{"id":31179,"date":"2025-06-02T16:02:36","date_gmt":"2025-06-02T19:02:36","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/lgbtqia-reivindicam-saude-especializada-para-longevidade-com-orgulho\/"},"modified":"2025-06-02T16:02:36","modified_gmt":"2025-06-02T19:02:36","slug":"lgbtqia-reivindicam-saude-especializada-para-longevidade-com-orgulho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lgbtqia-reivindicam-saude-especializada-para-longevidade-com-orgulho\/","title":{"rendered":"LGBTQIA+ reivindicam sa\u00fade especializada para longevidade com orgulho"},"content":{"rendered":"<p>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) calcula que um em cada dez brasileiros j\u00e1 chegou aos 65 anos, e que a expectativa de vida ao nascer no pa\u00eds j\u00e1 superou os 76. Esse cen\u00e1rio de envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o \u00e9 igual para todos os grupos. Minorias sexuais e de g\u00eanero chegam \u00e0 terceira idade com demandas espec\u00edficas e vulnerabilidades, mas tamb\u00e9m com orgulho de suas pr\u00f3prias cores.\u00a0No M\u00eas do Orgulho LGBTQIA+, especialistas no tema e ativistas alertam que os servi\u00e7os de sa\u00fade e acolhimento t\u00eam um longo caminho a percorrer para que os processos de cuidado n\u00e3o se tornem mais uma forma de apagamento dessa comunidade.<\/p>\n<p>\u201cEnvelhecer n\u00e3o \u00e9 morrer, \u00e9 viver cada dia mais. A morte n\u00e3o tem idade, e eu n\u00e3o vivo esperando por isso. Eu vivo cada dia, dentro do poss\u00edvel, para ser feliz\u201d, define Dora Cudignola, ativista LGBTQIA+ de 72 anos. \u201cSou uma idosa l\u00e9sbica e atrevida\u201d, ela se apresenta.<\/p>\n<p>Dora \u00e9 presidente da associa\u00e7\u00e3o EternamenteSOU, criada em 2017 em S\u00e3o Paulo para reunir e acolher idosos da <a href=\"https:\/\/tvtnews.com.br\/tag\/lgbtqiapn\/\">comunidade LGBTQIA+<\/a>, que se deparam com uma realidade de discrimina\u00e7\u00e3o dentro da pr\u00f3pria comunidade, solid\u00e3o e invisibilidade na busca pelo sistema de sa\u00fade.\u00a0O problema se agrava\u00a0ainda mais quando essas pessoas precisam de acolhimento em institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>\u201cTanto o SUS como qualquer local voltado para a sa\u00fade deveria ter profissionais e m\u00e9dicos preparados para nos receber. Muitos n\u00e3o entendem ou n\u00e3o sabem como lidar. Mesmo com as dificuldades e demoras, o SUS ainda \u00e9 o melhor lugar para a gente, mas os profissionais precisam saber como lidar\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cO meu desejo, n\u00e3o s\u00f3 meu como da EternamenteSOU, \u00e9 que haja institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia para LGBTs, para n\u00e3o separar essas pessoas e, sim,\u00a0t\u00ea-las em comunidade, juntas, envelhecidas, contando as suas hist\u00f3rias, felizes e que ela seja muito, muito acolhida\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto esse lugar n\u00e3o existe, a EternamenteSOU\u00a0tenta cumprir esse papel. A associa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de lutar contra a solid\u00e3o, mas tamb\u00e9m de celebrar o envelhecimento como um processo da vida, conta ela. Para a ativista, envelhecer tamb\u00e9m depende de cada um se aceitar como \u201cvelho\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cCom a idade, chegam as dores, as doen\u00e7as, chegam nossos fracassos, e a gente v\u00ea por que n\u00e3o conquistamos tantas coisas. Mas tenho 72 anos e sou uma mulher feliz. \u00c9 claro que tenho os meus problemas, mas eu amo a minha idade. Envelhecer n\u00e3o pode ser ficar com d\u00f3 de voc\u00ea mesma, porque a\u00ed envelhecemos o corpo e a mente, e nossa mente precisa ser a melhor, \u00e9 ela que nos ajuda a viver melhor\u201d, celebra ela. \u201cN\u00f3s, velhos, temos tes\u00e3o, temos gozo na vida e nas rela\u00e7\u00f5es, temos prazer em amar e ser amados.\u201d<\/p>\n<h2>Demandas invis\u00edveis<\/h2>\n<p>No \u00faltimo dia 26 de maio, o especialista em gerontologia Diego Felix Miguel divulgou nas redes sociais e ve\u00edculos de imprensa o texto\u00a0<em>Carta Aberta \u00e0 Sociedade Brasileira: Por uma Velhice Digna e Vis\u00edvel para as Pessoas LGBT+<\/em>. Presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia em S\u00e3o Paulo, o pesquisador comemora a escolha da longevidade como tema da Parada LGBT de S\u00e3o Paulo e avalia que o assunto \u00e9 importante e urgente.<\/p>\n<p>Um dos motivos \u00e9 a necessidade de reivindicar junto ao Estado brasileiro a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que n\u00e3o apenas reconhe\u00e7am a diversidade sexual e de g\u00eanero, mas garantam seguran\u00e7a, cuidado e dignidade a essas pessoas idosas.<\/p>\n<p>\u201cA gente sabe que existem muitas pessoas idosas LGBT, mas n\u00e3o sabemos a quantidade e quais s\u00e3o as demandas reais dessas pessoas. Temos uma quest\u00e3o da rede de suporte social fragilizada dessas pessoas e temos uma invisibilidade das demandas reais por parte do poder p\u00fablico\u201d, ressaltou em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Entre os casos mais delicados est\u00e3o os idosos LGBTQIA+ que precisam de cuidados em institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia, tamb\u00e9m chamados popularmente de abrigos e asilos.\u00a0<\/strong>Se a capacita\u00e7\u00e3o dos profissionais dessas institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 \u00e9 um desafio para o cuidado da popula\u00e7\u00e3o em geral, o gerontologista sublinha que o tratamento \u00e0s minorias \u00e9 ainda mais dif\u00edcil.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cS\u00e3o pessoas que tiveram uma hist\u00f3ria marcada por viol\u00eancia, deslegitima\u00e7\u00e3o e iniquidades de acesso. Na velhice, em nome de um cuidado digno, essas pessoas tendem a retornar para o arm\u00e1rio [sufocar suas identidades]. Principalmente na fase final da vida, quando elas dependem daquele ambiente, dependem daqueles profissionais. N\u00f3s precisamos falar sobre isso, porque muitas pessoas idosas LGBT ou ou at\u00e9 n\u00e3o idosas se preocupam muito com como ser\u00e3o realizados esses cuidados no momento que elas necessitarem.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Dados preliminares da pesquisa desenvolvida por Diego F\u00e9lix sobre esse tema apresentados no \u00faltimo Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, neste ano, indicam evid\u00eancias de baixa capacita\u00e7\u00e3o das equipes nessas institui\u00e7\u00f5es e corroboram o pleito de Dora de que \u00e9 necess\u00e1rio criar institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia especializadas em acolher pessoas LGBTQIA+.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muitas frentes que podem exercer essa reprodu\u00e7\u00e3o do preconceito. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, tem a quest\u00e3o dos valores morais, institucionais\u00a0e de onde essa institui\u00e7\u00e3o foi fundada. Muitas dessas institui\u00e7\u00f5es, principalmente as filantr\u00f3picas, v\u00eam de cunho religioso. Al\u00e9m disso, tem o desafio tamb\u00e9m dos profissionais e como essas pessoas lidam com esse cuidado, e como entendem sobre g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual.\u201d<\/p>\n<p><strong>As agress\u00f5es contra idosos LGBTQIA+ podem vir at\u00e9 mesmo nas rela\u00e7\u00f5es com as outras pessoas idosas residentes e tamb\u00e9m com suas fam\u00edlias, acrescenta o especialista em gerontologia.<\/strong>\u00a0\u201cOs familiares da pessoa idosa LGBT podem aproveitam dessa condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e determinar como que essa pessoa \u00a0deve ser tratada ou cuidada. E at\u00e9 mesmo os familiares de outros residentes, que, por exemplo, podem dizer que n\u00e3o querem que seus familiares compartilhem quarto com essas pessoas. Isso \u00e9 extremamente perverso, violento, e evidencia uma desigualdade de poder.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>Por esse motivo, o especialista defende que servi\u00e7os espec\u00edficos s\u00e3o necess\u00e1rios para garantir uma aten\u00e7\u00e3o qualificada e um ambiente seguro para as pessoas idosas LGBT de hoje, que demandam dessa aten\u00e7\u00e3o.\u00a0<strong>Para o futuro, por\u00e9m, ele defende a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de cuidados de longa dura\u00e7\u00e3o que considerem a diversidade das velhices.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPassou da hora de estruturarmos servi\u00e7os que sejam espec\u00edficos para essa popula\u00e7\u00e3o. At\u00e9 a gente conseguir avan\u00e7ar na equidade de acesso e na dignidade no atendimento, n\u00f3s precisamos garantir que essas pessoas possam chegar vivas at\u00e9 l\u00e1. E, para chegarem vivas, elas precisam dispor, agora, de um cuidado de longa dura\u00e7\u00e3o que seja acolhedor, que seja digno, que respeite a sua identidade e que respeite a hist\u00f3ria das pessoas idosas que demandam dessa aten\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<h2>Fragilidade e solid\u00e3o<\/h2>\n<p>Geriatra e doutor em ci\u00eancias pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), o m\u00e9dico Milton Crenitte\u00a0\u00e9 um dos apoiadores da associa\u00e7\u00e3o EternamenteSOU, al\u00e9m de dedicar sua pesquisa e atua\u00e7\u00e3o profissional \u00e0 longevidade de pessoas LGBTQIA+. Mais do que cuidar desses idosos, ele defende que \u00e9 preciso celebr\u00e1-los.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas LGBTs que hoje t\u00eam 70, 80, 90 anos\u00a0s\u00e3o resistentes mesmo. Resistiram \u00e0 ditadura militar, resistiram \u00e0 epidemia da aids, resistiram a tantas quest\u00f5es e, para a gente poder caminhar hoje, essas pessoas sofreram muito. Para a gente ter o m\u00ednimo de direitos sociais que foram garantidos com a luta LGBT nos \u00faltimos anos, muitas pessoas morreram, ficaram pelo caminho. Ent\u00e3o, celebrar os que vieram antes de n\u00f3s \u00e9 fundamental pra gente entender de onde a gente veio, onde a gente est\u00e1 e aonde a gente quer chegar.\u201d<\/p>\n<p>Crenitte investigou como a s\u00edndrome da fragilidade afeta as pessoas LGBTQIA+ idosas, aumentando sua vulnerabilidade a perdas funcionais, limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica, quedas, fraturas, hospitaliza\u00e7\u00e3o e morte. Al\u00e9m disso,\u00a0<strong>ser LGBTQIA+ foi identificado pelo estudo como um fator que isoladamente j\u00e1 imp\u00f5e menor acesso \u00e0 sa\u00fade, por conta da cadeia de invisibilidades e exclus\u00f5es que afetam essa popula\u00e7\u00e3o ao longo da vida.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cUma coisa important\u00edssima para a gente entender \u00e9 que acessar a sa\u00fade vai muito al\u00e9m de o usu\u00e1rio entrar ou n\u00e3o pela porta de uma unidade da sa\u00fade. Vai desde a facilidade de chegar l\u00e1, da maneira como ele percebe a disponibilidade desse servi\u00e7o, se esse servi\u00e7o est\u00e1 aberto na hora que ele n\u00e3o est\u00e1 trabalhando, se esse servi\u00e7o acolhe bem, se tem o rem\u00e9dio que ele precisa na hora que ele precisa. Nesse meu estudo, a gente mostrou que, independentemente de ra\u00e7a, renda, onde a pessoa mora, se tem ou n\u00e3o tem doen\u00e7a ou se tem outras quest\u00f5es, ser LGBT no Brasil \u00e9 um fator independente para a pessoa estar num grupo de pior acesso \u00e0 sa\u00fade\u201d, descreve.\u00a0<\/p>\n<p>Crenite conta que\u00a0<strong>o estudo identificou que, entre os quase 7 mil entrevistados no Brasil, pessoas 50+ LGBTs expressavam mais medo de morrerem sozinhas, de morrerem com dor e de serem discriminadas no fim das suas vidas<\/strong>. O geriatra destaca que esses dados revelam um problema que tem rela\u00e7\u00e3o com a solid\u00e3o e \u00e9 importante por impactar a qualidade de vida, a preval\u00eancia de problemas de sa\u00fade mental como a dem\u00eancia e at\u00e9 no controle de doen\u00e7as cr\u00f4nicas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA solid\u00e3o, infelizmente, pode matar. A gente tem dados, hoje, na literatura m\u00e9dica, mostrando que solid\u00e3o e isolamento social s\u00e3o t\u00e3o nocivos quanto fumar, quanto ter h\u00e1bitos n\u00e3o saud\u00e1veis, quanto n\u00e3o controlar algumas doen\u00e7as cr\u00f4nicas. Ent\u00e3o, solid\u00e3o \u00e9 um problema importante hoje de sa\u00fade p\u00fablica, e a gente sabe que a comunidade LGBT enfrenta mais solid\u00e3o e mais isolamento social do que seus contempor\u00e2neos heterossexuais.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<h2>Sofrimentos espec\u00edficos<\/h2>\n<figure><\/figure>\n<p>Ainda que esses problemas afetem toda a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, cada letra da sigla tamb\u00e9m enfrenta seus pr\u00f3prios desafios, explica o geriatra.<strong>\u00a0Pessoas trans, por exemplo, enfrentam maior patologiza\u00e7\u00e3o de sua identidade e exclus\u00e3o no acesso \u00e0\u00a0sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e emprego, o que inclusive traz repercuss\u00f5es negativas para a seguridade social.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA possibilidade de envelhecer de uma pessoa trans, muitas vezes, \u00e9 carregada de todas as as marcas que v\u00e3o fazer com que at\u00e9 possa existir um envelhecimento, mas ser\u00e1 mais carregado de marcas biol\u00f3gicas com maior carga de doen\u00e7as, cargas psicol\u00f3gicas com maior problemas de sa\u00fade mental, cargas sociais com maior vulnerabilidade na velhice\u201d, ressalta Crenitte<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 mulheres l\u00e9sbicas, diferencia ele, est\u00e3o muito atr\u00e1s das mulheres heterossexuais no que diz respeito a exames b\u00e1sicos como a mamografia e papanicolau.<\/strong>\u00a0Na pesquisa que conduziu, ele conta que, enquanto 80% das mulheres heterossexuais j\u00e1 tinham feito uma mamografia para o rastreio do c\u00e2ncer de mama, o percentual caiu para 40% entre as l\u00e9sbicas e bissexuais.<\/p>\n<p>Enquanto isso,\u00a0<strong>homens\u00a0<em>gays<\/em>\u00a0podem sofrer maiores impactos psicol\u00f3gicos do envelhecimento por conta da press\u00e3o est\u00e9tica a que est\u00e3o socialmente submetidos.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA partir do momento que esse corpo envelhece, \u00e9 um corpo que pode gerar sofrimento existencial para esse homem\u00a0<em>gay<\/em>, que, \u00e0s vezes, tinha a sua exist\u00eancia ancorada na est\u00e9tica, nessa masculinidade. Ent\u00e3o, esses\u00a0homens se sentem at\u00e9 mais pressionados a realizar procedimentos est\u00e9ticos e a fazer uso de anabolizantes, por exemplo.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O geriatra destaca que envelhecer \u00e9 mais do que adicionar anos \u00e0 biografia e envolve o ac\u00famulo de quest\u00f5es fundamentais como curso da vida, aspectos biol\u00f3gicos, psicol\u00f3gicos, sociais, culturais. \u00c9 toda essa somat\u00f3ria que vai fazer com que se possa ou n\u00e3o envelhecer e bem. Crenite \u00e9 categ\u00f3rico em defender que envelhecer com sa\u00fade \u00e9 um direito, e que, se uma popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 deixada de lado, esse direito n\u00e3o est\u00e1 garantido para ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cA gente s\u00f3 vai ter um futuro digno para todas as pessoas\u00a0se o acesso ao envelhecimento for um acesso digno com direitos, com qualidade para todo o mundo\u201d, defende.<\/p>\n<h2>\u201cNeglig\u00eancia em todos os ciclos\u201d<\/h2>\n<p>Com uma pesquisa em curso sobre as condi\u00e7\u00f5es de envelhecimento de travestis e mulheres trans com mais de 45 anos, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) denuncia que a neglig\u00eancia m\u00e9dica aos corpos trans est\u00e1 em todos os ciclos de vida, desde a inf\u00e2ncia. Essa falta de cuidado deixa marcas que n\u00e3o desaparecem com o tempo, mas se agravam.<\/p>\n<p>\u201cNa velhice, esse abandono se manifesta em dores f\u00edsicas, doen\u00e7as n\u00e3o tratadas, sa\u00fade mental devastada e, sobretudo, na sensa\u00e7\u00e3o de que nossas vidas foram tratadas como descart\u00e1veis do in\u00edcio ao fim\u201d, critica a presidente da associa\u00e7\u00e3o, Bruna Benevides.\u00a0\u201cEstamos vendo as primeiras gera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o envelhecendo, mas este envelhecimento n\u00e3o ocorre ocorre de uma forma confort\u00e1vel, segura e tranquila. H\u00e1 muitas mazelas e dores f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas nesse processo.\u201d<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o reitera a cobran\u00e7a por acesso \u00e0 sa\u00fade b\u00e1sica \u00a0e tamb\u00e9m a\u00a0uma sa\u00fade transespec\u00edfica e segura, com profissionais capacitados tanto em sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica quanto humana para acolher e cuidar dessa popula\u00e7\u00e3o. Bruna Benevides aponta que h\u00e1 um v\u00e1cuo institucional na forma\u00e7\u00e3o de profissionais da sa\u00fade para lidar com o envelhecimento trans.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 protocolos, n\u00e3o h\u00e1 escuta, n\u00e3o h\u00e1 cuidado. Muitos profissionais ainda veem pessoas trans como uma fase ou uma patologia, n\u00e3o como sujeitos de direito com trajet\u00f3ria e futuro\u201d, afirma. \u201cPessoas trans e travestis envelhecem de forma altamente prec\u00e1ria, no limbo social, muitas vezes sem documentos retificados, sem acesso pleno \u00e0 sa\u00fade, com corpos marcados por procedimentos informais e uso indiscriminado de medica\u00e7\u00f5es por conta pr\u00f3pria, pelas cicatrizes de passar por tantas epidemias de \u00f3dio\u201d, completa Bruna.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>Vin\u00edcius Lisboa \u2013 Rep\u00f3rter da <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2025-05\/lgbtqia-reivindicam-saude-especializada-para-longevidade-com-orgulho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/em><\/p>\n<p>The post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/tvtnews.com.br\/lgbtqia-reivindicam-saude-especializada-para-longevidade-com-orgulho\/\">LGBTQIA+ reivindicam sa\u00fade especializada para longevidade com orgulho<\/a> appeared first on <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/tvtnews.com.br\/\">TVT News<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/com-lula-pib-chega-a-crescer-4-vezes-acima-das-previsoes-do-mercado\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bola_de_Cristal-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Esse cen\u00e1rio de envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o \u00e9 igual para todos os grupos. 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