{"id":14105,"date":"2025-02-20T18:09:13","date_gmt":"2025-02-20T21:09:13","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/como-superar-o-brasil-da-comida-cara-e-envenenada\/"},"modified":"2025-02-20T18:09:13","modified_gmt":"2025-02-20T21:09:13","slug":"como-superar-o-brasil-da-comida-cara-e-envenenada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/como-superar-o-brasil-da-comida-cara-e-envenenada\/","title":{"rendered":"Como superar o Brasil da comida cara e envenenada"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"793\" height=\"530\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Screenshot-2025-02-20-at-18-07-53-EPA_Acephate-LEAD-FINAL_preview_maxWidth_3000_maxHeight_3000_ppi_72_embedColorProfile_true_quality_95.jpg-imagem-WEBP-800-C397-533-pixels.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Screenshot-2025-02-20-at-18-07-53-EPA_Acephate-LEAD-FINAL_preview_maxWidth_3000_maxHeight_3000_ppi_72_embedColorProfile_true_quality_95.jpg-imagem-WEBP-800-C397-533-pixels.png 793w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Screenshot-2025-02-20-at-18-07-53-EPA_Acephate-LEAD-FINAL_preview_maxWidth_3000_maxHeight_3000_ppi_72_embedColorProfile_true_quality_95.jpg-imagem-WEBP-800-\u00d7-533-pixels-300x201.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Screenshot-2025-02-20-at-18-07-53-EPA_Acephate-LEAD-FINAL_preview_maxWidth_3000_maxHeight_3000_ppi_72_embedColorProfile_true_quality_95.jpg-imagem-WEBP-800-\u00d7-533-pixels-768x513.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Screenshot-2025-02-20-at-18-07-53-EPA_Acephate-LEAD-FINAL_preview_maxWidth_3000_maxHeight_3000_ppi_72_embedColorProfile_true_quality_95.jpg-imagem-WEBP-800-\u00d7-533-pixels-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 793px) 100vw, 793px\"><\/figure>\n<p>Responda uma pergunta simples, se voc\u00ea pudesse escolher, compraria comida barata, mas cheia de agrot\u00f3xicos, ou comida cara, mas livre de venenos? Infelizmente, talvez nenhuma das duas op\u00e7\u00f5es seja vi\u00e1vel para boa parte da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Sim \u2013 embora a <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/economia\/inflacao-tem-a-menor-taxa-em-janeiro-desde-o-inicio-do-plano-real-aponta-ibge\/\"><u>infla\u00e7\u00e3o de janeiro de 2025<\/u><\/a> tenha desacelerado fortemente -, podemos caminhar para uma \u00fanica possibilidade, caso sigamos no curso agroalimentar insustent\u00e1vel atual: ter nos mercados e feiras somente alimentos com pre\u00e7os \u201csalgados\u201d e que v\u00eam \u201ctemperados\u201d com res\u00edduos de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas variadas. \u00c9 preciso entender o que est\u00e1 nos levando a esse cen\u00e1rio, para darmos um cavalo de pau e seguirmos em outra dire\u00e7\u00e3o, enquanto h\u00e1 tempo.<\/p>\n<p>Somos o celeiro do mundo, anunciam as propagandas que o setor agroalimentar espalha aos quatro ventos. Um gigante na produ\u00e7\u00e3o de comida, que alimenta n\u00e3o apenas a nossa gente brasileira, mas as gentes de muitos lugares do globo terrestre. Se esse del\u00edrio ruralista fosse verdade, como se explicaria o fato de que ainda tem tantas pessoas com fome no pa\u00eds? E a carestia dos produtos? Mesmo sabendo que as contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma constante no sistema capitalista, como j\u00e1 dizia nosso bom e velho Marx, fica dif\u00edcil engolir esse discurso fantasioso frente a uma realidade <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c99xv1873elo\"><u>em que 8,93 milh\u00f5es<\/u><\/a> de habitantes do pa\u00eds est\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar severa e 60,3 milh\u00f5es n\u00e3o t\u00eam acesso pleno e regular aos alimentos necess\u00e1rios a uma vida digna.<\/p>\n<p>\u00c9 a caqu\u00e9tica, mas imperativa, receita colonialista: os territ\u00f3rios do Sul global s\u00e3o considerados fontes baratas de mat\u00e9ria-prima b\u00e1sica, como produtos agr\u00edcolas e min\u00e9rios, para o livre abastecimento dos pa\u00edses considerados desenvolvidos. E, se chegarem a tanto, dado o n\u00edvel de mis\u00e9ria em v\u00e1rios deles, formam um mercado consumidor para os produtos altamente industrializados produzidos por estes \u00faltimos. Nem \u00e9 preciso dizer que a diferen\u00e7a de valor entre o tipo de produto que se vende e o tipo de produto que se compra \u00e9 absolutamente gritante e ajuda a perpetuar a exist\u00eancia de um profundo abismo econ\u00f4mico entre as chamadas pot\u00eancias mundiais e a ral\u00e9 planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nesse processo que se arrasta h\u00e1 s\u00e9culos, houve uma ineg\u00e1vel divis\u00e3o no setor agroalimentar entre o que \u00e9 considerado commodity e o que continua sendo a boa e velha comida. A primeira categoria \u00e9 composta de produtos agr\u00edcolas que s\u00e3o internacionalmente padronizados e negociados nas bolsas do mundo afora, podendo ou n\u00e3o ser destinados \u00e0 cadeia alimentar, como \u00e9 o caso dos gr\u00e3os que v\u00e3o virar ra\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o de animais e \u00f3leo para a ind\u00fastria aliment\u00edcia (mas tamb\u00e9m da cana-de-a\u00e7\u00facar, que pode virar etanol, do eucalipto, que virar\u00e1 papel, do algod\u00e3o, que abastece a ind\u00fastria t\u00eaxtil e at\u00e9 da pr\u00f3pria soja, que vem sendo muito usada para biodiesel, o que explica parte do aumento do pre\u00e7o do \u00f3leo feito com a leguminosa). Uma vez fora de seu pa\u00eds de origem, \u00e9 prov\u00e1vel que tais commodities, mesmo se destinadas ao setor comest\u00edvel, jamais fa\u00e7am parte do prato da popula\u00e7\u00e3o que o habita. Resumindo: a carne dos animais alimentados com a ra\u00e7\u00e3o feita com soja brasileira vai ficar na barriga dos gringos.<\/p>\n<p>J\u00e1 aquilo que continua sendo chamado de comida e que forma milenarmente a base da alimenta\u00e7\u00e3o dos povos do mundo \u2013 como as hortali\u00e7as, as ra\u00edzes, os frutos, as sementes e gr\u00e3os tradicionais -, n\u00e3o tem um lugar t\u00e3o valorizado no cen\u00e1rio do financismo mundial e, portanto, pode ser preterido na hora de decidir o que ser\u00e1 produzido pelo setor agr\u00edcola de cada regi\u00e3o. Ou seja, se \u00e9 mais vantajoso comercialmente para quem est\u00e1 nesse mercado produzir soja e milho transg\u00eanicos para alimentar porcos e frangos a dezenas de milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, ao inv\u00e9s de produzir feij\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o local, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma d\u00favida sobre qual ser\u00e1 a escolha feita. S\u00f3 pra ilustrar, a \u00e1rea de cultivo de soja passou, em apenas 10 anos, de 30 milh\u00f5es de hectares para quase 48 milh\u00f5es de hectares. E, se depender da <a href=\"https:\/\/agro.estadao.com.br\/economia\/brasil-pode-aumentar-area-de-soja-em-30-milhoes-de-hectares-sem-desmatamento-afirma-ceo-da-slc-agricola\"><u>sanha do Agribusiness<\/u><\/a>, vai saltar mais outros 30, chegando a 78 milh\u00f5es \u2013 quando temos, segundo a PAM (Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola Municipal) de 2023, uma \u00e1rea cultivada total de 96 milh\u00f5es de hectares para todas as culturas do pa\u00eds!<\/p>\n<h3><strong>Quem regula quem<\/strong><\/h3>\n<p>Se o que chamamos de mercado age conforme os interesses financeiros de uma elite e se nega a olhar para as consequ\u00eancias concretas de suas escolhas na vida do pov\u00e3o, a quem caberia o papel de contrabalan\u00e7ar esse (d)efeito do sistema econ\u00f4mico globalizado? Podemos dizer que a exist\u00eancia dos Estados nacionais se daria justamente para limitar minimamente os mecanismos que alimentam as desigualdades dentro de seus territ\u00f3rios, al\u00e9m de tomar medidas para proteger suas economias de serem devoradas pelo processo de domina\u00e7\u00e3o financeira de uns (poucos) pa\u00edses sobre os demais.<\/p>\n<p>Aos Estados caberia, portanto, a fun\u00e7\u00e3o de reguladores, apoiando-se em suas leis nacionais e em tratados internacionais, para criar pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam os direitos fundamentais de suas popula\u00e7\u00f5es. No caso do DHANA, o Direito Humano \u00e0 Alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 Nutri\u00e7\u00e3o Adequadas, essas pol\u00edticas t\u00eam como base a promo\u00e7\u00e3o de um Sistema de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional capaz de assegurar que todas as pessoas tenham acesso a alimentos em quantidade e qualidade para que possam se desenvolver f\u00edsica, mental, emocional, cultural e socialmente. \u00c9 algo que vai muito al\u00e9m de estar livre da fome.<\/p>\n<p>No entanto, em uma sociedade em que o controle do que se produz est\u00e1 nas m\u00e3os de grandes corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, que n\u00e3o respeitam fronteiras, que <a href=\"https:\/\/midianinja.org\/veneno-de-terno-gravata-e-jaleco-os-alvos-do-lobby-da-industria-de-agrotoxicos\/\"><u>financiam bancadas parlamentares<\/u><\/a>, que compram an\u00fancios nos principais ve\u00edculos de m\u00eddia, que mant\u00e9m robustas redes de advocacia e que, se necess\u00e1rio, usam a for\u00e7a das armas para que seus interesses n\u00e3o sejam contrariados, o poder regulador dos governos nacionais vem sendo sistematicamente violado \u2013 e quem deveria ditar as regras na \u00e1rea econ\u00f4mica passa a seguir as regras impostas pela elite internacional.<\/p>\n<p>Voltando ao Brasil, como nosso pa\u00eds pode traduzir na pr\u00e1tica o que consta no SISAN, o Sistema Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, se \u00e9 ref\u00e9m de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica cerceada por algo como o <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/arcabouco-os-erros-e-perigos-no-pacote-do-governo\/\"><u>Arcabou\u00e7o Fiscal<\/u><\/a>? Se \u00e9 pautado por uma agenda que \u00e9 elaborada pelos representantes de setores do mercado especulativo e \u00e9 posta em pr\u00e1tica (muitas vezes \u00e0 base de chantagens, boicotes e amea\u00e7as) por bancadas, como a ruralista, uma das maiores no Congresso Nacional? Se ele destina a imensa maioria do cr\u00e9dito subsidiado para a produ\u00e7\u00e3o de commodities e n\u00e3o de comida?<\/p>\n<p>Mesmo reconhecendo as ineg\u00e1veis diferen\u00e7as entre a atual administra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e a anterior, sendo o desgoverno Bolsonaro respons\u00e1vel por chegarmos ao n\u00famero de 700 mil mortes durante a crise da pandemia e por submeter dezenas de milh\u00f5es de fam\u00edlias brasileiras \u00e0 fome \u2013 entre outras a\u00e7\u00f5es imperdo\u00e1veis -, temos que dizer que, apesar das atuais pol\u00edticas redistributivas e da redu\u00e7\u00e3o do desemprego, que <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/secom\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/07\/mapa-da-fome-da-onu-inseguranca-alimentar-severa-cai-85-no-brasil-em-2023#:~:text=COMBATE%20%C3%80%20FOME-,Mapa%20da%20Fome%20da%20ONU:%20inseguran%C3%A7a%20alimentar%20severa,85%25%20no%20Brasil%20em%202023&amp;text=A%20edi%C3%A7%C3%A3o%202024%20do%20Relat%C3%B3rio,85%25%20no%20Brasil%20em%202023.\"><u>diminu\u00edram em 14,7 milh\u00f5es<\/u><\/a> a quantidade de pessoas famintas em 2023, n\u00e3o estamos virando a p\u00e1gina da inseguran\u00e7a alimentar e nutricional, como a atual crise de carestia e a contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e alimentos deixa n\u00edtido.<\/p>\n<p>Sim, h\u00e1 muitos fatores envolvidos no imbr\u00f3glio dos pre\u00e7os altos da comida. As dificuldades produtivas decorrentes da emerg\u00eancia clim\u00e1tica; a resist\u00eancia aos agrot\u00f3xicos desenvolvida por insetos, fungos e plantas que s\u00e3o consideradas pragas; o esgotamento dos solos de muitas regi\u00f5es\u2026 s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es reais, \u00e9 ineg\u00e1vel. Mas s\u00e3o consequ\u00eancias diretas da insustentabilidade do modelo produtivo baseado em extensas monoculturas mecanizadas \u2013 e n\u00e3o surgiram inesperadamente, j\u00e1 que os sinais de que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 se agravando v\u00eam sendo dados pela natureza h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Neste momento, tamb\u00e9m est\u00e3o pipocando <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DGQV8GPx51x\/?igsh=cmVoN2hneHJmZmNy\"><u>den\u00fancias sobre toneladas de alimentos<\/u><\/a> produzidos pela agricultura brasileira sendo jogadas no lixo. Trata-se de uma pr\u00e1tica conhecida, que tem o objetivo de influenciar o valor do produto em quest\u00e3o, ao diminuir sua oferta no mercado. Pode ter ocorrido uma a\u00e7\u00e3o orquestrada, desde os \u00faltimos meses de 2024, como forma de atingir o atual governo e dar for\u00e7a para a narrativa de que, com ele, a vida est\u00e1 pior. Ainda \u00e9 necess\u00e1rio investigar o que realmente aconteceu porque v\u00eddeos em redes sociais, por mais convincentes que pare\u00e7am, podem ser manipulados. Mas, dado o n\u00edvel de golpismo que j\u00e1 testemunhamos nos \u00faltimos tempos, \u00e9 bem poss\u00edvel que essa atitude criminosa de jogar comida fora tenha mesmo ocorrido de modo combinado, com fins nitidamente pol\u00edticos, e dado uma m\u00e3ozinha para elevar os pre\u00e7os de alguns hortifrutis.<\/p>\n<p>Junte-se a\u00ed o que se passa na economia e na geopol\u00edtica internacional, como as guerras, as amea\u00e7as trumpistas e a subida do d\u00f3lar frente ao real no ano passado \u2013 lembrando que as empresas produtoras de maquin\u00e1rio, fertilizantes e venenos agr\u00edcolas s\u00e3o estrangeiras, ditam pre\u00e7os de modo dolarizado e canalizam parte substancial da renda no campo -, e temos mais elementos para decifrar essa charada. Para arrematar esse pequeno levantamento, n\u00e3o podemos esquecer de mencionar que a CONAB, empresa p\u00fablica que controla os estoques reguladores no Brasil, foi <a href=\"https:\/\/www.esquerdadiario.com.br\/Bolsonaro-extinguiu-os-estoques-publicos-de-alimentos-e-a-conta-voce-que-paga\"><u>duramente atacada no governo anterior<\/u><\/a>, que n\u00e3o apenas zerou as reservas estocadas, como desmontou boa parte da estrutura do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a disparada de pre\u00e7os e a dificuldade da popula\u00e7\u00e3o em adquirir comida em um pa\u00eds f\u00e9rtil como o nosso \u00e9 algo que n\u00e3o deveria fazer muito sentido, n\u00e3o \u00e9? Vejamos\u2026<\/p>\n<h3><strong>Pagando para nos envenenar<\/strong><\/h3>\n<p>Quando um setor da economia recebe cr\u00e9dito farto, isen\u00e7\u00e3o de impostos, afrouxamento de regras para pagar seus trabalhadores e trabalhadoras e outras benesses, voc\u00ea espera que o que ele forne\u00e7a fique mais caro ou mais barato? Pois \u00e9\u2026 o chamado AGRO brasileiro teve acesso ao maior Plano Safra da hist\u00f3ria do pa\u00eds, mais de 400 bilh\u00f5es de reais; n\u00e3o precisa pagar muitos dos impostos relacionados a insumos, como fertilizantes industriais e agrot\u00f3xicos, ou \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 famigerada Lei Kandir; n\u00e3o arca com uma quantidade de encargos de empregos minimamente condizente com sua estrutura econ\u00f4mica, e, por mais incr\u00edvel que isso possa parecer para pessoas comuns, como eu e voc\u00ea, retribui ao povo (que o carrega nas costas) com produtos caros e nada saud\u00e1veis. Eu disse \u201cnada\u201d saud\u00e1veis, sim.<\/p>\n<p>Infelizmente, na esteira do recorde do cr\u00e9dito p\u00fablico para as grandes empresas do agroneg\u00f3cio, nossa na\u00e7\u00e3o bateu um outro recorde em 2024. Superando a marca do desgoverno Bolsonaro \u2013 que liberou 652 novos agrot\u00f3xicos no ano de 2022 -, o atual governo autorizou, nos 12 meses do ano passado, <a href=\"https:\/\/contraosagrotoxicos.org\/brasil-registra-numero-recorde-de-agrotoxicos-em-2024\/#:~:text=O%20Brasil%20registrou%20663%20agrot%C3%B3xicos,Minist%C3%A9rio%20da%20Agricultura%20e%20Pecu%C3%A1ria).\"><u>663 dessas subst\u00e2ncias venenosas<\/u><\/a>. Para n\u00f3s, movimentos sociais agroecol\u00f3gicos, que lutamos arduamente para botar um fim na gest\u00e3o agrofascista do cl\u00e3 miliciano, \u00e9 um duro golpe. A conclus\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia: as for\u00e7as ruralistas seguem subjugando o executivo do pa\u00eds e estamos pagando para ser v\u00edtimas de um processo de envenenamento massivo.<\/p>\n<p>Essa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 alicer\u00e7ada pelo fato de que os agrot\u00f3xicos liberados no \u00faltimo ano n\u00e3o s\u00e3o menos danosos do que os que j\u00e1 estavam autorizados a circular em nosso territ\u00f3rio at\u00e9 ent\u00e3o. A imensa maioria deles \u00e9 composta pelos velhos ingredientes que j\u00e1 se provaram prejudiciais \u00e0 sa\u00fade humana e \u00e0 natureza. E, entre os \u00ednfimos 2,3% das novidades, dois produtos, o Orandis e o Miravis, foram considerados altamente t\u00f3xicos pela Anvisa e podem at\u00e9 levar a \u00f3bito, se inalados, segundo quem os produz.<\/p>\n<p>Vale lembrar que o PARA, <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/anvisa\/pt-br\/assuntos\/agrotoxicos\/programa-de-analise-de-residuos-em-alimentos\/relatorios-do-programa\"><u>Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos em Alimentos<\/u><\/a>, revelou a presen\u00e7a de venenos em 26% dos alimentos analisados em 2023, sendo 31 tipos diferentes no abacaxi e 25 tipos diferentes no arroz, muitos deles proibidos em pa\u00edses do norte global. \u00c9 um coquetel t\u00f3xico que tem liga\u00e7\u00e3o direta n\u00e3o apenas com a explos\u00e3o de diversas doen\u00e7as no pa\u00eds (principalmente entre os povos campesinos, que est\u00e3o mais expostos aos avi\u00f5es pulverizadores), mas tamb\u00e9m com o aumento do pre\u00e7o da comida, j\u00e1 que, como eu havia mencionado, esses produtos s\u00e3o fabricados por empresas de fora do Brasil e precificados em d\u00f3lar, moeda que subiu bastante em rela\u00e7\u00e3o ao real nos \u00faltimos meses de 2024.<\/p>\n<p>No plano internacional, a FAO, \u00f3rg\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas relacionado \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 reconheceu, atrav\u00e9s de um <a href=\"https:\/\/climainfo.org.br\/2024\/02\/19\/brasil-lidera-o-uso-de-agrotoxicos-no-mundo-mostra-levantamento-da-fao\/\"><u>levantamento feito em 2021<\/u><\/a>, que nosso pa\u00eds \u00e9 o campe\u00e3o do veneno e usa uma quantidade de agrot\u00f3xicos que \u00e9 maior do que a usada por Estados Unidos e China juntos \u2013 inclusive se considerarmos o valor por hectare ou o valor per capita. E estamos falando de dois pa\u00edses continentais que s\u00e3o grandes parceiros comerciais do Brasil, dos quais o nosso modelo produtivo atual \u00e9 dependente.<\/p>\n<p>Por falar na China, a not\u00edcia de que ela suspendeu a importa\u00e7\u00e3o de soja produzida por grandes empresas no nosso territ\u00f3rio repercutiu com for\u00e7a h\u00e1 alguns dias e parece sugerir que o mercado internacional n\u00e3o est\u00e1 disposto a comprar produtos com doses t\u00e3o gigantescas de venenos. O ir\u00f4nico dessa suspens\u00e3o \u00e9 que, no ano passado, a empresa do setor veneneiro que <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/spreadsheets\/d\/1DfzrGTdcnP2s54lD2IriVpR0i5JpcsYL\/edit?rtpof=true&amp;gid=1265290200#gid=1265290200\"><u>recebeu maior isen\u00e7\u00e3o fiscal<\/u><\/a> por parte do governo brasileiro \u2013 R$1,77 bilh\u00e3o \u2013 foi a Syngenta, controlada desde 2017 pela ChemChina, uma estatal chinesa. E \u00e9 justamente a empresa que fabrica os dois novos produtos altamente t\u00f3xicos liberados pelo governo entre os 663 da leva de 2024, o Orandis e o Miravis. D\u00e1-lhe contradi\u00e7\u00e3o por parte do Comunismo de Mercado (ou Capitalismo de Estado) adotado pela superpot\u00eancia asi\u00e1tica.<\/p>\n<p>Basf, Bayer e outras gigantes do setor tamb\u00e9m est\u00e3o na lista das corpora\u00e7\u00f5es que mamaram (e mamam) muito nessas tetas brasileiras, com descontos de centenas de milh\u00f5es de reais no que deveriam nos pagar em impostos em 2024. E vendem aqui os produtos que n\u00e3o s\u00e3o permitidos em seus pr\u00f3prios pa\u00edses, deixando expl\u00edcito que, para elas, somos um povo de categoria inferior \u00e0 dos povos europeus, e podemos engolir as subst\u00e2ncias comprovadamente t\u00f3xicas que eles t\u00e3o sabiamente se recusam.<\/p>\n<h3><strong>Terra para quem produz comida<\/strong><\/h3>\n<p>Ser\u00e1 que estamos caminhando para virar \u201cpicadinho\u201d no prato dos grandes representantes do mercado venenoso? O fato da <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2023-06\/apos-6-anos-conab-retoma-politica-de-estoques-publicos-de-alimentos#:~:text=A%20Companhia%20Nacional%20de%20Abastecimento,de%20Aquisi%C3%A7%C3%B5es%20do%20Governo%20Federal.\"><u>CONAB ter retomado<\/u><\/a> a forma\u00e7\u00e3o de estoques de alimentos da Agricultura Familiar em seus galp\u00f5es \u00e9 algo a ser celebrado e incentivado, para que eles se ampliem com mais celeridade. Afinal, frente \u00e0s crescentes trag\u00e9dias socioambientais ou aos ataques especulativos do mercado, \u00e9 preciso ter reservas para que a comida chegue a quem passe por dificuldades de acess\u00e1-la. E a not\u00edcia de que o governo federal <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/lula-anuncia-reducao-do-limite-de-alimentos-ultraprocessados-na-merenda-escolar\/\"><u>diminuiu a porcentagem<\/u><\/a> m\u00e1xima de ultraprocessados permitida na merenda das escolas (que passou de 20% para 15% e vai chegar a 10% no ano que vem) tamb\u00e9m traz um pouco de luz ao cen\u00e1rio, j\u00e1 que significa que agricultores e agricultoras familiares v\u00e3o fornecer mais comida nutritiva para o PNAE, o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar, que atende 40 milh\u00f5es de estudantes e serve, anualmente, cerca de 10 bilh\u00f5es de refei\u00e7\u00f5es. Menos ultraprocessados nessas refei\u00e7\u00f5es significa menos uso de soja, milho e cana-de-a\u00e7\u00facar na ind\u00fastria aliment\u00edcia para produzir esses produtos e menos plantio dessas commodities no campo.<\/p>\n<p>Mas, apesar de importantes, a\u00e7\u00f5es como essas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para reverter a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica na Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional brasileira. E o motivo \u00e9 simples: a nutri\u00e7\u00e3o come\u00e7a na terra, como nos ensinou nossa mestra Ana Primavesi, que nos deixou h\u00e1 5 anos, no come\u00e7o de 2020. Somente um solo sadio permite a exist\u00eancia de plantas sadias e de alimentos saud\u00e1veis para as pessoas. E, no modelo Agro-Ogro atual, \u00e9 imposs\u00edvel ter solos com sa\u00fade. Eles dependem da exist\u00eancia da biodiversidade, o que est\u00e1 intimamente relacionado com a presen\u00e7a dos povos dos campos, das \u00e1guas e das florestas nos territ\u00f3rios produtivos. Nada a ver com os desertos verdes despovoados sobrevoados por drones e avi\u00f5es que se espalham pelos nossos biomas.<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/youtu.be\/iGVeE0wG3_8?si=bkyfX87gkbLfdTYj\"><u>uma de suas declara\u00e7\u00f5es<\/u><\/a> relacionadas ao combate \u00e0 alta dos alimentos, o presidente Lula disse que \u201cmuito dinheiro na m\u00e3o de poucos significa empobrecimento e que pouco dinheiro na m\u00e3o de muitos significa mais qualidade de vida para todas as pessoas\u201d. O racioc\u00ednio parece coerente (e \u00e9 o que se espera de um l\u00edder que se coloca como defensor do povo trabalhador), mas trope\u00e7a em um fato ineg\u00e1vel: ningu\u00e9m come dinheiro. Como mencionado aqui, a comida saud\u00e1vel s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel quando a terra est\u00e1 saud\u00e1vel. Por sua vez, \u00e9 imposs\u00edvel a terra ter sa\u00fade nas propriedades do latif\u00fandio monocultor. \u00c9 necess\u00e1rio acabar com tamanha concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Refazendo a fala do presidente, o que precisa ser dito \u00e9 que muita terra na m\u00e3o de poucos significa fome e destrui\u00e7\u00e3o ambiental, significa alimento caro e envenenado. E que pouca terra na m\u00e3o de muitos (e de muitas) significa a possibilidade de ter solos f\u00e9rteis, cultivos biodiversos, circuitos locais e solid\u00e1rios de comercializa\u00e7\u00e3o; significa comida de verdade com valores acess\u00edveis na mesa do povo. Somente com a realiza\u00e7\u00e3o de uma ampla Reforma Agr\u00e1ria Popular de base agroecol\u00f3gica \u00e9 que poderemos escapar dos cart\u00e9is de fazendeiros, das corpora\u00e7\u00f5es de venenos, de transporte rodovi\u00e1rio movido a petr\u00f3leo ou biodiesel, das redes varejistas e ind\u00fastrias de ultraprocessados \u2013 respons\u00e1veis pelos pre\u00e7os nas alturas e pelos desequil\u00edbrios sociais e ambientais que nos assolam.<\/p>\n<p>Recentemente, em reuni\u00e3o de sua Coordena\u00e7\u00e3o Nacional em Bel\u00e9m (PA), o MST, Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra, <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2024\/01\/27\/mst-lanca-carta-compromisso-com-a-luta-e-o-povo-brasileiro-no-marco-de-seus-40-anos\/\"><u>divulgou uma carta<\/u><\/a> em que afirma: \u201cnos reunimos em territ\u00f3rio amaz\u00f4nico para tra\u00e7ar os rumos de nossa organiza\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo per\u00edodo na luta pela Reforma Agr\u00e1ria Popular, com acesso \u00e0 terra, justi\u00e7a social e ambiental. Aqui, viemos beber da hist\u00f3ria e da mem\u00f3ria da resist\u00eancia ind\u00edgena, negra, camponesa e popular.\u201d A refer\u00eancia aos povos tradicionais demonstra que, sem o respeito aos seus modos de vida e seus saberes ligados umbilicalmente aos territ\u00f3rios que habitam, \u00e9 imposs\u00edvel termos um futuro que n\u00e3o seja o abismo.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de torrar 400 bilh\u00f5es (ou 500 bilh\u00f5es, como se espera para o per\u00edodo de 2024\/2025) para financiar o OGRO e suas redes t\u00f3xicas, no que eu chamo de \u201cPlano Sofra\u201d, pois s\u00f3 leva ao sofrimento da popula\u00e7\u00e3o, e de dar isen\u00e7\u00f5es fiscais bilion\u00e1rias para as empresas transnacionais de agrovenenos, envolvidas at\u00e9 o \u00faltimo fio de cabelo nas tramas contra a democracia no mundo todo, como mostram as investiga\u00e7\u00f5es sobre os atos golpistas de 2023 (e at\u00e9 de 2016, ano em que as curvas de libera\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos passaram a subir intensamente), o governo federal deveria usar os recursos financeiros do pa\u00eds para estruturar e ampliar a rede de assentamentos campesinos, a demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas e o reconhecimento de comunidades de povos tradicionais.<\/p>\n<p>Sem essas medidas essenciais, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel conquistar nossa Soberania Alimentar, base para a garantia da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional e condi\u00e7\u00e3o irrefut\u00e1vel para que a comida boa, livre de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, mas cheia de sabores e de significados culturais, possa voltar a nutrir corpos, almas e territ\u00f3rios, independentemente do pre\u00e7o do d\u00f3lar ou do petr\u00f3leo, elementos que n\u00e3o podem e nunca poder\u00e3o ser digeridos pelas barrigas humanas.<\/p>\n<h3><strong>Conflu\u00eancia de lutas<\/strong><\/h3>\n<p>Voltando \u00e0 quest\u00e3o inicial do texto, hoje ainda \u00e9 poss\u00edvel ter acesso \u00e0 comida sem veneno de duas formas: h\u00e1 uma elite que paga altos pre\u00e7os por alimentos org\u00e2nicos vendidos nos supermercados granfinos, e existem alguns circuitos de comercializa\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria a partir do que \u00e9 cultivado de forma agroecol\u00f3gica por fam\u00edlias agricultoras. Enquanto a gritaria contra a carestia na m\u00eddia comercial ecoava, o Armaz\u00e9m do Campo, rede de lojas do MST, vendia <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DF03_GJPz5T\/?igsh=dWE4Y3pvNzRlM2Fp\"><u>milho org\u00e2nico a um real<\/u><\/a>, em sua loja no centro de S\u00e3o Paulo, no \u00faltimo final de semana. E ainda era poss\u00edvel comer a espiga cozida na hora, pagando apenas dois reais!<\/p>\n<p>O contraste com o OGRO \u00e9 gritante: enquanto a agricultura campesina oferece um alimento nutritivo, org\u00e2nico e n\u00e3o transg\u00eanico a um valor que pode caber nos bolsos mais apertados, os tais que se dizem pop esvaziam caminh\u00f5es de seus produtos \u2013 subsidiados com o dinheiro da popula\u00e7\u00e3o \u2013 em estradas desertas em que ningu\u00e9m poder\u00e1 acess\u00e1-los.<\/p>\n<p>\u00c9 n\u00edtido que, se n\u00e3o lutarmos por uma inflex\u00e3o no modelo produtivo nos pr\u00f3ximos tempos, as chances de termos que comprar comida cara e envenenada, como eu alertei, v\u00e3o aumentar muito. Como sabemos, nada na natureza pode ser isolado e os avi\u00f5es que despejam agrot\u00f3xicos seguem sobrevoando uma \u00e1rea cada vez maior do nosso territ\u00f3rio. Solo, \u00e1gua, plantas, animais e nossos corpos v\u00eam sendo contaminados crescentemente. Como cultivar uma ro\u00e7a org\u00e2nica ou agroecol\u00f3gica, se n\u00e3o houver \u00e1gua livre de venenos para reg\u00e1-la? Se os ventos que passam sobre os latif\u00fandios de soja trazem chuvas t\u00f3xicas? Se as abelhas e outros polinizadores est\u00e3o sendo dizimados por subst\u00e2ncias j\u00e1 banidas nos pa\u00edses das empresas que as fabricam?<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que s\u00f3 h\u00e1 um caminho: transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica j\u00e1. Para que ela se concretize, \u00e9 necess\u00e1rio que o <a href=\"https:\/\/contraosagrotoxicos.org\/pronara-ja\/#:~:text=O%20Programa%20Nacional%20de%20Redu%C3%A7%C3%A3o%20de%20Agrot%C3%B3xicos%20(Pronara)%20foi%20aprovado,e%20fortalecendo%20a%20produ%C3%A7%C3%A3o%20agroecol%C3%B3gica.\"><u>PRONARA<\/u><\/a>, o Programa Nacional de Redu\u00e7\u00e3o de Agrot\u00f3xicos, saia velozmente do papel. Ele foi inclu\u00eddo no lan\u00e7amento do PLANAPO, o Plano Nacional de Agroecologia e Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica, ap\u00f3s muita mobiliza\u00e7\u00e3o social, no final do ano passado. Mas, como o recorde de venenos liberados e o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/12\/20\/cinco-anos-apos-proibir-pulverizacao-aerea-governo-do-ceara-libera-drones-para-aplicacao-de-agrotoxicos\"><u>ataque \u00e0 Lei Z\u00e9 Maria do Tom\u00e9<\/u><\/a> \u2013 que pro\u00edbe a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea no Cear\u00e1 \u2013 revelam, o lobby das empresas do setor vem se sobrepondo aos direitos da popula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio enfrent\u00e1-los. Urge chacoalhar as ruas e as redes!<\/p>\n<p>S\u00f3 que, diferentemente dos hip\u00f3critas de plant\u00e3o, que agora usam bon\u00e9s pedindo a volta do fascista ineleg\u00edvel (em cujo governo houve a forma\u00e7\u00e3o da famosa <a href=\"https:\/\/www.brasildefatopr.com.br\/2021\/12\/17\/o-ano-da-fila-do-osso-economia-naufraga-e-fome-volta-a-assolar-brasileiros\"><u>fila do osso<\/u><\/a>, tamanho o n\u00edvel de desespero das pessoas famintas), nossos movimentos agroecol\u00f3gicos est\u00e3o comprometidos com a luta pela vida. Temos plena consci\u00eancia de que \u00e9 uma batalha herc\u00falea e constante (como o pr\u00f3prio nome <a href=\"https:\/\/contraosagrotoxicos.org\/\"><u>Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e Pela Vida<\/u><\/a> j\u00e1 diz), pois o poder do 0,01% do globo \u00e9 da casa dos <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DF-lUKfMrUZ\/?igsh=YWlzcjNvamd0bGd2\"><u>trilh\u00f5es<\/u><\/a> e essa elite da elite parece mais disposta a implodir de vez a exist\u00eancia humana do que abrir m\u00e3o de sua sangrenta concentra\u00e7\u00e3o de riquezas.<\/p>\n<p>O terror tocado pelos representantes do mercado para desestabilizar o governo Lula, como se eles estivessem sofrendo altos preju\u00edzos com a conduta feita pelo ministro Fernando Haddad \u2013 enquanto na realidade muitos deles batiam recordes hist\u00f3ricos bilion\u00e1rios de lucro, como \u00e9 o caso dos bancos <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/financas\/noticia\/2025\/02\/06\/lucro-de-r-40-bi-do-itau-bate-recorde-historico-de-ganhos-de-bancos-no-brasil-confira-ranking.ghtml\"><u>Ita\u00fa<\/u><\/a> e <a href=\"https:\/\/www.bloomberglinea.com.br\/negocios\/btg-pactual-tem-lucro-recorde-de-r-123-bi-em-2024-e-chega-a-r-19-tri-em-ativos\/\"><u>Pactual<\/u><\/a> -, revela bem que s\u00e3o capazes n\u00e3o apenas de nos fazer voltar para a fila do osso, mas de tirar at\u00e9 os ossos (e o tutano que h\u00e1 neles e ainda pode nos dar alguns nutrientes) de nossos pratos. A <a href=\"https:\/\/www.itamarborges.com.br\/noticias\/manifesto-em-defesa-das-cadeias-produtivas-do-amendoim-suco-de-laranja-e-da-mandioca-em-sao-paulo\"><u>choradeira da citricultura paulista<\/u><\/a> para manter benesses, em um momento em que j\u00e1 est\u00e1 nadando de bra\u00e7ada com o pre\u00e7o da laranja nas alturas, traduz perfeitamente a falta de limite de quem v\u00ea a agricultura apenas como neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>E a m\u00eddia corporativa tamb\u00e9m n\u00e3o nega fogo para atacar qualquer a\u00e7\u00e3o que se oponha a l\u00f3gica excludente que o capetalismo imp\u00f5e. N\u00e3o apenas anuncia as fal\u00e1cias do OGRO, como se fossem verdades, em seus canais, como distorce acontecimentos, dados, falas\u2026 para acentuar o desgaste do governo Lula em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o da comida e desestabilizar at\u00e9 os programas sociais em curso. Recentemente, tem atacado as cozinhas solid\u00e1rias com acusa\u00e7\u00f5es enviesadas, que desconsideram o esfor\u00e7o que uma dedicada rede de pessoas faz para seguir alimentando a popula\u00e7\u00e3o vulnerabilizada, apesar da carestia. S\u00e3o 2.370 cozinhas mapeadas, atuando no pa\u00eds inteiro, algumas com anos e anos de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>O ataque desleal motivou o CONSEA, Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/secretariageral\/pt-br\/consea\/noticias\/cozinhas-solidarias-do-povo-para-o-povo\"><u>a se manifestar<\/u><\/a>, conclamando a sociedade a exercer o controle social no monitoramento do <a href=\"https:\/\/cozinhasolidaria.digital\/\"><u>Programa Federal<\/u><\/a> \u2013 criado no atual governo para apoiar uma tecnologia social que nasceu nas comunidades -, para fortalec\u00ea-lo, dada a sua import\u00e2ncia para o exerc\u00edcio da cidadania e o combate \u00e0 fome. Vale, tamb\u00e9m, ler o <a href=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/coluna-economica\/cozinha-solidaria-mais-um-crime-da-imprensa-por-luis-nassif\/\"><u>artigo<\/u><\/a> e assistir o <a href=\"https:\/\/youtu.be\/MTYHeAWO6Ko?si=6q5Ub4hxDZeVgr9p\"><u>v\u00eddeo<\/u><\/a>, que o portal GGN produziu, para entender o tamanho da sacanagem midi\u00e1tica. Se voc\u00ea quiser contribuir para que a injusti\u00e7a n\u00e3o destrua uma pol\u00edtica p\u00fablica t\u00e3o arduamente conquistada, <a href=\"https:\/\/euapoioascozinhas.com\/\"><u>pode assinar a peti\u00e7\u00e3o<\/u><\/a> que o MTST, Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto, est\u00e1 circulando.<\/p>\n<p>E, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s expectativas de p\u00f4r um freio na alta dos pre\u00e7os, com a poss\u00edvel safra recorde neste ano, cuja previs\u00e3o \u00e9 de <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/42436-ibge-preve-safra-de-322-6-milhoes-de-toneladas-para-2025-com-crescimento-de-10-2-frente-a-2024#:~:text=No%20terceiro%20progn%C3%B3stico%20para%20a,%2C9%20milh%C3%B5es%20de%20toneladas).\"><u>322,6 milh\u00f5es de toneladas<\/u><\/a> (um aumento de 10% em rela\u00e7\u00e3o a 2024), vale lembrar dos anos de pandem\u00f4nio, quando tivemos um duplo recorde no pa\u00eds: da colheita agr\u00edcola e da fome, j\u00e1 que exportar \u00e9 o caminho mais f\u00e1cil para encher os bolsos de grana. Al\u00e9m disso, colher cada vez mais soja transg\u00eanica envenenada pode ser lucrativo para essa m\u00e1fia agrofascista, mas \u00e9 p\u00e9ssimo sob todos os pontos de vista para a sociedade e o planeta.<\/p>\n<p>Temos que ter em mente que, mesmo se os pre\u00e7os dos alimentos convencionais realmente baixarem nas g\u00f4ndolas dos mercados e se tornarem financeiramente acess\u00edveis para o pov\u00e3o, eles ainda ser\u00e3o muito, muito caros para o pa\u00eds, j\u00e1 que seu modo de produ\u00e7\u00e3o, abarrotado de agrot\u00f3xicos, traz custos incalcul\u00e1veis para a sa\u00fade p\u00fablica e o meio ambiente\u2026 custos que s\u00e3o pagos com o dinheiro da popula\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do poder p\u00fablico. E pior: faz com que paguemos com nossas pr\u00f3prias vidas, j\u00e1 que as doen\u00e7as geradas por esse modelo agr\u00edcola podem ser fatais e as trag\u00e9dias clim\u00e1ticas que ele desencadeia v\u00eam adquirindo um n\u00edvel de intensidade grav\u00edssimo. Resumindo, os preju\u00edzos s\u00e3o p\u00fablicos, mas os lucros s\u00e3o sempre privados e, para quem os obt\u00e9m, eles precisam ser cada vez maiores, n\u00e3o importando as consequ\u00eancias sociais e ambientais.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 tamanha voracidade por dinheiro e poder, o que nos cabe \u00e9 pressionar os poderes executivo, legislativo e judici\u00e1rio para que pautem nossas propostas; \u00e9 fazer, em todos os espa\u00e7os que pudermos abrir, a den\u00fancia do sistema que nos vampiriza; \u00e9 espalhar e regar as <a href=\"https:\/\/midianinja.org\/opiniao\/escutar-os-saberes-ancestrais-para-evitar-a-queda-do-ceu-o-sumico-do-chao-e-o-veneno-no-prato\/\"><u>sementes de um outro modo de viver<\/u><\/a>. Por isso, seguiremos mobilizando as gentes das cidades (que \u00e9 a maioria de nossa popula\u00e7\u00e3o) para que d\u00eaem as m\u00e3os \u00e0s gentes dos campos, das \u00e1guas e das florestas nessa jornada contra a fome, o veneno e a destrui\u00e7\u00e3o de nossa M\u00e3e Terra, a fonte real e \u00fanica de tudo o que nos alimenta.<\/p>\n<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/como-superar-o-brasil-da-comida-cara-e-envenenada\/\">Como superar o Brasil da comida cara e envenenada<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pesquisa-revela-que-brasileiro-prefere-emprego-com-carteira-assinada\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Infelizmente, talvez nenhuma das duas op\u00e7\u00f5es seja vi\u00e1vel para boa parte da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. 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