{"id":30109,"date":"2025-05-27T17:34:06","date_gmt":"2025-05-27T20:34:06","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/mulheres-sem-terra-forca-resistencia-e-sabor-na-producao-agroecologica\/"},"modified":"2025-05-27T17:34:06","modified_gmt":"2025-05-27T20:34:06","slug":"mulheres-sem-terra-forca-resistencia-e-sabor-na-producao-agroecologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mulheres-sem-terra-forca-resistencia-e-sabor-na-producao-agroecologica\/","title":{"rendered":"Mulheres Sem Terra: for\u00e7a, resist\u00eancia e sabor na produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Foto_-Janaina-Dos-Santos_-MST-SC14d8992c-4935-40e2-8539-ab240ab41297-1024x682-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Foto_-Janaina-Dos-Santos_-MST-SC14d8992c-4935-40e2-8539-ab240ab41297-1024x682-1.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Foto_-Janaina-Dos-Santos_-MST-SC14d8992c-4935-40e2-8539-ab240ab41297-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Foto_-Janaina-Dos-Santos_-MST-SC14d8992c-4935-40e2-8539-ab240ab41297-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Foto_-Janaina-Dos-Santos_-MST-SC14d8992c-4935-40e2-8539-ab240ab41297-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Foto_-Janaina-Dos-Santos_-MST-SC14d8992c-4935-40e2-8539-ab240ab41297.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Mulheres Sem Terra produzindo<\/em> \/ <em>Foto: Janaina dos Santos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Do Setor de g\u00eanero do MST <\/em><\/p>\n<p>Na luta pela terra e por justi\u00e7a social, as mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais<br \/>Sem Terra (MST) t\u00eam ocupado um espa\u00e7o fundamental, mostrando que o protagonismo<br \/>feminino \u00e9 vital para transformar o campo brasileiro. Em meio \u00e0s sementes, planta\u00e7\u00f5es e<br \/>agroind\u00fastrias, elas reconstroem hist\u00f3rias, desafiam imposi\u00e7\u00f5es sociais e conduzem um<br \/>processo coletivo de resist\u00eancia.<br \/>Nesta edi\u00e7\u00e3o da coluna Aromas de Mar\u00e7o, trazemos relatos vivos e inspiradores de cinco<br \/>mulheres Sem Terra de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds \u2014 do Cear\u00e1 ao Mato Grosso, do Par\u00e1 ao<br \/>Sul \u2014 que contam suas trajet\u00f3rias de luta, organiza\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica. S\u00e3o<br \/>hist\u00f3rias que revelam o papel das mulheres na constru\u00e7\u00e3o de um novo modelo de produ\u00e7\u00e3o<br \/>e comercializa\u00e7\u00e3o, pautado na agroecologia, na coopera\u00e7\u00e3o e na valoriza\u00e7\u00e3o da vida no<br \/>campo.<br \/>Entre desafios e conquistas, suas vozes nos lembram que sem as mulheres a luta vai pela<br \/>metade \u2014 e que cada fruto colhido representa um passo firme rumo \u00e0 Reforma Agr\u00e1ria<br \/>Popular, com sabor e aroma de esperan\u00e7a e ousadia.<\/p>\n<h2>Tu\u00edra \u2013 Minas Gerais (Sudeste)<\/h2>\n<p>Eu sou Tu\u00edra Tule, sou assentada no Quilombo Campo Grande, sou das terras do Caf\u00e9<br \/>Gua\u00edi, onde sai o nosso caf\u00e9, que \u00e9 de muita resist\u00eancia, al\u00e9m de ser muito gostoso, fruto<br \/>da nossa luta.<br \/>Fa\u00e7o parte do coletivo de mulheres Raiz da Terra, coletivo de mulheres que j\u00e1 tem 13 anos<br \/>de exist\u00eancia, que organiza n\u00e3o s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o, mas onde a gente tamb\u00e9m trabalha com a<br \/>forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia.<br \/>No nosso estudo, conseguimos organizar a produ\u00e7\u00e3o a partir das plantas medicinais,<br \/>tamb\u00e9m o processamento de frutas e vegetais e uma imensidade de produ\u00e7\u00e3o de<br \/>diversidade. Produ\u00e7\u00e3o de gergelim, amendoim e beneficiamento de muitas coisas.<br \/>N\u00f3s, do Movimento Sem Terra, hoje temos mais de 200 cooperativas e o nosso papel, das<br \/>mulheres sem terra, na constru\u00e7\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria-prima, \u00e9 na sua imensa<br \/>diversidade.<br \/>N\u00f3s que estamos aqui na 5\u00aa Feira Nacional da Reforma Agr\u00e1ria, com mais de 1.800<br \/>produtos, somos parte dessa grande produ\u00e7\u00e3o. Grande parte vem das nossas cooperativas,<br \/>ent\u00e3o a gente est\u00e1 na produ\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria-prima e nesse desafio para n\u00f3s que \u00e9<br \/>desenvolver a coopera\u00e7\u00e3o dentro desse sistema que a gente vive.<br \/>A coopera\u00e7\u00e3o seja da produ\u00e7\u00e3o, da comercializa\u00e7\u00e3o desses arranjos produtivos. Hoje a<br \/>gente organiza nossas cooperativas em mais de 15 cadeias produtivas: cadeia produtiva do<br \/>mel, do arroz, do caf\u00e9, dos gr\u00e3os, das sementes, das mudas, das frutas \u2014 uma diversidade<br \/>muito grande da nossa produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu acredito que o grande papel nosso, das mulheres sem terra na produ\u00e7\u00e3o,<br \/>principalmente, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na produ\u00e7\u00e3o da subsist\u00eancia dos quintais produtivos, que \u00e9 muito<br \/>importante, porque resgata as nossas sementes, cuida e zela desse patrim\u00f4nio t\u00e3o<br \/>importante para a nossa soberania alimentar, que s\u00e3o as sementes, mas tamb\u00e9m traz a<br \/>dimens\u00e3o da diversidade da produ\u00e7\u00e3o para que a gente consiga, em escala, produzir<br \/>alimentos bons, diversos para o nosso povo brasileiro.<br \/>Ent\u00e3o, o papel das nossas mulheres nas cooperativas, muito importante, \u00e9 que a gente tem<br \/>de preservar e cuidar das nossas sementes e da diversidade. Essas sementes que s\u00e3o<br \/>patrim\u00f4nio nosso, que potencializam a soberania alimentar para n\u00f3s e para o mundo.<\/p>\n<h2>Let\u00edcia \u2013 Rio Grande do Sul (Sul)<\/h2>\n<p>Meu nome \u00e9 Let\u00edcia, sou do estado do Mato Grosso do Sul, no munic\u00edpio chamado<br \/>Iguatemi. Meus pais foram assentados pela reforma agr\u00e1ria j\u00e1 tem cerca de 20 anos, no<br \/>assentamento Rancho Loma.<br \/>Comecei a me inserir no movimento a partir da minha ida ao Instituto Educar. Fui fazer o<br \/>curso de agronomia pelo PRONERA e l\u00e1 comecei a me inserir pelo movimento. Comecei a<br \/>atuar em algumas cooperativas, tanto no estado de S\u00e3o Paulo, no Paran\u00e1, no Rio Grande<br \/>do Sul, at\u00e9 chegar \u00e0 Bionatur.<br \/>L\u00e1 na Bionatur a gente conhece um pouquinho do processo hist\u00f3rico dela, n\u00e9? Que \u00e9 uma<br \/>regi\u00e3o ali do munic\u00edpio de Candiota, no Pampa Ga\u00facho. O hist\u00f3rico dela se deu com as<br \/>fam\u00edlias agricultoras daquela regi\u00e3o, vendo a necessidade de se produzir sementes. N\u00e3o ter<br \/>aquelas sementes que est\u00e3o na m\u00e3o das grandes empresas da Isla, por exemplo, que t\u00eam<br \/>essa concentra\u00e7\u00e3o dessas sementes produzidas de formas convencionais, com a utiliza\u00e7\u00e3o<br \/>de qu\u00edmicos e agrot\u00f3xicos.<br \/>Essas fam\u00edlias viram a necessidade de produzir sementes pelo Movimento, mas para<br \/>aquela regi\u00e3o ela se torna estrat\u00e9gica justamente para ter essa semente de qualidade, de<br \/>forma org\u00e2nica, agroecol\u00f3gica. Se uniram, juntaram for\u00e7as e come\u00e7aram a produzir as<br \/>sementes de forma agroecol\u00f3gica.<br \/>E a\u00ed surge a Bionatur, que agora \u00e9 nacional. Atuamos em algumas regi\u00f5es do estado, no<br \/>Nordeste, no Sudeste, e a gente vem com essa atua\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de sementes<br \/>agroecol\u00f3gicas. Sobretudo, a produ\u00e7\u00e3o de sementes vem desde nossas ancestrais. L\u00e1 do<br \/>passado, l\u00e1 com a nossa ancestralidade. \u00c9 fundamental a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no<br \/>processo de cultivar, de produzir as sementes.<br \/>Somos as grandes guardi\u00e3s das sementes produtoras. Ent\u00e3o, com certeza, a participa\u00e7\u00e3o<br \/>da mulher \u00e9 fundamental e sempre existiu. Ela \u00e9 parte fundamental porque \u00e9 a mulher que<br \/>vem do cultivo da terra. Somos n\u00f3s que fazemos todo esse processo de cuidado,<br \/>armazenamento, plantio, reprodu\u00e7\u00e3o, multiplica\u00e7\u00e3o, ou seja, um conhecimento que \u00e9 de<br \/>passar de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o.<br \/>A Bionatur tem essa rela\u00e7\u00e3o com as mulheres, que t\u00eam grande participa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de<br \/>sementes porque s\u00e3o elas que guardam e com certeza s\u00e3o fundamentais para esse<br \/>processo. A gente v\u00ea na pr\u00e1tica quando faz o acompanhamento dessa fam\u00edlia, visita a<\/p>\n<p>pessoa que est\u00e1 l\u00e1 no campo produzindo, que conversa, que conhece. Tem a dona<br \/>Feliciana, que desenvolveu o tomate Biofeliciana e a gente tem registrado como nosso, do<br \/>Movimento, semente desenvolvida por uma m\u00e3o feminina, uma mulher.<br \/>Ent\u00e3o, isso \u00e9 fant\u00e1stico. Quando a gente luta com as fam\u00edlias, \u00e9 a mulher que est\u00e1 l\u00e1<br \/>tamb\u00e9m \u00e0 frente da produ\u00e7\u00e3o de sementes, que tamb\u00e9m cuida. N\u00e3o est\u00e1 na m\u00e3o de<br \/>nenhuma empresa privada, est\u00e1 nas m\u00e3os do povo, do Movimento Sem Terra, est\u00e1 na m\u00e3o<br \/>da Bionatur, est\u00e1 na m\u00e3o dela, da dona Feliciana. E a gente tem que disseminar essa<br \/>semente cada vez mais.<\/p>\n<h2> Dona Te\u00f3fila \u2013 Par\u00e1 (Norte)<\/h2>\n<p>Eu sou Te\u00f3fila da Silva Nunes, mas gosto de ser chamada de dona Teo. Estou vi\u00fava, tenho<br \/>73 anos, sou educadora popular, agricultura pedagoga e fa\u00e7o parte de uma associa\u00e7\u00e3o de<br \/>mulheres agricultoras.<br \/>Nosso processo de produ\u00e7\u00e3o no MST se deu quando ocupamos a terra. Eu e meu marido<br \/>t\u00ednhamos muita preocupa\u00e7\u00e3o em estar nesse processo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos<br \/>saud\u00e1veis. A gente formava muito o pessoal, os assentados, com essa preocupa\u00e7\u00e3o de<br \/>produzir alimentos. Ent\u00e3o, come\u00e7ou da\u00ed. Como educadora, tamb\u00e9m sa\u00eda muito. Depois que<br \/>meu marido faleceu, tive que assumir o lote totalmente e fui para especializa\u00e7\u00e3o em<br \/>agricultura familiar.<br \/>A gente percebeu a necessidade de ter mais gente assim, ent\u00e3o constru\u00edmos um coletivo de<br \/>mulheres, que logo ap\u00f3s se tornou uma associa\u00e7\u00e3o de mulheres agricultoras. A\u00ed foi<br \/>ampliando nosso processo produtivo, dando continuidade ao trabalho ap\u00f3s a perda do meu<br \/>marido.<br \/>Hoje esse processo produtivo continua em dois eixos: na transforma\u00e7\u00e3o dos produtos e na<br \/>culin\u00e1ria da Terra. Nas transforma\u00e7\u00f5es, produzimos doces, artesanatos, fitoter\u00e1picos e na<br \/>culin\u00e1ria, a comida da terra.<br \/>Hoje percebemos que, depois de 6 anos da funda\u00e7\u00e3o do coletivo de mulheres, ele tem<br \/>contribu\u00eddo muito com esse processo de produ\u00e7\u00e3o no Movimento Sem Terra, no avan\u00e7o<br \/>contra o machismo e racismo dentro do nosso territ\u00f3rio. Com as mulheres engajadas hoje<br \/>como coletivo, assumimos o projeto nacional Plantar \u00c1rvores e Produzir Alimentos<br \/>Saud\u00e1veis, de reflorestamento, produ\u00e7\u00e3o de comida de verdade.<br \/>Por isso temos nossos viveiros dentro dos territ\u00f3rios, coletamos e guardamos sementes,<br \/>temos casas de sementes. E hoje contribu\u00edmos na feira em dois espa\u00e7os: na culin\u00e1ria da<br \/>terra e nos caminhos da agroecologia, no qual estou representando o estado do Par\u00e1, na<br \/>exposi\u00e7\u00e3o das sementes do Quilombo Amaz\u00f4nico e nos produtos fitoter\u00e1picos oriundos das<br \/>sementes de andiroba.<br \/>\u00c9 muito bom saber que n\u00f3s, mulheres, somos importantes nessa produ\u00e7\u00e3o, nesse processo<br \/>de continuidade \u2014 das sementes, dos viveiros, das mudas, dos alimentos saud\u00e1veis.<br \/>Defender a natureza \u00e9 nosso papel e n\u00f3s sempre o cumpriremos.<\/p>\n<p>Gosto muito de ser agricultora, gosto muito de discutir a quest\u00e3o feminista, a quest\u00e3o de<br \/>g\u00eanero entre as mulheres do Movimento. Isso me faz muito bem, sou feliz por isso e<br \/>agrade\u00e7o termos um espa\u00e7o para partilhar a produ\u00e7\u00e3o das mulheres Sem Terra.Kelha \u2013 Cear\u00e1 (Nordeste)<\/p>\n<h2>Kelha \u2013 Cear\u00e1 (Nordeste)<\/h2>\n<p>Sou Kelha, da Dire\u00e7\u00e3o Nacional do MST no Cear\u00e1, do assentamento UBA, em Santa<br \/>Quit\u00e9ria, na regi\u00e3o Irm\u00e3 Doroty. Sou fruto da luta pela terra que antecedeu a chegada do<br \/>MST no Cear\u00e1. Antes do MST, a gente vivia sob o dom\u00ednio dos latif\u00fandios, uma hist\u00f3ria de<br \/>nega\u00e7\u00e3o do acesso dos camponeses \u00e0 terra.<br \/>No final dos anos 80, em 1989, o MST chegou \u00e0 regi\u00e3o e, dentro desse contexto de<br \/>resist\u00eancia, a milit\u00e2ncia do Movimento deu um grande impulso \u00e0 luta pela terra no estado,<br \/>possibilitando a conquista de \u00e1reas para as fam\u00edlias. Nossa primeira ocupa\u00e7\u00e3o aconteceu<br \/>em 25 de maio de 1989. Isso ajudou a amenizar os conflitos locais e fortalecer a luta dos<br \/>trabalhadores e trabalhadoras rurais.<br \/>Minha fam\u00edlia foi despejada; nossa casa foi derrubada a mando do fazendeiro e n\u00e3o<br \/>t\u00ednhamos para onde ir. Naquela \u00e9poca, o que nos sustentava era a ajuda do padre da<br \/>par\u00f3quia. Eu fa\u00e7o parte de uma das fam\u00edlias que protagonizou a primeira ocupa\u00e7\u00e3o de<br \/>pr\u00e9dio p\u00fablico no Cear\u00e1. Em 1988, ocupamos o INCRA junto com outras fam\u00edlias tamb\u00e9m<br \/>despejadas. Entrei no MST em 1997, quando militantes chegaram ao assentamento com<br \/>uma proposta \u00e0 frente: a luta por educa\u00e7\u00e3o. Eu ia ser educadora na EJA, num projeto em<br \/>parceria com a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado.<br \/>Com o tempo, me envolvi cada vez mais com o MST e deixei a educa\u00e7\u00e3o formal para<br \/>assumir uma posi\u00e7\u00e3o de dirigente do Movimento. O que eu sou hoje \u00e9 o resultado da vida<br \/>coletiva, da nossa organiza\u00e7\u00e3o, que nos ensina e emociona, porque somos o resultado da<br \/>luta que nos negava um espa\u00e7o. Sem o MST, n\u00e3o ser\u00edamos quem somos.<br \/>Na milit\u00e2ncia, vamos despertando para outras quest\u00f5es, como a participa\u00e7\u00e3o das mulheres,<br \/>que ainda \u00e9 um grande desafio no MST, mesmo com seus 41 anos de exist\u00eancia. Isso se<br \/>deve \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sermos mulheres e \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista sobre nosso<br \/>papel. A participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das companheiras tem avan\u00e7ado, e nas nossas inst\u00e2ncias h\u00e1<br \/>a delibera\u00e7\u00e3o de garantir 50% de mulheres participando, algo que buscamos cumprir,<br \/>apesar dos desafios.<br \/>N\u00e3o podemos perder de vista que as mulheres s\u00e3o fundamentais na constru\u00e7\u00e3o do<br \/>Movimento e precisamos reconhecer essa contribui\u00e7\u00e3o. Como diz nossa m\u00fasica, \u201csem as<br \/>mulheres a luta vai pela metade\u201d.<br \/>Nos assentamentos, temos conquistado avan\u00e7os na produ\u00e7\u00e3o, principalmente no<br \/>melhoramento e agrega\u00e7\u00e3o de valor aos produtos feitos pelas fam\u00edlias camponesas. No<br \/>ch\u00e3o de f\u00e1brica, a participa\u00e7\u00e3o masculina ainda \u00e9 muito maior, o que nega \u00e0s mulheres<br \/>esses espa\u00e7os, mesmo que elas estejam na linha de frente do trabalho. \u00c9 um desafio das<br \/>mulheres do MST se colocarem cada vez mais nas dire\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os de decis\u00e3o da<br \/>organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2> Devanir \u2013 Mato Grosso (Centro-Oeste)<\/h2>\n<p>Meu nome \u00e9 Devani Oliveira de Ara\u00fajo, nasci em Minas Gerais, mas estou em Mato Grosso<br \/>h\u00e1 mais de 20 anos. Minha hist\u00f3ria \u00e9 de luta, uma caminhada que come\u00e7ou ainda jovem,<br \/>aos 20 anos, com a milit\u00e2ncia sindical em Rond\u00f4nia. L\u00e1, participei do movimento sindical<br \/>combativo, e em 1998, junto com outros sindicatos do estado, envolvi-me no debate sobre<br \/>os rumos do sindicalismo brasileiro, que nos levou a formar o MPA (Movimento dos<br \/>Pequenos Agricultores).<br \/>No MST, j\u00e1 atuei no setor de forma\u00e7\u00e3o e hoje estou no setor de produ\u00e7\u00e3o, onde contribuo<br \/>com as tarefas da grande regi\u00e3o Centro-Oeste, que engloba cinco estados, incluindo<br \/>Rond\u00f4nia.<br \/>A participa\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 fundamental na milit\u00e2ncia e no acompanhamento do setor de<br \/>produ\u00e7\u00e3o, porque as mulheres t\u00eam um olhar integral. Quando uma mulher participa, toda a<br \/>fam\u00edlia se envolve na luta e na organiza\u00e7\u00e3o. Isso enriquece a unidade produtiva, pois as<br \/>mulheres promovem diversidade no plantio e melhorias na alimenta\u00e7\u00e3o, fortalecendo a<br \/>rela\u00e7\u00e3o harmoniosa entre ser humano e natureza.<br \/>A presen\u00e7a das mulheres nas associa\u00e7\u00f5es e cooperativas dos assentamentos \u00e9 uma<br \/>preocupa\u00e7\u00e3o constante. N\u00e3o \u00e9 para cumprir cotas, mas porque elas t\u00eam uma capacidade<br \/>\u00fanica de olhar o todo, perceber detalhes que mant\u00eam o grupo unido, cooperando e<br \/>pensando no futuro das pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<br \/>Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 essencial, especialmente quando debatemos a<br \/>agroecologia. Muitas mulheres nos contam que entraram para as associa\u00e7\u00f5es para produzir<br \/>alimentos saud\u00e1veis e agroecol\u00f3gicos, mas acabam despertando para as diversas<br \/>dimens\u00f5es da agroecologia, que \u00e9 um projeto de vida.<br \/>Agroecologia \u00e9 esperan\u00e7a, determina\u00e7\u00e3o, coragem e enfrentamento \u00e0s viol\u00eancias. \u00c9<br \/>necess\u00e1rio trazer cada vez mais companheiras para essas batalhas. Um destaque<br \/>importante s\u00e3o os sistemas agroflorestais que implantamos nos assentamentos, parte do<br \/>Plano Nacional Plantar \u00c1rvores e Produzir Alimentos Saud\u00e1veis, lan\u00e7ado em 2020.<br \/>Esse plano \u00e9 um contraponto ao projeto do agroneg\u00f3cio, que \u00e9 um projeto de morte e<br \/>acumula\u00e7\u00e3o sem limites. Nossa reforma agr\u00e1ria popular discute a rela\u00e7\u00e3o com a natureza,<br \/>refor\u00e7ando a diversidade e a capacidade das mulheres de gerir essa diversidade produtiva.<br \/>Nos quintais produtivos, a ideia \u00e9 diversificar, plantar \u00e1rvores e produzir alimentos ao<br \/>mesmo tempo, porque essas coisas andam juntas. A agroecologia nos ensina que o solo \u00e9<br \/>um organismo vivo e precisa ser cuidado. \u00c9 um projeto de vida que envolve forma\u00e7\u00e3o, luta e<br \/>constru\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p><em>*Editado por Priscila Ramos<\/em> <\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/05\/27\/mulheres-sem-terra-forca-resistencia-e-sabor-na-producao-agroecologica\/\">Mulheres Sem Terra: for\u00e7a, resist\u00eancia e sabor na produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/efeito-lula-2408-mil-veiculos-foram-vendidos-em-novembro-alta-de-201-frente-a-2023\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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