{"id":28108,"date":"2025-05-15T11:05:40","date_gmt":"2025-05-15T14:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/entre-a-riqueza-do-congo-e-a-miseria-dos-congoleses-por-kuteta-da-rosa-quimuanga-augusto\/"},"modified":"2025-05-15T11:05:40","modified_gmt":"2025-05-15T14:05:40","slug":"entre-a-riqueza-do-congo-e-a-miseria-dos-congoleses-por-kuteta-da-rosa-quimuanga-augusto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/entre-a-riqueza-do-congo-e-a-miseria-dos-congoleses-por-kuteta-da-rosa-quimuanga-augusto\/","title":{"rendered":"Entre a riqueza do Congo e a mis\u00e9ria dos congoleses (por Kuteta da Rosa Quimuanga Augusto)\u00a0"},"content":{"rendered":"<section>\n<div>\n<p><strong>Kuteta da Rosa Quimuanga Augusto (*)<\/strong><\/p>\n<p><span>Explora\u00e7\u00e3o, mortes, viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos, riqueza e mis\u00e9ria s\u00e3o vari\u00e1veis que se relacionam entre si nos limites do vasto territ\u00f3rio da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Essas vari\u00e1veis respondem por um elevado n\u00famero de ocorr\u00eancias naquele pa\u00eds da \u00c1frica central desde a sua independ\u00eancia da administra\u00e7\u00e3o colonial imposta pelos belgas. Assim, o cen\u00e1rio social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico de cerca de 100 milh\u00f5es de congoleses t\u00eam sido moldado pelas vari\u00e1veis mencionadas acima, dado que a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o do Estado moderno do Congo \u00e9 relativamente recente e a sua hist\u00f3ria parece estar atrelada aos mesmos fatores de sempre.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cA extra\u00e7\u00e3o de coltan contribui para manter um dos maiores conflitos armados da \u00c1frica, que j\u00e1 causou mais de cinco milh\u00f5es de mortos, \u00eaxodo em massa e viola\u00e7\u00f5es de 300 mil mulheres nos \u00faltimos 15 anos, segundo organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Isto foi reconhecido em 2001 pelo Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)\u201d, aponta a doutora Elisa Rodrigues Dassoler no seu <\/span><a href=\"https:\/\/www.revistas.udesc.br\/index.php\/ciclos\/article\/view\/4967\"><span>estudo sobre a explora\u00e7\u00e3o do mineral <\/span><i><span>coltan <\/span><\/i><span>na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/span><\/a><span>.<\/span><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span>A Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u00e9 um pa\u00eds localizado no centro\u00a0 do continente africano. Possui uma vasta fronteira terrestre com diversos pa\u00edses como Angola, Z\u00e2mbia, Ruanda, Uganda, Congo-Brazzaville, entre outros. O pa\u00eds possui uma variedade de grupos \u00e9tnicos que constituem um tecido social complexo. Foi uma col\u00f3nia belga desde o final do s\u00e9culo XIX, se tornando independente da administra\u00e7\u00e3o colonial europeia em julho de 1960. Desde a sua independ\u00eancia, tem mergulhado em crises pol\u00edticas, desencadeando guerras e outras formas de conflitos latentes perpetrados por grupos armados.<\/span><\/p>\n<p><span>Recentemente, o conflito no leste do Congo entre as for\u00e7as do governo e grupos armados tem se intensificado, levando o pa\u00eds \u00e0 beira de uma cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria e uma fragmenta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio em diversas partes. Milhares de pessoas s\u00e3o for\u00e7adas diariamente a abandonar os seus lares e procurarem por ref\u00fagios, enquanto outras s\u00e3o obrigadas a arriscar a sua vida nas minas de explora\u00e7\u00e3o de coltan e outros minerais para poder sobreviver, sem que haja outras escolhas, e , por outro lado, uma toda cadeia de valor se beneficiando dos recursos a\u00ed extra\u00eddos para alimentar uma vasta linha de produ\u00e7\u00e3o que \u00e9 demandada pelo mundo inteiro.<\/span><\/p>\n<p><span>Assim, urge apresentar como o conflito no Congo tem sido alimentado e \u201cfomentado\u201d por v\u00e1rios atores com objetivo de pilhar os recursos do pa\u00eds; como as multinacionais se beneficiam da degrada\u00e7\u00e3o da soberania nacional congolesa e, sobretudo, como os congoleses s\u00e3o afetados pelo longo conflito que assola aquele pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><b>Congo, um pa\u00eds familiarizado com a guerra<\/b><\/p>\n<p><span>O hist\u00f3rico de instabilidade pol\u00edtica e social na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo remonta aos primeiros anos depois da proclama\u00e7\u00e3o da sua independ\u00eancia. Poucos meses depois da tomada da independ\u00eancia, o pa\u00eds j\u00e1 mergulhara em um cen\u00e1rio de conflito quando houve a insurg\u00eancia na prov\u00edncia de Katanga, onde um grupo de congoleses, com ajuda de companhias belgas que atuavam na prov\u00edncia e tinham interesse na explora\u00e7\u00e3o dos recursos daquela prov\u00edncia, apoiaram um movimento dissidente, causando instabilidade pol\u00edtica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Devido \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o da sua pol\u00edtica externa, o rec\u00e9m empossado primeiro-ministro congol\u00eas, Patrice Lumumba, atraiu inimigos em sua dire\u00e7\u00e3o, o que culminou com o seu assassinato em 1961. Os anos a seguir a sua morte foram repletos de instabilidade e sucessivos golpes de estado, deixando assim um espa\u00e7o de fraca atua\u00e7\u00e3o do aparelho estatal, bem como uma administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica prec\u00e1ria na vasta extens\u00e3o do territ\u00f3rio congol\u00eas, segundo <\/span><a href=\"https:\/\/www.unive.it\/pag\/fileadmin\/user_upload\/dipartimenti\/filosofia\/doc\/laboratori\/laris\/Degradacao-do-trabalho-no-capitalismo-de-plataformas.pdf\"><span>estudos<\/span><\/a><span> feitos pela pesquisadora Giorgio Pirina da Universidade de Bolonha.<\/span><\/p>\n<p><span>Dois fatores preponderantes e estruturantes do atual cen\u00e1rio econ\u00f4mico, social, pol\u00edtico e ambiental da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo s\u00e3o justamente as duas guerras que o pa\u00eds atravessou, sendo elas respons\u00e1veis por diversos males na sociedade congolesa, tal como \u00e9 de se esperar em qualquer cen\u00e1rio de guerra. Revoltas contra o governo desp\u00f3tico de Mobutu, ent\u00e3o presidente do Zaire (nome que ele tinha concedido ao pa\u00eds), levou a cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias mil\u00edcias e outros grupos armados que, descontentes com o governo autorit\u00e1rio que era bastante limitado \u00e0 regi\u00e3o oeste do pa\u00eds, passaram a controlar partes do territ\u00f3rio nacional, levando-o \u00e0 uma completa fragmenta\u00e7\u00e3o. Come\u00e7a assim a primeira guerra do Congo, que durou at\u00e9 in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, quando Mobutu foi derrubado pelo grupo armado de Laurent Kabila com apoio de outros pa\u00edses africanos e da Fran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span>Como consequ\u00eancia de um cen\u00e1rio de guerra mal resolvido, e dado o modo pelo qual Kabila tomou o poder, n\u00e3o demorou que novas mil\u00edcias surgissem no interior do pa\u00eds, sobretudo no leste, regi\u00e3o mais rica, em contesta\u00e7\u00e3o do novo governo rec\u00e9m implantado. A segunda guerra do Congo contou com a participa\u00e7\u00e3o massiva de outros pa\u00edses africanos no conflito, como Angola, Ruanda, Zimb\u00e1bue, Uganda, Chade, entre outros. Assim, os pesquisadores Silva e Saraiva apontam nos seus <\/span><a href=\"https:\/\/d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net\/31063011\/22-CASTELLANO_SARAIVA-2008-PERSP-RDCongo-libre.pdf?1392254953=&amp;response-content-disposition=inline%3B+filename%3DIneficiencia_do_Estado_o_papel_da_guerra.pdf&amp;Expires=1729483366&amp;Signature=diuLGePEyFaTk0AxObBMZptDXrc76ECbN5VNY73qgvBQvDofsMV326tc43C-nX0G1L1G4bkJP9BYAaFfyZKh0BErw5k3NsrQc9PTcn1FKtlyky5kiDC-hGRjNIfAK9QRzuWO452kCz6-78fRr7D-Wip5knwFID8~cjH2qZEZ3zKOOVi~vWUFqyVVW-SQuCN1wx9-aAohjuWh-EMkqxjetlwkyOiyfL9h6sprPPZWbPW7W5zK2qPDsHBjLVolbwUlAh3cgBjVKmveNnXSPOus6CyBuYUmrA9-mqa4QqC6kItfWviuw0Bjjlc4ViXEftWv77RPd7iqiDC87hg262zFfA__&amp;Key-Pair-Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA\"><span>estudos<\/span><\/a><span> hist\u00f3ricos do conflito no Congo: \u201c A multiplicidade de pa\u00edses participantes da guerra \u2013 tanto pelo lado dos agressores (Uganda e Ruanda), quanto pelo bloqueio (Congo, Zimb\u00e1bue, Angola, Nam\u00edbia, Sud\u00e3o, Chad e L\u00edbia), al\u00e9m das guerrilhas armadas \u2013 trouxe \u00e0 tona o real peso estrat\u00e9gico do Congo na regi\u00e3o\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Contudo, nos \u00faltimos anos o conflito no leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo tem sido protagonizado pelo grupo rebelde \u201c23 de Mar\u00e7o\u201d, que reivindica o controle da regi\u00e3o leste se opondo ao governo de Kinshasa. Sua origem remonta ao desentendimento durante a consolida\u00e7\u00e3o do acordo que p\u00f4s fim \u00e0 segunda Guerra do Congo em 2003 (para mais detalhe <\/span><a href=\"https:\/\/revistascientificas.us.es\/index.php\/araucaria\/article\/view\/23317\"><span>vide<\/span><\/a><span>). No entanto, desde 2021, este grupo armado tem sido respons\u00e1vel pelo deslocamento de milhares de pessoas e pela viol\u00eancia extrema contra civis. \u00c9 neste cen\u00e1rio ca\u00f3tico e beligerante que se encontra a maioria da popula\u00e7\u00e3o do Congo, enfrentando uma crise humanit\u00e1ria que j\u00e1 vai durando por d\u00e9cadas.<\/span><\/p>\n<p><b>Por que o conflito no Congo n\u00e3o termina?<\/b><\/p>\n<p><span>A Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u00e9 um pa\u00eds altamente rico em reservas de min\u00e9rios como o <\/span><i><span>coltan, <\/span><\/i><span>ouro, diamante, etc. Sua estrutura econ\u00f4mica \u00e9 muito dependente da extra\u00e7\u00e3o dos mesmos recursos, tornando o pa\u00eds muito suscet\u00edvel \u00e0s varia\u00e7\u00f5es dos pre\u00e7os destes min\u00e9rios no mercado internacional e, ainda, ref\u00e9m das multinacionais cuja produ\u00e7\u00e3o depende em larga medida da extra\u00e7\u00e3o destes recursos.<\/span><\/p>\n<p><span>Um<\/span><a href=\"https:\/\/monuc.unmissions.org\/sites\/default\/files\/A-HRC-13-64%20-%20ENGLISH.pdf\"><span> relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/span><\/a><span> publicado em 2010 sobre o longo conflito no leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo demonstrou haver uma rela\u00e7\u00e3o precisa entre o conflito naquele pa\u00eds e a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais que s\u00e3o muito requisitados por empresas internacionais da \u00e1rea de tecnologia de informa\u00e7\u00e3o e eletr\u00f4nicos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Ademais, um <\/span><a href=\"https:\/\/youtu.be\/Tv-hE4Yx0LU?si=AsWjrsQuwCt34t-P\"><span>document\u00e1rio<\/span><\/a><span> produzido pelo dinamarqu\u00eas <\/span><span>Frank Piasecki Poulsen, lan\u00e7ado em 2010, demonstrou como algumas empresas do ramo das tecnologias que s\u00e3o conhecidas a n\u00edvel mundial, com elevado prest\u00edgio, est\u00e3o envolvidas com grupos armados que controlam partes do territ\u00f3rio congol\u00eas, ou seja, \u00e1reas onde abundam os cobi\u00e7ados e procurados min\u00e9rios do Congo. Estes grupos armados s\u00e3o respons\u00e1veis pela pilhagem dos recursos do Estado congol\u00eas e t\u00eam submetido milhares de trabalhadores, entre crian\u00e7as e mulheres, a trabalhos for\u00e7ados e em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Infelizmente, ou felizmente, o Congo alberga mais de 50% das reservas mundiais de min\u00e9rio de <\/span><i><span>coltan<\/span><\/i><span>. Este min\u00e9rio possui uma alta capacidade de condu\u00e7\u00e3o e armazenamento de energia, sendo mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios produtos eletr\u00f4nicos, como baterias, celulares, notebooks, entre outros. Pode ser ainda que o laptop que o caro leitor esteja usando neste momento tenha, no seu interior, <\/span><i><span>coltan<\/span><\/i><span>\u00a0vindo do Congo!<\/span><\/p>\n<p><span>A ind\u00fastria tecnol\u00f3gica mundial depende significativamente de minerais como o <\/span><i><span>coltan <\/span><\/i><span>e o t\u00e2ntalo para alimentar uma vasta cadeia global de valor com um elevado volume de neg\u00f3cios. Assim, a explora\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio representa uma fonte de elevados lucros para muitas empresas. A este respeito, um <\/span><a href=\"https:\/\/thetricontinental.org\/pt-pt\/dossie-77-congoleses-lutam-por-sua-propria-riqueza\/\"><span>dossi\u00ea <\/span><\/a><span>publicado pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social declara: \u201c <\/span><i><span>O pre\u00e7o das commodities digitais \u00e9 ainda mais barato devido \u00e0s baixas receitas obtidas pelo Estado congol\u00eas. Para citar o exemplo de uma empresa multinacional que \u00e9 fundamental para a extra\u00e7\u00e3o de recursos da RDC, a Glencore registrou ganhos ajustados ao mercado de 3,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2023 (antes de juros e impostos) (Goriainoff, Laursen, 2024). \u00c9 o \u2018subs\u00eddio\u2019 dos sal\u00e1rios suprimidos (parcialmente facilitado pelo trabalho for\u00e7ado e\/ou coagido) e a redu\u00e7\u00e3o da receita do Estado que proporcionam a essa empresa ganhos t\u00e3o altos. Sem o sangue, o suor e a mis\u00e9ria da parcela congolesa do \u2018bilh\u00e3o inferior\u2019 e as mat\u00e9rias-primas que eles produzem, as empresas do Norte Global n\u00e3o poderiam extrair lucros t\u00e3o altos.<\/span><\/i><span>\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>Por outro lado, existem evid\u00eancias que nos levam a crer que, desde o ressurgimento da mil\u00edcia M23 cujas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o explicitamente condenadas pela ONU e outros movimentos pela paz e de luta de direitos humanos, a regi\u00e3o leste do Congo, sobretudo nas prov\u00edncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, duas regi\u00f5es com alta concentra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios, que a presen\u00e7a ruandesa no Congo tem se intensificando. Ali\u00e1s, por v\u00e1rias vezes, o atual presidente congol\u00eas F\u00e9lix Tshisekedi acusou Paul Kagame, presidente do Ruanda, de fornecer apoio ao grupo armado M23.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Ruanda \u00e9 um pa\u00eds vizinho do Congo democr\u00e1tico que, ao longo da hist\u00f3ria dos conflitos no pa\u00eds, tem desempenhado um papel importante. Por exemplo, esteve envolvido no surgimento da primeira guerra congolesa e apoiou movimentos rebeldes no leste do pa\u00eds por ocasi\u00e3o da eclos\u00e3o da segunda guerra congolesa.<\/span><\/p>\n<p><span>O seu interesse no conflito? Parece ser evidente a resposta a esta pergunta. De fato, Ruanda \u00e9 um pa\u00eds que nos \u00faltimos anos tem se tornado um fiel aliado do Ocidente naquela regi\u00e3o da \u00c1frica, obtendo privil\u00e9gios nessa parceria, quer econ\u00f4micos, quer no \u00e2mbito militar. Seu poder b\u00e9lico tem sido estimado e a qualidade t\u00e9cnica do seu ex\u00e9rcito \u00e9 uma das melhores na \u00c1frica no momento. Isto lhe d\u00e1 possibilidade de fornecer apoio t\u00e9cnico aos grupos rebeldes que ocupam a regi\u00e3o leste do Congo. Importa ainda ressaltar que nem a MONUSCO (Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Estabiliza\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo), criada em 2010 pelo Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, conseguiu at\u00e9 ao momento desmobilizar o grupo armado M23 nas suas incurs\u00f5es no territ\u00f3rio congol\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span>Voltando \u00e0 quest\u00e3o feita mais acima, o interesse do presidente ruand\u00eas nos min\u00e9rios do Congo \u00e9 claramente evidente. Uma <\/span><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mundo\/ft1611200809.htm\"><span>not\u00edcia<\/span><\/a><span> publicada pela <em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em> em 2008 dava conta que boa parte dos equipamentos militares que os grupos armados no Congo utilizavam eram obtidos por meio de troca direta por min\u00e9rios com pa\u00edses vizinhos.<\/span><\/p>\n<p><span>Apesar de o presidente ruand\u00eas negar publicamente o seu envolvimento no conflito congol\u00eas, como se pode notar na sua <\/span><a href=\"https:\/\/youtu.be\/GkYITUcuiRg?si=eGTRD_Duf9UjhFys\"><span>entrevista<\/span><\/a><span> concedida ao canal franc\u00eas \u201cFrance24\u201d , h\u00e1 fortes ind\u00edcios da participa\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds no conflito, n\u00e3o somente financiando grupo armados, como tamb\u00e9m em caso mesmo de invas\u00e3o ao territ\u00f3rio congol\u00eas. Uma mat\u00e9ria publicada pelo jornal <\/span><i><span>The Economist <\/span><\/i><span>dava conta que, desde janeiro, o ex\u00e9rcito ruand\u00eas invadiu o territ\u00f3rio congol\u00eas e tem ocupado partes do leste. L\u00ea-se na mat\u00e9ria publicada: \u201c<\/span><i><span>Cerca de 3.000-4.000 soldados ruandeses \u2014 uma \u201cestimativa conservadora\u201d dos especialistas <\/span><\/i><i><span>da ONU<\/span><\/i><i><span> \u2014 est\u00e3o posicionados na prov\u00edncia de Kivu do Norte, no Congo, de acordo com o relat\u00f3rio. Se for assim, Ruanda pode ter ainda mais botas no ch\u00e3o do que <\/span><\/i><i><span>o M23<\/span><\/i><i><span>, que supostamente comanda cerca de 3.000 combatentes<\/span><\/i><span>.<\/span><span>\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>Importa ainda sublinhar que a prov\u00edncia de Kivu do Norte \u00e9 umas das prov\u00edncias congolesas com maior reservas de min\u00e9rios diversos, estando assim evidente a inten\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito ruand\u00eas no solo congol\u00eas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Portanto, a fragilidade e incapacidade material do Estado congol\u00eas de coordenar pol\u00edticas internas que possam assegurar a defesa da integridade do territ\u00f3rio nacional acaba por ser, em grande parte, um fator que contribui a crescente instabilidade no pa\u00eds, atendendo\u00a0 a fragilidade do seu ex\u00e9rcito e a car\u00eancia de meios eficientes para manter a seguran\u00e7a nacional.<\/span><\/p>\n<p><b>Um povo no meio da mis\u00e9ria<\/b><\/p>\n<p><span>Em meio a um cen\u00e1rio de guerra que se registra por anos, a popula\u00e7\u00e3o congolesa vai pagando um alto pre\u00e7o pela sua riqueza natural. <\/span><a href=\"https:\/\/monuc.unmissions.org\/sites\/default\/files\/A-HRC-13-64%20-%20ENGLISH.pdf\"><span>Estima-se<\/span><\/a><span> que, desde o in\u00edcio da guerra no Congo em finais da d\u00e9cada de 1990, pelo menos 6 milh\u00f5es de pessoas j\u00e1 tenham perdido a vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Os constantes combates no leste do pa\u00eds tem levado milh\u00f5es de pessoas a um n\u00edvel de mis\u00e9ria extrema, agravando assim a situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Segundo <\/span><a href=\"https:\/\/documents.worldbank.org\/en\/publication\/documents-reports\/documentdetail\/099436004082472809\/idu151419a76150bd149db1b33314bff013fc545\"><span>dados <\/span><\/a><span>do Banco Mundial, a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u00e9 um dos pa\u00edses mais pobres do mundo, onde mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo da linha de pobreza, sobrevivendo com menos de 1 d\u00f3lar por dia.<\/span><\/p>\n<p><span>A guerra tem for\u00e7ado milh\u00f5es de pessoas a abandonarem as suas terras de origem \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Segundo um <\/span><a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/world-report\/2024\/country-chapters\/democratic-republic-congo\"><span>relat\u00f3rio<\/span><\/a><span> do <\/span><i><span>Human Right Watch, <\/span><\/i><span>desde 2012, o grupo armado M23 j\u00e1 causou o desalojamento de 7 milh\u00f5es de pessoas que tiveram que se abrigar em campos\u00a0 de refugiados, estando \u00e0 merc\u00ea de ajuda humanit\u00e1ria de ONGs e de outras entidades solid\u00e1rias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Os campos de refugiados t\u00eam sido um espa\u00e7o propenso \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de muitas doen\u00e7as, dada a escassez de recursos e a falta de condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. \u201c<\/span><span>Nesses lugares, as fam\u00edlias precisam se aglomerar em abrigos improvisados que oferecem pouca ou nenhuma prote\u00e7\u00e3o contra a chuva. Todos os dias, as pessoas nos dizem <\/span><a href=\"https:\/\/www.msf.org.br\/noticias\/violencia-agrava-a-crise-de-desnutricao-na-republica-democratica-do-congo-leia-os-relatos-de-cinco-familias-afetadas\/\"><span>que \u00e9 uma luta para conseguir comida suficiente e \u00e1gua pot\u00e1vel<\/span><\/a><span> \u2013 muitas vezes ficam sem nada. Centenas de pessoas s\u00e3o for\u00e7adas a compartilhar apenas um banheiro e n\u00e3o t\u00eam onde se banhar.\u201d L\u00ea-se em um<\/span><a href=\"https:\/\/www.msf.org.br\/noticias\/conflitos-na-republica-democratica-do-congo-quatro-questoes-para-entender-a-situacao\/\"><span> artigo<\/span><\/a><span> publicado pela organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dico Sem Fronteira .<\/span><\/p>\n<p><span>No \u00e2mbito da explora\u00e7\u00e3o nas minas, a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores congoleses que se submetem a esse tipo de atividade, como forma de sobreviver em um cen\u00e1rio hostil, \u00e9 catastr\u00f3fica. H\u00e1 fortes ind\u00edcios de trabalho escravo sendo praticado pelos grupos armados que controlam as minas, submetendo inclusive crian\u00e7as \u00e0 condi\u00e7\u00f5es de trabalho semelhantes a escravid\u00e3o, com elevadas horas de trabalho, sem equipamentos apropriados, riscos de acidentes, entre outros males.<\/span><\/p>\n<p><span>Segundo o relat\u00f3rio \u201c<\/span><a href=\"https:\/\/www.amnesty.org\/en\/documents\/afr62\/3183\/2016\/en\/\"><span>This is what we die for\u201d<\/span><\/a><span> da Anistia Internacional, existem cerca de 40.000 crian\u00e7as nas principais minas do Congo, trabalhando at\u00e9 12 horas por dia, se expondo a muitos perigos de morte, como risco de desabamento ou inala\u00e7\u00e3o de gases qu\u00edmicos nocivos. Este cen\u00e1rio tem sido complementado pela aus\u00eancia de uma estrutura governamental que possa regular esta atividade, impondo as barreiras necess\u00e1rias. Em contraste, o cen\u00e1rio de guerra dificulta cada vez mais a exist\u00eancia de entidades do governo que possam disciplinar a atividade extrativa, na medida em que os grupos armados que controlam as regi\u00f5es mineiras est\u00e3o pouco preocupados em salvaguardar a integridade f\u00edsica dos mineiros. Por outro lado, muitas vezes eles obrigam os mineiros a trabalharem para eles, pagando o equivalente \u00e0 uma explora\u00e7\u00e3o escravista de fato.<\/span><\/p>\n<p><b>O que diz\/faz a comunidade internacional?<\/b><\/p>\n<p><span>O conflito na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo atraiu por v\u00e1rias vezes a aten\u00e7\u00e3o da comunidade internacional desde o seu in\u00edcio em 1996. A cria\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Congo (<\/span><b>MONUC<\/b><span>), em 1999, representa a significa\u00e7\u00e3o e a urg\u00eancia que tem se concedido a este pa\u00eds, levando em conta a vulnerabilidade do respectivo governo em assegurar, sobretudo, a seguran\u00e7a para as suas popula\u00e7\u00f5es. Com efeito, esta primeira miss\u00e3o da ONU foi transformada em 2010 na Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Estabiliza\u00e7\u00e3o do Congo (<\/span><b>MONUSC<\/b><span>), que atualmente \u00e9 a maior miss\u00e3o da ONU em todo mundo, dado ao elevado n\u00famero de soldados mobilizados no processo.<\/span><\/p>\n<p><span>Apesar de as Na\u00e7\u00f5es Unidas desempenharem um papel important\u00edssimo na defesa dos direitos humanos na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, a sua a\u00e7\u00e3o ainda tem sido bastante criticada na medida em que n\u00e3o tem criado uma sa\u00edda vi\u00e1vel para o conflito\u00a0 desde o seu in\u00edcio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>O conflito nos \u00faltimos anos parece esquecido. A maioria das m\u00eddias convencionais n\u00e3o d\u00e3o o destaque merecido, levando em conta a complexidade do conflito. Por outro lado, as a\u00e7\u00f5es dos movimentos e ONGs que fazem protesto contra as grandes multinacionais, cujas cadeias de fornecimento de mat\u00e9rias-primas encontram-se vinculadas \u00e0s minas do Congo, parecem ganhar pouca for\u00e7a. Como um jeito de protesto ao sil\u00eancio da comunidade internacional, os jogadores da sele\u00e7\u00e3o congolesa cobriram a boca e apontaram os dedos nas respectivas cabe\u00e7as, simbolizando armas, nos jogos oficiais do Campeonato Africano das Na\u00e7\u00f5es deste ano.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>E, por fim, o sangue dos miser\u00e1veis continua pelo mundo!<\/b><\/p>\n<p><span>\u00c9 comum em \u00c1frica que os pa\u00edses onde abundam recursos naturais nos solos sejam repletos, na mesma medida, de conflitos pol\u00edticos. \u00c9 o caso paradigm\u00e1tico do que se convencionou chamar de <\/span><i><span>a maldi\u00e7\u00e3o dos recursos naturais <\/span><\/i><span>e de <\/span><i><span>a doen\u00e7a holandesa. <\/span><\/i><span>Os ricos miser\u00e1veis congoleses continuam enfrentando os desafios que o seu pa\u00eds lhes coloca de diversas formas. O desafio principal, passa por se consolidar uma organiza\u00e7\u00e3o estatal robusta que consiga cumprir com as exig\u00eancias m\u00ednimas de um Estado: seguran\u00e7a, justi\u00e7a e paz. Contudo, enquanto a demanda dos min\u00e9rios do Congo for mais valorizado do que os congoleses, donos da terra, o conflito vai tender a perdurar e a espalhar o sangue, das v\u00edtimas de um trabalho escravo como de outras formas de viol\u00eancia, por todo mundo nos luxuosos e sofisticados iPhones, MacBooks, e outros.<\/span><\/p>\n<p><strong>(*)<\/strong> <em>Estudante de rela\u00e7\u00f5es internacionais na Universidade da Integra\u00e7\u00e3o internacional da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB).<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a7\u00a7\u00a7<\/strong><\/p>\n<p><em>As opini\u00f5es emitidas nos artigos publicados no espa\u00e7o de opini\u00e3o expressam a posi\u00e7\u00e3o de seu autor e n\u00e3o necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/section>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2025\/05\/entre-a-riqueza-do-congo-e-a-miseria-dos-congoleses-por-kuteta-da-rosa-quimuanga-augusto\/\">Entre a riqueza do Congo e a mis\u00e9ria dos congoleses (por Kuteta da Rosa Quimuanga Augusto)\u00a0<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/\">Sul 21<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/frevo-filme-recifense-e-lancamento-de-livro-colocam-cinema-pernambucano-em-destaque-no-festival-de-cannes\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/bdf-20250518-193148-41eff3-975x570-1-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Frevo, filme recifense e lan\u00e7amento de livro coloc...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/berta-caceres-10-anos-de-semente-e-luta-contra-o-capital-e-a-impunidade\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image_processing20200302-3382-1jh6603-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Berta C\u00e1ceres: 10 anos de semente e luta contra o ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/outono-comeca-com-calor-no-sul-e-em-mato-grosso-do-sul\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Outono come\u00e7a com calor no Sul e em Mato Grosso do...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/bolsonaro-volta-a-jogar-aliados-aos-leoes-em-trama-golpista\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/1666909137635b03d19b7c0_1666909137_3x2_lg-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Bolsonaro volta a jogar aliados aos le\u00f5es em trama...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kuteta da Rosa Quimuanga Augusto (*) Explora\u00e7\u00e3o, mortes, viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos, riqueza e mis\u00e9ria s\u00e3o vari\u00e1veis que se relacionam entre si nos limites do vasto territ\u00f3rio da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Essas vari\u00e1veis respondem por um elevado n\u00famero de ocorr\u00eancias naquele pa\u00eds da \u00c1frica central desde a sua independ\u00eancia da administra\u00e7\u00e3o colonial imposta pelos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[153,6153],"tags":[],"class_list":["post-28108","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao","category-republica-democratica-do-congo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28108\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}