{"id":110698,"date":"2026-10-24T15:23:19","date_gmt":"2026-10-24T18:23:19","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/como-a-china-avalia-os-riscos-de-um-eventual-governo-flavio-bolsonaro\/"},"modified":"2026-10-24T15:23:19","modified_gmt":"2026-10-24T18:23:19","slug":"como-a-china-avalia-os-riscos-de-um-eventual-governo-flavio-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/como-a-china-avalia-os-riscos-de-um-eventual-governo-flavio-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Como a China avalia os riscos de um eventual governo Fl\u00e1vio Bolsonaro?"},"content":{"rendered":"<p><span>Uma eventual vit\u00f3ria do candidato Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL) no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es brasileiras neste domingo (25\/10) contra o mandat\u00e1rio Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), poderia trazer consequ\u00eancias para a coopera\u00e7\u00e3o Bras\u00edlia-Pequim em setores estrat\u00e9gicos, al\u00e9m de alterar o papel que o pa\u00eds sul-americano desempenha no BRICS. Esta \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de especialistas consultados por<\/span><b> Opera Mundi<\/b><span>, que apontam o risco de uma maior aproxima\u00e7\u00e3o com Washington afetar as decis\u00f5es da pol\u00edtica externa do pa\u00eds e conduzir a uma atua\u00e7\u00e3o mais alinhada aos interesses norte-americanos por conta da aproxima\u00e7\u00e3o com o Donald Trump.<\/span><\/p>\n<p><span>Para Jiang Shixue, professor da Universidade Normal de Hangzhou e ex-diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Academia Chinesa de Ci\u00eancias Sociais (CASS, na sigla em ingl\u00eas), independentemente do resultado eleitoral brasileiro, a China, maior parceira econ\u00f4mica, dever\u00e1 buscar a manuten\u00e7\u00e3o do n\u00edvel atual de coopera\u00e7\u00e3o bilateral. <\/span><span>Contudo, segundo o docente, uma prov\u00e1vel mudan\u00e7a na pol\u00edtica interna do Brasil n\u00e3o deve ser avaliada como irrelevante para os interesses chineses, uma vez que o estreitamento dos la\u00e7os com os Estados Unidos poderia reduzir n\u00e3o somente a disposi\u00e7\u00e3o brasileira de promover uma agenda multipolar, como tamb\u00e9m restringir a coopera\u00e7\u00e3o com a China principalmente em \u00e1reas como telecomunica\u00e7\u00f5es e minerais cr\u00edticos.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cOs fatos mostram que os Estados Unidos est\u00e3o implementando a \u2018Nova Doutrina Monroe\u2019 na Am\u00e9rica Latina de forma abrangente, por meio de tr\u00eas vias: subvers\u00e3o militar (na Venezuela), interfer\u00eancia eleitoral e outras categorias de press\u00f5es\u201d, destacou Jiang. \u201cUma vit\u00f3ria de Fl\u00e1vio poderia tornar o papel do Brasil no BRICS mais passivo ou negativo, enfraquecendo a voz coletiva do grupo no desafio \u00e0 domin\u00e2ncia do d\u00f3lar e \u00e0s san\u00e7\u00f5es unilaterais\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>A import\u00e2ncia do Brasil para a estrat\u00e9gia norte-americana est\u00e1 relacionada tanto ao peso econ\u00f4mico do pa\u00eds quanto \u00e0 sua capacidade de articula\u00e7\u00e3o internacional, de acordo com a avalia\u00e7\u00e3o do professor. A maior economia da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o apenas mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es comerciais profundas com a China, como tamb\u00e9m participa de iniciativas como o BRICS, que buscam ampliar a autonomia dos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/span><\/p>\n<h3><span>China poderia ser exclu\u00edda de certos projetos<\/span><\/h3>\n<p><span>Na mesma linha, para Ruben Gonzalez-Vicente, professor associado de Economia Pol\u00edtica da Universidade de Birmingham, os Estados Unidos t\u00eam dois objetivos principais: ampliar o n\u00famero de governos alinhados \u00e0 sua pol\u00edtica regional e limitar a influ\u00eancia chinesa. Um eventual governo Fl\u00e1vio Bolsonaro poderia facilitar a implementa\u00e7\u00e3o da agenda norte-americana, inclusive em quest\u00f5es nas quais os interesses dos dois pa\u00edses n\u00e3o necessariamente coincidam.<\/span><\/p>\n<p><span>O docente, por\u00e9m, lembrou que, durante o governo de Jair Bolsonaro (pai de Fl\u00e1vio), quando o Brasil estava politicamente alinhado ao ent\u00e3o primeiro mandato presidencial de Trump, o pa\u00eds sul-americano continuou negociando com a China. Segundo Gonzalez-Vicente, os v\u00ednculos econ\u00f4micos bilaterais com Pequim s\u00e3o profundos e seria pouco realista esperar que qualquer governo brasileiro exclu\u00edsse completamente a na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica da economia nacional.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cN\u00e3o seria do interesse de alguns dos setores econ\u00f4micos mais importantes do Brasil, particularmente o agroneg\u00f3cio e os exportadores de soja, romper la\u00e7os com a China. Tamb\u00e9m considero improv\u00e1vel que os investimentos chineses existentes sejam simplesmente desmantelados\u201d, avaliou.<\/span><\/p>\n<p><span>O maior risco, portanto, est\u00e1 na possibilidade das decis\u00f5es brasileiras em setores estrat\u00e9gicos passarem a ser orientadas por considera\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas que conv\u00e9m aos Estados Unidos, mesmo quando isso n\u00e3o representar a alternativa economicamente mais vantajosa para o pa\u00eds. <\/span><span>\u201cUm governo brasileiro mais pr\u00f3-EUA poderia favorecer fornecedores alternativos, mesmo quando empresas chinesas oferecerem propostas economicamente mais atraentes. A China tamb\u00e9m poderia ser exclu\u00edda de certos projetos de grande visibilidade ou politicamente sens\u00edveis\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>O professor tamb\u00e9m considera importante distinguir a ascens\u00e3o da extrema direita na Am\u00e9rica Latina da disputa entre Washington e Pequim. Segundo ele, fatores internos, como estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, desemprego, pobreza, inseguran\u00e7a e desconfian\u00e7a nos partidos tradicionais, ajudam a explicar o avan\u00e7o dessas for\u00e7as pol\u00edticas. Por sua vez, a import\u00e2ncia da China estaria principalmente na dimens\u00e3o geopol\u00edtica, j\u00e1 que lideran\u00e7as alinhadas a Washington podem defender uma ordem internacional centrada nos Estados Unidos e se opor \u00e0 influ\u00eancia da gigante asi\u00e1tica na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h3><span>Rela\u00e7\u00f5es comerciais n\u00e3o significam parceria estrat\u00e9gica<\/span><\/h3>\n<p><span>A coordenadora para a \u00c1sia do Instituto Tricontinental, Tings Chak, entende que o Brasil tem uma import\u00e2ncia particular porque sua capacidade industrial, seus recursos estrat\u00e9gicos e sua participa\u00e7\u00e3o em mecanismos de integra\u00e7\u00e3o regional permitem ao pa\u00eds ampliar sua autonomia na esfera internacional.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201c\u00c9 um dos principais articuladores do BRICS, do Mercosul e da coopera\u00e7\u00e3o regional. Abriga a maior parte da Amaz\u00f4nia, possui recursos minerais estrat\u00e9gicos e capacidades industriais e tecnol\u00f3gicas pr\u00f3prias. Um Brasil comprometido com a integra\u00e7\u00e3o latino-americana e a coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul amplia a margem de a\u00e7\u00e3o de toda a regi\u00e3o. Um Brasil submetido \u00e0 estrat\u00e9gia estadunidense faz o contr\u00e1rio\u201d, afirmou a pesquisadora.<\/span><\/p>\n<p><span>Chak tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia dos recursos minerais brasileiros para a disputa tecnol\u00f3gica entre Estados Unidos e China. Segundo ela, n\u00e3o basta possuir minerais cr\u00edticos, como as terras raras: \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver capacidade de processamento, tecnologias pr\u00f3prias e uma estrutura industrial que permita ao pa\u00eds transformar esses recursos em instrumentos de desenvolvimento nacional.<\/span><\/p>\n<p><span>Nesse contexto, uma eventual aproxima\u00e7\u00e3o do Brasil com Washington poderia afetar n\u00e3o apenas suas rela\u00e7\u00f5es com Pequim, mas tamb\u00e9m corroer as possibilidades de desenvolvimento tecnol\u00f3gico e industrial da pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>Com rela\u00e7\u00e3o a um poss\u00edvel retorno da fam\u00edlia Bolsonaro ao Executivo, Chak destacou o contraste entre os governos Lula e Jair Bolsonaro. Enquanto o atual presidente aprofundou a coopera\u00e7\u00e3o com o l\u00edder chin\u00eas Xi Jinping, o governo anterior provocou tens\u00f5es diplom\u00e1ticas, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Mesmo com a manuten\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es comerciais bilaterais, o desgaste pol\u00edtico demonstrou que os interesses econ\u00f4micos compartilhados n\u00e3o s\u00e3o suficientes para garantir uma parceria estrat\u00e9gica.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cA quest\u00e3o, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas como Pequim reagiria [a uma eventual vit\u00f3ria eleitoral de Fl\u00e1vio], mas que rela\u00e7\u00e3o o Brasil pretende construir com a China: uma parceria capaz de fortalecer seu desenvolvimento e sua soberania ou uma rela\u00e7\u00e3o limitada aos interesses comerciais de determinados setores econ\u00f4micos\u201d, afirmou.<\/span><\/p>\n<h3><span>O que est\u00e1 em jogo para o BRICS<\/span><\/h3>\n<p><span>O futuro do BRICS \u00e9 um dos pontos de preocupa\u00e7\u00e3o diante da possibilidade de uma mudan\u00e7a na pol\u00edtica externa brasileira. Embora uma eventual vit\u00f3ria de Fl\u00e1vio Bolsonaro n\u00e3o signifique necessariamente a sa\u00edda do pa\u00eds do grupo, ela poderia alterar a disposi\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia de promover iniciativas de coopera\u00e7\u00e3o com seus integrantes.<\/span><\/p>\n<p><span>Para os especialistas, o enfraquecimento da participa\u00e7\u00e3o brasileira no bloco poderia ocorrer mesmo sem uma sa\u00edda formalizada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Chak tamb\u00e9m considera que o papel originalmente desempenhado pelo Brasil no BRICS est\u00e1 relacionado \u00e0 possibilidade de o pa\u00eds ampliar sua autonomia internacional e contribuir para uma ordem mundial menos concentrada no poder dos Estados Unidos. \u201cA exist\u00eancia de diferentes centros de poder pode abrir espa\u00e7o para projetos nacionais de desenvolvimento e maior soberania, mas tudo depende das for\u00e7as pol\u00edticas e sociais que d\u00e3o dire\u00e7\u00e3o a esse processo\u201d, disse.<\/span><\/p>\n<p><span>As elei\u00e7\u00f5es brasileiras ocorrem em um momento de intensifica\u00e7\u00e3o da disputa entre Washington e Pequim e da onda da extrema direita tomando conta de diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Nesse cen\u00e1rio, a pesquisadora avalia que um eventual retorno da fam\u00edlia Bolsonaro ao Executivo brasileiro poderia resultar no comprometimento dos avan\u00e7os na integra\u00e7\u00e3o regional, na coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul e na busca por maior autonomia diante das press\u00f5es externas.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201c\u00c9 nesse contexto que precisamos entender a import\u00e2ncia pol\u00edtica de Lula. Seu governo tem contribu\u00eddo para ampliar a autonomia internacional do Brasil, fortalecer o BRICS e aprofundar rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com pa\u00edses como a China. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 Lula como indiv\u00edduo, mas a possibilidade de um Brasil soberano, capaz de construir alian\u00e7as e tomar decis\u00f5es fora da esfera de influ\u00eancia de Washington\u201d, destacou.<\/span><\/p>\n<p>O post Como a China avalia os riscos de um eventual governo Fl\u00e1vio Bolsonaro? apareceu primeiro em Opera Mundi.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-futuro-do-trabalho-e-a-incerteza-do-presente-com-marta-bergamin\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Esta \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de especialistas consultados [\u2026]<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/eleicoes-2026-brasil\/como-a-china-interpreta-os-riscos-de-um-governo-flavio-bolsonaro-para-o-brasil\/\">Como a China avalia os riscos de um eventual governo Fl\u00e1vio Bolsonaro?<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/\">Opera Mundi<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[39,45,1140,292,1767,693,3696,75892,394,2427,1453],"tags":[],"class_list":["post-110698","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-asia","category-brasil","category-brics","category-china","category-comercio","category-cooperacao","category-doutrina-monroe","category-eleicoes-2026-no-brasil","category-estados-unidos","category-flavio-bolsonaro","category-trump"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110698","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110698"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110698\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}