{"id":24125,"date":"2025-04-26T09:01:00","date_gmt":"2025-04-26T12:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/doutor-araguaia-estreia-em-sao-paulo-e-resgata-vida-do-medico-morto-pela-ditadura\/"},"modified":"2025-04-26T09:01:00","modified_gmt":"2025-04-26T12:01:00","slug":"doutor-araguaia-estreia-em-sao-paulo-e-resgata-vida-do-medico-morto-pela-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/doutor-araguaia-estreia-em-sao-paulo-e-resgata-vida-do-medico-morto-pela-ditadura\/","title":{"rendered":"\u201cDoutor Araguaia\u201d estreia em S\u00e3o Paulo e resgata vida do m\u00e9dico morto pela ditadura"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210744-2048x1536-1.jpg\" alt=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210744-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210744-300x225.jpg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210744-768x576.jpg 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210744-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210744-2048x1536-1.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>Nesta quinta-feira (24), o Cine-Teatro Denoy de Oliveira, na sede da UMES (Uni\u00e3o Municipal dos Estudantes Secundaristas de S\u00e3o Paulo), em S\u00e3o Paulo, foi palco da estreia paulista do filme Doutor Araguaia, document\u00e1rio que narra a trajet\u00f3ria de Jo\u00e3o Carlos Haas Sobrinho \u2014 jovem m\u00e9dico ga\u00facho, desaparecido pol\u00edtico e combatente da Guerrilha do Araguaia. Com dire\u00e7\u00e3o de Edson Cabral e roteiro em parceria com S\u00f4nia Haas, irm\u00e3 de Jo\u00e3o Carlos, o filme comove por sua sensibilidade e contund\u00eancia hist\u00f3rica. A sess\u00e3o especial reuniu familiares de Jo\u00e3o Carlos, como sua irm\u00e3 S\u00f4nia, e ex-guerrilheiros que conviveram com ele, como Jos\u00e9 Geno\u00edno e Crimeia Almeida.<\/p>\n<p>\u201cEsse filme precisa ser conhecido por todos os brasileiros\u201d, afirmou o produtor Odilon Camargo, durante o lan\u00e7amento. \u201cDurante os longos anos da ditadura, os donos do poder impediram a divulga\u00e7\u00e3o das atrocidades cometidas. E, at\u00e9 hoje, a grande m\u00eddia ignora essa hist\u00f3ria.\u201d Ele criticou a persistente invisibilidade dada pela grande m\u00eddia \u00e0s atrocidades cometidas durante a ditadura (1964-1985). \u201cMesmo depois de 1985, a grande m\u00eddia continua ignorando essa hist\u00f3ria, os detalhes das atrocidades todas cometidas durante esse per\u00edodo.\u201d<\/p>\n<p>Camargo relembrou o contexto pol\u00edtico de 1963, quando Jo\u00e3o Carlos, ent\u00e3o presidente do Centro Acad\u00eamico de Medicina da UFRGS, j\u00e1 demonstrava seu compromisso social ao defender uma \u201cuniversidade do povo\u201d e a democratiza\u00e7\u00e3o do ensino. Um ano ap\u00f3s o golpe militar, sua trajet\u00f3ria foi interrompida com a pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Produzido com apoio da Lei Paulo Gustavo e da Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois, o longa de 90 minutos j\u00e1 passou por 15 cidades e chega \u00e0 capital paulista com a miss\u00e3o de resgatar uma hist\u00f3ria que ficou soterrada por d\u00e9cadas de sil\u00eancio e medo.<\/p>\n<p><strong>Um document\u00e1rio de amor, luta e poesia<\/strong><\/p>\n<p>O document\u00e1rio revive a trajet\u00f3ria do jovem m\u00e9dico que, nos anos 1960, trocou a carreira promissora pela luta armada contra a ditadura militar. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Haas tornou-se l\u00edder estudantil e, ap\u00f3s o golpe de 1964, integrou a Guerrilha do Araguaia, atuando como m\u00e9dico comunit\u00e1rio em regi\u00f5es isoladas do sul do Maranh\u00e3o e norte de Goi\u00e1s (hoje Tocantins).<\/p>\n<p>Em vez de mostrar as imagens da brutalidade do regime militar, o filme foca na personalidade encantadora do m\u00e9dico que conquistou a todos por onde passou. Os depoimentos de seus pacientes (e amigos) revelam relatos vivos, como se Jo\u00e3o Carlos tivesse acabado de partir. Como sua irm\u00e3 S\u00f4nia diz emocionada, \u00e9 como se essas pessoas conhecessem facetas de seu irm\u00e3o que a fam\u00edlia n\u00e3o teve a oportunidade.<\/p>\n<p>Preso e morto durante a repress\u00e3o, seu corpo nunca foi encontrado, transformando-o em um s\u00edmbolo de resist\u00eancia. O filme utiliza depoimentos, registros hist\u00f3ricos e paisagens da Amaz\u00f4nia para reconstruir sua saga.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es colhidas pelo <strong>Portal Vermelho <\/strong>durante o evento ecoaram a import\u00e2ncia de manter viva a mem\u00f3ria desse per\u00edodo sombrio da hist\u00f3ria brasileira. A for\u00e7a do document\u00e1rio vai al\u00e9m do conte\u00fado hist\u00f3rico. Com imagens captadas em sete estados, trilha original e poesia visual, Doutor Araguaia rompe com o formato convencional. \u201cNosso desafio era transformar uma hist\u00f3ria de dor em uma obra bonita, sem perder a for\u00e7a da luta\u201d, explicou o diretor Edson Cabral em entrevista.<\/p>\n<p>Segundo ele, Jo\u00e3o Carlos \u00e9 apresentado como um jovem brilhante, que trocou uma carreira promissora pela milit\u00e2ncia revolucion\u00e1ria. Como m\u00e9dico popular, atuou nas regi\u00f5es de Porto Franco (MA) e no norte do atual Tocantins, antes de se integrar \u00e0 guerrilha. \u201c\u00c9 um filme po\u00e9tico, biogr\u00e1fico, investigativo e emocional\u201d, resumiu Cabral. A narrativa \u00e9 costurada por depoimentos de familiares, ex-militantes e moradores das regi\u00f5es onde Jo\u00e3o Carlos viveu.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210203-2048x1536-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210203-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210203-300x225.jpg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210203-768x576.jpg 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210203-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210203-2048x1536-1.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em><sup>A plateia reuniu personalidades hist\u00f3ricas da resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar.<\/sup><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Uma recep\u00e7\u00e3o marcada pela emo\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A cada sess\u00e3o, o filme provoca rea\u00e7\u00f5es diferentes, mas sempre profundas. \u201cCada lugar tem um toque \u00fanico\u201d, relatou S\u00f4nia Haas a reportagem. Ela destacou como os mais antigos revivem a luta, enquanto os jovens encontram em Jo\u00e3o Carlos um \u201cexemplo positivo\u201d. A exibi\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Leopoldo foi particularmente marcante, proporcionando um \u201cretorno\u201d simb\u00f3lico de Jo\u00e3o Carlos \u00e0 sua cidade natal. \u201cEm S\u00e3o Leopoldo, cidade natal do Jo\u00e3o Carlos, foi como um vel\u00f3rio simb\u00f3lico \u2014 as pessoas se reencontraram com ele. J\u00e1 em Porto Franco, ele continua vivo na mem\u00f3ria da comunidade: relembram o m\u00e9dico, o amigo, o vizinho, o homem que fazia bolinho de arroz e jogava futebol.\u201d<\/p>\n<p>Para S\u00f4nia, o filme \u00e9 tamb\u00e9m uma jornada pessoal. \u201cNossa fam\u00edlia nunca teve um vel\u00f3rio, um corpo para chorar. O document\u00e1rio nos permitiu resgatar Jo\u00e3o Carlos e compartilhar sua luz\u201d, desabafa. Em cenas emocionantes, moradores do Maranh\u00e3o relembram o m\u00e9dico que atendia comunidades ribeirinhas, muitas vezes sem cobrar. \u201cEle era um homem do povo, que acreditava na sa\u00fade como direito\u201d, conta um agricultor entrevistado.<\/p>\n<p>S\u00f4nia e a equipe enfrentaram desafios para resgatar fragmentos de sua hist\u00f3ria. \u201cFoi necess\u00e1rio vasculhar arquivos, conversar com sobreviventes e familiares, e at\u00e9 musicar poemas escritos por ele na selva\u201d, explica Cabral. O document\u00e1rio combina g\u00eaneros: \u00e9 ao mesmo tempo biogr\u00e1fico, investigativo e po\u00e9tico, com trilha sonora original que inclui a can\u00e7\u00e3o <em>For\u00e7as do Guerreiro do Araguaia<\/em>, baseada em versos deixados pelo m\u00e9dico.<\/p>\n<p><strong>Ex-guerrilheiros se emocionam juntos <\/strong><\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210026-2048x1536-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210026-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210026-300x225.jpg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210026-768x576.jpg 768w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210026-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_20250424_210026-2048x1536-1.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em><sup>Foi uma oportunidade in\u00e9dita de reunir ex-guerrilheiros como Jos\u00e9 Genoino e Crimeia Almeida numa homenagem a Jo\u00e3o Carlos Haas Sobrinho, companheiros de luta no Araguaia<\/sup><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A exibi\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo contou com a presen\u00e7a de nomes como Jos\u00e9 Geno\u00edno, ex-guerrilheiro, que emocionou-se ao lembrar da conviv\u00eancia com Jo\u00e3o Carlos: \u201cEssa mem\u00f3ria transforma. A luta valeu \u2014 e vale \u2014 a pena.\u201d Geno\u00edno ressaltou a import\u00e2ncia da mem\u00f3ria trazida pelo filme para o presente e para o futuro, oferecendo \u201cexemplos heroicos\u201d para as novas gera\u00e7\u00f5es de lutadores por emancipa\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a social. \u201cEssa mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 olhar o passado apenas, \u00e9 trazer para o presente e para o futuro\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dele, Crimeia Almeida tamb\u00e9m falou da import\u00e2ncia do filme como inspira\u00e7\u00e3o para as novas gera\u00e7\u00f5es. Ela ecoou a import\u00e2ncia de conhecer essa hist\u00f3ria para evitar a repeti\u00e7\u00e3o de erros, lamentando a perda de sua gera\u00e7\u00e3o na luta contra a ditadura. \u201cEu acho muito importante o filme porque essa hist\u00f3ria \u00e9 desconhecida, ent\u00e3o tudo que se faz para conhecer essa hist\u00f3ria \u00e9 importante. Porque o povo que n\u00e3o conhece a sua hist\u00f3ria est\u00e1 sujeito a repetir os erros. E isso est\u00e1 acontecendo. Lembrar do Jo\u00e3o Carlos nesse filme foi emocionante, apesar do tempo passado\u2026 A minha turma daquela \u00e9poca n\u00e3o existe mais nenhum vivo, s\u00e3o todos desaparecidos\u201d.<\/p>\n<p>Eug\u00eania Gonzaga, presidenta da Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, elogiou a abordagem humana do filme, que permite entender a \u201cbarbaridade\u201d cometida contra aqueles que lutavam por um mundo melhor. \u201cContar quem foi o Jo\u00e3o Carlos, que m\u00e9dico foi esse, como que ele atendia, a magnitude do trabalho dele no interior. Ent\u00e3o isso humaniza, faz com que as pessoas entendam a barbaridade que foi cometida contra esses her\u00f3is, essas pessoas que no fundo queriam apenas um mundo melhor\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Carlos Amazonas, engenheiro, filho de Jo\u00e3o Amazonas, assistiu o filme como familiar do comandante da guerrilha e ex-presidente do PCdoB, lamentando como a m\u00eddia brasileira trata os absurdos da ditadura como se nada fossem: \u201cMuitos jovens morreram, foram trucidados, torturados e assassinados. Uma coisa pesada na nossa hist\u00f3ria, mas \u00e9 como essa trag\u00e9dia da Covid tamb\u00e9m, que as pessoas j\u00e1 esqueceram, sendo que 700 mil pessoas morreram. \u00c9 importante contar o filme para sempre ressaltar que essas pessoas lutaram para que o pa\u00eds tivesse liberdade\u201d, afirmou <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram Nivaldo Santana, conselheiro da Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois e secret\u00e1rio Sindical do PCdoB, e o jornalista e historiador Oswaldo Bertolino, que destacou a import\u00e2ncia hist\u00f3rica do personagem. Ele descreveu Jo\u00e3o Carlos como um personagem \u201cdecisivo\u201d na Guerrilha do Araguaia, com forte liga\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o local. \u201cEle \u00e9 um verdadeiro \u00eddolo daquela regi\u00e3o, a mem\u00f3ria dele \u00e9 muito forte ali, ainda hoje\u201d, afirmou, relembrando sua pr\u00f3pria experi\u00eancia em reportagens na \u00e1rea. Bertolino ressaltou a import\u00e2ncia do filme para \u201cdesmascarar as cal\u00fanias, as mentiras, os crimes da ditadura\u201d, inserindo a guerrilha como um ponto crucial na hist\u00f3ria da luta popular contra a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Filmado em sete estados brasileiros, o projeto contou com recursos da Lei Complementar 195\/2022 e apoio da Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois, que viu na obra uma forma de \u201ccombater o esquecimento\u201d e fortalecer a defesa da democracia.<\/p>\n<p>O filme surge em um contexto de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e amea\u00e7as \u00e0s institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Nivaldo Santana enfatizou o papel do filme em \u201cafirmar convic\u00e7\u00f5es\u201d sobre a import\u00e2ncia da democracia e da liberdade, atuando como um \u201cant\u00eddoto poderoso\u201d contra a repeti\u00e7\u00e3o de regimes ditatoriais. Ele destacou o idealismo e o compromisso de Jo\u00e3o Carlos com os mais pobres, que o levaram a trocar uma vida confort\u00e1vel pela atua\u00e7\u00e3o na sa\u00fade e na organiza\u00e7\u00e3o popular no interior do Brasil.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio n\u00e3o apenas homenageia um her\u00f3i an\u00f4nimo, mas alerta para os riscos de regimes autorit\u00e1rios, usando a poesia e a m\u00fasica para tornar a hist\u00f3ria acess\u00edvel a novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia, exemplo e miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Jo\u00e3o Carlos Haas Sobrinho \u00e9, para muitos, um s\u00edmbolo do que foi a ditadura militar no Brasil \u2014 e do que precisa ser lembrado. \u201cEle viveu 31 anos, mas deixou ra\u00edzes profundas\u201d, afirmou Nivaldo Santana. \u201cSeu exemplo contribui para fortalecer nossas convic\u00e7\u00f5es por um Brasil democr\u00e1tico, justo e soberano.\u201d<\/p>\n<p>Para S\u00f4nia, levar o document\u00e1rio adiante \u00e9 parte de uma miss\u00e3o pessoal e coletiva: \u201cN\u00e3o podemos deixar essa hist\u00f3ria morrer. Gritar essa verdade \u00e9 nossa obriga\u00e7\u00e3o.\u201d Com mais de 3 mil espectadores em sess\u00f5es por todo o pa\u00eds, Doutor Araguaia j\u00e1 foi selecionado para festivais, como o de Lisboa, e deve seguir para plataformas de streaming com legendas em ingl\u00eas e espanhol, ampliando seu alcance, e exibi\u00e7\u00f5es especiais, refor\u00e7ando o papel da arte como ferramenta de mem\u00f3ria e justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A estreia de \u201cDoutor Araguaia\u201d em S\u00e3o Paulo n\u00e3o foi apenas a exibi\u00e7\u00e3o de um filme, mas um ato de resgate da mem\u00f3ria, de homenagem a um her\u00f3i da resist\u00eancia e um chamado \u00e0 reflex\u00e3o sobre um per\u00edodo que ainda ecoa na sociedade brasileira. A emo\u00e7\u00e3o dos presentes e a for\u00e7a dos depoimentos colhidos demonstram o impacto profundo dessa hist\u00f3ria e a urg\u00eancia de que ela seja conhecida e debatida por todos.<\/p>\n<p>Ao entrela\u00e7ar a dor de uma fam\u00edlia, a beleza da resist\u00eancia e a urg\u00eancia da democracia, o filme reafirma que hist\u00f3rias como a de Jo\u00e3o Carlos n\u00e3o podem ser enterradas. Como disse um sobrevivente da guerrilha: \u201cEle plantou sementes que ainda v\u00e3o florescer\u201d.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2025\/04\/26\/doutor-araguaia-estreia-em-sao-paulo-e-resgata-vida-do-medico-morto-pela-ditadura\/\">\u201cDoutor Araguaia\u201d estreia em S\u00e3o Paulo e resgata vida do m\u00e9dico morto pela ditadura<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-rato-do-golpe-da-anistia-do-golpe\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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