{"id":16706,"date":"2025-03-13T17:04:17","date_gmt":"2025-03-13T20:04:17","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/a-cada-17-horas-uma-mulher-e-morta-no-brasil-por-violencia-de-genero\/"},"modified":"2025-03-13T17:04:17","modified_gmt":"2025-03-13T20:04:17","slug":"a-cada-17-horas-uma-mulher-e-morta-no-brasil-por-violencia-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-cada-17-horas-uma-mulher-e-morta-no-brasil-por-violencia-de-genero\/","title":{"rendered":"A cada 17 horas, uma mulher \u00e9 morta no Brasil por viol\u00eancia de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" width=\"1024\" height=\"560\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/violence-genre1457461342.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/violence-genre1457461342.jpg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/violence-genre1457461342-300x164.jpg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/violence-genre1457461342-768x420.jpg 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/violence-genre1457461342-219x121.jpg 219w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>O novo boletim <em>Elas Vivem: um caminho de luta<\/em>, divulgado nesta quinta-feira (13) pela Rede de Observat\u00f3rios da Seguran\u00e7a, exp\u00f5e um cen\u00e1rio alarmante da viol\u00eancia de g\u00eanero no Brasil. De acordo com o levantamento, 531 mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio em 2024, o que significa que, ao menos, uma mulher foi morta a cada 17 horas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O documento aponta um aumento de 12,4% nos eventos de viol\u00eancia contra mulheres em rela\u00e7\u00e3o a 2023, totalizando 4.181 ocorr\u00eancias nos estados monitorados. Entre os crimes analisados, a viol\u00eancia sexual e o estupro tiveram um crescimento alarmante de 70,5%, enquanto os homic\u00eddios aumentaram 22,1%. \u201cOs n\u00fameros crescem, os m\u00e9todos de viol\u00eancia s\u00e3o aperfei\u00e7oados, mas os meios de mitig\u00e1-los permanecem falhos, ineficientes ou tardios para salvar vidas\u201d, alerta trecho do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Outro dado preocupante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o dos agressores com as v\u00edtimas: 75,3% dos feminic\u00eddios foram cometidos por familiares, sendo que parceiros e ex-parceiros foram respons\u00e1veis por 70% dos casos.<\/p>\n<p><strong>Estados com mais casos<\/strong><\/p>\n<p>Os estados do Maranh\u00e3o e do Par\u00e1 registraram os aumentos mais expressivos. No Maranh\u00e3o, a viol\u00eancia contra mulheres cresceu 87,1%, enquanto no Par\u00e1 o crescimento foi de 73,2%. O Piau\u00ed tamb\u00e9m apresentou um aumento preocupante de 17,8% nos eventos violentos. No Amazonas, estado que passou a integrar a Rede de Observat\u00f3rios da Seguran\u00e7a em 2024, 84,2% das v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual tinham entre 0 e 17 anos, revelando um quadro de vulnerabilidade extrema para meninas e adolescentes.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo foi o \u00fanico estado monitorado com mais de mil eventos violentos contra mulheres, registrando 1.177 casos. Desses, 144 foram feminic\u00eddios, sendo que 125 foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros.<\/p>\n<p>No Nordeste, Pernambuco registrou o maior n\u00famero de mortes de mulheres entre feminic\u00eddios, homic\u00eddios e transfeminic\u00eddios, totalizando 167 v\u00edtimas. O estado tamb\u00e9m foi o segundo no pa\u00eds com mais feminic\u00eddios, registrando 69 casos.<\/p>\n<p>A Bahia, por outro lado, apresentou uma redu\u00e7\u00e3o de 30,1% nos eventos de viol\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a 2023. No entanto, os feminic\u00eddios ainda somaram 46 casos, sendo que em 34 deles n\u00e3o houve registro da ra\u00e7a\/cor das v\u00edtimas, o que evidencia a falta de transpar\u00eancia nos dados.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia institucional e falta de transpar\u00eancia preocupam<\/strong><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para a viol\u00eancia cometida por agentes de seguran\u00e7a. O Rio de Janeiro \u00e9 o estado com o maior n\u00famero de casos nesse tipo de crime, com 13 das 64 ocorr\u00eancias registradas sendo atribu\u00eddas a policiais. A impunidade e a dificuldade de investiga\u00e7\u00e3o quando os agressores fazem parte das institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica s\u00e3o apontadas como entraves para a redu\u00e7\u00e3o desse tipo de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Outro problema identificado pelo levantamento \u00e9 a subnotifica\u00e7\u00e3o e a falta de informa\u00e7\u00f5es essenciais para a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno. No Piau\u00ed, por exemplo, 52,7% dos casos de feminic\u00eddio n\u00e3o tiveram motiva\u00e7\u00e3o registrada. J\u00e1 no Amazonas, 97,5% das v\u00edtimas de viol\u00eancia n\u00e3o tiveram identifica\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a\/cor nos boletins de ocorr\u00eancia, dificultando a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para os grupos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>O estudo critica, inclusive, a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes no combate \u00e0 viol\u00eancia contra mulheres. Em alguns estados, at\u00e9 97,5% das v\u00edtimas n\u00e3o tiveram sua identidade racial identificada nos registros oficiais, o que demonstra uma neglig\u00eancia na coleta de dados e dificulta a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas voltadas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais vulnerabilizadas, como mulheres negras e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cA estrada \u00e9 longa, sinuosa e perigosa. Mas ainda assim, existe. O que n\u00e3o podemos permitir \u00e9 que ela continue sendo um caminho de mortes, impunidade e sofrimento para tantas mulheres\u201d, afirma o documento.<\/p>\n<p><strong>A luta continua<\/strong><\/p>\n<p>Para os pesquisadores, \u00e9 urgente ampliar o acesso a mecanismos de prote\u00e7\u00e3o, como Delegacias Especializadas de Atendimento \u00e0 Mulher (DEAMs) e centros de acolhimento, bem como investir na educa\u00e7\u00e3o e na preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de g\u00eanero. A falta de infraestrutura e recursos nas delegacias e a lentid\u00e3o da justi\u00e7a tamb\u00e9m foram apontadas como entraves para a seguran\u00e7a das mulheres brasileiras.<\/p>\n<p>A Rede de Observat\u00f3rios da Seguran\u00e7a enfatiza que a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 um problema estrutural e precisa ser enfrentado com medidas eficazes e constantes. Apesar da exist\u00eancia de leis importantes, como a Lei Maria da Penha e a tipifica\u00e7\u00e3o do feminic\u00eddio como crime, a fragilidade na implementa\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas tem permitido que a viol\u00eancia continue crescendo.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio <em>Elas Vivem<\/em> refor\u00e7a a import\u00e2ncia de mobiliza\u00e7\u00f5es sociais e do fortalecimento das redes de apoio \u00e0s mulheres. Enquanto os n\u00fameros crescem, o caminho para uma sociedade mais segura e igualit\u00e1ria continua sendo pavimentado pela resist\u00eancia feminista e pela luta por pol\u00edticas mais efetivas de combate \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>__<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2025\/03\/13\/a-cada-17-horas-uma-mulher-e-morta-no-brasil-por-violencia-de-genero\/\">A cada 17 horas, uma mulher \u00e9 morta no Brasil por viol\u00eancia de g\u00eanero<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/meta-diz-que-encerra-checagem-de-fatos-so-nos-eua-mas-politica-de-discursos-de-odio-ja-afeta-o-brasil\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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