{"id":33220,"date":"2025-06-13T10:11:22","date_gmt":"2025-06-13T13:11:22","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/empresa-da-carne-lucra-com-creditos-de-carbono-sem-zerar-desmatamento\/"},"modified":"2025-06-13T10:11:22","modified_gmt":"2025-06-13T13:11:22","slug":"empresa-da-carne-lucra-com-creditos-de-carbono-sem-zerar-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/empresa-da-carne-lucra-com-creditos-de-carbono-sem-zerar-desmatamento\/","title":{"rendered":"Empresa da carne lucra com cr\u00e9ditos de carbono sem zerar desmatamento"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"386\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-3-1024x386.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-3-300x113.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-3-768x289.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-3-1536x578.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Imagem: O Joio e O Trigo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Bruna Bronoski<br \/>Do O Joio e o Trigo<\/em><\/p>\n<p>Desde as primeiras cr\u00edticas cient\u00edficas aos combust\u00edveis f\u00f3sseis, as petroleiras sa\u00edram do status de \u201criqueza das na\u00e7\u00f5es\u201d para \u201cdestruidoras do planeta\u201d. Ou, na linguagem do mercado financeiro, se tornaram passivos ambientais.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode dizer, por\u00e9m, que tamb\u00e9m se tornaram passivos econ\u00f4micos. O mercado de cr\u00e9ditos de carbono global anda t\u00e3o aquecido quanto o planeta, e as petroleiras \u2014 sim, elas \u2014 est\u00e3o entre os principais interessados em alavancar esse neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Entre os maiores produtores de petr\u00f3leo do mundo, pa\u00edses da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, como a Ar\u00e1bia Saudita e os Emirados \u00c1rabes Unidos, se associaram \u00e0 brasileira Minerva Foods, gigante brasileira do processamento de carne, atr\u00e1s s\u00f3 da JBS em receita l\u00edquida. Subsidi\u00e1ria da Minerva, a MyCarbon 3 Ltda foi criada em 2021 para este \u00fanico fim: gerar e vender cr\u00e9ditos de carbono.<\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos de carbono podem ser vendidos no mercado futuro, como ocorre com qualquer outra commodity na bolsa de valores. A exemplo da soja, um produtor n\u00e3o precisa ter as sacas do gr\u00e3o colhidas para vend\u00ea-las no mercado financeiro. Ele promete entreg\u00e1-las em determinado prazo, negociando-as a um pre\u00e7o favor\u00e1vel ao comprador, que confia na entrega futura do produto. O contrato de compra e venda do ativo garante um pre\u00e7o ao produtor, que por sua vez possui seguran\u00e7a para plantar a safra.<\/p>\n<p>Os projetos da empresa, no entanto, s\u00e3o pouco transparentes. Eles est\u00e3o em processo de valida\u00e7\u00e3o pela maior certificadora global, a Verra. Prop\u00f5em a recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas no Cerrado, \u00e1rea onde est\u00e1 parte de seus fornecedores de gado e que j\u00e1 perdeu metade da cobertura natural. O principal causador do desmatamento nesse bioma \u00e9 a atividade que alimenta os frigor\u00edficos da Minerva, a agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>As parcerias entre petroleiras e empresas geradoras de cr\u00e9dito de carbono surgem como uma tend\u00eancia global.<\/p>\n<p>Em 2022, a Shell investiu R$ 200 milh\u00f5es na Carbonext, uma desenvolvedora de projetos REDD+ (projetos de carbono em florestas). O aporte da petroleira garante acesso preferencial aos cr\u00e9ditos de carbono que a Carbonext gera na Amaz\u00f4nia brasileira, compensando as emiss\u00f5es dos neg\u00f3cios com combust\u00edveis f\u00f3sseis. Mas essa parceria mancha a multinacional, j\u00e1 que projetos da Carbonext s\u00e3o investigados por viola\u00e7\u00e3o de direitos contra povos quilombolas e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Assim como a MyCarbon e a Carbonext, a CarbonCo vendeu cr\u00e9ditos de carbono para a Petrobras. Em poucos meses, o desmatamento evitado que a petroleira brasileira anunciava como justificativa da compra dos cr\u00e9ditos caiu por terra: a floresta n\u00e3o permaneceu protegida desde a negocia\u00e7\u00e3o. A Petrobras havia criado a gasolina premium carbono neutro por ter comprado cr\u00e9ditos de carbono do projeto Envira Amaz\u00f4nia, mas a \u00e1rea de \u201ccompensa\u00e7\u00e3o\u201d apresentava aumento do desmatamento desde 2017.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 para vender petr\u00f3leo com ou sem cr\u00e9dito de carbono. Cr\u00e9dito de carbono deveria ajudar [a compensar] algumas atividades que s\u00e3o dif\u00edceis de abater, mas certamente n\u00e3o \u00e9 para ajudar petroleira\u201d, critica Shigueo Watanabe, pesquisador do ClimaInfo com mais de 20 anos de experi\u00eancia no mercado de carbono. Ele alerta para o fato deste mercado estar servindo a uma atividade que deveria ser reduzida at\u00e9 chegar ao ponto de extin\u00e7\u00e3o, como a extra\u00e7\u00e3o e a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"774\" height=\"452\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-43.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-43.png 774w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-300x175.png 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-768x448.png 768w\" sizes=\"(max-width: 774px) 100vw, 774px\"><figcaption><em>Setores que mais emitem gases de efeito estufa no Cerrado s\u00e3o, em primeiro lugar, a mudan\u00e7a de uso da terra, causada pelo desmatamento; e em segundo, a agropecu\u00e1ria.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A empresa tem dois modelos de neg\u00f3cio, um de comercializa\u00e7\u00e3o de projetos de carbono originados externamente, por outras empresas; e outro de origina\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono a partir de projetos agropecu\u00e1rios e florestais. Segundo a MyCarbon, os cr\u00e9ditos vendidos a empresas do Oriente M\u00e9dio fazem parte do primeiro neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A Minerva Foods n\u00e3o possui uma cadeia de suprimentos livre de desmatamento. A empresa informa que n\u00e3o rastreia seus fornecedores indiretos, o que s\u00f3 deve atingir em 2030. N\u00e3o faltam exemplos de viola\u00e7\u00f5es cometidas por fornecedores indiretos do frigor\u00edfico.<\/p>\n<h2>Fazendas ocultas de gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos<\/h2>\n<p>Dois projetos de carbono da MyCarbon aderem a duas metodologias da certificadora internacional Verra. Uma \u00e9 a de melhoria de gerenciamento de terras agr\u00edcolas, que prev\u00ea o manejo sustent\u00e1vel de pastagens, como a recupera\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de pastos degradados. Nesse caso, o documento descritivo do projeto deve conter informa\u00e7\u00f5es que especifiquem a \u00e1rea das unidades de quantifica\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, da \u00fanica ou das m\u00faltiplas \u00e1reas em que haver\u00e1 medi\u00e7\u00e3o de carbono estocado ou a\u00e7\u00f5es de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>A outra metodologia prev\u00ea reduzir emiss\u00f5es com base em uso de ingredientes na ra\u00e7\u00e3o dos animais, j\u00e1 que, naturalmente, os bovinos produzem metano \u2014 o g\u00e1s de efeito estufa mais nocivo \u00e0 quest\u00e3o clim\u00e1tica \u2014 pela fermenta\u00e7\u00e3o do alimento que ingerem.<\/p>\n<p>O VSC Standard, guia que padroniza informa\u00e7\u00f5es para projetos de Agricultura, Floresta e Outros Usos da Terra, exige, j\u00e1 no projeto inicial, o registro de arquivos geoespaciais que identifiquem as poligonais das propriedades onde ser\u00e3o originados os cr\u00e9ditos, de forma a \u201cfacilitar o monitoramento, a gera\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios e a verifica\u00e7\u00e3o precisa\u201d da proposta.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"281\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-1-1024x281.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-1-300x82.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-1-768x210.jpg 768w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-1.jpg 1157w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Verra exige que projetos que envolvam uso da terra incluam arquivo geoespacial que exclui \u201c\u00e1reas n\u00e3o eleg\u00edveis\u201d, como partes da propriedade que n\u00e3o fazem parte do projeto, assim como rodovias, cursos d\u2019\u00e1gua e assentamentos, o que inclui \u00e1reas protegidas e cidades (Fonte: VCS Standard vers\u00e3o 4.7)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Nos dois projetos da MyCarbon em processo de valida\u00e7\u00e3o pela Verra, por\u00e9m, a subsidi\u00e1ria da Minerva n\u00e3o seguiu estas regras. Chamado de \u201cAgricultura Regenerativa Brasileira para o Cr\u00e9dito de Carbono do Cerrado\u201d, ou BRA-3C, o projeto registrado pela MyCarbon para come\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos em 1\u00ba de janeiro de 2024 apresenta informa\u00e7\u00f5es incompletas e confusas sobre a localiza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas.<\/p>\n<p>O resumo no sistema da Verra indica que a \u00e1rea incide sobre 500 mil hectares. J\u00e1 no documento descritivo, a MyCarbon informa que a \u00e1rea inicial do projeto \u00e9 de 1.193 hectares, 419 vezes menor que a primeira refer\u00eancia.<\/p>\n<p>Num terceiro dado p\u00fablico, este geolocalizado, a MyCarbon declarou 200 milh\u00f5es de hectares para a \u00e1rea total do projeto, exatamente o per\u00edmetro do bioma Cerrado, que corresponde a 21% do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"763\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-2-1024x763.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-2-300x224.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-2-768x572.jpg 768w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-2.jpg 1142w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>\u00c0 esquerda, \u00e1rea indicada por subsidi\u00e1ria da Minerva Foods para desenvolvimento de projeto de carbono; \u00e0 direita, a \u00e1rea do bioma Cerrado (Fonte: Verra e MapBiomas)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ainda, uma auditoria cont\u00e1bil da Minerva de 2024 afirma que o projeto BRA-3C possui 590 mil hectares prospectados, sendo que 20 mil deles j\u00e1 est\u00e3o em desenvolvimento.<\/p>\n<p>O Joio conversou com pessoas que analisam usualmente projetos de carbono, entre especialistas e jornalistas que cobrem o tema. Elas disseram que, enquanto projetos est\u00e3o em processo de valida\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso dos projetos da MyCarbon, a empresa pode incluir tais informa\u00e7\u00f5es ao longo do processo. Mas tamb\u00e9m apontaram que projetos transparentes trazem esses dados desde as primeiras fases de registro.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea submete o projeto, voc\u00ea n\u00e3o precisa colocar toda a \u00e1rea, porque ele \u00e9 program\u00e1tico, [o que significa que] a cada ano eu posso adicionar novas \u00e1reas. Mas a transpar\u00eancia deveria acontecer\u201d, ressalva Renato Rodrigues, head de Agribusiness na TerraDot, startup americana-brasileira que trabalha com uma metodologia de projetos de carbono para agropecu\u00e1ria diferente da proposta pela Verra, a ERW.<\/p>\n<p>A Verra recebe, durante um per\u00edodo determinado, contribui\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es de terceiros sobre o conte\u00fado dos projetos descritivos. Um coment\u00e1rio de fevereiro deste ano aponta falta de clareza e omiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios trechos do projeto de 295 p\u00e1ginas da MyCarbon. A reportagem tentou contato com o autor do coment\u00e1rio por meio da Verra, que informou que todos os coment\u00e1rios \u201cpermanecem an\u00f4nimos, a menos que a pessoa que os escreveu pe\u00e7a o contr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>O comentarista critica a aus\u00eancia de identifica\u00e7\u00e3o de fazendeiros que, segundo a MyCarbon, j\u00e1 t\u00eam contrato assinado de participa\u00e7\u00e3o no projeto. Eles n\u00e3o est\u00e3o listados no projeto descritivo como \u201cpartes interessadas\u201d, tampouco como \u201coutras institui\u00e7\u00f5es envolvidas\u201d.<\/p>\n<p>Deduz-se que o projeto tenha o Tocantins como uma das regi\u00f5es de abrang\u00eancia \u2014 que tem quase 90% de seu territ\u00f3rio sobreposto \u00e0 \u00e1rea do Cerrado \u2014, j\u00e1 que a MyCarbon elencou a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos do estado (Semas-TO) entre as partes interessadas. O estado tem discutido o mercado jurisdicional de carbono, em que projetos s\u00e3o desenvolvidos pelo setor p\u00fablico com a\u00e7\u00f5es de redu\u00e7\u00e3o do desmatamento e de queimadas, podendo ou n\u00e3o envolver o setor privado.<\/p>\n<p>Em resposta ao pedido de Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, a Semas-TO informou que recebeu apenas uma \u201cbreve descri\u00e7\u00e3o do projeto\u201d, que desconhece as informa\u00e7\u00f5es da \u00e1rea de abrang\u00eancia e que n\u00e3o fechou contratos com a MyCarbon. O estado do Tocantins ainda questionou quem assumiria poss\u00edveis riscos reputacionais do projeto, ao que a empresa respondeu que os riscos \u201cpodem ser compartilhados entre a MyCarbon e o produtor rural, conforme os termos do contrato de parceria\u201d, documento a que a Semas n\u00e3o teve acesso.<\/p>\n<p>O BRA-3C \u00e9 criticado tamb\u00e9m quanto \u00e0 adicionalidade, fator imprescind\u00edvel para qualquer projeto de carbono. Ter adicionalidade significa que h\u00e1 uma comprova\u00e7\u00e3o de que, sem determinado projeto, n\u00e3o haveria uma redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es. Nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o, significa dizer que a \u00e1rea protegida de desmatamento est\u00e1 al\u00e9m daquilo previsto como obrigat\u00f3rio na legisla\u00e7\u00e3o, como reservas legais e \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>Para o comentarista an\u00f4nimo, a argumenta\u00e7\u00e3o de adicionalidade \u201c\u00e9 fr\u00e1gil\u201d, uma vez que a MyCarbon n\u00e3o apresenta uma an\u00e1lise para identificar se os donos das fazendas adotariam pr\u00e1ticas de manejo do solo mesmo sem a exist\u00eancia do projeto.<\/p>\n<p>\u201cPr\u00e1ticas como rota\u00e7\u00e3o de culturas, cobertura vegetal para evitar solo exposto e efici\u00eancia no uso da \u00e1gua j\u00e1 s\u00e3o amplamente adotadas na agricultura brasileira, especialmente no Cerrado, onde se encontram os maiores produtores de gr\u00e3os do pa\u00eds\u201d, escreveu.<\/p>\n<p>O projeto da MyCarbon prev\u00ea originar cr\u00e9ditos de carbono at\u00e9 dezembro de 2043. Questionada sobre a falta de informa\u00e7\u00f5es neste projeto, a Verra informou que o proponente deve levar em considera\u00e7\u00e3o todos os coment\u00e1rios antes de seguir com o processo de valida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Renove ALM Brazil \u00e9 outro projeto de carbono da Minerva, este em parceria com a Biof\u00edlica Ambipar, empresa que oferece servi\u00e7os de descarboniza\u00e7\u00e3o. Entre os clientes da Ambipar est\u00e3o a produtora de cigarros Philip Morris; a empresa de avia\u00e7\u00e3o Latam; bancos como o Ita\u00fa, o Santander e o Banco do Brasil; entre outros. O per\u00edodo de origina\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos do Renove em propriedades privadas com cria\u00e7\u00e3o de gado \u00e9 de 30 anos, de 2023 a 2053.<\/p>\n<p>A MyCarbon e a Ambipar dizem pretender aplicar o projeto em quase 350 milh\u00f5es de hectares, o que representa 41% do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"711\" height=\"712\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-3.jpg 711w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-3-300x300.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 711px) 100vw, 711px\"><figcaption><em>MyCarbon e Ambipar registram projeto para originar cr\u00e9ditos de carbono em 41% do territ\u00f3rio brasileiro, mesmo em \u00e1reas urbanas como as \u00e1reas de Cuiab\u00e1 e Bras\u00edlia (Fonte: Verra e IBGE).<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Neste caso, diferente do BRA-3C, a Minerva aponta quais fazendas far\u00e3o parte do projeto, mas omite a identifica\u00e7\u00e3o precisa das \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201cEle [o projeto descritivo] tem que identificar claramente, para qualquer sujeito digitar aquela centena de n\u00fameros, tem que aparecer no mapa claramente onde \u00e9 a propriedade\u201d, explica Shigueo Watanabe, do ClimaInfo. \u201cSe tiver dez propriedades nesse projeto, tem que ter as coordenadas geogr\u00e1ficas das dez propriedades.\u201d<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, o projeto da MyCarbon lista cinco propriedades rurais privadas, fornecedoras da Minerva Foods, sem a localiza\u00e7\u00e3o das fazendas. A aus\u00eancia desta informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi registrada por um coment\u00e1rio no sistema da Verra.<\/p>\n<p>Os projetos de carbono levam entre um e tr\u00eas anos para come\u00e7arem a gerar os primeiros cr\u00e9ditos. Depois da fase de coment\u00e1rios p\u00fablicos, uma empresa de auditoria certificada pela Verra deve analisar o projeto. O proponente tem a chance de melhorar a proposta, at\u00e9 que atenda aos requisitos do sistema. Enquanto todo esse processo est\u00e1 s\u00f3 no come\u00e7o, a MyCarbon aproveita para vender outros cr\u00e9ditos de carbono que n\u00e3o t\u00eam nenhuma conex\u00e3o com a ind\u00fastria da carne.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"914\" height=\"687\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-4.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-4.jpg 914w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-4-300x225.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-4-768x577.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 914px) 100vw, 914px\"><figcaption><em>Programa Renove da Minerva Foods relata reuni\u00e3o com fornecedor cuja propriedade \u00e9 \u00e1rea do projeto de carbono; Renove se limita a apresentar nomes das fazendas, como \u201cFazenda Boa Vista\u201d e \u201cFazenda Vista Alegre\u201d, que podem estar em qualquer ponto dos milh\u00f5es de hectares da \u00e1rea declarada (Fonte: Verra)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2>A uni\u00e3o lucrativa entre carbono e mercado financeiro<\/h2>\n<p>A MyCarbon nasce com mercado comprador garantido. Seus principais parceiros para dar vaz\u00e3o aos cr\u00e9ditos de carbono s\u00e3o pot\u00eancias petro-econ\u00f4micas do Oriente M\u00e9dio que j\u00e1 controlam a processadora de carnes brasileira.<\/p>\n<p>Entre os interessados no produto da MyCarbon est\u00e3o um Fundo de Investimento P\u00fablico da Ar\u00e1bia Saudita, o PIF, e o Mercado Financeiro de Dubai, o DFM, que vende cr\u00e9ditos de carbono para empresas que desejam compensar suas emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Ar\u00e1bia Saudita e Emirados \u00c1rabes Unidos (EAU) t\u00eam como principal premissa expandir o capital de algumas poucas fam\u00edlias por meio da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. A primeira \u00e9 membro-fundador da Opep, a Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo, criada em 1960. Sete anos depois, os EAU aderiram \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o. Ambos figuram entre os dez maiores produtores de petr\u00f3leo do mundo. A Ar\u00e1bia Saudita no p\u00f3dio, em segundo lugar, s\u00f3 atr\u00e1s dos Estados Unidos; enquanto os EAU disputam com o Brasil a 7\u00aa posi\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7as globais dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, elas n\u00e3o pretendem parar t\u00e3o cedo. E, se n\u00e3o h\u00e1 freio para a explora\u00e7\u00e3o, d\u00e1 para aderir ao mercado de carbono, apostam os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Chamado de \u201cAr\u00e1bia Saudita do mercado de carbono\u201d, o Brasil \u00e9 a ponta final da cadeia de cr\u00e9ditos de carbono oriental, um esquema hier\u00e1rquico em que fam\u00edlias sauditas ficam no topo, e a Minerva, tamb\u00e9m de origem familiar, na base.<\/p>\n<p>O Fundo de Investimento P\u00fablico da Ar\u00e1bia Saudita (PIF) det\u00e9m, entre outras dezenas de subsidi\u00e1rias, a Companhia Saudita de Investimentos Agr\u00edcolas e Pecu\u00e1rios (SALIC), um fundo soberano saudita. Como bra\u00e7o das commodities do PIF, a SALIC possui a maior parte das a\u00e7\u00f5es da Minerva.<\/p>\n<p>Tendo comprado parte da companhia em 2015 e aumentado seu controle nos anos seguintes, ultrapassando o poder de voto dos pr\u00f3prios fundadores, a SALIC tamb\u00e9m comp\u00f5e o quadro de acionistas da outra empresa da Minerva do setor de carnes, a Australian Lamb Company Pty LTd.<\/p>\n<p>Por sua vez, como subsidi\u00e1ria da Minerva Foods, a MyCarbon satisfaz o fundo p\u00fablico saudita, principal acionista do grupo e grande investidor em v\u00e1rios setores, entre eles o petroleiro.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"659\" height=\"472\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-5.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-5.jpg 659w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-5-300x215.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 659px) 100vw, 659px\"><\/figure>\n<p>Em 2022, a desenvolvedora de projetos de carbono bancou boa parte do fornecimento de cr\u00e9ditos de um leil\u00e3o saudita s\u00f3 um ano depois do in\u00edcio de suas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA MyCarbon vem se tornando um dos principais players no mercado de cr\u00e9ditos de carbono no mundo, firmando relevantes parcerias\u201d, informou o relat\u00f3rio de sustentabilidade da Minerva daquele ano.<\/p>\n<p>\u201cNo leil\u00e3o realizado em outubro de 2022 pelo Fundo Soberano da Ar\u00e1bia Saudita, a subsidi\u00e1ria foi respons\u00e1vel por cerca de 20% de todos os cr\u00e9ditos negociados. Este foi o maior leil\u00e3o do mundo de cr\u00e9ditos no mercado volunt\u00e1rio, e o primeiro no Oriente M\u00e9dio, tendo registrado a comercializa\u00e7\u00e3o de mais de um milh\u00e3o de toneladas de gases de efeito estufa na forma de cr\u00e9ditos de carbono auditados e certificados\u201d, em que volunt\u00e1rio se refere ao mercado impulsionado por empresas, que difere do mercado regulado, em que pa\u00edses definem metas de descarboniza\u00e7\u00e3o por meio de regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os cr\u00e9ditos negociados foram organizados pelo Regional Voluntary Carbon Market Company (RVCMC), outra subsidi\u00e1ria do PIF que lan\u00e7ou uma plataforma de negocia\u00e7\u00e3o do mercado volunt\u00e1rio de carbono. Segundo o RVCMC, a Ar\u00e1bia Saudita pretende se tornar \u201cum dos maiores mercados volunt\u00e1rios de carbono do mundo at\u00e9 2030\u201d.<\/p>\n<p>A reportagem pediu \u00e0 MyCarbon a identifica\u00e7\u00e3o dos projetos \u201cauditados e certificados\u201d, mas n\u00e3o obteve resposta. J\u00e1 o PIF respondeu ter comprado cr\u00e9ditos de carbono da subsidi\u00e1ria da Minerva a partir de projetos de energia renov\u00e1vel desenvolvidos no Piau\u00ed, pela Auren Energia, e na Argentina, pela YPF Energia Electrica.<\/p>\n<p>Por meio de sua subsidi\u00e1ria, de um lado, a Minerva vende cr\u00e9ditos de carbono que passam longe da produ\u00e7\u00e3o de carne para sua controladora final. De outro, a empresa anuncia cr\u00e9ditos de carbono a partir de recupera\u00e7\u00e3o de pastagens que, mesmo sem existirem ainda, j\u00e1 servem para posicion\u00e1-la como \u201csustent\u00e1vel\u201d no mercado.<\/p>\n<p>No final, todo mundo lucra, avalia Watanabe, do ClimaInfo. \u201cO fundo saudita n\u00e3o vai gastar dinheiro, ou muito pouco. A MyCarbon vai ganhar dinheiro para fazer esse projeto. E a Minerva vai ganhar tamb\u00e9m, porque tem uma carne com uma menor pegada de carbono, ainda sai bonita na figura, porque est\u00e1 reduzindo emiss\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Os Emirados \u00c1rabes Unidos tamb\u00e9m contam com a MyCarbon para impulsionar mercados de carbono volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>O Mercado Financeiro de Dubai, ou DFM, possui tr\u00eas fornecedores de cr\u00e9dito de carbono, dois do seu pr\u00f3prio pa\u00eds, o Dubai Electricity and Water Authority e o First Abu Dhabi Bank. O \u00fanico estrangeiro \u00e9 a subsidi\u00e1ria da Minerva. Na pr\u00e1tica, o mercado de capitais de Dubai injeta recursos de investidores em projetos de carbono.<\/p>\n<p>Em 2023, o DFM anunciou o com\u00e9rcio de cr\u00e9ditos de carbono que seriam fornecidos pela MyCarbon.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"790\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-6.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-6.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-6-292x300.jpg 292w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\"><figcaption><em>CEO do Dubai Financial Market (DFM) e da Nasdaq Dubai, Hamed Ali disse \u00e0 \u00e9poca que \u201cos mercados de capitais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, facilitando a capta\u00e7\u00e3o de capital\u00a0para\u00a0projetos\u201d (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o LinkedIn)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O hist\u00f3rico do Mercado Financeiro de Dubai n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel, no entanto. O DFM conta com sete projetos-piloto, sendo tr\u00eas deles criados na \u00e1rea da Amaz\u00f4nia brasileira. Desse total, dois foram alvo da Opera\u00e7\u00e3o Greenwashing da Pol\u00edcia Federal em 2024, que identificou fraudes e casos de grilagem no processo de gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono. Os projetos de REDD+, ambos certificados pela Verra, foram investigados por lavagem de madeira, pr\u00e1tica que consiste em tentar legalizar o produto oriundo de desmatamento ilegal.<\/p>\n<p>Em junho de 2024, a Verra suspendeu a emiss\u00e3o de novos cr\u00e9ditos e qualquer processo em andamento ligados ao proponente. Mesmo assim, eles ainda est\u00e3o expostos na prateleira do DFM para, conforme diz o site, \u201cajudar os Emirados \u00c1rabes Unidos a alcan\u00e7ar o Net Zero [balan\u00e7o de emiss\u00f5es zerado] at\u00e9 2050\u201d.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"629\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-7.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-7-1024x629.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-7-300x184.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-7-768x472.jpg 768w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/image-1-7.jpg 1429w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Dois projetos de carbono no portf\u00f3lio do Mercado Financeiro de Dubai, do qual a MyCarbon \u00e9 fornecedora, possuem ind\u00edcios de lavagem de madeira ilegal dentro de terras ind\u00edgenas, unidades de conserva\u00e7\u00e3o e \u00e1reas n\u00e3o autorizadas para o manejo florestal (Fonte: DFM)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os cr\u00e9ditos de carbono est\u00e3o sendo tratados como ativos financeiros em bolsas de negocia\u00e7\u00e3o na capital dos Emirados \u00c1rabes, mercado sedento pelo produto de pa\u00edses como o Brasil.<\/p>\n<p>O Joio pediu ao DFM a identifica\u00e7\u00e3o dos projetos de carbono da MyCarbon e perguntou se houve comercializa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos derivados destes projetos. At\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da reportagem, n\u00e3o tivemos nenhum retorno.<\/p>\n<h2>VM0042, a metodologia para pastagens<\/h2>\n<p>A metodologia da Verra VM0042 \u00e9 a linha de base para a cria\u00e7\u00e3o de um projeto de carbono que ser\u00e1 submetido a esta certificadora. Para a reforma de pastagens, a VM0042 foi lan\u00e7ada em 2020 e escolhida pela MyCarbon para gerar cr\u00e9ditos no Cerrado brasileiro.<\/p>\n<p>Para haver benef\u00edcios clim\u00e1ticos de estoque de carbono no solo, a proposta da metodologia \u00e9 reformar pastagens degradadas, isto \u00e9, revolver a terra compactada e melhorar a aduba\u00e7\u00e3o e a qualidade do solo, o que pode ser feito em poucos meses com investimento em uso de m\u00e1quinas e insumos.<\/p>\n<p>Segundo o especialista em carbono de pecu\u00e1ria e CEO da CarbonPec, empresa que estrutura projetos de carbono, Laurent Micol, h\u00e1 maneiras efetivas de obter estes benef\u00edcios clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cQuanto \u00e0 pastagem, uma vez reformada, uma vez implantada em um bom manejo, vai acumular mat\u00e9ria org\u00e2nica no solo ao longo do tempo, acumular carbono org\u00e2nico no solo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o processo de reforma da pastagem, \u00e9 preciso monitorar as atividades da propriedade ao longo dos anos de gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono. \u201cN\u00e3o tem gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito de carbono com base no PD [projeto descritivo]. Tem gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito de carbono com base no que acontece na pr\u00e1tica\u201d, resume Micol.<\/p>\n<p>Este per\u00edodo de monitoramento que se segue \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do projeto n\u00e3o \u00e9 livre de controv\u00e9rsias.<\/p>\n<p>Cr\u00edticos apontam que a VM0042 foi criada para climas temperados, o que n\u00e3o \u00e9 o caso do Brasil, e para um sistema de contabiliza\u00e7\u00e3o simples, aplic\u00e1vel para emiss\u00f5es de GEE em ind\u00fastrias ou em atividades de transporte, setores em que o benef\u00edcio pela troca do tipo de combust\u00edvel ou de uma m\u00e1quina mais poluente por outra menos poluente \u00e9 facilmente contabiliz\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cNa agricultura isso \u00e9 tudo muito mais complexo. A gente tem um sistema totalmente aberto, dependente das vari\u00e1veis clim\u00e1ticas, do manejo do produtor, do tipo de solo\u2026 quando a gente faz uma coleta de carbono num ponto e coleta 50 metros do lado, j\u00e1 vai ser um solo completamente diferente\u201d, questiona Rodrigues, da TerraDot. \u201cAs metodologias s\u00e3o extremamente novas, tem muita pesquisa ainda para ser feita, a gente n\u00e3o tem certeza absoluta de todos os processos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cFixar carbono no solo \u00e9 um mist\u00e9rio ainda\u201d, concorda Watanabe, do ClimaInfo. \u201cA minha sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 um territ\u00f3rio ainda desconhecido. Vai tirar CO2 da atmosfera e fixar no solo? Vai. Quanto e por quanto tempo? N\u00e3o sei.\u201d<\/p>\n<p>Rodrigues tamb\u00e9m questiona os prazos de contrato para projetos de carbono com base nessa metodologia. O BRA-3C prev\u00ea 20 anos de opera\u00e7\u00e3o, e o Renove, 30 anos. \u201cQue pessoa em s\u00e3 consci\u00eancia vai assinar um projeto de contrato para esse per\u00edodo? Uma coisa totalmente nova, com uma grande empresa, uma multinacional?\u201d<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/06\/13\/empresa-da-carne-lucra-com-creditos-de-carbono-sem-zerar-desmatamento\/\">Empresa da carne lucra com cr\u00e9ditos de carbono sem zerar desmatamento<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/stf-derruba-leis-que-proibiam-linguagem-neutra-em-escolas-e-reparticoes-publicas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">STF derruba leis que proibiam linguagem neutra em ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/aldear-direitos-e-trabalho-como-indigenas-quebram-estereotipos-e-preconceitos-no-mercado\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Aldear direitos e trabalho: como ind\u00edgenas quebram...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/centrais-sindicais-protestam-pela-reducao-da-taxa-de-juros\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/623655379_18563154514033199_3945553117398259001_n-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Centrais sindicais protestam pela redu\u00e7\u00e3o da taxa ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/educacao\/2025\/08\/estudantes-do-ensino-integral-tem-notas-maiores-no-enem-diz-estudo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Estudantes do ensino integral t\u00eam notas maiores no...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem: O Joio e O Trigo Por Bruna BronoskiDo O Joio e o Trigo Desde as primeiras cr\u00edticas cient\u00edficas aos combust\u00edveis f\u00f3sseis, as petroleiras sa\u00edram do status de \u201criqueza das na\u00e7\u00f5es\u201d para \u201cdestruidoras do planeta\u201d. Ou, na linguagem do mercado financeiro, se tornaram passivos ambientais. 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