{"id":30151,"date":"2025-05-27T20:18:50","date_gmt":"2025-05-27T23:18:50","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/escritor-premiado-ale-santos-relanca-obra-afrofuturistica-com-novas-figuras-historicas-do-brasil\/"},"modified":"2025-05-27T20:18:50","modified_gmt":"2025-05-27T23:18:50","slug":"escritor-premiado-ale-santos-relanca-obra-afrofuturistica-com-novas-figuras-historicas-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/escritor-premiado-ale-santos-relanca-obra-afrofuturistica-com-novas-figuras-historicas-do-brasil\/","title":{"rendered":"Escritor premiado, Al\u00ea Santos relan\u00e7a obra afrofutur\u00edstica com novas figuras hist\u00f3ricas do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Refer\u00eancia do afrofuturismo no Brasil, o escritor <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/11\/24\/o-afrofuturismo-de-ale-santos-quero-reconstruir-o-imaginario-social-brasileiro\/\">Al\u00ea Santos<\/a> acaba de relan\u00e7ar <em>Rastros de Resist\u00eancia e Literatura Afrofuturista<\/em>, obra premiada que apresenta personagens hist\u00f3ricos negros muitas vezes apagados pelos registros oficiais. A nova edi\u00e7\u00e3o, revisada e ampliada, adiciona hist\u00f3rias in\u00e9ditas de duas figuras: Jo\u00e3o C\u00e2ndido, o Almirante Negro, l\u00edder da Revolta da Chibata (1910), e Beijamin, primeiro palha\u00e7o negro do pa\u00eds. \u201cS\u00e3o hist\u00f3rias potentes que precisavam estar ali\u201d, afirma o autor, que tamb\u00e9m \u00e9 conhecido por viralizar nas redes com <a href=\"https:\/\/x.com\/Savagefiction?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor\">fios no X<\/a> que resgatam trajet\u00f3rias de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Finalista do Pr\u00eamio Tamoios e parte do Clube de Leitura da <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/?s=onu\">Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)<\/a>, o livro tem dialogado com escolas, bibliotecas e at\u00e9 com o hip-hop brasileiro, sendo citado por nomes como Emicida, Coruja BC1 e Planet Hemp. Para Santos, esse cruzamento entre m\u00fasica, literatura e periferia fortalece a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/?s=luta+antirracista\">luta antirracista<\/a> e amplia o alcance da <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/?s=hist%C3%B3ria+negra\">hist\u00f3ria negra<\/a> no pa\u00eds. \u201cO rap abre portas e a literatura acompanha, aprofunda.\u201d<\/p>\n<p>Em entrevista ao <em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TYgwmqlLXsA\">Conex\u00e3o BdF<\/a><\/em>, da <strong>R\u00e1dio Brasil de Fato<\/strong>, o escritor tamb\u00e9m fala sobre os desafios da pesquisa hist\u00f3rica, a pot\u00eancia da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o social e a import\u00e2ncia de um afrofuturismo com identidade pr\u00f3pria no Brasil. \u201cA fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nos permite discutir temas que j\u00e1 est\u00e3o no nosso cotidiano de forma acess\u00edvel\u201d, defende. O seu trabalho pode ser acompanhado no <em>X <\/em>e no <em>Instagram<\/em>, ambos <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/savagefiction\/\">@savagefiction<\/a>.<\/p>\n<h4>Confira a entrevista na \u00edntegra:<\/h4>\n<p><strong>Voc\u00ea foi citado pela <em>Science Fiction Research Association<\/em> como o autor afrofuturista mais popular da nova gera\u00e7\u00e3o do Brasil. O que \u00e9 o afrofuturismo?<\/strong><\/p>\n<p>O afrofuturismo \u00e9 um movimento est\u00e9tico, cultural e at\u00e9 pol\u00edtico, que coloca as narrativas negras dentro do contexto da tecnocultura, usando a est\u00e9tica da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, da fic\u00e7\u00e3o especulativa, seja na literatura, no cinema, na m\u00fasica, em todas as express\u00f5es art\u00edsticas. Ele ficou muito famoso com o filme <em>Pantera Negra<\/em>, l\u00e1 nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil ele j\u00e1 vem ganhando recortes especiais: na Amaz\u00f4nia, nas periferias urbanas, nas quest\u00f5es que envolvem as tecnologias brasileiras e as nossas realidades. \u00c9 um movimento em plena expans\u00e3o, muito vivo, sendo definido por artistas brasileiros e latino-americanos neste exato momento.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e o afrofuturismo podem ser ferramentas para a transforma\u00e7\u00e3o social? De que forma suas hist\u00f3rias buscam provocar esse efeito nos leitores? E como voc\u00ea v\u00ea a import\u00e2ncia de construir um afrofuturismo com identidade pr\u00f3pria no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>A fic\u00e7\u00e3o sempre teve o poder de fazer com que as pessoas enxerguem realidades dif\u00edceis ou tenham conversas delicadas de forma mais l\u00fadica. A fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica elabora alegorias que conectam o leitor de maneira profunda e, muitas vezes, despretensiosa. A s\u00e9rie <em>Eternauta<\/em>, da Argentina, por exemplo, fala sobre a ditadura usando alien\u00edgenas, neve t\u00f3xica, distopias ambientais\u2026 Ela traduz aquele momento pol\u00edtico em fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nos permite discutir temas que j\u00e1 est\u00e3o no nosso cotidiano, como a crise ambiental, o avan\u00e7o da tecnologia, os algoritmos e como eles moldam ou oprimem a sociedade, de forma acess\u00edvel. Consumimos muita fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com base nos Estados Unidos, por conta de Hollywood, e acaba absorvendo a vis\u00e3o de mundo deles, com a tecnologia sendo usada como ferramenta de domina\u00e7\u00e3o global. Mas quando essas hist\u00f3rias v\u00eam de outras regi\u00f5es, como o Brasil ou a Am\u00e9rica Latina, elas ganham outra perspectiva.<\/p>\n<p>Aqui, por exemplo, temos o afrofuturismo como lente: como a popula\u00e7\u00e3o negra brasileira \u00e9 impactada pela tecnologia? Como os entregadores de aplicativo, majoritariamente negros, s\u00e3o afetados por algoritmos que definem sua rotina e seu rendimento? Minhas hist\u00f3rias tentam trabalhar exatamente com isso. <em>O \u00daltimo Ancestral<\/em>, meu primeiro romance, finalista do Jabuti, constr\u00f3i um mundo em que uma elite tecnol\u00f3gica baniu as religi\u00f5es de matriz africana, e a popula\u00e7\u00e3o negra foi empurrada para os morros, para as favelas. Parece a nossa realidade, mas \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, uma alegoria para provocar reflex\u00e3o sobre o presente.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 relan\u00e7ando o livro premiado <em>Rastros de Resist\u00eancia e Literatura Afrofuturista<\/em>. O que motivou a escolha das novas hist\u00f3rias inclu\u00eddas nesta edi\u00e7\u00e3o revisada e ampliada? <\/strong><\/p>\n<p>Eu adoro esse livro, ele surgiu num momento muito importante da minha trajet\u00f3ria. Pra quem me acompanha, sabe que eu comecei contando hist\u00f3rias de pessoas negras no Twitter, que viralizaram e viraram not\u00edcia at\u00e9 em outros pa\u00edses. Dessas hist\u00f3rias nasceu o <em>Rastros de Resist\u00eancia: Hist\u00f3ria de Luta e Liberdade do Povo Negro<\/em>, que entrou pro Clube de Leitura da ONU e foi finalista do Pr\u00eamio Tamoios.<\/p>\n<p>Relan\u00e7ar esse livro \u00e9 uma oportunidade importante. Um dos maiores desafios de ser escritor negro no Brasil \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o. Essa nova edi\u00e7\u00e3o me permite chegar a mais pessoas, com melhor alcance. E como estamos vivendo um novo momento hist\u00f3rico, senti que era hora de incluir duas novas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 sobre Jo\u00e3o C\u00e2ndido, o Almirante Negro, l\u00edder da Revolta da Chibata, que at\u00e9 hoje enfrenta resist\u00eancia dentro da Marinha. A segunda \u00e9 sobre o Beijamin, primeiro palha\u00e7o negro do Brasil. Uma figura que representa a criatividade, a arte e a resist\u00eancia em meio \u00e0 dor. S\u00e3o duas hist\u00f3rias potentes que precisavam estar ali.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o impacto de trazer \u00e0 tona esses personagens hist\u00f3ricos negros que foram apagados ou silenciados pelos registros oficiais? Que mudan\u00e7as espera provocar na percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico sobre a hist\u00f3ria do Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Esse livro j\u00e1 chegou a algumas escolas. Uma tia minha leu e me disse: \u201cNunca aprendi isso na escola\u201d. Professores me mandam mensagens dizendo que conseguem prender a aten\u00e7\u00e3o dos alunos com essas hist\u00f3rias, que os olhos deles brilham ao conhecer essas figuras. Isso humaniza, amplia o imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 esse: quebrar os estere\u00f3tipos e mostrar a multiplicidade da experi\u00eancia negra. Mostrar que existiram \u2014 e existem \u2014 pessoas negras poderosas, inteligentes, estrategistas, criativas, mas tamb\u00e9m que sofreram, que resistiram. E isso espalhado por todo o continente. O livro ajuda a popularizar essas imagens, a construir um imagin\u00e1rio mais rico e mais verdadeiro.<\/p>\n<p><strong>O livro faz parte do Clube de Leitura da ONU e est\u00e1 presente em bibliotecas internacionais. Como voc\u00ea enxerga a recep\u00e7\u00e3o internacional e nacional dessas hist\u00f3rias de luta e resist\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que ainda h\u00e1 um caminho a percorrer. Temos nomes brasileiros sendo reconhecidos internacionalmente, claro. Mas ainda existem barreiras de idioma, de acesso ao mercado, de distribui\u00e7\u00e3o. Escritores negros dos Estados Unidos, por exemplo, t\u00eam mais oportunidades e visibilidade.<\/p>\n<p>Minha esperan\u00e7a \u00e9 que as hist\u00f3rias brasileiras ganhem mais espa\u00e7o na Am\u00e9rica Latina, na Europa, em todo o mundo. Que o imagin\u00e1rio da pessoa negra perif\u00e9rica brasileira tamb\u00e9m seja reconhecido globalmente. Fico feliz em ser um pedacinho dessa constru\u00e7\u00e3o, e estou trabalhando para que minhas pr\u00f3ximas obras cheguem ainda mais longe.<\/p>\n<p><strong>O livro dialoga fortemente com a cultura do hip-hop. Ele j\u00e1 foi citado por artistas como Emicida, Coruja BC1 e Planet Hemp. Como essa conex\u00e3o amplia o alcance e a import\u00e2ncia das narrativas negras para as novas gera\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 essencial. O hip-hop sempre foi express\u00e3o art\u00edstica, cultural e pol\u00edtica da popula\u00e7\u00e3o negra. E sempre teve essa conex\u00e3o natural com outras linguagens, m\u00fasica, poesia, literatura.<\/p>\n<p>No meu caso, cresci ouvindo rap, samba, m\u00fasica perif\u00e9rica. Escrevo ouvindo isso. Ent\u00e3o, quando vejo artistas que admiro, alguns que viraram amigos, citando minha obra, isso \u00e9 incr\u00edvel. Mostra a for\u00e7a do imagin\u00e1rio brasileiro, perif\u00e9rico, que rompe com essas caixinhas de mercado. A arte negra n\u00e3o cabe nessas defini\u00e7\u00f5es estreitas. \u00c9 m\u00faltipla, expansiva.<\/p>\n<p><strong>O rap tamb\u00e9m tem esse papel de preservar a mem\u00f3ria hist\u00f3rica e fortalecer a luta antirracista. Voc\u00ea acredita que o rap e outras manifesta\u00e7\u00f5es culturais podem transformar o ensino da hist\u00f3ria negra no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 acredito, como acho que isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. Nos anos 1990, os Racionais tiveram um impacto gigantesco no imagin\u00e1rio do que \u00e9 ser negro no Brasil. Quantas pessoas conheceram figuras hist\u00f3ricas a partir das letras deles? Ou do Emicida, do Rashid, do Djonga, do Coruja\u2026<\/p>\n<p>Esses artistas provocam a busca pelo conhecimento. E meu livro se conecta com isso: ele aprofunda a pesquisa. A pessoa ouve uma m\u00fasica, se interessa por uma figura hist\u00f3rica e encontra essa hist\u00f3ria no <em>Rastros de Resist\u00eancia<\/em>. O rap abre portas e a literatura acompanha, aprofunda.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea enfrentou desafios ao pesquisar e narrar hist\u00f3rias que muitas vezes foram apagadas ou at\u00e9 mesmo distorcidas pelo colonialismo e o p\u00f3s-colonialismo?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, enfrentei muitos desafios. Um deles, e eu percebo isso claramente, \u00e9 que, apesar de ter nascido no Sudeste, no interior de S\u00e3o Paulo, hoje moro em Bel\u00e9m do Par\u00e1, e vejo como muitas hist\u00f3rias ainda est\u00e3o presas ao regionalismo. Tem muita coisa guardada em bibliotecas que s\u00f3 os historiadores daquele lugar conhecem. Por exemplo, s\u00f3 consegui acessar a hist\u00f3ria do negro Cosme, um l\u00edder quilombola do Maranh\u00e3o, gra\u00e7as a uma historiadora chamada, se n\u00e3o me engano, Mundinha Ara\u00fajo. Conheci ela quando fui ao Maranh\u00e3o. \u00c9 uma senhora ancestral, muito poderosa, que me ensinou tamb\u00e9m sobre o Nego Rosa, uma figura que praticamente n\u00e3o se encontra na internet.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, existem muitos documentos, hist\u00f3rias regionais, lendas e saberes que ainda est\u00e3o na oralidade, nas express\u00f5es culturais, nas manifesta\u00e7\u00f5es musicais\u2026 E o Brasil precisaria de um investimento muito s\u00e9rio para visitar todos esses lugares e reunir essas pe\u00e7as que est\u00e3o espalhadas. \u00c9 isso: temos uma cultura riqu\u00edssima, mas precisamos vasculhar mesmo para descobrir tudo o que ainda est\u00e1 perdido por a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea costuma afirmar que precisamos de mais hist\u00f3rias de sucesso e felicidade negras, n\u00e3o apenas narrativas de dor. Como isso se reflete no seu processo criativo e na recep\u00e7\u00e3o do seu p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p>Eu falo muito sobre isso, especialmente quando se trata da televis\u00e3o, das novelas brasileiras\u2026 A cr\u00edtica que sempre aparece \u00e9 que as pessoas negras costumam estar em pap\u00e9is subalternos, com pouca complexidade ou poder. Precisamos de narrativas de pessoas negras que venceram, mesmo na dor.<\/p>\n<p>O meu livro <em>Rastros de Resist\u00eancia<\/em> traz muitas hist\u00f3rias de l\u00edderes quilombolas que, sim, n\u00e3o sobreviveram, como o pr\u00f3prio Benkos Bioh\u00f3, o maior l\u00edder negro revolucion\u00e1rio da Col\u00f4mbia. Ele n\u00e3o sobreviveu, mas fundou o maior quilombo da hist\u00f3ria do pa\u00eds, e esse quilombo deu origem ao primeiro povo negro livre das Am\u00e9ricas, em 1620. Isso \u00e9 uma hist\u00f3ria de sucesso. \u00c9 poderosa.<\/p>\n<p>Acredito que precisamos de mais hist\u00f3rias que mostrem nossa subjetividade, nossa profundidade, de forma valorosa. N\u00e3o se trata s\u00f3 de ocupar um papel de destaque heroico, mas de mostrar que nossas vidas s\u00e3o complexas, m\u00faltiplas, magn\u00edficas. As grandes trag\u00e9dias gregas inspiraram gera\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o por que n\u00e3o podemos ter hist\u00f3rias negras que tamb\u00e9m inspirem, seja pela dor, seja pelo sucesso? E, principalmente, que n\u00e3o nos deixem presos a pap\u00e9is sem subjetividade, como se f\u00f4ssemos apenas v\u00edtimas passivas de um passado de escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Que mensagem voc\u00ea deixa para os pequenos que querem seguir no mundo da arte, da cultura?<\/strong><\/p>\n<p>A mensagem \u00e9: acredite na sua hist\u00f3ria. Naquela que voc\u00ea escreve com a caneta, com o teclado, com o celular\u2026 e tamb\u00e9m na que voc\u00ea escreve ao tentar viver do of\u00edcio da escrita. Ser escritor no Brasil, especialmente se voc\u00ea \u00e9 uma pessoa negra, perif\u00e9rica, mulher ou da comunidade LGBTQIA+, \u00e9 escrever uma hist\u00f3ria in\u00e9dita. S\u00f3 o fato de voc\u00ea existir nesse campo j\u00e1 \u00e9 algo poderoso. Ent\u00e3o acredite nisso.<\/p>\n<h4>Para ouvir e assistir<\/h4>\n<p>O jornal\u00a0<em>Conex\u00e3o BdF<\/em>\u00a0vai ao ar em duas edi\u00e7\u00f5es, de segunda a sexta-feira, uma \u00e0s 9h e outra \u00e0s 17h, na\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/radiobrasildefato.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">R\u00e1dio Brasil de Fato<\/a><\/strong>,\u00a0<strong>98.9 FM<\/strong>\u00a0na Grande S\u00e3o Paulo, com transmiss\u00e3o simult\u00e2nea tamb\u00e9m pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@brasildefato\/playlists\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">YouTube do\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong><\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/aprovacao-em-alta-e-lideranca-em-intencao-de-voto-para-2026-atestam-sucesso-da-gestao-de-lula\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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A nova edi\u00e7\u00e3o, revisada e ampliada, adiciona hist\u00f3rias in\u00e9ditas de duas figuras: Jo\u00e3o C\u00e2ndido, o Almirante Negro, l\u00edder da Revolta da Chibata (1910), e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[309,379],"tags":[],"class_list":["post-30151","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30151\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}