{"id":16147,"date":"2025-03-09T16:50:01","date_gmt":"2025-03-09T19:50:01","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/ir-a-roma-antiga-para-entender-o-mundo-moderno\/"},"modified":"2025-03-09T16:50:01","modified_gmt":"2025-03-09T19:50:01","slug":"ir-a-roma-antiga-para-entender-o-mundo-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ir-a-roma-antiga-para-entender-o-mundo-moderno\/","title":{"rendered":"Ir \u00e0 Roma antiga para entender o mundo moderno"},"content":{"rendered":"<p><span>Aos 60 anos, o fil\u00f3sofo italiano Mario Perniola lan\u00e7a no Brasil o livro <em>Pensando o ritual \u2013\u00a0<\/em><\/span><span><em>sexualidade, morte, mundo<\/em> (Studio Nobel, 264 p\u00e1gs.), em que re\u00fane ensaios publicados anteriormente em <em>La societ\u00e0 dei simulacri e transiti<\/em>.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cN\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio sermos grandes viajantes para perceber que o mundo contempor\u00e2neo oferece um panorama no qual est\u00e1 dissolvida a r\u00edgida contraposi\u00e7\u00e3o entre sagrado e profano, entre simb\u00f3lico e pragm\u00e1tico, entre selvagem e racional\u201d, escreve Perniola em sua introdu\u00e7\u00e3o. Para explicar esse mundo contempor\u00e2neo, utilizando especialmente os conceitos de tr\u00e2nsito, simulacro e rito sem mito, Perniola recorre \u201cn\u00e3o \u00e0 Gr\u00e9cia antiga, que constitui o ponto de refer\u00eancia por excel\u00eancia do pensamento filos\u00f3fico contempor\u00e2neo, mas \u00e0 Roma antiga, que, na literatura filos\u00f3fica do s\u00e9culo 20, \u00e9 objeto de arraigada hostilidade\u201d.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Outro momento a que recorre \u00e9 o barroco, tamb\u00e9m um per\u00edodo que, por um longo per\u00edodo,\u00a0<\/span><span>esteve distante do pensamento filos\u00f3fico.<\/span><\/p>\n<p><span>Perniola participa na sexta-feira do Caf\u00e9 Filos\u00f3fico da Livraria Cultura. Vai abordar a quest\u00e3o do ritual em <em>Ra\u00edzes do Brasil<\/em>, de S\u00e9rgio Buarque de Holanda. O cl\u00e1ssico de S\u00e9rgio Buarque foi recentemente relan\u00e7ado na It\u00e1lia. E Perniola, h\u00e1 18 anos, tornou-se um frequentador do Brasil. Para o autor italiano, a rela\u00e7\u00e3o do brasileiro com os ritos e com o corpo faz lembrar a que tinham os romanos. O ritual seria, mais que uma tradi\u00e7\u00e3o ou um acontecimento coletivo, uma rela\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo com o pr\u00f3prio corpo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Leia abaixo entrevista que o italiano concedeu, por telefone, de Roma.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>O sr. escolheu como tema do Caf\u00e9 Filos\u00f3fico o livro <em>Ra\u00edzes do Brasil<\/em>. Por que raz\u00e3o?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Mario Perniola<\/strong> \u2013 Primeiro, porque esse \u00e9 um livro fundamental para entender o Brasil, ao\u00a0<\/span><span>lado de Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, e de Forma\u00e7\u00e3o do Brasil Contempor\u00e2neo, de Caio Prado Jr. Segundo, porque esse livro, reeditado recentemente na It\u00e1lia, al\u00e9m da discuss\u00e3o em torno da quest\u00e3o da cordialidade e da polidez, tem uma outra dimens\u00e3o, que \u00e9 o debate em torno do rito, um assunto em que o Brasil oferece express\u00f5es muito interessantes para pensar.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>O qu\u00ea, por exemplo?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 Estive no Brasil pela primeira vez h\u00e1 18 anos. Desde ent\u00e3o, procuro voltar pelo\u00a0<\/span><span>menos duas vezes por ano. Encontro no Brasil, especialmente nas cidades que mais visito, Recife e Salvador, uma rela\u00e7\u00e3o com o rito e com o corpo que me remete ao que ocorria na Roma antiga. Estudei e aprendi com antrop\u00f3logos e pesquisadores das religi\u00f5es de origem africana, como Pierre Verger. Considero o ritual uma esp\u00e9cie de pensamento do corpo, em que a tradi\u00e7\u00e3o cumpre um papel, mas que \u00e9 sobretudo uma forma de as pessoas se relacionarem com o pr\u00f3prio corpo.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-213597\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mpo.jpg\" alt=\"\" width=\"1089\" height=\"625\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mpo.jpg 1089w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mpo-300x172.jpg 300w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mpo-1024x588.jpg 1024w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mpo-768x441.jpg 768w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/mpo-750x430.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 1089px) 100vw, 1089px\"><figcaption>Reprodu\u00e7\u00e3o\/marioperniola.it <br \/>Aos 60 anos, o fil\u00f3sofo e autor italiano Mario Perniola lan\u00e7ou no Brasil o livro Pensando o ritual \u2013 sexualidade, morte, mundo<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Estado \u2013 Para o sr., a civiliza\u00e7\u00e3o romana \u00e9 uma refer\u00eancia mais importante que a grega.\u00a0Por qu\u00ea?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 Normalmente, os fil\u00f3sofos olham para a civiliza\u00e7\u00e3o grega como a origem de tudo,\u00a0<\/span><span>e veem Roma como uma repeti\u00e7\u00e3o de uma tradi\u00e7\u00e3o. Mas acho que eles supervalorizam os gregos. Para mim, a civiliza\u00e7\u00e3o romana ajuda a pensar a sociedade atual t\u00e3o ou mais que a grega. H\u00e1 no meu livro um pouco, o tempo todo, uma pol\u00eamica subterr\u00e2nea contra Heidegger. A filosofia heideggeriana d\u00e1 uma grande import\u00e2ncia \u00e0 quest\u00e3o da origem, do original. No mundo em que vivemos, o mundo p\u00f3s-moderno, \u00e9 o mundo da c\u00f3pia, da repeti\u00e7\u00e3o, do simulacro. Ponho em quest\u00e3o essa ideia de originalidade, de criatividade.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>O original n\u00e3o existe, ent\u00e3o?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 Eu acredito que h\u00e1 mudan\u00e7as, mas que elas ocorrem lentamente. H\u00e1 formas que\u00a0<\/span><span>atravessam os s\u00e9culos e se desenvolvem de uma maneira lenta, por isso uso a palavra tr\u00e2nsito.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Mas essa ideia n\u00e3o est\u00e1 bastante pr\u00f3xima da de \u201crepeti\u00e7\u00e3o diferente\u201d, de Heidegger?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 Sim e n\u00e3o, \u00e9 uma quest\u00e3o delicada. Mas, para Heidegger, h\u00e1 sempre uma\u00a0<\/span><span>valoriza\u00e7\u00e3o da origem, a celebra\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong>O sr. utiliza a palavra tr\u00e2nsito para discutir a quest\u00e3o do amor e V\u00eanus como uma esp\u00e9cie de padroeira de uma forma de pens\u00e1-lo.\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 Do ponto de vista hist\u00f3rico, temos tr\u00eas formas diferentes de amor. O amor cort\u00eas,\u00a0<\/span><span>durante a Idade M\u00e9dia, o amor passional, no barroco, e o amor rom\u00e2ntico, no s\u00e9culo 19. Mas agora vivemos a crise de todos esses modelos, e a quest\u00e3o que se p\u00f5e \u00e9 como pensar o amor atualmente. Talvez como o amor louco, mostrado pelos surrealistas, Andr\u00e9 Breton etc. Eu, no entanto, n\u00e3o caminho nessa dire\u00e7\u00e3o. Acredito, sim, numa participa\u00e7\u00e3o que implica, aos mesmo tempo, num certo distanciamento. O que parece mais importante, para mim, \u00e9 um novo tipo de experi\u00eancia, que talvez poderia ser definida como \u201csentir de fora\u201d.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>E por que esse amor estaria ligado a V\u00eanus?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 A palavra V\u00eanus, inicialmente, n\u00e3o \u00e9 nem masculina nem feminina. \u00c9 neutra. Para mim, isso \u00e9 muito importante: a nova sexualidade, o novo amor vai al\u00e9m da divis\u00e3o tradicional entre masculino e feminino. Escrevi um livro, O sex-appeal do inorg\u00e2nico, em que defendo uma nova sexualidade marcada pela dist\u00e2ncia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>E onde entra a palavra tr\u00e2nsito?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 Na nova situa\u00e7\u00e3o, as op\u00e7\u00f5es n\u00e3o seriam apenas o amor rom\u00e2ntico ou o libertino.\u00a0<\/span><span>Estaria aberta a possibilidade de caminhar entre esses dois modelos, sem se ter de fixar em nenhum deles.<\/span><\/p>\n<p><strong>Uma das poucas imagens que ilustram seu livro \u00e9 a do \u00eaxtase de Santa Teresa. Por qu\u00ea?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 Essa \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o do transe, e nesse aspecto o Brasil tem um vasta\u00a0<\/span><span>experi\u00eancia. \u00c9 uma experi\u00eancia muito importante, veja o que se passa em Recife e Salvador. H\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o profunda entre a sensibilidade barroca e esse momento.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>E o que \u00e9 o transe, para o sr.?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 O transe, no fundo, n\u00e3o est\u00e1 ligado exatamente ao ritual. H\u00e1 tamb\u00e9m o selvagem, mas mesmo neles est\u00e3o institucionalizados. S\u00e3o restritos a algumas pessoas e situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Mas todos os outros s\u00e3o um momento particular de processo ritual. Acho que est\u00e1, assim, ligada a essa perspectiva de distanciamento. O transe n\u00e3o significa ceder seu corpo \u00e0 possess\u00e3o de um deus.\u00a0<\/span><span>O que realmente me parece importante, no transe, \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio corpo, que se transforma numa esp\u00e9cie de vestimenta. H\u00e1, assim, algo que liga o transe de Santa Teresa e o que ocorre nas religi\u00f5es afrobrasileiras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Haveria algum tipo de heran\u00e7a europeia no transe afrobrasileiro?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 Sim, talvez da regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo, mais dos gregos que dos romanos (risos),\u00a0<\/span><span>nesse caso. Segundo alguns pensadores, o transe se originou nessa regi\u00e3o e depois penetrou no continente africano. Aqui na It\u00e1lia, h\u00e1 o ritual das Virgens do Arco que se parece muito com os rituais afrobrasileiros, sobretudo por seu car\u00e1ter de confraria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>O sr. escreve que os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, at\u00e9 o momento, negam o car\u00e1ter de\u00a0simulacro.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 O que eu procuro demonstrar \u00e9 que, na sociedade contempor\u00e2nea, estamos al\u00e9m da diferen\u00e7a entre a realidade e apar\u00eancia. Isso me parece um aspecto interessante, ir al\u00e9m da distin\u00e7\u00e3o tradicional entre o real e a aparente.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Para o sr., houve uma importante transforma\u00e7\u00e3o na sociedade. O que mudou e o que n\u00e3o\u00a0mudou?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 Para mim, o grande momento de transforma\u00e7\u00e3o foram os anos 60, quando, nos\u00a0<\/span><span>pa\u00edses desenvolvidos, as novas tecnologias, como a televis\u00e3o, se popularizam. O que se acontece nesse momento? Passamos de uma perspectiva ligada ainda \u00e0s ideologias para uma outra dimens\u00e3o, que em outro livro defini como sensologia. A ideologia est\u00e1 ligada, sobretudo, ao pensamento. A sensologia \u00e9 mais uma certa maneira de sentir coletiva. Parece-me que a nossa sociedade n\u00e3o \u00e9 mais uma sociedade ideol\u00f3gica, mas uma sociedade sensol\u00f3gica. Sensologia que se apresenta de formas diferentes: nos anos 60 e 70, pela contesta\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, nos anos 80 e 90, uma sensologia c\u00ednica. Vivemos agora uma sensologia integralista, ligada ao catolicismo. Mas isso n\u00e3o significa um retorno\u00a0<\/span><span>da religi\u00e3o. N\u00e3o acredito que o jubileu desse ano significa o retorno da f\u00e9. \u00c9 uma sensologia religiosa.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>E qual \u00e9 o significado desse \u201cretorno\u201d da f\u00e9?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 N\u00e3o \u00e9 um retorno, \u00e9 uma maneira de sentir, uma maneira de sentir coletiva. A\u00a0<\/span><span>diferen\u00e7a \u00e9 que isso pode mudar muito rapidamente, \u00e9 algo em movimento, sem ra\u00edzes. Podemos definir nossa sociedade como uma sociedade da credulidade: uma sociedade que, num certo sentido, n\u00e3o acredita em nada; e, em outro, acredita em tudo. Um exemplo \u00e9 a volta da supersti\u00e7\u00e3o: n\u00e3o importa qual.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o faz muito sentido perguntar isso a um fil\u00f3sofo, mas o sr. v\u00ea isso de um modo positivo\u00a0ou negativo?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span><strong>Perniola<\/strong> \u2013 O que posso dizer \u00e9 que, apesar de tudo, sinto-me contente de viver nesse momento. <\/span><\/p>\n<p><em><span>Publicado em <\/span><\/em><span>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/span><em><span>, 3\/12\/2000.<\/span><\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/literatura\/ir-a-roma-antiga-para-entender-o-mundo-moderno\/\">Ir \u00e0 Roma antiga para entender o mundo moderno<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/\">Opera Mundi<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quando-as-cameras-corporais-dos-policiais-de-pernambuco-deixarao-de-ser-apenas-promessa\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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