{"id":110430,"date":"2026-10-23T15:30:00","date_gmt":"2026-10-23T18:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/politica-e-monetizacao-como-ativistas-se-tornam-alvo-de-violencia-dentro-e-fora-das-redes\/"},"modified":"2026-10-23T15:30:00","modified_gmt":"2026-10-23T18:30:00","slug":"politica-e-monetizacao-como-ativistas-se-tornam-alvo-de-violencia-dentro-e-fora-das-redes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/politica-e-monetizacao-como-ativistas-se-tornam-alvo-de-violencia-dentro-e-fora-das-redes\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica e monetiza\u00e7\u00e3o: como ativistas se tornam alvo de viol\u00eancia dentro e fora das redes"},"content":{"rendered":"<p>Os perfis nas redes sociais do jornalista e comunicador popular Mateus Fernandes, de 26 anos, sempre articularam debates sobre ra\u00e7a, meio ambiente e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a partir da periferia de S\u00e3o Paulo. A decis\u00e3o de declarar o voto no presidente Lula no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es custou a liberdade e tranquilidade de Mateus. Conhecido nas redes como @omateuso, seu perfil divulgou uma nota p\u00fablica no dia 12 de outubro informando que ele havia recebido oito amea\u00e7as de morte e tortura, com refer\u00eancias \u00e0 Ku Klux Klan e sauda\u00e7\u00f5es nazistas. Al\u00e9m disso, seu endere\u00e7o residencial foi exposto em coment\u00e1rios no Facebook, o que motivou o jornalista a sair de casa por medo de ser assassinado.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>As amea\u00e7as surgiram ap\u00f3s a participa\u00e7\u00e3o de Mateus na campanha de \u201cvira-voto\u201d com centenas de criadores de conte\u00fado. Sem respostas efetivas \u00e0s den\u00fancias enviadas \u00e0 Meta, Mateus e sua equipe jur\u00eddica de apoio registraram boletim de ocorr\u00eancia por racismo, apologia ao nazismo, intoler\u00e2ncia religiosa e amea\u00e7a. Tamb\u00e9m levou o caso ao Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo (MP-SP) e \u00e0 Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n<p>O caso de Mateus n\u00e3o \u00e9 isolado. Ele se soma a epis\u00f3dios de intimida\u00e7\u00e3o contra parlamentares e agentes pol\u00edticos registrados em diferentes estados durante o per\u00edodo eleitoral. <span>Os dados ap\u00f3s o primeiro turno confirmaram o diagn\u00f3stico: segundo levantamento da organiza\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos Terra de Direitos e da Justi\u00e7a Global, divulgado no dia 7 de outubro, o Brasil registrou 134 epis\u00f3dios de viol\u00eancia pol\u00edtica em 50 dias de campanha, uma m\u00e9dia de um caso a cada nove horas.<\/span><\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, dos 134 epis\u00f3dios registrados no primeiro turno, 102 foram dirigidos a pessoas com candidaturas registradas, o que equivale a 76,1% do total. Os outros 32 casos atingiram quem n\u00e3o disputava elei\u00e7\u00f5es: foram v\u00edtimas 19 vereadores, 3 prefeitos, um vice-prefeito e dois secret\u00e1rios. Tamb\u00e9m houve quatro casos contra dirigentes partid\u00e1rios e dois contra sedes do PT e a equipe de uma candidata.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Um exemplo foi da deputada federal eleita com a melhor vota\u00e7\u00e3o de Minas Gerais, Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, a mulher mais jovem da hist\u00f3ria do pa\u00eds e assumir uma cadeira na C\u00e2mara dos Deputados. Logo ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o do resultado das urnas, ela passou a ser alvo de persegui\u00e7\u00e3o e amea\u00e7as de morte.<\/p>\n<p>No Amazonas, a deputada estadual e candidata a vice-governadora Alessandra Camp\u00ealo (PSD) denunciou ter sido amea\u00e7ada durante um debate eleitoral promovido pela TV Norte Amazonas. Alessandra disputa o segundo turno ao Governo do Estado ao lado de Omar Aziz (PSD) contra a chapa da Professora Maria do Carmo (PL).\u00a0<\/p>\n<p>Um homem da coliga\u00e7\u00e3o advers\u00e1ria foi flagrado, nos bastidores, fazendo um gesto de degolamento enquanto a encarava. Tratava-se de Kidson Maia, que buscou uma vaga de deputado estadual no Amazonas, mas n\u00e3o foi eleito, ficando como 1\u00b0 suplente. Segundo o portal G1, Alessandra apresentou uma representa\u00e7\u00e3o criminal e, com isso, a ju\u00edza eleitoral B\u00e1rbara Folhadela Paulain determinou que Kidson e o deputado federal eleito Sargento Salazar (PL) mantenham dist\u00e2ncia m\u00ednima de 200 metros da parlamentar, proibiu qualquer tipo de contato e suspendeu o porte de armas da dupla. A <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong> solicitou um posicionamento do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas mas n\u00e3o obteve retorno at\u00e9 o fechamento desta reportagem. O espa\u00e7o segue aberto.<\/p>\n<h2><strong>Al\u00e9m de candidatas, minorias pol\u00edticas tornam-se alvo<\/strong><\/h2>\n<p>A viol\u00eancia pol\u00edtica segue um padr\u00e3o na escolha das v\u00edtimas: atingem sobretudo pessoas negras, mulheres, popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, entre outros grupos marginalizados que ocupam o debate p\u00fablico. Em setembro, uma articula\u00e7\u00e3o de quase 70 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil (entre elas o <em>Instituto Marielle Franco<\/em>, <em>Terra de Direitos<\/em>, <em>Justi\u00e7a Global<\/em>, <em>Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Negras Brasileiras<\/em>) entregou uma nota coletiva ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE Mulheres). O documento exige medidas de preven\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o diante da escalada do racismo, misoginia e exposi\u00e7\u00e3o de dados pessoais direcionada a candidatas e ativistas.<\/p>\n<p>Um estudo publicado em 2025 pelo <em>Instituto Marielle Franco<\/em>, j\u00e1 mostrava que <span>69% das v\u00edtimas de viol\u00eancia pol\u00edtica virtual de g\u00eanero e ra\u00e7a s\u00e3o mulheres pretas e pardas, e 84% dos casos se concentram est\u00e3o concentrados contra lideran\u00e7as filiadas a legendas progressistas.<\/span> Nesses espa\u00e7os, a identidade racial e a atua\u00e7\u00e3o em defesa dos direitos humanos funcionam como catalisadores para campanhas orquestradas de difama\u00e7\u00e3o e intimida\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p>Para o advogado Thiago Farias, que representa Mateus Fernandes junto ao <em>Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo<\/em>, as agress\u00f5es se tornam bem mais graves quando ultrapassam as telas. \u201cQuando a amea\u00e7a cita a rua, o bairro e o trajeto cotidiano de um comunicador, a viol\u00eancia deixa de ser uma agress\u00e3o virtual difusa e passa a operar como uma tecnologia de confinamento territorial\u201d, explica o jurista. <span>\u201cN\u00e3o atinge apenas o Mateus, mas envia um recado de intimida\u00e7\u00e3o a todo corpo negro e perif\u00e9rico que tenta ocupar o debate.\u201d<\/span> Farias afirma que essa viol\u00eancia atua em duas frentes: a press\u00e3o psicol\u00f3gica e o confinamento.<\/p>\n<p>Press\u00e3o e confinamento que imp\u00f5em custos invis\u00edveis \u00e0s v\u00edtimas e seu entorno. Na segunda-feira seguinte ao primeiro turno, 5 de outubro, o babalorix\u00e1, professor e escritor Sidnei Nogueira transmitia uma live ao lado da professora da Unifesp Ellen de Lima Souza. A transmiss\u00e3o lan\u00e7ava um curso sobre saberes de terreiro e os ensaios da te\u00f3rica feminista negra norte-americana Bell Hooks e da escritora burquinense Sobonfu Som\u00e9. Embora a aula n\u00e3o tratasse de pol\u00edtica eleitoral, o pai de Santo comentou sua esperan\u00e7a em um resultado democr\u00e1tico no segundo turno. A partir da\u00ed, a transmiss\u00e3o passou a ser invadida por dezenas de coment\u00e1rios de \u00f3dio, ofensas intolerantes e ataques bolsonaristas.<\/p>\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;6adbafc86360b&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6adbafc86360b\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><\/p>\n<p>\t\t<\/button><\/figure>\n<p>Para o Babalorix\u00e1, o link da transmiss\u00e3o provavelmente foi compartilhado em grupos de mensagens da extrema direita: \u201cn\u00e3o reconheci aquelas pessoas das intera\u00e7\u00f5es comuns da minha p\u00e1gina\u201d, relata. Sidnei j\u00e1 evitava andar a p\u00e9 pelo pr\u00f3prio bairro por medo. Depois dos ataques, passou a usar mais transportes privados, o que gerou um custo financeiro n\u00e3o planejado. Integrantes de sua comunidade religiosa, seus filhos de Santo, tamb\u00e9m organizaram uma rede de acompanhamento para que ele n\u00e3o circule sozinho. <span>\u201cA pol\u00edtica do \u00f3dio substituiu o debate saud\u00e1vel\u201d, reflete Nogueira.<\/span><\/p>\n<p>Apesar da viol\u00eancia, a rea\u00e7\u00e3o dos seguidores do professor abriu caminhos de solidariedade. Pessoas de fora de S\u00e3o Paulo que acompanhavam a transmiss\u00e3o passaram a denunciar os perfis agressores em seus pr\u00f3prios estados, pois se sentiram atingidos pelo discurso de \u00f3dio. Diante da gravidade dos ataques, a defesa de Sidnei estuda levar a den\u00fancia \u00e0 esfera federal.<\/p>\n<p>Se as amea\u00e7as visam intimidar, podem ter um efeito contr\u00e1rio. A exposi\u00e7\u00e3o do caso do pai de Santo Sidnei Nogueira tamb\u00e9m encorajou outras lideran\u00e7as religiosas a se posicionarem. \u201cDepois desse epis\u00f3dio, um outro Pai de Santo me mandou mensagem dizendo que n\u00e3o tinha se posicionado at\u00e9 ent\u00e3o, mas se sentiu impelido a se manifestar ap\u00f3s a repercuss\u00e3o da minha den\u00fancia\u201d, relata Sidnei. Para ele, isso refor\u00e7a a necessidade de n\u00e3o recuar nem se calar diante da intimida\u00e7\u00e3o: \u201ca verdade n\u00e3o tem pressa\u201d, conclui.<\/p>\n<h2><strong>O modelo de neg\u00f3cio do \u00f3dio e a omiss\u00e3o das Big Techs<\/strong><\/h2>\n<p>Para especialistas e v\u00edtimas, a prolifera\u00e7\u00e3o desses ataques est\u00e1 diretamente conectada \u00e0 toler\u00e2ncia e ao modelo econ\u00f4mico das empresas de tecnologia.<\/p>\n<p>Ex-deputada federal e cientista pol\u00edtica, \u00c1urea Carolina, que teve 2,6 milh\u00f5es de votos ao Senado por Minas Gerais em 2026, afirma que \u201co neg\u00f3cio dessas plataformas \u00e9 baseado em publicidade e reten\u00e7\u00e3o de p\u00fablico\u201d. Para ela, a viol\u00eancia atua como um \u201cveneno invis\u00edvel\u201d que desestimula a presen\u00e7a de mulheres negras na pol\u00edtica formal. <span>\u201cElas [big techs] lucram inclusive com an\u00fancios de golpes e conte\u00fados de incita\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 um alinhamento ideol\u00f3gico e de privil\u00e9gio: dados mostram como algoritmos entregam mais alcance para a extrema-direita enquanto censuram ou reduzem a entrega de perfis progressistas\u201d<\/span>, analisa \u00c1urea.<\/p>\n<p>A professora e ativista feminista Lola Aronovich, umas das primeiras mulheres a receber e combater os discursos de \u00f3dio na internet, cuja persegui\u00e7\u00e3o deu origem \u00e0 Lei 13.642\/2018 (Lei Lola), aponta que o ecossistema digital se deteriorou a partir de 2016: \u201cas Big Techs sempre difundiram \u00f3dio porque lucram com o engajamento pelo ultraje. Com as elei\u00e7\u00f5es de Donald Trump nos EUA e Jair Bolsonaro no Brasil, a \u2018machosfera\u2019 e os grupos extremistas perderam a vergonha de expor o rosto. Viram que discursos de misoginia e viol\u00eancia n\u00e3o eram punidos, mas recompensados com o poder\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise do advogado Thiago Farias, a facilidade com que discursos extremistas se convertem em persegui\u00e7\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com as pol\u00edticas de modera\u00e7\u00e3o das empresas de tecnologia.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAs plataformas digitais precisam abandonar as suas convenientes posturas de dist\u00e2ncia do debate p\u00fablico. <span>Ficou escancarado no debate p\u00fablico recente, especialmente nos per\u00edodos eleitorais, que existe uma assimetria gritante na aplica\u00e7\u00e3o dos termos de uso quando o conte\u00fado partia da extrema direita, permitindo que a desumaniza\u00e7\u00e3o e a incita\u00e7\u00e3o ao \u00f3dio corressem soltas<\/span>; em contrapartida, vozes progressistas, perif\u00e9ricas e democr\u00e1ticas, que buscavam apenas qualificar o debate p\u00fablico, foram sistematicamente silenciadas ou punidas com rigor desmedido\u201d, argumenta.\u00a0<\/p>\n<p>Farias defende que as redes deixem de usar algoritmos que tratam o engajamento com o \u00f3dio como motor de distribui\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m apela para que elas\u00a0 cooperem imediatamente com a Justi\u00e7a, fornecendo dados cadastrais e registros de conex\u00e3o dos agressores.<\/p>\n<h2><strong>Partidos tamb\u00e9m devem se envolver e se responsabilizar<\/strong><\/h2>\n<p>\u00c1urea Carolina avalia que a lei \u201caumenta a pena e tipifica o crime, mas n\u00e3o prev\u00ea nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica para prevenir nem cria estruturas de prote\u00e7\u00e3o.\u201d Para a ex-deputada, a omiss\u00e3o dos partidos pol\u00edticos diante dos ataques \u00e9 um dos principais fatores que deixam as candidatas desprotegidas nas campanhas. Como alternativa, ela defende a cria\u00e7\u00e3o de um fundo emergencial com recursos do Fundo Eleitoral: a medida destinaria parte da verba p\u00fablica de campanha para custear a\u00e7\u00f5es imediatas de prote\u00e7\u00e3o (como escolta, suporte psicol\u00f3gico, ve\u00edculos blindados ou reloca\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio) em at\u00e9 48 horas ap\u00f3s o registro da amea\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p><span>\u201cOs partidos s\u00e3o omissos, para n\u00e3o dizer coniventes. Se \u00e9 de interesse do Brasil financiar candidaturas de todo o espectro pol\u00edtico, tamb\u00e9m deve ser de interesse do pa\u00eds garantir que todas as candidaturas de mulheres concorram em condi\u00e7\u00f5es de igualdade e seguran\u00e7a.<\/span> N\u00e3o d\u00e1 para esperar um m\u00eas de tr\u00e2mite burocr\u00e1tico partid\u00e1rio quando a vida e o mandato de uma mulher est\u00e3o em jogo\u201d, defende a cientista pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Por outro lado, leis focadas em investiga\u00e7\u00e3o digital t\u00eam utilidade quando h\u00e1 vontade pol\u00edtica. Lola Aronovich destaca que a Lei Lola (Lei 13.642\/2018), que autoriza a Pol\u00edcia Federal a investigar crimes cibern\u00e9ticos de misoginia e \u00f3dio com repercuss\u00e3o intermunicipal ou internacional, passou a ser aplicada de forma mais firme a partir de 2023. \u201cHoje ela \u00e9 usada pela PF para desmantelar f\u00f3runs que planejam massacres em escolas, redes internacionais de abuso digital e campanhas organizadas de incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia contra mulheres.\u201d<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os legais, os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a ainda enfrentam quest\u00f5es operacionais. A Lei 14.192\/2021 tipifica a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero, mas a aplica\u00e7\u00e3o das normas segue desafiada pela velocidade das amea\u00e7as. Segundo Thiago Farias, institui\u00e7\u00f5es como a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intoler\u00e2ncia (DECRADI) e o GECRADI, no Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo, s\u00e3o conquistas hist\u00f3ricas dos movimentos sociais. Ainda assim, enfrentam limita\u00e7\u00f5es de alcance e lentid\u00e3o burocr\u00e1tica para preservar provas digitais com a urg\u00eancia necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>No Congresso Nacional, h\u00e1 uma proposta em tramita\u00e7\u00e3o buscam enfrentar essas brechas: o PL 3191\/2026, de autoria da deputada S\u00e2mia Bomfim (PSOL\/SP), altera a Lei de Viol\u00eancia Pol\u00edtica contra a Mulher (Lei 14.192\/2021) e o C\u00f3digo Eleitoral. A proposta tipifica expressamente como viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero a manipula\u00e7\u00e3o digital, o uso de intelig\u00eancia artificial (deepfakes) e a dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados falsos ou difamat\u00f3rios destinados a induzir ao erro sobre a opini\u00e3o ou identidade de candidatas e parlamentares. Protocolado em junho de 2026, o projeto passa pela an\u00e1lise das comiss\u00f5es da C\u00e2mara antes de seguir para vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><strong>Outro lado<\/strong><\/h2>\n<p>Procurada pela reportagem, a Meta informou por meio de nota, que: \u201cn\u00e3o permite amea\u00e7as, intimida\u00e7\u00e3o, conduta de \u00f3dio ou exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada de dados pessoais, inclusive no contexto eleitoral\u201d. A empresa afirmou que qualquer usu\u00e1rio pode denunciar viola\u00e7\u00f5es diretamente nas redes (Facebook, Instagram e Threads) e ressaltou que mant\u00e9m, para as Elei\u00e7\u00f5es 2026, canais dedicados \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral, partidos e candidatas, al\u00e9m de um guia de seguran\u00e7a voltado a mulheres na pol\u00edtica. \u201cRemovemos conte\u00fados que violam nossas regras, e contas infratoras podem ter recursos limitados, ser suspensas ou desativadas\u201d, declarou o porta-voz da plataforma.<\/p>\n<blockquote>\n<h2><strong>Guia pr\u00e1tico<\/strong><\/h2>\n<p>A pedido da <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica,<\/strong> a advogada especialista em Direito Digital Elaine Keller criou um s\u00e9rie de orienta\u00e7\u00f5es para v\u00edtimas de amea\u00e7as no ambiente digital<\/p>\n<p><strong>O que fazer em caso de persegui\u00e7\u00e3o e ataques virtuais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>1. Qual \u00e9 o limite entre a liberdade de express\u00e3o e o crime de \u00f3dio ou persegui\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A cr\u00edtica e o debate, mesmo contundentes, s\u00e3o leg\u00edtimos no ambiente democr\u00e1tico. No entanto, a liberdade de express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 absoluta e n\u00e3o pode servir de escudo para ofensas, amea\u00e7as, misoginia ou ataques \u00e0 honra e \u00e0 dignidade. Quando o limite \u00e9 ultrapassado, configura-se abuso de direito e il\u00edcito civil e penal (inj\u00faria, difama\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a e persegui\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>2. Sofri um ataque ou amea\u00e7a na rede. Qual deve ser a minha primeira atitude?<\/strong><\/p>\n<p>A primeira provid\u00eancia imediata \u00e9 preservar as provas das agress\u00f5es (mensagens, coment\u00e1rios, \u00e1udios, v\u00eddeos e links\/URLs das publica\u00e7\u00f5es) e denunciar o conte\u00fado nos canais da pr\u00f3pria plataforma. Se persistir ou houver amea\u00e7a grave e exposi\u00e7\u00e3o de dados (<em>doxxing<\/em>), procure imediatamente a pol\u00edcia para registrar um Boletim de Ocorr\u00eancia e busque orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n<p><strong>3. Tirar um simples print (captura de tela) serve como prova na Justi\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Nem sempre. Para ter validade no Judici\u00e1rio, a prova digital precisa cumprir tr\u00eas requisitos: autenticidade (origem), integridade (garantia de que n\u00e3o foi manipulada) e licitude. Um print isolado pode ser contestado. O ideal \u00e9 salvar as URLs exatas, a navega\u00e7\u00e3o gravada, manter os arquivos originais sem altera\u00e7\u00e3o e, se poss\u00edvel, contar com orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ou registros de preserva\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica (como ata notarial em cart\u00f3rio ou plataformas com tecnologia de blockchain).<\/p>\n<p><strong>4. O agressor usou um perfil falso ou sem foto. \u00c9 poss\u00edvel identificar quem est\u00e1 por tr\u00e1s?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. O anonimato nas redes n\u00e3o \u00e9 uma blindagem contra responsabiliza\u00e7\u00e3o civil e criminal. Por meio de ordem judicial, as plataformas digitais s\u00e3o obrigadas a fornecer os registros de conex\u00e3o e dados de acesso, como endere\u00e7os de IP, datas e hor\u00e1rios, que permitem \u00e0s autoridades policiais identificar o autor da infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>5. A plataforma n\u00e3o removeu o conte\u00fado denunciado e a persegui\u00e7\u00e3o continua. O que posso fazer judicialmente?<\/strong><\/p>\n<p>Um advogado especialista em Direito Digital pode acionar o Judici\u00e1rio para pedir, em car\u00e1ter de urg\u00eancia (liminar), a retirada imediata do conte\u00fado ou a suspens\u00e3o do perfil sob pena de multa di\u00e1ria \u00e0 plataforma. Al\u00e9m da remo\u00e7\u00e3o, a v\u00edtima pode pleitear indeniza\u00e7\u00f5es civis por danos morais e a responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal dos envolvidos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/deputada-jandira-feghali-cobra-revisao-da-autonomia-do-banco-central\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Captura-de-Tela-2024-12-18-as-15.12.16-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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