{"id":16961,"date":"2025-03-14T15:17:31","date_gmt":"2025-03-14T18:17:31","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/quem-inventou-a-fome-sao-os-que-comem-111-anos-de-carolina-maria-de-jesus\/"},"modified":"2025-03-14T15:17:31","modified_gmt":"2025-03-14T18:17:31","slug":"quem-inventou-a-fome-sao-os-que-comem-111-anos-de-carolina-maria-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quem-inventou-a-fome-sao-os-que-comem-111-anos-de-carolina-maria-de-jesus\/","title":{"rendered":"\u2018Quem inventou a fome s\u00e3o os que comem\u2019: 111 anos de Carolina Maria de Jesus"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 111 anos, em 14 de mar\u00e7o de 1914, nascia a escritora brasileira Carolina Maria de Jesus.<\/p>\n<p>Moradora da favela do Canind\u00e9 e catadora de papel, Carolina se tornou uma das primeiras autoras negras a obter destaque no Brasil, sensibilizando o p\u00fablico com seus relatos contundentes sobre a mis\u00e9ria, desigualdade, exclus\u00e3o social e a opress\u00e3o aos marginalizados nas periferias do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Seu livro mais conhecido, <em>Quarto de Despejo<\/em>, tornou-se um grande sucesso internacional, sendo traduzido para 16 idiomas e distribu\u00eddo em mais de 40 pa\u00edses.<\/p>\n<h3>De Sacramento a S\u00e3o Paulo<\/h3>\n<p>Carolina Maria de Jesus nasceu na zona rural de Sacramento, no interior de Minas Gerais, como uma dos oito filhos da lavadeira Maria Carolina de Jesus. Seu pai, Jo\u00e3o C\u00e2ndido Veloso, j\u00e1 possu\u00eda outra fam\u00edlia e nunca a reconheceu como filha leg\u00edtima.<\/p>\n<p>Carolina teve uma inf\u00e2ncia muito dif\u00edcil, repleta de priva\u00e7\u00f5es. Frequentou a escola por apenas dois anos, entre 1923 e 1924, ap\u00f3s uma filantropa da regi\u00e3o viabilizar sua matr\u00edcula no Col\u00e9gio Allan Kardec. Embora breve, a experi\u00eancia escolar despertaria um interesse pela escrita e leitura que Carolina cultivaria pelo resto da vida.<\/p>\n<p>Ainda em 1924, a jovem se mudou para uma fazenda nos arredores de Uberaba, onde trabalhou na lavoura com sua fam\u00edlia por tr\u00eas anos. Posteriormente, a fam\u00edlia foi chamada para trabalhar em uma planta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 no interior paulista, onde sofreram com os maus tratos e a explora\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es, sendo for\u00e7ados a fugir.<\/p>\n<p>Em 1930, Carolina se estabeleceu em Franca, onde trabalhou como empregada dom\u00e9stica e auxiliar de cozinha. Passou por v\u00e1rias outras cidades do interior paulista nos anos seguintes, sempre em busca de novas oportunidades.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria em que vivia se agravou ainda mais ap\u00f3s o falecimento de sua m\u00e3e. Carolina decidiu ent\u00e3o se mudar para a cidade de S\u00e3o Paulo, vislumbrando a chance de obter na metr\u00f3pole uma vida mais digna.<\/p>\n<p>As expectativas, entretanto, logo foram frustradas. Sem dinheiro ou conhecidos que pudessem ajud\u00e1-la, Carolina se tornou moradora de rua. Passava as madrugadas acordada rodando a cidade, coletando papel e sucata para tentar sobreviver.<\/p>\n<p>Em 1947, Carolina foi morar na Favela do Canind\u00e9, erguendo um barraco com peda\u00e7os de madeira e papel\u00e3o \u00e0s margens do Rio Tiet\u00ea. Conseguiu emprego como faxineira de hotel e logo recebeu indica\u00e7\u00f5es para trabalhar como dom\u00e9stica nas casas da elite paulistana.<\/p>\n<p>Entre seus patr\u00f5es estava o famoso cirurgi\u00e3o Euryclides de Jesus Zerbini, que permitia que Carolina lesse os livros de sua biblioteca durante as folgas.<\/p>\n<p>Em 1948, Carolina engravidou de um marinheiro portugu\u00eas que logo a abandonou. A condi\u00e7\u00e3o de m\u00e3e solteira era considerada um esc\u00e2ndalo pelos empregadores.<\/p>\n<p>Carolina foi demitida e teve de voltar a catar papel\u00e3o e a fazer bicos para se sustentar. O filho, batizado Jo\u00e3o Jos\u00e9 de Jesus, nasceu em 1949. Carolina teve mais dois filhos \u2014 Jos\u00e9 Carlos de Jesus, nascido em 1950, e Vera Eunice de Jesus, nascida em 1953.<\/p>\n<h3>Os cadernos de Carolina<\/h3>\n<p>Em meio \u00e0s dificuldades da vida na favela, Carolina encontrou na literatura um ref\u00fagio e uma forma de externar seus sentimentos e reflex\u00f5es. Seu barraco era repleto de livros e de cadernos que ela recolhia nas andan\u00e7as pela cidade.<\/p>\n<p>Nos cadernos, Carolina registrava o cotidiano sofrido da comunidade, a dor da fome, o flagelo da mis\u00e9ria, as ang\u00fastias, humilha\u00e7\u00f5es e preconceitos a que ela e todos os seus vizinhos estavam submetidos.<\/p>\n<p>Entre 1955 e 1960, Carolina produziu 35 desses di\u00e1rios. Trata-se de um compilado de enorme valor hist\u00f3rico, liter\u00e1rio e sociol\u00f3gico, retratando a realidade das favelas sob a perspectiva de seus moradores \u2014 uma leitura da realidade sempre ignorada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi em 1958 que o jornalista Aud\u00e1lio Dantas conheceu Carolina enquanto realizava uma mat\u00e9ria sobre a Favela do Canind\u00e9 para a <em>Folha da Noite<\/em>. O rep\u00f3rter se impressionou com \u201clucidez cr\u00edtica\u201d de Carolina e, sobretudo, com a qualidade liter\u00e1ria e documental de seus textos.<\/p>\n<p>Aud\u00e1lio publicou um artigo sobre a autora no peri\u00f3dico, contendo alguns trechos dos di\u00e1rios. A mat\u00e9ria despertou o interesse do p\u00fablico e Aud\u00e1lio foi incumbido de produzir mais uma mat\u00e9ria com textos de Carolina para a revista <em>O Cruzeiro<\/em>.<\/p>\n<p>Em seguida, o jornalista procurou Carolina e prop\u00f4s a publica\u00e7\u00e3o de um livro. A obra foi lan\u00e7ada em agosto de 1960 com o t\u00edtulo de <em>Quarto de Despejo: Di\u00e1rio de uma Favelada<\/em>. Tratava-se de uma sele\u00e7\u00e3o de textos retirados de 20 dos di\u00e1rios de Carolina.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-214001\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/carolina_maria_de_jesus_cropped.jpg\" alt=\"Carolina Maria de Jesus\" width=\"563\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/carolina_maria_de_jesus_cropped.jpg 563w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/carolina_maria_de_jesus_cropped-250x300.jpg 250w\" sizes=\"auto, (max-width: 563px) 100vw, 563px\"><figcaption>Arquivo Nacional \/ Wikimedia Commons <br \/>Carolina Maria de Jesus autografando seu livro \u2018Quarto de Despejo\u2019<\/figcaption><\/figure>\n<h3>\u201cQuarto de Despejo\u201d e a carreira liter\u00e1ria de Carolina<\/h3>\n<p><em>Quarto de Despejo<\/em> fez um sucesso enorme. A tiragem inicial de 10 mil exemplares foi esgotada em menos de uma semana. A obra se destaca pela linguagem objetiva, direta, e pela narrativa coesa, apresentando um retrato cru e realista da mis\u00e9ria e da exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>O registro documental \u00e9 pontuado liricamente por reflex\u00f5es e pensamentos de Carolina, refor\u00e7ando o car\u00e1ter memorialista da obra. A autora registra tudo: os hor\u00e1rios em que acorda, o seu estado de esp\u00edrito, a indigna\u00e7\u00e3o e o sofrimento diante das priva\u00e7\u00f5es materiais.<\/p>\n<p>A fome \u00e9 o tema central do livro. Em v\u00e1rios trechos, Carolina descreve a ang\u00fastia de n\u00e3o ter dinheiro para alimentar sua fam\u00edlia: \u201choje n\u00e3o temos nada para comer. Queria convidar os filhos para suicidar-nos. Desisti. Olhei meus filhos e fiquei com d\u00f3. Eles est\u00e3o cheios de vida. Quem vive, precisa comer. Fiquei nervosa, pensando: ser\u00e1 que Deus esqueceu-me? Ser\u00e1 que ele ficou de mal comigo?\u201d.<\/p>\n<p>Em outras passagens, Carolina descreve o al\u00edvio e a alegria de ter o que comer: \u201ca comida no est\u00f4mago \u00e9 como combust\u00edvel nas m\u00e1quinas. Passei a trabalhar mais depressa. Eu tinha a impress\u00e3o que eu deslizava no espa\u00e7o. Comecei a sorrir como se estivesse presenciando um lindo espet\u00e1culo. E haver\u00e1 espet\u00e1culo mais lindo do que ter o que comer? Parece que eu estava comendo pela primeira vez na vida.\u201d<\/p>\n<p>A obra foi comentada e elogiada por autores consagrados como Rachel de Queiroz, Manuel Bandeira e S\u00e9rgio Milliet. <em>Quarto de Despejo<\/em>\u00a0foi traduzido para 16 idiomas e lan\u00e7ado em mais de 40 pa\u00edses, vendendo, ao todo, mais de 3 milh\u00f5es de exemplares.<\/p>\n<p>O livro inspirou filmes, pe\u00e7as de teatro, can\u00e7\u00f5es, ilustra\u00e7\u00f5es e outras obras de arte. <em>Quarto de Despejo<\/em>\u00a0se tornou um marco da literatura brasileira, inaugurando o g\u00eanero que viria a ser conhecido como \u201cliteratura das vozes subalternas\u201d.<\/p>\n<p>O sucesso da obra permitiu a Carolina sair da favela. A autora comprou uma casa no Alto de Santana, um bairro de classe m\u00e9dia alta na Zona Norte de S\u00e3o Paulo. A conviv\u00eancia, entretanto, era muito atribulada. Os vizinhos se incomodavam com a presen\u00e7a da fam\u00edlia negra no bairro e buscavam segreg\u00e1-los de todas as atividades \u2014 chegando at\u00e9 mesmo proibir seus filhos de interagirem com os filhos da autora.<\/p>\n<p>Carolina deu continuidade \u00e0 sua carreira de escritora, registrando o cotidiano e as experi\u00eancias no novo bairro. Os textos foram compilados e lan\u00e7ados em 1961 no livro <em>Casa de Alvenaria: Di\u00e1rio de uma Ex-Favelada<\/em>.<br \/>\nDois anos depois, em 1963, Carolina publicou <em>Peda\u00e7os da Fome<\/em>, seu \u00fanico romance, e em 1965 lan\u00e7ou <em>Prov\u00e9rbios.<\/em><\/p>\n<p>As obras posteriores de Carolina, entretanto, n\u00e3o despertaram interesse do mercado editorial, que considerava que a f\u00f3rmula estava esgotada. A autora n\u00e3o teve ajuda para a divulga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o recebeu novas ofertas de editoras e acabou sendo relegada ao esquecimento pela m\u00eddia.<\/p>\n<h3>Os \u00faltimos anos<\/h3>\n<p>Sentindo-se infeliz em Santana, Carolina se mudou para Parelheiros, um bairro perif\u00e9rico na Zona Sul de S\u00e3o Paulo. Em sua nova resid\u00eancia, continuou escrevendo, mas nunca mais encontrou mais espa\u00e7o nas editoras.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se agravou ap\u00f3s o golpe de 1964, quando suas obras, consideradas inadequadas pelo teor de cr\u00edtica social, foram submetidas a uma \u201ccensura branca\u201d. Pouco tempo depois, os pagamentos por direitos autorais foram interrompidos, embora os livros de Carolina continuassem sendo comercializados por editoras estrangeiras.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de <em>Quarto de Despejo<\/em>\u00a0lan\u00e7ada nos Estados Unidos, por exemplo, deveria ter rendido a Carolina mais de 150 mil d\u00f3lares, mas a autora nunca recebeu um centavo desse dinheiro. For\u00e7ada a gastar suas economias, a escritora enfrentou problemas financeiros e teve de voltar a catar latinhas e garrafas nos \u00faltimos anos de vida.<\/p>\n<p>Carolina Maria de Jesus faleceu em 13 de fevereiro de 1977, aos 62 anos de idade, vitimada por problemas respirat\u00f3rios. A maior parte de seus livros foi publicada postumamente, incluindo <em>Um Brasil para Brasileiros<\/em> (1982), <em>Di\u00e1rio de Bitita<\/em> (1986) e <em>Antologia Pessoal<\/em>\u00a0(1996).<\/p>\n<p>Carolina empresta seu nome \u00e0 biblioteca do Museu Afro Brasil em S\u00e3o Paulo. Em 2021, a escritora recebeu o t\u00edtulo p\u00f3stumo de \u201cDoutora Honoris Causa\u201d concedido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/pensar-a-historia\/quem-inventou-a-fome-sao-os-que-comem-111-anos-de-carolina-maria-de-jesus\/\">\u2018Quem inventou a fome s\u00e3o os que comem\u2019: 111 anos de Carolina Maria de Jesus<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/\">Opera Mundi<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pentagono-inicia-expulsao-de-militares-transgeneros\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/usaf-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Pent\u00e1gono inicia expuls\u00e3o de militares transg\u00eanero...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eleicoes-no-peru-direitistas-keiko-fujimori-e-rafael-aliaga-lideram-disputa-para-segundo-turno\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Elei\u00e7\u00f5es no Peru: direitistas Keiko Fujimori e Raf...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2025\/09\/politica-o-real-e-o-possivel-por-luiz-marques\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Pol\u00edtica: o real e o poss\u00edvel (por Luiz Marques)<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ao-som-de-xequere-marcha-da-consciencia-negra-em-sp-celebra-cultura-afro-brasileira\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ao som de xequer\u00ea, Marcha da Consci\u00eancia Negra em ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 111 anos, em 14 de mar\u00e7o de 1914, nascia a escritora brasileira Carolina Maria de Jesus. 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