{"id":34178,"date":"2025-06-18T18:42:09","date_gmt":"2025-06-18T21:42:09","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/passeio-no-jardim-secreto-dos-generos\/"},"modified":"2025-06-18T18:42:09","modified_gmt":"2025-06-18T21:42:09","slug":"passeio-no-jardim-secreto-dos-generos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/passeio-no-jardim-secreto-dos-generos\/","title":{"rendered":"Passeio no jardim secreto dos g\u00eaneros"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"904\" height=\"499\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Noema-Mag-Sex-Life-of-Vegetables-v2edit-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Noema-Mag-Sex-Life-of-Vegetables-v2edit-1.jpg 904w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Noema-Mag-Sex-Life-of-Vegetables-v2edit-1-300x166.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Noema-Mag-Sex-Life-of-Vegetables-v2edit-1-768x424.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Noema-Mag-Sex-Life-of-Vegetables-v2edit-1-700x387.jpg 700w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Noema-Mag-Sex-Life-of-Vegetables-v2edit-1-219x121.jpg 219w\" sizes=\"auto, (max-width: 904px) 100vw, 904px\"><figcaption>Foto: Nicole Beno\/Noema Magazine<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Leah Zani<\/strong>, na <a href=\"https:\/\/www.noemamag.com\/the-sex-lives-of-common-vegetables\/\"><em>Revista Noema <\/em><\/a>| Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p><em>Minha<\/em> pai plantou uma pequena horta no quintal do lado quando eu tinha cerca de sete anos. Milho, cenouras, batatas, vagens e talvez tomates \u2014 mas esses s\u00e3o dif\u00edceis de cultivar em lugares envoltos em neblina, e n\u00e3o me lembro de seu rubor vermelho.<\/p>\n<p><em>Minha<\/em> pai era um jardineiro cuidadoso. Luvas, pazinha, chap\u00e9u de palha, botas de trabalho, uma camisa xadrez remendada com as mangas arrega\u00e7adas, seus longos cabelos ruivos presos em uma tran\u00e7a. Ela tinha a apar\u00eancia de um fazendeiro-cavalheiro, diligente mas erudito; plantava com precis\u00e3o, usando um fio de prumo amarrado entre duas estacas e uma r\u00e9gua para medir espa\u00e7amento e profundidade.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-GERAL\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-GERA-13.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-GERA-13.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-GERAL-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>A horta me fascinava. <em>Minha<\/em> pai me disse para n\u00e3o entrar nela quando <em>ela<\/em> n\u00e3o estivesse presente. Mas eu me esgueirava para l\u00e1 enquanto ele estava no trabalho.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, eu ficava parada e tremia diante das palhas fechadas do milho, apertadas como cris\u00e1lidas em hastes pouco mais altas que eu, e das batatas enterradas que eu imaginava crescendo a tamanhos fant\u00e1sticos sob a terra. Como isso acontecia, eu me perguntava \u2014 como o mundo crescia? Lembro-me de ficar im\u00f3vel para sentir e participar da vida ao redor do quintal. Eu me encantava especialmente com frutas e vegetais \u2014 as plantas que alimentar\u00edamos e que depois nos alimentariam.<\/p>\n<p>J\u00e1 naquela \u00e9poca, era da minha natureza tentar examinar o que estava oculto. Eu tinha pouqu\u00edssima paci\u00eancia quando crian\u00e7a e n\u00e3o conseguia resistir a desembrulhar cada espiguinha de milho para ver os gr\u00e3os verdes e enrugados em sabugos finos como l\u00e1pis. Observei as folhas sobrepostas de cada palha, bordas quase transl\u00facidas, as folhas macias e \u00famidas como a pele entre meus dedos. Espiava cada uma e depois lentamente recolocava a seda e reembrulhava as palhas. Todo o milho morreu depois devido \u00e0 minha amorosa inquisi\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o tinha a gra\u00e7a da natureza.<\/p>\n<p>Voltei minha aten\u00e7\u00e3o para as batatas. Cavei para tocar a superf\u00edcie lisa de cada uma. Examinei suas formas rizom\u00e1ticas distorcidas e puxei os cord\u00f5es umbilicais que as ligavam \u00e0 raiz-m\u00e3e. Aquelas ra\u00edzes pareciam as veias sob minha pr\u00f3pria pele. Eu as arranhava para ver de que cor eram sob a terra. Verde p\u00e1lido, at\u00e9 um pouco de azul, \u00e0s vezes amarelo-bege ou branco como massa de trigo. Apaixonei-me pelo alm\u00edscar amil\u00e1ceo e papelado das batatas. Depois, cobri tudo novamente com terra<\/p>\n<p>Arranquei todas as cenouras, comparando seus comprimentos. E abri as vagens para olhar as fileiras de min\u00fasculos fetos verdes dentro delas. Achei que poderia empurrar as cenouras de volta ao solo, sem perceber que havia rompido as fr\u00e1geis redes de ra\u00edzes que as suspendiam. Pensei que poderia fechar as vagens novamente. Fiz isso quase todos os dias para verificar o progresso de seu crescimento vegetal.<\/p>\n<p>Poderia me esconder atr\u00e1s de um v\u00e9u de inoc\u00eancia infantil, mas a verdade \u00e9 que, quando n\u00e3o consegui fechar a primeira vagem, ainda assim abri todas as outras na trepadeira. Certamente, pensei, todos podem ser recompostos; certamente, certamente, n\u00e3o somos todos t\u00e3o fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, eu acreditava que era poss\u00edvel estudar algo sem alter\u00e1-lo. Mesmo crian\u00e7a, era movida por um desejo de medir e classificar, instintos que se tornaram \u00fateis mais tarde em minha carreira antropol\u00f3gica. Percebo agora que eu estava procurando <em>minha<\/em> pai naquela horta fracassada. Eu tentava entender o g\u00eanero <em>dela<\/em> estudando o milho, as batatas e as vagens. N\u00e3o a encontrei, mas encontrei algo mais.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/cursos.institutoconfucio.com.br\/\" aria-label=\"Arte 1_banner site outras palavras_IC na Unesp_728x90\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Arte-1_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Arte-1_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-3.png 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Arte-1_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 protestante em que <em>minha<\/em> pai cresceu, Ad\u00e3o e Eva aprendem sobre sexo com uma ma\u00e7\u00e3.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o improv\u00e1vel, porque quase todas as ma\u00e7\u00e3s que consumimos v\u00eam de \u00e1rvores que se reproduzem assexuadamente. Macieiras em flor t\u00eam partes reprodutivas masculinas e femininas, e suas flores podem exibir v\u00e1rias variedades de masculinidade e feminilidade ao longo de um espectro de estames, estigmas, pigmentos e perfumes diferentes. Elas recebem ajuda na poliniza\u00e7\u00e3o de outras esp\u00e9cies, como zang\u00f5es e abelhas, que correm em seus galhos em uma verdadeira orgia de p\u00f3len. Nem todas as flores da macieira s\u00e3o sexualmente produtivas; algumas, aparentemente, s\u00f3 gostam de acariciar os zang\u00f5es.<\/p>\n<p>Depois que o fruto amadurece, as ma\u00e7\u00e3s dependem novamente de outras esp\u00e9cies \u2014 esquilos, camundongos, ouri\u00e7os, coelhos, humanos \u2014 para comer seus frutos e dispersar suas sementes. As flores e os frutos s\u00e3o um incentivo, uma isca evolutiva, para os outros parceiros nos sistemas de reprodu\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>As ma\u00e7\u00e3s s\u00e3o indisciplinadas, sexualmente falando. A semente de uma ma\u00e7\u00e3 Red Delicious n\u00e3o crescer\u00e1 em uma \u00e1rvore Red Delicious. Elas simplesmente n\u00e3o se importam muito com a hereditariedade. Sua estrat\u00e9gia evolutiva \u00e9 experimentar continuamente sua identidade. A ma\u00e7\u00e3 pode n\u00e3o cair longe da \u00e1rvore, mas essa \u00e1rvore \u00e9 uma feiticeira, uma artista, uma inovadora.<\/p>\n<p>A primeira ma\u00e7\u00e3 Red Delicious foi encontrada em um pomar em Iowa em 1872. <em>Minha<\/em> pai mora em Iowa. Todas as ma\u00e7\u00e3s Red Delicious produzidas desde ent\u00e3o foram cultivadas em enxertos daquela \u00e1rvore original, cujos galhos agora formam uma rede inimaginavelmente vasta distribu\u00edda pelo globo. Cada tipo de ma\u00e7\u00e3 vendida comercialmente tem sua \u00e1rvore de origem, sua proverbial \u00e1rvore do \u00c9den. Quase todas as ma\u00e7\u00e3s dispon\u00edveis no mercado s\u00e3o clones.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma realidade muito diferente da monogamia r\u00edgida, da hereditariedade masculina e do bin\u00e1rio de g\u00eanero heterossexual no conto de Ad\u00e3o e Eva. A divis\u00e3o entre g\u00eaneros \u00e9 um dos fundamentos da cultura euro-americana. Em nossa cultura, os g\u00eaneros s\u00e3o entendidos como opostos bin\u00e1rios: se os homens s\u00e3o fortes, as mulheres s\u00e3o fracas; se as mulheres s\u00e3o emocionais, os homens s\u00e3o racionais. Homens s\u00e3o abelhas, mulheres s\u00e3o flores. Mas as abelhas e flores reais n\u00e3o seguem as mesmas regras. A natureza \u00e9 muito mais fluida.<\/p>\n<p>Nem todas as culturas humanas seguem esse modelo. Estudei por um tempo no Laos, um pa\u00eds etnicamente muito diverso: a etnia Lao n\u00e3o t\u00eam roupas, normas corporais, pronomes ou nomes marcados por g\u00eanero, embora essas coisas tenham sido introduzidas pelo colonialismo franc\u00eas no s\u00e9culo XIX. Homens e mulheres geralmente se vestem, falam e trabalham da mesma forma. Isso ocorre porque os g\u00eaneros laosianos s\u00e3o um par, em vez de um bin\u00e1rio; ainda h\u00e1 dois g\u00eaneros, masculino e feminino, mas eles s\u00e3o mais semelhantes do que diferentes. Como um par de sapatos ou um par de luvas \u2014 cada metade compartilha mais em comum com a outra, e as duas s\u00e3o definidas por suas semelhan\u00e7as, n\u00e3o diferen\u00e7as. Se os homens s\u00e3o fortes, as mulheres tamb\u00e9m s\u00e3o.<\/p>\n<p>Pr\u00e1ticas culturais moldam corpos tanto quanto a gen\u00e9tica. Quando vivi no Laos, tinha um colega que frequentemente ia trabalhar maquiado. Alguns dias ele usava joias, outros n\u00e3o. Ningu\u00e9m no escrit\u00f3rio se importava. Esse colega tinha um nome de g\u00eanero neutro e, como a l\u00edngua laosiana n\u00e3o tem pronomes de g\u00eanero, nunca precisou escolher entre identificadores masculinos ou femininos. (Em ingl\u00eas, ele escolheu pronomes masculinos.) Embora haja muitas formas diferentes de ser g\u00eanero fluido no Laos, n\u00e3o h\u00e1 uma ideia r\u00edgida de \u201cpassar\u201d ou \u201cfazer transi\u00e7\u00e3o\u201d da mesma forma que <em>minha<\/em> pai fez.<\/p>\n<p>Nenhuma dessas formas de vivenciar o g\u00eanero \u00e9 mais correta que a outra, e ambas expressam as possibilidades mais amplas de ser humano. Sexo e g\u00eanero n\u00e3o s\u00e3o pontos fixos separados por um vale intranspon\u00edvel. S\u00e3o paisagens em movimento que mudam dependendo de onde voc\u00ea est\u00e1 e para onde vai. A forma como a maioria das pessoas na cultura euro-americana pensa sobre sexo e g\u00eanero \u00e9 uma perspectiva, a vis\u00e3o de uma paisagem. N\u00e3o \u00e9 a \u00fanica.<\/p>\n<p>Alguns anos atr\u00e1s, mudei-me para minha primeira casa com jardim e comecei a ler cat\u00e1logos de sementes e guias de jardinagem. Esse foi meu segundo encontro com a jardinagem ap\u00f3s aquela primeira tentativa desastrosa.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, eu j\u00e1 conhecia frutas e vegetais, mas estava completamente despreparada para sua diversidade sexual. O aspargo, por exemplo, cresce em plantas masculinas e femininas separadas. Ent\u00e3o, se eu quisesse colher aspargos, precisaria de pelo menos duas plantas. Muito poucos vegetais no cat\u00e1logo crescem assim. A maioria \u00e9 como as vagens: uma mistura de flores autopolinizadoras que cont\u00eam partes masculinas e femininas. Na bot\u00e2nica, essas s\u00e3o conhecidas como \u201cflores perfeitas\u201d.<\/p>\n<p>A se\u00e7\u00e3o sobre pepinos listava tipos que s\u00e3o gin\u00f3icos, mon\u00f3icos, hermafroditas ou partenoc\u00e1rpicos \u2014 palavras que precisei procurar no contexto de vegetais. Descobri que os p\u00e9s de pepino n\u00e3o s\u00e3o totalmente masculinos nem femininos, mas um caleidosc\u00f3pio mut\u00e1vel que varia com as condi\u00e7\u00f5es ambientais. Pepinos gin\u00f3icos t\u00eam quase todas as flores femininas, enquanto os mon\u00f3icos t\u00eam flores masculinas e femininas na mesma planta. Uma planta mon\u00f3ica, como o popular pepino arm\u00eanio, tende a produzir mais flores masculinas quando jovem, depois transita para uma planta majoritariamente feminina conforme envelhece.<\/p>\n<p>A luz solar \u00e9 outro interruptor reprodutivo comum para pepinos, seu sexo literalmente mudando com o clima. Grupos de pepinos se percebem e avaliam o ambiente para determinar quantos devem produzir flores masculinas e femininas. Por exemplo, quanto maior a densidade de plantas, mais flores masculinas, j\u00e1 que flores masculinas custam menos para as plantas produzirem quando os nutrientes devem ser compartilhados. Essa estrat\u00e9gia tamb\u00e9m reduz a reprodu\u00e7\u00e3o, garantindo que nunca haja mais mudas do que o grupo pode sustentar. Assim, um grupo de pepinos se autorregula gerenciando a express\u00e3o sexual de cada planta. Para mim, isso parece muito com planejamento familiar.<\/p>\n<p>J\u00e1 os pepinos hermafroditas cont\u00eam partes masculinas e femininas na mesma flor. Pepinos partenoc\u00e1rpicos, como as variedades de pepino-lim\u00e3o, s\u00e3o plantas totalmente femininas que podem produzir frutos sem a ajuda de uma planta masculina. Condi\u00e7\u00f5es ambientais disparam horm\u00f4nios, fazendo com que frutifiquem assexuadamente. O sexo \u00e9 puramente opcional para o pepino-lim\u00e3o. Sementes s\u00e3o um produto da reprodu\u00e7\u00e3o, e como essas plantas tendem a se reproduzir sem sexo, os pepinos-lim\u00e3o geralmente n\u00e3o t\u00eam sementes.<\/p>\n<p>A partenog\u00eanese era a estrat\u00e9gia reprodutiva que eu menos conhecia, mas, folheando as p\u00e1ginas, vi que muitas frutas e vegetais comuns s\u00e3o partenoc\u00e1rpicos: bananas, uvas, tomates, melancias, ab\u00f3boras. Para complicar ainda mais, algumas plantas podem ser tanto partenoc\u00e1rpicas quanto mon\u00f3icas, dependendo de suas condi\u00e7\u00f5es de crescimento. Pouqu\u00edssimas plantas s\u00e3o apenas uma coisa ou outra.<\/p>\n<p>Quando <em>minha<\/em> pai plantou vagens,<strong> <\/strong><em>ela<\/em><strong> <\/strong>pensou na capacidade delas de serem masculinas e femininas ao mesmo tempo?<\/p>\n<p>Johann Wolfgang von Goethe, o grande poeta-cientista, foi um dos primeiros a estudar rigorosamente a metamorfose das plantas \u2014 a \u201cliberdade infinita da folha em crescimento\u201d de se tornar uma flor, uma ma\u00e7\u00e3 ou um pepino. Ap\u00f3s observar cuidadosamente as plantas da semente \u00e0 senesc\u00eancia, ele chegou \u00e0 ousada conclus\u00e3o de que a diversidade de formas vegetais \u00e9 uma express\u00e3o de uma ess\u00eancia metam\u00f3rfica interior. Estudos cient\u00edficos posteriores confirmariam as observa\u00e7\u00f5es de Goethe. Cada parte de uma planta pode se tornar qualquer outra parte sob as condi\u00e7\u00f5es certas, e essas transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o o verdadeiro motor da vida vegetal, n\u00e3o a reprodu\u00e7\u00e3o sexual. \u00c9 por isso que um pepino pode florescer masculino em uma esta\u00e7\u00e3o e feminino na seguinte. Podemos nos concentrar em flores, frutos e vegetais, mas, da perspectiva da planta, crescimento e reprodu\u00e7\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa.<\/p>\n<p>No jardim de Goethe, a \u00fanica diferen\u00e7a discern\u00edvel entre crescimento e reprodu\u00e7\u00e3o era que o crescimento ocorria lentamente e a reprodu\u00e7\u00e3o, de uma s\u00f3 vez. \u201cO \u00f3rg\u00e3o que se expandiu no caule como uma folha, assumindo uma variedade de formas, \u00e9 o mesmo \u00f3rg\u00e3o que agora se contrai no c\u00e1lice, se expande novamente na p\u00e9tala, se contrai no aparelho reprodutivo, apenas para se expandir finalmente como fruto.\u201d O corpo de uma planta est\u00e1 em um estado de mudan\u00e7a fluida quase o tempo todo. O que nos parece formas fixas s\u00e3o na verdade fases em um processo mais longo de mudan\u00e7a que continua antes e depois de qualquer interven\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Pegue o \u201ccravo proliferante\u201d, como Goethe chamava a flor. Eu os cultivava em meu pequeno jardim, e eles eram os favoritos da minha av\u00f3. Mesmo o cravo mais perfeito pode inesperadamente gerar v\u00e1rias flores novas em sua base ou brotar talos frescos entre suas p\u00e9talas que, por sua vez, produzem suas pr\u00f3prias folhas e flores. Os recept\u00e1culos de sementes \u00e0s vezes voltam a ser folhas, ou folhas se transformam em p\u00e9talas. Cada parte do cravo pode se transformar em qualquer outra, aparentemente por capricho e \u00e0s vezes todas de uma vez, criando quimeras estranhas de partes vegetais.<\/p>\n<p>Essa capacidade de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 prova da vitalidade da planta, e assim o \u201csexo\u201d \u00e9 substitu\u00eddo por uma for\u00e7a vital infinitamente expansiva. Referindo-se ao bin\u00e1rio de g\u00eanero, Goethe usou a palavra \u201canastomose\u201d, familiar a qualquer pessoa na \u00e1rea m\u00e9dica, para descrever como duas coisas que parecem separadas podem ter conex\u00f5es ocultas. Para Goethe, essa for\u00e7a conectiva era evid\u00eancia do divino.<\/p>\n<p>Um cat\u00e1logo de sementes revela o esfor\u00e7o humano para classificar e controlar a natureza indom\u00e1vel \u2014 tanto a amplitude de nosso esfor\u00e7o agro-biol\u00f3gico quanto a complexidade delirante e absurda de um mundo que excede nosso aparato cient\u00edfico atual. E se f\u00f4ssemos t\u00e3o indisciplinados quanto as plantas em nossos jardins? Se acess\u00e1ssemos sua for\u00e7a metam\u00f3rfica vital?<\/p>\n<p>Em seu livro <em>Becoming Undone<\/em>, a fil\u00f3sofa feminista Elizabeth Grosz examinou um aspecto pouco conhecido da teoria original de Charles Darwin, um processo evolutivo que ele chamou de \u201csele\u00e7\u00e3o sexual\u201d. A sele\u00e7\u00e3o natural trata da sobreviv\u00eancia e hereditariedade, a leitura seca do testamento gen\u00e9tico ap\u00f3s o funeral. A sele\u00e7\u00e3o sexual trata da express\u00e3o de caracter\u00edsticas (algumas gen\u00e9ticas, mas tamb\u00e9m comportamentais e culturais) durante a vida do organismo. \u201cA sele\u00e7\u00e3o natural regula as opera\u00e7\u00f5es de nascimento e morte\u201d, escreveu Grosz, \u201cenquanto a sele\u00e7\u00e3o sexual regula as opera\u00e7\u00f5es de beleza, apelo e atra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Essa for\u00e7a evolutiva menos conhecida molda tudo o que acontece entre os colchetes gen\u00e9ticos do nascimento e da morte. Darwin a chamou de sele\u00e7\u00e3o \u201csexual\u201d porque descreve as exibi\u00e7\u00f5es comumente vistas no cortejo e explica o desenvolvimento evolutivo dos trajes estranhos, excessivos, extravagantes e frequentemente n\u00e3o funcionais que distinguem os sexos. Mais do que isso, \u00e9 o processo que diferencia membros individuais de uma esp\u00e9cie uns dos outros e cada sexo de todos os outros sexos. (Muitas esp\u00e9cies t\u00eam mais de dois sexos.)<\/p>\n<p>Darwin reconheceu que \u201cna maioria dos casos \u00e9 quase imposs\u00edvel distinguir entre os efeitos da sele\u00e7\u00e3o natural e da sele\u00e7\u00e3o sexual\u201d, pois n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o \u00f3bvia entre o que torna um organismo atraente durante sua vida e o que \u00e9 ben\u00e9fico para as gera\u00e7\u00f5es futuras. A sele\u00e7\u00e3o sexual real\u00e7a a beleza e a individualidade, ao mesmo tempo que une organismos individuais com la\u00e7os de desejo. Crucialmente, isso n\u00e3o tem necessariamente a ver com reprodu\u00e7\u00e3o. Reprodu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o objetivo da beleza.<\/p>\n<p>Ainda assim, a beleza est\u00e1 em toda parte. A sele\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 a provocadora do espet\u00e1culo, o tempero da vida. Ela faz as flores cheirarem doce e as ma\u00e7\u00e3s corarem de vermelho. \u00c9 a crista do galo e o assobio do beija-flor. \u00c9 um pepino com flores masculinas e femininas. Seu par favorito de saltos. Como voc\u00ea se apaixona.<\/p>\n<p>E se v\u00edssemos a n\u00f3s mesmos e outras formas de vida como produtos da beleza, em vez da sobreviv\u00eancia? As ci\u00eancias reducionistas focam na sele\u00e7\u00e3o natural, heran\u00e7a e genes como elementos essenciais da vida, mas s\u00e3o as for\u00e7as muito mais astutas da atra\u00e7\u00e3o que governam todos os seres enquanto respiram. As ci\u00eancias tendem a olhar a vida do ponto de vista do gene, mas a sele\u00e7\u00e3o sexual s\u00f3 pode ser entendida a partir da perspectiva do pr\u00f3prio organismo. Da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>A ma\u00e7\u00e3, o pepino-lim\u00e3o, o cravo: todo organismo tem um \u00edmpeto vital em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 beleza e \u00e0 autoexpress\u00e3o que est\u00e1 relacionado \u00e0 sua aptid\u00e3o gen\u00e9tica, mas n\u00e3o pode ser reduzido a ela. Chamar o sabor de uma ma\u00e7\u00e3 de \u201cestrat\u00e9gia evolutiva\u201d \u00e9 perder a maior parte do prazer e do fasc\u00ednio das ma\u00e7\u00e3s. Uma Red Delicious ainda \u00e9 deliciosa se for clonada para sempre. Mais profundamente, a beleza, como Darwin usou o termo, n\u00e3o se limita a acervos gen\u00e9ticos: os tra\u00e7os que atraem organismos uns aos outros tamb\u00e9m os atraem para outras plantas e animais.<\/p>\n<p>Darwin observa em <em>A Origem das Esp\u00e9cies<\/em> que \u201cum gosto quase semelhante por cores bonitas e sons musicais percorre grande parte do reino animal\u201d, especulando que esse senso de beleza deve ter se desenvolvido primeiro nos \u201canimais inferiores\u201d antes de ser transmitido \u00e0 \u201cmente do homem\u201d. Compartilhamos esse senso de beleza tamb\u00e9m com as plantas, quando elas pintam seus frutos com cores e aromas. Somos os herdeiros de uma beleza mais antiga que a humanidade.<\/p>\n<p>Nossa cultura passa muito tempo pensando na sele\u00e7\u00e3o natural \u2014 vermelha de dentes e garras \u2014 mas mesmo uma olhada superficial em nosso mundo mostra o poder da beleza. A beleza oferece uma intelig\u00eancia alternativa na natureza, uma natureza moldada pela criatividade e atra\u00e7\u00e3o, um desejo antigo e impulsivo que n\u00e3o \u00e9 categoriz\u00e1vel. A for\u00e7a metam\u00f3rfica guardada em uma semente selvagem. O mundo que Grosz descreve \u00e9 um repleto de flores, cada uma bela e diferente, onde a escolha se torna um imperativo. Nos galhos da macieira, onde h\u00e1 mais flores do que uma abelha poderia visitar, a abelha escolhe as flores que mais gosta.<\/p>\n<p>\u201cOh, ervilha-doce\u201d, meu pai disse quando notou meu rastro de destrui\u00e7\u00e3o. Esse era seu apelido para mim: ervilha-doce. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode espiar o milho assim. Eles precisam crescer sozinhos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cT\u00e1 bom, papai\u201d, eu disse. Mas n\u00e3o acreditei <em>nela<\/em>. O que poderia crescer sem ser tocado, cuidado, cutucado, visto? Minha aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o era uma forma de amor? <em>Minha<\/em> pai n\u00e3o estava <em>brava<\/em> comigo, mas <em>preocupada<\/em> com seus vegetais. Eu tamb\u00e9m me importava com eles. Se ao menos eu tivesse sido mais paciente e menos \u00e1vida por conhecimento e controle sobre o mundo.<\/p>\n<p><em>Minha<\/em> pai ainda n\u00e3o estava <em>pronta<\/em> para revelar seu verdadeiro eu. No final da temporada, mal conseguimos colher um punhado de batatas raqu\u00edticas. As cenouras murcharam e as vagens morreram na trepadeira porque eu quis entender o que havia dentro delas. Eu buscava uma verdade que ainda n\u00e3o estava pronta para ser revelada. Meu pai nunca mais plantaria vegetais, mas cerca de um ano depois daquela horta, <em>ela<\/em> come\u00e7ou sua transi\u00e7\u00e3o p\u00fablica de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas sobre conhecer coisas, nomear e classificar. \u00c9 tamb\u00e9m sobre a \u00e9tica da produ\u00e7\u00e3o do conhecimento em si. A percep\u00e7\u00e3o de Darwin foi derrubar a barreira entre humanos e outras formas de vida, abrindo portas para campos de pesquisa ilimitados pelo excepcionalismo humano. \u201cSe o homem n\u00e3o fosse seu pr\u00f3prio classificador\u201d, escreveu Darwin, \u201cele nunca teria pensado em fundar uma ordem separada para sua pr\u00f3pria recep\u00e7\u00e3o.\u201d No entanto, dois s\u00e9culos depois, grande parte da ci\u00eancia moderna ainda refor\u00e7a classes e ordens separadas de vida, assim como Ad\u00e3o, antes da chegada de Eva, nomeou cada planta e animal no jardim. Criamos ordens menores para abrigar todos os seres que n\u00e3o s\u00e3o considerados humanos ou suficientemente humanos. Chamamos isso de ci\u00eancia como se fosse neutra, mas sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 frequentemente hier\u00e1rquica.<\/p>\n<p>Como Grosz nos lembra, desafiar essas classes de inferioridade \u00e9 central para as lutas por igualdade de g\u00eanero, igualdade racial e justi\u00e7a ambiental. Sistemas de conhecimento que rotulam algumas formas de vida e modos de viver como mais ou menos \u201cnormais\u201d ignoram a complexidade de ser humano e a diversidade de toda a vida. A exuber\u00e2ncia selvagem de nosso planeta excede qualquer ordem que tenhamos concebido at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Goethe tentou criar um nome para o \u00f3rg\u00e3o primordial da metamorfose das plantas, mas achou imposs\u00edvel identificar cientificamente como o cravo poderia ter sido antes de ser um cravo. Ele decidiu n\u00e3o dar nenhum nome. Sendo um poeta, isso n\u00e3o foi uma falha, mas uma absten\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o de uma sabedoria al\u00e9m da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia humana n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica que existe no mundo verde: h\u00e1 tamb\u00e9m a fam\u00edlia criativa de ma\u00e7\u00e3s desajustadas, a comunidade mut\u00e1vel dos pepinos, a intersexualidade das vagens, a metamorfose dos cravos. Podemos aprender com o prazer da abelha em escolher entre uma abund\u00e2ncia de boas op\u00e7\u00f5es. O mundo natural \u2014 na verdade, at\u00e9 mesmo nossos jardins \u2014 \u00e9 mais diverso que as sociedades humanas dentro dele, concebendo sem fim novos modelos de sexo, g\u00eanero, fam\u00edlia e formas de ser<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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