{"id":33956,"date":"2025-06-17T19:38:41","date_gmt":"2025-06-17T22:38:41","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/como-o-jovem-paulo-freire-engabelou-as-elites-industriais\/"},"modified":"2025-06-17T19:38:41","modified_gmt":"2025-06-17T22:38:41","slug":"como-o-jovem-paulo-freire-engabelou-as-elites-industriais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/como-o-jovem-paulo-freire-engabelou-as-elites-industriais\/","title":{"rendered":"Como o jovem Paulo Freire engabelou as elites industriais"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"428\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Instituto-Paulo-Freire.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Instituto-Paulo-Freire.png 640w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Instituto-Paulo-Freire-300x201.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Instituto-Paulo-Freire-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>T\u00edtulo original:<br \/><strong>Reforma Revolucion\u00e1ria ou Reforma Reformista? A a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Paulo Freire no SESI<\/strong><\/p>\n<h3><strong>A gesta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica<\/strong><\/h3>\n<p>Pouco depois de Paulo Freire completar 70 anos, em 1991, quando muito da sua trajet\u00f3ria e vida intelectual j\u00e1 era consolidada no Brasil e no mundo, concedeu entrevista ao Jornal dos Professores do Sindicato dos Professores de S\u00e3o Paulo (SINPRO). Durante a entrevista, seu anseio por professorar, a constru\u00e7\u00e3o de sua teoria e os caminhos que seguiu para elaborar sua metodologia, m\u00e9todo e t\u00e9cnica, s\u00e3o objetos de curiosidade e dialogicidade. Todavia, um tema espec\u00edfico ganha importante espa\u00e7o na entrevista: sua trajet\u00f3ria de trabalho de uma d\u00e9cada no Servi\u00e7o Social da Ind\u00fastria de Pernambuco, o SESI. Ao contar sua trajet\u00f3ria como professor, Paulo Freire cita o momento que deixa a doc\u00eancia para pensar em projetos de alfabetiza\u00e7\u00e3o mais amplos, assim como a contradi\u00e7\u00e3o de trabalhar em uma institui\u00e7\u00e3o oriunda da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias, com projeto pol\u00edtico antag\u00f4nico \u00e0 sua perspectiva intelectual.<\/p>\n<p>O Sesi foi criado em 1946, atrav\u00e9s do decreto 9.403, assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra. A ideia inicial era o estabelecimento de um fundo de 2% sobre a folha de pagamento das empresas industriais, para criar assist\u00eancia social e melhorias aos trabalhadores das ind\u00fastrias. Contrariando o modelo adotado em muitos lugares do mundo p\u00f3s-guerra, tais recursos seriam direcionados exclusivamente para organiza\u00e7\u00f5es do patronato nacional, Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria e suas federa\u00e7\u00f5es estaduais, ficando entidades sindicais e de representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores fora de tal destina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-GERAL\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-GERA-11.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-GERA-11.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-GERAL-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Vale lembrar que o movimento n\u00e3o \u00e9 ing\u00eanuo: o Brasil vivia ainda resqu\u00edcios dos horrores da ditadura, com pris\u00e3o de sindicalistas e empenho do Estado em dar respostas repressivas aos movimentos sociais e grevistas, como aqueles que organizaram as greves de 1945. Havia temor de que as ideias anarquistas, oriundas da comunidade italiana que se mobilizou ap\u00f3s imigra\u00e7\u00e3o, ou o discurso do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ganhassem a consci\u00eancia da classe trabalhadora brasileira (Souza, 2012), o que fez a elite nacional movimentar-se em torno de disputas de narrativas que extrapolaram o ambiente da pol\u00edtica institucional e buscaram forma\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica para o povo [1].<\/p>\n<p>Elisabete Gon\u00e7alves de Souza, em sua tese de doutorado orientada por Demerval Saviani em 2012, destaca o papel desempenhado pela burguesia nacional brasileira na cria\u00e7\u00e3o do SESI, como disputa pela racionaliza\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria, que ao mesmo tempo em que esvazia a luta de classes, prop\u00f5e a dociliza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria. Diversos documentos levantados pela autora mostram discursos da dire\u00e7\u00e3o da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, explicando o posicionamento do \u00f3rg\u00e3o ideol\u00f3gico que criaram. Cita a CNI:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>[\u2026] n\u00e3o hesito em afirmar que, no sistema por n\u00f3s idealizado como Servi\u00e7o Social da Ind\u00fastria a cargo dos patr\u00f5es, com o esp\u00edrito e a finalidade que lhe presidiram \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, se encontra a possibilidade \u00fanica de eliminar a mentalidade hostil e r\u00edspida que apontei (e que constitui o primeiro e maior perigo de nosso tempo) e ver estabelecida a conc\u00f3rdia social entre patr\u00f5es e oper\u00e1rios. Porque a obra por n\u00f3s empreendida n\u00e3o \u00e9 propriamente assist\u00eancia de ajuda para saciar a fome, ou para fazer com que os trabalhadores produzam mais, e sim para incutir-lhes a consci\u00eancia de seus deveres de cidad\u00e3os ativos na comunidade brasileira, e resolvam, com a uni\u00e3o de suas pr\u00f3prias for\u00e7as (e n\u00e3o contra as for\u00e7as dos patr\u00f5es), os problemas que interessam a Na\u00e7\u00e3o (LODI, 1953, p. 19, apud SOUZA, 2012, p. 146).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>H\u00e1, por parte de setores da elite nacional, a introje\u00e7\u00e3o da ideia de desenvolvimento civilizacional por meio da educa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores direcionada aos conjuntos \u00e9ticos e de valores do pr\u00f3prio patronato, no momento cont\u00ednuo da ind\u00fastria brasileira. Ganham corpo, nesse momento da hist\u00f3ria, perspectivas individualistas e o esfor\u00e7o para oculta\u00e7\u00e3o dos conflitos fundantes da nossa sociedade.<\/p>\n<p>O recado da burguesia nacional parecia claro, as movimenta\u00e7\u00f5es da luta de classes, t\u00e3o efervescentes, seriam abafadas atrav\u00e9s do alinhamento com o Estado repressor em conjunto com a forma\u00e7\u00e3o intelectual para inculcar o individualismo e o trabalho como m\u00e9todos e modelos de vida coletiva.<\/p>\n<p>Souza, conclui:<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Em s\u00edntese, podemos dizer que o SESI surge como resposta do empresariado \u00e0 nova conjuntura e correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que se inaugura com a desagrega\u00e7\u00e3o do Estado Novo e a liberaliza\u00e7\u00e3o do regime, favorecendo o crescimento do movimento oper\u00e1rio. Materializa o esp\u00edrito ultraconservador do empresariado, explicitado em seu objetivo estatut\u00e1rio de \u201cdestruir os elementos prop\u00edcios \u00e0 germina\u00e7\u00e3o de ideologias dissolventes\u201d, atrav\u00e9s de uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e repressiva que se apoiava na base material fornecida pelos equipamentos assistenciais. (SOUZA, 2012, p. 134).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00c9 nesse contexto, no ano da cria\u00e7\u00e3o do Sesi, quando projetos institucionais come\u00e7am a se espalhar pelo pa\u00eds, que, em Pernambuco, Paulo Freire \u00e9 convidado para iniciar as atividades da Divis\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura do Servi\u00e7o Social, primeiro como diretor, depois como superintendente da divis\u00e3o, entre 1947 e 1957 [2].<\/p>\n<p>Freire estava ciente do car\u00e1ter ideol\u00f3gico da institui\u00e7\u00e3o, de ordem assistencialista. Apesar disso, encontrou no grupo que ali estava apoio para construir assist\u00eancia social aos trabalhadores baseada no trabalho coletivo, com o horizonte democr\u00e1tico em todas as suas a\u00e7\u00f5es, entendendo que, embora a entidade fosse ligada ao ide\u00e1rio patronal, era ali que grande parte do operariado estaria [3].<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/cursos.institutoconfucio.com.br\/\" aria-label=\"Arte 1_banner site outras palavras_IC na Unesp_728x90\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Arte-1_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Arte-1_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-2.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Arte-1_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>O fato \u00e9 que Paulo Freire n\u00e3o era apenas mais um funcion\u00e1rio do Sesi. Como dito acima, em 1954 chegaria a Diretor Superintendente da Regional de Pernambuco, organizando e tendo poder decis\u00f3rio, inclusive, sobre consider\u00e1vel gama de recursos da entidade. Na fun\u00e7\u00e3o, viajou o pa\u00eds, visitando outras regionais da institui\u00e7\u00e3o para apresentar o sucesso do modelo pedag\u00f3gico que desenhava em seu estado [4].<\/p>\n<p>O Sesi baseava suas dimens\u00f5es educacionais no entendimento dos desafios cotidianos dos estudantes e suas fam\u00edlias e no processo formativo constante de seus professores. Paulo Freire parece ter relido a diretriz da entidade. Ante tal direcionamento, grandes movimentos pedag\u00f3gicos s\u00e3o realizados, como a cria\u00e7\u00e3o dos C\u00edrculos de Pais e Professores, por meio dos quais Freire almeja o estreitamento entre a comunidade e os educadores, pressupondo o reconhecimento da realidade social que os sujeitos vivem como condi\u00e7\u00e3o de sucesso da pr\u00e1tica educativa. Enquanto formulava sua teoria pedag\u00f3gica, tamb\u00e9m a colocava em pr\u00e1tica no SESI.<\/p>\n<p>O autor enfatiza a consider\u00e1vel imers\u00e3o intelectual que sua estadia no SESI o obrigou a construir. Embora seu reconhecimento maior seja com a educa\u00e7\u00e3o de adultos, trabalhou intensamente com as crian\u00e7as, o que o levou \u00e0 leitura dos grandes cl\u00e1ssicos da pedagogia como Dewey e Piaget, al\u00e9m do reconhecimento da educa\u00e7\u00e3o brasileira atrav\u00e9s da leitura da obra de An\u00edsio Teixeira [5].<\/p>\n<p>A professora D\u00e9bora Mazza aponta que existem algumas perguntas impulsionando sua obra: \u2013 como inserir as grandes massas na atualidade brasileira? Como despertar o povo brasileiro para a consci\u00eancia e a responsabilidade social e pol\u00edtica? Como aprender mais rapidamente o exerc\u00edcio da democracia? [6]<\/p>\n<p>Tais perguntas, naquele momento, certamente ainda eram desenvolvidas pela sua teoria e n\u00e3o dialogavam com os interesses ideol\u00f3gicos da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias. H\u00e1 no direcionamento de sua constru\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica o apelo a um modelo de sociedade oposto \u00e0quele que pensaram os idealizadores do SESI. Todavia, Paulo Freire guarda posicionamentos que poderiam facilitar seu tr\u00e2nsito entre os trabalhadores e a c\u00fapula do empresariado.<\/p>\n<p>A elite desse per\u00edodo entende os problemas sociais como quest\u00f5es t\u00e9cnicas a serem resolvidas por solu\u00e7\u00f5es de produtividade tamb\u00e9m t\u00e9cnicas. Mas enquanto legitima\u00e7\u00e3o do assistencialismo, distribui-se a perspectiva do \u201chumanismo crist\u00e3o\u201d como justificativa \u00e9tica. Seria melhor que os trabalhadores entendessem no cristianismo a justificativa para avan\u00e7os sociais, do que nas ondas do marxismo e \u201csua\u201d justi\u00e7a social. Tal movimento recoloca o debate no \u00e2mbito da ascens\u00e3o da Guerra Fria e demonstra a import\u00e2ncia das a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ante a disputa por modelo de Brasil que se travava [7].<\/p>\n<p>Paulo Freire guardava uma robusta tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (embora tenha se distanciado a princ\u00edpio do catolicismo, com o qual reataria anos mais tarde atrav\u00e9s da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o) em sua forma de agir e pensar, o vocabul\u00e1rio e a tradi\u00e7\u00e3o do cristianismo [8]. Sua intimidade com o pensamento crist\u00e3o e sua vis\u00e3o humanista do mundo caberiam na ideia de \u201chumanismo crist\u00e3o\u201d, reproduzida pela c\u00fapula da CNI. Seria o \u201chumanismo crist\u00e3o\u201d o elo de liga\u00e7\u00e3o que permitiria o trabalho entre o educador e o Servi\u00e7o Social da Ind\u00fastria? \u00c9 certo que as leituras de humanismo n\u00e3o eram as mesmas, mas podem guardar alguma similaridade, ao menos vocabular, o que garantiu coes\u00e3o e estabilidade institucional; e permitiu a radicaliza\u00e7\u00e3o do autor ante o conceito \u00e0 medida que constru\u00eda seu pensamento [9].<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que durante a d\u00e9cada em que permaneceu no SESI, implementou sua radicalidade democr\u00e1tica nos processos de gest\u00e3o interna, nas formas estruturais de organiza\u00e7\u00e3o da entidade. Freire entendeu que imposi\u00e7\u00f5es e autoritarismo eram mecanismos dados ao fracasso, que a democracia e o ideal democr\u00e1tico seriam descobertos pela pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos na constru\u00e7\u00e3o da democracia; posicionamento que caminha em discord\u00e2ncia com os valores assistencialistas da entidade. Ao construir o C\u00edrculo de Pais e Professores, por exemplo, combatia a\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter ufanista e higienista, para apostar na participa\u00e7\u00e3o plena da comunidade [10].<\/p>\n<p>Ainda na entrevista ao SINPRO, quando questionado sobre a contradi\u00e7\u00e3o de construir uma pedagogia emancipat\u00f3ria no seio de um instrumento de assistencialismo constru\u00eddo pelas elites nacionais, interessante movimento de an\u00e1lise intelectual e de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se constr\u00f3i: na vis\u00e3o do autor, seu per\u00edodo na institui\u00e7\u00e3o permitiu-lhe gestar novas formas de ver o mundo, atrav\u00e9s do contato direto com os trabalhadores [11], radicalizou suas ideias e sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sem deixar de entender a pr\u00e1tica pedag\u00f3gica como uma rela\u00e7\u00e3o de poder, mas buscando atrav\u00e9s da dialogicidade e horizontalidade ressignificar os pap\u00e9is da aprendizagem:<\/p>\n<blockquote>\n<p>O SESI, o SESC, o SENAI e o SENAC nasceram com essa tarefa, de dourar a p\u00edlula, de fazer uma assist\u00eancia que se estendesse ao assistencialismo e com o qual se faria pol\u00edtica, mas a pol\u00edtica da classe dominante. Eu at\u00e9 digo isso sem nenhum medo de estar cometendo uma injusti\u00e7a. A an\u00e1lise correta para mim \u00e9 essa. Vejam que coisa maravilhosa. Eu fui convidado para trabalhar nesse rec\u00e9m-fundado SESI de Pernambuco e foi exatamente a minha pr\u00e1tica dentro do SESI que me radicalizou (FREIRE, 1991).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ao mesmo tempo em que Paulo Freire reconhece o car\u00e1ter e o direcionamento pol\u00edtico da institui\u00e7\u00e3o, atribui ao per\u00edodo que nela esteve sua inicial forma\u00e7\u00e3o intelectual, que embora seria estranha a variados sect\u00e1rios do seu per\u00edodo, serve como ferramenta para seu encontro mais \u00edntimo com os trabalhadores, na linguagem, na forma de construir a racionalidade e na distribui\u00e7\u00e3o de um processo educacional intimamente ligado \u00e0 solidariedade de classe (FREIRE, 1991).<\/p>\n<p>No SESI, Paulo Freire, aliou-se aos assistentes sociais e educadores, que elaboraram m\u00e9todos pedag\u00f3gicos, cuja preocupa\u00e7\u00e3o enfrentasse as contradi\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria emancipa\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos dentro de uma sociedade que almejava padr\u00f5es civilizat\u00f3rios de reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades em sua pol\u00edtica macro; interferiu na pol\u00edtica interna e democratizou o or\u00e7amento sob sua responsabilidade. O que lhe permitiu interfer\u00eancias sociais diretas, como a abertura de portas para a constru\u00e7\u00e3o de movimentos educacionais na universidade p\u00fablica, na igreja e nos movimentos sociais [12].<\/p>\n<h3><strong>Encaminhamentos<\/strong><\/h3>\n<p>A a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Paulo Freire no \u00f3rg\u00e3o da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias teve reflexos na constru\u00e7\u00e3o de uma reforma reformista, ou abriga elementos caracter\u00edsticos da reforma revolucion\u00e1ria?<\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel dizer que, dentro do SESI, foi germinado o \u201cin\u00e9dito vi\u00e1vel\u201d [13], que seria perseguido pela ditadura civil-militar de 1964, atrav\u00e9s do poss\u00edvel Plano Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>S\u00e3o questionamentos que ficar\u00e3o para o desenvolvimento do trabalho. Todavia, fica a abertura de investiga\u00e7\u00e3o, bem como o exerc\u00edcio anal\u00edtico de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, potencialidade te\u00f3rica e transforma\u00e7\u00f5es estruturais.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da atua\u00e7\u00e3o de Paulo Freire no SESI entre 1947 e 1957 apresenta-se como um campo de investiga\u00e7\u00e3o denso, cuja compreens\u00e3o exige a articula\u00e7\u00e3o entre os limites estruturais da institui\u00e7\u00e3o e as possibilidades de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e pedag\u00f3gica implementadas pelo educador. Dentro de um \u00f3rg\u00e3o que carregava explicitamente o prop\u00f3sito de diluir as tens\u00f5es da luta de classes por meio do assistencialismo, Freire encontra um espa\u00e7o de contradi\u00e7\u00f5es onde a pr\u00e1tica pedag\u00f3gica p\u00f4de ser gestada e ampliada.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter conservador do SESI, constru\u00eddo para consolidar a hegemonia ideol\u00f3gica do empresariado, n\u00e3o anulou a possibilidade de Paulo Freire imprimir pr\u00e1ticas que dialogassem com uma perspectiva de transforma\u00e7\u00e3o social. A cria\u00e7\u00e3o dos C\u00edrculos de Pais e Professores e a democratiza\u00e7\u00e3o dos processos internos da institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas refletem a preocupa\u00e7\u00e3o com uma gest\u00e3o participativa, mas tamb\u00e9m indicam a tentativa de inserir a comunidade como protagonista na constru\u00e7\u00e3o do saber. Tais movimentos, embora inseridos em um espa\u00e7o de controle social, desafiaram as diretrizes da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria ao posicionar a educa\u00e7\u00e3o como um meio de despertar a consci\u00eancia cr\u00edtica.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Freire no SESI revela que as fronteiras entre reforma reformista e reforma revolucion\u00e1ria podem ser t\u00eanues. Por um lado, suas a\u00e7\u00f5es alinharam-se \u00e0s demandas imediatas de forma\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia dos trabalhadores, como previa o projeto institucional. Por outro, essas mesmas a\u00e7\u00f5es carregavam uma semente de ruptura ao buscar articular pr\u00e1ticas educativas com a realidade social dos sujeitos envolvidos. Em sua atua\u00e7\u00e3o, fica evidente o esfor\u00e7o de construir um projeto pedag\u00f3gico que, mesmo em um ambiente adverso, subvertesse a l\u00f3gica assistencialista em favor de uma educa\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica.<\/p>\n<p>Freire reconheceu, como ele pr\u00f3prio afirmaria em entrevistas posteriores, o car\u00e1ter ideol\u00f3gico do SESI e as limita\u00e7\u00f5es impostas pela estrutura patronal. No entanto, foi nesse espa\u00e7o que ele se radicalizou, ampliando sua compreens\u00e3o sobre as contradi\u00e7\u00f5es entre opressores e oprimidos, e gestando, ainda que de forma embrion\u00e1ria, os conceitos que marcariam sua obra futura. A conviv\u00eancia direta com os trabalhadores e a tentativa de criar mecanismos pedag\u00f3gicos capazes de transformar suas realidades sociais revelam a for\u00e7a pol\u00edtica de sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise das a\u00e7\u00f5es de Freire no SESI nos convida a refletir sobre a possibilidade de reformas revolucion\u00e1rias no interior de sistemas de controle. Seria poss\u00edvel afirmar que sua pr\u00e1tica antecipava o \u201cin\u00e9dito vi\u00e1vel\u201d que orientaria o Plano Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o nos anos 1960? Ou que, ao propor um di\u00e1logo genu\u00edno com a classe trabalhadora, ele desafiava os valores estruturais da institui\u00e7\u00e3o? Tais quest\u00f5es permanecem abertas, mas evidenciam a relev\u00e2ncia de investigar o impacto de suas a\u00e7\u00f5es no processo de constru\u00e7\u00e3o de uma pedagogia emancipat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Assim, sua atua\u00e7\u00e3o no SESI ultrapassa a mera ocupa\u00e7\u00e3o de um cargo institucional. Trata-se de um movimento de tens\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o, em que limites e possibilidades coexistem. Ao reler as diretrizes da institui\u00e7\u00e3o e construir pr\u00e1ticas que priorizassem a dialogicidade e a participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, Freire demonstrou que a a\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, mesmo em cen\u00e1rios adversos, pode abrir caminho para transforma\u00e7\u00f5es estruturais. A reflex\u00e3o sobre essas experi\u00eancias contribui para a compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica e transforma\u00e7\u00e3o social, reafirmando a atualidade de seu pensamento.<\/p>\n<h3><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<p>[1] SOUZA, 2012.<\/p>\n<p>[2] MAZZA, 2022.<\/p>\n<p>[3] HADDAD, 2019.<\/p>\n<p>[4] IBIDEM.<\/p>\n<p>[5] FREIRE, 1992.<\/p>\n<p>[6] MAZZA, 2022.<\/p>\n<p>[7] SOUZA, 2012.<\/p>\n<p>[8] Essa concep\u00e7\u00e3o de conscientiza\u00e7\u00e3o proposta por Paulo Freire \u00e9 provavelmente, hoje, a estrat\u00e9gia pol\u00edtica revolucion\u00e1ria por excel\u00eancia da esquerda cat\u00f3lica na Am\u00e9rica Lati-na. Nascida de um cat\u00f3lico, ela tem grande apelo nos meios cat\u00f3licos. O humanismo crist\u00e3o que a inspira, seu car\u00e1ter ao mesmo tempo neutro e ideol\u00f3gico, sua \u00eanfase na liberdade e na responsabilidade, seu claro relacionamento com a \u201cconvers\u00e3o\u201d, a prioridade que d\u00e1 \u00e0 mudan\u00e7a de mentalidade ao inv\u00e9s da mudan\u00e7a das estruturas. Todos esses aspectos t\u00eam um forte apelo para os cat\u00f3licos e ajudam-nos a explicar a ado\u00e7\u00e3o da conscientiza\u00e7\u00e3o como sua estrat\u00e9gia b\u00e1sica. (BRESSER-PEREIRA, 2006, p. 128).<\/p>\n<p>[9] Em Pedagogia do oprimido (1987), Paulo Freire diz: (\u2026) Da\u00ed que toda aproxima\u00e7\u00e3o que aos oprimidos fa\u00e7am os opressores, enquanto classe, os situa inexoravelmente na falsa generosidade a que nos referimos no primeiro cap\u00edtulo deste trabalho. Isto n\u00e3o pode fazer a lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria: ser falsamente generosa. Nem tampouco dirigista. Se as elites opressoras se fecundam, necrofilamente, no esmagamento dos oprimidos, a lideran\u00e7a revo-lucion\u00e1ria somente na comunh\u00e3o com eles pode fecundar-se. Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual o que fazer opressor n\u00e3o pode ser humanista, enquanto o revolucion\u00e1rio necessariamente o \u00e9. Tan-to quanto o desumanismo dos opressores, o humanismo revolucion\u00e1rio implica na ci\u00eancia.(\u2026) p. 82.<\/p>\n<p>[10] HADDAD, 2019.<\/p>\n<p>[11] Paulo Freire declara como um dos seus maiores aprendizados, a interven\u00e7\u00e3o de um pai em uma das reuni\u00f5es do C\u00edrculo de Pais e Professores que se discutia a presen\u00e7a dos castigos f\u00edsicos na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, diz o trabalhador: \u201c Pois bem, doutor, sua casa deve ter um quarto s\u00f3 para o senhor e a sua mulher. Outro quarto grande \u00e9 para as meninas. (\u2026) Outro quarto \u00e9 para os meninos. Banheiro com \u00e1gua quente, cozinha com linha Arno. Um quarto de empregada bem menor do que os dos filhos e que ficava no lado de fora da casa. Um jardinzinho com grama inglesa, O senhor deve ter ainda um quarto onde bota os livros \u2013 sua livraria de estudo. Est\u00e1 se vendo, por sua fala, que o senhor \u00e9 um homem de muitas lei-turas, de boa mem\u00f3ria. Agora veja, doutor, a diferen\u00e7a. O senhor chega cansado. A cabe\u00e7a at\u00e9 pode doer no trabalho que o senhor faz. Pensar, escrever, ler, falar esses tipos de fala que o senhor fez agora. Isso tudo cansa tamb\u00e9m. Mas uma coisa \u00e9 chegar em casa, mesmo cansado, e encontrar as crian\u00e7as com banho tomado, vestidinhas, limpas bem comidas, sem fome, e a outra \u00e9 encontrar os meninos sujos, com fome, gritando, fazendo barulho. E a gente tendo que acordar \u00e0s quatro da manh\u00e3 do outro dia para come\u00e7ar tudo de novo, na dor, na tristeza, na falta de esperan\u00e7a. Se a gente bate nos filhos e at\u00e9 sai dos limites n\u00e3o \u00e9 porque a gente n\u00e3o ame eles, n\u00e3o. \u00c9 porque a dureza da vida n\u00e3o deixa muito para escolher. Haddad, 2017, p. 42-43.<\/p>\n<p>[12] Sobre tais atua\u00e7\u00f5es, ver: MAZZA, 2022, Cap. 2, Paulo Freire e a constitui\u00e7\u00e3o de um pensamento educacional.<\/p>\n<p>[13] Ver: in\u00e9dito vi\u00e1vel in: Dicion\u00e1rio Paulo Freire. STRECK, D. R., REDIN, E., ZITKOSKI, J. J. (org.). 2. ed., rev. amp. 1.\u00aa reimp. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2010.<\/p>\n<h3>Refer\u00eancias<\/h3>\n<p>BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. As revolu\u00e7\u00f5es ut\u00f3picas dos anos 60: a revolu\u00e7\u00e3o estudantil e a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Igreja. S\u00e3o Paulo, Editora 34, 2016.<\/p>\n<p>CORTELLA, Mario S\u00e9rgio &amp; VENCESLAU, Paulo de Tarso. O idealizador da Pedagogia do Oprimido relata passagens de sua inf\u00e2ncia e juventude. Revista Teoria e Debate, 1992. Dispon\u00edvel em: &lt;&lt;https:\/\/teoriaedebate.org.br\/1992\/01\/06\/paulo-freire\/&gt;&gt; Acesso em: 17\/06\/2024.<\/p>\n<p>FREIRE, Paulo. C\u00edrculo de Pais e Professores. Di\u00e1rio de Pernambuco. 31 de mar\u00e7o de 1957. In: Acervo Manuscritos Paulo Freire. &lt;&lt;https:\/\/acer-voapi.paulofreire.org\/server\/api\/core\/bitstreams\/af7f314c-6a4f-48c4-9920-b54202f9b194\/content&gt;&gt; Acesso em 14\/06\/2024.<\/p>\n<p>FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17\u00aa Ed. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1987.<\/p>\n<p>HADDAD, S\u00e9rgio. O educador: Um perfil de Paulo Freire. S\u00e3o Paulo: Ed. Todavia. 2019.<\/p>\n<p>MAZZA, Debora. Paulo Freire: a Cultura e a Educa\u00e7\u00e3o. Campinas: SP. Editora UNICAMP. 2022.<\/p>\n<p>SILVA, Pereira Josu\u00e9 da. Sociologia Cr\u00edtica e a Crise da Esquerda. S\u00e3o Paulo: Intermeios, 2019.<\/p>\n<p>SINPRO. Sindicato dos Professores de S\u00e3o Paulo. Paulo Freire \u2013 Entrevista. Jornal do Professores, 1991. Dispon\u00edvel em: &lt;&lt;https:\/\/revistagiz.sinprosp.org.br\/educacao\/entrevista-historica-com-paulo-freire\/&gt;&gt; Acesso em: 17\/06\/2024.<\/p>\n<p>SOUZA, Elisabete Gon\u00e7alves de. Rela\u00e7\u00e3o Trabalho-Educa\u00e7\u00e3o E Quest\u00e3o Social No Brasil: Uma Leitura do Pensamento Pedag\u00f3gico da Confe-dera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria \u2013 CNI (1930-2000). 2012. Tese (Doutorado) Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o. Universidade Estadual de Campinas. Campinas: SP.Dispon\u00edvel em: &lt;&lt;https:\/\/www.repositorio.unicamp.br\/acervo\/detalhe\/875442?guid=1718551318390&amp;returnUrl=%2fresultado%2flistar%3fguid%3d1718551318390%26quantidadePaginas%3d1%26codigoRegistro%3d875442%23875442&amp;i=18&gt;&gt; Acesso em: 17\/06\/2024.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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A a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Paulo Freire no SESI A gesta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica Pouco depois de Paulo Freire completar 70 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33957,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[8429,5488,1001,8430,8431,8432,8433],"tags":[],"class_list":["post-33956","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-confederacao-nacional-das-industrias","category-historia-e-memoria","category-paulo-freire","category-pedagogia-do-oprimido","category-plano-nacional-de-alfabetizacao","category-revolucao-pedagogica","category-sesi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33956","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33956"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33956\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}