{"id":33163,"date":"2025-06-12T18:34:06","date_gmt":"2025-06-12T21:34:06","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/"},"modified":"2025-06-12T18:34:06","modified_gmt":"2025-06-12T21:34:06","slug":"pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/","title":{"rendered":"Pontos de M\u00eddia Livre: por que resgat\u00e1-los?"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"592\" height=\"383\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image_processing20200201-29235-7dnz94.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image_processing20200201-29235-7dnz94.jpg 592w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image_processing20200201-29235-7dnz94-300x194.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px\"><\/figure>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A primeira chamada p\u00fablica para Pontos de M\u00eddia Livre foi anunciada por mim no F\u00f3rum Social Mundial realizado na Amaz\u00f4nia, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, a 29 de janeiro de 2009. R$ 3,2 milh\u00f5es em investimento (US$ 1,6 milh\u00e3o \u00e0 \u00e9poca) a financiar a comunica\u00e7\u00e3o livre como um direito humano b\u00e1sico, o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o polif\u00f4nica, democr\u00e1tica, vinda das comunidades; inicialmente para contemplar 40 propostas, depois ampliada para 60. Foi uma A\u00e7\u00e3o resultante de demanda do F\u00f3rum dos Blogueiros Progressistas, em 2008, quando v\u00e1rios agentes de midialivrismo, sobretudo jornalistas independentes, perceberam que a solu\u00e7\u00e3o encontrada para a a\u00e7\u00e3o cultural nos territ\u00f3rios, via Ponto de Cultura, seria uma boa alternativa para a M\u00eddia Livre. O conceito-chave \u00e9 mesmo o mesmo: comunica\u00e7\u00e3o livre e democr\u00e1tica como direito humano fundamental, assim como o direito \u00e0 cultura e ao protagonismo sociocultural nos territ\u00f3rios, realizada pelas comunidades, deve ser financiada por pol\u00edticas p\u00fablicas. Todavia, o minist\u00e9rio das comunica\u00e7\u00f5es sequer cogitava uma pol\u00edtica nesse sentido, nem como experimenta\u00e7\u00e3o piloto. Todo debate sobre o financiamento da comunica\u00e7\u00e3o profissional no pais, seguia, e segue, no velho modelo de financiamento via venda de espa\u00e7os publicit\u00e1rios, assinaturas ou compras avulsas. Mal se dando conta do que viria a se passar nos anos seguintes.<\/p>\n<p>Ao final de 2008 eu realizei reuni\u00e3o com representantes dos blogueiros progressistas (Ant\u00f4nio Martins, <em>Le Monde Diplomatique, <\/em>e Altamiro Borges, Centro de Estudos de Midia, Bar\u00e3o de Itarar\u00e9) em S\u00e3o Paulo, um m\u00eas depois o edital para chamamento dos primeiros Pontos de M\u00eddia Livre estaria lan\u00e7ado. Nesse \u00ednterim, representantes de TVs Comunit\u00e1rias (\u00e0 \u00e9poca, aproximadamente 80 em atua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds) encontraram-se com o ministro da cultura, Juca Ferreira, pedindo que esse campo tamb\u00e9m fosse inclu\u00eddo entre os programas e a\u00e7\u00f5es do minist\u00e9rio. Juca pediu para que eu os atendesse. No mesmo dia decidi incorporar as TVs Comunit\u00e1rias e tamb\u00e9m as R\u00e1dios Comunit\u00e1rias (essas n\u00e3o chegaram a explicitar demanda) no conceito de M\u00eddia Livre. Nascia mais uma A\u00e7\u00e3o a interconectar os Pontos. M\u00e1rio J\u00e9fferson Leite Melo, diretor Presidente TV CIDADE DE TAUBAT\u00c9, conta como foi essa hist\u00f3ria, inclusive mostrando os desdobramentos. TVs e r\u00e1dios comunit\u00e1rias, quando imbu\u00eddas desse prop\u00f3sito, tem um compromisso e impacto nos territ\u00f3rios que \u00e9 \u00fanico. Durante o enfrentamento \u00e0 pandemia de Covid, v\u00e1rias transmitiram aulas \u00e0 dist\u00e2ncia, por suas ondas, atendendo a crian\u00e7as e jovens sem acesso \u00e0 internet em banda larga; a\u00e7\u00f5es de solidariedade, muita coisa boa e bela, necess\u00e1ria e \u00fanica, se faz atrav\u00e9s de r\u00e1dios e tvs comunit\u00e1rias. M\u00e1rio Jefferson tamb\u00e9m relata um caso espec\u00edfico, quando a cidade hist\u00f3rica de S\u00e3o Luiz do Paraitinga sofreu uma terr\u00edvel enchente, quando a Igreja Matriz, erguida no s\u00e9culo XVIII, em taipa, veio abaixo, dissolvida pelas \u00e1guas que tomaram a cidade, outras edifica\u00e7\u00f5es centen\u00e1rias tamb\u00e9m, gente que perdeu tudo, alguns a vida. Foi o ent\u00e3o Pont\u00e3o de Cultura da TV Cidade de Taubat\u00e9, que teve um papel de primeira hora, fundamental na mobiliza\u00e7\u00e3o da solidariedade e enfrentamento \u00e0 cat\u00e1strofe que se abateu sobre a cidade de S\u00e3o Luiz do Paraitinga:<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO nosso encontro, enquanto TVs Comunit\u00e1rias, com as pol\u00edticas p\u00fablicas do Minist\u00e9rio da Cultura se deu de forma efervescente no ano de 2009. A TV COMUNIT\u00c1RIA de Taubat\u00e9, que foi criada em 2002, procurava formas de sustentabilidade e enriquecimento de sua grade de programa\u00e7\u00e3o. Junto a outros dirigentes, fomos at\u00e9 o ent\u00e3o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, reivindicar participa\u00e7\u00e3o nos processos de editais, foi ent\u00e3o que, por telefone, o Ministro falou com seu Secret\u00e1rio Nacional de Pol\u00edticas Culturais, o historiador C\u00e9lio Turino, que de imediato, apresentou uma forma republicana de participa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de \u201cPr\u00eamios\u201d. Falou da constru\u00e7\u00e3o do projeto \u201cPonto de M\u00eddia Livre\u201d, que estava sendo criado para atender as demandas das m\u00eddias alternativas. Foi um dos mais abrangentes projetos j\u00e1 pensados para o setor e, com sinal verde, naquele mesmo ano j\u00e1 foi publicado o primeiro edital de Midia Livre.<\/p>\n<p>Depois, o entrela\u00e7amento com o ent\u00e3o gestor cultural, C\u00e9lio Turino, foi se fortificando e de l\u00e1, passamos a PONT\u00c3O DE CULTURA com o projeto Central de M\u00eddia Distribui\u00e7\u00e3o e Produ\u00e7\u00e3o Cultural. Muito antes de se falar em \u201ctrabalho em rede\u201d, C\u00e9lio Turino j\u00e1 havia desencadeado o projeto \u201cBrasil de Ponto a Ponto\u201d, onde os trabalhadores de Cultura participavam contando suas experi\u00eancias e fomentando a necessidade do trabalho integrado. Tive a oportunidade de caminhar ao lado do Turino em diversas localidades, registrando suas palestras e encontros com o povo da cultura e, at\u00e9 em momentos dif\u00edceis como foi o caso de S\u00e3o Luiz do Paraitinga, na sua cat\u00e1strofe, onde at\u00e9 sua Igreja caia em ru\u00ednas com a for\u00e7a das \u00e1guas, e l\u00e1 estava ele, interrompendo suas f\u00e9rias para ajudar a popula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de recursos substanciais na reconstru\u00e7\u00e3o de seu patrim\u00f4nio hist\u00f3rico cultural.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Abro par\u00eantesis. Ao longo de 40 anos como servidor p\u00fablico (gosto de me apresentar como servidor, aquele que serve) constru\u00ed uma teoria que me orienta nas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que exerci: o tempo, a agilidade, s\u00e3o componentes fundamentais na formula\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Desde Campinas, quando trabalhei como agente cultural em bairros perif\u00e9ricos e favelas no tempo da ditadura, organizando cineclubes e feiras de arte, passando pela dire\u00e7\u00e3o de museus da cidade, depois secret\u00e1rio de cultura e turismo, ou quando diretor de lazer e recrea\u00e7\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo, ou quando no Minist\u00e9rio da Cultura, como secret\u00e1rio de programas e projetos, logo transformada em secretaria da cidadania cultural. Gestor p\u00fablico que n\u00e3o mostra a que veio logo nos primeiros dias \u00e9 comido pelo sistema. Nos tempos atuais nem h\u00e1 tempo para \u201cgoverno de cem dias\u201d, h\u00e1 que chegar com diagn\u00f3stico preciso, clareza de prop\u00f3sitos e agir. A consulta democr\u00e1tica se d\u00e1 no convite \u00e0 a\u00e7\u00e3o coletiva, a partir de prop\u00f3sitos comuns, cuja medida \u00e9 definida no territ\u00f3rio. A democracia real \u00e9 a que acontece no fazer coletivo, compartilhando ideias e sentidos, e que vai sendo moldada no processo. Em todos os momentos em que estive em cargo p\u00fablico busquei agir assim e n\u00e3o me arrependo. Em dois dias o conceito, m\u00e9todo, custos e metas para o Cultura Viva estavam prontos, em 40 dias o programa j\u00e1 estava na rua, em seis meses os primeiros Pontos estavam em a\u00e7\u00e3o. Agi dessa forma em outras pol\u00edticas p\u00fablicas anteriormente aplicadas por mim, sei da dificuldade, mas n\u00e3o me arrependo. Se a ideia \u00e9 boa e necess\u00e1ria ela tem que ganhar formato, teoria, diretriz, os conceitos precisam ser claramente apresentados, e a proposta tem que ser rapidamente colocada em pr\u00e1tica. A ordem e a perman\u00eancia s\u00e3o da l\u00f3gica de todo Sistema hist\u00f3rico, havendo um conjunto de normas e regras a impedir as mudan\u00e7as, impondo o conformismo. Quem se conforma se deforma. O Estado \u00e9 uma f\u00f4rma necess\u00e1ria, assim como o poder, mas quem n\u00e3o sabe lidar com ela, se deforma. Fecho par\u00eantesis.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-GERAL\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-GERAL-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-GERAL-4.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-GERAL-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Em 2008 j\u00e1 era poss\u00edvel antever o transbordamento das matrizes tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o, no modelo Broadcast, quando a emiss\u00e3o e transmiss\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o por meio de sons e imagens se d\u00e1 de forma centralizada. Com a internet em banda larga a polifonia estava posta. Seria quest\u00e3o de tempo transformar cada pessoa de posse de um smartfone em uma emissora de r\u00e1dio, ou televis\u00e3o, ou jornal. \u00c0 \u00e9poca os smartfones ainda n\u00e3o haviam chegado ao grande p\u00fablico, mas j\u00e1 era poss\u00edvel antever. A qualidade da informa\u00e7\u00e3o, se lixo informacional ou conte\u00fados reflexivos vinculadas a processos comunit\u00e1rios e de vida, a forma, se de afeto ou de \u00f3dio, seria completamente alterada, inclusive no modo de remunera\u00e7\u00e3o. Era premente experimentar formas de financiamento p\u00fablico para a informa\u00e7\u00e3o relevante, e sem censura ou dirigismo, que fossem um ant\u00eddoto aos discursos de \u00f3dio. Surgem os Pontos de M\u00eddia Livre como resultado do di\u00e1logo estabelecido com os blogueiros progressistas e comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Barbara Szaniecki, que participou do processo, analisa o ocorrido:<\/p>\n<blockquote>\n<p>Nesse sentido, os \u201cPontos de M\u00eddia\u201d que o governo Lula, atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Cultura come\u00e7a a implementar como iniciativa p\u00fablica, s\u00e3o uma tentativa de conceitualizar um projeto que tem como objetivo favorecer a prolifera\u00e7\u00e3o dos avan\u00e7os das tecnologias digitais e a multiplica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e dos canais de comunica\u00e7\u00e3o, em particular das m\u00eddias independentes com maior potencial de experimenta\u00e7\u00e3o. Esse projeto assume como premissa que essa prolifera\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para o desenvolvimento de uma pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, sobretudo no que diz respeito ao estabelecimento de condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e suficientes para tornar mais democr\u00e1tico o processo de constitui\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, al\u00e9m das tradicionais media\u00e7\u00f5es privadas e estatais. As m\u00eddias independentes, com efeito, s\u00e3o o elo forte (e n\u00e3o o elo fraco) desse processo, posto que s\u00e3o as \u00fanicas capazes de radicalizar o sentido do trabalho colaborativo a servi\u00e7o da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o.\u201d<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Houve uma converg\u00eancia de an\u00e1lise entre o que est\u00e1vamos elaborando conceitualmente no Minist\u00e9rio da Cultura e o movimento social pela democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, entre pensadoras e ativistas. De um lado era poss\u00edvel perceber a crise de Media\u00e7\u00e3o, em que os meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais j\u00e1 n\u00e3o conseguiriam \u201cpautar\u201d a opini\u00e3o p\u00fablica atrav\u00e9s do monop\u00f3lio de informa\u00e7\u00e3o. De outro, as formas de comunica\u00e7\u00e3o vindas das bordas, propiciadas pela internet e redes sociais que engatinhavam, bem como pelos meios de grava\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o audiovisuais, que cresceriam exponencialmente na d\u00e9cada seguinte. No meio disso a necessidade em assegurar informa\u00e7\u00f5es com um m\u00ednimo de apuro, \u00e9tica e credibilidade, no que remete \u00e0 quest\u00e3o do financiamento. Do que procurei coletar de experi\u00eancias semelhantes pelo mundo, n\u00e3o encontrei nenhuma conceitualmente t\u00e3o avan\u00e7ada e democr\u00e1tica como os Pontos de M\u00eddia Livre.<\/p>\n<p>Exemplos de projetos contemplados como Ponto de M\u00eddia Livre: difus\u00e3o de poesia e informa\u00e7\u00f5es em sacos de papel de padarias, para embrulhar p\u00e3o; rede Mocorongo para comunica\u00e7\u00e3o em comunidades ribeirinhas no rio Tapaj\u00f3s, via sistema de autofalantes; Observat\u00f3rio das Favelas; \u00d4nibus-Ponto de M\u00eddia, para comunica\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica, com o ve\u00edculo em movimento; e sites e blogs sobre cultura, meio ambiente, comportamento, not\u00edcias; e R\u00e1dios Comunit\u00e1rias; e TVs comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Uma rede em din\u00e2mica colaborativa atrav\u00e9s do compartilhamento de conte\u00fado de comunica\u00e7\u00e3o e cultura, ligando comunica\u00e7\u00e3o e vida social a partir da proximidade e da coopera\u00e7\u00e3o, foi o conceito inicial. Assim como o desenvolvimento de produtos midi\u00e1ticos interativos. Infelizmente nessa parte n\u00e3o p\u00f4de ser plenamente executada, por descontinuidade, tamb\u00e9m por incompreens\u00e3o, talvez a ideia estivesse al\u00e9m do momento, mas chegamos a desenvolver uma plataforma aut\u00f4noma, para compartilhamento de v\u00eddeos, fotos e not\u00edcias, a Xemel\u00ea, abrasileirando o c\u00f3digo XML. Uma iniciativa de comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o estatal, fomentando inicialmente ve\u00edculos de alcance comunit\u00e1rio e nacional em determinadas tem\u00e1ticas. Apesar de inspirada nos Pontos de Cultura e conceitualmente semelhante, inclusive na mec\u00e2nica de transfer\u00eancia de recursos, h\u00e1 que fazer uma distin\u00e7\u00e3o entre Pontos de Cultura e Pontos de M\u00eddia Livre, pois h\u00e1 especificidades, apesar de complementares. Ap\u00f3s a experimenta\u00e7\u00e3o poderia ter se transformado em uma boa solu\u00e7\u00e3o de financiamento da comunica\u00e7\u00e3o em escala, sobretudo pela origem comunit\u00e1ria, atravessada pela din\u00e2mica dos movimentos, sendo radicalmente polif\u00f4nica.<\/p>\n<p>A M\u00eddia Livre, comunit\u00e1ria, polif\u00f4nica, que, a partir desse conceito e A\u00e7\u00e3o pode ter presen\u00e7a em todas as comunidades e territ\u00f3rios do pa\u00eds, de qualquer pa\u00eds. \u00c9 vital para a conten\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas, negacionismo e o estabelecimento de um controle cidad\u00e3o e democr\u00e1tico nas sociedades. No entanto o rumo vai em sentido contr\u00e1rio, n\u00e3o somente no Brasil. Nos Estados Unidos surgem os \u201cdesertos de not\u00edcias\u201d, com o fechamento de 2 mil jornais locais nos \u00faltimos 15 anos. Pela diminui\u00e7\u00e3o de meios independentes de financiamento (assinantes, compradores avulsos e an\u00fancios comerciais), somente na Alemanha, a circula\u00e7\u00e3o dos grandes jornais caiu 45% nos \u00faltimos 20 anos.<\/p>\n<p>Como resposta, sobretudo nos pa\u00edses do hemisf\u00e9rio ocidental, desde 2018 vem sendo desenvolvido o F\u00f3rum sobre informa\u00e7\u00e3o e democracia, com apoio da organiza\u00e7\u00e3o Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras (RSF), objetivando apresentar solu\u00e7\u00f5es para a Comunica\u00e7\u00e3o como direito humano fundamental e base para a conviv\u00eancia em sociedades democr\u00e1ticas. Dessa articula\u00e7\u00e3o surgiu o relat\u00f3rio <em>Um Novo Pacto pelo Jornalismo\u00a0<\/em>(que utiliza a express\u00e3o\u00a0<em>New Deal,\u00a0<\/em>em refer\u00eancia \u00e0s reformas implementadas nos EUA nos anos 1930 para recuperar a economia do pa\u00eds ap\u00f3s a Grande Depress\u00e3o). <em>\u201cO objetivo \u00e9 repensar o jornalismo, n\u00e3o como \u2018setor de m\u00eddia\u2019, mas como elemento central da liberdade de imprensa e de express\u00e3o\u201d<\/em>, afirma Christophe Deloire, secret\u00e1rio-geral da RSF e presidente do F\u00f3rum. Todas as quest\u00f5es atualmente levantadas em pa\u00edses como Estados Unidos e Alemanha j\u00e1 haviam sido solucionadas conceitualmente no Brasil com a pol\u00edtica p\u00fablica da Cultura Viva e os Pontos de M\u00eddia Livre. Sameer Padania, um dos impulsores do <em>Novo Pacto pelo Jornalismo<\/em>, explica as raz\u00f5es e o que o movimento internacional tem procurado:<\/p>\n<p>\u201c<em>\u2013 As for\u00e7as que minam o velho jornalismo e tentam restringi-lo, control\u00e1-lo e extingui-lo em alguns lugares est\u00e3o ficando mais fortes, e\u00a0as t\u00e9cnicas e as frentes a partir das quais isso acontece est\u00e3o se multiplicando<\/em>.\u201d<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/lojahucitec.com.br\/\" aria-label=\"CANCER\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/CANCER-1-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/CANCER-1-2.png 10920w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-300x37.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-1024x127.png 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-768x95.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-1536x190.png 1536w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-2048x253.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 10920px) 100vw, 10920px\" width=\"10920\" height=\"1350\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Sameer \u00e9 um dos autores do relat\u00f3rio desenvolvido pelo F\u00f3rum sobre\u00a0Informa\u00e7\u00e3o e Democracia, com o apoio da organiza\u00e7\u00e3o Rep\u00f3rteres sem Fronteiras (RSF). O objetivo \u00e9 dar um novo impulso aos \u00f3rg\u00e3os de m\u00eddia \u2013 impressa, digital ou linear \u2013 e mant\u00ea-los sobrevivendo, por vitais para a democracia. Eles perceberam que a realiza\u00e7\u00e3o do <em>Novo Pacto<\/em> s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se os governos e as institui\u00e7\u00f5es fundamentais nas sociedades democr\u00e1ticas assumirem o financiamento direto \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o Livre. Entre as recomenda\u00e7\u00f5es que os pa\u00edses destinem 0,1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para o jornalismo profissional, que no Cultura Viva colocamos como algo mais amplo e conceituado como M\u00eddia Livre. Outro caminho, que aqui apresento como sugest\u00e3o, seria um imposto sobre o faturamento das redes sociais, algo entre 2% e 5%, que seria destinado a um Fundo para a M\u00eddia Livre, afinal, se as redes sociais s\u00e3o os principais difusores da desinforma\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-verdade e cultura do \u00f3dio, nada mais justo que paguem um imposto para financiar o ant\u00eddoto.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio \u00e9 o mesmo que ensaiamos com os Pontos de M\u00eddia, com o governo se comprometendo a respeitar e apoiar uma independ\u00eancia ilimitada, tanto editorial quanto estrutural, como foco em projetos inovadores, aberto a diversos formatos, digitais ou n\u00e3o. Pelo formato do Ponto de M\u00eddia Livre as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o sob medida porque se adequam \u00e0 realidade de cada agente de m\u00eddia, como no conceito de Ponto de Cultura. Via articula\u00e7\u00e3o em rede, conectando Pontos de M\u00eddia Livre locais, tem\u00e1ticos, regionais ou nacionais, ser\u00e1 poss\u00edvel tecer uma vis\u00e3o e uma plataforma para o espectro mais amplo. Plataformas de compartilhamento a partir de grupos de afinidade e interesse, compartilhando conte\u00fados e informa\u00e7\u00f5es em um fluxo cont\u00ednuo de ideias e cria\u00e7\u00f5es. Com isso se assegura o financiamento da M\u00eddia Livre, de forma \u00e9tica, democr\u00e1tica, comunit\u00e1ria ou profissional, n\u00e3o por meio de an\u00fancios, que sempre implicam em alguma forma de controle ou censura, que combinada a redes de assinantes e contribuintes d\u00e1 sustentabilidade coletiva \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por meio de manipula\u00e7\u00f5es ou dirigismos, mas porque a coletividade construiu um consenso de que a Comunica\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria e a m\u00eddia livre s\u00e3o vitais. Ao lado do financiamento de base p\u00fablica, assegurando um patamar m\u00ednimo de sustentabilidade, tamb\u00e9m an\u00fancios, incentivos fiscais, monetiza\u00e7\u00f5es, assinantes, contribuintes, cupons para que cidad\u00e3os indiquem a quais m\u00eddias querem destinar recursos, o que for. Tudo \u00e9 poss\u00edvel e melhor quando o alicerce regular e justo para a manuten\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e equilibrada est\u00e1 assegurado.<\/p>\n<p>\u2018<em>V\u00e1rios governos j\u00e1 falaram sobre a necessidade de apoiar o jornalismo independente, preservar a liberdade de imprensa e assegurar que os cidad\u00e3os tenham acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Eles precisam agora agir e exercer lideran\u00e7a nessas quest\u00f5es\u2019<\/em>, disse Padania.\u201d<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a><\/p>\n<p>No Brasil, mesmo que de forma experimental e limitada, e feita por um minist\u00e9rio que n\u00e3o o das Comunica\u00e7\u00f5es, n\u00f3s agimos. Da mesma forma que todo munic\u00edpio precisa contar com uma Escola, uma Biblioteca, uma unidade b\u00e1sica de sa\u00fade, um Ponto de Cultura, uma c\u00e2mara de vereadores, tamb\u00e9m precisa de Pontos de M\u00eddia Livre e Comunica\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria, n\u00e3o controlados pelos poderes locais. O mesmo em escala regional, estadual, nacional. Esse fomento tem que ter de origem diferente da verba publicit\u00e1ria, que ao final sempre implica em atrelamento e subordina\u00e7\u00e3o. Uma pol\u00edtica p\u00fablica com acesso universal, evitando qualquer forma de controle Estatal\/pol\u00edtico-partid\u00e1rio sobre os conte\u00fados jornal\u00edsticos, de cria\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00f5es. Vale destacar conclus\u00e3o em artigo de B\u00e1rbara Szaniecki e Geraldo Silva, sobre as contradi\u00e7\u00f5es no interior do governo Lula e o fato de uma iniciativa inovadora no trato da M\u00eddia haver partido do Minist\u00e9rio da Cultura e n\u00e3o das Comunica\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>\u201cO fato de a iniciativa governamental dos Pontos de M\u00eddia ter como protagonista o Minist\u00e9rio da Cultura e n\u00e3o o Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es, revela claramente o posicionamento das for\u00e7as pol\u00edticas em conflito. Sem d\u00favida, as pol\u00edticas de comunica\u00e7\u00e3o do governo Lula t\u00eam sido, at\u00e9 agora, bastante controvertidas. A escolha de H\u00e9lio Costa como ministro das comunica\u00e7\u00f5es, cujo principal triunfo \u00e0 frente da carteira foi a escolha do padr\u00e3o japon\u00eas de integra\u00e7\u00e3o digital e o posicionamento <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>vantajoso dos principais conglomerados de m\u00eddia nesse contexto, representa, de fato, um impasse do governo perante as for\u00e7as que postulam uma pol\u00edtica de democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e da opini\u00e3o p\u00fablica. [\u2026] Contudo, uma das virtudes do governo Lula tem sido a de deixar brechas ou espa\u00e7os de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que possibilitam pensar alternativas de radicaliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Os Pontos de M\u00eddia significam um avan\u00e7o nesse sentido. Por\u00e9m, ser\u00e1 preciso n\u00e3o apenas que iniciativas como essa se consolidem como pol\u00edtica p\u00fablica, mas que tamb\u00e9m ocupem espa\u00e7o institucional que lhes corresponde: o Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es.\u201d<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Afora a experi\u00eancia dos <em>Pontos de M\u00eddia Livre, <\/em>o que sucede no Brasil e nos demais pa\u00edses, com maior ou menor grau de democracia, resvala em formas de controle, via cota de verbas publicit\u00e1rias ou subs\u00eddios \u00e0 circula\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, preservando a m\u00eddia dominante e amiga. Os Pontos de M\u00eddia Livre, pela forma das chamadas p\u00fablicas e pr\u00e1tica, seguiram em caminho oposto, escancaradamente livre e experimental. Depois que eu sa\u00ed do governo houve a tentativa de alguns editais na tem\u00e1tica, por\u00e9m, de alcance bastante inferior ao primeiro, de 2009. Em 2015 houve um edital, um tanto quanto mais restrito que o primeiro e que mesmo assim se efetivou, interrompido pelo Golpe de Estado de 2016.<\/p>\n<p>Ao lado dos Pontos de M\u00eddia Livre hav\u00edamos iniciado uma pol\u00edtica para assinatura de revistas impressas nas tem\u00e1ticas de juventude, cultura, negritude, ambiente. Ao todo foram 10 publica\u00e7\u00f5es, cada uma devendo distribuir 5.000 exemplares a Pontos de Cultura e Bibliotecas Comunit\u00e1rias. Foi algo bem sucedido, os recursos eram suficientes para o trabalho, incluindo a distribui\u00e7\u00e3o direta, e foram importantes para sustentar uma dezena de revistas impressas. Era um contrato que previa renova\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas por at\u00e9 cinco anos, quando eu sa\u00ed do governo deixei os recursos alocados, no entanto, de forma abrupta, sem qualquer motiva\u00e7\u00e3o, a nova gest\u00e3o do MinC, em 2011, decidiu interromper as assinaturas, no que acarretou at\u00e9 mesmo no fechamento de algumas dessas publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A despeito das dificuldades e descontinuidade, o conceito de Ponto de M\u00eddia Livre permanece. Quem sabe algum governo, no Brasil ou em outro pa\u00eds, o adote com toda a prioridade que merece. Nesses tempos de guerra h\u00edbrida, lixo informacional, p\u00f3s-verdade, negacionismo e cultura do \u00f3dio, a M\u00eddia Livre e Comunit\u00e1ria \u00e9 mais que necess\u00e1ria para a democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, tanto no acesso quanto na produ\u00e7\u00e3o. Quanto mais informada uma sociedade, melhor ela estar\u00e1 aparelhada para processar a quantidade incalcul\u00e1vel de est\u00edmulos e polui\u00e7\u00f5es produzidos pelas novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 vacina.<\/p>\n<p>Cultura e comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o indissoci\u00e1veis. O ideal em organiza\u00e7\u00e3o de governos, seria coloca-las lado a lado, em um s\u00f3 minist\u00e9rio, pelo sentido comum das a\u00e7\u00f5es. O ato de comunicar s\u00f3 \u00e9 realizado em contexto cultural e uma cultura s\u00f3 se realiza quando comunicada. Todas as esferas da vida pr\u00e1tica, do cotidiano, associadas a campos de poder e disputa, \u00e0s elabora\u00e7\u00f5es do pensamento e ideologias, est\u00e3o contidas e expressas na rela\u00e7\u00e3o entre cultura e comunica\u00e7\u00e3o. Compreender essa dimens\u00e3o resulta em um deslocamento de \u00eanfase, quando a abordagem por transforma\u00e7\u00f5es sociais deixa de ser economicista e com foco nas estruturas para uma maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es culturais, maneiras de ser e interpretar o mundo e ao papel da sociedade na defini\u00e7\u00e3o de um equil\u00edbrio de for\u00e7as. A fus\u00e3o entre comunica\u00e7\u00e3o e cultura abre uma outra perspectiva para a transforma\u00e7\u00e3o social. Comunica\u00e7\u00e3o contempla transmiss\u00e3o, recep\u00e7\u00e3o e resposta e esses n\u00e3o s\u00e3o fatores meramente t\u00e9cnico. Por princ\u00edpio, cada Ponto de Cultura \u00e9 um Ponto de M\u00eddia Livre, mas cabe especificidade, desde que integrada \u00e0 mesma copa da \u00e1rvore, nutrida pela mesma seiva e raiz.<\/p>\n<p>Pela a\u00e7\u00e3o conjunta Comunica\u00e7\u00e3o\/Cultura encontramos uma Cultura Comum. Mas mesmo sendo algo comum a toda sociedade ela n\u00e3o \u00e9 igual a todos. O desafio para uma cultura comum reside em assegurar acesso equilibrado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es materiais e de informa\u00e7\u00e3o (a base seria a escola p\u00fablica, de qualidade, gratuita, laica e universal). \u00c9 quando o encontro entre cultura e comunica\u00e7\u00e3o produz o salto dial\u00e9tico, ou qu\u00e2ntico, a possibilitar transforma\u00e7\u00f5es qualitativas no ordenamento social. Se a cultura \u00e9 algo privilegiado de poucos, ela tamb\u00e9m \u00e9 heran\u00e7a de novas classes que emergem. A cultura que grita da ancestralidade traz tamb\u00e9m a voz para a liberta\u00e7\u00e3o da cultura dominante.<\/p>\n<p>Todavia, tanto os valores da domina\u00e7\u00e3o como da liberta\u00e7\u00e3o s\u00e3o constantemente reformulados e ressignificados, interagindo entre si. Da\u00ed o papel ainda mais estrat\u00e9gico da intera\u00e7\u00e3o entre cultura e comunica\u00e7\u00e3o, pois essas desempenham papel crucial na manuten\u00e7\u00e3o e funcionamento do sistema dominante. N\u00e3o h\u00e1 como falar em hegemonia sem compreender a \u00e1rvore por cujo caule passam os l\u00edquidos da cultura e da comunica\u00e7\u00e3o. Para Raymond Williams, hegemonia vai al\u00e9m da cultura, se relacionando com todo processo social, distribui\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de poder e influ\u00eancia. Sem essa compreens\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o cultural em ponto isolados, por maior que seja a quantidade e diversidade torna-se incompleta, da\u00ed h\u00e1 que dar \u00e0s m\u00e3os \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, enquanto a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o der as m\u00e3os \u00e0 cultura, ela restar\u00e1 impotente e servil ao poder dominante. Em Williams, hegemonia:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 todo um conjunto de pr\u00e1ticas e expectativas sobre a totalidade da vida: nossos sentidos e distribui\u00e7\u00e3o de energia, nossa percep\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos e nosso mundo. \u00c9 um sistema vivido de significados e valores -constitutivo e constituidor- que, ao serem experimentados como pr\u00e1ticas, parecem confirmar-se reciprocamente. Constitui assim um senso da realidade para a maioria das pessoas da sociedade, um senso de realidade absoluta, porque experimentada, e al\u00e9m da qual \u00e9 muito dif\u00edcil para a maioria dos membros da sociedade movimentar-se, na maioria das \u00e1reas de sua vida. Em outras palavras, \u00e9 no sentido mais forte uma \u2018cultura\u2019, mas uma cultura que tem tamb\u00e9m de ser considerada como o dom\u00ednio e subordina\u00e7\u00e3o vividos de determinadas classes\u201d<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Os significados e valores que organizam a vida comum s\u00e3o elaborados a partir da intera\u00e7\u00e3o entre comunica\u00e7\u00e3o e cultura. Desse modo, a busca por uma hegemonia \u00e9 sempre processual, fruto de renova\u00e7\u00e3o e recria\u00e7\u00e3o cont\u00ednuas, tamb\u00e9m de resist\u00eancia, mas n\u00e3o s\u00f3, tornando a descoberta do Particular-Universal uma chave a abrir portas nesse processo. Uma hegemonia n\u00e3o significa uma a\u00e7\u00e3o totalizante e uniformizadora, nem totalit\u00e1ria, uma rela\u00e7\u00e3o de complexidade que envolve confrontos e negocia\u00e7\u00f5es, que em todas as partes, tamb\u00e9m carrega o residual e o emergente. Cabe aos subalternos, aos \u201cde baixo\u201d compreender esse processo e se apoderar dos meios para o estabelecimento de maior equil\u00edbrio nas rela\u00e7\u00f5es de poder. A M\u00eddia Livre \u00e9 mais um ponto, mais que um ponto, um ponto-cruz, nessa rede, dando tamanho e apar\u00eancia uniforme \u00e0 rede, mas cada um com o seu desenho.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/#sdfootnote1anc\">1<\/a> SZANIECKI, Barbara e SILVA, Geraldo \u2013 PONTOS DE M\u00cdDIA \u2013 <em>in. LUGAR COMUM, n. 27, <\/em>pg. 96 <a href=\"https:\/\/uninomade.net\/wp-content\/files_mf\/110810120832Pontos%20de%20Midia%20-%20Barbara%20Szaniecki%20e%20Geraldo%20Silva.pdf\">https:\/\/uninomade.net\/wp-content\/files_mf\/110810120832Pontos%20de%20Midia%20-%20Barbara%20Szaniecki%20e%20Geraldo%20Silva.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/#sdfootnote2anc\">2<\/a> <em>In. <\/em><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/contra-a-crise-do-jornalismo-o-possivel-papel-do-estado\/\"><em>https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/contra-a-crise-do-jornalismo-o-possivel-papel-do-estado\/<\/em><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/#sdfootnote3anc\">3<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/#sdfootnote4anc\">4<\/a> SZANIECKI, Barbara e SILVA, Geraldo \u2013 PONTOS DE M\u00cdDIA \u2013 <em>in. LUGAR COMUM, n. 27, <\/em>pg. 101<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrapolitica\/pontos-de-midia-livre-por-que-resgata-los\/#sdfootnote5anc\">5<\/a> Williams, Raymond \u2013 CULTURA e SOCIEDADE, pg. 113 \u2013 Editora Nacional, 1969<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. 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