{"id":28684,"date":"2025-05-19T19:54:39","date_gmt":"2025-05-19T22:54:39","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/davi-vs-golias-o-iemen-enfrenta-israel\/"},"modified":"2025-05-19T19:54:39","modified_gmt":"2025-05-19T22:54:39","slug":"davi-vs-golias-o-iemen-enfrenta-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/davi-vs-golias-o-iemen-enfrenta-israel\/","title":{"rendered":"Davi vs. Golias: o I\u00eamen enfrenta Israel\u00a0"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"664\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-6.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-6.jpeg 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-6-300x195.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-6-768x498.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Uma vista a\u00e9rea de apoiadores Houthi protestando contra Israel e o presidente dos EUA, Donald Trump, em 9 de maio de 2025. Foto:Mohammed Hamoud \/ Getty Images <\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Ashok Kumar<\/strong>, em <em><a href=\"https:\/\/jacobin.com\/2025\/05\/yemen-houthis-us-bombing-ports\">Jacobin<\/a> | <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Antonio Martins<\/strong><\/p>\n<p>Em 12 de maio, um artigo do <em>New York Times<\/em> intitulado \u201cPor Que Trump Declarou Vit\u00f3ria Sobre a Guerrilha Houthi\u201d revelou involuntariamente o fracasso da coaliz\u00e3o liderada pelos EUA no I\u00eamen. O texto destacou que, enquanto os Estados Unidos queimavam muni\u00e7\u00f5es, os Houthis iemenitas (tamb\u00e9m denominados Ansar Allah), continuavam a atacar navios e abater drones impunemente. Em outras palavras: o I\u00eamen, um dos pa\u00edses mais pobres do mundo, imp\u00f4s com sucesso um bloqueio ao Mar Vermelho \u2014 uma das rotas mar\u00edtimas mais cr\u00edticas do mundo \u2014 enquanto os EUA e seus aliados patinavam, desperdi\u00e7ando bilh\u00f5es em defesa antim\u00edsseis, contra um oponente que os superou em cada novo lance.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es militares dos EUA no I\u00eamen resultaram em baixas civis significativas, com estimativas drasticamente conflitantes. A Airwars, um monitor de conflitos baseado no Reino Unido, documenta centenas de mortes de civis iemenitas em 181 a\u00e7\u00f5es militares estadunidenses desde 2002. Esses n\u00fameros contrastam dramaticamente com os relat\u00f3rios do Pent\u00e1gono, que admitem apenas treze mortes civis. Vista de forma mais ampla, a guerra civil iemenita, em curso desde 2014, provou-se ainda mais devastadora. Especialistas independentes estimam que os bombardeios e o bloqueio da coaliz\u00e3o liderada pela Ar\u00e1bia Saudita \u2014 apoiada por Washington \u2014 tenham contribu\u00eddo para mais de 150 mil mortes, e sejam parte de um conflito que j\u00e1 custou centenas de milhares de vidas iemenitas no total.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-1\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MATERIA-1-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MATERIA-1-5.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-1-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Como tudo isso aconteceu? Tr\u00eas fatores-chave explicam a capacidade dos Houthis de manter o bloqueio apesar da oposi\u00e7\u00e3o ocidental: seu controle sobre um ponto geogr\u00e1fico vital, seu arsenal dom\u00e9stico de m\u00edsseis e drones, e as vulnerabilidades inerentes \u00e0 ind\u00fastria naval globalizada e oligopolizada<\/p>\n<h3><strong>O bloqueio que abalou o mundo<\/strong><\/h3>\n<p>Em 19 de novembro de 2023, combatentes Houthis abordaram o navio Galaxy Leader, vinculado a Israel, no Mar Vermelho, estabelecendo o primeiro bloqueio naval da hist\u00f3ria imposto por uma for\u00e7a sem marinha pr\u00f3pria. A partir daquele momento, o I\u00eamen bloqueou efetivamente uma das rotas comerciais mais vitais do mundo, interrompendo um ter\u00e7o do tr\u00e1fego global de cont\u00eaineres e quase um quarto de todo o com\u00e9rcio mar\u00edtimo entre pa\u00edses sem fronteiras comuns<em>. <\/em>Os choques econ\u00f4micos foram imediatos. Gigantes do transporte mar\u00edtimo redirecionaram navios para o Cabo da Boa Esperan\u00e7a (no sul do continente africano) pela primeira vez em mais de 150 anos, fazendo disparar os tempos de transporte, custos e pr\u00eamios de seguro.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7ou, em 14 de novembro de 2023, o bloqueio visava apenas navios com destino a Israel. Desde o princ\u00edpio, os Houthis assumiram o compromisso de acabar com o genoc\u00eddio em Gaza, pressionando Israel economicamente.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos responderam com a Opera\u00e7\u00e3o Guardi\u00e3o da Prosperidade, uma coaliz\u00e3o de vinte na\u00e7\u00f5es \u2014 parte das quais se recusou a ser identificada publicamente \u2014 destinada a proteger o com\u00e9rcio no Mar Vermelho. Mesmo assim, o bloqueio do Ansar Allah continuou. Sua estrat\u00e9gia revelou uma mudan\u00e7a de paradigma fundamental na guerra nos mares: um ator n\u00e3o estatal, usando tecnologia barata e de produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, superava a alian\u00e7a militar mais poderosa da hist\u00f3ria.<strong><br \/><\/strong><br \/>No in\u00edcio de 2025, um fr\u00e1gil cessar-fogo foi estabelecido. O bloqueio do Mar Vermelho foi temporariamente suspenso. Por\u00e9m, em mar\u00e7o, quando Israel rompeu a tr\u00e9gua e intensificou sua campanha de fome em Gaza, o Ansar Allah agiu rapidamente para reimpor o cerco mar\u00edtimo. Desta vez, os EUA lan\u00e7aram uma campanha de bombardeios unilateral contra o I\u00eamen, com a Gr\u00e3-Bretanha \u2014 sempre a parceira j\u00fanior leal \u2014 rapidamente alinhando-se.<\/p>\n<h3><strong>O poder dos pontos geogr\u00e1ficos estrat\u00e9gicos<\/strong><\/h3>\n<p>O estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem de trinta e dois quil\u00f4metros de largura entre o I\u00eamen e o Djibuti, \u00e9 um dos gargalos mais cr\u00edticos do com\u00e9rcio global. Cerca de 12% a 15% de todo o com\u00e9rcio mundial passam por ele, incluindo 12% do petr\u00f3leo e 30% dos bens transportados em cont\u00eainers do planeta. Quando o Ansar Allah (Houthis) fechou o estreito, o impacto econ\u00f4mico foi colossal.<\/p>\n<p>Sob condi\u00e7\u00f5es normais, os transtornos em Bab el-Mandeb custam \u00e0 economia global cerca de US$ 23 bilh\u00f5es por ano. Imagine, ent\u00e3o, num bloqueio total. Sem acesso ao estreito, os navios foram for\u00e7ados a desviar pela longa e tempestuosa rota ao redor do Cabo da Boa Esperan\u00e7a, na \u00c1frica, adicionando semanas aos tempos de tr\u00e2nsito e milh\u00f5es em custos de combust\u00edvel por viagem.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos e seus aliados n\u00e3o podiam simplesmente bombardear o problema. O controle do I\u00eamen sobre o litoral significava que at\u00e9 mesmo alguns m\u00edsseis ou drones bem posicionados poderiam deter o transporte comercial indefinidamente.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/armasdacritica.boitempoeditorial.com.br\/\" aria-label=\"ADC30_Engels_anuncio_OP\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ADC30_Engels_anuncio_OP-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ADC30_Engels_anuncio_OP-1.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ADC30_Engels_anuncio_OP-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Produ\u00e7\u00e3o <\/strong><strong>d<\/strong><strong>om\u00e9stica de <\/strong><strong>a<\/strong><strong>rmas e <\/strong><strong>a<\/strong><strong>poio <\/strong><strong>do Ir\u00e3<\/strong><\/h3>\n<p>A geografia, por si s\u00f3, n\u00e3o explica o sucesso da estrat\u00e9gia do Ansar Allah. Na \u00faltima d\u00e9cada, o grupo construiu uma ind\u00fastria b\u00e9lica dom\u00e9stica not\u00e1vel, produzindo m\u00edsseis de cruzeiro, m\u00edsseis bal\u00edsticos e drones capazes de atingir navios a centenas de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 teve um papel crucial nesse desenvolvimento, fornecendo know-how t\u00e9cnico, componentes de m\u00edsseis e treinamento. Pelo menos desde 2014, a For\u00e7a Quds do Corpo da Guarda Revolucion\u00e1ria Isl\u00e2mica enviou assessores e armas para o I\u00eamen por via a\u00e9rea e mar\u00edtima, ajudando o Ansar Allah a estabelecer f\u00e1bricas de m\u00edsseis em Saa\u2019da.<\/p>\n<p>Mas a capacidade do I\u00eamen de adaptar tecnologia comercial para uso militar \u2014 como drones de fabrica\u00e7\u00e3o chinesa reconfigurados \u2014 foi igualmente importante. Essa combina\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e apoio estrangeiro permitiu ao Ansar Allah travar uma guerra assim\u00e9trica contra advers\u00e1rios muito mais ricos.<\/p>\n<h3><strong>A fragilidade do com\u00e9rcio mar\u00edtimo global<\/strong><\/h3>\n<p>A incapacidade dos EUA e seus aliados de interromper o bloqueio do Ansar Allah exp\u00f4s os custos ocultos por tr\u00e1s da \u201cefici\u00eancia\u201d do capitalismo mar\u00edtimo moderno. A marcha da ind\u00fastria naval nas \u00faltimas d\u00e9cadas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o e \u00e0 escala minou a estabilidade das rotas comerciais mar\u00edtimas. Essa fragilidade foi explorada com efeito devastador por grupos como o Ansar Allah.<\/p>\n<p>Hoje, o com\u00e9rcio global passa por um funil cada vez mais estreito. Nos \u00faltimos cinco anos, tr\u00eas ou quatro alian\u00e7as de navega\u00e7\u00e3o controlaram mais de 90% do tr\u00e1fego de cont\u00eaineres entre \u00c1sia, Europa e Am\u00e9rica do Norte. As frotas dessas alian\u00e7as s\u00e3o compostas por navios porta-cont\u00eaineres ultragrandes (ULCVs), impens\u00e1veis h\u00e1 algumas d\u00e9cadas. Nos anos 1980, os maiores navios carregavam 4.500 cont\u00eaineres; hoje, um ULCV t\u00edpico transporta 24.000.<\/p>\n<p>Mas a ado\u00e7\u00e3o do transporte em larga escala tamb\u00e9m teve um custo. Esse novo modelo trouxe tr\u00eas consequ\u00eancias principais:<\/p>\n<p>-A restri\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria: ULCVs exigem portos de \u00e1guas profundas com infraestrutura especializada, tornando apenas alguns poucos <em>hubs<\/em> globais capazes de atend\u00ea-los.<\/p>\n<p>-A armadilha da efici\u00eancia: A busca por capacidade m\u00e1xima eliminou toda folga do sistema. O transporte moderno funciona na precis\u00e3o <em>just-in-time<\/em>, onde atrasos medidos em horas podem causar congestionamentos de semanas. Quando o navio Ever Given bloqueou o Canal de Suez em 2021, estrangulou 12% do com\u00e9rcio global por seis dias.<\/p>\n<p>-O dom\u00ednio das alian\u00e7as: Com controle quase total das rotas vitais, as alian\u00e7as de transporte criaram um sistema onde sua avers\u00e3o ao risco tornou-se uma profecia autorrealiz\u00e1vel. Quando as seguradoras hesitam ou exigem pr\u00eamios crescentes, as alian\u00e7as redirecionam suas rotas em massa \u2013 como fizeram durante o bloqueio do Ansar Allah. A revolu\u00e7\u00e3o dos cont\u00eaineres, iniciada nos anos 1960, tornou este sistema poss\u00edvel, aumentando a produtividade portu\u00e1ria em cem vezes. Mas tamb\u00e9m eliminou os amortecedores que antes absorviam os choques. No passado, os estivadores moviam a carga pe\u00e7a por pe\u00e7a, criando redund\u00e2ncias naturais. Hoje, m\u00e1quinas automatizadas movem montanhas de cont\u00eaineres em horas \u2014 at\u00e9 que algo de errado. O Ansar Allah aparentemente entendeu perfeitamente esse c\u00e1lculo. Eles n\u00e3o precisavam derrotar a Marinha dos EUA; apenas fazer com que os pr\u00eamios de risco do Mar Vermelho superem seus lucros.<\/p>\n<p>O Comandante Eric Blomberg, que supervisionou a Opera\u00e7\u00e3o Guardi\u00e3o da Prosperidade, admitiu com relut\u00e2ncia: \u201cn\u00f3s [EUA] s\u00f3 precisamos errar uma vez\u2026 Os Houthis s\u00f3 precisam acertar uma.\u201d Este \u00e9 o paradoxo do capitalismo do s\u00e9culo XXI: as mesmas efici\u00eancias que geram lucros impressionantes tamb\u00e9m criam vulnerabilidades catastr\u00f3ficas. A maior for\u00e7a do sistema \u2013 sua interdepend\u00eancia fortemente entrela\u00e7ada \u2013 tornou-se sua maior fraqueza, quando confrontada com um movimento capaz de explorar seus pontos de press\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>A crise econ\u00f4mica de Israel<\/strong><\/h3>\n<p>O bloqueio atingiu Israel de forma especialmente dura. Cerca de 60% de seu PIB depende do com\u00e9rcio, e 99,6% disso (por peso, 65% por volume) \u00e9 transportado por mar. Tr\u00eas portos \u2013 Haifa, Ashdod e Eilat \u2013 operam 80% do tr\u00e1fego mar\u00edtimo do pa\u00eds. Mas em meados de 2024, a Eilat \u2013 que opera liga\u00e7\u00e3o vital de Israel com a \u00c1sia pelo Mar Vermelho \u2013 estava efetivamente morta, tendo declarado fal\u00eancia oficialmente ao parlamento (Knesset).<\/p>\n<p>Os navios recusaram-se a arriscar a viagem, optando pelo desvio de 11.000 milhas n\u00e1uticas ao redor da \u00c1frica. Os pr\u00eamios de seguro dispararam 900%, e os custos de transporte da China para a Europa quadruplicaram.<em> <\/em>\u201cAt\u00e9 as aclamadas exporta\u00e7\u00f5es de g\u00e1s natural de Israel foram paralisadas. O pa\u00eds perdeu a chance de realizar seu sonho de se tornar um <em>hub<\/em> regional de exporta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural liquefeito (GNL), dada a dificuldade e o custo de trazer grandes petroleiros para seus portos.<\/p>\n<p>Um novo cap\u00edtulo da guerra assim\u00e9trica\u201dO bloqueio do Ansar Allah no Mar Vermelho representou mais que um sucesso t\u00e1tico \u2013 revelou como atores menores podem alavancar as vulnerabilidades de uma economia global interconectada. Ao perturbar uma das rotas de navega\u00e7\u00e3o mais cr\u00edticas do mundo, ele demonstrou que numa era de com\u00e9rcio hipereficiente, at\u00e9 capacidades militares limitadas podem ter efeitos estrat\u00e9gicos desproporcionais. Os EUA e seus aliados, apesar de seu poder de fogo esmagador, lutaram para conter uma campanha que visava n\u00e3o apenas navios, mas a economia subjacente do com\u00e9rcio mar\u00edtimo. Enquanto a doutrina militar tradicional prioriza a for\u00e7a bruta, a abordagem do Ansar Allah explorou fraquezas sist\u00eamicas \u2013 rotas de navega\u00e7\u00e3o consolidadas, log\u00edstica <em>just-in-time<\/em> e mercados de seguros avessos ao risco.\u201d<\/p>\n<p>O resultado foi uma crise que n\u00e3o poderia ser resolvida apenas com m\u00edsseis. Este conflito tem implica\u00e7\u00f5es mais amplas sobre como o poder \u00e9 projetado no s\u00e9culo XXI. O dom\u00ednio militar j\u00e1 n\u00e3o garante controle quando pontos de press\u00e3o econ\u00f4mica \u2013 rotas de navega\u00e7\u00e3o, cadeias de suprimentos, sistemas financeiros \u2013 podem ser contestados por meios n\u00e3o convencionais. As ferramentas da globaliza\u00e7\u00e3o, projetadas para maximizar a efici\u00eancia, tamb\u00e9m criaram novas vulnerabilidades.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Foto:Mohammed Hamoud \/ Getty Images Boletim Outras Palavras Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site Assinar Loading&#8230; Assinar Loading&#8230; Agradecemos! 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