{"id":26926,"date":"2025-05-09T19:28:39","date_gmt":"2025-05-09T22:28:39","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/o-eternauta-propoe-a-volta-do-heroi-coletivo\/"},"modified":"2025-05-09T19:28:39","modified_gmt":"2025-05-09T22:28:39","slug":"o-eternauta-propoe-a-volta-do-heroi-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-eternauta-propoe-a-volta-do-heroi-coletivo\/","title":{"rendered":"O Eternauta prop\u00f5e a volta do her\u00f3i coletivo"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/i1002449.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/i1002449.jpeg 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/i1002449-300x169.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/i1002449-768x432.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Jose Dur\u00e1n Rodr\u00edguez<\/strong>, no <em><a href=\"https:\/\/www.elsaltodiario.com\/comic\/eternauta-historieta-argentina-ciencia-ficcion-oesterheld-solano-lopez-serie-netflix-ricardo-darin\">El Salto<\/a><\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNa primeira leitura, quando crian\u00e7a, a gente n\u00e3o percebe as camadas pol\u00edticas \u2014 recorda o jornalista Dami\u00e1n Huergo (Buenos Aires, 1983) \u2014, basicamente porque n\u00e3o sabia que em 1955 uma alian\u00e7a de direita, entre setores conservadores, eclesi\u00e1sticos e militares, havia bombardeado a popula\u00e7\u00e3o civil no cora\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o da Argentina, na Plaza de Mayo, com o objetivo de assassinar Per\u00f3n, gerando mais de 300 mortos\u201d. <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bombardeio_da_Pra%C3%A7a_de_Maio\"><strong>Sobre este epis\u00f3dio da hist\u00f3ria argentina.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Azc\u00e1rate e Huergo concordam em apontar os flocos de neve mortais que caem nas p\u00e1ginas de <em>O Eternauta<\/em> como met\u00e1fora desse acontecimento hist\u00f3rico \u2013 uma primeira tentativa de derrubar Per\u00f3n que se consumaria definitivamente alguns meses depois, dando in\u00edcio \u00e0s ditaduras militares.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-4\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MATERIA-4-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MATERIA-4-4.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-4-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Na HQ, a nevasca surpreende Juan Salvo, o narrador, que joga cartas em casa com amigos. Diante da evid\u00eancia de que esses flocos matam, eles discutem como se organizar para sobreviver sem sair, at\u00e9 que n\u00e3o lhes resta alternativa sen\u00e3o cruzar a porta da casa, vestindo trajes imperme\u00e1veis que confeccionaram para a ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir daqui, <em>O Eternauta<\/em> assume outra dimens\u00e3o, onde os sobreviventes enfrentam uma invas\u00e3o extraterrestre de besouros gigantes (\u201cos cascarudos\u201d), homens-rob\u00f4, estranhos seres chamados M\u00e3os (que morrem quando sentem medo) e bestas mastod\u00f4nticas conhecidas como Gurbos. Por tr\u00e1s dessas criaturas \u2013 que atuam como for\u00e7a de choque contra sua vontade \u2013 est\u00e3o <em>Eles<\/em>, o poder an\u00f4nimo.<\/p>\n<p>A escritora argentina Ana Llurba (C\u00f3rdoba, 1980) observa que toda fic\u00e7\u00e3o dialoga com sua \u00e9poca, <em>\u201cmas s\u00f3 a boa d\u00e1 uma voltinha a mais \u2013 e acho que foi isso que Oesterheld fez: trazer o imagin\u00e1rio pop para uma Buenos Aires palp\u00e1vel e detalhada, invadida por essas for\u00e7as extraterrestres\u201d.<\/em><\/p>\n<p>A autora do romance <em>Hemoderivadas<\/em> (Aristas Mart\u00ednez, 2022) tamb\u00e9m ressalta que a obra \u00e9 sempre interpretada de maneira singular por cada leitor, com camadas de significado m\u00faltiplas e amplas. <em>\u201cA HQ permanece viva por essa ambiguidade. Limit\u00e1-la \u00e0 biografia de Oesterheld ou ao contexto da \u00e9poca, como se faz com os contos policiais de Rodolfo Walsh, \u00e9 muito reducionista\u201d<\/em>, observa Llurba.<\/p>\n<p>Em abril de 1977, Oesterheld foi sequestrado pela ditadura militar de Jorge Rafael Videla. Junto com suas quatro filhas e tr\u00eas genros, o escritor integra a longa lista de desaparecidos da Argentina \u2013 pessoas das quais nunca se soube o paradeiro. Sua esposa, Elsa S\u00e1nchez, ativista e integrante das Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio, manteve viva a mem\u00f3ria e obra de Oesterheld at\u00e9 seu falecimento em 2015.<\/p>\n<p>Alberto Azc\u00e1rate comenta que se poderia supor uma vida relativamente tranquila durante a ditadura para quem n\u00e3o se metia em pol\u00edtica, mas que essa suposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade, em sua opini\u00e3o. Ele lembra que muitas pessoas foram \u201cdesaparecidas\u201d sem ter participado da guerrilha, nem mesmo de organiza\u00e7\u00f5es de esquerda ou peronistas radicais \u2013 e ainda assim foram v\u00edtimas da ditadura.<\/p>\n<p>Como exemplo, menciona o \u201cdesaparecimento\u201d de Tenorio Jr, pianista de Vinicius de Moraes e Toquinho, <em>\u201cepis\u00f3dio retratado no impactante document\u00e1rio de anima\u00e7\u00e3o Atiraram no Pianista, de Fernando Trueba e Javier Mariscal\u201d.<\/em><\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/www.scientiaestudia.org.br\/\" aria-label=\"bannerOutras\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/bannerOutras.gif\" alt=\"\" width=\"2162\" height=\"268\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"737\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_3-1024x737-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_3-1024x737-1.jpg 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_3-300x216.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_3-768x552.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_3.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/figure>\n<h3><strong>Super-her\u00f3is de bairro diante do apocalipse<\/strong><\/h3>\n<p>Nas p\u00e1ginas de <em>O Eternauta<\/em>, a a\u00e7\u00e3o transcorre em locais conhecidos como a Avenida General Paz, o est\u00e1dio do River Plate e o Congresso Nacional \u2013 todos atingidos pela queda dos mortais flocos fosforescentes. Essa proximidade, essa vis\u00e3o do apocalipse em um cen\u00e1rio familiar, impactou Huergo quando leu a HQ pela primeira vez na juventude. Foi na casa de seu tio Rub\u00e9n, militante de esquerda que conseguiu <em>\u201cescapar da guilhotina\u201d<\/em> da ditadura.<\/p>\n<p><em>\u201cQuando se \u00e9 crian\u00e7a na Argentina, Nova York, T\u00f3quio ou Barcelona s\u00e3o t\u00e3o distantes quanto Marte, Xaldhia ou Krypton. Ver um her\u00f3i \u2013 um personagem cotidiano que involuntariamente se torna her\u00f3i, que joga truco, pai de fam\u00edlia que protege os seus, envolto numa linguagem que eu n\u00e3o precisava decodificar \u2013 foi o que me fez segui-lo quadro a quadro, p\u00e1gina a p\u00e1gina.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cUm her\u00f3i pr\u00f3ximo, que podia ter uma loja de ferramentas ou ser professor, que em sua jornada \u2013 ainda que navegando pela eternidade \u2013 borrava a linha entre realidade e fic\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, relata Huergo.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"717\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_4.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_4.jpg 1000w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_4-300x215.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_4-768x551.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\"><\/figure>\n<p>Azc\u00e1rate, por sua vez, oferece outras interpreta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para <em>O Eternauta<\/em>. Segundo ele, a obra avan\u00e7a al\u00e9m do cen\u00e1rio orwelliano de <em>1984<\/em>, porque <em>\u201cembora herde a atmosfera asfixiante de sociedade de controle do romance, este j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 exercido apenas por uma entidade exterior ao indiv\u00edduo (o Estado), mas tamb\u00e9m por uma subjetividade introjetada no sujeito por duas vias\u201d. <\/em>A primeira seria mais <em>\u201cgrosseira e vis\u00edvel\u201d: <\/em>a instala\u00e7\u00e3o de chips em pessoas comuns para transform\u00e1-las em homens-rob\u00f4). A segunda, mais <em>\u201csofisticada e familiar em nossa contemporaneidade\u201d: <\/em>convenc\u00ea-las de que este \u00e9 o \u00fanico mundo poss\u00edvel, levando-as \u00e0 inoper\u00e2ncia e resigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Num certo momento, recorda Azc\u00e1rate, Favalli \u2014 o professor de F\u00edsica amigo de Juan Salvo \u2014 reflete sobre <em>\u201ca fraqueza de n\u00e3o ter agido antes\u201d<\/em>, frase que ele interpreta como <em>\u201cautocr\u00edtica por ter permitido que o inimigo se apoderasse de suas vontades\u201d<\/em>, comparando-a com <em>\u201cnossa contemporaneidade digital saturada de redes sociais, telas e \u2018verdades\u2019 em 140 caracteres\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Da mesma forma, ele entende que <em>O Eternauta<\/em> tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es sobre o papel da informa\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e consci\u00eancia no comportamento das sociedades, <em>\u201cj\u00e1 que em sua apari\u00e7\u00e3o o \u2018fantasma\u2019 esclarece a Oesterheld que o enredo que acabou de contar acontecer\u00e1 dali a alguns anos. O roteirista ent\u00e3o se pergunta se, ao cont\u00e1-la, poder\u00e1 evitar que o relatado aconte\u00e7a\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O roteirista chileno Carlos Reyes (Santiago do Chile, 1967) considera <em>O Eternauta<\/em> uma das maiores obras de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em quadrinhos em n\u00edvel mundial, e a aponta como uma das raz\u00f5es que o fizeram acreditar que tamb\u00e9m poderia escrever HQs.<\/p>\n<p><em>\u201cOesterheld e Solano L\u00f3pez criaram na Am\u00e9rica Latina algo que o resto do mundo levou d\u00e9cadas para compreender: que os quadrinhos s\u00e3o uma linguagem aut\u00f4noma, t\u00e3o digna quanto o cinema, teatro ou literatura \u2013 uma plataforma comunicativa onde todas as experi\u00eancias criativas cabem e s\u00e3o poss\u00edveis, desde as mais leves at\u00e9 as mais eruditas, do mero entretenimento (que tamb\u00e9m adoro) at\u00e9 a explora\u00e7\u00e3o de temas complexos e profundos. Eles me mostraram que os quadrinhos podiam ser tudo isso e mais\u201d<\/em>, explica o autor da graphic novel <em>Los a\u00f1os de Allende<\/em>, feita com o desenhista Rodrigo Elgueta. Juntos formam a dupla criativa respons\u00e1vel por outras HQs como <em>Nosotros los Selk\u2019nam<\/em> e <em>V\u00edctor Jara: un canto comprometido<\/em>.<\/p>\n<p>A leitura de <em>O Eternauta<\/em>, <em>\u201capesar de certos arca\u00edsmos da \u00e9poca como excesso de textos em algumas passagens\u201d<\/em>, fez-no apreciar o car\u00e1ter inovador e avan\u00e7ado da obra de Oesterheld e Solano L\u00f3pez.<strong> <\/strong>Ali havia mat\u00e9ria-prima para muitos frutos: <em>\u201cEles n\u00e3o subestimavam os leitores e deram densidade, espessura narrativa, a um meio que outros ainda viam como mero passatempo infantil\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cQue seus her\u00f3is n\u00e3o fossem aqueles personagens invenc\u00edveis e poderosos das HQs norte-americanas, mas gente comum que se assusta, erra e nem sempre vence, foi outro acerto raro na \u00e9poca\u201d<\/em>, avalia o escritor, destacando como ousada a ideia de que <em>\u201calguns extraterrestres s\u00e3o meros fantoches, carne para canh\u00e3o dos verdadeiros invasores \u2013 sempre nas sombras -, o que permite m\u00faltiplas leituras e interpreta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Concorda com essa vis\u00e3o Antonio Altarriba (Zaragoza, 1952), Pr\u00eamio Nacional de Quadrinhos da Espanha (2010) por <em>El arte de volar<\/em> (ilustrado por Kim), que recorda ter se atra\u00eddo menos pelo impacto visual de Solano L\u00f3pez e mais pelo papel dos <em>Eles<\/em>: <em>\u201cos incontest\u00e1veis vil\u00f5es da s\u00e9rie, onipotentes e ao mesmo tempo invis\u00edveis e an\u00f4nimos. Os mecanismos do poder s\u00e3o t\u00e3o obscuros quanto implac\u00e1veis\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Seu primeiro encontro com <em>O Eternauta<\/em> foi em 1979, ao comprar a edi\u00e7\u00e3o da segunda parte (<em>OEternauta e outros contos<\/em>) publicada pela Nueva Frontera. Interessado nos recursos experimentais de Breccia nas ilustra\u00e7\u00f5es, ele admite ter preferido os desenhos \u00e0 hist\u00f3ria. Anos depois, ao conhecer a primeira HQ, viu que era muito melhor.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"712\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_2.jpg 1000w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_2-300x214.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/eternauta_2-768x547.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\"><\/figure>\n<p>Altarriba argumenta que a premissa n\u00e3o era original \u2013 tratava-se de uma invas\u00e3o alien\u00edgena, tema j\u00e1 explorado em filmes como <em>Invasores de Marte<\/em> (1953), a adapta\u00e7\u00e3o de <em>A Guerra dos Mundos<\/em> de H.G. Wells, e <em>A Invas\u00e3o dos Ladr\u00f5es de Corpos<\/em> (1956). Era tema frequente tamb\u00e9m nos romances e HQs da editora EC Comics na mesma \u00e9poca, mas Altarriba ressalta que a diferen\u00e7a de <em>O Eternauta<\/em> est\u00e1 em seu vi\u00e9s pol\u00edtico.<\/p>\n<p><em>\u201cPoder\u00edamos dizer que em O Eternauta n\u00e3o temos uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que deriva para uma vis\u00e3o pol\u00edtica, mas sim uma vis\u00e3o pol\u00edtica que se disfar\u00e7a de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para se tornar mais aterradora. Transpor a a\u00e7\u00e3o para outros mundos, uma civiliza\u00e7\u00e3o alien\u00edgena supostamente avan\u00e7ada, permite levar mais longe a repress\u00e3o e anula\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos pelas tirania\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Para ele, outra caracter\u00edstica marcante da obra \u00e9 o protagonismo compartilhado: <em>\u201c\u00c9 verdade que Juan Salvo opera como um aglutinador da a\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 um her\u00f3i modelo e invenc\u00edvel como em outras HQs\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m de <em>O Eternauta<\/em>, Altarriba analisa o contexto dos quadrinhos na Argentina, muitas vezes subestimado: <em>\u201cEsquecemos que \u00e9 um pa\u00eds crucial na hist\u00f3ria universal dos quadrinhos. Antes da Fran\u00e7a ou EUA, autores argentinos levaram essa forma de express\u00e3o a s\u00e9rio, acreditando em seu potencial art\u00edstico e pol\u00edtico\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cNa Argentina j\u00e1 se faziam HQs artisticamente rigorosas, politicamente engajadas e narrativamente inovadoras nos anos 1950\u201d.<\/em> Por isso, ele v\u00ea <em>O Eternauta<\/em> n\u00e3o como rea\u00e7\u00e3o aos quadrinhos da EC, mas como \u201cli\u00e7\u00e3o de como, com poucos recursos e uma forma expressiva considerada infantil, podia-se fazer grande arte. Foi essa consci\u00eancia adulta do meio que impulsionou <em>O Eternauta<\/em> e outras obras-primas argentinas dos \u00faltimos 70 anos\u201d.<\/p>\n<p>Nessa linha, Alberto Azc\u00e1rate recorda que, durante sua adolesc\u00eancia nos anos 1960, os quadrinhos, chamados <em>historietas<\/em> na Argentina, eram <em>\u201cum g\u00eanero popular, de ampla difus\u00e3o e diversidade de personagens para diferentes p\u00fablicos\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Oferta era concentrada em revistas como <em>\u201cMisterix, El Tony, Fantas\u00eda e D\u2019Artagnan\u201d<\/em>, al\u00e9m dos <em>\u201cpequenos fasc\u00edculos de historietas\u201d<\/em> que chegavam \u00e0s bancas semanalmente: <em>\u201cEram s\u00e9ries com o instigante e frustrante \u2018continua\u2019, trazendo epopeias de Buffalo Bill, Zorro, Bat Masterson, Tom Mix, Hopalong Cassidy e O Cavaleiro Solit\u00e1rio\u201d.<\/em><\/p>\n<hr>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/ladiaria.com.uy\/cultura\/articulo\/2025\/5\/el-eternauta-un-mito-argentino\/\">Leia abaixo trecho de uma cr\u00edtica<\/a><\/strong> da s\u00e9rie<em> O Eternauta<\/em>, lan\u00e7ado pela Netfix, escrita por Carlos Rehermann para o La Jornada.<\/p>\n<h3><strong>A s\u00e9rie <\/strong><em><strong>O Eternauta<\/strong><\/em><strong>: uma leitura atenta da hist\u00f3ria em quadrinhos<\/strong><\/h3>\n<figure>\n<div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>Com her\u00f3is coletivos, ex\u00e9rcitos argentinos patri\u00f3ticos e sorridentes \u201cnestornautas\u201d rondando, o primeiro aspecto a reconhecer \u00e9 a coragem dos produtores da s\u00e9rie da Netflix.<\/p>\n<p>Quando foi lan\u00e7ada a campanha promocional, utilizou-se o mote \u201cher\u00f3i coletivo\u201d. Mas diante das primeiras rea\u00e7\u00f5es negativas de parte significativa do p\u00fablico, tentaram afastar o fantasma do Nestornauta. O slogan promocional mudou para uma frase menos perigosa: \u201cNingu\u00e9m se salva sozinho\u201d.<\/p>\n<p>A primeira temporada adapta menos da metade da hist\u00f3ria em quadrinhos e mostra que os roteiristas estudaram profundamente Oesterheld e est\u00e3o conscientes dos perigos. Um deles \u00e9 dar rosto a um mito.<\/p>\n<p>Num livro, os personagens s\u00e3o suas a\u00e7\u00f5es e di\u00e1logos ou pensamentos; no cinema soma-se a intensa presen\u00e7a f\u00edsica dos atores. E quando s\u00e3o famosos, essa presen\u00e7a inevitavelmente ganha duas faces: vemos Juan Salvo e simultaneamente vemos Ricardo Dar\u00edn e o que achamos que sabemos sobre ele.<\/p>\n<p>Essa dupla presen\u00e7a tende a enviesar o significado; sabendo que Favalli \u00e9 o ator uruguaio C\u00e9sar Troncoso e Juan Salvo diz \u201cos que est\u00e3o l\u00e1 fora n\u00e3o contam\u201d \u2013 frase t\u00edpica de her\u00f3i uruguaio -, o sentido ganha uma peculiar complexidade.<\/p>\n<p>A criticada decis\u00e3o de ambientar a hist\u00f3ria no presente \u00e9 t\u00e3o v\u00e1lida quanto uma reconstru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, mas traz algumas vantagens. Por um lado, mostrar um \u201caqui e agora\u201d da cat\u00e1strofe global permite recuperar o clima de inquieta\u00e7\u00e3o que teve para os leitores de 1957. Por outro, a Argentina hoje tem a experi\u00eancia de uma guerra internacional que n\u00e3o tinha na \u00e9poca da publica\u00e7\u00e3o da HQ; as lembran\u00e7as de Juan Salvo (na s\u00e9rie) sobre sua participa\u00e7\u00e3o na Guerra das Malvinas matizam a necess\u00e1ria (como exige a HQ) apari\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito, de uma mem\u00f3ria t\u00e3o terr\u00edvel.<\/p>\n<p>Qualquer interven\u00e7\u00e3o militar anterior a Malvinas se poderia associar \u00e0 repress\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es indefesas. Independentemente da opini\u00e3o sobre aquela guerra ou dos motivos da ditadura para inici\u00e1-la, ambientar a a\u00e7\u00e3o ap\u00f3s Malvinas desobstrui o caminho e desvia, ainda que minimamente, a rejei\u00e7\u00e3o que se sente ao ver her\u00f3is militares argentinos.<\/p>\n<p>Talvez um dos maiores problemas da s\u00e9rie esteja na mudan\u00e7a do papel da mulher nas narrativas atuais em compara\u00e7\u00e3o com as de 70 anos atr\u00e1s. As \u00fanicas mulheres da HQ s\u00e3o Elena, esposa de Juan Salvo, e sua filha Martita. Seus pap\u00e9is se limitam a preparar comida, servir de apoio para di\u00e1logos circunstanciais (\u201cmas primeiro comam\u201d, exigem antes dos homens sa\u00edrem para o matadouro), ou pr\u00f3prios de uma idiota (\u201cmas e se os invasores n\u00e3o vierem com m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es? Se forem bons?\u201d, diz Elena em meio \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria). A s\u00e9rie outorga \u00e0s mulheres certo grau de cidadania, dando-lhes profiss\u00f5es \u00fateis \u00e0 comunidade, embora ainda as mantenha, nesta primeira temporada, em plano secund\u00e1rio frente \u00e0 a\u00e7\u00e3o b\u00e9lica.<\/p>\n<p>Porque, sim, a HQ \u00e9 essencialmente do g\u00eanero b\u00e9lico. A s\u00e9rie, cautelosa, adentra-se no g\u00eanero com menos uniformes que a HQ, mas com igual quantidade de ingredientes surpreendentes \u2013 insetos e extraterrestres infiltrando-se gradualmente na trama, e os perturbadores homens controlados \u00e0 dist\u00e2ncia pelos invasores.<\/p>\n<p>Se Oesterheld foi incorporando elementos inesperados, pressionado pela demanda, para manter a tens\u00e3o narrativa, a s\u00e9rie tem a vantagem de conhecer toda a trama antecipadamente, podendo assim dosar de forma mais equilibrada o aparecimento desses elementos.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie tem um \u00f3timo elenco, cenografia de alto n\u00edvel, \u00f3tima dire\u00e7\u00e3o e ritmo bem trabalhado. Como na HQ, a forma n\u00e3o inova; aquela disposi\u00e7\u00e3o em tiras uniformes tem como correlato uma continuidade de a\u00e7\u00e3o tradicional; a m\u00fasica incidental acompanha sem sobressaltos; a montagem, mantendo como na HQ o ponto de vista de Juan Salvo, segue o manual.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie evita o relato-marco e a autofic\u00e7\u00e3o \u2013 <em>O Eternauta<\/em> materializando-se na casa do roteirista-; por\u00e9m opta por revelar gradualmente e com maior sutileza a condi\u00e7\u00e3o de viajante no tempo de Juan Salvo, que o espectador vai descobrindo ao longo dos epis\u00f3dios. \u00c9 o aspecto mais interessante da transposi\u00e7\u00e3o, cujo desenvolvimento na segunda temporada ser\u00e1 interessante observar.<\/p>\n<p>Se pensarmos na vers\u00e3o de 1969 da HQ, com os extraordin\u00e1rios desenhos de Breccia, talvez pud\u00e9ssemos sonhar com uma s\u00e9rie visualmente mais arriscada. Seria pedir demais: esta produ\u00e7\u00e3o certamente abrir\u00e1 caminho para outras, adequadas aos p\u00fablicos massivos que as plataformas de streaming demandam.<\/p>\n<p>A editora Frontera obteve not\u00e1vel sucesso em um mundo muito diferente deste. Talvez o mais inovador que se possa imaginar hoje seja adaptar uma hist\u00f3ria de sete d\u00e9cadas atr\u00e1s para continuar construindo um mito.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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