{"id":23727,"date":"2025-04-24T15:07:48","date_gmt":"2025-04-24T18:07:48","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/o-que-nao-pode-faltar-na-culinaria-da-terra-da-v-feira-nacional-da-reforma-agraria\/"},"modified":"2025-04-24T15:07:48","modified_gmt":"2025-04-24T18:07:48","slug":"o-que-nao-pode-faltar-na-culinaria-da-terra-da-v-feira-nacional-da-reforma-agraria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-que-nao-pode-faltar-na-culinaria-da-terra-da-v-feira-nacional-da-reforma-agraria\/","title":{"rendered":"O que n\u00e3o pode faltar na Culin\u00e1ria da Terra da V Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria?"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"512\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Prato-arroz-com-lula-768x512-1.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Prato-arroz-com-lula-768x512-1.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Prato-arroz-com-lula-768x512-1-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\"><figcaption><em>Arroz com Lula, prato t\u00edpico da regi\u00e3o Sul. Foto: Juliana Barbosa.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Fernanda Alc\u00e2ntara<br \/>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>De todas as del\u00edcias e atrativos das Feiras da Reforma Agr\u00e1ria do MST, o espa\u00e7o da Culin\u00e1ria da Terra \u00e9, sem d\u00favidas, um dos que mais chamam a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Entre os dias 8 e<strong> <\/strong>11 de maio de 2025, no Parque da \u00c1gua Branca, em S\u00e3o Paulo, ser\u00e1 poss\u00edvel fazer uma verdadeira viagem pelos sabores do Brasil. Com aromas que se espalham pelo parque e o ritmo animado das panelas, o local promete ser um dos pontos mais concorridos do evento, que espera receber mais de 300 mil visitantes durante os quatro dias de programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o, o espa\u00e7o gastron\u00f4mico reunir\u00e1 pratos t\u00edpicos de 23 cozinhas dos estados onde o MST est\u00e1 presente, representando a riqueza cultural e culin\u00e1ria de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. De Norte a Sul, os visitantes poder\u00e3o experimentar desde o tacac\u00e1 paraense e o pato no tucupi, da Amaz\u00f4nia, at\u00e9 o arroz com pequi goiano, s\u00edmbolo do Cerrado, passando pela moqueca capixaba, feita em panelas de barro, e pelo entrevero ga\u00facho, que carrega a tradi\u00e7\u00e3o campeira do Sul.<\/p>\n<p>\u201cEstamos em um processo intenso de prepara\u00e7\u00e3o, e nossas cozinhas t\u00eam o desafio de trazer para a Feira uma comida gostosa e saud\u00e1vel, com os sabores da comida de ro\u00e7a e da Reforma Agr\u00e1ria, que fazem parte da mem\u00f3ria e da cultura alimentar de muita gente que mora na cidade de S\u00e3o Paulo e visita a nossa Feira, justamente atr\u00e1s desse \u2018carinho\u2019 em forma de comida que a gente busca trazer\u201d, afirma Ana Ch\u00e3, da coordena\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o na Feira.<\/p>\n<p>A Culin\u00e1ria da Terra, assim como o todo da Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria, n\u00e3o traz apenas os sabores, mas tamb\u00e9m as hist\u00f3rias por tr\u00e1s de cada prato. O bode assado de Pernambuco, o caldo de sururu baiano e a quiabada sergipana revelam a diversidade de t\u00e9cnicas e ingredientes que fazem da culin\u00e1ria brasileira uma das mais ricas do mundo. Tudo \u00e9 preparado por cozinheiras e cozinheiros Sem Terra que mant\u00eam viva a tradi\u00e7\u00e3o de suas comunidades, garantindo autenticidade em cada receita.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Cozinha-Regiao-Sul-Polenta-768x512-1.jpeg\" alt=\"\"><figcaption><em>Polenta, culin\u00e1ria t\u00edpica da regi\u00e3o Sul. Foto: Juliana Barbosa.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201c\u00c9 um ato pol\u00edtico que questiona e resiste ao modelo do agroneg\u00f3cio que em geral s\u00f3 produz <em>commodities <\/em>e tamb\u00e9m resist\u00eancia \u00e0 ind\u00fastria dos ultraprocessados que vem descaracterizando cada vez mais os alimentos e contribuindo para v\u00e1rios problemas de sa\u00fade na popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Ana Ch\u00e3.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ressaltar tamb\u00e9m que a Culin\u00e1ria da Terra \u00e9 um espa\u00e7o de valoriza\u00e7\u00e3o da agricultura familiar e camponesa e da Reforma Agr\u00e1ria, mostrando como a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de alimentos se transforma em pratos cheios de identidade. Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, foram servidas 80 mil refei\u00e7\u00f5es, e a expectativa \u00e9 superar esse n\u00famero em 2025, levando ainda mais pessoas a descobrirem os sabores que v\u00eam direto do campo para a mesa da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Com op\u00e7\u00f5es para todos os gostos, o sucesso da Culin\u00e1ria da Terra est\u00e1 tamb\u00e9m nos ingredientes, cultivados com m\u00e3os que entendem de terra, nos temperos que carregam hist\u00f3rias de resist\u00eancia e no saber tradicional de quem transforma alimentos sem agrot\u00f3xicos, a partir da produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica dos assentamentos do MST. \u201cAcreditamos que a base de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel est\u00e1 justamente nos alimentos que a comp\u00f5em, sua origem, a forma como s\u00e3o produzidos, al\u00e9m, claro, da forma como s\u00e3o preparados, da rela\u00e7\u00e3o com cada cultura\u201d, ressalta Ana Ch\u00e3.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/image-8-1-768x576-1.jpg\" alt=\"\"><figcaption><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o Cooperativa Terra e Liberdade<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Do milho crioulo \u00e0 macaxeira, do arroz org\u00e2nico ao pinh\u00e3o, passando por frutas e legumes que nascem livres de venenos, estes ingredientes viajam das \u00e1reas mais distantes da Reforma Agr\u00e1ria Popular do pa\u00eds para mostrar como se faz comida de verdade, com o cuidado pela natureza e respeito aos ciclos da terra.<\/p>\n<p>\u201cPoder cozinhar na feira os alimentos que na sua maioria s\u00e3o produzidos nos assentamentos e acampamentos de Reforma Agr\u00e1ria \u00e9 uma forma de reafirmar na pr\u00e1tica a import\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, da coopera\u00e7\u00e3o entre as fam\u00edlias, da import\u00e2ncia das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a agricultura camponesa e familiar\u201d, conta.<\/p>\n<p>A cada edi\u00e7\u00e3o, a Culin\u00e1ria da Terra prova que comer \u00e9 um ato pol\u00edtico. Este ano, o espa\u00e7o foi pensado para materializar a diversidade alimentar e cultural dos acampamentos e assentamentos de todo o Brasil. Mais que matar a fome de p\u00e3o, a Culin\u00e1ria da Terra alimenta a alma. \u00c9 espa\u00e7o de troca de saberes, de celebra\u00e7\u00e3o da cultura camponesa e de demonstra\u00e7\u00e3o concreta de que outro modelo alimentar \u00e9 poss\u00edvel \u2013 saboroso, diverso e radicalmente comprometido com a vida.\u00a0<\/p>\n<p>Para realizar tudo isso, os desafios s\u00e3o grandes, uma vez que algumas regi\u00f5es est\u00e3o distantes de S\u00e3o Paulo e que h\u00e1 toda uma log\u00edstica necess\u00e1ria para garantir que os alimentos cheguem com qualidade e na quantidade necess\u00e1ria, de modo a assegurar que todos possam degustar os diferentes pratos.<\/p>\n<p>Entretanto, Ana Ch\u00e3 garante: \u201cA experi\u00eancia das Feiras passadas e de grandes atividades massivas que o MST organiza h\u00e1 mais de 40 anos tem nos permitido aperfei\u00e7oar os processos, buscar solu\u00e7\u00f5es coletivas. Sem d\u00favida o conhecimento e pr\u00e1tica das nossas cozinheiras e cozinheiros e a nossa forma organizativa s\u00e3o centrais para fazer ferver esse caldeir\u00e3o de diversidade de sabores.\u201d<\/p>\n<p><em>Confira alguns dos pratos favoritos que voc\u00ea n\u00e3o pode perder nesta Feira![\u2026]<\/em><\/p>\n<h2>Amaz\u00f4nia: Tacac\u00e1<\/h2>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/photo16840178757-768x514-1.jpeg\" alt=\"\"><figcaption><em>Foto: Filipe Augusto Peres<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Nascido da sabedoria ancestral dos povos Tupinamb\u00e1s, o tacac\u00e1 \u00e9 um tipo de sopa que combina tucupi (caldo \u00e1cido extra\u00eddo da mandioca brava), goma de tapioca, camar\u00e3o seco e jambu \u2013 erva amaz\u00f4nica que provoca leve formigamento na boca. Sua prepara\u00e7\u00e3o exige conhecimento ancestral, principalmente no processamento da mandioca brava, que precisa ser fermentada para eliminar toxinas naturais.<\/p>\n<p>O prato representa a fus\u00e3o de saberes tradicionais com influ\u00eancias portuguesas (nos camar\u00f5es secos) e africanas (nas t\u00e9cnicas de cozimento). O tacac\u00e1 \u00e9 mais consumido no final da tarde, vendido por tacacazeiras em bancas de rua, onde os clientes tomam em p\u00e9, temperando com pimenta-de-cheiro a gosto. Al\u00e9m de seu valor cultural, o tacac\u00e1 ganhou reconhecimento como s\u00edmbolo da biodiversidade amaz\u00f4nica, utilizando ingredientes nativos como o jambu, que tem propriedades medicinais, e o tucupi, base de outros pratos regionais como o pato no tucupi.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m vale conferir: Peixe com a\u00e7a\u00ed<\/strong><br \/><em>Dizem que o peixe com a\u00e7a\u00ed da Amaz\u00f4nia \u00e9 a dan\u00e7a das \u00e1guas e das florestas, \u00e9 a Amaz\u00f4nia em um s\u00f3 garfo: o rio generoso, a mata que nutre, o povo que reinventa a tradi\u00e7\u00e3o sem perder suas ra\u00edzes.<\/em><\/p>\n<h2>Nordeste: Bai\u00e3o de Dois<\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m nascido da inventividade sertaneja, o bai\u00e3o de dois representa a culin\u00e1ria nordestina, unindo novamente as tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, africanas e europeias. Sua origem vem dos tropeiros e vaqueiros, que precisavam criar pratos nutritivos com ingredientes que resistissem ao clima \u00e1rido.\u00a0<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lancamento-da-IV-feira-da-Reforma-Agraria_foto_Priscila_Ramos-255-1-1024x683-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lancamento-da-IV-feira-da-Reforma-Agraria_foto_Priscila_Ramos-255-1-1024x683-1.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lancamento-da-IV-feira-da-Reforma-Agraria_foto_Priscila_Ramos-255-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lancamento-da-IV-feira-da-Reforma-Agraria_foto_Priscila_Ramos-255-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lancamento-da-IV-feira-da-Reforma-Agraria_foto_Priscila_Ramos-255-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Lancamento-da-IV-feira-da-Reforma-Agraria_foto_Priscila_Ramos-255-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>VI Feira da Reforma Agr\u00e1ria. Foto: Priscila Ramos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de arroz e feij\u00e3o-verde (ou feij\u00e3o-de-corda) reflete a adapta\u00e7\u00e3o aos recursos dispon\u00edveis no sert\u00e3o, enquanto a carne seca, queijo coalho e toucinho refletem a pecu\u00e1ria da regi\u00e3o. A t\u00e9cnica de preparo: cozinhar o feij\u00e3o primeiro e depois acrescentar o arroz \u2013 foi desenvolvida para otimizar o uso do fogo e da \u00e1gua, recursos escassos no semi\u00e1rido.<\/p>\n<p>Durante as grandes secas, o prato salvou fam\u00edlias da fome, e hoje figura como prato nacional, mantendo viva a mem\u00f3ria da culin\u00e1ria sertaneja. Sua evolu\u00e7\u00e3o inclui varia\u00e7\u00f5es regionais, como a vers\u00e3o cearense com pequi e a paraibana com carne de sol, sempre preservando sua ess\u00eancia como alimento que narra a hist\u00f3ria de um povo e sua rela\u00e7\u00e3o com a terra.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m vale a pena conferir: Moqueca Baiana<\/strong><br \/><em>Com t\u00e9cnicas trazidas pelos africanos, a moqueca baiana transforma simples peixes e frutos do mar em uma explos\u00e3o de sabores e cores. O dend\u00ea, \u00f3leo sagrado na cultura afro-brasileira, d\u00e1 o tom dourado e o sabor marcante, enquanto o leite de coco suaviza e equilibra os temperos.\u00a0<\/em><\/p>\n<h2>Cerrado: Arroz com Pequi<\/h2>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/photo_2023-05-12_15-29-40-768x512-1.jpg\" alt=\"\"><figcaption><em>Foto: Sofia Isbelo @soisbelo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O arroz com pequi \u00e9 um dos pratos mais famosos da culin\u00e1ria do Centro-Oeste, especialmente em Goi\u00e1s, onde se tornou s\u00edmbolo cultural. O pequi, fruto nativo do Cerrado, possui uma polpa amarelo-dourado de sabor marcante \u2013 descrito como mistura de queijo, flor e terra \u00famida \u2013, mas exige cuidado: seu caro\u00e7o esconde espinhos finos, da\u00ed o ditado local que alerta para \u201clambar, n\u00e3o morder\u201d.<\/p>\n<p>Preparado tradicionalmente com banha de porco, o prato leva arroz refogado no mesmo tempero do pequi, resultando em uma combina\u00e7\u00e3o de cores e sabores intensos. Embora algumas vers\u00f5es incluem frango caipira ou costelinha, a receita cl\u00e1ssica valoriza a simplicidade. Assim, o prato carrega um significado ecol\u00f3gico: \u00e9 um s\u00edmbolo de resist\u00eancia do Cerrado, bioma amea\u00e7ado pelo avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio. O \u00f3leo de pequi, extra\u00eddo da polpa e usado na culin\u00e1ria e na cosm\u00e9tica, \u00e9 chamado de \u201couro do Cerrado\u201d, refor\u00e7ando o valor econ\u00f4mico e cultural do fruto.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m vale a pena conferir: Frango com guariroba <\/strong><strong><br \/><\/strong><em>Nascido da criatividade dos cozinheiros do Cerrado, o frango com guariroba transforma o palmito amargo em um prato com personalidade. A guariroba, extra\u00edda da mesma palmeira que produz o pequi, \u00e9 \u201cdessaborizada\u201d e refogada com frango caipira, temperos frescos e at\u00e9 um toque de bacon, criando uma harmonia entre o amargo caracter\u00edstico e os sabores robustos da carne.<\/em><\/p>\n<h2>Sudeste: Moqueca Capixaba<\/h2>\n<p>A moqueca capixaba \u00e9 uma express\u00e3o aut\u00eantica da cultura gastron\u00f4mica do Esp\u00edrito Santo, diferenciando-se radicalmente de sua prima baiana. Sua hist\u00f3ria remonta \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas de cozinhar peixe em folhas, t\u00e9cnica que se fundiu com a introdu\u00e7\u00e3o das panelas de barro pelos portugueses.\u00a0<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1023\" height=\"682\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/37531263256_8ee1ce14c3_b-2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/37531263256_8ee1ce14c3_b-2.jpg 1023w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/37531263256_8ee1ce14c3_b-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/37531263256_8ee1ce14c3_b-2-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1023px) 100vw, 1023px\"><figcaption><em>Foto: David\u00a0<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O uso exclusivo de urucum para colora\u00e7\u00e3o, em contraste com o dend\u00ea baiano, revela uma adapta\u00e7\u00e3o local aos ingredientes dispon\u00edveis. A autenticidade est\u00e1 tamb\u00e9m nas panelas de barro artesanais de Goiabeiras, fabricadas com t\u00e9cnicas ancestrais, que remontam aos povos origin\u00e1rios; alguns se arriscam a dizer que ela simboliza a harmonia entre o homem e o meio ambiente, utilizando peixes nativos como o robalo e a garoupa, pescados tradicionalmente nas \u00e1guas costeiras do estado. A moqueca capixaba preserva um preparo meticuloso: cozimento lento em fogo brando, sem alho ou cebola, mantendo a pureza dos sabores.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m vale a pena conferir: Broa de milho cremoso de MG<\/strong><br \/><em>Nascida nos fog\u00f5es a lenha das fazendas coloniais, a broa de milho cremosa de Minas Gerais transforma ingredientes simples \u2013 fub\u00e1 fresco, ovos caipiras e leite rec\u00e9m-ordenhado \u2013 em um doce que \u00e9 pura mem\u00f3ria afetiva. Sua vers\u00e3o cremosa mant\u00e9m a textura \u00famida e aveludada, trazendo a ess\u00eancia da do\u00e7aria mineira.<\/em><\/p>\n<h2>Sul: Entrevero<\/h2>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1023\" height=\"682\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/28002734328_0d68e37acf_b-1.jpg\" alt=\"Culin\u00e1ria da Terra: a gente cozinha pol\u00edtica junto\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/28002734328_0d68e37acf_b-1.jpg 1023w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/28002734328_0d68e37acf_b-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/28002734328_0d68e37acf_b-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1023px) 100vw, 1023px\"><figcaption><em>Foto: Arquivo MST<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O entrevero representa a ess\u00eancia da culin\u00e1ria campeira sulista, nascida da necessidade pr\u00e1tica dos pe\u00f5es durante as longas jornadas de trabalho no pampa. Feito com arroz org\u00e2nico, a receita mistura carnes diversas \u2013 incluindo cortes menos nobres como mi\u00fados e lingui\u00e7a, al\u00e9m do pinh\u00e3o, tomate e temperos e sal de ervas.<\/p>\n<p>O uso de banha de porco e o cozimento em fogo brando revelam t\u00e9cnicas herdadas tanto dos ind\u00edgenas quanto dos colonizadores europeus. Assim, o entrevero acaba sendo documento hist\u00f3rico da vida campeira, preservando saberes tradicionais do mundo pastoril. Sua evolu\u00e7\u00e3o acompanhou a forma\u00e7\u00e3o da identidade ga\u00facha, incorporando elementos como o vinho tinto na degusta\u00e7\u00e3o, e hoje figura como s\u00edmbolo da culin\u00e1ria regional.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m vale a pena conferir: Arroz de Carreteiro<\/strong><br \/><em>Tamb\u00e9m nascido nas longas jornadas dos tropeiros pelo Sul do Brasil, o arroz de carreteiro transformou a carne seca, alimento resistente ao tempo, em um prato que alimentou gera\u00e7\u00f5es. A receita une o arroz \u00e0 carne desfiada, refogada com banha, alho e cebola at\u00e9 atingir o ponto perfeito \u2013 nem seco demais, nem aguado.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>*Editado por Solange Engelmann<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/04\/24\/o-que-nao-pode-faltar-na-culinaria-da-terra-da-v-feira-nacional-da-reforma-agraria\/\">O que n\u00e3o pode faltar na Culin\u00e1ria da Terra da V Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria?<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-nos-tambem-queremos-ser-engenheiros-medicos-doutores\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/2764.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula: \u201cN\u00f3s tamb\u00e9m queremos ser engenheiros, m\u00e9dico...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sancoes-como-resposta-estrategica-a-politica-chinesa-diante-da-interferencia-dos-eua-em-taiwan\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/xin-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">San\u00e7\u00f5es como resposta estrat\u00e9gica: a pol\u00edtica chin...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/agu-combate-conteudos-contra-mulheres-no-telegram\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">AGU combate conte\u00fados contra mulheres no Telegram<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/milhares-de-trabalhadores-da-volkswagen-fazem-greve-contra-demissoes-e-cortes-na-alemanha\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Milhares de trabalhadores da Volkswagen fazem grev...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arroz com Lula, prato t\u00edpico da regi\u00e3o Sul. Foto: Juliana Barbosa. Por Fernanda Alc\u00e2ntaraDa P\u00e1gina do MST De todas as del\u00edcias e atrativos das Feiras da Reforma Agr\u00e1ria do MST, o espa\u00e7o da Culin\u00e1ria da Terra \u00e9, sem d\u00favidas, um dos que mais chamam a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. 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