{"id":20275,"date":"2025-04-04T17:24:36","date_gmt":"2025-04-04T20:24:36","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/uma-historia-da-resistencia-a-ditadura\/"},"modified":"2025-04-04T17:24:36","modified_gmt":"2025-04-04T20:24:36","slug":"uma-historia-da-resistencia-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/uma-historia-da-resistencia-a-ditadura\/","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria da resist\u00eancia \u00e0 ditadura"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"736\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/5154491325851217720.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/5154491325851217720.jpg 1000w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/5154491325851217720-300x221.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/5154491325851217720-768x565.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\"><figcaption>O tenente-coronel aviador Alfeu de Al\u00e2ntara Monteiro com Leionel Brizola, na resist\u00eancia ao golpe, em 1961<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>T\u00edtulo original:<br \/><\/strong>Ai de ti, 64<\/p>\n<p>A Malena Monteiro.<br \/>A Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro, <em>in memoriam<\/em>.<\/p>\n<h3><strong>1<\/strong>.<\/h3>\n<p>H\u00e1 uma pra\u00e7a de menos em Porto Alegre. Essa pra\u00e7a deveria se chamar \u201cTenente-Coronel Aviador Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro nasceu em Itaqui, Rio Grande do Sul, em 31 de mar\u00e7o de 1922. A Semana de Arte Moderna tinha um m\u00eas e meio de realiza\u00e7\u00e3o. Naquele ano tamb\u00e9m seria fundado o Partido Comunista do Brasil. O menino Alfeu tinha tr\u00eas meses e meio de vida quando do epis\u00f3dio dos 18 do Forte, em Copacabana.<\/p>\n<p>Tinha dois anos mais ou menos quando o capit\u00e3o Lu\u00eds Carlos Prestes come\u00e7ou a marcha de sua coluna, naquela regi\u00e3o mesma em que nascera Alfeu, nas Miss\u00f5es. Tinha oito anos na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, dez na revolta de 32, 20 quando o Brasil entrou na Segunda Guerra, ao lado dos aliados e da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, contra os nazi-fascistas e o Eixo. Teria 44 anos rec\u00e9m- completos ao morrer, em 4 de abril de 1964, em consequ\u00eancia do golpe dado tr\u00eas dias antes.<\/p>\n<p>Em 1941 ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, e em 1942 passou para a Escola da Aeron\u00e1utica, onde se formou como aspirante em 1943, designado para servir na base a\u00e9rea de Fortaleza.<\/p>\n<p>Fez uma carreira bastante protocolar e r\u00e1pida, marcada por elogios oficiais. Recebeu louvores individuais em diversas ocasi\u00f5es. Em 1946 j\u00e1 era tenente aviador e estava na Base A\u00e9rea de S\u00e3o Paulo. Em 1947 estava de volta na Escola de Aeron\u00e1utica, no Rio de Janeiro, onde recebeu louvor, destacando \u201csuas qualidades de car\u00e1ter e esmerada educa\u00e7\u00e3o, aliadas \u00e0 correta no\u00e7\u00e3o de disciplina e dos assuntos profissionais, que o fazem despontar entre os oficiais de escol da FAB\u201d. Serviu ainda em Natal nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Por seus m\u00e9ritos integrou a equipe de oficiais aviadores que em 1948 foi buscar os avi\u00f5es de combate Gloster Meteor adquiridos nos Estados Unidos. Nos dez anos seguintes serviu em Natal, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e na Base A\u00e9rea de Canoas, munic\u00edpio da Grande Porto Alegre. Recebeu v\u00e1rios elogios em sua folha de servi\u00e7o por participa\u00e7\u00e3o em eventos esportivos e em manobras de campo, simulando combates.<\/p>\n<p>Muitos desses elogios ressaltam sua capacidade de superar dificuldades e precariedades provocadas por falta de suprimentos ou aparelhos adequados.<\/p>\n<p>Em 1957 recebeu um elogio por escrito do brigadeiro do ar Nelson Freire Lavan\u00e8re Wanderely, do Comando da Primeira Zona A\u00e9rea. Em 1964 o j\u00e1 tenente-coronel Alfeu Alc\u00e2ntara Monteiro seria acusado de tentar assassinar o brigadeiro Lavan\u00e8re Wanderley na Base A\u00e9rea de Canoas.<\/p>\n<p>Em 1958 fez o curso do Estado Maior da Aeron\u00e1utica no Rio de Janeiro. Em 1959 passou a integr\u00e1-lo, e em dezembro desse ano estava servindo na Sub-Se\u00e7\u00e3o do Exterior do Comando de Seguran\u00e7a Nacional. Nos elogios recebidos em sua folha de servi\u00e7o nesta fun\u00e7\u00e3o, destacam-se os seguintes termos e express\u00f5es: \u201cpersonalidade marcante\u201d, \u201cdestacado piloto da FAB\u201d, \u201cimpec\u00e1vel apresenta\u00e7\u00e3o\u201d, \u201ccorre\u00e7\u00e3o e franqueza de atitudes\u201d, \u201cdiscreto, trabalhador e inteligente\u201d, \u201cesp\u00edrito de coopera\u00e7\u00e3o\u201d. Diz o elogio de 27 de julho de 1960: \u201cEmbora constantemente solicitado para cumprir seus deveres como piloto da FAB, tem em dia seus encargos\u201d.<\/p>\n<p>Em 31 de janeiro de 1964 recebeu o que provavelmente foi seu \u00faltimo elogio oficial, da parte do General de Divis\u00e3o Ernestino Gomes de Oliveira, diretor geral de Sa\u00fade do Ex\u00e9rcito, nos seguintes termos: \u201cTenente Coronel Aviador Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro, oficial disciplinado, competente e proficiente, comandou com destreza e perfei\u00e7\u00e3o o transporte de que me utilizei. Sempre pronto para o servi\u00e7o, o Ten. Cel. Alfeu deu demonstra\u00e7\u00e3o cabal de pontualidade e de esp\u00edrito militar Louvo pois o Ten. Cel. Alfeu e auguro-lhe o melhor \u00eaxito em sua brilhante carreira\u201d.<\/p>\n<p>Tudo isso consta de c\u00f3pia autenticada da folha corrida do tenente-coronel, que lhe foi passada em 23 de mar\u00e7o de 1964, na Base A\u00e9rea de Canoas, de que tenho reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>2.<\/strong><\/h3>\n<p>Aqui vale a pena transcrever trecho do seu obitu\u00e1rio, publicado em 5 de abril daquele ano, no Di\u00e1rio de Not\u00edcias de Porto Alegre: \u201c[serviu] no Comando de Seguran\u00e7a Nacional at\u00e9 fevereiro de 1961. Foi exonerado nesse m\u00eas daquele \u00f3rg\u00e3o, ficando 90 dias sem fun\u00e7\u00e3o e sem vencimentos, ao que dizem por ser antijanista. Ao terceiro m\u00eas de afastamento foi classificado em Recife. Este fato levou-o a dirigir carta a um oficial do Minist\u00e9rio da Aeron\u00e1utica, dizendo-lhe que s\u00f3 lhe servia Porto Alegre, pretens\u00e3o que lhe foi satisfeita um pouco mais tarde. Quando da ren\u00fancia do senhor J\u00e2nio Quadros e com a ida do brigadeiro Aureliano Passos para o Rio, Alfeu Monteiro assumiu o comando da Quinta Zona A\u00e9rea, em face de sua liga\u00e7\u00e3o com o esquema organizado pelo senhor Leonel Brizola\u201d.<\/p>\n<p>O \u201cesquema organizado pelo Sr. Leonel Brizola\u201d era a Rede da Legalidade, para garantir a posse de Jo\u00e3o Goulart na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em agosto\/setembro de 1961, diante da disposi\u00e7\u00e3o golpista dos ministros militares Odylio Denis (do Ex\u00e9rcito, ent\u00e3o dito da Guerra), S\u00edlvio Heck (Marinha) e Grum Moss (Aeron\u00e1utica) para impedi-la. De fato, o tenente-coronel acabou tendo participa\u00e7\u00e3o decisiva nos acontecimentos.<\/p>\n<p>No torvelinho pol\u00edtico que se seguiu \u00e0 inesperada ren\u00fancia de J\u00e2nio, a obstina\u00e7\u00e3o do governador do Rio Grande do Sul em n\u00e3o se dobrar diante da tentativa de golpe exasperou o comando militar em Bras\u00edlia. For\u00e7ado pelas circunst\u00e2ncias e por v\u00e1rios de seus comandados, entre eles os generais Pery Bevilacqua e Oromar Os\u00f3rio, o comandante do III\u00ba Ex\u00e9rcito, general Machado Lopes, decidiu tamb\u00e9m se insurgir contra o golpe.<\/p>\n<p>Nesse momento, o gabinete do Minist\u00e9rio da Guerra transmitiu ao general Machado Lopes a seguinte mensagem, \u00e0s 6h 28 de agosto: \u201cO III\u00ba Ex\u00e9rcito deve compelir imediatamente o sr.<\/p>\n<p>Leonel Brizola a p\u00f4r termo \u00e0 a\u00e7\u00e3o subversiva que vem desenvolvendo e que se traduz pelo deslocamento e concentra\u00e7\u00e3o de tropas (\u2026) Fa\u00e7a convergir sobre Porto Alegre toda a tropa do Rio Grande do Sul que julgar conveniente, inclusive a 5\u00aa DI, se necess\u00e1rio. Empregue a Aeron\u00e1utica, realizando inclusive o bombardeio, se necess\u00e1rio (\u2026)\u201d. (5a.\u00a0DI, Divis\u00e3o de Infantaria, assim chamada ent\u00e3o, com sede em Curitiba, hoje integrando a 5a. Divis\u00e3o do Ex\u00e9rcito).<\/p>\n<p>Radioamadores captaram a mensagem. A senha definitiva para o ataque a\u00e9reo, que tamb\u00e9m chegou a ser transmitida era: \u201cTudo azul em Cumbica. Boa viagem\u201d, porque os jatos da Base A\u00e9rea de Canoas, depois da miss\u00e3o, deveriam seguir para aquela base em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em Canoas seguiram-se momentos indescrit\u00edveis de tens\u00e3o. Alertados pelo capit\u00e3o Alfredo Daudt, os sargentos da base a\u00e9rea se insurgiram, decididos a impedir que os oficiais levantassem voo. Esses se dirigiram a um dos pr\u00e9dios para vestir os uniformes. A partir da\u00ed os relatos s\u00e3o muitos. Uns dizem que os pneus dos jatos foram esvaziados. Outros d\u00e3o conta que os sargentos cercaram os oficiais no pr\u00e9dio, e que todos, de ambos os lados, dispunham de armamento pesado e estavam dispostos \u00e0 luta.<\/p>\n<p>Ainda outros que eles deram as m\u00e3os formando uma corrente para evitar que os oficiais pudessem embarcar nos jatos.<\/p>\n<p>Os sargentos conseguiram enviar um jipe at\u00e9 o centro de Porto Alegre (naquele tempo o sistema de comunica\u00e7\u00f5es era muito prec\u00e1rio) para pedir ajuda. O jipe quase foi virado por uma multid\u00e3o enfurecida pela not\u00edcia da amea\u00e7a de bombardeio. Consta que um dos sargentos s\u00f3 conseguiu impedir o linchamento gritando que era parente de Brizola, o que n\u00e3o era verdade\u2026<\/p>\n<p>Os emiss\u00e1rios conseguiram passar, e o general Machado Lopes enviou uma for\u00e7a-tarefa para assumir o controle da situa\u00e7\u00e3o na Base A\u00e9rea. Foi feito um acordo: o comandante da base, brigadeiro Aureliano Passos, e os oficiais favor\u00e1veis ao golpe a abandonaram e foram para Cumbica. Assumiu o comando o tenente-coronel aviador Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro, legalista.<\/p>\n<p>Ao assumir o comando da base, o tenente- coronel deu declara\u00e7\u00f5es no sentido de tranquilizar a opini\u00e3o p\u00fablica. Anunciou \u2013 o que confirmava fatos sabidos da v\u00e9spera \u2013 que o brigadeiro Aureliano deixara a base com mais oficiais levando os jatos que seriam utilizados no bombardeio da cidade, em n\u00famero de dez<\/p>\n<p>\u00a0Alegava que isso afastava o perigo do ataque, e, al\u00e9m disso, negava a exist\u00eancia da ordem que a base, de fato, recebera: \u201cNa realidade os oficiais, inclusive o comandante da Esquadrilha de Ca\u00e7as, estavam contr\u00e1rios \u00e0 atitude para que a FAB bombardeasse o Pal\u00e1cio de Governo ou qualquer outro local\u201d. Esse \u201cqualquer outro local\u201d seriam pelo menos as torres da R\u00e1dio Gua\u00edba, base da Rede da Legalidade que o governo ga\u00facho j\u00e1 formara em escala nacional.<\/p>\n<p>Li, tempo atr\u00e1s, um depoimento do escritor mineiro Oswaldo Fran\u00e7a J\u00fanior (1936-1989), que conheci pessoalmente no restaurante Dona Lucinha, em Belo Horizonte, onde tinha mesa fixa, sobre os acontecimentos na Base A\u00e9rea de Canoas, onde ele servia como oficial aviador.<\/p>\n<p>No seu depoimento ele confirmava a ordem de bombardeio. Dizia que houvera uma intensa discuss\u00e3o entre os oficiais se a ordem deveria ser cumprida ou n\u00e3o. A decis\u00e3o final da maioria dos oficiais foi positiva, e e passaram a noite se preparando para o ataque. Este s\u00f3 n\u00e3o aconteceu devido \u00e0 interven\u00e7\u00e3o dos sargentos e dos oficiais legalistas. Oswaldo Fran\u00e7a J\u00fanior acabaria cassado e expulso da Aeron\u00e1utica em 1964.<\/p>\n<p>Entretanto, alguns dias depois, o tenente-coronel Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro daria nova entrevista ao mesmo jornal (o <em>Jornal do Dia<\/em>), em 3 de setembro, em que denunciava manobras dos ministros de Bras\u00edlia para \u201cdesunir\u201d as for\u00e7as da Legalidade, segundo as quais ele n\u00e3o mais obedeceria \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o prevalecente no Rio Grande do Sul. Diz o texto: \u201cTrata-se de uma manobra do Minist\u00e9rio para tentar separar as for\u00e7as do Rio Grande, Terceiro Ex\u00e9rcito, FAB e governo do Estado. Estamos indissoluvelmente unidos e reina harmonia nas for\u00e7as da Legalidade\u201d.<\/p>\n<p>Essa harmonia n\u00e3o devia ser tanta assim. A pr\u00f3pria not\u00edcia, mais adiante, dizia curiosamente que na Base A\u00e9rea de Canoas havia 216 sargentos, cabos e soldados prisioneiros de cerca de 30 oficiais. Ou seja, isso mostra que houvera, ao lado da negocia\u00e7\u00e3o sobre o impedimento do bombardeio do centro de Porto Alegre, uma negocia\u00e7\u00e3o formal sobre o destino das ordens e contraordens dadas, recebidas e de fato n\u00e3o cumpridas.<\/p>\n<p>Mas de certo modo os avi\u00f5es tinham cumprido a ordem recebida, ou seja, decolaram de Canoas e pousaram em Cumbica. Se n\u00e3o realizaram o bombardeio \u00e9 porque n\u00e3o tinham bombas nas asas, impedidas de embarcar pelos sub-oficiais e pela presen\u00e7a da for\u00e7a-tarefa enviada pelo general Machado Lopes. Ao mesmo tempo, os suboficiais e pra\u00e7as rebelados permaneceram sob a cust\u00f3dia dos oficiais remanescentes.<\/p>\n<p>Mantinha esse delicado equil\u00edbrio a presen\u00e7a e o prest\u00edgio do tenente-coronel aviador Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro. N\u00e3o deixava de ser uma sa\u00edda conciliat\u00f3ria: tudo estava de acordo com os manuais, e dessa forma a carreira de ningu\u00e9m seria prejudicada, \u00e9 o que se pode concluir.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a ordem de bombardeio houve, e s\u00f3 n\u00e3o se cumpriu gra\u00e7as \u00e0 decis\u00e3o contr\u00e1ria dos sargentos, dos suboficiais, e dos oficiais legalistas, logo a seguir amparada pela atitude do tenente-coronel, assumindo o comando da Base A\u00e9rea. O cumprimento da ordem teria consequ\u00eancias imprevis\u00edveis: o Pal\u00e1cio Piratini, alvo do bombardeio, fica em local densamente povoado; nesta \u00e9poca j\u00e1 havia at\u00e9 alguns edif\u00edcios ao seu redor. A Pra\u00e7a da Matriz (oficialmente Marechal Deodoro), como a popula\u00e7\u00e3o ainda a chama, em frente ao Pal\u00e1cio, estava sempre cheia de povo, naqueles dias de mobiliza\u00e7\u00e3o. Haveria um mortic\u00ednio, como o que houve em junho de 1955 em Buenos Aires, quando avi\u00f5es da Marinha e da Aeron\u00e1utica bombardearam a Casa Rosada e outros pr\u00e9dios p\u00fablicos numa tentativa de derrubar Per\u00f3n.<\/p>\n<h3><strong>3.<\/strong><\/h3>\n<p>Minha fam\u00edlia morava na rua Dem\u00e9trio Ribeiro, a quatro quadras do Pal\u00e1cio Piratini. Na manh\u00e3 em que se espalhou a not\u00edcia do poss\u00edvel bombardeio presenciei cenas dignas de um document\u00e1rio sobre a Segunda Guerra Mundial: fam\u00edlias batendo em retirada pela rua, levando malas com roupas e outros pertences. Na noite que se seguiu, ainda sob a sombra da amea\u00e7a, n\u00f3s mesmos fomos dormir no apartamento de uma amiga da fam\u00edlia, muitas quadras mais distante.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dos acontecimentos de Canoas foi atestada pelo fato de que na Base A\u00e9rea come\u00e7aram as comemora\u00e7\u00f5es do Sete de Setembro seguinte, quando a crise da posse de Goulart j\u00e1 estava resolvida. \u00c0s 9 hs houve um desfile que homenageava as autoridades que para l\u00e1 se deslocaram: o governador Brizola, o general Machado Lopes, o comandante da Brigada Militar, o arcebispo do Rio Grande do Sul. No fundo, os homenageados por tal deslocamento eram os pra\u00e7as, sargentos, suboficiais e oficiais legalistas da base. Nas fotos publicadas na imprensa, o tenente-coronel Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro tem lugar de destaque.<\/p>\n<p>Neste momento o vice-presidente Jo\u00e3o Goulart j\u00e1 embarcara para Bras\u00edlia, depois de chegar a Porto Alegre ao fim de uma longa viagem a partir da China, onde estava quando da ren\u00fancia de J\u00e2nio, com escala final em Montevid\u00e9u. A ida de Jo\u00e3o Goulart para a capital da Rep\u00fablica, depois da sua aceita\u00e7\u00e3o da emenda parlamentarista, tamb\u00e9m teve participa\u00e7\u00e3o especial da FAB. Partid\u00e1rios do golpe montaram uma opera\u00e7\u00e3o para derrubar o avi\u00e3o presidencial, a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Mosquito\u201d. Contr\u00e1ria a ela, e com a participa\u00e7\u00e3o de sargentos e suboficiais de Bras\u00edlia, montou-se uma \u201cOpera\u00e7\u00e3o T\u00e1tica\u201d destinada a impedir que aviadores golpistas pudessem cumprir aquela determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A base da \u201cOpera\u00e7\u00e3o T\u00e1tica\u201d foi o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, de onde partiu o avi\u00e3o presidencial. Fizeram parte dela iniciativas como a de impedir que os demais aeroportos do caminho obtivessem informa\u00e7\u00f5es sobre o plano de voo, e de divulga\u00e7\u00e3o de dados meteorol\u00f3gicos enganosos sobre o sul do Brasil, como a de que chuvas torrenciais impediam o sobrevoo de Porto Alegre. O comandante da \u201cOpera\u00e7\u00e3o T\u00e1tica\u201d foi o tenente Generoso Resende Lacerda, mas o respons\u00e1vel por todas as ordens, mais as mensagens enganosas para o resto do pa\u00eds, foi o tenente-coronel Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro.<\/p>\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o proeminente nos acontecimentos de 1961 valeu a ele algumas promo\u00e7\u00f5es a seguir. Duas s\u00e3o muito significativas. Chegou a ser piloto do avi\u00e3o presidencial, depois da posse de Jo\u00e3o Goulart. E foi nomeado para dirigir a Superintend\u00eancia da Fronteira Sudoeste, que abrangia os estados sulinos mais o Estado do Mato Grosso (hoje, na regi\u00e3o, Mato Grosso do Sul). Mas o tenente-coronel aviador n\u00e3o permaneceu nos cargos. Do primeiro n\u00e3o tenho informa\u00e7\u00e3o de por que nem quando saiu.<\/p>\n<p>Mas do segundo afastou-se em 20 de janeiro de 1963, enviando o seguinte telegrama \u00e0s autoridades competentes: \u201cInformo Voss\u00eancia serei substitu\u00eddo breve Superintend\u00eancia Fronteira Sudoeste devido imposi\u00e7\u00e3o governador Leonel Brizola e presidente PTB Rio Grande do Sul o estrangeiro [sic] Jo\u00e3o Caruso. Motivo real n\u00e3o mencionado presidente Jango \u00e9 que n\u00e3o sou pol\u00edtico e assim jamais permitirei transformar \u00f3rg\u00e3o sob minha dire\u00e7\u00e3o em cabide de emprego para cabos eleitorais que dever\u00e3o agir pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es para prefeito de Palegre e outros munic\u00edpios do RGS. Adianto voss\u00eancia que pessoalmente s\u00f3 tenho preju\u00edzos naquela fun\u00e7\u00e3o. Esses preju\u00edzos estavam sendo compensados tendo em vista possibilidades promover patrioticamente desenvolvimento socioecon\u00f4mico \u00e1rea Fronteira Sudoeste, no menor espa\u00e7o de tempo, com m\u00e1xima economia, contando naturalmente coopera\u00e7\u00e3o governo objetivo e prof\u00edcuo voss\u00eancia e demais governadores, conforme poder\u00e3o testemunhar elementos credenciados [n]esse Estado e outros compreendidos fronteira Sudoeste, que l\u00e1 estiveram e presenciara[m] a minha orienta\u00e7\u00e3o administrativa imprimida ao \u00f3rg\u00e3o. Lamento informar voss\u00eancia esses fatos mas fa\u00e7o pretendendo ressalvar minha responsabilidade no caso e dar nome aos bois, para que o povo dos quatro estados, que fazem parte da \u00e1rea, n\u00e3o fique \u00e0s escuras sobre o assunto. Sentindo n\u00e3o mais poder dedicar meus esfor\u00e7os nessa dire\u00e7\u00e3o, despe\u00e7o-me atenciosamente. Alfeu de Alc\u00e2ntar Monteiro, tenente-coronel aviador.<\/p>\n<h3><strong>4.<\/strong><\/h3>\n<p>Pouco depois de deixar a superintend\u00eancia, o tenente-coronel se envolveu numa luta de rua em Porto Alegre, ao ser interpelado por guardas de tr\u00e2nsito de forma que considerou inadequada. O epis\u00f3dio se passou \u00e0s 23 h de um s\u00e1bado, no m\u00eas de fevereiro, e acabou na Chefatura de Pol\u00edcia, al\u00e9m de ser publicado com estardalha\u00e7o em jornais do dia seguinte.<\/p>\n<p>Por esse tempo o tenente-coronel havia se separado da esposa e constitu\u00eddo nova fam\u00edlia. A primeira foi residir no Rio. Mas ao longo de 1963 ele acabou reconsiderando sua situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reconciliou-se com a primeira esposa, decidindo ambos voltar a morar juntos. Querendo seguir para o Rio, dirigiu-se para a Base A\u00e9rea de Canoas a fim de colher documentos e pertences que l\u00e1 deixara. E foi onde estava quando come\u00e7ou o golpe, na madrugada de 1\u00ba de abril, depondo o presidente Jo\u00e3o Goulart. O comandante da base, brigadeiro Otelo da Rocha Ferraz, deixou o local depois de ser nomeado novo comandante pelos golpistas, o brigadeiro Nelson Lavan\u00e8re Wanderely. Mas os sargentos e suboficiais, inconformados, se rebelaram. E junto com eles estava o seu antigo Comandante da Legalidade.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil saber exatamente o que aconteceu a seguir. Lavan\u00e8re Wanderley se apresentou na base acompanhado pelo coronel-aviador Roberto Hip\u00f3lito da Costa. Por volta das 21h do s\u00e1bado, 4 de abril de 1964, reuniram-se numa sala do comando com o tenente-coronel.<\/p>\n<p>Estavam apenas os tr\u00eas. Segundo informa\u00e7\u00f5es da imprensa, houve um tiroteio. A vers\u00e3o divulgada estabelecia que, ao receber ordem de pris\u00e3o, ou de se apresentar no Rio de Janeiro, o tenente-coronel Alfeu se insurgiu, sacou da arma, fez cinco disparos contra o brigadeiro, \u00e0 queima-roupa, acertando um ou dois de rasp\u00e3o. No futuro, ao ser empossado como ministro da Aeron\u00e1utica, o brigadeiro tinha, segundo o ministro que lhe transmitia o cargo, a cicatriz de um ferimento de rasp\u00e3o no olho. Uma vers\u00e3o diz que \u201celementos de seguran\u00e7a\u201d acorreram e alvejaram o tenente-coronel.<\/p>\n<p>Outra, que foi a vers\u00e3o levada a julgamento, estabeleceu que o autor dos disparos contra o tenente-coronel foi o coronel Hip\u00f3lito. A nota oficial distribu\u00edda pela Aeron\u00e1utica em 5 de abril dizia que o tenente-coronel fora morto por \u201ccircunstante\u201d. De um modo geral, os coment\u00e1rios ressaltavam que o oficial morto era de \u201ctend\u00eancias brizzolistas\u201d (sic). Numa circunst\u00e2ncia, pelo menos, foi chamado de \u201cfan\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p>Tempos depois, o coronel Hip\u00f3lito foi a julgamento no Rio de Janeiro, sendo absolvido. Segundo o notici\u00e1rio, a alega\u00e7\u00e3o da defesa foi a de leg\u00edtima defesa de terceiros. O caso \u00e9 at\u00e9 hoje mencionado em publica\u00e7\u00f5es de todos os tipos, impressas ou na internet, desde as que arrolam as v\u00edtimas da ditadura \u00e0quelas que fazem a apologia do golpe e acusam o tenente-coronel de ter atentado contra a vida do brigadeiro Lavan\u00e8re. As vers\u00f5es extremas falam em assassinato com 16 tiros de metralhadora, ou com um \u00fanico tiro, disparado pelo coronel Hip\u00f3lito em defesa do brigadeiro. Sobre o acontecimento, obtive depoimento da filha do tenente-coronel, Malena Monteiro.<\/p>\n<p>Conversamos em 22 de maio de 1983, em Bras\u00edlia, depois de uma correspond\u00eancia que come\u00e7ou em 1980. Caracterizou seu pai como um homem impulsivo, algo autorit\u00e1rio e ao mesmo tempo carinhoso, dividido em casa entre manter a ordem e cuidar das meias, dos sapatos e das roupas dos filhos. Era nacionalista, n\u00e3o de esquerda. Disse tamb\u00e9m que por ocasi\u00e3o da morte do pai a fam\u00edlia recebeu cinco passagens para ir do Rio a Porto Alegre da Varig, mas chegaram atrasados ao enterro, que se deu no dia 5 de abril, no cemit\u00e9rio de S\u00e3o Miguel e Almas, com honras militares. Depois, no Rio, foram perseguidos e amea\u00e7ados por oficiais da Aeron\u00e1utica, o que fez sua m\u00e3e mudar-se para a Inglaterra.<\/p>\n<p>No dia da morte do pai ela disse terem os tr\u00eas, Lavan\u00e8re, Alfeu e Hip\u00f3lito, se dirigido para um gabinete do QG. Fecharam-se l\u00e1 dentro, e depois de uma discuss\u00e3o ocorreram os disparos.<\/p>\n<p>O tenente-coronel foi atingido por oito disparos, sendo quatro pelas costas e quatro pela frente.<\/p>\n<p>Como os disparos estavam em linha ascendente, suspeitou-se de uma metralhadora, mas \u00e9 verdade que uma pistola autom\u00e1tica faria o mesmo efeito. Sup\u00f5e-se que ao ser atingido pelas costas ele tenha se virado, e recebido novos disparos pela frente. Um gesto desses levanta a hip\u00f3tese de que o brigadeiro Lavan\u00e8re tenha sido atingido de rasp\u00e3o por uma das balas disparadas pelo coronel Hip\u00f3lito. Neste caso, o tenente-coronel Alfeu n\u00e3o atirou primeiro, e se chegou a sacar a arma foi para se defender, ao contr\u00e1rio da vers\u00e3o oficial, em que ele foi o agressor.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma vers\u00e3o dos acontecimentos que afirma ter o tenente-coronel apenas amea\u00e7ado o brigadeiro com sua arma, e que com a chegada do coronel Hip\u00f3lito e outros assessores come\u00e7ou \u201cuma troca de tiros\u201d.<\/p>\n<p>Mas, segundo Malena, quem acorreu de fora para dentro foi o ajudante de ordens do tenente- coronel. Ele, ao entrar, deparou-se com a cena consumada. Disse-me que este rapaz tamb\u00e9m foi perseguido pelos vencedores do golpe, bem como v\u00e1rios sargentos e oficiais da base, entre eles o capit\u00e3o Alfredo Daudt, que estava presente na base no momento do tiroteio.<\/p>\n<p>Seu pai foi levado para o Hospital do Pronto Socorro em Porto Alegre, onde chegou com vida e ainda sobreviveu por meia hora. N\u00e3o falou sobre os acontecimentos, s\u00f3 sobre os filhos. Ela disse que a fam\u00edlia soube de alguns desses fatos por uma freira, que estava presente no hospital, e que o m\u00e9dico que atendeu seu pai resolveu calar-se, por medo das consequ\u00eancias. Na ocasi\u00e3o em que a entrevistei, o coronel Hip\u00f3lito j\u00e1 tinha morrido. O brigadeiro Lavan\u00e8re tamb\u00e9m, ou morreu algum tempo depois. Em nenhum momento, em nenhum documento, encontrei refer\u00eancia a exame de bal\u00edstica nas armas presentes.<\/p>\n<p>O que se passou exatamente naquela sala? Jamais se saber\u00e1. Ela virou uma caixa-preta. S\u00f3 poderia se saber com exames de bal\u00edstica nessa altura imposs\u00edveis, com o exame da sala em busca de poss\u00edveis vest\u00edgios que tenham ficado depois de tantos anos, com a exuma\u00e7\u00e3o dos restos mortais do tenente-coronel. O depoimento de Malena, a partir do da freira e do ajudante de ordens, \u00e9 consistente.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o de que seu pai disparou cinco tiros a queima-roupa e errou todos \u00e9 inveross\u00edmil.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 a de que tenha sido atingido por um \u00fanico tiro, pois ainda foi transportado para o Hospital do Pronto Socorro em Porto Alegre e l\u00e1 sobreviveu por meia hora, e falando. \u00c9 certo mesmo que tenha sido atingido v\u00e1rias vezes e tenha morrido em consequ\u00eancia da hemorragia e da fal\u00eancia de \u00f3rg\u00e3os atingidos.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o de que foi atingido por \u201cdezesseis tiros\u201d cabe na de que levou oito, pois como se sabe, um tiro nas condi\u00e7\u00f5es em que estavam, atravessa o corpo. Se o tenente-coronel foi atingido por oito, teria 16 orif\u00edcios pelo corpo. E \u00e9 poss\u00edvel mesmo que uma das balas disparadas pelo coronel Hip\u00f3lito tenha ferido o brigadeiro, saindo do corpo do tenente-coronel ou passando-lhe ao lado, enquanto este se virava. As vers\u00f5es divulgadas oficial ou oficiosamente se desmentem na sua multiplicidade.<\/p>\n<p>Mas o importante a ressaltar \u00e9 que o Golpe de 64 criou esse tipo de caixa-preta na vida de todo mundo. Sempre h\u00e1 algo que \u00e9 dif\u00edcil ou mesmo imposs\u00edvel de decifrar completamente. No caso, essa caixa-preta se refere \u00e0 vida de um homem com quem a cidade e o povo de Porto Alegre t\u00eam uma d\u00edvida imorredoura. Ele, os oficiais e os sargentos legalistas salvaram a cidade de um bombardeio criminoso.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2017 o juiz F\u00e1bio Hassan Ismael, da 2a. Vara Federal do munic\u00edpio de Canoas, em processo aberto a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico, determinou a retirada da express\u00e3o \u201cleg\u00edtima defesa\u201d do obitu\u00e1rio do tenente-coronel. Ficou estabelecido que ele foi \u201cexecutado\u201d, ou seja, assassinado.<\/p>\n<p>Depoimento de outras testemunhas auriculares, presentes perto da sala onde se deu o assassinato, registraram terem ouvido, antes de mais nada, disparos de uma arma pesada, que seria a do coronel Hip\u00f3lito. O tenente-coronel dispunha de uma pistola de calibre menor, o que corrobora a hip\u00f3tese de assassinato.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2015 decis\u00e3o da C\u00e2mara de Vereadores da cidade dera o nome dele a uma pra\u00e7a junto da avenida Get\u00falio Vargas, com a presen\u00e7a de um busto em sua homenagem. A pra\u00e7a que n\u00e3o h\u00e1 em Porto Alegre acabou sendo criada na vizinha Canoas.<\/p>\n<p>Em seu depoimento, Malena ressaltou que seu pai gostava de voar. Foi da\u00ed que pensei ser uma pra\u00e7a homenagem adequada a ele, j\u00e1 que elas costumam abrigar muitos p\u00e1ssaros, e estes tamb\u00e9m gostam de voar. De resto, s\u00f3 sei dizer que quando pedi a ela que me dissesse como era seu pai, ela teve um olhar que eu gostaria que vissem no rosto de minhas filhas, se a elas um dia lhes perguntarem qualquer coisa sobre mim.<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/historia-e-memoria\/uma-historia-da-resistencia-a-ditadura\/\">Uma hist\u00f3ria da resist\u00eancia \u00e0 ditadura<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/agencia-publica-lanca-podcast-sobre-as-digitais-do-fbi-na-lava-jato\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Ag\u00eancia P\u00fablica lan\u00e7a podcast sobre \u201cas digitais d...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/fim-da-fome-saude-e-bem-estar-educacao-e-agricultura-sustentavel-sao-metas-dos-ods-no-rs\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Fim da fome, sa\u00fade e bem-estar, educa\u00e7\u00e3o e agricul...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/governo-lanca-r-30-bilhoes-em-credito-para-motoristas-de-aplicativos-e-taxistas-e-altera-regras-para-motoboys\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Governo lan\u00e7a R$ 30 bilh\u00f5es em cr\u00e9dito para motori...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-independencia-politica-das-entidades-estudantis\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Sem-titulo-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">A independ\u00eancia pol\u00edtica das entidades estudantis...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tenente-coronel aviador Alfeu de Al\u00e2ntara Monteiro com Leionel Brizola, na resist\u00eancia ao golpe, em 1961 T\u00edtulo original:Ai de ti, 64 A Malena Monteiro.A Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro, in memoriam. 1. 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