{"id":28896,"date":"2025-05-20T18:27:48","date_gmt":"2025-05-20T21:27:48","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/o-agro-quer-carta-branca-para-a-devastacao\/"},"modified":"2025-05-20T18:27:48","modified_gmt":"2025-05-20T21:27:48","slug":"o-agro-quer-carta-branca-para-a-devastacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-agro-quer-carta-branca-para-a-devastacao\/","title":{"rendered":"O \u201cagro\u201d quer carta-branca para a devasta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-7-1024x682-1.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-7-1024x682-1.jpeg 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-7-300x200.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-7-768x512.jpeg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-7-272x182.jpeg 272w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-7.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Foto de Daniel Govino (instagram: @daniel_g_govino), no festival Xina Bena (novo tempo) na aldeia Lago Lindo, aldeia Huni Kuin, Acre<br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cOs brancos n\u00e3o pensam muito adiante no futuro. Sempre est\u00e3o preocupados demais com as coisas do momento. \u00c9 por isso que eu gostaria que eles ouvissem minhas palavras. Gostaria que, ap\u00f3s t\u00ea-las compreendido, dissessem a si mesmos: \u201cOs Yanomami s\u00e3o gente diferente de n\u00f3s e, no entanto, suas palavras s\u00e3o retas e claras. Agora entendemos o que eles pensam. Eles ali foram criados e vivem sem preocupa\u00e7\u00e3o desde o primeiro tempo. O pensamento deles segue caminhos outros que o da mercadoria. Eles querem viver como lhes apraz. Seu costume \u00e9 diferente. Querem defender sua terra porque desejam continuar vivendo nela como antigamente. Assim seja! Se eles n\u00e3o a protegerem, seus filhos n\u00e3o ter\u00e3o lugar para viver felizes. V\u00e3o pensar que a seus pais de fato faltava intelig\u00eancia, j\u00e1 que s\u00f3 ter\u00e3o deixado para eles uma terra nua e queimada. Impregnada de fuma\u00e7as de epidemia e cortada por rios de \u00e1guas sujas!\u201d <br \/><strong>Davi Kopenawa<\/strong><\/p>\n<p>As palavras de Davi Kopenawa acendem um campo de consci\u00eancia radicalmente conectado com a vida, com o invis\u00edvel e com os ciclos. Em <em>A Queda do C\u00e9u<\/em>, o paj\u00e9 Yanomami conta como Omama criou a terra, a diversidade de vida, os xapiri, o vento e os rios. Inaugura um tempo em que tudo est\u00e1 entrela\u00e7ado e pulsante. \u00c9 preciso ouvir e interpretar o canto dos p\u00e1ssaros.\u00a0<\/p>\n<p>No Acre, entre os Huni Kuin, a origem do mundo n\u00e3o est\u00e1 separada do dia a dia. Cada esp\u00e9cie tem seu yuxin, que s\u00e3o for\u00e7as espirituais presentes em tudo que existe. Entre eles, o conhecimento verdadeiro vem dos sonhos e da troca entre todos os seres que dan\u00e7am de olhos fechados em movimento cont\u00ednuo, transformando tudo ao redor. Efeito borboleta.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-4\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MATERIA-4-8.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/MATERIA-4-8.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-4-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Para os povos dos rios, o ch\u00e3o \u00e9 mem\u00f3ria, \u00e9 tempo espiralado, \u00e9 meio de vida. O territ\u00f3rio Guarani-Kaiow\u00e1 \u00e9 um \u201ctekoha\u201d, ou seja, onde \u00e9 poss\u00edvel o modo de vida bom, justo, conectados com o esp\u00edrito. Corpo e cultura se enraizam no solo vivo da floresta, entrela\u00e7ado com o invis\u00edvel. Assim, todo alimento pode ser medicinal, desde que cultivado e colhido segundo os ensinamentos dos \u00d1ande Ru, em harmonia com os jara kuera, os protetores espirituais de cada ser.\u00a0<\/p>\n<p>Para os Krenak, o rio \u00e9 um parente querido. Como diz Ailton Krenak, \u201ctrata-se de sentir a vida nos outros seres, numa \u00e1rvore, numa montanha, num peixe, num p\u00e1ssaro, e se implicar. A presen\u00e7a dos outros seres n\u00e3o apenas se soma \u00e0 paisagem do lugar que habito, como modifica o mundo.\u201d<\/p>\n<p>Nos quilombos, o rufar dos saberes antigos desperta com o som grave dos tambores que ecoam de longe: o som reverbera as matrizes que resistiram ao mais horrendo tr\u00e1fico humano perpetrado pela ordem colonial que ainda estrutura o presente.\u00a0<\/p>\n<p>Para as comunidades rurais no Brasil, a ro\u00e7a n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 plantio, \u00e9 mem\u00f3ria viva e resist\u00eancia cotidiana. O territ\u00f3rio \u00e9 express\u00e3o de um tempo qu\u00e2ntico que se dobra sobre si, onde passado, presente e futuro caminham juntos. O ch\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de um, mas de todos. \u00c9 a mem\u00f3ria que sustenta o mundo. O territ\u00f3rio \u00e9 infinito poss\u00edvel, condi\u00e7\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p>Mas essa mem\u00f3ria incomoda porque desestabiliza. Ela revela v\u00ednculos, alimenta o imagin\u00e1rio de futuros poss\u00edveis, resgata direitos e evoca outras formas de viver. E \u00e9 justamente esse ch\u00e3o coletivo e colaborativo que a engrenagem do capital tenta arrancar. Assim, estamos presenciando, nesta semana, mais uma tentativa (que n\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima, nem a primeira) de apagamento institucional dos povos. N\u00e3o apenas por meio da expropria\u00e7\u00e3o f\u00edsica, mas tamb\u00e9m ao tentar silenciar na lei as exist\u00eancias que ele sustenta. Preso a uma l\u00f3gica de lucro, esse sistema operacional desatualizado s\u00f3 enxerga mercadoria. Eis o v\u00edcio do dinheiro alimentado pela doen\u00e7a do s\u00e9culo: o ego\u00edsmo que se espalha como um c\u00e2ncer na sociedade de consumo. Uma patologia social que precisa ser curada. E sabe onde est\u00e1 a cura? Nos territ\u00f3rios que seguem vivos e vibrantes, mesmo quando sistematicamente ignorados, amea\u00e7ados ou violados por sucessivos governos capturados pelos interesses dos super-ricos.<\/p>\n<p>O \u201cdireito\u201d ancestral n\u00e3o foi forjado por pessoas olhando sombras projetadas em uma caverna. Foi alimentado diretamente pela luz do Sol. \u00c9 por isso que povos da floresta e do rio n\u00e3o envenenam as \u00e1guas e o solo que os sustentam. \u00c9 uma \u00e9tica milenar. Quem reconhece o rio como parente, n\u00e3o mata o rio. Trata-se de um direito profundo de viver em equil\u00edbrio,\u00a0que n\u00e3o separa natureza e humanidade. Tudo \u00e9 uma coisa s\u00f3. Preservar o que sustenta a vida \u00e9 garantir que netos e bisnetos tamb\u00e9m possam nadar em \u00e1gua limpa, cultivar na mesma terra e construir, em coletivo, casas tecidas com palhas, pedra, barro e paus. As bioconstru\u00e7\u00f5es das aldeias e quilombos ensinam a sabedoria de estruturas ef\u00eameras que n\u00e3o geram res\u00edduos, pois s\u00e3o absorvidas e renovadas com as esta\u00e7\u00f5es. \u00c9 usufruir daquilo que \u00e9 de todos os seres e para todos os reinos.<\/p>\n<p>Como diz Davi Kopenawa: \u201cOs brancos se dizem inteligentes. N\u00e3o o somos menos. Nossos pensamentos se expandem em todas as dire\u00e7\u00f5es e nossas palavras s\u00e3o antigas e muitas. Elas v\u00eam de nossos antepassados. Por\u00e9m, n\u00e3o precisamos, como os brancos, de peles de imagens para impedi-las de fugir da nossa mente. N\u00e3o temos de desenh\u00e1-las, como eles fazem com as suas. Nem por isso elas ir\u00e3o desaparecer, pois ficam gravadas dentro de n\u00f3s. Por isso nossa mem\u00f3ria \u00e9 longa e forte.\u201d\u00a0<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/editora34.com.br\/areas.asp?colecao=F%E1bula\" aria-label=\"Editora 34_Bi\u0301blia_Outras Palavras GIF\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Editora-34_Biblia_Outras-Palavras-GIF.gif\" alt=\"\" width=\"728\" height=\"90\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Um direito tecido a partir da compreens\u00e3o da coletividade como um organismo vivo, diverso e complexo. Um direito que nasce da floresta, que corre nos rios, que irradia do Sol. Que se transmite de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Que est\u00e1 guardado em toda semente. E que carrega, h\u00e1 mil\u00eanios, a sabedoria dos ciclos. In-forma\u00e7\u00e3o c\u00f3smica, que compreende que tudo se conecta. E comunica.<\/p>\n<p>Em contraste com esse direito vivo e ancestral, est\u00e1 o sistema jur\u00eddico codificado, arquitetado em gabinetes e corredores alheios ao ch\u00e3o e a hist\u00f3ria. A Rep\u00fablica, no plano das ideias, defende que o que \u00e9 de todos ser\u00e1 cuidado por todos. De origem romana, nasce como <em>res publica<\/em>, que \u00e9 a coisa p\u00fablica, o bem comum. Mas, para que esse pacto se cumpra, a ideia de Rep\u00fablica precisa ser compreendida, cultivada e vivida por quem faz parte dela e, principalmente, por aqueles que ocupam, provisoriamente, o lugar de decidir sobre a vida de todos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o direito oficial \u00e9 costurado, peda\u00e7o a peda\u00e7o, sobre os fios lan\u00e7ados pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. \u00c9 ela que reconhece, no artigo 225, o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo ao poder p\u00fablico e \u00e0 coletividade o dever de proteg\u00ea-lo e preserv\u00e1-lo para as presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es. Mas quem maneja a agulha para transformar esse princ\u00edpio em norma concreta \u00e9 o Congresso Nacional. Os representantes raramente escutam e quase nunca pisam o ch\u00e3o sobre o qual legislam. Tampouco demonstram vontade de dialogar com a ci\u00eancia atual. Embora a Constitui\u00e7\u00e3o determine que as leis devam ser feitas em nome do povo e com o objetivo de construir uma sociedade livre, justa e solid\u00e1ria, quem est\u00e1 realmente sendo ouvido? Muitos parlamentares ignoram abertamente o bem comum. O baixo letramento pol\u00edtico, social e ambiental no Congresso \u00e9 t\u00e3o cr\u00edtico que deveria, ele pr\u00f3prio, ser objeto de estudo. E assim, a pol\u00edtica se rende aos lobbies econ\u00f4micos. Representantes eleitos passam a servir aos interesses do agroneg\u00f3cio predat\u00f3rio, da minera\u00e7\u00e3o intensiva e de grandes empreendimentos que reduzem a floresta viva \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mercadoria.<\/p>\n<p>Essa elite ecocida \u00e9 formada por conglomerados multinacionais e por pol\u00edticos que exploram o planeta sem restaurar. S\u00e3o eles que tentam emplacar o Projeto de Lei n\u00ba 2.159\/2021, corretamente apelidado de PL da Devasta\u00e7\u00e3o. A proposta n\u00e3o visa proteger a vida. Ela busca blindar os pr\u00f3prios interesses dos plutocratas antiambientais, que atuam como desestabilizadores planet\u00e1rios. \u00c9 o Capitaloceno em marcha acelerada, empilhando ru\u00ednas. Querem reduzir o licenciamento ambiental a uma mera formalidade burocr\u00e1tica. No Brasil, vale tudo\u2026 at\u00e9 acontecer o pr\u00f3ximo desastre.\u00a0<\/p>\n<p>Uma nota t\u00e9cnica do Observat\u00f3rio do Clima alerta que o projeto praticamente dispensa licenciamento para diversas atividades agropecu\u00e1rias. Em muitos casos, basta apenas o preenchimento de um formul\u00e1rio. Trata-se de isen\u00e7\u00f5es generalizadas e do autolicenciamento para destruir. O PL tamb\u00e9m desvincula a licen\u00e7a da outorga de uso da \u00e1gua e do solo. E tudo isso acontece em plena crise clim\u00e1tica, com diversas regi\u00f5es j\u00e1 vivendo colapsos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>Para Malu Ribeiro, diretora do SOS Mata Atl\u00e2ntica, vamos ver crescer o conflito por \u00e1gua. \u201cEssa fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um grav\u00edssimo retrocesso. A emerg\u00eancia clim\u00e1tica exige an\u00e1lise integrada de impactos ambientais. O mesmo se aplica \u00e0s pretendidas facilidades para supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa de obras de infraestrutura \u2013 da maneira como o texto est\u00e1 redigido, favorece o desmatamento e a perda de biodiversidade. Para um pa\u00eds que quer ser refer\u00eancia em a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, \u00e9 uma boiada sem precedentes\u201d.<\/p>\n<p>O Instituto Socioambiental (ISA) enfatiza que os efeitos da aprova\u00e7\u00e3o do PL seriam catastr\u00f3ficos. O texto que tramita no Senado amea\u00e7a\u00a0mais de 3 mil \u00e1reas protegidas no Brasil, incluindo 259 Terras Ind\u00edgenas (quase um ter\u00e7o de todas as TIs do pa\u00eds) e mais de 1.500 territ\u00f3rios quilombolas, cerca de 80% dessas \u00e1reas reconhecidas. Essas popula\u00e7\u00f5es, at\u00e9 hoje protegidas pela Constitui\u00e7\u00e3o, deixariam de ser escutadas em futuros licenciamentos. Como alerta o pr\u00f3prio ISA, \u201cesses territ\u00f3rios, para efeitos do licenciamento, simplesmente deixar\u00e3o de existir.\u201d De acordo com a advogada Alice Dandara, isso instituicionaliza o racismo ambiental. \u201cA proposta joga ao descaso e \u00e0 viol\u00eancia comunidades de mais de 40% das Terras Ind\u00edgenas e de mais de 95% dos territ\u00f3rios quilombolas do pa\u00eds\u201d, declara.\u00a0 Al\u00e9m disso, o projeto reduz o alcance das an\u00e1lises de impactos ambientais. Em outras palavras, significa que efeitos indiretos (como desmatamento, fragmenta\u00e7\u00e3o de habitats, deslocamento de comunidades e degrada\u00e7\u00e3o de bacias hidrogr\u00e1ficas) sejam simplesmente ignorados.\u00a0<\/p>\n<p>O PL da Devasta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m elimina a exig\u00eancia de consulta e autoriza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os gestores das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Projeta um cen\u00e1rio de descontrole ambiental. \u00c9 um desmonte do sistema nacional de prote\u00e7\u00e3o, constru\u00eddo ao longo de d\u00e9cadas. Um estudo de caso citado na nota t\u00e9cnica do ISA mostra o impacto da mudan\u00e7a: entre 75 obras previstas no PAC 2023 para a Amaz\u00f4nia Legal, o n\u00famero de \u00e1reas protegidas afetadas cai de 277 para 102 caso o PL entre em vigor. Ou seja, a desprote\u00e7\u00e3o de 18 milh\u00f5es de hectares de floresta, o equivalente ao territ\u00f3rio inteiro do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Mas floresta n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 medida em hectares. \u00c9 casa, \u00e9 esp\u00edrito, \u00e9 escola viva. Os Huni Kuin ensinam: o conhecimento vive nas \u00e1rvores, corre nos rios e aparece em sonho. E a floresta, quando n\u00e3o \u00e9 ouvida, responde. Como diz Sidarta Ribeiro, os povos ind\u00edgenas t\u00eam a nos ensinar uma ci\u00eancia de mundo, que \u00e9 a ci\u00eancia do cuidado. Sonhar \u00e9 escutar a Terra. Precisamos urgentemente reaprender a sonhar coletivamente. E barrar esse projeto de lei.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"738\" height=\"922\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-8.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-8.jpeg 738w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Sem-titulo-8-240x300.jpeg 240w\" sizes=\"auto, (max-width: 738px) 100vw, 738px\"><\/figure>\n<hr>\n<p><strong>Saiba mais:<\/strong><\/p>\n<p>PRESSIONE: PL da Devasta\u00e7\u00e3o: <a href=\"http:\/\/www.pldadevastacao.org\/\">http:\/\/www.pldadevastacao.org\/<\/a><\/p>\n<p>OBSERVAT\u00d3RIO DO CLIMA. Nota t\u00e9cnica detalha desmonte do licenciamento ambiental no Senado. Observat\u00f3rio do Clima, 16 maio 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/nota-tecnica-detalha-desmonte-do-licenciamento-ambiental-no-senado\/\">https:\/\/www.oc.eco.br\/nota-tecnica-detalha-desmonte-do-licenciamento-ambiental-no-senado\/<\/a><\/p>\n<p>INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA). Novo relat\u00f3rio do Senado implode licenciamento ambiental, segundo sociedade civil. 16 maio 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/novo-relatorio-do-senado-implode-licenciamento-ambiental-segundo-sociedade\">https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/novo-relatorio-do-senado-implode-licenciamento-ambiental-segundo-sociedade<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>BRASIL. Congresso Nacional. Senado Federal. Projeto de Lei n\u00ba 2.159, de 2021. Disp\u00f5e sobre o licenciamento ambiental. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/148785\">https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/148785<\/a><\/p>\n<p>BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 237, de 19 de dezembro de 1997. Disp\u00f5e sobre a revis\u00e3o e complementa\u00e7\u00e3o dos procedimentos e crit\u00e9rios utilizados para o licenciamento ambiental. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, dez. 1997. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/conama.mma.gov.br\/?option=com_sisconama&amp;task=arquivo.download&amp;id=237\">https:\/\/conama.mma.gov.br\/?option=com_sisconama&amp;task=arquivo.download&amp;id=237<\/a>\u00a0<\/p>\n<p>KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do c\u00e9u: palavras de um xam\u00e3 yanomami. Tradu\u00e7\u00e3o de Beatriz Perrone-Mois\u00e9s; pref\u00e1cio de Eduardo Viveiros de Castro. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2015.<\/p>\n<p>KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2022<\/p>\n<p>PAV\u00c3O, S\u00f4nia; GISLOTI, Laura Jane. Mem\u00f3rias bioculturais dos Guarani-Kaiow\u00e1 sobre a floresta e os seres que a coabitam: ecologia cosmopol\u00edtica na perspectiva da etnoconserva\u00e7\u00e3o. Boletim do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi. Ci\u00eancias Humanas, v. 18, n. 2, e20220006, 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/bgoeldi\/a\/SMYVk4RwKVLWm6vRTHbVWVr\/?lang=pt\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/bgoeldi\/a\/SMYVk4RwKVLWm6vRTHbVWVr\/?lang=pt<\/a><\/p>\n<p>SELVAGEM \u2013 Ciclo de Estudos sobre a Vida. Ciclo Seta Selvagem. YouTube, 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PeMBCABxXCQ\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PeMBCABxXCQ<\/a>\u00a0<\/p>\n<p>CASTANHEIRA, Marina. Afetados por rompimento da barragem da Samarco perderam 2 anos de expectativa de vida saud\u00e1vel. Folha de S.Paulo, S\u00e3o Paulo, 22 fev. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/02\/afetados-por-rompimento-da-barragem-da-samarco-perderam-2-anos-de-expectativa-de-vida-saudavel.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/02\/afetados-por-rompimento-da-barragem-da-samarco-perderam-2-anos-de-expectativa-de-vida-saudavel.shtml<\/a>\u00a0<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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