{"id":18089,"date":"2025-03-21T15:07:05","date_gmt":"2025-03-21T18:07:05","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/nao-tem-como-uma-professora-ensinar-sozinha-com-quatro-criancas-especiais-na-sala-de-aula\/"},"modified":"2025-03-21T15:07:05","modified_gmt":"2025-03-21T18:07:05","slug":"nao-tem-como-uma-professora-ensinar-sozinha-com-quatro-criancas-especiais-na-sala-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/nao-tem-como-uma-professora-ensinar-sozinha-com-quatro-criancas-especiais-na-sala-de-aula\/","title":{"rendered":"\u2018N\u00e3o tem como uma professora ensinar sozinha com quatro crian\u00e7as especiais na sala de aula\u2019"},"content":{"rendered":"<section>\n<div>\n<p>O filho de Inajara Cruz da Rosa tem 6 anos e aos 2 anos e meio recebeu o diagn\u00f3stico de Transtorno do Espcetro Autista (TEA). Desde ent\u00e3o, toma medica\u00e7\u00e3o. Em 2025, ele iniciou o primeiro ano na Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora do Carmo, na Restinga.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a tem uma estereotipia t\u00edpica de crian\u00e7a no espectro autista, um jeito pr\u00f3prio de balan\u00e7ar o corpo e o h\u00e1bito de querer abra\u00e7ar e apertar a bochecha dos coleguinhas. A poucos dias atr\u00e1s, num destes gestos, entretanto, um colega reagiu e lhe deu um soco na boca. O golpe chegou a afrouxar um dente.<\/p>\n<p>\u201cFiquei muito braba. Sei que s\u00e3o crian\u00e7as, de repente, o coleguinha se assustou. Fiquei muito braba porque foi na hora do recreio e busco meu filho 11h45 na escola. Quando cheguei, olhei o meu filho com a boca inchada\u201d, conta a m\u00e3e. A revolta deveu-se ao fato do incidente ter acontecido horas antes e ningu\u00e9m da escolar ter entrado em contato. Para ela, foi a gota d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Na semana passada, voltou na Defensoria P\u00fablica, onde j\u00e1 havia estado ano passado ao entrar na Justi\u00e7a exigindo um monitor para acompanhar seu filho na escola. Foi recebida por um defensor, exp\u00f4s o caso e est\u00e1 aguardando retorno. \u201cMeu filho n\u00e3o tem coordena\u00e7\u00e3o motora de pegar um l\u00e1pis. Tem quatro crian\u00e7as autistas na sala dele, um \u00e9 cadeirante. A professora n\u00e3o tem como ajudar. E os que n\u00e3o t\u00eam necessidades especiais, v\u00e3o aprender como? N\u00e3o tem como as crian\u00e7as aprenderem a ler e escrever com uma professora com tr\u00eas, quatro crian\u00e7as especiais dentro da sala de aula e ela sozinha. N\u00e3o tem como ela ensinar\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 onda de reclama\u00e7\u00f5es de outras m\u00e3es de alunos especiais, Inajara ainda salienta que as professoras n\u00e3o podem se manifestar diante do problema que afeta a rede municipal de ensino de Porto Alegre porque est\u00e3o sendo coagidas. \u201cAs crian\u00e7as est\u00e3o abandonadas. Falta professor. \u00c0s 7h30 da manh\u00e3 elas avisam no grupo que a professora se machucou. As m\u00e3es saem para trabalhar, acham que os filhos v\u00e3o para a escola, chega no port\u00e3o e n\u00e3o tem professor. E n\u00e3o tem professor para substituir\u201d, critica.<span>\u00a0 \u00a0<\/span><\/p>\n<p>Ela conta que luta por um monitor para seu filho desde a creche. Por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o era menos grave do que agora porque o menino \u00e9 g\u00eameo e sua irm\u00e3 o acompanhava na creche \u2013 ela n\u00e3o \u00e9 autista. Sabendo dos problemas da falta de acompanhante para crian\u00e7as especiais, ela se antecipou e entrou com processo no ano passado para requerer o profissional por via judicial. Em novembro, o juiz deu despacho favor\u00e1vel ao pleito. Com o resultado, ela foi informada pela Defensoria P\u00fablica que as monitoras estariam na escola no dia 10 de fevereiro para fazer treinamento visando o in\u00edcio das aulas no dia 17. Foi ent\u00e3o que ela soube que a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o (Smed) tirou as monitoras que atuavam no ensino fundamental e as deslocou para a educa\u00e7\u00e3o infantil, com a ideia de deixar no lugar agentes de educa\u00e7\u00e3o inclusiva.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-261385\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Inajara-autismo-poa.jpeg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Inajara-autismo-poa-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Inajara-autismo-poa-169x300.jpeg 169w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Inajara-autismo-poa-56x100.jpeg 56w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Inajara-autismo-poa-500x889.jpeg 500w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Inajara-autismo-poa.jpeg 720w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\"><figcaption>Inajara Cruz da Rosa,fez protesto na frente da escola e da Defensoria. Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0\u201cS\u00e3o umas meninas que n\u00e3o devem ter mais de 20 anos, n\u00e3o t\u00eam experi\u00eancia nenhuma. S\u00e3o bem leigas, est\u00e3o se esfor\u00e7ando\u201d, avalia Inajara. Ela conta que s\u00e3o quatro agentes na escola do filho para 65 crian\u00e7as especiais. Somente na sala dele, s\u00e3o quatro crian\u00e7as especiais, sendo uma cadeirante, com a professora sozinha. \u201cN\u00e3o tem como\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Diante do problema do soco que seu filho levou, Inajara voltou na Defensoria P\u00fablica, onde lhe foi pedido tr\u00eas or\u00e7amentos para a contrata\u00e7\u00e3o de uma profissional que acompanhe seu filho. O or\u00e7amento que ela levou, no entanto, foi considerado muito alto. O valor pago pela Defensoria \u00e9 entre R$ 40 e R$ 60 por hora. Inajara ent\u00e3o conseguiu outro or\u00e7amento dentro do valor determinado, por\u00e9m, nesse meio tempo, veio o susto da agress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o resolver o problema do meu filho, vou me acorrentar no port\u00e3o do f\u00f3rum. Vou ficar acorrentada l\u00e1. Quero monitor, meu filho precisa, as outras crian\u00e7as precisam de ajuda\u201d, suplica.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o trabalhar fora, ela montou um bazar em casa, de modo que est\u00e1 sempre \u201cna volta\u201d dos filhos e de prontid\u00e3o para ir na escola a qualquer momento. \u201cA professora n\u00e3o tem culpa. Elas fazem o que podem. Fui muito bem acolhida na escola, meu filho foi muito bem acolhido, s\u00f3 que naquele dia elas fracassaram feio. Meu filho ficou das dez horas da manh\u00e3 at\u00e9 o meio-dia com dor na boca, com dente frouxo. Isso me cortou por dentro.\u201d<\/p>\n<p>Nesta semana, ap\u00f3s muito batalhar, Inajara recebeu a informa\u00e7\u00e3o da Defensoria P\u00fablica de que a Justi\u00e7a novamente lhe concedeu o direito \u00e0 monitora para acompanhar seu filho. Agora, ela aguarda que a decis\u00e3o seja cumprida.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/section>\n<section><\/section>\n<section>\n<div>\n        Remanejamento    <\/div>\n<\/section>\n<section><\/section>\n<section>\n<div>\n<p>Segundo o governo do prefeito Sebasti\u00e3o Melo (MDB), existem 5.334 estudantes com algum tipo de especificidade matriculados na rede municipal de ensino de Porto Alegre. A Prefeitura diz que o programa \u201cIncluir+POA\u201d realiza, por meio de 455 agentes, o atendimento de apoio inclusivo educacional aos estudantes de educa\u00e7\u00e3o especial e da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Tais agentes t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de apoio escolar \u00e0s crian\u00e7as, contratados pela empresa terceirizada Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade e Assist\u00eancia Social (Abess), respons\u00e1vel por executar o programa da Prefeitura.<\/p>\n<p>Por sua vez, os monitores a quem Inajara se refere s\u00e3o profissionais concursados que, em sua maioria, atuam nas escolas municipais de educa\u00e7\u00e3o infantil. At\u00e9 o ano passado, todavia, muitos destes monitores acompanhavam alunos no ensino fundamental, prestando uma assist\u00eancia que era bem avaliada pelos pais de crian\u00e7as especiais. Esse ano, contudo, a Prefeitura decidiu remanejar dezenas desses profissionais para a educa\u00e7\u00e3o especial, um ato realizado de supet\u00e3o e que pegou muitas fam\u00edlias de surpresa.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o exigida dos agentes de educa\u00e7\u00e3o inclusiva contratados pela empresa terceirizada \u00e9 o ensino m\u00e9dio completo e um curso de forma\u00e7\u00e3o oferecido pela Smed ou outras institui\u00e7\u00f5es autorizadas.<\/p>\n<p>Uma das m\u00e3es surpreendidas com a decis\u00e3o da Prefeitura de remanejar os monitores \u00e9 Tatielle dos Santos, m\u00e3e de um menino de 9 anos que est\u00e1 no quarto ano do ensino fundamental, tamb\u00e9m na Escola Nossa Senhora do Carmo, na Restinga. Seu filho tem autismo, com defici\u00eancia intelectual, diagn\u00f3stico feito no ano passado. A crian\u00e7a era acompanhada por uma monitora em 2024 desde a hora da entrada at\u00e9 o recreio, no meio da manh\u00e3.<\/p>\n<p>Esse ano, ela conta que \u201ctiraram no susto\u201d o acompanhamento do aluno e lhe disseram que ele ter\u00e1 um agente de inclus\u00e3o, mas isso ainda n\u00e3o ocorreu. \u201cSei que todo mundo tem direito, mas tirarem do col\u00e9gio para botar em creche? Eles passaram de todos os limites. Esse secret\u00e1rio desregulou todo meu filho.\u201d<\/p>\n<p>Tatielle conta que o filho se dava bem com a monitora e que agora n\u00e3o tem como o professor dar conta sozinho da crian\u00e7a junto com a turma inteira. \u201cSe ele n\u00e3o tiver o acompanhamento de algu\u00e9m ali do lado, se ele n\u00e3o tomar o rem\u00e9dio, ele toca o terror em tudo e vai prejudicar outras crian\u00e7as que n\u00e3o precisam ser prejudicadas\u201d, explica.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do seu filho a faz n\u00e3o conseguir se afastar da escola, porque a todo momento a dire\u00e7\u00e3o lhe chama para acudir a crian\u00e7a. Durante um tempo, antes de ter o diagn\u00f3stico, ela chegou a achar que era persegui\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio contra o filho. Nessas primeiras semanas do ano letivo de 2025, ela relata que o filho n\u00e3o fala muito, mas costuma perguntar se a pessoa que o acompanhava ano passado vai voltar. \u201cDigo pra ele que, se vier, vai ser outra pessoa.\u201d A quest\u00e3o, ela ressalta, \u00e9 que essa outra pessoa ter\u00e1 que conquistar a confian\u00e7a do menino, algo que j\u00e1 tinha sido feito pela monitora que o acompanhava em 2024.<\/p>\n<p>Com dois filhos, separada do pai das crian\u00e7as, h\u00e1 pouco tempo Tatielle recebeu diagn\u00f3stico de Transtorno do Espectro Autista tamb\u00e9m para o filho mais novo, de 4 anos. O pai das crian\u00e7as as visita de 15 em 15 dias. Para sustentar a fam\u00edlia, ela trabalhava como assistente de servi\u00e7o geral na Sogipa, no outro lado da cidade, mas acabou sendo obrigada a deixar o emprego de tanto que a escola ligava pedindo para ela ir buscar o filho, numa \u00e9poca em que ainda n\u00e3o tinha o diagn\u00f3stico de autismo e n\u00e3o sabia o que acontecia.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-261384\"><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga-300x225.jpg 300w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga-768x576.jpg 768w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga-100x75.jpg 100w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga-500x375.jpg 500w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga-720x540.jpg 720w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga-800x600.jpg 800w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga-1080x810.jpg 1080w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/emef-nossa-senhora-carmo-restinga.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora do Carmo, na Restinga, onde estudam os filhos de Inajara e Tatielle. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/figcaption><\/figure>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o chegou num ponto insustent\u00e1vel e cerca de quatro meses depois, ela teve que deixar o emprego. Quase ao mesmo tempo, tamb\u00e9m se viu obrigada a abandonar o curso t\u00e9cnico de administra\u00e7\u00e3o. Mais tarde, conseguiu dar entrada no Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC) para minimizar as dificuldades financeiras, renda completada pela pens\u00e3o paga pelo pai das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cEstou aprendendo porque, para mim, n\u00e3o sei nem o que \u00e9 isso, agora que estou aprendendo porque na minha fam\u00edlia n\u00e3o tem (autismo) ou se tem, a gente n\u00e3o sabia. Agora que estou ouvindo sobre autismo. Para mim, foi um baque, n\u00e3o dormi tr\u00eas dias, s\u00f3 chorava\u201d, recorda, lamentando n\u00e3o ter descoberto antes e, assim, iniciado mais cedo o tratamento do filho.<\/p>\n<p>Agora, Tatielle afirma estar confiante de que a articula\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias junto \u00e0 Defensoria P\u00fablica e alguns pol\u00edticos pode dar resultado. \u201cA pessoa da Smed me ligou dizendo que meu filho vai ter esse agente, mas n\u00e3o disse data. Agora est\u00e3o me dizendo que tenho que ir na Defensoria P\u00fablica entrar com o recurso, porque eles n\u00e3o est\u00e3o querendo mandar esses agentes.\u201d<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que relatam\u00a0 Tatielle e outras m\u00e3es que t\u00eam procurada a Defensoria P\u00fablica, a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o (Smed) assegura que \u201ctodos os alunos at\u00edpicos anteriormente atendidos pelos monitores remanejados j\u00e1 contam com o suporte de profissionais especializados do programa Incluir + POA, garantindo-se a continuidade do atendimento com qualidade e efic\u00e1cia\u201d.<\/p>\n<p>A Prefeitura justifica o remanejamento de 60 monitores no come\u00e7o do ano letivo como forma de garantir o atendimento integral de 12 horas nas escolas de educa\u00e7\u00e3o infantil. Tamb\u00e9m ao contr\u00e1rio dos relatos das fam\u00edlias, a Smed sustenta que a mudan\u00e7a se deu de \u201cmaneira planejada\u201d e que a natureza do cargo de monitor \u00e9 prioritariamente voltada para a educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p>\u201cNo que se refere ao atendimento especializado aos alunos at\u00edpicos, \u00e9 fundamental destacar que esses estudantes est\u00e3o integralmente contemplados pelo Programa Incluir + POA, j\u00e1 consolidado na Rede Municipal. Esse programa visa oferecer um suporte multiprofissional especializado, contando, al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o do Agente de Inclus\u00e3o, com acompanhamento psicol\u00f3gico, psicopedag\u00f3gico e socioassistencial especializado, garantindo um atendimento mais amplo e qualificado\u201d, diz a Prefeitura.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/section>\n<section><\/section>\n<section>\n<div>\n        Despreparo e desorganiza\u00e7\u00e3o    <\/div>\n<\/section>\n<section><\/section>\n<section>\n<div>\n<p>Diretora da Associa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores\/as em Educa\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio de Porto Alegre (Atempa), Camila Reis explica que, at\u00e9 o ano passado, quem fazia a inclus\u00e3o dos alunos especiais eram as monitoras concursadas pela Prefeitura para ficar em sala de aula ou as fam\u00edlias entravam na Justi\u00e7a para adquirir esse direito com uma profissional contratada.<\/p>\n<p>\u201cAs nossas salas de aula, em quase todas, tem de dois a tr\u00eas alunos especiais. Tem sala que chega a ter at\u00e9 quatro alunos de inclus\u00e3o. A nossa inclus\u00e3o \u00e9 muito alta na rede municipal\u201d, diz Camila. \u201cO que aconteceu \u00e9 que a educa\u00e7\u00e3o infantil estava sem esses monitores porque a Prefeitura n\u00e3o fez concurso. As monitoras do concurso foram todas chamadas, ent\u00e3o a Prefeitura n\u00e3o tem mais monitores para chamar. Ou seja, tem uma desorganiza\u00e7\u00e3o em fazer o chamamento e fazer o concurso que deveria ter sido feito h\u00e1 bastante tempo, mas \u00e9 algo que eles ficam sempre enrolando e n\u00e3o fazem.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a diretora da Atempa, embora na educa\u00e7\u00e3o infantil tamb\u00e9m existam crian\u00e7as especiais, o remanejo feito pelo governo municipal \u00e9 para atender crian\u00e7a pequena mesmo. Ela enfatiza que o problema da mudan\u00e7a realizada pela Prefeitura \u00e9 que as monitoras estavam nas escolas h\u00e1 muitos anos acompanhando alunos, com toda uma constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, ela critica a baixa capacita\u00e7\u00e3o das agentes contratadas pela empresa terceirizada Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade e Assist\u00eancia Social (Abess) desde o ano passado. \u201cEssas pessoas recebem um curso de sete horas e s\u00e3o largadas dentro da escola. Elas t\u00eam um sal\u00e1rio baix\u00edssimo, ent\u00e3o a rotatividade \u00e9 muito grande. Tem gente que n\u00e3o tem nenhum preparo e entra para trabalhar com aluno de inclus\u00e3o. \u00c9 uma coisa bem complicada. As monitoras, apesar do concurso n\u00e3o exigir o ensino superior, mais de 90% t\u00eam o ensino superior, s\u00f3 as muito antigas n\u00e3o t\u00eam. Como elas s\u00e3o concursadas, n\u00e3o v\u00e3o largar o trabalho a qualquer momento.\u201d<\/p>\n<p>Camila avalia que as pessoas contratadas pela Abess n\u00e3o sabem muito bem com o qu\u00ea v\u00e3o se deparar na fun\u00e7\u00e3o de acompanhar um aluno especial e quando chegam na escola e entendem que \u00e9 para trabalhar com aluno de inclus\u00e3o, acabam ficando pouco tempo. \u201cO emprego serve quase como um trampolim enquanto n\u00e3o arruma nada melhor. Elas ficam dois meses e troca, dois meses e troca. Isso \u00e9 muito problem\u00e1tico para o aluno de inclus\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-261388\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/melo-autismo-poa.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/melo-autismo-poa.jpg 700w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/melo-autismo-poa-300x200.jpg 300w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/melo-autismo-poa-100x67.jpg 100w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/melo-autismo-poa-450x300.jpg 450w, https:\/\/sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/melo-autismo-poa-500x333.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\"><figcaption>Prefeito Sebasti\u00e3o Melo durante apresenta\u00e7\u00e3o do programa Incluir+POA, em outubro de 2023. Pedro Piegas \/ PMPA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Essa realidade \u00e9 bem conhecida por Elisabete Andrade, diretora do Sindicato dos Municip\u00e1rios de Porto Alegre (Simpa). Al\u00e9m de monitora da rede municipal (agora licenciada para atuar no sindicato), ela \u00e9 tamb\u00e9m m\u00e3e de uma crian\u00e7a at\u00edpica que cursou todo o ensino fundamental em escola do munic\u00edpio. O garoto se formou ano passado e agora ingressou no Instituto Federal, localizado na Restinga. Ela confirma que praticamente todas as salas de aula t\u00eam, no m\u00ednimo, um aluno de inclus\u00e3o, com predomin\u00e2ncia do autismo, mas tamb\u00e9m s\u00edndrome de Down, defici\u00eancia intelectual, e alunos com defici\u00eancia intelectual e autismo.<\/p>\n<p>\u201cTem alunos que necessitam do apoio pedag\u00f3gico, de sentar do lado, orientar, fazer uma adapta\u00e7\u00e3o curricular com aux\u00edlio do professor e da sala de recursos. E tem o aluno que consegue aprender, por\u00e9m tem muita dificuldade na socializa\u00e7\u00e3o e isso acaba prejudicando as rela\u00e7\u00f5es dentro da sala de aula\u201d, explica. \u201c\u00c9 uma infinidade de tarefas que s\u00e3o atribui\u00e7\u00f5es do suporte, do apoio pedag\u00f3gico, por\u00e9m a carga emocional \u00e9 muito grande e por isso a gente fala muito na quest\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o dos monitores que s\u00e3o do quadro, que n\u00e3o v\u00e3o sair da noite pro dia se receber uma proposta de emprego melhor. O v\u00ednculo \u00e9 uma das maiores ferramentas pedag\u00f3gicas na educa\u00e7\u00e3o especial.\u201d<\/p>\n<p>Elisabete destaca que a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a se estende do aluno para as fam\u00edlias, principalmente com familiares de alunos que n\u00e3o s\u00e3o verbais. Ela conhece bem o caso, pois seu filho entrou no ensino fundamental com uma linguagem pr\u00f3pria e s\u00f3 foi falar de modo que todos entendessem quando tinha em torno de 9 anos.<\/p>\n<p>\u201cA inseguran\u00e7a das fam\u00edlias \u00e9 muito maior, ent\u00e3o precisa ter uma pessoa que passe o sentido de perman\u00eancia, o sentido do olhar humanizado. Sempre falamos que n\u00e3o somos contra os trabalhadores da Abees, mas a gente entende que essa forma de v\u00ednculo empregat\u00edcio n\u00e3o supre as necessidades da educa\u00e7\u00e3o especial\u201d, pondera<\/p>\n<p>Na escola em que ela trabalhou at\u00e9 2022, eram apenas tr\u00eas monitoras para mil alunos. Outras escolas t\u00eam seis monitores tamb\u00e9m para mil alunos, o que demonstra n\u00e3o haver um padr\u00e3o de atendimento. Para ela, o que aconteceu com a sa\u00edda das monitoras do ensino fundamental foi algo que o Simpa e a Atempa denunciam h\u00e1 muito tempo: a falta de recursos humanos.<\/p>\n<p>\u201cTiraram as 60 monitoras do ensino fundamental sem aviso pr\u00e9vio, sem di\u00e1logo, mudaram a vida dessas trabalhadoras que anoiteceram numa escola e amanheceram em outra. N\u00e3o foi feito de forma pensada, dialogada com a comunidade, com as fam\u00edlias, foi tirado o suporte dessas crian\u00e7as de uma hora para outra. No in\u00edcio do ano, a adapta\u00e7\u00e3o tanto para os pequenos quanto os alunos da educa\u00e7\u00e3o especial j\u00e1 \u00e9 muito dif\u00edcil, j\u00e1 \u00e9 complicado. \u00c9 um trabalho f\u00edsico e emocional que tem que ser planejado. Com o autista, principalmente, que tem uma quest\u00e3o da rotina, tu tens que preparar ele\u201d, explica a diretora do Simpa.<\/p>\n<p>Com a experi\u00eancia de quem \u00e9 monitora, Elisabete diz que a falta de acompanhamento especializado causa inseguran\u00e7a na crian\u00e7a, prejudicando o aspecto pedag\u00f3gico e da socializa\u00e7\u00e3o. \u201cIsso acarreta automaticamente na desorganiza\u00e7\u00e3o dessa crian\u00e7a e acaba afetando toda a turma, toda a rotina escolar, toda a comunidade escolar.\u201d<\/p>\n<p>Ela destaca que a situa\u00e7\u00e3o prejudica tamb\u00e9m o lado profissional das m\u00e3es, muitas vezes tirando-as do mercado de trabalho por n\u00e3o ter a seguran\u00e7a de que haver\u00e1 uma pessoa das 8h \u00e0s 12h com seu filho. \u201cEla pode ter que sair correndo de repente de um bico, onde est\u00e1 conseguindo o \u2018ganha-p\u00e3o\u2019, para ir correndo socorrer esse aluno. Tudo isso gera preocupa\u00e7\u00e3o, tens\u00e3o, essas m\u00e3es ficam sobrecarregadas porque elas ficam preocupadas com a manuten\u00e7\u00e3o da vida, ficam preocupados com o emocional dos seus filhos. O que toda m\u00e3e quer, a crian\u00e7a sendo t\u00edpica ou at\u00edpica, \u00e9 que ele se torne um adulto, um jovem aut\u00f4nomo. S\u00f3 que a gente sabe que o caminho da pessoa com TEA (Transtorno do Espectro Autista) \u00e9 mais dif\u00edcil, ent\u00e3o ela precisa de um suporte maior para tentar que ele se torne um adulto aut\u00f4nomo. O caminho da educa\u00e7\u00e3o infantil e do ensino fundamental \u00e9 definidor do quanto esse jovem vai poder atingir o potencial dele no futuro\u201d, explica.<\/p>\n<p>De acordo com a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o (Smed), est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o um aditivo no Programa Incluir + POA para a contrata\u00e7\u00e3o de novos agentes de inclus\u00e3o \u201cpara suprir as demandas crescentes da rede municipal de educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/section>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/educacao\/2025\/03\/nao-tem-como-uma-professora-ensinar-sozinha-com-quatro-criancas-especiais-na-sala-de-aula\/\">\u2018N\u00e3o tem como uma professora ensinar sozinha com quatro crian\u00e7as especiais na sala de aula\u2019<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/\">Sul 21<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/presidente-do-libano-condena-ataque-de-israel-que-matou-12-pessoas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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