{"id":31707,"date":"2025-06-04T20:09:58","date_gmt":"2025-06-04T23:09:58","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/pobreza-tema-esquecido-pela-esquerda\/"},"modified":"2025-06-04T20:09:58","modified_gmt":"2025-06-04T23:09:58","slug":"pobreza-tema-esquecido-pela-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pobreza-tema-esquecido-pela-esquerda\/","title":{"rendered":"Pobreza, tema esquecido pela esquerda?"},"content":{"rendered":"<figure><a href=\"https:\/\/www.radiohc.cu\/en\/especiales\/comentarios\/371726-brasil-luta-contra-a-pobreza-que-e-uma-violacao-dos-direitos-humanos\"><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"888\" height=\"490\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/canvas.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/canvas.jpg 888w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/canvas-300x166.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/canvas-768x424.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/canvas-700x387.jpg 700w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/canvas-219x121.jpg 219w\" sizes=\"(max-width: 888px) 100vw, 888px\"><\/a><figcaption>Foto publicada pela radiohc<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A pobreza foi tema recorrente na teologia e nas ci\u00eancias sociais e foi objeto de in\u00fameras e distintas concep\u00e7\u00f5es. Havia, por\u00e9m, duas compreens\u00f5es gerais acerca da pobreza que separavam as an\u00e1lises e em dois campos, a partir dos quais se dividiam as a\u00e7\u00f5es e projetos de interven\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica na esfera social e pol\u00edtica. Em um campo, podia-se reunir as teologias e concep\u00e7\u00f5es religiosas ing\u00eanuas ou conservadoras, para as quais a pobreza aparece como o campo eterno da caridade assistencialista e a vis\u00e3o liberal. Todas t\u00eam em comum a compreens\u00e3o de que a pobreza n\u00e3o \u00e9 um problema transit\u00f3rio, super\u00e1vel na hist\u00f3ria, mas sim uma condi\u00e7\u00e3o dada da exist\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o religiosa ing\u00eanua e na concep\u00e7\u00e3o liberal humanista, os pobres podem receber paliativos para aplacar seu sofrimento e \u00e9 poss\u00edvel resgatar uma parcela deles para conceder-lhe ascens\u00e3o social. H\u00e1 tamb\u00e9m um liberalismo pragm\u00e1tico que se preocupa com a pobreza por entender que a desigualdade extrema pode atrapalhar o bom desenvolvimento da economia. Assim, admitem, justificam e at\u00e9 defendem programas assistenciais e de transfer\u00eancia de renda para minimizar os efeitos delet\u00e9rios da pobreza para a estabilidade econ\u00f4mica. Mas a realidade estrutural da pobreza nunca \u00e9 considerada como algo produzido na hist\u00f3ria, que pode ser eliminado por nossa a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No outro campo, situavam-se a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e as teorias sociais cr\u00edtico-emancipat\u00f3rias, grande parte de inspira\u00e7\u00e3o marxista, mas tamb\u00e9m com desenvolvimentos locais pr\u00f3prios, que tinham em comum a concep\u00e7\u00e3o da pobreza como um <em>problema estrutural,<\/em> que poderia e deveria ser eliminado pela raiz. A situa\u00e7\u00e3o de priva\u00e7\u00e3o a que bilh\u00f5es de seres humanos est\u00e3o submetidos n\u00e3o teriam car\u00e1ter de perenidade, inevitabilidade ou necessidade. Ao contr\u00e1rio, seriam produzidas na hist\u00f3ria por estruturas injustas criadas por um conjunto de seres humanos e impostas com viol\u00eancia aos demais.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-5\"><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-5-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-5-3.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-5-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>A <em>pr\u00e1xis<\/em> (a\u00e7\u00e3o e discurso, pr\u00e1tica e teoria) resultante dessa concep\u00e7\u00e3o colocava como objetivo a transforma\u00e7\u00e3o estrutural da sociedade e tinha uma percep\u00e7\u00e3o sist\u00eamica acerca da pobreza. Ou seja, o problema n\u00e3o era concebido de forma fragmentada \u2013 cujas solu\u00e7\u00f5es seriam apenas locais e estariam restritas a cada grupo social vitimado pela pobreza \u2013, mas compreendido como parte de uma totalidade que unificava distintas realidades em um campo maior de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o. Era, portanto, necess\u00e1rio entender cada face real e espec\u00edfica da pobreza, sem ocultar ou desconsiderar suas especificidades, dentro de uma totalidade maior que abarcava as distintas formas de explora\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise cr\u00edtica e rigorosa do sistema e a pr\u00e1xis emancipat\u00f3ria dos movimentos sociais populares dos pa\u00edses perif\u00e9ricos identificaram que as ra\u00edzes geradoras da pobreza eram as mesmas que produziam opress\u00f5es espec\u00edficas contra distintos grupos entre os pobres. A estrutura econ\u00f4mica tinha diferentes formas de concretiza\u00e7\u00e3o e especificidades relacionadas \u00e0 realidade dos pa\u00edses colonizados pelo processo civilizat\u00f3rio do capital, como a escraviza\u00e7\u00e3o dos negros, a viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas e suas consequ\u00eancias para as rela\u00e7\u00f5es sociais. A pr\u00e1tica dos movimentos sociais, principalmente os populares, despertou tamb\u00e9m a aten\u00e7\u00e3o para os problemas das mulheres, tematizando a quest\u00e3o de g\u00eanero de forma popular, um pouco diferente do feminismo cl\u00e1ssico. Isso marcou o discurso e a pr\u00e1tica de intelectuais org\u00e2nicos, pastorais e Comunidades Eclesiais de Base, movimentos sociais e partidos que se colocavam no campo da luta emancipat\u00f3ria at\u00e9 os anos 1990. As quest\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e etnia eram compreendidas, em suas particularidades, na totalidade das consequ\u00eancias da coloniza\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>A partir dos anos 90, muita coisa mudou na pr\u00e1xis emancipat\u00f3ria dos setores progressistas das igrejas, dos movimentos sociais e partidos de esquerda. De um lado, a queda dos regimes socialistas do Leste Europeu e da URSS provocou um furac\u00e3o que bagun\u00e7ou an\u00e1lises, utopias e discursos. De outro, uma ofensiva planejada dos EUA no campo cultural e intelectual entrou em marcha para conquistar o territ\u00f3rio estrat\u00e9gico das subjetividades, exatamente em um momento de fragilidade e confus\u00e3o.<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a> Essa ofensiva n\u00e3o foi apenas ideol\u00f3gica, no sentido de entregar \u00e0s massas uma explica\u00e7\u00e3o falsa do mundo, para submet\u00ea-las ao sistema. A batalha das ideias foi vencida tamb\u00e9m no campo do pensamento te\u00f3rico, do discurso emancipat\u00f3rio, da conforma\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e partidos de esquerda.<\/p>\n<p>Os movimentos emancipat\u00f3rios atuais t\u00eam grande dificuldade para identificar, com a clareza de outros tempos, um l\u00f3cus central do poder e da explora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o t\u00eam conseguido pensar de forma sist\u00eamica, de modo a identificar uma totalidade que conecta a pobreza e as opress\u00f5es particulares entre si e estas \u00e0s esferas econ\u00f4mica e macropol\u00edtica.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as reais nas rela\u00e7\u00f5es de poder e na economia global geraram essa dificuldade de entendimento, mas o ref\u00fagio de intelectuais em teorias fragmentadoras e antimarxistas da \u201c<em>onda p\u00f3s<\/em>\u201d (p\u00f3s-moderna, p\u00f3s-estruturalista, p\u00f3s-colonial, p\u00f3s-cr\u00edtica), oferecidas \u00e0 mancheia nas universidades, com amplo apoio das ag\u00eancias estadunidenses a partir dos anos 90,<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a> foram determinantes para uma mudan\u00e7a de perspectiva.<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a> \u00c9 claro que isso iria se refletir, de uma forma ou de outra, na din\u00e2mica das novas gera\u00e7\u00f5es da esquerda e na pr\u00e1xis do campo emancipat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Mas, o impacto foi potencializado pelo fato de que os partidos de esquerda, a Igreja Cat\u00f3lica, os movimentos sindical e popular (com poucas exce\u00e7\u00f5es) deixaram de fazer a forma\u00e7\u00e3o de militantes que era feita por meio da educa\u00e7\u00e3o popular, que unia teoria e pr\u00e1tica. Isso fez com que o campo te\u00f3rico das lutas emancipat\u00f3rias passasse a ser alimentado apenas pelas universidades, onde o mundo real, a pr\u00e1tica social e as lutas reais parecem passar a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia e tudo se torna apenas conceito de livre manipula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica.<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A forma de compreens\u00e3o da realidade produzida pela \u201conda p\u00f3s\u201d gerou uma percep\u00e7\u00e3o subjetiva do mundo que descarta a totalidade sist\u00eamica em nome da fragmenta\u00e7\u00e3o do real, defendida por teorias desencarnadas da realidade efetiva da luta pol\u00edtica popular. No campo da organiza\u00e7\u00e3o social, isso impede que se tenha uma defini\u00e7\u00e3o clara a respeito de qual inimigo se deve enfrentar, o que ocasiona a cria\u00e7\u00e3o de inimigos dentro do pr\u00f3prio campo emancipat\u00f3rio e chega a provocar uma disputa fratricida entre grupos e pessoas que, a princ\u00edpio, deveriam estar do mesmo lado na luta. O resultado \u00e9 que os movimentos de emancipa\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o conseguem definir estrat\u00e9gias coletivas de a\u00e7\u00e3o no n\u00edvel macrossocial, adaptadas \u00e0 conjuntura e \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es do mundo.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/editoramundareu.com.br\/manjuba\/\" aria-label=\"Banner fixo\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Banner-fixo.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Banner-fixo.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Banner-fixo-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 esse contexto de mudan\u00e7as e perplexidade que cria o ambiente para o florescimento de teorias, concep\u00e7\u00f5es e discursos que abandonam quase por completo a perspectiva de transforma\u00e7\u00e3o estrutural em favor da <em>exclusividade, fragmenta\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>autonomia<\/em> de quest\u00f5es relacionadas aos direitos das minorias sociol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Em uma concep\u00e7\u00e3o sist\u00eamica da sociedade e de seus problemas, cada vez mais \u201cfora de moda\u201d, as opress\u00f5es relacionadas a quest\u00f5es raciais, \u00e9tnicas, de sexo, g\u00eanero, idade, condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e mental etc., s\u00e3o opress\u00f5es espec\u00edficas, que ocorrem no interior de uma sociedade dividida em classes por um sistema que explora a parcela majorit\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o e a lan\u00e7a em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. A realidade das pessoas que, al\u00e9m da pobreza gen\u00e9rica, sofrem as opress\u00f5es relacionadas a uma exist\u00eancia espec\u00edfica enseja a cria\u00e7\u00e3o, por reconhecimento de identidade comum, de subgrupos pol\u00edticos particulares que desenvolvem lutas, resist\u00eancias e produ\u00e7\u00e3o intelectual relacionadas a essas identidades. Por\u00e9m, quando se considera que todos vivem em uma mesma sociedade atravessada por um conflito de classes do qual ningu\u00e9m pode fugir, esses grupos podem entender-se como um grupo identit\u00e1rio particular, sem, contudo, perder a perspectiva de uma identidade maior definida pela condi\u00e7\u00e3o de classe, que une a todos e todas em uma condi\u00e7\u00e3o estrutural de pobreza e exclus\u00e3o.<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Quando as identidades s\u00e3o concebidas a partir da compreens\u00e3o da unidade de classe, deixam de existir a mulher gen\u00e9rica, o negro gen\u00e9rico, a pessoa trans gen\u00e9rica etc. (cujos inimigos seriam o homem gen\u00e9rico, o branco gen\u00e9rico, a pessoas cis gen\u00e9rica etc.), para se tratar da mulher trabalhadora, do negro pobre e exclu\u00eddo, da pessoa trans desempregada etc. Ou seja, os conceitos mais gerais relacionados \u00e0s quest\u00f5es de sexo, ra\u00e7a, etnia, identidade de g\u00eanero etc. ganham concreticidade quando pensados n\u00e3o em sua dimens\u00e3o abstrata e ideal, mas na concreticidade de sua exist\u00eancia dentro de um sistema que os moldam a uma realidade espec\u00edfica. \u00c0 luz dessa compreens\u00e3o, surge a mulher <em>concreta<\/em>, o negro <em>concreto<\/em>, a pessoa trans <em>concreta<\/em> etc. Todos passam a se compreender como v\u00edtimas de uma situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o adicional, que deve ser pensada a partir de suas especificidades, dentro de uma situa\u00e7\u00e3o mais ampla de pobreza que os unifica como classe e \u00e9 causada pelos agentes concretos do sistema.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o dessa rela\u00e7\u00e3o estabelece uma distin\u00e7\u00e3o entre, de um lado, as formas de luta por inclus\u00e3o e representatividade que s\u00f3 transformam as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho dos poucos que conseguem ocupar os espa\u00e7os limitados de inclus\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o, enquanto a maioria dos \u201crepresentados\u201d continua amargando as condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1rias que a estrutura social lhes destina; e, de outro lado, as formas de luta que, al\u00e9m de almejarem uma mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es culturais que reproduzem as opress\u00f5es, encaram o problema econ\u00f4mico estrutural como causa de uma exclus\u00e3o maior decorrente da pobreza, desemprego, sal\u00e1rios baixos, jornadas excessivas de trabalho, concentra\u00e7\u00e3o de terras, segrega\u00e7\u00e3o urbana e falta de acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, cr\u00e9dito, mobilidade etc.) e aos meios de ascens\u00e3o social (emprego e educa\u00e7\u00e3o superior de qualidade). \u00c9 a mesma divis\u00e3o dos campos que distinguiam as vis\u00f5es liberais e cr\u00edtico-emancipat\u00f3rias com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza. Assim se dividiam os espectros pol\u00edticos \u00e0 direita e \u00e0 esquerda na luta pol\u00edtica e social.<\/p>\n<p>A primeira forma \u00e9 uma maneira de pensar liberal e pode ser abra\u00e7ada por pessoas de distintas compreens\u00f5es e posi\u00e7\u00f5es de classe; a segunda \u00e9 a perspectiva do campo emancipat\u00f3rio cr\u00edtico, que s\u00f3 pode ser abra\u00e7ada por aqueles que se situam em condi\u00e7\u00e3o subalterna no sistema, como classe que n\u00e3o possui propriedade rent\u00e1vel ou renda que n\u00e3o venha de seu pr\u00f3prio trabalho, e por aqueles que se colocam a seu lado do ponto de vista te\u00f3rico e pr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, por for\u00e7a de muita propaganda e guerra cultural inteligentemente planejada e executada, a concep\u00e7\u00e3o que isola esses subgrupos e deixa de conceb\u00ea-los como pertencentes a um grupo maior, atravessado pela divis\u00e3o de classes e pelos problemas de ordem econ\u00f4mica estrutural, acabou prevalecendo at\u00e9 nos movimentos sociais e partidos de esquerda. A abordagem de orienta\u00e7\u00e3o liberal e p\u00f3s-moderna dessas tem\u00e1ticas deixou de caracterizar apenas o espectro pol\u00edtico da direita liberal. Assim, ao contr\u00e1rio de atuar no sentido de conectar as lutas identit\u00e1rias \u00e0s lutas mais abrangentes e interrelacionadas (sem deixar de considerar as especificidades), que incluem a esfera da economia e da macropol\u00edtica, a vis\u00e3o liberal predominante na esquerda concebe essas lutas como aut\u00f4nomas e independentes, que se unem apenas quando algumas dessas opress\u00f5es se acumulam em identidades individuais m\u00faltiplas (como o ser mulher e negra, ou negro e LGBTQIA+ etc.).<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Nessa concep\u00e7\u00e3o particularista e fragmentada da luta social todos os problemas se reduzem ao que \u00e9 tematiz\u00e1vel na esfera espec\u00edfica de cada \u201cidentidade\u201d experimentada e vivenciada no cotidiano. Como a classe social n\u00e3o \u00e9 um desses temas de visibilidade aparente no particular, nem na viv\u00eancia pessoal \u2013 pois \u00e9 produto de uma eleva\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica do pensamento \u2013, essa maneira de se compreender a luta social admite alian\u00e7a dos grupos identit\u00e1rios com grandes empresas capitalistas, respons\u00e1veis pela situa\u00e7\u00e3o de desigualdade e fome no mundo, guerras genocidas, destrui\u00e7\u00e3o do ecossistema, explora\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o dos continentes perif\u00e9ricos, desinforma\u00e7\u00e3o e atentados \u00e0 democracia, como Rede Globo, Walt Disney, Vale, Banco Ita\u00fa, Visa, Microsoft, IBM etc., e as funda\u00e7\u00f5es internacionais geridas por bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que a pobreza e as ra\u00edzes de sua produ\u00e7\u00e3o desaparecem do \u00e2mbito da luta e dos discursos da esquerda, restando apenas a disputa pelos espa\u00e7os limitados de representa\u00e7\u00e3o, o empreendedorismo identit\u00e1rio, a meritocracia liberal com cores progressistas ou o talento individual de pessoas dos grupos oprimidos, como sa\u00eddas poss\u00edveis para a situa\u00e7\u00e3o de pobreza, acess\u00edveis apenas para uma parcela insignificante desses grupos sociais.<\/p>\n<p>Tal vis\u00e3o exclusivista, nem sempre apresentada de forma expl\u00edcita, tem sido chamada de <em>identitarismo<\/em>.<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote7sym\"><sup>7<\/sup><\/a> Jess\u00e9 Souza descreve bem esse deslocamento de perspectiva:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Como as classes e suas socializa\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias se tornam invis\u00edveis, ent\u00e3o o mundo social passa a ser dividido em grupos sociais cujas diferen\u00e7as se devem a supostas \u201cidentidades culturais grupais\u201d \u2013 mulheres, homens, negros, brancos etc. \u00c9 como se a sociedade fosse um amontoado de indiv\u00edduos, todos com a mesma capacidade, a mesma fam\u00edlia, a mesma educa\u00e7\u00e3o, as mesmas chances, apenas com g\u00eanero e ra\u00e7a diferentes. Como a real produ\u00e7\u00e3o da desigualdade \u00e9 mantida em segredo, ent\u00e3o as diferen\u00e7as s\u00f3 podem se dever a g\u00eanero e ra\u00e7a, obviamente.<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote8sym\"><sup>8<\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O identitarismo liberal adotado pela esquerda, ou seja, a nova forma de se abordar as opress\u00f5es das minorias sociol\u00f3gicas, \u00e9 fruto de concep\u00e7\u00f5es que vieram do Norte Global para substituir as teorias emancipat\u00f3rias dos pa\u00edses perif\u00e9ricos, que relacionavam as opress\u00f5es de g\u00eanero e ra\u00e7a \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de classe e \u00e0 luta contra o sistema. Ainda sobre o tema, diz Souza:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>O tema da diversidade, como forma de proteger as minorias identit\u00e1rias, foi utilizado para tornar invis\u00edvel a desigualdade de classe no acesso a riqueza e poder. Com isso, tanto o capitalismo financeiro quanto a Rede Globo podem tirar onda de emancipadores. Para o capital, \u00e9 irrelevante se ele est\u00e1 explorando homem ou mulher, branco ou preto, homossexual ou heterossexual.<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote9sym\"><sup>9<\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Nessa concep\u00e7\u00e3o, o problema da pobreza estrutural praticamente desaparece em nome da luta pela \u201crepresentatividade\u201d e pela \u201cdiversidade\u201d dentro do sistema. As identidades oprimidas podem sentir-se vencedoras quando um artista negro ou negra ou trans ganha milh\u00f5es e entra no <em>show business<\/em>, ainda que seus irm\u00e3os e irm\u00e3s de opress\u00e3o e de classe sigam amargando as piores condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho que se possa imaginar, ou sofrendo preconceitos que podem custar-lhes a felicidade, a integridade f\u00edsica e at\u00e9 a vida. Basta o sucesso de um artista da favela para se dizer que \u201ca favela venceu\u201d, quando as casas das favelas continuam sob o risco de desabamento nas encostas, com acesso prec\u00e1rio, sem servi\u00e7os de esgoto, segregadas da cidade e sob o imp\u00e9rio do terror imposto pelo crime organizado do tr\u00e1fico ou das mil\u00edcias.<\/p>\n<p>Embora produto te\u00f3rico do liberalismo, o identitarismo espalhou-se pela esquerda, que o acolheu de forma acr\u00edtica, pensando ter ele a exclusividade no tratamento das opress\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e etnia, que j\u00e1 faziam parte das lutas emancipat\u00f3rias latino-americanas e eram tematizadas por autores e autoras do mundo perif\u00e9rico em outras \u00e9pocas e em outra perspectiva, em livros que jamais se tornaram <em>best sellers<\/em>, escritos por autores que n\u00e3o viraram celebridades midi\u00e1ticas. E ele penetrou de tal forma no universo mental da nova esquerda que, por mais que se esclare\u00e7a, de todas as formas poss\u00edveis, que a cr\u00edtica ao identitarismo <em>n\u00e3o \u00e9<\/em> a cr\u00edtica \u00e0s lutas das minorias, haver\u00e1 sempre os que responder\u00e3o como se a cr\u00edtica fosse dirigida a essas lutas.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica te\u00f3rica de esquerda ao identitarismo \u00e9 uma defesa do car\u00e1ter revolucion\u00e1rio e estrutural que as lutas das minorias podem ter, mas que \u00e9 sufocado por um modismo alimentado por grandes e poderosas corpora\u00e7\u00f5es que dominam a economia mundial. De maneira alguma, nem l\u00f3gica e nem praticamente, \u00e9 uma cr\u00edtica que parte de quem \u00e9 contra essas lutas. Quando, por\u00e9m, se tenta alertar que o identitarismo \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o que provoca o isolamento dessas lutas e bandeiras e faz as quest\u00f5es estruturais da pobreza desaparecerem do horizonte emancipat\u00f3rio, o embotamento da capacidade raciocinativa de muitos militantes e intelectuais aflora e se torna vis\u00edvel.<\/p>\n<p>O maior sintoma da vit\u00f3ria dos EUA na guerra cultural iniciada nos anos 1990, mesmo sobre o pensamento emancipat\u00f3rio, \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o quase hipn\u00f3tica de pessoas que respondem a cr\u00edtica ao identitarismo, feita por gente assumidamente do campo da esquerda, com discursos rasos em defesa da luta dos negros, jovens, mulheres, popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, como se estivessem confrontando algu\u00e9m da extrema-direita que combatem as pautas desses movimentos e as reduzem a \u201cmimimi\u201d e \u00e0 moda do \u201cpoliticamente correto\u201d.<\/p>\n<p>O desaparecimento da pobreza e das quest\u00f5es de classe social no discurso atual da esquerda, portanto, foi resultado tanto da perplexidade causada pela fase neoliberal e globalizada do capitalismo, que predomina desde a pen\u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XX at\u00e9 os nossos dias, quanto da dissemina\u00e7\u00e3o proposital de ideias e modas te\u00f3ricas vindos dos EUA e Europa por meio das universidades e da promo\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e editorial de autores cujos pensamentos eram aplica\u00e7\u00f5es desses modismos intelectuais \u00e0 nossa realidade.<\/p>\n<p>O resultado disso, no mundo real, \u00e9 a perda cada vez maior de identifica\u00e7\u00e3o dos pobres com os discursos da esquerda, principalmente dos que n\u00e3o pertencem a uma identidade oprimida particular. Al\u00e9m disso, cresce a ades\u00e3o dos pobres ao discurso fascista, que os articulam tamb\u00e9m em uma identidade fragmentada, um tipo de identitarismo de direita,<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote10sym\"><sup>10<\/sup><\/a> no qual eles se identificam como pessoas abandonadas pelo sistema e cujos valores e tradi\u00e7\u00f5es est\u00e3o amea\u00e7ados pela esquerda. O lema \u201cDeus, P\u00e1tria e Fam\u00edlia\u201d tem arrastado muito mais os pobres do que qualquer jarg\u00e3o lacrador identit\u00e1rio a que se reduziu a pr\u00e1tica identitarista. E sem a ades\u00e3o dos pobres, maioria em qualquer pa\u00eds capitalista, a esquerda (e qualquer for\u00e7a pol\u00edtica) se inviabiliza como alternativa de poder.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote1anc\">1<\/a> Ver sobre isso meu artigo \u201c<em>Em busca da funda de Davi<\/em>\u201d, publicado em <em>Outras Palavras<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote2anc\">2<\/a> ROCKHILL, Gabriel.\u00a0Como a teoria francesa p\u00f3s-marxista contribuiu com a CIA em desacreditar o anti-imperialismo e o anticapitalismo. <em>Opera Mundi,<\/em> 10\/03\/17. Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/opiniao\/46597\/a-cia-le-a-teoria-francesa-sobre-o-trabalho-intelectual-de-desmantelamento-da-esquerda-cultural\">https:\/\/operamundi.uol.com.br\/opiniao\/46597\/a-cia-le-a-teoria-francesa-sobre-o-trabalho-intelectual-de-desmantelamento-da-esquerda-cultural<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote3anc\">3<\/a> Para entender o que esteve em jogo no pensamento acad\u00eamico nos anos 1990, ver o livro de Jo\u00e3o E. Evangelista: <em>Crise do marxismo e irracionalismo p\u00f3s-moderno<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 1992<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote4anc\">4<\/a> Digo isso amparado em 30 anos de doc\u00eancia em Universidade Federal e quase 40 de educa\u00e7\u00e3o popular militante.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote5anc\">5<\/a> Essa foi a hist\u00f3ria dos movimentos negro e feminista, que surgiram originalmente das lutas de trabalhadores e trabalhadoras organizados em movimentos de inspira\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote6anc\">6<\/a> Atente-se o leitor ou leitora que falo de uma vis\u00e3o <em>predominante<\/em>, n\u00e3o exclusiva. Se seu grupo identit\u00e1rio ou a sua percep\u00e7\u00e3o individual n\u00e3o se enquadram nessa descri\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u00f3bvio que a an\u00e1lise cr\u00edtica n\u00e3o se refere a voc\u00ea e a seu grupo. Portanto, antes da irrita\u00e7\u00e3o padr\u00e3o e da rea\u00e7\u00e3o negativa comumente gerada por essa reflex\u00e3o, entenda que, se sua pr\u00e1tica ou a de seu grupo realmente n\u00e3o reproduz a descri\u00e7\u00e3o acima, n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea ou seu grupo o objeto da cr\u00edtica.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote7anc\">7<\/a> Mesmo estando claro, \u00e9 preciso repetir milh\u00f5es de vezes que o <em>identitarismo<\/em> \u00e9 uma <em>perspectiva<\/em> a respeito das lutas identit\u00e1rias. Ele <strong>n\u00e3o se confunde<\/strong> com as pr\u00f3prias lutas e pautas que se articulam sob o eixo das identidades (como a dos negros, mulheres, popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+), mas \u00e9 uma maneira particular de se entend\u00ea-las. Assim a cr\u00edtica ao identitarismo <strong>n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica \u00e0s lutas e pautas das minorias, <\/strong>mas a uma maneira de se conceb\u00ea-las. Tratei isso de forma did\u00e1tica, quase \u201cexplicado \u00e0s crian\u00e7as\u201d em um pequeno artigo chamado \u201cO significado da cr\u00edtica ao identitarismo\u201d, publicado em <em>Outras Palavras<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote8anc\">8<\/a> SOUZA, Jess\u00e9. <strong>Como o racismo criou o Brasil.<\/strong> Rio de Janeiro: Esta\u00e7\u00e3o Brasil, 2021. p. 23-24<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote9anc\">9<\/a> SOUZA, Jess\u00e9. <em>A elite do atraso<\/em>: da escravid\u00e3o \u00e0 lava-jato. Rio de Janeiro: Leya, 2017. Nota de rodap\u00e9 61.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/pobreza-tema-esquecido-pelas-esquerdas\/#sdfootnote10anc\">10<\/a> Veja sobre isso o artigo de Rodrigo Perez Oliveira: <em>Os impasses da pol\u00edtica identit\u00e1ria, <\/em>narevista <em>Insight Intelig\u00eancia<\/em> n. 107, dezembro de 2024.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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