{"id":29383,"date":"2025-05-22T19:23:57","date_gmt":"2025-05-22T22:23:57","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/ninguem-e-esquecido-nada-e-esquecido-os-80-anos-de-uma-vitoria-ainda-contestada\/"},"modified":"2025-05-22T19:23:57","modified_gmt":"2025-05-22T22:23:57","slug":"ninguem-e-esquecido-nada-e-esquecido-os-80-anos-de-uma-vitoria-ainda-contestada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ninguem-e-esquecido-nada-e-esquecido-os-80-anos-de-uma-vitoria-ainda-contestada\/","title":{"rendered":"Ningu\u00e9m \u00e9 esquecido, nada \u00e9 esquecido, os 80 anos de uma vit\u00f3ria ainda contestada"},"content":{"rendered":"<p>\u201c<em>Pedra por pedra, reconstruiremos a cidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Casa e mais casa se cobrir\u00e1 o ch\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>[\u2026] Mas o assombro, a f\u00e1bula<\/em><\/p>\n<p><em>gravam no ar o fantasma da antiga cidade<\/em><\/p>\n<p><em>que penetrar\u00e1 o corpo da nova.<\/em><\/p>\n<p><em>Aqui se chamava<\/em><\/p>\n<p><em>e se chamar\u00e1 sempre Stalingrado.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Stalingrado: o tempo responde\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>(<\/em>Carlos Drummond de Andrade<em>, Telegrama de Moscou,\u00a0<\/em>IN: A Rosa do Povo)<\/p>\n<p>Nas margens do Rio Volga, onde \u2013 em fevereiro de 1943 \u2013 a humanidade voltou a ter esperan\u00e7as ap\u00f3s quase de 3 anos de uma sequ\u00eancia invicta das tropas hitleristas na Europa, e o nazismo come\u00e7ou a ser derrotado na Batalha de Stalingrado, tremula hoje a bandeira tricolor da Federa\u00e7\u00e3o Russa em um mastro de cerca de 20 metros de altura, bem no centro da atual cidade de Volgogrado.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, todos os anos, na semana que antecede as celebra\u00e7\u00f5es do Dia da Vit\u00f3ria \u2013 como os russos chamam a vit\u00f3ria na Segunda Guerra Mundial em 9 de maio -, a bandeira russa \u00e9 retirada e, em seu lugar, \u00e9 hasteada a bandeira vermelha com a foice, o martelo e a estrela da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Mais especificamente, a legend\u00e1ria \u201cbandeira da vit\u00f3ria\u201d, com a marca do 79\u00b0 Regimento do Ex\u00e9rcito Vermelho, comandado pelo Marechal Georg Zhukov, que tomou Berlin de assalto, levou ao suic\u00eddio de Hitler e decretou a capitula\u00e7\u00e3o incondicional das for\u00e7as nazistas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, milhares de pequenas bandeiras da vit\u00f3ria s\u00e3o colocadas nos postes de luz por toda a cidade, fazendo par com as tricolores russas. Todos os anos, em dez dias marcantes da guerra \u2013 como o Dia da Vit\u00f3ria \u2013 a cidade muda de nome oficialmente e volta a se chamar Stalingrado. Placas s\u00e3o instaladas em diferentes pontos da cidade e a prefeitura se refere \u00e0 cidade com seu antigo nome em documentos e atos oficiais. No \u00faltimo 15 de abril, o presidente Vladimir Putin assinou um decreto batizando o aeroporto internacional da cidade de \u201cStalingrado\u201d.<\/p>\n<p>Assim como em Stalingrado, semanas antes do Dia da Vit\u00f3ria, a capital Moscou tamb\u00e9m \u00e9 plenamente decorada com bandeiras da vit\u00f3ria, cartazes, posters, an\u00fancios eletr\u00f4nicos e letreiros, em lugares p\u00fablicos \u2013 como pra\u00e7as, metr\u00f4s e pontos de \u00f4nibus -, e privados \u2013 como lojas, restaurantes, bares, bancos etc. Todos eles trazem o logo dos 80 anos com a palavra Pobeda (Vit\u00f3ria) e o desenho da magn\u00edfica est\u00e1tua A M\u00e1tria Chama, uma das maiores est\u00e1tuas do mundo (85m), localizada no alto de uma colina de Mamayev Kurgan, em Stalingrado: uma mulher guerreira, de t\u00fanica esvoa\u00e7ada pelo vento \u2013 como se nem fosse de pedra -, com uma espada erguida e a express\u00e3o facial que mescla o horror sentido e a bravura demonstrada pelo povo sovi\u00e9tico em uma guerra que ceifou 27 milh\u00f5es de vidas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um em cada 7 sovi\u00e9ticos morreu na guerra. Praticamente toda fam\u00edlia perdeu algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Por isso, o Dia da Vit\u00f3ria \u00e9 uma data que mobiliza todo o pa\u00eds e serve como elemento de unidade diante de mais uma guerra em defesa de sua soberania. Nesse dia, por todo o pa\u00eds, marcham os \u201cRegimentos Imortais\u201d: milh\u00f5es de pessoas saem as ruas com fotos de seus ancestrais perdidos na guerra e n\u00e3o deixam morrer a mem\u00f3ria daqueles que deram a vida para que o pa\u00eds, e a humanidade, n\u00e3o sucumbissem em face da amea\u00e7a nazista.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos em Moscou, por quest\u00e3o de seguran\u00e7a \u2013 afinal, o pa\u00eds est\u00e1 em guerra \u2013 o Regimento n\u00e3o saiu \u00e0s ruas. Este ano, dias antes da celebra\u00e7\u00e3o, drones ucranianos atacaram a cidade por duas noites seguidas, levando ao fechamento de aeroportos, dificultando a chegada de delega\u00e7\u00f5es estrangeiras, e deixando as for\u00e7as de seguran\u00e7a na cidade \u2013 havia milhares de soldados e policiais nas ruas \u2013 em estado permanente de alerta. A gente sentia a tens\u00e3o por toda parte.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-220019\"><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/we_thank_comrade_stalin_for_our_mordvin_authonomy.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/we_thank_comrade_stalin_for_our_mordvin_authonomy.jpg 640w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/we_thank_comrade_stalin_for_our_mordvin_authonomy-300x196.jpg 300w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/we_thank_comrade_stalin_for_our_mordvin_authonomy-150x98.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\"><figcaption>Desfile de Primeiro de Maio em Saranski <br \/>Wikimedia Commons\/Autor desconhecido<\/figcaption><\/figure>\n<h3>As duas batalhas contempor\u00e2neas contra o Ocidente Coletivo<\/h3>\n<p>Oitenta anos ap\u00f3s a vit\u00f3ria na Grande Guerra Patri\u00f3tica a R\u00fassia se v\u00ea envolvida em ao menos duas frentes de batalha que est\u00e3o dialeticamente interligadas. Uma delas, a\u00a0<em>batalha pela mem\u00f3ria<\/em>, \u00e9 permanente, pois o Ocidente Coletivo vem tentando reescrever, h\u00e1 d\u00e9cadas, a hist\u00f3ria da maior guerra que a humanidade j\u00e1 enfrentou.<\/p>\n<p>Infelizmente, em alguns casos, as distor\u00e7\u00f5es e o apagamento da mem\u00f3ria t\u00eam tido relativo sucesso, como j\u00e1 veremos. A outra frente \u00e9 a batalha militar travada em territ\u00f3rio ucraniano, contra o massacre da popula\u00e7\u00e3o russa no Donbass e contra a tentativa da OTAN de avan\u00e7ar ainda mais em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s fronteiras russas. A ideia \u00e9 instalar ogivas nucleares estadunidenses a cerca de 500km de Moscou, como previa o plano de Zbiginiew Brzezinski \u2013 um dos c\u00e9rebros da pol\u00edtica externa da Casa Branca por d\u00e9cadas \u2013 em seu livro\u00a0<em>O grande tabuleiro de xadrez<\/em>.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, neste livro de 1997, Brzezinsky sustenta que, para enfraquecer a R\u00fassia, era crucial mant\u00ea-la separada da Ucr\u00e2nia, pol\u00edtica e economicamente. 28 anos depois, o objetivo se realizou. Ele profetizava que o processo de incorpora\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 OTAN deveria se iniciar entre 2005 e 2015.<\/p>\n<p>George W. Bush fez de tudo para incluir Kiev na OTAN pela primeira vez na C\u00fapula de Bucareste, em 2008, mas foi impedido por Angela Merkel e Jacques Chirac, quando os l\u00edderes das principais na\u00e7\u00f5es da UE ainda possu\u00edam algum senso de\u00a0<em>realpolitik.\u00a0<\/em>J\u00e1 em 2014, com o Golpe da Maidan e a derrubada do presidente Viktor Ianukovytch, inicia-se a ofensiva do Ocidente, liderado pela Casa Branca, para apartar a R\u00fassia da Ucr\u00e2nia, trazendo Kiev para a OTAN.<\/p>\n<p>Foi o desenrolar deste processo que desencadeou a atual guerra. A esta altura, j\u00e1 est\u00e1 claro que a R\u00fassia derrotou a OTAN \u2013 uma vit\u00f3ria cuja dimens\u00e3o ainda est\u00e1 por ser entendida \u2013 e a Ucr\u00e2nia n\u00e3o se tornar\u00e1 membro da OTAN t\u00e3o cedo. Mas a previs\u00e3o de Brzenzinsky estava correta e, ao menos metade dos seus objetivos, foram cumpridos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s mais de tr\u00eas anos, a guerra causou centenas de milhares de mortos em ambos os lados (incomparavelmente mais na Ucr\u00e2nia), devastou a economia e o tecido social ucranianos e rompeu \u2013 provavelmente por muito tempo \u2013 la\u00e7os familiares e de amizade entre povos h\u00e1 pouco considerados irm\u00e3os. H\u00e1 muitas milhares de fam\u00edlias compostas por parentes em ambos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>Recentemente, uma jovem russa de 25 anos me contou uma triste hist\u00f3ria. Ela \u00e9 russa, seus pais s\u00e3o russos, todos moscovitas, mas seus quatro av\u00f3s eram ucranianos que migraram para a capital h\u00e1 muitas d\u00e9cadas. Sua melhor amiga era ucraniana, filha de pais ucranianos, mas seus quatro av\u00f3s eram russos, que migraram para Kiev h\u00e1 muitas d\u00e9cadas. Desde o come\u00e7o da guerra, a tens\u00e3o entre ambas crescia. At\u00e9 o dia em que sua amiga aderiu ao Batalh\u00e3o Azov \u2013 parte das for\u00e7as armadas ucranianas \u2013 de ideologia neonazista. \u201cA\u00ed\u201d, ela me contou com a face desolada, \u201cficou imposs\u00edvel conversar e n\u00f3s rompemos rela\u00e7\u00f5es. Talvez para sempre\u201d.<\/p>\n<p>Em uma placa dourada na esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 Kievskaya (ou seja, a \u201cesta\u00e7\u00e3o de Kiev\u201d), em Moscou \u2013 entre mosaicos sobre o cotidiano de trabalhadores e camponeses da Ucr\u00e2nia e logo abaixo de um mosaico de Lenin \u2013 celebra-se \u201ca inquebrant\u00e1vel irmandade entre os povos russos e ucranianos\u201d. O maior confronto militar em solo europeu desde a II Guerra n\u00e3o s\u00f3 quebrou essa irmandade, mas se tornou um novo elemento impulsionador, na\u00a0<em>batalha pela mem\u00f3ria,<\/em>\u00a0tanto da tentativa de apagamento do protagonismo sovi\u00e9tico na derrota da Alemanha hitlerista, bem como do reascenso da ideologia nazista em in\u00fameras pa\u00edses ocidentais (e at\u00e9 mesmo do Sul Global).<\/p>\n<h3>P\u00f3s-verdades: o apagamento da vit\u00f3ria sovi\u00e9tica e o ressurgimento nazista<\/h3>\n<p>Logo ap\u00f3s o t\u00e9rmino da Segunda Guerra Mundial e o in\u00edcio da Guerra Fria, a maior m\u00e1quina ocidental de produ\u00e7\u00e3o de narrativas, Hollywood, come\u00e7ou a reescrever a hist\u00f3ria da guerra, recriando fantasiosamente um suposto protagonismo estadunidense em centenas de filmes.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1946, o filme\u00a0<em>Os melhores anos das nossas vidas<\/em>, que retrata as dificuldades dos veteranos de volta para casa, arrebatou sete estatuetas do Oscar. Em 1970,\u00a0<em>Patton<\/em>, biografia do General George S. Patton, que foca em suas campanhas no Norte da \u00c1frica e na Europa, repetiu a fa\u00e7anha e levou mais sete estatuetas.<\/p>\n<p>Um dos filmes mais c\u00e9lebres destes talvez tenha sido\u00a0<em>O resgate do soldado Ryan\u00a0<\/em>(1998), de Steven Spielberg, que conta a hist\u00f3ria do \u201cDia D\u201d, o desembarque das tropas aliadas na Normandia. Ele foi visto, somente nos cinemas, por mais de 100 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo. Al\u00e9m dos filmes, programas de TVs, jornais, revistas, livros e in\u00fameras outras produ\u00e7\u00f5es culturais, tamb\u00e9m as escolas, universidades e outras institui\u00e7\u00f5es estatais, ao longo de d\u00e9cadas, foram capazes de estabelecer uma \u201cp\u00f3s-verdade\u201d sobre a hist\u00f3ria da guerra e a vit\u00f3ria sobre o regime nazista.<\/p>\n<p>Pesquisa famosa feita pelo Instituto Franc\u00eas de Opini\u00e3o P\u00fablica (IFOP), em 1945, detectou que 57% dos franceses creditavam \u00e0 URSS a vit\u00f3ria sobre os nazistas, e somente 12% aos EUA. No entanto, em uma pesquisa feita em 2025 pelo instituto de pesquisa brit\u00e2nico YouGov, apenas 22% dos franceses acreditavam que os sovi\u00e9ticos foram os protagonistas da guerra, enquanto 44% dos franceses passaram a acreditar na \u201cp\u00f3s-verdade\u201d do protagonismo dos EUA. Esta mesma pesquisa detectou que na Alemanha, os EUA ganham de 34% a 31% da URSS (apesar de que s\u00e3o n\u00fameros mais favor\u00e1veis \u00e0 URSS do que 9 anos antes, que eram de 37% a 27% em favor dos EUA); enquanto nos EUA, 59% atribuem a vit\u00f3ria ao seu pa\u00eds, e somente 20% \u00e0 URSS (contra 47% a 12% em 2015).<\/p>\n<p>Se a hist\u00f3ria da resist\u00eancia e da vit\u00f3ria sovi\u00e9ticas vem sendo apagada no Ocidente, algo ainda pior vem acontecendo nos \u00faltimos anos: o ressurgimento da ideologia nazista. No come\u00e7o desta d\u00e9cada, o site de not\u00edcias\u00a0<em>Forward<\/em>, cujas origens remontam \u00e0 comunidade judia de Nova Iorque em 1897, fez um mapeamento de ruas, monumentos, placas etc., batizados em homenagem a not\u00f3rios nazistas. O resultado mostrou quase 1500 itens em 25 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Na Alemanha e \u00c1ustria, onde se esperaria que esses tra\u00e7os j\u00e1 tivessem apagados, pois houve uma pol\u00edtica de estado para isso, foram encontrados mais de 110 itens. Nos EUA, os supostos \u201cgrande vitoriosos\u201d da guerra, \u201cterra da liberdade\u201d, 36 itens foram mapeados. No entanto, o pa\u00eds que, de longe, possui o maior n\u00famero de homenagens a not\u00f3rios nazistas \u00e9 a Ucr\u00e2nia, com cerca de 420 itens. Segundo a pesquisa, grande parte dessas nomea\u00e7\u00f5es aconteceram depois do Golpe da Maidan, em 2014. \u201cEm alguns per\u00edodos\u201d, dizem os autores, \u201cao ritmo de um por semana\u201d.<\/p>\n<p>O campe\u00e3o de homenagens \u00e9 Stepan Bandeira, l\u00edder de uma das fac\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o de Ucranianos Nacionalistas, que colaborou com os nazistas. Bandera se tornou o principal s\u00edmbolo do nacionalismo neonazista ucraniano, que inspira in\u00fameros l\u00edderes do regime de Volodimir Zelensky. Ou seja, quando a R\u00fassia afirma que um dos objetivos de sua Opera\u00e7\u00e3o Militar Especial \u00e9 desnazificar a Ucr\u00e2nia, n\u00e3o se trata de mera ret\u00f3rica, nem propaganda de guerra, mas triste realidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o diz respeito somente ao governo de Zelensky, nem se trata meramente de derrotar o Batalh\u00e3o Azov, ou outros similares, mas lutar contra cultura pol\u00edtica que, infelizmente, parece ter se enraizado na Ucr\u00e2nia, sobretudo desde 2014. Sob lideran\u00e7a dos EUA, a OTAN injetou centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares em armas e assist\u00eancia militar direta a um regime cujas in\u00fameras lideran\u00e7as n\u00e3o escondem sua simpatia pela ideologia neonazista.<\/p>\n<p>Por um lado, se os fins justificam os meios e o objetivo estrat\u00e9gico \u2013 como dito por algumas lideran\u00e7as do Ocidente \u2013 era \u201cenfraquecer a R\u00fassia\u201d, n\u00e3o h\u00e1 problema em usar neonazistas para atingi-lo. Contudo, apesar dos tamb\u00e9m incont\u00e1veis filmes hollywoodianos que denunciaram os horrores do regime nazista, a verdade \u00e9 que o Ocidente carrega uma rela\u00e7\u00e3o obscura com o nazismo no p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<h3>H\u00e1 nazistas maus e h\u00e1 nazistas \u00fateis<\/h3>\n<p>Em uma visita de Volodimir Zelensky ao parlamento canadense, o ex-oficial da SS Galizien Yaroslav Hunka, foi ovacionado de p\u00e9 e celebrado como \u201cum her\u00f3i ucraniano\u201d que teria lutado contra a R\u00fassia pela independ\u00eancia de seu pa\u00eds. Ora, tratava-se de algu\u00e9m que lutou ao lado dos nazistas. O ocorrido se tornou esc\u00e2ndalo que levou o primeiro-ministro Justin Trudeau a pedir desculpas p\u00fablicas e o presidente do Parlamento Anthony Rota \u2013 respons\u00e1vel pelo an\u00fancio \u2013 a renunciar.<\/p>\n<p>Contudo, esse incidente deveria nos causar menos espanto se lembramos do destino que v\u00e1rios importantes quadros nazistas tiveram no Ocidente ap\u00f3s 1945. In\u00fameros ex-oficiais de alto escal\u00e3o do regime hitlerista foram absorvidos pelo ex\u00e9rcito alem\u00e3o (<em>Bundeswehr<\/em>) e a OTAN, como Adolf Heusinger, ex-chefe de opera\u00e7\u00f5es do comando militar de Hitler, que se tornou presidente do Comit\u00ea Militar da OTAN (1961-64), Hans Speidel, ex-chefe de staff do Marechal de Campo Erwin Rommel, posteriormente Comandante Supremo das For\u00e7as de Terra Aliadas da Europa Central (1957-63).<\/p>\n<p>Podemos tamb\u00e9m citar Johannes Steinhoff, Johann von Kielmansegg, Ernst Ferber, Karl Schnell, Franz Joseph Schulze, Friedrich Guggenberger e Wolfgang Altenburg, todos eles com alt\u00edssimos postos de comando na OTAN, dos anos 60 aos 80. Mas a hist\u00f3ria mais impressionante \u00e9 a de Ferdinand von Senger und Etterlin, oficial da\u00a0<em>Wehrmacht\u00a0<\/em>que\u00a0<strong>participou da invas\u00e3o da URSS na Opera\u00e7\u00e3o Barbarossa e lutou na Batalha de Stalingrado<\/strong>, tendo sido ferido e retirado do campo de batalha. Senger und Etellin ainda lutou contra a URSS na Rom\u00eania, depois retornou a Berlin, at\u00e9 ser capturado pelos EUA. Entre 1979 e 1983, ele foi nada menos que Comandante-em-chefe das For\u00e7as Aliadas da OTAN na Europa Central.<\/p>\n<p>Outro ato ocultado da mem\u00f3rica coletiva pelo Ocidente \u00e9 a infame\u00a0<em>Operation Paperclip<\/em>, na qual cerca de 1,6 mil cientistas, engenheiros e t\u00e9cnicos nazistas foram levados aos EUA clandestinamente para trabalhar em institui\u00e7\u00f5es militares, acad\u00eamicas e industriais, onde continuariam a desenvolver e aplicar seus conhecimentos avan\u00e7ados em \u00e1reas como ci\u00eancia de foguetes, aeron\u00e1utica, medicina e f\u00edsica.<\/p>\n<p>O personagem mais famoso dessa hist\u00f3ria \u00e9 Wernher Von Braun, l\u00edder do programa alem\u00e3o de foguetes V-2 e fundamental no desenvolvimento do foguete Saturn V da NASA, que possibilitou as miss\u00f5es Apollo \u00e0 Lua. Von Braun recebeu in\u00fameras homenagens na NASA e faz parte da lista de nazistas homenageados pelo site\u00a0<em>Forward<\/em>. Algo semelhante, mas menos documentado, ocorreu com a pouco conhecida, mas extremamente brutal, Unidade 731 do ex\u00e9rcito imperial japon\u00eas, respons\u00e1vel por desenvolver armas de guerra qu\u00edmica e biol\u00f3gica baseadas em experimentos com prisioneiros de guerra, na maioria chineses, mas tamb\u00e9m coreanos, mong\u00f3is e russos.<\/p>\n<p>A unidade, localizada em Harbin, no norte da China, chegou a contar com mais de 3,6 mil funcion\u00e1rios distribu\u00eddos em mais de 150 edif\u00edcios. Antes de sua rendi\u00e7\u00e3o, os japoneses tentaram apagar as evid\u00eancias de seus crimes de guerra, mas os chineses conseguiram reconstituir, materialmente e a partir de depoimentos, muitas das atrocidades ali cometidas. No entanto, in\u00fameras figuras-chave, como seus ex-diretores Shiro Ishii e Masaji Kitano, obtiveram imunidade das autoridades estadunidenses \u2013 provavelmente em troca de fartos dados de pesquisa \u2013 e seguiram vidas normais no Jap\u00e3o do p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>Se o protagonismo sovi\u00e9tico vem sendo apagado pelo Ocidente, ainda mais apagado foi o sacrif\u00edcio monumental feitos pelo povo chin\u00eas na Segunda Guerra Mundial. Muitos ainda sabem que quase 30 milh\u00f5es de sovi\u00e9ticos morreram, mas s\u00e3o poucos os cientes de que cerca de 20 milh\u00f5es de chineses perderam suas vidas em invas\u00f5es e ataques japoneses, a partir de 1937.<\/p>\n<p>N\u00e3o fosse o esp\u00edrito de luta do povo chin\u00eas, seria poss\u00edvel que os japoneses abrissem uma segunda frente de batalha contra os sovi\u00e9ticos no leste, provavelmente complicando suas chances de vit\u00f3ria na frente ocidental contra os nazistas. Segundo dados do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Popular, 35 milh\u00f5es de chineses morreram ou foram feridos.<\/p>\n<p>Se a Hist\u00f3ria considera que a Segunda Guerra Mundial come\u00e7ou em 1939 na Europa, na realidade, ela havia come\u00e7ado j\u00e1 na \u00c1sia em 1937. Bem antes da invas\u00e3o da Tchecoslov\u00e1quia, chineses, e outros povos asi\u00e1ticos, j\u00e1 sofriam na pele as consequ\u00eancias do expansionismo b\u00e9lico e fascista japon\u00eas. A guerra tamb\u00e9m terminou depois no continente asi\u00e1tico, em setembro \u2013 e n\u00e3o maio como na Europa \u2013 de 1945.<\/p>\n<p>Por isso, a presen\u00e7a do presidente chin\u00eas Xi Jinping na comemora\u00e7\u00e3o dos 80 anos da vit\u00f3ria sobre o nazi-fascismo, em posi\u00e7\u00e3o de destaque ao lado do presidente Vladimir Putin, carrega uma simbologia extramamente importante no resgate do papel inestim\u00e1vel do povo chin\u00eas, organizados em uma Frente Unida de comunistas e nacionalistas, mas na pr\u00e1tica liderada por outro Ex\u00e9rcito Vermelho, de Mao Zedong, Zhou Enlai e Zhu De.<\/p>\n<p>Como disse o presidente Xi em carta publicada na semana do Dia da Vit\u00f3ria: \u201cDurante a Guerra Mundial Antifascista, os povos chin\u00eas e russo lutaram lado a lado e se apoiaram mutuamente. A forte camaradagem entre nossas duas na\u00e7\u00f5es, forjada no sangue e no sacrif\u00edcio, avan\u00e7a incessantemente, poderosa como o Rio Amarelo e o Volga.\u201d<\/p>\n<p>Essa camaradagem \u00e9 hoje expressa por in\u00fameros interesses e a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas comuns, entre eles, como lembrou o presidente Putin, \u201cR\u00fassia e a China est\u00e3o unidas em seus esfor\u00e7os consistentes para preservar a verdade hist\u00f3rica sobre a Grande Vit\u00f3ria como um valor comum para a humanidade e, juntas, impedem tentativas de falsificar a hist\u00f3ria e reabilitar o nazismo e o militarismo\u201d.<\/p>\n<p>URSS e China, com seus respectivos Ex\u00e9rcitos Vermelhos, foram protagonistas da luta contra o nazi-fascismo nos anos 30 e 40. Oitenta anos depois, mais uma vez, Moscou e Pequim s\u00e3o protagonistas da luta pela constru\u00e7\u00e3o de alternativas ao unilateralismo e \u00e0s pr\u00e1ticas coercitivas das pot\u00eancias ocidentais. Tentam construir alternativas ao Hiperimperialismo belicista que amea\u00e7a a humanidade com guerras eternas. As lutas do presente e as do futuro est\u00e3o diretamente ligadas \u00e0 batalha pela interpreta\u00e7\u00e3o do passado, que vem sendo transfigurado na \u201cp\u00f3s verdade\u201d pela m\u00e1quina ocidental de produ\u00e7\u00e3o de narrativas. Nesses dias, vale a pena relembrar uma das maiores verdades j\u00e1 ditas sobre a Segunda Guerra Mundial, atribu\u00edda ao escritor estadunidense Ernest Hemingway: \u201cTodo ser humano que ama a liberdade deve, ao Ex\u00e9rcito Vermelho, mais do que conseguir\u00e1 pagar em toda a vida\u201d.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o seja injusti\u00e7a hist\u00f3rica dizer que devemos aos DOIS Ex\u00e9rcitos Vermelhos.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/historia\/ninguem-e-esquecido-nada-e-esquecido-os-80-anos-de-uma-vitoria-ainda-contestada\/\">Ningu\u00e9m \u00e9 esquecido, nada \u00e9 esquecido, os 80 anos de uma vit\u00f3ria ainda contestada<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/\">Opera Mundi<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ibama-aprova-etapa-de-exploracao-de-petroleo-na-bacia-da-foz-do-amazonas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/area-59-da-margem-equatorial-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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