{"id":20279,"date":"2025-04-04T20:05:42","date_gmt":"2025-04-04T23:05:42","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/guerra-cultural-hora-de-praticar-o-materialismo\/"},"modified":"2025-04-04T20:05:42","modified_gmt":"2025-04-04T23:05:42","slug":"guerra-cultural-hora-de-praticar-o-materialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/guerra-cultural-hora-de-praticar-o-materialismo\/","title":{"rendered":"Guerra cultural: hora de praticar o materialismo"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"574\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Sem-titulo-2.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Sem-titulo-2.jpeg 800w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Sem-titulo-2-300x215.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Sem-titulo-2-768x551.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><\/figure>\n<p>Por <strong>Amador Fern\u00e1ndez-Savater<\/strong>, no <em><a href=\"https:\/\/ctxt.es\/es\/20250301\/Firmas\/48884\/Amador-Fernandez-Savater-materialismo-batalla-cultural-derecha-mercado-convencer-seducir.htm\">CTXT<\/a><\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSomos uma derrota que governa\u201d. Leio esta dura caracteriza\u00e7\u00e3o do presente no \u00faltimo livro do fil\u00f3sofo Juan Manuel Arag\u00fces, <em>A escrita dos deuses<\/em>. Apesar de hoje governar uma coaliz\u00e3o de esquerda, onde se encontram as posi\u00e7\u00f5es antagonistas com as quais o autor se identifica, \u00e9 a direita (mais ou menos extrema) que leva a iniciativa no plano social, das ruas e do \u00e2nimo, colocando a esquerda na defensiva. O impulso de mudan\u00e7a radical na sociedade expresso pelo movimento 15M congelou-se, e as pol\u00edticas de esquerda limitam-se (no melhor dos casos) a medidas de conten\u00e7\u00e3o, incapazes de reverter as desigualdades estruturais.<\/p>\n<p>Por que a energia e a iniciativa mudaram de lado? Uma resposta que surge entre os atores de esquerda envolvidos no que se conhece como batalha cultural \u00e9 a seguinte: \u201cA direita tem mais dinheiro, mais meios e mais talento comunicativo\u201d. Esse \u201cmais\u201d explicaria a influ\u00eancia dos discursos de \u00f3dio, principalmente entre os mais jovens, a propaga\u00e7\u00e3o de fake news, o enfraquecimento das mensagens progressistas e dos horizontes de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas, por acaso houve mais dinheiro, mais meios e melhores estrat\u00e9gias midi\u00e1ticas durante a d\u00e9cada anterior, quando o desejo de mudan\u00e7a teve claramente a hegemonia social e cultural? E se n\u00e3o estivermos pensando corretamente sobre as for\u00e7as em jogo, assumindo que tudo \u00e9 uma quest\u00e3o quantitativa, de poder, de t\u00e9cnicas e engenharia social?<\/p>\n<p>O desafio pol\u00edtico, diz Juan Manuel Arag\u00fces, tamb\u00e9m \u00e9 filos\u00f3fico, tem a ver com maneiras de pensar. H\u00e1 modos de pensar que carregam em si mesmos a derrota. A batalha cultural \u00e9 uma disputa de mensagens contra mensagens, com os meios e as redes sociais como terreno \u00fanico ou privilegiado? Tudo se resume a ver quem coloca melhor a mensagem? Poder\u00edamos pensar a comunica\u00e7\u00e3o de outra forma?<\/p>\n<h3><strong>Idealismo e materialismo<\/strong><\/h3>\n<p>O livro de Juan Manuel Arag\u00fces reivindica a tradi\u00e7\u00e3o materialista do pensamento para as pr\u00e1ticas de emancipa\u00e7\u00e3o. Uma constela\u00e7\u00e3o da qual fazem parte desde Epicuro at\u00e9 Gilles Deleuze, passando por Spinoza e Marx, firmemente oposta ao idealismo. O que diz o idealismo? Arag\u00fces o resume assim: \u00e9 a cren\u00e7a de que um \u201cet\u00e9reo mundo de nomes\u201d define a realidade, det\u00e9m a verdade do real. O fundador da corrente idealista seria Plat\u00e3o, com sua famosa teoria de um mundo de ideias que rege acima da mat\u00e9ria imperfeita.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o problema do idealismo? Esse \u201cet\u00e9reo mundo de nomes\u201d simplifica (at\u00e9 o apagamento) a complexidade e riqueza do real, que consiste na emerg\u00eancia cont\u00ednua de diferen\u00e7as imposs\u00edveis de captar (sem mutila\u00e7\u00e3o) em ideias, conceitos ou esquemas a priori. O idealismo \u00e9 uma \u201cl\u00f3gica representativa\u201d que pretende dar conta da realidade, como se fosse um espelho, mas n\u00e3o consegue captar seu dinamismo de mudan\u00e7a e movimento.<\/p>\n<p>Da filosofia \u00e0 pol\u00edtica. A batalha cultural, tal como \u00e9 proposta hoje, n\u00e3o seria profundamente idealista? A verdade est\u00e1 na teoria ou nas narrativas, trata-se de transmitir essa verdade \u00e0s massas\/audi\u00eancias atrav\u00e9s da persuas\u00e3o (no caso da esquerda cl\u00e1ssica) ou da sedu\u00e7\u00e3o (no caso do populismo). Em ambos os casos, concede-se ao ideal \u2013 a teoria ou as narrativas \u2013 o privil\u00e9gio de definir o sentido do material. Os construtores de explica\u00e7\u00f5es e narrativas, os intelectuais ou <em>storytellers<\/em>, t\u00eam o poder e a ag\u00eancia nessa concep\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Como pensar em chave materialista? A verdade n\u00e3o est\u00e1 acima da mat\u00e9ria, em um c\u00e9u abstrato de ideias ou narrativas, mas na pr\u00f3pria mat\u00e9ria, em seu movimento perp\u00e9tuo, em sua produ\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de singularidades, na trama de rela\u00e7\u00f5es entre elas que constitui a vida. A mat\u00e9ria se define assim como um \u201ctecido de diferen\u00e7as\u201d. Tamb\u00e9m a mat\u00e9ria da sociedade, a mat\u00e9ria social.<\/p>\n<p>H\u00e1 singularidade e h\u00e1 diferen\u00e7a, cada um de n\u00f3s \u00e9 uma perspectiva do mundo, um leitor \u00fanico e irrepet\u00edvel da realidade. A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 ativa, os sentidos n\u00e3o apenas reproduzem ou refletem o que existe, mas o recriam. Por\u00e9m, ao mesmo tempo, essa diferen\u00e7a e essa singularidade, a de cada um de n\u00f3s, \u00e9 relacional, ou seja, entra em contato e di\u00e1logo com os outros, deixando-se afetar e afetando, mudando atrav\u00e9s dos encontros.<\/p>\n<p>Mas, o que importa tudo isso? Para que servem essas divaga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas? No final, n\u00e3o se trata de ter mais dinheiro, mais meios e mais efic\u00e1cia em termos de mensagem? A diferen\u00e7a \u00e9 decisiva. Se pensamos em chave idealista, o emissor (que det\u00e9m a verdade da teoria ou da narrativa) dirige-se a um receptor isolado e passivo. A comunica\u00e7\u00e3o torna-se um bombardeio de informa\u00e7\u00f5es para um conjunto de indiv\u00edduos atomizados, cada um fechado em si mesmo e sem rela\u00e7\u00e3o com os outros.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente assim que o mercado pratica a comunica\u00e7\u00e3o. A fraqueza da batalha cultural hoje, tanto da esquerda cl\u00e1ssica (que quer convencer) quanto da esquerda populista (que quer seduzir), \u00e9 transformar a comunica\u00e7\u00e3o em uma pr\u00e1tica de mercado, que pressup\u00f5e um conjunto de consumidores isolados, sem percep\u00e7\u00e3o ativa, sem conversa ou la\u00e7os entre si. Esta\u00e7\u00f5es repetidoras de estere\u00f3tipos, de memes, de conte\u00fados virais.<\/p>\n<h3><strong>A quest\u00e3o da pr\u00e1tica<\/strong><\/h3>\n<p>O idealismo, tal como explica Juan Manuel Arag\u00fces, \u00e9 a cren\u00e7a de que primeiro vem a consci\u00eancia, as ideias, a linguagem, e s\u00f3 depois a vida. O \u201cet\u00e9reo mundo de nomes\u201d d\u00e1 sentido, orienta\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. O materialismo afirma algo muito diferente: a pr\u00e1tica, a experi\u00eancia, tem um efeito determinante sobre a consci\u00eancia. As pr\u00e1ticas e as experi\u00eancias de vida podem gerar novos olhares, novas ideias, novas maneiras de pensar.<\/p>\n<p>Por que a direita leva a iniciativa na disputa das ideias? Poder\u00edamos pensar: n\u00e3o apenas porque tem mais dinheiro, mais meios e mais talento comunicativo, mas porque as pr\u00e1ticas e as experi\u00eancias de vida est\u00e3o do seu lado. A quais me refiro? \u00c0s mais di\u00e1rias e cotidianas: desde o supermercado at\u00e9 o cart\u00e3o de cr\u00e9dito, passando pelo entretenimento e o turismo, a vida hoje est\u00e1 inteiramente organizada pelo mercado.<\/p>\n<p>Ou seja, a mensagem da direita pega porque ressoa e sintoniza com os medos e as esperan\u00e7as de uma vida imersa no l\u00edquido amni\u00f3tico do mercado. A esquerda ri com arrog\u00e2ncia dos disparates de Trump ou de Ayuso, mas eles conectam com desejos, formas de vida e linguagens comuns. A direita hoje \u00e9 materialista, tem as pr\u00e1ticas de vida majorit\u00e1rias ao seu lado. \u00c9 um materialismo c\u00ednico, um materialismo do dado, do que existe, do estabelecido, mas enraizado no real.<\/p>\n<p>A batalha cultural n\u00e3o \u00e9 apenas quest\u00e3o de ideias, teorias, narrativas sedutoras, significantes ou mensagens a veicular, mas tem a ver com pr\u00e1ticas, experi\u00eancias, abalos da vida capazes, segundo explica a tradi\u00e7\u00e3o materialista, de gerar novas vis\u00f5es de mundo. N\u00e3o foi essa, por exemplo, a for\u00e7a do 15M? Sem dinheiro, sem meios, sem nenhum roteiro argumentativo, mas apoiado em uma pr\u00e1tica de vida diferente, que contagiava afetos e valores distintos, foi capaz de mudar o olhar de um pa\u00eds.<\/p>\n<h3><strong>Raz\u00f5es e paix\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>Por fim, o idealismo, conforme caracterizado por Juan Manuel Arag\u00fces, desconhece o car\u00e1ter passional e desejante da mat\u00e9ria humana. Um medo do corpo, uma ignor\u00e2ncia dos saberes do corpo, o acompanham desde sempre, pelo menos desde o momento em que Plat\u00e3o decidiu expulsar os poetas de sua cidade ideal.<\/p>\n<p>A batalha cultural idealista imagina a efic\u00e1cia de uma verdade discursiva purificada de paix\u00f5es. No caso da esquerda cl\u00e1ssica, \u00e9 a confian\u00e7a na pedagogia, na ideologia, nos roteiros argumentativos. A esquerda cl\u00e1ssica pensa a batalha cultural como um grande quadro-negro onde os especialistas (que sabem) ensinam \u00e0s audi\u00eancias (que n\u00e3o sabem) o que deveriam saber. No caso da esquerda populista, as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o levadas em conta \u2013 um certo avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda cl\u00e1ssica \u2013, mas s\u00e3o pensadas como meras identifica\u00e7\u00f5es. A emo\u00e7\u00e3o \u00e9 algo a ser captado ou suscitado para \u201ccolocar\u201d melhor a mensagem.<\/p>\n<p>Em ambos os casos, ignora-se a capacidade motora dos afetos, sua grande for\u00e7a de deslocamento, o poder que t\u00eam para nos mover e comover. Os afetos n\u00e3o s\u00e3o nem uma interfer\u00eancia no pensamento correto, nem a emo\u00e7\u00e3o passiva que adere ou n\u00e3o aos significantes propostos, mas uma intensidade vital que pode produzir novos olhares, novas vis\u00f5es e novos sentidos para a vida.<\/p>\n<h3><strong>A batalha do pensamento<\/strong><\/h3>\n<p>Singularidade e relacionalidade, percep\u00e7\u00e3o ativa e criadora, tecido de diferen\u00e7as, pr\u00e1ticas de vida, car\u00e1ter passional e desejante do humano\u2026 A partir dessas chaves, poder\u00edamos pensar uma batalha cultural diferente? Como seria?<\/p>\n<p>Imagino-a, em primeiro lugar, como a abertura de espa\u00e7os de conversa. Sem divis\u00e3o r\u00edgida entre emissores e receptores, criadores de conte\u00fados e consumidores passivos ou repetitivos. A conversa como ida e volta da palavra em igualdade, como exerc\u00edcio de aten\u00e7\u00e3o e escuta, n\u00e3o mediado por algoritmos, roteiros ou protocolos r\u00edgidos, mas sustentado pelos pr\u00f3prios participantes.<\/p>\n<p>Espa\u00e7os de conversa, de palavra rec\u00edproca, nem mon\u00f3logo nem guerra entre posi\u00e7\u00f5es fechadas, mas uma trama ao mesmo tempo comum e diversa, singular e coletiva. Uma conversa que se alimente das pr\u00e1ticas de vida (ou que seja at\u00e9 capaz de suscit\u00e1-las), que ressoe com nossas experi\u00eancias mais cotidianas e possa, assim, afetar nosso olhar sobre o mundo. Espa\u00e7os de encontro, de pensamento, de delibera\u00e7\u00e3o, de participa\u00e7\u00e3o aut\u00eantica.<\/p>\n<p>L\u00e1 onde somos convocados a pensar a partir do que nos importa e nos toca, do que vivemos e nos implica vitalmente, desdobra-se sempre uma intelig\u00eancia. Somos mat\u00e9ria que pensa. A confian\u00e7a na igualdade das intelig\u00eancias, na intelig\u00eancia de qualquer um, \u00e9 um pressuposto materialista. \u00c9 poss\u00edvel dirigir-se ao outro, falar com o outro, n\u00e3o para convenc\u00ea-lo ou seduzi-lo, mas para pensar juntos?<\/p>\n<p>A batalha cultural em chave materialista \u00e9 uma batalha do pensamento. Juan Manuel Arag\u00fces a pensa como constru\u00e7\u00e3o de um <em>conatus<\/em>. O <em>conatus<\/em> \u00e9 um conceito do fil\u00f3sofo Spinoza que designa o esfor\u00e7o que cada coisa e cada criatura faz para perseverar em seu ser. Mas esse <em>conatus<\/em>, que Spinoza considera uma for\u00e7a primordial, um ponto de partida, Arag\u00fces o pensa mais como um desafio, uma constru\u00e7\u00e3o, um ponto de chegada.<\/p>\n<p>O dado n\u00e3o \u00e9 o <em>conatus<\/em>, como mostra o mundo atual, mas a puls\u00e3o suicida. A puls\u00e3o suicida do capitalismo em forma de guerra, de agress\u00e3o \u00e0 natureza, de cegueira volunt\u00e1ria diante de todos os sinais de alarme. A puls\u00e3o suicida de cada um de n\u00f3s como indiv\u00edduos isolados, sem rela\u00e7\u00e3o, atomizados. Idiotas, no sentido grego da palavra, autorreferentes, fechados em n\u00f3s mesmos, incapazes de encontro com os outros. A puls\u00e3o de morte freudiana \u00e9 redefinida em chave materialista como puls\u00e3o idiota.<\/p>\n<p>Construir um <em>conatus<\/em> para sobreviver, para nos colocar um horizonte de sobreviv\u00eancia humana em um planeta vivo. Para isso, \u00e9 preciso escapar da idiotice, da superioridade moral, do identitarismo, de tudo o que nos torne incapazes de encontro e composi\u00e7\u00e3o com os outros. Construir o <em>conatus<\/em> \u00e9 construir o comum, uma sa\u00edda e um \u00eaxodo da puls\u00e3o suicida do capitalismo neoliberal, hoje j\u00e1 brutalismo.<\/p>\n<p>Contra a puls\u00e3o suicida, contra a puls\u00e3o idiota, contra a vida-mercado e sua falsa comunidade de indiv\u00edduos atomizados, a batalha cultural em chave materialista, a constru\u00e7\u00e3o de um corpo coletivo, um espa\u00e7o de conversa, um tecido de diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/movimentoserebeldias\/guerra-cultural-hora-de-praticar-o-materialismo\/\">Guerra cultural: hora de praticar o materialismo<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/bdf-and-rosalux-launch-documentary-exposing-the-false-energy-transition-driven-by-mining-in-the-global-south\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Leio esta dura caracteriza\u00e7\u00e3o do presente no \u00faltimo livro do fil\u00f3sofo Juan Manuel Arag\u00fces, A escrita dos deuses. 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