{"id":35061,"date":"2025-06-25T18:39:25","date_gmt":"2025-06-25T21:39:25","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/"},"modified":"2025-06-25T18:39:25","modified_gmt":"2025-06-25T21:39:25","slug":"ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/","title":{"rendered":"Ir\u00e3 e sua dissid\u00eancia f\u00f3ssil ao Ocidente"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"885\" height=\"577\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-25-at-18-36-58-88c05fd1-ec6c-4dd9-96cd-a6b6522e11ddjpg-imagem-JPEG-888-582-pixels.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-25-at-18-36-58-88c05fd1-ec6c-4dd9-96cd-a6b6522e11ddjpg-imagem-JPEG-888-582-pixels.png 885w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-25-at-18-36-58-88c05fd1-ec6c-4dd9-96cd-a6b6522e11dd.jpg-imagem-JPEG-888-\u00d7-582-pixels-300x196.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-25-at-18-36-58-88c05fd1-ec6c-4dd9-96cd-a6b6522e11dd.jpg-imagem-JPEG-888-\u00d7-582-pixels-768x501.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 885px) 100vw, 885px\"><figcaption><em>Via mar\u00edtima entre Ir\u00e3 e Om\u00e3 \u00e9 rota de cerca de 20% do petr\u00f3leo comercializado no mundo \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Marine Traffic<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c[Em 2001, em meio as respostas estadunidenses aos ataques do 11 de Setembro] [\u2026] os Estados Unidos disseram \u00e0 ONU que se reservavam o direito de deixar em aberto a possibilidade de outros alvos que n\u00e3o o Afeganist\u00e3o. Quando o regime Talib\u00e3 entrou em colapso naquele pa\u00eds, o fim da \u201cguerra contra o terror\u201d estava ainda mais distante do que parecia no in\u00edcio. Uma parte do racioc\u00ednio por tr\u00e1s desse projeto militar sem fim foi revelada no in\u00edcio da guerra. Em 30 de setembro o <em>Observer<\/em> publicou em Londres uma reportagem especial, \u201cInside the Pentagon\u201d [Londres, 30 set, 2001]:<\/p>\n<p>[\u2026] O <em>Observer<\/em> foi informado de que duas propostas detalhadas de guerra sem limites foram apresentadas nesta semana ao presidente [George W. Bush] pelo secret\u00e1rio de Defesa, Donald Rumsfeld, ambas temporariamente abandonadas mas ainda mantidas em suspenso. Foram desenvolvidas por seu assistente Paul Wolfowitz. [\u2026] esses planos pedem uma guerra sem fim e sem restri\u00e7\u00f5es de tempo nem geografia. [\u2026] Funcion\u00e1rios dizem que <strong>numa guerra sem precedentes as regras devem ser escritas \u00e0 medida que ela avan\u00e7a<\/strong>, e que \u00e9 \u201cirrelevante\u201d a chamada \u201cDoutrina Powell\u201d, que prop\u00f5e n\u00e3o haver interven\u00e7\u00e3o militar sem objetivos pol\u00edticos \u201cclaros e realiz\u00e1veis\u201d.\u201d (Ellen Wood, 2014, pp. 110-111).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Esse pequeno trecho do livro <em>O Imp\u00e9rio do Capital<\/em>, escrito em 2003 pela historiadora estadunidense Ellen Wood, resgata um elemento fundamental para que possamos compreender a atual guerra entre o regime de ocupa\u00e7\u00e3o sionista e a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3. Trata-se n\u00e3o de um evento isolado, potenciado por figuras exc\u00eantricas e fundamentalistas religiosos, mas de um fen\u00f4meno que traz, em sua ess\u00eancia a marca do que, primeiro Robert Brenner e depois Ellen Wood nomearam como <em>Imperialismo Excedente<\/em>. Excedente porque, em 2002, estimava-se que os Estados Unidos possu\u00edam \u201cuma for\u00e7a militar maior que o conjunto das oito pot\u00eancias seguintes reunidas\u201d (Ibid., p. 109). \u201cA nova ideologia da guerra sem fim responde \u00e0s necessidades particulares do novo imperialismo [\u2026] que surgiu no s\u00e9culo XX, ou at\u00e9 mesmo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, [e] <strong>pertence a um mundo capitalista<\/strong>\u201d (Ibid., p. 115); isto \u00e9, de um mundo j\u00e1 dominado pelo capital, mas que, pelas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es deste, precisa ser constantemente vigilado. \u201cEssa guerra sem fim em prop\u00f3sito e tempo pertence a um imp\u00e9rio sem fim, sem fronteiras nem mesmo territ\u00f3rio. Ainda assim ele \u00e9 um imp\u00e9rio que precisa ser administrado por institui\u00e7\u00f5es e poderes que t\u00eam de fato fronteiras territoriais\u201d (Ibid., p. 125).<\/p>\n<p>O que pretendemos aqui resgatar, sem mais nos alongar, \u00e9 que em um mundo capitalista, no qual n\u00e3o h\u00e1 mais estados pr\u00e9-capitalistas ou pot\u00eancias anti-capitalistas como fora a URSS, as guerras e a hist\u00f3ria n\u00e3o cessam, como imaginava Fukoyama, mas pelo contr\u00e1rio, coloca-se um <em>Estado de Guerra Sem Fim<\/em>, parecido com aquele descrito por Hobbes (2008, <em>apud<\/em> Wood, 2014) no <em>Leviat\u00e2<\/em>, que \u201cconsiste n\u00e3o na luta real, mas na disposi\u00e7\u00e3o conhecida para tanto durante todo o tempo em que n\u00e3o existe garantia do contr\u00e1rio\u201d, o que, por \u00f3bvio, pressup\u00f5e a luta real como eventualidade poss\u00edvel a qualquer tempo.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-GERAL\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-GERA-16.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-GERA-16.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-GERAL-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 nessa demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e disposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra que entendemos o ataque estadunidense, com as maiores bombas existentes quando excetuadas as at\u00f4micas, \u00e0s instala\u00e7\u00f5es nucleares iranianas. \u00c9 nela tamb\u00e9m que entendemos o abomin\u00e1vel genoc\u00eddio levado a cabo pelo regime de ocupa\u00e7\u00e3o sionista desde 2023 na Faixa de Gaza. N\u00e3o h\u00e1 em ambas as a\u00e7\u00f5es objetivos fixos e determinados. Se inicialmente os sionistas falavam na libera\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns, hoje os ref\u00e9ns sequer s\u00e3o mencionados. Se os estadunidenses alegavam a destrui\u00e7\u00e3o do programa nuclear iraniano, esse certamente n\u00e3o foi atingido, dado que imagens de sat\u00e9lites reveladas pelo New York Times mostram filas de caminh\u00f5es esvaziando a planta de Fordo tr\u00eas dias antes dos ataques. Se n\u00e3o trata-se de uma guerra com objetivos claros e alcan\u00e7\u00e1veis, nem por isso trata-se de uma guerra sem motivo. Trata-se, entendemos, de uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e disposi\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio estadunidense que v\u00ea sua hegemonia amea\u00e7ada pela emerg\u00eancia econ\u00f4mica chinesa e pela for\u00e7a militar apresentada pela R\u00fassia na Ucr\u00e2nia desde 2022.<\/p>\n<p>Feito essa pequena introdu\u00e7\u00e3o, passaremos agora a uma reconstitui\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es conturbadas entre o Imp\u00e9rio Estadunidense, seu enclave militar na \u00c1sia Ocidental [tamb\u00e9m chamada de Oriente M\u00e9dio], Israel, e o gigante da regi\u00e3o, com mais de 90 milh\u00f5es de habitantes, Ir\u00e3. O objetivo da exposi\u00e7\u00e3o que se segue \u00e9 tratar do fen\u00f4meno pol\u00edtico concreto, articulando-o a din\u00e2mica da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s na \u00c1sia Ocidental, sobretudo no Ir\u00e3 \u2013 alvo de ataques do regime sionista e dos Estados Unidos nos \u00faltimos 12 dias \u2013 com o conflito hegem\u00f4nico entre Estados Unidos e China pelo controle do <em>capital f\u00f3ssil<\/em> (Malm, 2016) e suas implica\u00e7\u00f5es no mercado internacional de energia.<\/p>\n<p><strong>2. PRE\u00c2MBULO DO HIST\u00d3RICO DE RELA\u00c7\u00d5ES ENTRE IR\u00c3, ISRAEL E ESTADOS UNIDOS E O ATAQUE DO DIA 13 DE JUNHO<\/strong><\/p>\n<p>No \u00faltimo 11 de junho, o <em>Washington Post<\/em> noticiou que os Estados Unidos estariam esvaziando suas embaixadas na \u00c1sia Ocidental, sobretudo n Iraque, ao emitir autoriza\u00e7\u00e3o para retirada de \u201cfuncion\u00e1rios n\u00e3o-essenciais\u201d<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a><\/sup> desses espa\u00e7os frente ao crescente risco de uma ofensiva do regime de ocupa\u00e7\u00e3o sionista contra o Ir\u00e3, dado que informa\u00e7\u00f5es davam conta que o Estado Judeu estava \u201ctotalmente preparado para lan\u00e7ar uma opera\u00e7\u00e3o contra o Ir\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Mais tarde, na madrugada do dia 13 de junho em Teer\u00e3, as for\u00e7as sionistas, que h\u00e1 quase dois anos massacram o povo palestino em Gaza, realizaram ataques a diversas bases militares, e plantas nucleares iranianas. Ao todo foram mais de 80 mortos, incluindo diversos cientistas envolvidos no programa nuclear, o chefe do Estado-maior, al\u00e9m do chefe da Guarda Revolucion\u00e1ria iraniana. A t\u00e1tica sionista de matar os comandantes militares e cientistas n\u00e3o \u00e9 nova, e \u00e9 uma emula\u00e7\u00e3o daquela adotada por seus patronos estadunidense, basta lembrarmos do assassinato do General da <em>Guarda Revolucion\u00e1ria Iraniana<\/em> Qassem Soleimani, principal respons\u00e1vel pela derrota do ISIS (Estado Isl\u00e2mico) e pela articula\u00e7\u00e3o do <em>Eixo de Resist\u00eancia<\/em> na \u00c1sia Ocidental. Os ataques de Israel tiveram Teer\u00e3 \u2013 cidade onde se concentram membros do alto escal\u00e3o militar e pol\u00edtico \u2013 e a cidade de Natanz \u2013 onde se concentram usinas de enriquecimento de ur\u00e2nio, insumo fundamental para o desenvolvimento de artefatos nucleares \u2013 que fica a pouco mais de tr\u00eas horas da capital, como principais alvos (Figura 1). Segundo a <em>Associated Press<\/em>, pelo menos mais seis cidades tamb\u00e9m foram atacadas. Ap\u00f3s o ocorrido, o regime sionista, na pessoa do ministro de defesa Israel Katz, declarou estado de emerg\u00eancia e rapidamente fechou seu espa\u00e7o a\u00e9reo. Da\u00ed, se sucederam uma sequ\u00eancia de ataques e contra-ataques, com pelo menos 22 ondas de misseis disparadas por Teer\u00e3 naquela que nomearam como opera\u00e7\u00e3o Verdadeira Promessa 3. Apesar de um cessar fogo anunciado ontem \u00e0 noite (23\/06) pelo Presidente Donald Trump, ap\u00f3s contra-ataque iraniano contra a base militar estadunidense localizada no Qatar, ataques israelenses foram ouvidos em territ\u00f3rio iraniano na manh\u00e3 dessa ter\u00e7a-feira (24\/06), colocando em d\u00favida a validade do acordo costurado.<\/p>\n<p><em><strong>FIGURA 1.<\/strong><\/em><sup><em><strong><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a><\/strong><\/em><\/sup><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"782\" height=\"652\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG1.png 782w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG1-300x250.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG1-768x640.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 782px) 100vw, 782px\"><\/figure>\n<p>Apesar de, num primeiro momento, ter saltado \u00e0 vista uma poss\u00edvel a\u00e7\u00e3o independente por parte de Israel \u2013 sendo essa ideia fortalecida por declara\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias do presidente Donald Trump, como a de que ele teria se oposto a ideia de ataque ao Ir\u00e3<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a><\/sup>, segundo o <em>The New York Times<\/em> \u2013, \u00e9 adequado lembrar que, sem nenhuma d\u00favida, esta n\u00e3o foi consumada sem o devido escrut\u00ednio do governo dos Estados Unidos, como j\u00e1 se haviam especula\u00e7\u00f5es h\u00e1 semanas:<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/www.fosforoeditora.com.br\/produto\/nihonjin-70416\" aria-label=\"banner outras palavras_ 02257\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/banner-outras-palavras_-02257-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/banner-outras-palavras_-02257-1.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/banner-outras-palavras_-02257-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201c<em>Se for necess\u00e1rio o uso militar, n\u00f3s usaremos for\u00e7a militar\u201d, disse Trump. \u201cIsrael obviamente estar\u00e1 muito envolvido nisso. Eles ser\u00e3o os l\u00edderes disso. Mas ningu\u00e9m nos lidera, fazemos o que queremos fazer.\u201d<\/em><sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a><\/sup><\/p>\n<p>A fala do presidente expressa muito bem (basta olhar e ver) o papel desempenhado pelo regime de ocupa\u00e7\u00e3o sionista no <em>imperialismo<\/em> estadunidense. Israel, enquanto enclave militar, serve aos interesses estadunidenses na \u00c1sia Ocidental. Essa fun\u00e7\u00e3o do Estado Judeu, enquanto for\u00e7a contr\u00e1ria ao gigante regional \u00e9 percebida, pelo menos, desde que a Fran\u00e7a desenvolveu o programa nuclear israelense, na d\u00e9cada de 70. O Ir\u00e3 viu n\u00e3o s\u00f3 sua qualidade de pot\u00eancia regional ser amea\u00e7ada, como tamb\u00e9m sua pr\u00f3pria estabilidade pol\u00edtica e soberania. Desse modo, o in\u00edcio do seu pr\u00f3prio projeto nuclear (na d\u00e9cada de 60) voltado para a produ\u00e7\u00e3o de energia de interesse civil, foi causador de mal-estar no mundo ocidental no in\u00edcio dos anos 2000, quando j\u00e1 se era sabido que o programa nuclear iraniano poderia causar grande impacto na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na \u00c1sia Ocidental.<\/p>\n<p>Aliado a isso, o suporte hist\u00f3rico do Ir\u00e3 \u00e0 causa palestina \u00e9 outro fato relevante para o acirramento dessa disputa. Desde 1990, o pa\u00eds mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es firmes com o Hamas, sendo formalizadas um ano depois, quando uma delega\u00e7\u00e3o do grupo pol\u00edtico solicitou a cria\u00e7\u00e3o de um gabinete oficial em territ\u00f3rio iraniano. Ap\u00f3s o evento, o Ir\u00e3 forneceu apoio material ao grupo em diversas outras ocasi\u00f5es, como no epis\u00f3dio de deporta\u00e7\u00e3o em massa de l\u00edderes do grupo e da Jihad Isl\u00e2mica palestina para o L\u00edbano ou na invas\u00e3o da Faixa de Gaza entre 2007 e 2008. No primeiro, o Ir\u00e3 serviu como ponte para a aproxima\u00e7\u00e3o entre o Hamas e o Hezbollah (que formam, junto ao Hezbollah Iraquiano e aos Houtis do I\u00eamen o <em>Eixo de Resist\u00eancia<\/em> constru\u00eddo por Soleimani), al\u00e9m de promover frequentes visitas de autoridades aos l\u00edderes exilados; no segundo, o Ir\u00e3 forneceu, secretamente, diversos equipamentos militares fundamentais para a defesa da Palestina na regi\u00e3o.<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a><\/sup><\/p>\n<p>O Ir\u00e3, portanto, figura como antagonista direto do regime sionista ao passo que \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela exist\u00eancia e a for\u00e7a da frente de combate mais incisiva do povo palestino e, importante lembrar, pela exist\u00eancia tamb\u00e9m do pr\u00f3prio povo palestino e do projeto de uma retomada desses do seu territ\u00f3rio perdido desde 1945. Nesse contexto, o Ir\u00e3 se coloca enquanto um antagonista da hegemonia f\u00f3ssil estadunidense, que, al\u00e9m de ter em Israel seu destacamento militar mais avan\u00e7ado no territ\u00f3rio, exerce forte influ\u00eancia no Golfo P\u00e9rsico atrav\u00e9s de suas diversas bases militares na costa oeste e ao longo da \u00c1sia Ocidental.<\/p>\n<p><em><strong>FIGURA 2.<\/strong><\/em><sup><em><strong><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a><\/strong><\/em><\/sup><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"944\" height=\"628\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG2.png 944w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG2-300x200.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG2-768x511.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG2-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 944px) 100vw, 944px\"><\/figure>\n<h3><a><\/a> <strong>3. ESTRUTURA HIST\u00d3RICA E A REVOLU\u00c7\u00c3O IRANIANA<\/strong><\/h3>\n<p>O atual cen\u00e1rio de confronto direto entre a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica e Israel, acentuado pela escalada de viol\u00eancia israelense em Gaza e pelo alinhamento do Ir\u00e3 \u00e0 causa palestina, n\u00e3o pode ser analisado como um evento isolado. Pelo contr\u00e1rio, o que se observa \u00e9 o \u00e1pice de uma trajet\u00f3ria hist\u00f3rica cujo ponto de igni\u00e7\u00e3o se deu ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Iraniana (1978-1979) (Esp\u00edrito Santo, 2017). Portanto, para compreender a profundidade estrat\u00e9gica deste confronto e o papel do Ir\u00e3 como uma pot\u00eancia energ\u00e9tica no \u00c1sia Ocidental (Bhagat, 2005), analisaremos a g\u00eanese e os motivos que transformaram a na\u00e7\u00e3o persa no principal antagonista da <em>hegemonia<\/em> <em>f\u00f3ssil<\/em> (como ser\u00e1 caracterizada de maneira mais precisa no t\u00f3pico 4) estadunidense na regi\u00e3o mais rica em petr\u00f3leo do mundo.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3 em uma moment\u00e2nea din\u00e2mica de subordina\u00e7\u00e3o ao Ocidente foi selada em 1953. Naquele ano, o governo nacionalista do primeiro-ministro Mohammad Mossadegh foi deposto por um golpe orquestrado pela CIA (Estados Unidos) e pelo MI6 (Reino Unido). O \u201ccrime\u201d de Mossadegh fora nacionalizar a ind\u00fastria petrol\u00edfera, at\u00e9 ent\u00e3o controlada pelo capital brit\u00e2nico, em uma tentativa de reverter a drenagem de riquezas do pa\u00eds. O golpe restaurou ao poder o X\u00e1 Mohammad Reza Pahlavi (cujo filho agora se apresenta como poss\u00edvel l\u00edder de um \u201cIr\u00e3 democr\u00e1tico\u201d caso a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica seja derrubada), consolidando um regime cuja fun\u00e7\u00e3o no tabuleiro geopol\u00edtico era clara: atuar como um pe\u00e3o na estrat\u00e9gia de Washington, garantindo o fluxo de petr\u00f3leo barato para o Ocidente e funcionando como um baluarte contra a influ\u00eancia da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, com quem o Ir\u00e3 compartilhava uma extensa fronteira estrat\u00e9gica (Alves, 2020).<\/p>\n<p>Estruturava-se, assim, um modelo cl\u00e1ssico de desenvolvimento dependente, no qual a economia <em>perif\u00e9rica<\/em> iraniana era moldada para servir aos interesses do <em>centro imperialista<\/em> (Foran, 1989). Sob essa l\u00f3gica, o regime golpista do X\u00e1 promoveu um projeto de \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d autorit\u00e1ria conhecido como a \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Branca\u201d (1963), financiada pela vasta riqueza petrol\u00edfera. A iniciativa, contudo, produziu um efeito socialmente desastroso, aprofundando as crises internas (Nakhaei, 2020).<\/p>\n<p>O primeiro ponto foi a concentra\u00e7\u00e3o de renda e o aprofundamento da desigualdade. Operando sob uma l\u00f3gica an\u00e1loga \u00e0 do \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d (1969-1973) da ditadura militar brasileira, a promessa de \u201cfazer o bolo crescer para depois dividir\u201d, a riqueza do petr\u00f3leo jamais foi cumprida. Pelo contr\u00e1rio, alimentou uma pequena elite ocidentalizada, enquanto a vasta maioria da popula\u00e7\u00e3o, especialmente nos centros n\u00e3o-urbanos, permanecia marginalizada (Brandis, 2009).<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a imposi\u00e7\u00e3o de um secularismo de Estado e de uma ocidentaliza\u00e7\u00e3o acelerada separou setores cruciais da sociedade. O clero mu\u00e7ulmano xiita, majorit\u00e1rio no pa\u00eds e conhecido como <em>ulem\u00e1s<\/em>, viu sua influ\u00eancia e suas tradi\u00e7\u00f5es serem sistematicamente degradadas (Varol, 2016). Por fim, como em todo regime autocr\u00e1tico, a estabilidade era mantida pela for\u00e7a. Qualquer oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica era brutalmente reprimida pela SAVAK (Organiza\u00e7\u00e3o de Intelig\u00eancia e Seguran\u00e7a Nacional), a temida pol\u00edcia secreta do regime, treinada e assessorada por ag\u00eancias de intelig\u00eancia dos EUA e de Israel.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o petr\u00f3leo era percebido pela popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o como um vetor de desenvolvimento nacional, mas como o elo da subordina\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e a fonte de poder de um regime tir\u00e2nico e subserviente a interesses forasteiros (Bina, 2017). A oposi\u00e7\u00e3o, consequentemente, aglutinou-se em uma esp\u00e9cie de \u201cfrente ampla\u201d, composta por liberais, nacionalistas, socialistas e, de forma mais organizada e capilarizada, o clero xiita, sob a lideran\u00e7a do Aiatol\u00e1 Ruhollah Khomeini, que orquestrava a resist\u00eancia a partir do ex\u00edlio, primeiro no Iraque e, em sua fase final e mais decisiva, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Desafiando teses que historicamente atribu\u00edam poder de barganha pol\u00edtica a setores oper\u00e1rios cl\u00e1ssicos, como os mineiros de carv\u00e3o no pa\u00eds persa, a classe trabalhadora petroleira iraniana demonstrou uma ag\u00eancia hist\u00f3rica decisiva. Conforme apontado por Jafari (2019), esses oper\u00e1rios, cientes de sua posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica em uma economia totalmente articulada em torno da extra\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio de petr\u00f3leo, emergiram como a vanguarda do levante popular. Entre 1978 e 1979, uma onda de greves massivas, coordenadas nas refinarias e campos de petr\u00f3leo de Abadan e da prov\u00edncia do Cuzist\u00e3o, efetivamente paralisou a produ\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o. O efeito sobre o regime do X\u00e1 foi duplo e devastador. Primeiramente, no plano material, a a\u00e7\u00e3o coletiva induziu \u00e0 asfixia econ\u00f4mica do Estado. Ao cortar a principal fonte de receita do pa\u00eds, os grevistas tornaram o regime incapaz de pagar seus funcion\u00e1rios e, crucialmente, seu aparelho repressivo, as for\u00e7as armadas e de seguran\u00e7a. O pilar financeiro que sustentava a monarquia implodiu (Jafari, 2018).<\/p>\n<p>O segundo impacto foi de ordem simb\u00f3lica e pol\u00edtica. Em uma invers\u00e3o dial\u00e9tica hegeliana de poder, os trabalhadores demonstraram que o controle f\u00e1tico do recurso mais valioso do pa\u00eds n\u00e3o residia no pal\u00e1cio do monarca, mas naqueles que operavam os po\u00e7os e as refinarias. O petr\u00f3leo, antes o s\u00edmbolo m\u00e1ximo da domina\u00e7\u00e3o estrangeira e da tirania do X\u00e1, foi ressignificado e transformado \u201cde dentro\u201d, em uma arma de sabotagem e mobiliza\u00e7\u00e3o popular, como argumentado por Timothy Mitchell (2009). Para a comunidade internacional, o sinal era inequ\u00edvoco: o regime do X\u00e1 havia perdido o controle de fato sobre seu territ\u00f3rio e sua principal fonte de poder.<\/p>\n<p>Contudo, a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o catalisada por essa a\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, abriu um v\u00e1cuo de comando e controle. Foi neste momento que a \u201cfac\u00e7\u00e3o\u201d mais organizada e com maior capilaridade social, o clero xiita sob a lideran\u00e7a de Khomeini, moveu-se para consolidar sua dire\u00e7\u00e3o do processo. Os aliados conjunturais da \u201cfrente ampla\u201d foram ent\u00e3o sistematicamente neutralizados. Liberais e nacionalistas, como os que compunham o governo provis\u00f3rio de Mehdi Bazargan, foram rapidamente marginalizados e expurgados do poder (Ostovar, 2009). Em seguida, as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda: socialistas, comunistas (como o partido <em>Tudeh<\/em>) e guerrilheiros (como os<em> Fedayin do Povo<\/em>), que haviam combatido ativamente a ditadura do X\u00e1, foram declaradas inimigas do novo Estado e da pr\u00f3pria f\u00e9.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o para essa persegui\u00e7\u00e3o brutal era dupla: primeiramente, sua ideologia secular e sobretudo marxista era fundamentalmente irreconcili\u00e1vel com o projeto de Khomeini de um Estado governado pela <strong>jurisprud\u00eancia isl\u00e2mica<\/strong> (a <em>Velayat-e Faqih<\/em>). Em segundo lugar, como grupos com experi\u00eancia de combate, organiza\u00e7\u00e3o e uma base popular pr\u00f3pria, eles representavam um polo de poder alternativo e uma amea\u00e7a militar direta \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da hegemonia clerical e de sua nova guarda, a Pasdaran (Ostovar, 2009). A revolu\u00e7\u00e3o, que come\u00e7a com uma base ampla, foi deliberadamente afunilada para garantir a ascens\u00e3o de uma teocracia xiita.<\/p>\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o iraniana, seguida pela incerteza sobre a nova pol\u00edtica do pa\u00eds, provocou o que ficou conhecido como o \u201cSegundo Choque do Petr\u00f3leo\u201d em 1979. A redu\u00e7\u00e3o na oferta fez os pre\u00e7os dispararem, mergulhando a economia global em uma recess\u00e3o e refor\u00e7ando a li\u00e7\u00e3o aprendida em 1973: a estabilidade do sistema energ\u00e9tico ocidental \u00e9 perigosamente dependente da estabilidade pol\u00edtica na \u00c1sia Ocidental, agora radicalmente alterada (Valladares, 2024). A rela\u00e7\u00e3o conturbada entre o Ir\u00e3 e os pa\u00edses do eixo ocidental prosseguiu ao longo de toda a segunda metade do s\u00e9culo XX, e persistiu no s\u00e9culo XXI, conforme tratado posteriormente no t\u00f3pico quarto.<\/p>\n<p>Internamente, o novo lema do Ir\u00e3, \u201cNem Ocidente, Nem Oriente, mas Rep\u00fablica Isl\u00e2mica\u201d, traduziu-se em uma pol\u00edtica externa que rejeitava a subordina\u00e7\u00e3o a qualquer das superpot\u00eancias da Guerra Fria (1947-1991) (Esp\u00edrito Santo, 2017). O controle nacional sobre o petr\u00f3leo tornou-se o pilar desta soberania. Isso sacramentou o fim da alian\u00e7a estrat\u00e9gica com os Estados Unidos e, por consequ\u00eancia, com Israel, que passou da condi\u00e7\u00e3o de parceiro discreto do X\u00e1 a ser rotulado como o \u201cPequeno Sat\u00e3\u201d e \u201centidade sionista ileg\u00edtima\u201d, solidificando as hostilidades que foram os motivos da escrita deste artigo (Lewis, 2004).<\/p>\n<p>Dois eventos subsequentes que valem a pena ser citados e foram : i) a Crise dos Ref\u00e9ns (1979-1981), quando estudantes revolucion\u00e1rios, apoiados pelo novo regime, invadiram a embaixada dos EUA em Teer\u00e3 e mantiveram 52 diplomatas e cidad\u00e3os americanos cativos por 444 dias. O ato foi uma resposta direta \u00e0 decis\u00e3o americana de acolher o X\u00e1 deposto para tratamento m\u00e9dico, o que foi interpretado no Ir\u00e3 como um prel\u00fadio para um novo golpe orquestrado pela CIA, a exemplo de 1953 (Perosa Jr, 2013). A crise humilhou publicamente os Estados Unidos, destruiu qualquer possibilidade de reconcilia\u00e7\u00e3o a curto prazo e foi usada internamente por Khomeini para consolidar o poder da linha-dura clerical, eliminando os \u00faltimos vest\u00edgios de modera\u00e7\u00e3o do governo. ii) a Guerra Ir\u00e3-Iraque (1980-1988). Vendo uma oportunidade no aparente caos revolucion\u00e1rio, o Iraque de Saddam Hussein, \u00e0 \u00e9poca aliado dos Estados Unidos, com massivo apoio financeiro e militar de pot\u00eancias ocidentais e monarquias do Golfo que temiam a \u201cexporta\u00e7\u00e3o\u201d da revolu\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, invadiu o Ir\u00e3. O conflito brutal de oito anos consolidou a percep\u00e7\u00e3o iraniana de um mundo hostil e determinado a destruir seu novo regime. Em resposta, o pa\u00eds foi for\u00e7ado a aprimorar sua resili\u00eancia: come\u00e7ou a usar o petr\u00f3leo como escudo, desenvolvendo canais de exporta\u00e7\u00e3o paralelos para contornar san\u00e7\u00f5es, forjando alian\u00e7as com atores n\u00e3o alinhados ao eixo ocidental e definindo sua pol\u00edtica energ\u00e9tica como a espinha dorsal de sua resist\u00eancia \u00e0 hegemonia do capital f\u00f3ssil liderada pelos EUA (Ostovar, 2009).<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o apenas derrubou um ditador, ela removeu um dos maiores agentes de petr\u00f3leo do sistema de seguran\u00e7a energ\u00e9tica ocidental, e o transmutou em um advers\u00e1rio ideol\u00f3gico e estrat\u00e9gico (McGlinchey, 2014). A consci\u00eancia de que o petr\u00f3leo poderia ser usado como arma, concebida nas greves de 1978, tornou-se a doutrina central de um Estado que, desde ent\u00e3o, v\u00ea seus recursos energ\u00e9ticos como a principal ferramenta para garantir sua sobreviv\u00eancia e projetar sua influ\u00eancia (Zunes, 2009). Estavam assim consolidadas as premissas de um conflito prolongado, no qual o Ir\u00e3 adotou uma postura duradoura de antagonismo em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos e a Israel, uma hostilidade que se projeta at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p><strong>4. A PRODU\u00c7\u00c3O F\u00d3SSIL IRANIANA E A APROXIMA\u00c7\u00c3O CHINESA<\/strong><\/p>\n<p>Como visto acima, portanto, as disputas pol\u00edticas e territoriais entre Israel e Ir\u00e3 n\u00e3o s\u00e3o suficientes para explicar o papel dos Estados Unidos nos conflitos; a elas soma-se a import\u00e2ncia iraniana no mercado internacional de petr\u00f3leo, cuja utilidade enquanto ferramenta de press\u00e3o global foi demonstrada ainda na Guerra do Yom Kippur (1973)<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote7sym\"><sup>7<\/sup><\/a><\/sup>. Ampliando o contexto, durante as opera\u00e7\u00f5es para retomada de terras lideradas pela S\u00edria e pelo Egito, os Estados Unidos garantiram a manuten\u00e7\u00e3o de sua principal ferramenta da <em>hegemonia f\u00f3ssil<\/em>, prestando suporte militar ao regime de ocupa\u00e7\u00e3o sionista. Como resposta, os pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (OPEP) impuseram <em>\u00abcortes consider\u00e1veis em sua produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo m\u00eas a m\u00eas, at\u00e9 a total evacua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as israelenses sobre todo o territ\u00f3rio \u00e1rabe ocupado a partir da guerra de 1967 [\u2026]\u00bb<\/em> e um embargo total de vendas sobre os Estados Unidos e outros pa\u00edses que apoiaram os israelenses<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote8sym\"><sup>8<\/sup><\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Em um per\u00edodo de guerra fria, e iminente perigo nuclear, o petr\u00f3leo era (como ainda o \u00e9) figura fundamental no contexto da reprodu\u00e7\u00e3o da vida capitalista, enquanto <em>capital f\u00f3ssil<\/em> (MALM, 2016), ou seja, como subversor da natureza e sua temporalidade, assumindo o papel de sujeito do processo produtivo, impondo seu <em>tempo abstrato<\/em> ao ritmo da reprodu\u00e7\u00e3o do trabalho e da produ\u00e7\u00e3o do mais-valor relativo e absoluto, portanto, agindo como um fator contrariante \u00e0 queda da taxa de lucro. Para al\u00e9m disso, desempenha papel fundamental, inclusive, na mobilidade de capitais, sendo, dialeticamente, agente ativo e passivo do exerc\u00edcio da <em>hegemonia<\/em>: ao passo que sua abund\u00e2ncia atrai agentes imperialistas para o territ\u00f3rio onde se encontra, tamb\u00e9m \u00e9 elemento fundamental para o exerc\u00edcio do pr\u00f3prio <em>imperialismo<\/em>.<\/p>\n<p>Isso se manifesta, de forma concreta, no abastecimento tanto os setores de uso dom\u00e9stico, como autom\u00f3veis para deslocamento da for\u00e7a de trabalho, quanto blindados, grandes navios e ca\u00e7as dos porta-avi\u00f5es nucleares, que dependiam diretamente do \u201couro negro\u201d (petr\u00f3leo) para funcionar. Por isso, ainda que o sucesso dos embargos da OPEP na guerra sejam question\u00e1veis \u2014 visto que Israel n\u00e3o mobilizou suas tropas para fora do territ\u00f3rio \u00c1rabe \u2014 o uso geopol\u00edtico do petr\u00f3leo se comprovou, com a press\u00e3o exercida sobre os pre\u00e7os internacionais tornando a pr\u00e1tica uma forma de conten\u00e7\u00e3o da \u00c1sia Ocidental \u00e0 hegemonia americana nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. <em>Ipso facto<\/em>, o controle estadunidense sobre a regi\u00e3o se acentuou. A inexist\u00eancia de bases sobre territ\u00f3rio iraniano n\u00e3o implica em aus\u00eancia de controle; pelo contr\u00e1rio, o controle passou a ser feito a partir de bases pr\u00f3ximas ao canal de Suez e ao estreito de Ormuz, localizadas sobretudo no Kuwait, por conten\u00e7\u00e3o ao Iraque e problemas internos, Bahrein, Catar e nos Emirados \u00c1rabes Unidos. Atrav\u00e9s delas, o escoamento de petr\u00f3leo iraniano para outras partes do mundo foi minado, numa tentativa de retardar o seu crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Paralelo ao desenvolvimento da <em>oil weapon<\/em> \u00e1rabe, os Estados Unidos aprenderam a utilizar a demanda por petr\u00f3leo como uma ferramenta geopol\u00edtica, impondo desde 1979 uma san\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade de petr\u00f3leo iraniana importada, restrita a n\u00e3o mais que cinquenta mil barris por dia<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote9sym\"><sup>9<\/sup><\/a><\/sup>. As san\u00e7\u00f5es se agravaram com o tempo, sob o pretexto de combate ao apoio do Ir\u00e3 ao terrorismo. Em 1984, investimentos, assist\u00eancia financeira e transfer\u00eancia de material militar ao Ir\u00e3 por entidades estrangeiras foram proibidos. Depois, em 1986, foi proibida a importa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os iranianos. As medidas se agravaram a partir de 1995, durante o governo de Bill Clinton, com a tentativa de mobilizar os principais aliados dos Estados Unidos contra a importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo iraniano.<\/p>\n<p>Contudo, a medida n\u00e3o teve grande sucesso, com muitos pa\u00edses se negando a adotar a postura severa visto que os Estados Unidos seguiam comprando petr\u00f3leo do Ir\u00e3 e revendendo para o resto do mundo. Al\u00e9m disso,<em> \u00absendo um bem fung\u00edvel, o petr\u00f3leo iraniano poderia ser trocado com outros pa\u00edses a fim de ser importado pelos EUA [\u2026]\u00bb<\/em>, reduzindo significativamente o impacto dessas novas san\u00e7\u00f5es. Apesar das medidas serem anunciadas como ferramentas antiterrorismo, o desdobramento dos conflitos deixou bastante evidente que a tentativa de controle estadunidense do Golfo P\u00e9rsico era, na verdade, o principal motivador por detr\u00e1s delas, visto que a regi\u00e3o concentra cerca de dois ter\u00e7os do petr\u00f3leo mundial e fugia do seu dom\u00ednio ideol\u00f3gico durante a guerra fria.<\/p>\n<p>As restri\u00e7\u00f5es impostas ao com\u00e9rcio internacional do Ir\u00e3 com o ocidente e o controle parcial dos Estados Unidos aos principais canais de comunica\u00e7\u00e3o fluvial entre o Ir\u00e3 e o mundo tornou necess\u00e1ria a aproxima\u00e7\u00e3o do pa\u00eds a novos parceiros internacionais e a cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias alternativas para o desenvolvimento econ\u00f4mico e energ\u00e9tico, entre elas, a amplia\u00e7\u00e3o do seu programa militar e formas alternativas de escoamento de petr\u00f3leo. Quanto \u00e0 primeira alternativa, o disp\u00eandio do Ir\u00e3 com o setor militar cresceu continuamente entre 1993 e 2006, mesmo estando sob san\u00e7\u00f5es unilaterais dos Estados Unidos<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote10sym\"><sup>10<\/sup><\/a><\/sup>. Nesse mesmo per\u00edodo, o governo iraniano recusou-se a terminar os seus programas de enriquecimento de ur\u00e2nio, origin\u00e1rios de um apoio conjunto dos Estados Unidos e outros pa\u00edses para promover a paz na \u00c1sia Ocidental (sic) que posteriormente fora terminado e reativado a partir da d\u00e9cada de 1990, agora com apoio da R\u00fassia. Como consequ\u00eancia, o conselho de seguran\u00e7a da ONU imp\u00f4s san\u00e7\u00f5es multilaterais ao Ir\u00e3 a partir de 2006, endossadas novamente pelos Estados Unidos e pela Uni\u00e3o Europeia em 2012, em ordens de frear o avan\u00e7o militar e nuclear iraniana, resultando no sucessivo decr\u00e9scimo dos gastos com o setor militar<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote11sym\"><sup>11<\/sup><\/a><\/sup>. O crescimento militar do Ir\u00e3 n\u00e3o \u00e9 alheio \u00e0s discuss\u00f5es do par\u00e1grafo anterior, acerca do petr\u00f3leo, mas soma-se a eles; somente um grande poderio b\u00e9lico instalado \u00e9 capaz de garantir a soberania do pa\u00eds e o seu acesso aos mercados internacionais mesmo em face a severas press\u00f5es de agentes externos. Do contr\u00e1rio, a presen\u00e7a de bases estadunidenses pr\u00f3ximas ao territ\u00f3rio iraniano seria suficiente para assegurar a sua completa subordina\u00e7\u00e3o aos interesses estrangeiros.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 segunda alternativa, o Ir\u00e3 adotou uma s\u00e9rie de medidas ilegais para contornar as san\u00e7\u00f5es e escoar a sua produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Estima-se que cerca de 80% do contrabando de exporta\u00e7\u00e3o realizado no Ir\u00e3 se destine a produtos de petr\u00f3leo, quando n\u00e3o a commodity em si<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote12sym\"><sup>12<\/sup><\/a><\/sup>. O objetivo principal do contrabando \u00e9 que os navios cargueiros passem despercebidos pelos principais canais de transporte fluvial que, como citados anteriormente, est\u00e3o sob o campo de vis\u00e3o dos Estados Unidos e suas bases, dando \u00eanfase ao estreito de Ormuz, principal rota de transporte de petr\u00f3leo iraniano para a China. Nesse quesito, a pr\u00f3pria China desempenha o papel de importante parceiro comercial do Ir\u00e3, devido a interesses ideol\u00f3gicos, comerciais, e pol\u00edticos, referentes ao dom\u00ednio do golfo persa e o acesso ao petr\u00f3leo. A rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses, entretanto, n\u00e3o \u00e9 recente, mas vem sendo constru\u00edda desde 1990. A princ\u00edpio, o agravamento das san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3 em 1995 e o sentimento antichin\u00eas que se apoderou do congresso americano fizeram com que as petrol\u00edferas chinesas n\u00e3o estreitassem muito as suas rela\u00e7\u00f5es comerciais com o Ir\u00e3<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote13sym\"><sup>13<\/sup><\/a><\/sup>. Depois, j\u00e1 no final da d\u00e9cada, os pa\u00edses se aproximaram, tanto pela rela\u00e7\u00e3o entre os compradores de petr\u00f3leo chineses e os vendedores iranianos quanto pelos interesses dos governos, com parcerias que abrangiam desde o desenvolvimento nuclear a medidas de com\u00e9rcio. A importa\u00e7\u00e3o de \u00f3leo iraniano pela China aumentou nos anos seguintes, sobretudo no per\u00edodo entre o final da d\u00e9cada de 1990 at\u00e9 2003.<\/p>\n<p><strong>5. RETORNO \u00c0 CONTEMPORANEIDADE E OS MERCADOS FUTUROS<\/strong><\/p>\n<p>Uma vez realizada a contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e pol\u00edtica, torna-se poss\u00edvel analisar os conflitos atuais sob perspectivas alheias \u00e0 \u00f3tica do conflito \u00e1rabe-israelense \u2014 em especial a do mercado internacional de petr\u00f3leo e do conflito entre Estados Unidos e China.<\/p>\n<p>Inicialmente, o pre\u00e7o dos contratos futuros de petr\u00f3leo, um dos principais instrumentos de prote\u00e7\u00e3o dos produtores ao risco de mercado e importante ferramenta de especula\u00e7\u00e3o, seguiu uma trajet\u00f3ria de queda ao longo dos primeiros semestres do ano, motivada pelo aumento da produ\u00e7\u00e3o estadunidense atrav\u00e9s da pol\u00edtica de intensiva permissividade a formas alternativas de extra\u00e7\u00e3o, especialmente a de xistos em solo. O n\u00edvel maior de estoques americanos junto \u00e0 menor demanda por petr\u00f3leo deveria, em tese, se converter na redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o geral da OPEP, que j\u00e1 vinha realizando cortes h\u00e1 um ano com previs\u00e3o estendida at\u00e9 junho de 2026; entretanto, como forma de punir alguns membros por inconformidade aos cortes de produ\u00e7\u00e3o<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote14sym\"><sup>14<\/sup><\/a><\/sup> e tornar invi\u00e1vel a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo via xisto, devido ao seu alto ponto de \u00ab<em>breakeven\u00bb <\/em>em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s plataformas <em>offshore <\/em>\u00e1rabes, a Ar\u00e1bia Saudita decidiu impor um aumento na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo dos pa\u00edses da OPEP em ritmo acelerado. Al\u00e9m disso, ela tamb\u00e9m percebeu que <em>\u00abmanter cotas baixas de produ\u00e7\u00e3o, uma estrat\u00e9gia feita para aumentar os pre\u00e7os, apenas permitiu que os Estados Unidos ganhassem participa\u00e7\u00e3o de mercado, sobretudo nos pa\u00edses asi\u00e1ticos\u00bb<\/em><sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote15sym\"><sup>15<\/sup><\/a><\/sup>. Os eventos que se desencadearam a partir do dia 13, entretanto, colocam em xeque todo o atual estratagema internacional acerca do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Evidentemente, em caso de conflito prolongado entre o Ir\u00e3 e Israel (possibilidade diminu\u00edda a partir do an\u00fancio de cessar-fogo ocorrido no dia 23\/06) e, sobretudo, caso esse conflito se estenda para todo o mundo \u00e1rabe, parte do petr\u00f3leo outrora escoado para os mercados internacionais pelas empresas locais ser\u00e1 destinado \u00e0 ind\u00fastria da guerra. Ataques coordenados de ambos os lados acabam por colocar em perigo grandes produtoras de petr\u00f3leo e estoques f\u00edsicos, prejudicando ainda mais a oferta nesse cen\u00e1rio. Considerando a quantidade de petr\u00f3leo dispon\u00edvel no Golfo Persa e demais regi\u00f5es do levante ao norte da \u00c1frica, pode-se presumir que a nova demanda por petr\u00f3leo oriunda da guerra ser\u00e1 majoritariamente suprida por fontes internas, minimizando, a princ\u00edpio, o aumento da demanda global. Assim, uma vez confirmada a escala do conflito, os pre\u00e7os do petr\u00f3leo no mundo todo tendem a subir ou descer, com largos acr\u00e9scimos ou decr\u00e9scimos de valor nos futuros como forma de prote\u00e7\u00e3o dos produtores \u00e0 incerteza futura, j\u00e1 demonstrados no gr\u00e1fico di\u00e1rio dos futuros Brent a seguir.<\/p>\n<p><em><strong>FIGURA 3.<\/strong><\/em><sup><em><strong><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote16sym\"><sup>16<\/sup><\/a><\/strong><\/em><\/sup><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"918\" height=\"490\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG3.png 918w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG3-300x160.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG3-768x410.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 918px) 100vw, 918px\"><\/figure>\n<p><strong>6. CONFLITO HEGEM\u00d4NICO EUA X CHINA E OS RUMOS DA GEOPOL\u00cdTICA<\/strong><\/p>\n<p>Como j\u00e1 exaustivamente discutido, h\u00e1, inserido na guerra entre Israel e Ir\u00e3, uma clara quest\u00e3o de interesse da hegemonia estadunidense no conflito, tendo seu presidente tratado o ataque do regime sionista de Israel como \u201cbem-sucedido\u201d e declarando que havia alertado o Ir\u00e3 que os EUA possuem o \u201cmelhor e mais letal equipamento militar do mundo\u201d.<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote17sym\"><sup>17<\/sup><\/a><\/sup> O debate que ainda n\u00e3o foi trazido se refere ao duplo car\u00e1ter da ofensiva do <em>imperialismo f\u00f3ssil<\/em> estadunidense sobre um dos \u00faltimos aparatos de resist\u00eancia nativa na regi\u00e3o, visto o amplo dom\u00ednio militar estadunidense como a distribui\u00e7\u00e3o de suas bases na \u00c1sia Ocidental na <em>Figura 1<\/em> e seu enclave militar na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do fen\u00f4meno descrito, \u00e9 fundamental, tamb\u00e9m, ter em mente o papel da China no conflito, j\u00e1 esbo\u00e7ado no <em>T\u00f3pico 4<\/em>, com o estreitamento das suas rela\u00e7\u00f5es com o Ir\u00e3, expresso em acordos comerciais e financeiros com o pa\u00eds nos \u00faltimos anos, principalmente sob o contexto das san\u00e7\u00f5es ocidentais, gerando divisas para financiamento, sobretudo, do seu programa nuclear.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, a Rep\u00fablica do Ir\u00e3 vem sofrendo com san\u00e7\u00f5es diretas \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o dos seus recursos energ\u00e9ticos. At\u00e9 o in\u00edcio de 2018, o pa\u00eds havia alcan\u00e7ado um alto n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, produzindo quase cinco milh\u00f5es de barris por dia e exportando para os pa\u00edses ocidentais ou alinhados ao seu programa pol\u00edtico, mesmo com a imposi\u00e7\u00e3o anterior de san\u00e7\u00f5es partindo tanto dos Estados Unidos, em 2011, quando proibiu rela\u00e7\u00f5es de qualquer pa\u00eds com o Banco Central iraniano, visando minar a gera\u00e7\u00e3o de divisas ao atingir, tamb\u00e9m, sua comercializa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote18sym\"><sup>18<\/sup><\/a><\/sup>; quanto da Uni\u00e3o Europeia, quando baniu a importa\u00e7\u00e3o e o transporte de petr\u00f3leo bruto iraniano no in\u00edcio de 2012<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote19sym\"><sup>19<\/sup><\/a><\/sup>. Ambas as medidas j\u00e1 se referiam ao programa nuclear do pa\u00eds e a coer\u00e7\u00e3o para que o Ir\u00e3 o abandonasse.<\/p>\n<p>No entanto, em 2018, ap\u00f3s o presidente Donald Trump impor, outra vez, san\u00e7\u00f5es ao Ir\u00e3 ao deixar o Plano de A\u00e7\u00e3o Conjunto Global (PACG)<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote20sym\"><sup>20<\/sup><\/a><\/sup>, a din\u00e2mica comercial iraniana se alterou completamente. Al\u00e9m de ter deixado de exportar petr\u00f3leo bruto para pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e \u00c1sia, passou a escoar a totalidade da sua produ\u00e7\u00e3o somente para China, S\u00edria, EAU e Venezuela, em 2023<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote21sym\"><sup>21<\/sup><\/a><\/sup>. Al\u00e9m disso, a participa\u00e7\u00e3o chinesa nas exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo bruto iraniano saltou de 25%, em 2017, para 90%, em 2023<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote22sym\"><sup>22<\/sup><\/a><\/sup>.<\/p>\n<p><em><strong>FIGURA 3.<\/strong><\/em><sup><em><strong><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote23sym\"><sup>23<\/sup><\/a><\/strong><\/em><\/sup><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1188\" height=\"591\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG3-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG3-2.png 1188w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG3-2-300x149.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FIG3-2-768x382.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1188px) 100vw, 1188px\"><\/figure>\n<p>Desse modo, o Ir\u00e3 p\u00f4de recuperar o n\u00edvel de gera\u00e7\u00e3o de divisas anterior ao fim do PACG e, inclusive, expandir sua capacidade produtiva n\u00e3o s\u00f3 de petr\u00f3leo, mas tamb\u00e9m de eletricidade e g\u00e1s natural. Segundo relat\u00f3rio da <em>EIA (Energy Information Administration)<\/em>, entre 2019 e 2022, o Ir\u00e3 adquiriu uma s\u00e9rie de contratos para aumentar a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo bruto em mais de meio milh\u00e3o de barris por dia, e adquiriu mais contratos em 2024, para construir seis campos de petr\u00f3leo bruto ao longo da fronteira com o Iraque.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o \u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o entre Ir\u00e3 e o antagonista hegem\u00f4nico dos Estados Unidos n\u00e3o terminou na exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo bruto. Em 2021, os dois pa\u00edses (China e Ir\u00e3) firmaram um acordo estimado em US$ 400 bi envolvendo comercializa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo para a China e, inclusive, um suposto acordo de seguran\u00e7a entre os dois pa\u00edses<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote24sym\"><sup>24<\/sup><\/a><\/sup>. Ao longo da d\u00e9cada, a China (e a R\u00fassia) declararam apoio ao programa nuclear iraniano<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote25sym\"><sup>25<\/sup><\/a><\/sup>, mais recentemente, em meio ao conflito, declarando que as instala\u00e7\u00f5es nucleares iranianas t\u00eam fins pac\u00edficos.<\/p>\n<p>Um dos eventos, por\u00e9m, que acendeu o sinal de alerta ao <em>capital f\u00f3ssil<\/em> dos EUA foi a realiza\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios militares<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote26sym\"><sup>26<\/sup><\/a><\/sup> entre Ir\u00e3, R\u00fassia e China ao longo do Golfo de Om\u00e3, regi\u00e3o sem presen\u00e7a efetiva de bases militares estadunidenses, por\u00e9m muito pr\u00f3xima a sua zona de influ\u00eancia no Golfo P\u00e9rsico, desafiando sua <em>hegemonia<\/em> na regi\u00e3o. O ent\u00e3o chefe do Estado-Maior Conjunto, Mark Milley, disse que a China, a R\u00fassia e o Ir\u00e3 representariam um desafio para Washington \u201cdurante muitos anos\u201d<sup><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote27sym\"><sup>27<\/sup><\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Novamente pode-se observar, partindo da superf\u00edcie (guerra Israel x Ir\u00e3), o inevit\u00e1vel conflito hegem\u00f4nico pelo controle do <em>capital f\u00f3ssil<\/em> sem o qual nenhum <em>hegemon<\/em> pode se constituir enquanto tal no projeto de <em>acumula\u00e7\u00e3o<\/em> mundial. Os ataques desferidos contra o Ir\u00e3, outra vez, devem ser analisados com aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de anular e prescindir da an\u00e1lise das contradi\u00e7\u00f5es regionais entre as duas for\u00e7as que protagonizam o conflito, mas de o apreend\u00ea-lo de forma hist\u00f3rica e material, em sua totalidade, considerando as diferentes nuances que envolvem, ao mesmo tempo e em diferentes n\u00edveis, o mesmo fen\u00f4meno concreto estabelecido. Neste momento hist\u00f3rico delicado, com a hegemonia da acumula\u00e7\u00e3o estadunidense sendo desafiada depois de mais de um s\u00e9culo, o acirramento da (re)partilha do mundo salta aos olhos, e a no\u00e7\u00e3o do <em>que fazer<\/em> se dissipa no ar cada vez mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Se trata-se de um fen\u00f4meno do <em>imperialismo do excedente<\/em>, que se d\u00e1 em um mundo capitalista, como defendemos na introdu\u00e7\u00e3o, a sa\u00edda para a barb\u00e1rie est\u00e1 onde sempre esteve: na constru\u00e7\u00e3o de um mundo socialista. Mais do que nunca, segue atual\u00edssima a m\u00e1xima de Rosa Luxembrugo: Socialismo ou Barb\u00e1rie!<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ALVES, T. M. A g\u00eanese das hostilidades entre o Ir\u00e3 e os Estados Unidos. <strong>Malala, Revista Internacional de Estudos sobre o Oriente M\u00e9dio e Mundo Mu\u00e7ulmano<\/strong>, v. 8, n. 11, p. 143\u2013167, 23 dez. 2020.<\/p>\n<p>BAHGAT, G. Energy Security: The Caspian Sea. <strong>Minerals &amp; Energy \u2013 Raw Materials Report<\/strong>, 15 jun. 2005.<\/p>\n<p>BINA, C. Iran\u2019s Oil, the Theory of Rent, and the Long Shadow of History: A Caveat on Oil Contracts in the Islamic Republic. <strong>Revue internationale des \u00e9tudes du d\u00e9veloppement<\/strong>, n. 229, p. 63\u201390, 2017.<\/p>\n<p>EHSANI, K. Social and Urban Histories of Labor in the Iranian Oil Industry: A Theoretical Framework. [s.d.].<\/p>\n<p>FORAN, J. 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London: Verso, 2016.<\/p>\n<p>MCGLINCHEY, S. <strong>US Arms Policies Towards the Shah\u2019s Iran<\/strong>. Abingdon, Oxon New York: Routledge, 2014.<\/p>\n<p>MITCHELL, T. Carbon democracy. <strong>Economy and Society<\/strong>, v. 38, n. 3, p. 399\u2013432, 1 ago. 2009.<\/p>\n<p>NAKHAEI, N. State and Development in Post-Revolutionary Iran. dez. 2020.<\/p>\n<p>SANTO, M. M. DO E.; BALDASSO, T. O. A Revolu\u00e7\u00e3o Iraniana: Rupturas e Continuidades na Pol\u00edtica Externa do Ir\u00e3. <strong>Revista Perspectiva: reflex\u00f5es sobre a tem\u00e1tica internacional<\/strong>, v. 10, n. 18, 2017.<\/p>\n<p><strong>The Iranian Revolution (1977-1979)<\/strong>. <strong>ICNC<\/strong>, [s.d.]. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.nonviolent-conflict.org\/iranian-revolution-1977-1979\/\"><u>https:\/\/www.nonviolent-conflict.org\/iranian-revolution-1977-1979\/<\/u><\/a>&gt;. Acesso em: 13 jun. 2025<\/p>\n<p>VALLADARES, L. DE M. E S. Hegemonia do d\u00f3lar: uma jornada pelos ciclos de reciclagem de petrod\u00f3lares. 9 jan. 2024.<\/p>\n<p>VAROL, F. The Politics of the Ulama: Understanding the Influential Role of the Ulama in Iran. v. 13, n. 2, p. 129, 1 jul. 2016.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote1anc\">1<\/a> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2025\/06\/11\/eua-esvaziam-embaixadas-no-oriente-medio-diante-de-risco-de-israel-atacar-ira-diz-jornal.ghtml\"><u>EUA esvaziam embaixadas no Oriente M\u00e9dio diante de risco de Israel atacar Ir\u00e3, diz jornal | Mundo | G1<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote2anc\">2<\/a> <a href=\"https:\/\/apnews.com\/live\/israel-iran-attack\"><u>(5) Live updates: Israel strikes Iran\u2019s nuclear sites | AP News<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote3anc\">3<\/a> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2025\/04\/16\/trump-se-opoe-a-planos-de-israel-de-atacar-instalacoes-nucleares-do-ira-diz-jornal.ghtml\"><u>Trump se op\u00f5e a planos de Israel de atacar instala\u00e7\u00f5es nucleares do Ir\u00e3, diz jornal | Mundo | G1<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote4anc\">4<\/a> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2025\/04\/09\/trump-diz-que-israel-vai-liderar-ataque-contra-ira-caso-acordo-nuclear-nao-seja-fechado-fazemos-o-que-queremos-fazer.ghtml\"><u>Trump diz que Israel vai liderar ataque contra o Ir\u00e3 caso acordo nuclear n\u00e3o seja fechado: \u2018Fazemos o que queremos fazer\u2019 | Mundo | G1<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote5anc\">5<\/a> (REZEG, Ali Abo. Understanding Iran-Hamas Relations from a Defensive Neo-Realist Approach. The Journal of Iranian Studies. v. 4, n. 2, p. 390-393, jan. 2021, Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/348214987_Understanding_Iran-Hamas_Relations_from_a_Defensive_Neo-Realist_Approach\"><u>(PDF) Understanding Iran-Hamas Relations from a Defensive Neo-Realist Approach<\/u><\/a>. Acesso em: 12 jun. 2025)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote6anc\">6<\/a> <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2025\/6\/12\/mapping-us-troops-and-military-bases-in-the-middle-east\"><u>Mapping US troops and military bases in the Middle East | Military News | Al Jazeera<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote7anc\">7<\/a> <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/clje1p1p63wo\"><u>Crise de Petr\u00f3leo de 1973 | BBC NEWS<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote8anc\">8<\/a> <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/dh\/article-abstract\/36\/1\/185\/463951?redirectedFrom=fulltext\"><u>Making Use of the \u201cOil Weapon\u201d: Western Industrialized Countries and Arab Petropolitics<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote9anc\">9<\/a> <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/j.1467-9701.2005.00671.x\"><u>Impacts of US Trade and Financial Sanctions on Iran<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote10anc\">10<\/a> <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/10242694.2012.723160?scroll=top&amp;needAccess=true\"><u>Military spending and Economic Growth: The Case of Iran<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote11anc\">11<\/a> <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/10242694.2019.1622059\">Do Sanctions Constrain Military Spending <\/a><a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/10242694.2019.1622059\">of Iran<\/a><a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/10242694.2019.1622059\">?<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote12anc\">12<\/a> <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0176268009000159\"><u>Illegal Trade in The Iranian Economy<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote13anc\">13<\/a> <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/epdf\/10.1080\/03068374.2022.2029060?needAccess=true\"><u>China-Iran Relations Through the Prism of Sanctions<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote14anc\">14<\/a> <a href=\"https:\/\/exame.com\/economia\/paises-da-opep-decidem-aumentar-producao-de-petroleo-em-junho-diz-agencia\/\"><u>Pa\u00edses da OPEP decidem aumentar a produ\u00e7\u00e3o em junho<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote15anc\">15<\/a> <a href=\"https:\/\/www.semafor.com\/article\/06\/03\/2025\/cheap-oil-will-come-at-a-cost-for-the-us\"><u>Cheap Oil Will Come At a Cost for US<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote16anc\">16<\/a> <a href=\"https:\/\/www.investing.com\/commodities\/brent-oil-streaming-chart\"><u>Cota\u00e7\u00e3o dos Futuros de Petr\u00f3leo Brent<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote17anc\">17<\/a> <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/noticia\/2025\/06\/13\/trump-alerta-que-proximos-ataques-planejados-contra-o-ira-serao-ainda-mais-brutais.ghtml\"><u>Trump diz que foi avisado previamente sobre ataques contra o Ir\u00e3 e alerta que pr\u00f3ximos ser\u00e3o \u2018ainda mais brutais\u2019<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote18anc\">18<\/a> <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/efe\/2011\/12\/01\/senado-dos-eua-aprova-por-unanimidade-sancoes-contra-banco-central-iraniano.htm\"><u>Senado dos EUA aprova por unanimidade san\u00e7\u00f5es contra banco central iraniano \u2013 Not\u00edcias \u2013 UOL Not\u00edcias<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote19anc\">19<\/a> <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/ue-aprova-embargo-ao-petr%C3%B3leo-iraniano-devido-ao-programa-nuclear\/a-15685480\"><u>Embargo europeu \u2013 DW \u2013 23\/01\/2012<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote20anc\">20<\/a> <a href=\"https:\/\/trumpwhitehouse.archives.gov\/briefings-statements\/president-donald-j-trump-ending-united-states-participation-unacceptable-iran-deal\/\"><u>President Donald J. Trump is Ending United States Participation in an Unacceptable Iran Deal \u2013 The White House<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote21anc\">21<\/a> (Country Analysis Brief: Iran. 2024; p. 14. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.eia.gov\/international\/content\/analysis\/countries_long\/Iran\/pdf\/Iran%20CAB%202024.pdf\"><u>Country Analysis Brief: Iran<\/u><\/a>. Acessado em: 14 junho 25)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote22anc\">22<\/a> IBID, p. 12<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote23anc\">23<\/a> IBID, p. 8<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote24anc\">24<\/a> <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/china-assina-acordo-amplo-vai-investir-us-400-bilhoes-no-ira-em-troca-de-petroleo-24944465\"><u>China assina acordo amplo e vai investir US$ 400 bilh\u00f5es no Ir\u00e3 em troca de petr\u00f3leo \u2013 Jornal O Globo<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote25anc\">25<\/a> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2025\/03\/14\/china-e-russia-defendem-programa-nuclear-do-ira-apos-trump-pressionar-por-acordo.ghtml\"><u>China e R\u00fassia apoiam programa nuclear iraniano ap\u00f3s Trump pressionar por acordo; Ir\u00e3 \u2018nunca pode ter arma nuclear\u2019, diz G7 | Mundo | G1<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote26anc\">26<\/a> <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/03\/12\/russia-china-e-ira-realizam-exercicios-militares-conjuntos-no-golfo-de-oma\/\"><u>R\u00fassia, China e Ir\u00e3 realizam exerc\u00edcios militares conjuntos no Golfo de Om\u00e3 \u2013 Brasil de Fato<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/#sdfootnote27anc\">27<\/a> IBID.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, contribua com um PIX para <strong>outrosquinhentos@outraspalavras.net<\/strong> e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico.<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/ira-e-sua-dissidencia-fossil-ao-ocidente\/\">Ir\u00e3 e sua dissid\u00eancia f\u00f3ssil ao Ocidente<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mp-investiga-bolsonaro-por-associar-lula-a-regime-de-assad-na-siria\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Introdu\u00e7\u00e3o \u201c[Em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35062,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[8822,7508,292,1023,8650,5700,814,8823,238,8824,8825],"tags":[],"class_list":["post-35061","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ataque-dos-eua-ao-ira","category-bejamin-netanyahu","category-china","category-donald-trump","category-estreito-de-ormuz","category-geopolitica-guerra","category-israel-x-ira","category-oil-weapon","category-oriente-medio","category-programa-nuclear-iraniano","category-revolucao-iraniana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35061\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35062"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}