{"id":15260,"date":"2025-03-01T11:59:39","date_gmt":"2025-03-01T14:59:39","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/copelmi-desiste-do-projeto-mina-guaiba-e-usina-termeletrica-no-rio-grande-do-sul\/"},"modified":"2025-03-01T11:59:39","modified_gmt":"2025-03-01T14:59:39","slug":"copelmi-desiste-do-projeto-mina-guaiba-e-usina-termeletrica-no-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/copelmi-desiste-do-projeto-mina-guaiba-e-usina-termeletrica-no-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Copelmi desiste do projeto Mina Gua\u00edba e Usina Termel\u00e9trica no Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"453\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image_processing20200201-29235-1lhqopm-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image_processing20200201-29235-1lhqopm-1.jpg 680w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image_processing20200201-29235-1lhqopm-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\"><figcaption>Mina Gua\u00edba ficaria cerca de 16 quil\u00f4metros de Porto Alegre. Foto: Maia Rubim \/ Sul 21<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Fabiana Reinholz<br \/>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>Desde 2014, a mineradora Copelmi buscava a Licen\u00e7a Pr\u00e9via (LP) para o projeto\u00a0Mina Gua\u00edba, maior lavra de carv\u00e3o a c\u00e9u aberto do Brasil, ocupando uma \u00e1rea total de cerca de 5 mil hectares, entre as cidades de Eldorado do Sul e Charqueadas. Em fevereiro de 2022, a Justi\u00e7a Federal declarou nulo o processo de licenciamento do projeto. Nesta ter\u00e7a-feira (25), a mineradora anunciou a desist\u00eancia do projeto de minera\u00e7\u00e3o da Mina Gua\u00edba e do projeto da\u00a0Usina Termel\u00e9trica (UTE) Nova Seival, em Hulha Negra.<\/p>\n<p>Conforme aponta a colunista Marta Sfredo, do GZH, a\u00a0usina Termel\u00e9trica\u00a0previa investimento de cerca de US$ 1,3 bilh\u00e3o (R$ 7,5 bilh\u00f5es na cota\u00e7\u00e3o atual), com pot\u00eancia de 726 megawatts (MW). Houve acordo para desist\u00eancia com a empresa Energia da Campanha, que era parceira no projeto. O projeto previa a instala\u00e7\u00e3o da UTE com pot\u00eancia estimada de 726 MW, a partir da queima de carv\u00e3o mineral. O processo de licenciamento teve in\u00edcio em 2019 e, em 2021, a an\u00e1lise de viabilidade ambiental foi conclu\u00edda.<\/p>\n<p>J\u00e1 para a Mina Gua\u00edba o investimento previsto era de cerca de US$ 2 bilh\u00f5es (R$ 11,6 bilh\u00f5es). \u201cA empresa resolveu abrir m\u00e3o dos dois projetos, porque sabe que n\u00e3o existe ambiente para isso. Decidimos por n\u00e3o ampliar as opera\u00e7\u00f5es, mas manter os atendimentos que j\u00e1 temos\u201d, afirmou \u00e0 colunista o diretor de sustentabilidade da\u00a0Copelmi, Cristiano Weber.<\/p>\n<p>J\u00e1 para a Mina Gua\u00edba o investimento previsto era de cerca de US$ 2 bilh\u00f5es (R$ 11,6 bilh\u00f5es). \u201cA empresa resolveu abrir m\u00e3o dos dois projetos, porque sabe que n\u00e3o existe ambiente para isso. Decidimos por n\u00e3o ampliar as opera\u00e7\u00f5es, mas manter os atendimentos que j\u00e1 temos\u201d, afirmou \u00e0 colunista o diretor de sustentabilidade da\u00a0Copelmi, Cristiano Weber.<\/p>\n<p>\u201cAs comunidades ind\u00edgenas Mbya-Guarani e camponesas dos assentamentos da reforma agr\u00e1ria, cabalmente ignoradas pela empresa durante os licenciamentos ambientais, foram centrais no processo de resist\u00eancia a esses dois grandes empreendimentos poluidores.\u201d<\/p>\n<h4><strong>Falhas nos estudos<\/strong><\/h4>\n<p>Para a p\u00f3s-doutoranda dos Institutos Nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia (INTC) e integrante da frente t\u00e9cnica do CCM, Camila Prates, a ci\u00eancia cidad\u00e3, operada nos laudos cr\u00edticos feitos por pesquisadores engajados \u2013 grupos de pesquisas vinculados \u00e0 Universidade Federal do RS (UFRGS), Universidade Federal de Rio Grande (FURG) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel) \u2013 foi essencial para identificar as in\u00fameras falhas dos estudos realizados pelas empresas de consultorias contratadas pela Copelmi.<\/p>\n<p>\u201cNossos laudos demonstravam a falta de qualidade t\u00e9cnica dos estudos que amparavam ambos projetos econ\u00f4micos. Eram estudos que subdimensionavam os danos aos meios de vida essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es locais (que inclu\u00edam popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e assentados pela reforma agr\u00e1ria, produtores de org\u00e2nicos), aprofundando os impactos nocivos nas regi\u00f5es que desejavam se instalar.\u201d<\/p>\n<p>Prates foi uma das pesquisadoras sobre os\u00a0impactos da Braskem\u00a0e tamb\u00e9m uma das autoras do Painel de Especialistas \u2013 An\u00e1lise Critica do\u00a0Estudo de Impacto Ambiental da Mina Gua\u00edba.<\/p>\n<p>\u201cEssa l\u00f3gica dos estudos fict\u00edcios para os danos \u00e9 o v\u00ednculo da Copelmi e da Braskem. O desastre causado pela mineradora em Macei\u00f3 utiliza de empresas de consultorias que reduzem os danos do desastre provocado por ela, bem como deixa milhares de pessoas sem direito \u00e0 realoca\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-02-28-at-16.39.05-550x375-1.jpeg\" alt=\"\"><figcaption>Usina Termel\u00e9trica (UTE) Nova Seival \u2013 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao (UTE) Nova Seival, de acordo com a avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica conduzida pela Diretoria de Licenciamento Ambiental (Dilic), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), identificou lacunas significativas no diagn\u00f3stico ambiental. Assim como na caracteriza\u00e7\u00e3o dos impactos e nas propostas de medidas mitigadoras. A aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es essenciais impediu uma conclus\u00e3o definitiva sobre a viabilidade ambiental do empreendimento.<\/p>\n<p>Como aconteceu com a\u00a0Mina Gua\u00edba, o empreendimento vinha sendo questionado na Justi\u00e7a por organiza\u00e7\u00f5es ambientais devido a falhas no processo de licenciamento ambiental. \u201cFizemos laudos cr\u00edticos no processo de licenciamento e protocolamos na Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam). A audi\u00eancia p\u00fablica foi virtual, na pandemia. Ent\u00e3o os pesquisadores do CCM se juntaram para fazer in\u00fameras quest\u00f5es que n\u00e3o foram respondidas. Depois fizemos os laudos cr\u00edticos que tamb\u00e9m n\u00e3o obtiveram respostas\u201d, exp\u00f5e Prates.<\/p>\n<p>Conforme aponta a nota do CCM, a Copelmi \u201cesquece\u201d que esses empreendimentos foram barrados por duas importantes senten\u00e7as judiciais, frutos da alian\u00e7a entre a produ\u00e7\u00e3o de pareceres t\u00e9cnicos qualificados e a litig\u00e2ncia clim\u00e1tica estrat\u00e9gica. \u201cQue mostrou-se, nesses casos, uma importante ferramenta na luta da sociedade civil para buscar impedir e repelir os ataques e viola\u00e7\u00f5es a direitos humanos, econ\u00f4micos, sociais, culturais e ambientais que os empreendimentos acarretariam.\u201d<\/p>\n<h4><strong>Conquista da sociedade civil organizada<\/strong><\/h4>\n<p>Para o engenheiro ambiental Eduardo Raguse, membro da coordena\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de Combate \u00e0 Megaminera\u00e7\u00e3o no RS, as desist\u00eancias representam resultados concretos do poder que a sociedade civil organizada tem quando est\u00e1 bem informada e bem articulada.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes nos deparamos com projetos do capital que por seu tamanho, recursos financeiros e rela\u00e7\u00f5es de poder, tendemos a acreditar que seria imposs\u00edvel exercer um contraponto, e muito menos impedir sua realiza\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9 necessariamente assim. J\u00e1 nos ensinava Chico Mendes com os \u201cempates\u201d promovidos pelos seringueiros do Acre contra o desmatamento da Amaz\u00f4nia.\u201d<\/p>\n<p>Raguse, que tamb\u00e9m \u00e9 membro da organiza\u00e7\u00e3o Amigas da Terra Brasil, aponta que o fim destes projetos representa a prote\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios de vida na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre e na regi\u00e3o da Campanha. \u201cDo Parque Estadual Delta do Jacu\u00ed, de aldeias Mbya-Guarani, assentamentos da Reforma Agr\u00e1ria, quilombos, mas tamb\u00e9m zonas rurais e urbanas destas regi\u00f5es que n\u00e3o tiveram sua qualidade do ar, da \u00e1gua e de sa\u00fade pioradas.\u201d<\/p>\n<p>Conforme prossegue o engenheiro ambiental, com a desist\u00eancia foi evitada a emiss\u00e3o de milhares de toneladas de gases de efeito estufa da queima do pior dos combust\u00edveis f\u00f3sseis que \u00e9 o carv\u00e3o. Contribuindo assim para o enfrentamento da emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cMas essas desist\u00eancias representam tamb\u00e9m estrat\u00e9gia t\u00e9cnica, jur\u00eddica e de marketing da empresa Copelmi que \u201cdesiste\u201d de empreendimentos que n\u00e3o teve \u00eaxito em comprovar a viabilidade socioambiental para sua instala\u00e7\u00e3o. Tiram assim o foco destes projetos que se tornaram emblem\u00e1ticos devido ao intenso debate p\u00fablico que a sociedade levantou, mas seguem, sem alarde, explorando carv\u00e3o e inclusive ampliando suas minas em munic\u00edpios como Arroio dos Ratos e Cachoeira do Sul\u201d, exp\u00f5e Raguse.<\/p>\n<p>\u201cSeguimos em defesa dos territ\u00f3rios de vida e contra os projetos de morte, como o projeto Retiro em S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, o projeto Fosfato Tr\u00eas Estrada em Lavras do Sul, e aos novos projetos que est\u00e3o ou ser\u00e3o ainda apresentados, principalmente no contexto da corrida pelos minerais estrat\u00e9gicos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica do Norte Global. Denunciando que a minera\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 um saque e que todos somos afetados pelo atual modelo mineral econ\u00f4mica e socioambientalmente injusto. Anunciando que somente atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o popular conseguimos transformar\u201d, conclui Raguse.<\/p>\n<p>Para os integrantes que comp\u00f5e o CCM, a desist\u00eancia dos empreendimentos trata-se de uma importante vit\u00f3ria que \u00e9 o resultado de um amplo processo de mobiliza\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o popular. \u201cEsse movimento foi conduzido pelas diversas entidades que comp\u00f5em o Comit\u00ea para combater a destrui\u00e7\u00e3o da natureza e as agress\u00f5es aos modos de vida da popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha, que se via amea\u00e7ada por projetos de gera\u00e7\u00e3o de energia extremamente poluente e pouco eficiente.\u201d<\/p>\n<p>A nota completa pode ser conferida\u00a0<a href=\"https:\/\/rsemrisco.org.br\/2025\/02\/27\/nota-publica-ccm-rs\/\">neste link<\/a>.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0Katia Marko<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/03\/01\/copelmi-desiste-do-projeto-mina-guaiba-e-usina-termeletrica-no-rio-grande-do-sul\/\">Copelmi desiste do projeto Mina Gua\u00edba e Usina Termel\u00e9trica no Rio Grande do Sul<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-apoio-ao-genocidio-de-israel-em-gaza-mostra-como-a-midia-industrial-e-a-extrema-direita-sao-irmas-siamesas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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