{"id":19101,"date":"2025-03-31T11:53:21","date_gmt":"2025-03-31T14:53:21","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/com-ajuda-do-mst-projeto-no-sul-da-venezuela-pretende-garantir-soberania-alimentar-do-pais\/"},"modified":"2025-03-31T11:53:21","modified_gmt":"2025-03-31T14:53:21","slug":"com-ajuda-do-mst-projeto-no-sul-da-venezuela-pretende-garantir-soberania-alimentar-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/com-ajuda-do-mst-projeto-no-sul-da-venezuela-pretende-garantir-soberania-alimentar-do-pais\/","title":{"rendered":"Com ajuda do MST, projeto no sul da Venezuela pretende garantir soberania alimentar do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"577\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-3-36-1024x577-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-3-36-1024x577-1.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-3-36-300x169.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-3-36-768x432.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-3-36-1536x865.jpg 1536w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-3-36.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Rosana Fernandes faz parte do MST h\u00e1 29 anos e coordena, desde janeiro de 2025, a brigada do movimento na Venezuela<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Lorenzo Santiago<br \/>Do Brasil de Fato<\/em><\/p>\n<p>Um projeto para garantir a soberania alimentar da Venezuela. \u00c9 assim que o programa\u00a0<em>P\u00e1tria Grande do Sul<\/em>\u00a0\u00e9 tratado tanto pelo governo venezuelano, como pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A iniciativa foi lan\u00e7ada h\u00e1 duas semanas e ter\u00e1 180 mil hectares para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos pautada na agroecologia.<\/p>\n<p>Rosana Fernandes coordena a brigada do MST na Venezuela h\u00e1 dois meses. Com\u00a020 anos de atua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, o movimento estendeu a participa\u00e7\u00e3o e hoje \u00e9 o principal articulador do projeto no sul da Venezuela. A meta, segundo ela, \u00e9 conseguir ocupar o territ\u00f3rio da Vergare\u00f1a e expandir a produ\u00e7\u00e3o que j\u00e1 \u00e9 feita por pequenas fam\u00edlias na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela recebeu a reportagem do\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0na secretaria do MST em Caracas e disse que h\u00e1 muitos desafios, como\u00a0ocupar uma \u00e1rea que est\u00e1 isolada no sul do pa\u00eds. Angostura, munic\u00edpio do projeto, com 57 mil habitantes em um territ\u00f3rio do tamanho do estado da Para\u00edba. Lidar com as limita\u00e7\u00f5es derivadas da baixa densidade populacional da regi\u00e3o \u00e9 um dos primeiros desafios enfrentados pelo projeto: falta estrutura, como estradas para levar materiais.<\/p>\n<p>Para a coordenadora, com um avan\u00e7o na infraestrutura na regi\u00e3o, ser\u00e1 poss\u00edvel tamb\u00e9m ampliar a comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos e o escoamento da produ\u00e7\u00e3o.\u00a0H\u00e1 29 anos no MST, Rosana Fernandes nasceu e iniciou sua milit\u00e2ncia no Mato Grosso, mas foi em Goi\u00e1s onde se tornou lideran\u00e7a e dirigente. Em 2014, tornou-se coordenadora da Escola Nacional Florestan Fernandes. Educadora, a coordenadora da brigada est\u00e1 terminando seu doutorado em educa\u00e7\u00e3o pela Unicamp mesmo a dist\u00e2ncia, conciliando o trabalho na Venezuela e a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Mesmo com a empolga\u00e7\u00e3o do governo com o projeto, Fernandes prega cautela e diz que todo esse processo levar\u00e1 tempo e precisa cumprir uma s\u00e9rie de etapas e um plano de a\u00e7\u00e3o at\u00e9 funcionar em plena capacidade. A meta de produ\u00e7\u00e3o, inclusive, ainda n\u00e3o foi definida pelo governo venezuelano. A \u00e1rea passa por estudo e a quantidade ser\u00e1 definida de acordo com o andamento do projeto e a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Confira a entrevista na integra:<\/p>\n<p><strong>BdF: Voc\u00ea chegou h\u00e1 dois meses aqui na Venezuela e chega em um contexto que j\u00e1 tem um hist\u00f3rico do movimento com o governo venezuelano, desde o ex-presidente Hugo Ch\u00e1vez. H\u00e1 uma linha pol\u00edtica consolidada do movimento com a revolu\u00e7\u00e3o bolivariana. Como voc\u00ea percebeu nesses dois meses essa rela\u00e7\u00e3o do MST com o governo venezuelano? Voc\u00ea sente uma abertura muito grande, voc\u00ea sente um afinamento pol\u00edtico e quais s\u00e3o os termos para isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rosana Fernandes:<\/strong>\u00a0\u00c9 importante come\u00e7ar dizendo que, para al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o do MST com o governo venezuelano, o MST defende um projeto que est\u00e1 em curso, na perspectiva revolucion\u00e1ria da soberania de um pa\u00eds. Mais que isso, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o com o povo venezuelano.<\/p>\n<p>Esse ano tamb\u00e9m, coincidentemente, est\u00e1 completando 20 anos que a MST envia militantes \u00e0 brigada internacionalista Apol\u00f4nio de Carvalho aqui na Venezuela. E essas pessoas, n\u00f3s, militantes, dirigentes que estamos aqui, temos contato direto com os territ\u00f3rios, com o povo que est\u00e1 no interior do pa\u00eds, nessa perspectiva da forma\u00e7\u00e3o, da educa\u00e7\u00e3o, da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no debate estudo sobre rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, enfim, para al\u00e9m dessa rela\u00e7\u00e3o que tem tamb\u00e9m diretamente e que agora se vincula mais estreitamente a partir do projeto\u00a0<em>P\u00e1tria Grande del Sur<\/em>, que \u00e9 um projeto de soberania alimentar junto ao governo da Venezuela.<\/p>\n<p>Temos entendido que essa rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tem se amplificado a cada tempo e busca concretizar a\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, o projeto da\u00a0<em>P\u00e1tria Grande do Sul<\/em>\u00a0vem nessa perspectiva. De um grande desafio tamb\u00e9m para o governo venezuelano, de um grande territ\u00f3rio que tem uma popula\u00e7\u00e3o, comunas, comunidades ind\u00edgenas e uma rela\u00e7\u00e3o com os militares. De construir junto esse projeto de soberania alimentar. O MST tamb\u00e9m \u00e9 desafiado em um bom sentido.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 comprometido e tamb\u00e9m se coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de fazer junto com o Estado, com governo e com os militares, um projeto de soberania alimentar num pa\u00eds que tem toda uma conjuntura pol\u00edtica, econ\u00f4mica e tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas que est\u00e1 posto no campo internacional.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea falou um pouco sobre essa quest\u00e3o de garantia de uma soberania alimentar para Venezuela. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia do projeto nesse sentido e principalmente o impacto que voc\u00eas projetam para o pa\u00eds?<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>N\u00f3s temos algumas linhas de a\u00e7\u00e3o sendo constru\u00eddas, que v\u00e3o se desdobrar em em v\u00e1rias outras a\u00e7\u00f5es concretas dentro dessa perspectiva do grande objetivo da\u00a0<em>P\u00e1tria Grande do Sul<\/em>, que \u00e9 alavancar e consolidar a soberania alimentar do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A partir da produ\u00e7\u00e3o de subs\u00eddio, primeiro para as fam\u00edlias que est\u00e3o l\u00e1, queremos alavancar um processo de comercializa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis e comercializa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o tr\u00eas eixos expl\u00edcitos que est\u00e3o postos para esse projeto contemplar.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 bastante isolada, vamos dizer assim, no restante do pa\u00eds. O projeto est\u00e1 dentro de uma \u00e1rea de campo que tamb\u00e9m tem muitas dificuldades de infraestrutura para chegar \u00e0 sede de munic\u00edpios mais pr\u00f3ximos, que tem dificuldade com as estradas e pontes.<\/p>\n<p>Com isso tamb\u00e9m est\u00e1 posta a necessidade de uma comercializa\u00e7\u00e3o mais ampla e que que possa ter um mecanismo. N\u00f3s apostamos muito nos processos de agroind\u00fastria para poder melhorar ou qualificar toda a produ\u00e7\u00e3o para que ela chegue no mercado mais distante.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o estamos tamb\u00e9m com estudos que preveem a organiza\u00e7\u00e3o e a instala\u00e7\u00e3o de agroind\u00fastria da produ\u00e7\u00e3o que mais est\u00e1 presente ali. Tem muita produ\u00e7\u00e3o de mandioca, mam\u00e3o\u2026 Mas al\u00e9m do que, essa grande invertida tamb\u00e9m tendo produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, de sementes para reprodu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m em outras regi\u00f5es do pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, s\u00e3o perspectivas nessa linha, da forma\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o, investimento, de estruturas que possibilitem para o MST o trabalho cooperado. Tudo isso \u00e9 preponderante para dar conta de estruturas de comercializa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.\u00a0<\/p>\n<p>Isso passa pela forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, de como as fam\u00edlias podem se auto-organizar para ter instrumentos que possibilitem alavancar um processo maior de comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 diagn\u00f3stico da \u00e1rea que as fam\u00edlias produzem muito, as que vivem nos conselhos comunais. Mas nas comunidades existentes j\u00e1 tem muita produ\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que essa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 para sua sobreviv\u00eancia, produ\u00e7\u00e3o familiar, muito local, no m\u00e1ximo para uma pequena cidade pr\u00f3xima. E n\u00e3o consegue ir muito para distante porque s\u00e3o perec\u00edveis.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m, como o Estado pode ampliar, a partir dessa experi\u00eancia, pol\u00edticas p\u00fablicas para que o pa\u00eds possa tamb\u00e9m desenvolver e incentivar em outras regi\u00f5es a produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o a partir do pr\u00f3prio incentivo de recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>No Brasil n\u00f3s temos o PAA e o PNAE, que s\u00e3o dois exemplos de pol\u00edticas p\u00fablicas que podem ser refer\u00eancia e podem ser ajustadas, n\u00e9, nessa realidade de Venezuela. Ent\u00e3o temos muitas tarefas, muitas a\u00e7\u00f5es e temos muita disposi\u00e7\u00e3o para contribuir nesse processo.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas conseguiram calcular mais ou menos como funciona a produ\u00e7\u00e3o hoje no territ\u00f3rio da\u00a0<em>P\u00e1tria Grande do Sul<\/em>, falando em quantidade? H\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o de subsist\u00eancia para as pr\u00f3prias fam\u00edlias, mas estimam mais ou menos quanto j\u00e1 \u00e9 produzido e o quanto que tem que aumentar? Ou seja, qual a meta para a produ\u00e7\u00e3o neste territ\u00f3rio?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Agricultura tem um levantamento sobre a quantidade de produ\u00e7\u00e3o de mandioca, de mam\u00e3o, cana de a\u00e7\u00facar e de inhame que \u00e9 tamb\u00e9m um produto que sai bastante. E da alimenta\u00e7\u00e3o dos venezuelanos.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a meta do que n\u00f3s queremos chegar, ainda trabalhamos com dados muito generalizados. Precisamos ampliar o que existe, come\u00e7ar outras produ\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o existem, mas ainda n\u00e3o temos quantificado essas metas porque, apesar de estar avan\u00e7ando, essa produ\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 embrion\u00e1ria.<\/p>\n<p>O que a gente tem at\u00e9 agora \u00e9 um plano mais geral de a\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o tem ainda definido. \u00c9 um projeto grandioso que a gente sabe que o resultado dele n\u00e3o vai ser daqui 1 ano, 2 anos. Vai levar um tempo para uma estrutura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas estamos considerando que \u00e9 preciso povoar aquele territ\u00f3rio e ampliar a popula\u00e7\u00e3o que existe para dar conta das metas que o pr\u00f3prio Estado est\u00e1 se colocando, de consolidar a soberania alimentar. O presidente Maduro tem dito que a Venezuela alcan\u00e7ou a sua soberania alimentar, mas isso tem que ser mantido permanentemente.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a cada ano, a cada safra, isso tem que ser ampliado ou ao menos consolidado o que j\u00e1 tem de produ\u00e7\u00e3o atual. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o sei dizer agora sobre estimativas de volume dessa produ\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p><strong>E voc\u00ea tamb\u00e9m falou bastante sobre as dificuldades. \u00c9 um territ\u00f3rio isolado, que precisa povoar. Quais outras outras dificuldades que voc\u00ea v\u00ea para um projeto t\u00e3o grande assim ser executado?<\/strong><\/p>\n<p>Tem um um elemento geopol\u00edtico a\u00ed tamb\u00e9m, n\u00e9, que h\u00e1 uma tens\u00e3o por ser um territ\u00f3rio na fronteira com a Guiana, que est\u00e1 pr\u00f3xima ao Essequibo, que \u00e9 um territ\u00f3rio em disputa. Ent\u00e3o tamb\u00e9m h\u00e1 uma necessidade de ter gente, venezuelanos ali naquele territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Essa articula\u00e7\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo feita em conjunto com a Uni\u00e3o Comunera, que j\u00e1 tem uma experi\u00eancia e tamb\u00e9m, tem uma constru\u00e7\u00e3o camponesa de produ\u00e7\u00e3o, de autossustenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a Uni\u00e3o Comuna \u00e9 um dos sujeitos populares que est\u00e1 junto com o MST na constru\u00e7\u00e3o desse territ\u00f3rio, amplia\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o desse projeto. Uma das a\u00e7\u00f5es que n\u00f3s estamos tomando agora junto com a Uni\u00e3o Comunera \u00e9 de instala\u00e7\u00e3o de um acampamento, onde fam\u00edlias e outras regi\u00f5es se desloquem para viver ali, que tenha vontade de estar no territ\u00f3rio, que \u00e9 poss\u00edvel construir a vida. Essa instala\u00e7\u00e3o no acampamento est\u00e1 sendo organizada para o in\u00edcio de abril.<\/p>\n<p>Queremos estruturar esse acampamento j\u00e1 como uma grande escola que vai pensar na infraestrutura do acampamento, mas tamb\u00e9m j\u00e1 iniciar o processo de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica t\u00e9cnica em agroecologia com essas fam\u00edlias. A ideia \u00e9 que as experi\u00eancias sejam iniciadas ali j\u00e1 nessa compreens\u00e3o e concep\u00e7\u00e3o da agroecologia. No primeiro momento, mais a n\u00edvel de experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Tem essa perspectiva de ampliar a popula\u00e7\u00e3o e fazer as primeiras experi\u00eancias de agroecologia com o que for poss\u00edvel, junto a concep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de agrofloresta. E junto \u00e0s comunidades existentes tamb\u00e9m h\u00e1 forma\u00e7\u00e3o. Essa escola vai ser base para fazer o trabalho de discuss\u00e3o, entendimento sobre a agroecologia e fazer uma transi\u00e7\u00e3o do que hoje eles produzem que n\u00e3o \u00e9 agroecol\u00f3gico, mas que eles t\u00eam, e j\u00e1 foi observado, em reflex\u00f5es com as fam\u00edlias. H\u00e1 necessidade que seja agroecol\u00f3gico, uma compreens\u00e3o tamb\u00e9m do cuidado com a natureza, com a vida das pessoas.<\/p>\n<p>Pensamos em uma \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o mais alargada especialmente de milho e tamb\u00e9m \u00e9 uma regi\u00e3o prop\u00edcia para pecu\u00e1ria. Pensando na prote\u00edna animal, pensamos como isso tamb\u00e9m est\u00e1 vinculado a um sistema. A gente tem experi\u00eancia no Brasil, ent\u00e3o, aqui tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel implementar um sistema.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Para esse ano j\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>Para esse ano \u00e9 um pouco cedo demais, mas tudo pode acontecer. Como as coisas est\u00e3o andando r\u00e1pido, de alguma maneira, quem sabe\u2026 Mas s\u00e3o anos para consolidar uma experi\u00eancia. Ent\u00e3o, o que for poss\u00edvel iniciar esse ano, a gente vai iniciar.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m da do projeto da\u00a0<em>P\u00e1tria Grande<\/em>, o pr\u00f3prio presidente convocou no final do ano passado mil brigadistas do MST para virem para a Venezuela. Como voc\u00ea v\u00ea essa expans\u00e3o do movimento aqui na Venezuela e, principalmente, quais s\u00e3o os desafios para fazer essa essa expans\u00e3o aqui e essa participa\u00e7\u00e3o cada vez mais aprofundada?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9, essa acho que foi uma provoca\u00e7\u00e3o do presidente Maduro para que os sem terra do Brasil pudessem ocupar esse territ\u00f3rio e desenvolver toda a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Mas no MST, a compreens\u00e3o que n\u00f3s temos, e isso j\u00e1 \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do MST \u00e9 que n\u00e3o vai ter incentivo para que fam\u00edlias sem terra venham morar no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s temos entendido tamb\u00e9m \u00e9 que vai vir quantos militantes sejam necess\u00e1rios, t\u00e9cnicos, veterin\u00e1rios, agroflorestas, enfim, para contribuir na implementa\u00e7\u00e3o do projeto e ficar atuando no projeto at\u00e9 que ele se consolide e que as fam\u00edlias deem conta de de ir seguindo autonomamente.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o esse sonho do presidente de mil sem-terra ocupando o territ\u00f3rio n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel por um entendimento pol\u00edtico do MST mesmo. Quem tem a responsabilidade de assentar fam\u00edlias brasileiras sem-terra \u00e9 o governo brasileiro. E toda a\u00e7\u00e3o que o MST faz no Brasil \u00e9 nessa perspectiva.\u00a0<\/p>\n<p>Em 7 de mar\u00e7o, o presidente Lula esteve l\u00e1 no Quilombo Campo Grande, no Campo do Meio, foi um ato hist\u00f3rico. E a\u00ed esse tipo de a\u00e7\u00e3o que o governo brasileiro tem que continuar fazendo, n\u00e3o fazer um a cada per\u00edodo de tempo, mas sim permanentemente.<\/p>\n<p>No Brasil h\u00e1 essa estimativa de 140 mil fam\u00edlias que est\u00e3o nos acampamentos. Dessas, aproximadamente 100 mil fam\u00edlias est\u00e3o organizadas pelo MST. Ent\u00e3o ainda tem um n\u00edvel grande, uma quantidade grande de fam\u00edlias que est\u00e3o ainda sem saber quando ou onde v\u00e3o estar sendo assentadas. Ent\u00e3o \u00e9 responsabilidade do governo brasileiro. E isso tamb\u00e9m a gente tem enfatizado com as fam\u00edlias do pr\u00f3prio territ\u00f3rio da antiga La Vergare\u00f1a.<\/p>\n<p>Porque num primeiro momento com esse convite ou essa provoca\u00e7\u00e3o, esse an\u00fancio do presidente Maduro, as fam\u00edlias que moram l\u00e1 tamb\u00e9m questionaram. N\u00f3s j\u00e1 estamos aqui, porque vem outros de outro pa\u00eds? Ent\u00e3o tudo que n\u00f3s n\u00e3o queremos \u00e9 criar conflito.<\/p>\n<p><strong>Nesse sentido, qual a diferen\u00e7a na atua\u00e7\u00e3o do MST na Venezuela e no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Temos a responsabilidade de assentar fam\u00edlias brasileiras no territ\u00f3rio brasileiro. Aqui na Venezuela estamos para contribuir como militantes, como brigada do MST e nas v\u00e1rias \u00e1reas que precisar, sem pretens\u00e3o. A gente sabe tamb\u00e9m que isso \u00e9 normal que aconte\u00e7a, que alguns brigadistas, militantes casam, conformam fam\u00edlia e v\u00e3o ficando, isso n\u00e3o \u00e9 um problema, \u00e9 da natureza humana.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se alguns desses que virem para o projeto e decidirem ficar, s\u00e3o decis\u00f5es muito pessoais. Mas enquanto organiza\u00e7\u00e3o esse \u00e9 o entendimento. N\u00e3o temos mobiliza\u00e7\u00e3o para trazer fam\u00edlias brasileiras para c\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as da rela\u00e7\u00e3o do movimento com o governo Lula e o com o do Maduro? No caso do Brasil a luta pela reforma agr\u00e1ria e na Venezuela contribuir com a produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O que eu tenho observado aqui na Venezuela nessa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 que o que o presidente decreta, o que ele tem de projeto, o que ele quer fazer, deve ser feito a partir de todos os minist\u00e9rios que est\u00e3o envolvidos naquela decis\u00e3o, de maneira transversal. Isso no Brasil \u00e9 bem diferente.<\/p>\n<p>Primeiro que \u00e9 dif\u00edcil que o governo brasileiro decrete, do ponto de vista de um decreto presidencial, alguma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica social. Seja no campo da reforma agr\u00e1ria, seja no campo da educa\u00e7\u00e3o, seja em qualquer outra \u00e1rea da sa\u00fade. \u00c9 muito dif\u00edcil que tenhamos decretos presidenciais nesta perspectiva e aqui \u00e9 poss\u00edvel e a cada momento isso acontece.<\/p>\n<p>Uma outra diferen\u00e7a no meu entendimento \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, o povo. Maduro est\u00e1 sempre nas a\u00e7\u00f5es que a popula\u00e7\u00e3o que as organiza\u00e7\u00f5es populares organizam.<\/p>\n<p>Faz uma sauda\u00e7\u00e3o ao povo, est\u00e1 sempre aberto, acho que isso \u00e9 bastante diferente do que no Brasil que, para estar ali num evento \u00e9 muito dif\u00edcil. O \u00faltimo evento que participamos com Lula foi o primeiro em quase 3 anos e meio de governo do terceiro mandato Lula, que ele foi numa atividade do MST, por exemplo.<\/p>\n<p>E aqui \u00e9 mais mais presente, mais direto. E n\u00e3o fala apenas para os seus minist\u00e9rios, ministros, executivos\u2026 Aqui tem uma rela\u00e7\u00e3o direta com o povo, um di\u00e1logo direto.\u00a0 E a terceira observa\u00e7\u00e3o que acho que o governo brasileiro perde muito \u00e9 desse aspecto da comunica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>No Brasil o governo n\u00e3o consegue divulgar. Mesmo que fa\u00e7a, n\u00e3o consegue divulgar os resultados de forma mais clara e permanente com a popula\u00e7\u00e3o brasileira. E aqui a cada dia tem os dados, o que foi foi efetivado, que foi implementado, o que falta. \u00c9 um di\u00e1logo direto e claro.<\/p>\n<p>O papel da comunica\u00e7\u00e3o, do que simbolicamente tamb\u00e9m \u00e9 bastante presente, de ter as palavras de ordem nos muros, de ter a arte, expressando toda essa comunica\u00e7\u00e3o, de ter o programa semanal na TV estatal. E sempre ao vivo. Ent\u00e3o, isso \u00e9 bem diferente da realidade brasileira. E sempre a as presen\u00e7as dele em atos, enfim, independente do que seja, t\u00e1 sempre esse essa comunica\u00e7\u00e3o direta. Isso \u00e9 muito bom.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Em 2 anos aqui, al\u00e9m do Projeto P\u00e1tria Grande, quais s\u00e3o os outros objetivo que voc\u00ea vislumbra para o MST na Venezuela? No sentido de metas e objetivos<\/strong><\/p>\n<p>Como a brigada j\u00e1 existe h\u00e1 duas d\u00e9cadas na Venezuela, ent\u00e3o j\u00e1 tem um pouco de trabalho consolidado e as linhas de atua\u00e7\u00e3o.\u00a0 Para al\u00e9m do projeto que \u00e9 novo, tamb\u00e9m temos trabalho que envolve educa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o, e produ\u00e7\u00e3o no estado de Lara, no estado Sucre, em M\u00e9rida e aqui no entorno do Distrito Capital. O foco acaba sendo essas \u00e1reas.<\/p>\n<p>O MST tem militantes nesses territ\u00f3rios que v\u00e3o acompanhar o trabalho tamb\u00e9m da Uni\u00e3o Comunera, que est\u00e1 muito vinculado ao trabalho nos territ\u00f3rios e tamb\u00e9m um atendimento a agendas diversas, para falar sobre a experi\u00eancia do MST. E apresentar hoje o projeto\u00a0<em>P\u00e1tria Grande<\/em>\u00a0\u00e9 um dos que tem chamado muita aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com quem a gente atua.<\/p>\n<p>Eu penso que alavancar o que j\u00e1 temos feito e manter o que temos desenvolvido aqui. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m um outro ponto que n\u00f3s queremos que \u00e9 conceber um pouco mais para a atua\u00e7\u00e3o do MST no Brasil essa ideia do poder popular. Como se constr\u00f3i o poder popular? Como se mant\u00e9m esse poder? Como que vislumbram a perspectiva de uma outra sociedade desde a base, desde o territ\u00f3rio, at\u00e9 o povo? Que tenha o Estado, que tenha o governo, mas \u00e9 o povo que vai construindo. Vai sustentar todo esse projeto. E no Brasil a gente tem esse debate de que um projeto popular para o Brasil est\u00e1 muito longe de ser concretizado.<\/p>\n<p>Da forma que historicamente vem sendo constru\u00eddo. Ent\u00e3o, eu tendo a compreender que se n\u00e3o tiver o povo organizado, que sustenta um projeto, tem um projeto, por mais bonito que seja, ele se viabiliza. E isso a gente quer aproveitar dessa oportunidade, de estar vivendo nesse pa\u00eds que tem um projeto bonito, tem uma constru\u00e7\u00e3o bonita e, ao contr\u00e1rio do que alguns pensam, inclusive alguns da esquerda brasileira de que Venezuela \u00e9 um pa\u00eds ditatorial, da ditadura permanente, aqui \u00e9 um pa\u00eds muito democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Eu dizia outro dia que, se toda a ditadura fosse t\u00e3o democr\u00e1tica e fizesse consultas populares permanentes, n\u00e3o haveria ditadura no mundo. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 um exemplo de organiza\u00e7\u00e3o popular, de poder popular que n\u00f3s temos, que acumular tamb\u00e9m nessas experi\u00eancias. Com muita humildade de entender esses processos. E de absorver tamb\u00e9m para contribuir nos nossos desafios nacionais brasileiro.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0Rodrigo Dur\u00e3o Coelho<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/03\/31\/com-ajuda-do-mst-projeto-no-sul-da-venezuela-pretende-garantir-soberania-alimentar-do-pais\/\">Com ajuda do MST, projeto no sul da Venezuela pretende garantir soberania alimentar do pa\u00eds<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/flavio-bolsonaro-contradiz-aliados-e-reafirma-que-pediu-dinheiro-a-daniel-vorcaro-para-financiar-filme\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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