem pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres do campo, das \u00e1guas e das florestas.<\/p>\n<p>Em um ponto, todas concordam: a quest\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 central. \u201cAs mulheres s\u00e3o as que vivem em maior desigualdade social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica. Segundo a FAO, apenas 10% consegue ter acesso a cr\u00e9dito\u201d, afirma Lizandra. O governo Lula formulou pol\u00edticas voltadas \u00e0 autonomia econ\u00f4mica das camponesas, como os quintais produtivos e a ATER Mulher, e que essas iniciativas est\u00e3o amea\u00e7adas se a direita ampliar sua maioria no Legislativo, \u201cdado que a prioridade da direita sempre foi o Agroneg\u00f3cio em detrimento das pol\u00edticas que favorecem a agricultura familiar e alimentam o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>O que ainda falta fazer tamb\u00e9m est\u00e1 na pauta. Simone Magalh\u00e3es defende que o \u201cprojeto de vida\u201d exige pol\u00edticas p\u00fablicas concretas: \u201cenfrentamento \u00e0 fome (para isso precisa fazer a Reforma Agr\u00e1ria popular), de trabalho e gera\u00e7\u00e3o de renda, melhorar o sal\u00e1rio, desconcentrar a riqueza e a renda, taxar os mais ricos, garantir o acesso e a perman\u00eancia da juventude \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, desenvolver uma economia do cuidado para desonerar as mulheres negras das in\u00fameras jornadas dom\u00e9sticas, com lavanderias p\u00fablicas, mais cozinhas solid\u00e1rias, creches em tempo integral, e fortalecer e financiar o SUS\u201d. Segundo ela, \u201cesses s\u00e3o os temas e projetos que est\u00e3o em jogo nesta elei\u00e7\u00e3o e que impactam sobremaneira as fam\u00edlias negras do nosso pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Esse diagn\u00f3stico converge com o alerta de Juliana Brand\u00e3o. A pesquisadora do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica sustenta que a preven\u00e7\u00e3o precisa ser pol\u00edtica de Estado, e n\u00e3o uma tarefa que recai sobre as v\u00edtimas. Diante da ofensiva, e em paralelo a esta disputa de projetos de pa\u00eds, os movimentos sociais pressionam pela aprova\u00e7\u00e3o do PL da Misoginia (PL 896\/2023), que criminaliza o preconceito de g\u00eanero na Lei do Racismo. Essa e outras pautas progressistas enfrentam forte resist\u00eancia de uma bancada conservadora que re\u00fane cerca de 40% dos parlamentares e atua para desacreditar o movimento feminista e enfraquecer os mecanismos de controle social.<\/p>\n<p>O contraste entre as duas gest\u00f5es mostra que garantir vida, dignidade e igualdade exige fortalecer pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas e desconstruir estruturas machistas e racistas. Jair Bolsonaro, representado agora por Fl\u00e1vio, deixou desmonte, pobreza e incita\u00e7\u00e3o ao \u00f3dio. A retomada da prote\u00e7\u00e3o social e da repara\u00e7\u00e3o sob a lideran\u00e7a de Lula aponta, para o MST, o \u00fanico caminho capaz de assegurar o progresso democr\u00e1tico e a justi\u00e7a no pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 uma escolha dif\u00edcil: mulheres e negros devem analisar qual projeto os quer vivos e quais s\u00e3o o caminho mais r\u00e1pido para a exclus\u00e3o e a morte.\u00a0<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2026\/10\/01\/do-racismo-a-violencia-de-genero-dados-expoem-o-abismo-entre-lula-e-flavio-bolsonaro\/\">Do racismo \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero, dados exp\u00f5em o abismo entre Lula e Fl\u00e1vio Bolsonaro\u00a0<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/exportacoes-paranaenses-para-a-china-sao-quatro-vezes-maior-do-que-para-eua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/china-balanca-comercia-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Exporta\u00e7\u00f5es paranaenses para a China s\u00e3o quatro ve...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/senadores-reforcam-defesa-do-fim-da-escala-6x1-e-alertam-contra-retrocessos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Senadores refor\u00e7am defesa do fim da escala 6\u00d71 e a...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/trump-o-tarifaco-e-a-politica-brasileira-em-aberto\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/imag-10-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Trump, o tarifa\u00e7o e a pol\u00edtica brasileira em abert...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/educacao-e-prioridade-cronica-de-um-buraco-sem-fundo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/photo_5039685132045978699_w-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 prioridade? 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