{"id":35257,"date":"2025-06-26T18:48:15","date_gmt":"2025-06-26T21:48:15","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/a-besta-nazista-foragida-em-atibaia\/"},"modified":"2025-06-26T18:48:15","modified_gmt":"2025-06-26T21:48:15","slug":"a-besta-nazista-foragida-em-atibaia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-besta-nazista-foragida-em-atibaia\/","title":{"rendered":"A \u201cbesta\u201d nazista foragida em Atibaia"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"997\" height=\"744\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-26-at-18-43-53-gustavpng-imagem-JPEG-1000-751-pixels.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-26-at-18-43-53-gustavpng-imagem-JPEG-1000-751-pixels.png 997w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-26-at-18-43-53-gustav.png-imagem-JPEG-1000-\u00d7-751-pixels-300x224.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Screenshot-2025-06-26-at-18-43-53-gustav.png-imagem-JPEG-1000-\u00d7-751-pixels-768x573.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 997px) 100vw, 997px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Foi no Brasil. No 3 de outubro de 1980. Na pequena Atibaia. Interior de S\u00e3o Paulo. Que adormeceu, <em>\u00e0 tout jamais<\/em>, o \u00faltimo fac\u00ednora de Sobibor. Gustav Franz Wagner (1911-1980). Por alcunha, \u201cbesta\u201d. Por verdade, \u201cdem\u00f4nio\u201d. \u201cBesta\u201d e \u201cdem\u00f4nio\u201d de Sobibor. Que, no Brasil, suicidou-se. E o fez pelo receio de ser assassinado. Pois um medo intenso que rondava o seu esp\u00edrito. Feito materializa\u00e7\u00e3o da lei do retorno. Trazendo de volta e contra ele todo o \u00f3dio que ele aplicara no exterm\u00ednio de judeus nos tempos do Reich.<\/p>\n<p>O mundo inteiro desejava-o vivo ou morto. Agora, 1978-1980, mais que nunca. Ele havia cometido crimes abomin\u00e1veis em favor de Hitler e do Reich. Infringindo todos os tratados, declara\u00e7\u00f5es e conven\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis \u2013 Declara\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Petersburgo de 1868, Conven\u00e7\u00f5es de Haia de 1889 e 1907, Declara\u00e7\u00e3o dos Aliados de 1915 referente aos \u201ccrimes contra a humanidade e civiliza\u00e7\u00e3o\u201d perpetrados contra os arm\u00eanios, Conven\u00e7\u00e3o de Genebra de 1929, Declara\u00e7\u00e3o da Pol\u00f4nia e da Tchecoslov\u00e1quia de 1940, Carta do Atl\u00e2ntico de 1941, Declara\u00e7\u00e3o de Moscou de 1943, assim como o esp\u00edrito da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas de 1945. Para, adiante, fugir dos aliados. Esconder-se em sua \u00c1ustria natal. Seguir para Roma. De Roma ao Vaticano. Indo \u00e0 Igreja e aos cat\u00f3licos. Localizando o bispo Alois Hudal (1885-1963), o \u201canjo da guarda\u201d dos nazistas em fuga. Que lhe faria chegar \u00e0 Am\u00e9rica do Sul. No Brasil. Em 1950. Para recome\u00e7ar a vida. Sem Hitler nem o Reich. E tamb\u00e9m sem Sobibor. Apenas com a mem\u00f3ria de tudo. Das vidas que se foram no inferno que ele promovera em Sobibor.<\/p>\n<p>Uma vez no Brasil, foi para S\u00e3o Paulo. E, em S\u00e3o Paulo, instalou-se em Atibaia. Onde contraiu matrim\u00f4nio. Fez fam\u00edlia. Criou filhos. Tornou-se trabalhador rural. Caseiro. Aprendeu portugu\u00eas. Interiorizou o <em>savoir vivre<\/em> \u00e0 brasileira. Cultivou amizades. Aderiu aos cigarros <em>fatto a mano<\/em>. Palheiros. Enveredou pelos jogos. Carteado. Virou \u201camigo\u201d dos amigos. Produziu redes de confian\u00e7a.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-3\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-3-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-3-5.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-3-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Aparentando-se sempre homem humilde, rural, do campo, campeiro. Sem passado. Nova persona. An\u00f4nimo nas montanhas ermas de Atibaia. Mesmo figurando nas principais listas de criminosos nazistas procurados desde o fim da guerra.<\/p>\n<p>Tudo ia bem. Simon Wiesenthal (1908-2005) e o Mossad pareciam terem se olvidado dele. At\u00e9 que Franz Stangl (1908-1971), no crep\u00fasculo da vida, em 1970, quebrou o sil\u00eancio e revelou o seu paradeiro. Em S\u00e3o Paulo, no Brasil. Que, em descoberto, concorreria para o desfecho do 3 de outubro de 1980. Com suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Mas o come\u00e7o de tudo foi Hitler.<\/p>\n<p>Hitler, <em>Mein Kampf<\/em>, ressentimentos, animosidades e desejos implac\u00e1veis de vingan\u00e7a. Que desembocaram em mart\u00edrios. A supera\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica de Weimar. A ascens\u00e3o dos nazistas ao poder em 1933. O desmantelamento do esp\u00edrito de 1918. A mobiliza\u00e7\u00e3o de toda a sociedade alem\u00e3 \u2013 popula\u00e7\u00e3o, economia e Estado \u2013 para batalhas existenciais e guerras finais. A imposi\u00e7\u00e3o do sentimento de fins de tempos e fins do mundo. Tudo em favor do Reich e para o bem do imp\u00e9rio. Destruindo o que restava das t\u00f3picas liberais do presidente Wilson. Abdicando das institui\u00e7\u00f5es e dos arranjos sa\u00eddos de Versalhes. Saindo, assim, subitamente, da Sociedade de Na\u00e7\u00f5es. Projetando a Fran\u00e7a e os franceses como inimigos magn\u00e2nimos. Afirmando a anexa\u00e7\u00e3o da \u00c1ustria como desejo ancestral.<\/p>\n<p>Impondo germaniza\u00e7\u00f5es implac\u00e1veis em todas as partes. Especialmente \u00e0 Leste. Inicialmente na Pol\u00f4nia. Avan\u00e7ando-se, tamb\u00e9m, como alternativa ao Mundo Livre. Contaminando r\u00e1pido a It\u00e1lia e a Espanha. Alcan\u00e7ado o Jap\u00e3o. E, logo, estabelecendo parcerias em todas as partes do mundo.<\/p>\n<p>Por esses ideais, Gustav Franz Wagner \u2013 nascido em Viena, em 1911 \u2013 ingressou no partido em 1931. Ascendeu \u00e0 SS em 1933. Viu de dentro e de perto toda a progress\u00e3o do Reich. Fundiu-se a ele em 1940, quando foi tornado assistente Franz Stangl no exterm\u00ednio calculado de judeus, mediante banhos de g\u00e1s. Tornando-se um dos maiores especialistas no of\u00edcio. Merecendo, assim, a alcunha de \u201cbesta\u201d.<\/p>\n<p>Franz Stangl, seu mentor, era o homem de confian\u00e7a do Reich para a constru\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o racial do imp\u00e9rio alem\u00e3o. Aquele da superioridade germ\u00e2nica <em>vis-\u00e0-vis<\/em> do exterm\u00ednio e limpeza \u00e9tnica de \u201cindesejados\u201d. Judeus \u00e0 frente. Deficientes f\u00edsicos e mentais adiante. E, nessa condi\u00e7\u00e3o, foi o diretor do sinistro Castelo de Hartheim, na \u00c1ustria, onde iniciou Wagner. Que, sem tardar, tornou-se <em>expert<\/em> em matar r\u00e1pido, sem remorso, contri\u00e7\u00e3o, penit\u00eancia nem perd\u00e3o. Ampliando o prest\u00edgio do empreendimento nazista e o seu pr\u00f3prio. Sendo admirado e respeitado pelo seu instrutor, Stangl; mas, tamb\u00e9m e sobretudo, nos altos c\u00edrculos do Reich em Berlim. Que eram atualizados diuturnamente dos feitos de Hartheim. Regozijando-se pela efici\u00eancia, pela performance e pelo volume do exterm\u00ednio de \u201cindesejados\u201d. Que de maio de 1940 a agosto de 1941 ultrapassariam os 18 mil judeus e deficientes f\u00edsicos e mentais assassinados. Tendo entre as v\u00edtimas a bisneta do imperador Pedro II do Brasil, a princesa brasileira Maria Carolina de Saxe-Coburgo Braga.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Com o rompimento do pacto germano-sovi\u00e9tico em 1941, o avan\u00e7o do Reich para Leste amplificou a escala de brutaliza\u00e7\u00f5es. Especialmente pela modifica\u00e7\u00e3o do <em>modus operandi<\/em> dos exterm\u00ednios. Que teve os corriqueiros fuzilamentos profissionalizados com batalh\u00f5es que interceptavam, reuniam e fuzilavam judeus em n\u00fameros impressionantes. Quinhentos, seiscentos, mil, tr\u00eas mil, cinco mil, 23 mil e seiscentos por vez. O que, ap\u00f3s an\u00e1lise, revelou-se custoso e danoso. Custoso pela log\u00edstica. Que envolvia extenso quantitativo de muni\u00e7\u00e3o empregada. Danoso pela brutalidade da atrocidade. Que impingia desvios significativos na sa\u00fade mental dos verdugos.<\/p>\n<p>Ciente disso, Himmler rogou ao F\u00fchrer alternativa mais perspicaz e \u201chumanit\u00e1ria\u201d. Pois, em contr\u00e1rio, a \u201cpobre soldadesca nazista\u201d poderia perder o seu vigor. O que sensibilizou Hitler. Que solicitou a Reinhard Heydrich (1904-1942) \u2013 alto oficial do Reich \u2013 uma solu\u00e7\u00e3o. Que desembocou no Programa Reinhard. Imediatamente renomeado \u201cSolu\u00e7\u00e3o Final\u201d. Com a passagem do exterm\u00ednio por fuzilamento para o uso massivo de g\u00e1s em campos de concentra\u00e7\u00e3o. [Veja-se <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/articulistas\/daniel-afonso-da-silva\/em-uma-palavra-bandidos-em-muitas-demonios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Em uma palavra: bandidos. Em muitas: dem\u00f4nios<\/em><\/a>, gentilmente publicado no Jornal da USP].<\/p>\n<p>Nessa mudan\u00e7a de <em>approach,<\/em> Franz Stangl, por sua <em>expertise<\/em>, foi mobilizado para construir os campos de concentra\u00e7\u00e3o de Belzec, Treblinka e Sobibor. Todos no interior da Pol\u00f4nia. Todos \u00e0 Leste de Vars\u00f3via. De onde a maior parte dos judeus e \u201cindesejados\u201d era despachada em trens da morte para jamais voltar.<\/p>\n<p>Feito Sobibor, em in\u00edcios de 1942, Franz Stangl seguiu para construir Treblinka, deixando Gustav Franz Wagner como plenipotenci\u00e1rio.<\/p>\n<p>Uma escolha previs\u00edvel. Wagner era o sucessor natural de Stangl. Mas, uma vez no comando, superou-o. Tornando-se mais s\u00e1dico, mais violento e mais temido. Adicionando terror e desespero ao cotidiano de Sobibor. Que ceifaria a vida de mais de 250 mil pessoas nos seus 18 meses de exist\u00eancia. E extinguir-se-ia por descuido. Quando das f\u00e9rias de Wagner em 1943.<\/p>\n<p>Foi complexo.<\/p>\n<p>A \u201cbesta\u201d saiu em f\u00e9rias e os internos promoveram uma extensa insurrei\u00e7\u00e3o. Emboscando guardas. Assassinando-os. E fugindo. Pondo fim a Sobibor. (Sendo ainda hoje muito \u00fatil a leitura das mem\u00f3rias de Stanislaw Szmajzner, <em>Inferno em Sobibor<\/em>, que foi o primeiro relato sobre a insurrei\u00e7\u00e3o de Sobibor e sobre mart\u00edrios impetrados por Wagner.)<\/p>\n<p>Mas nada estava garantido mesmo assim. O ano era 1943. A ofensiva sovi\u00e9tica era importante. O desembarque aliado na \u00c1frica e no Mediterr\u00e2neo tinha sido determinante. Mas a Wehrmacht resistia em todas as frentes. Impondo aos sobreviventes de Sobibor tornarem-se recrutas das for\u00e7as sovi\u00e9ticas, norte-americanas ou brit\u00e2nicas para seguir-se o combate. Que seguiria implac\u00e1vel at\u00e9 1945. Ap\u00f3s imponentes batalhas. De Moscou a Berlim, da Normandia a Berlim, da Vars\u00f3via eterna a Berlim. (Jamais vai demais ressaltar a bravura das for\u00e7as polonesas de resist\u00eancia lideradas pelo general Sikorski, que trocaram a Pol\u00f4nia pela Fran\u00e7a em 1939 e a Fran\u00e7a pela Inglaterra em 1940 para seguir combatendo o nazismo at\u00e9 o fim.)<\/p>\n<p>Vencendo-se Berlim, Hitler e o Reich, imp\u00f4s-se julg\u00e1-los. Mas para tanto era preciso, antes, interceptar os respons\u00e1veis. Que muitos fugiram. Outros morreram. Alguns seguiram an\u00f4nimos. Sendo o caso dos fac\u00ednoras de Sobibor.<\/p>\n<p>Franz Stangl caiu preso dos norte-americanos em 1945. Entregando-se como soldado raso. Inofensivo. Cumpridor de ordens do Reich. Levando os aliados a ignor\u00e1-lo, a ponto de ele fugir dois anos depois. Reconquistar a sua \u00c1ustria natal, onde ele nascera em Altm\u00fcnster, em 1908. Asilar-se em Graz e aconselhar-se na Igreja Cat\u00f3lica local. Onde reencontrou Gustav Franz Wagner. Com quem seguiu em seguran\u00e7a para Roma. Onde teve com o bispo Alois Hudal. Que facilitaria a fuga dos dois para o Brasil. Wagner em 1950. E ele, apenas em 1951, ap\u00f3s passar pela S\u00edria, em Damasco, para recuperar a sua fam\u00edlia \u2013 mulher e filhos.<\/p>\n<p>No Brasil e em S\u00e3o Paulo, eles dois seguiram nazistas e nost\u00e1lgicos de Hitler e do Reich. Encontravam-se com frequ\u00eancia. Falavam alem\u00e3o. Mantinham contatos com os alem\u00e3es. Promoviam festas alem\u00e3s. Cultivavam a culin\u00e1ria alem\u00e3. Celebravam \u2013 em todo 20 de abril \u2013 o anivers\u00e1rio do F\u00fchrer. E acompanhavam a situa\u00e7\u00e3o europeia e alem\u00e3. Wagner instalado em Atibaia. Stangl morando em S\u00e3o Paulo e trabalhando na Volkswagen, em S\u00e3o Bernardo do Campo. Tudo tranquilo e bem at\u00e9 a captura de Adolf Eichmann, em Buenos Aires, em 1960.<\/p>\n<p>A espetaculariza\u00e7\u00e3o desse feito e, em seguida, a ostenta\u00e7\u00e3o do julgamento em Jerusal\u00e9m causaram apreens\u00e3o em todos os nazistas em fuga em todas as partes e notavelmente na Am\u00e9rica do Sul. Klaus Barbie (1913-1991) \u2013 o a\u00e7ougueiro de Lyon \u2013 estava na Bol\u00edvia. Josef Mengele (1911-1979), transitando pela Am\u00e9rica do Sul. Wagner e Stangl, em S\u00e3o Paulo. Mas, para todos os fins, mantiveram-se todos calmos. At\u00e9 que imponder\u00e1veis come\u00e7aram a modificar o lado da sorte.<\/p>\n<p>Era um dia corriqueiro de trabalhos triviais no Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Judaica em Viena. 22 de fevereiro de 1964. Quando um visitante, aturdido e apressado, irrompeu no ambiente em busca de Simon Wiesenthal informando portar informa\u00e7\u00e3o de valor. Wiesenthal recebeu-o. A conversa\u00e7\u00e3o foi curta, direta e franca. O cidad\u00e3o \u2013 que n\u00e3o se identificou nominalmente \u2013 dizia saber do paradeiro de Stangl; e que estaria disposto a revelar por US$ 7 mil. Wiesenthal anuiu. Mas comprometeu-se a saldar o montante apenas ap\u00f3s averiguar a veracidade e a consist\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O visitante, de sua parte, tamb\u00e9m anuiu. Fazendo-se, assim, um trato sem garantias de parte a parte. Apenas com a indica\u00e7\u00e3o dos endere\u00e7os de Stangl. Todos no Brasil. Um em S\u00e3o Paulo e outro em S\u00e3o Bernardo do Campo.<\/p>\n<p>Wiesenthal mandou averiguar. Mobilizou os seus informantes no pa\u00eds. Uns em S\u00e3o Paulo. Outros no Rio. Alguns em Bras\u00edlia. Todos profissionais e discretos. Que, sem dificuldades, atestaram que sim: era ele mesmo. Stangl. Que vivia tranquilamente com sua mulher e filhos numa confort\u00e1vel resid\u00eancia num bairro nobre da capital paulista.<\/p>\n<p>Ciente da situa\u00e7\u00e3o e ciente que n\u00e3o seria simples, Wiesenthal iniciou manobras para lev\u00e1-lo a julgamento na Europa.<\/p>\n<p>O Brasil estava conflagrado. Os militares vinham de tomar o poder. Certa euforia tomava conta das principais capitais. Persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas e f\u00edsicas multiplicavam-se por todas as partes. Deixando apreensivas as comunidades de estrangeiros. Sobretudo as alem\u00e3s e alem\u00e3s nost\u00e1lgicas do Reich. Que seguiam at\u00f4nicas com o andamento dos fatos. Sendo contr\u00e1rias ao modelo cubano e ao modelo norte-americano. Levando Wiesenthal a redobrar a prud\u00eancia. Esperando em sil\u00eancio a composi\u00e7\u00e3o de alguma estabilidade no Brasil. Sobretudo no campo jur\u00eddico.<\/p>\n<p>Essencialmente no plano burocr\u00e1tico. Com a designa\u00e7\u00e3o de novas autoridades. Ju\u00edzes, promotores, delegados, investigadores. Para se sondar a melhor forma de interditar Stangl.<\/p>\n<p>Outro movimento imprevisto ocorreu em Berlim naquele mesmo ano de 1964. No m\u00eas de outubro. Quando \u2013 na senda do processo de Eichmann, em Jerusal\u00e9m \u2013 teve in\u00edcio o julgamento de dez ex-SS acusados de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade. Frente a isso, Wiesenthal deslocou a sua aten\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo para Berlim. Onde percebeu, de sa\u00edda, que Stangl n\u00e3o constava de nenhum dos processos. Evidenciando que a sua participa\u00e7\u00e3o na guerra era ignorada. O que para Wiesenthal beirava a ignom\u00ednia.<\/p>\n<p>Diante disso, Wiesenthal voltou aos arquivos e come\u00e7ou a produzir um dossi\u00ea detalhado sobre a atua\u00e7\u00e3o de Stangl pelo Reich. T\u00e3o logo constitu\u00eddo, esse dossi\u00ea seria decisivo na sensibiliza\u00e7\u00e3o das autoridades brasileiras. Que tomariam conhecimento do assunto entre 1967 e encarregariam o delegado Romeu Tuma (1931-2010) de investigar, prender e proceder os encaminhamentos para a extradi\u00e7\u00e3o de Stangl.<\/p>\n<p>Conduzido para julgamento em D\u00fcsseldorf, Stangl manteve a altivez de um alto funcion\u00e1rio do Reich e seguiu o exemplo de Eichmann ao afirmar-se um \u201csimples cumpridor de ordens\u201d. Foi assim pelos mais de dois anos de julgamento. Que terminou no dia 22 de dezembro de 1970. Com o veredito indicando a sua pris\u00e3o perp\u00e9tua pelo assassinato de pelo menos 900 mil pessoas em campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas.<\/p>\n<p>Tudo parecia encerrado. Wiesenthal \u2013 que esteve na audi\u00eancia final em D\u00fcsseldorf \u2013 respirava aliviado. Vestido da sensa\u00e7\u00e3o de miss\u00e3o cumprida. Mais um criminoso nazista na cadeia.<\/p>\n<p>Mas novos imponder\u00e1veis voltaram a emergir.<\/p>\n<p>Quatro meses ap\u00f3s o fechamento do caso Stangel, Stangl aceitou conceder entrevista a Ghita Sireni (1921-2012) \u2013 austr\u00edaca, intelectual, historiadora e jornalista em busca das raz\u00f5es das barbaridades do Reich. Nessa conversa, Stangl recontou a sua vida promovendo acerto de contas consigo mesmo. Lembrando do passado, de Hitler, do Reich, dos amigos, da causa. Mas tamb\u00e9m ressentindo de sua fam\u00edlia fixada no Brasil. J\u00e1 era do conhecimento de todos que o delator de seu paradeiro em S\u00e3o Paulo fora um antigo genro seu. Um rapaz de meia idade que, ap\u00f3s divorciar-se litigiosamente de uma de suas filhas, cego de raiva e rancor, fora bater \u00e0s portas de Wiesenthal. Sabia-se tamb\u00e9m que sua mulher e filhas eram perseguidas em todas as partes. Mesmo sob o amparo das comunidades alem\u00e3s em S\u00e3o Paulo. Stangl sentia-se impotente. Arruinado. Exangue. Perto do fim da partida. O que o levou \u2013 por lapso ou por raz\u00e3o \u2013 a mencionar que o seu disc\u00edpulo, Gustav Franz Wagner, estava vivo e bem vivo. Vivendo confortavelmente no Brasil.<\/p>\n<p>Essa informa\u00e7\u00e3o tornou-se logo p\u00fablica. Estarrecendo o mundo inteiro. Trazendo ao Brasil e a S\u00e3o Paulo a imagem de ref\u00fagio de nazistas. Colocando Wiesenthal na senda de Wagner. Voltando, assim, novamente, a focar no Brasil. Novamente em S\u00e3o Paulo. Mas, agora, sem endere\u00e7o nem pistas precisas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s muito investigar, foi encontrada uma c\u00f3pia do passaporte que Wagner utilizara ao ingressar no Brasil em 1950 e nela figurava um endere\u00e7o. Que, por claro, n\u00e3o servia mais.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es se sucediam.<\/p>\n<p>O tempo ia passando e o des\u00e2nimo, chegando.<\/p>\n<p>Passou-se, assim, a suspeitar que Wagner estivesse em fuga. Em outra cidade ou pa\u00eds. Quem sabe, at\u00e9 morto.<\/p>\n<p>O que levou Wiesenthal a reduzir as esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>At\u00e9 que a sorte bateu novamente \u00e0s portas da justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Era mais um dia corriqueiro de trabalhos triviais na reda\u00e7\u00e3o do <em>Jornal do Brasil<\/em>, no Rio de Janeiro, quando chegou um material \u2013 a ser publicado como classificado; portanto, mat\u00e9ria patrocinada \u2013 contendo um convite para a celebra\u00e7\u00e3o do nonag\u00e9simo anivers\u00e1rio de Hitler num hotel em Itatiaia. Poderia ser broma, goza\u00e7\u00e3o ou similar. Mas poderia n\u00e3o ser. Por via das d\u00favidas, o respons\u00e1vel do setor no jornal despachou a jornalista Cyntia Brito para averiguar. E ela foi e encontrou o local. Itatiaia, interior do Rio de Janeiro, Hotel Till. Um local tipicamente alem\u00e3o. Onde, sim, convivas alem\u00e3es nost\u00e1lgicos do nazismo festejavam.<\/p>\n<p>Era inveross\u00edmil e inimagin\u00e1vel. Mas era real.<\/p>\n<p>Para atestar, Cyntia Brito registrou v\u00e1rias fotos \u2013 de ambientes decorados com su\u00e1sticas e de pessoas trajadas em alem\u00e3es de antanho homenageando o Reich \u2013, produziu um relato e encaminhou para o jornal.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo publicado, sob a <em>headline<\/em> de <em>Nazismo como nos velhos tempos<\/em>, a mat\u00e9ria escandalizou o mundo inteiro. Levando Wiesenthal, em pessoa, a ligar para a reda\u00e7\u00e3o do <em>Jornal do Brasil<\/em> solicitando mais informa\u00e7\u00f5es e a integralidade das fotos. Que foram, urgentemente, encaminhadas para Viena. Onde Wiesenthal observou, cotejou e se frustrou. Wagner n\u00e3o constava em nenhuma delas. Os convivas alem\u00e3es de Itatiaia eram aparentemente gente do comum. Simpl\u00f3rios nost\u00e1lgicos do Reich. An\u00f4nimos. Sem maiores implica\u00e7\u00f5es. Mas significativos da presen\u00e7a fervorosa de nazistas no Brasil.<\/p>\n<p>O foco de Wiesenthal era Wagner. Wagner n\u00e3o esteve em Itatiaia. Mas Wiesenthal pressentiu que ele estava, sim, vivo e, sim, no Brasil. Sendo, assim, importante avivar-se as investiga\u00e7\u00f5es sobre o seu paradeiro.<\/p>\n<p>Nesse sentido, entre as fotos de Itatiaia, ele apanhou uma cujo fotografado mais se assemelhava a Wagner, inscreveu o n\u00famero da matr\u00edcula da SS de Wagner no verso, comp\u00f4s um relato de seus crimes em Sobibor, mandou traduzir para o portugu\u00eas e enviou para publicar no <em>Jornal do Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>Ainda era o m\u00eas de abril e ainda do ano de 1978.<\/p>\n<p>O estarrecimento geral continuou. O propriet\u00e1rio do hotel de Itatiaia foi hostilizado e o alem\u00e3o indicado como Wagner, assassinado. O clima ficou pesado para alem\u00e3es e para alem\u00e3es nazistas no Brasil. Levando o leg\u00edtimo Gustav Franz Wagner a aparecer e apresentar-se.<\/p>\n<p>Foi em fins de maio. Ainda em 1978. Numa delegacia de Atibaia. Foi l\u00e1 que a \u201cbesta de Sobibor\u201d apareceu e se apresentou. E o fez para dizer que era, sim, Gustav Franz Wagner, mas, em contr\u00e1rio, que n\u00e3o tinha nada que ver com o relato de Wiesenthal no <em>Jornal do Brasil<\/em>. Tanto que, seguia ele, a foto estampada no jornal era de outra pessoa, n\u00e3o ele. Promovendo-se, assim, seguia ele, uma exposi\u00e7\u00e3o indevida de seu nome. Colocando-o em perigo.<\/p>\n<p>Ele queria, assim, prote\u00e7\u00e3o. Acreditava-se perseguido.<\/p>\n<p>Mas o delegado decidiu encaminh\u00e1-lo ao 3\u00ba Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia de Choque, da Pol\u00edcia Militar do Estado de S\u00e3o Paulo, na cidade de S\u00e3o Paulo, para procedimentos mais definitivos. Que, de s\u00fabito, tornaram-se nacionais e mundiais.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo noticiada a sua apari\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a, rumores emergiram de todas as partes indicando ser ele, ele mesmo. Nesse \u00ednterim, apareceu um sobrevivente de Sobibor. Stanislaw Szmajzner (1927-1989). Para dizer que sim: ele, Wagner, era ele mesmo: Gustav Franz Wagner.<\/p>\n<p>Stanislaw Szmajzner era um judeu que fora levado para Sobibor em 1942. Onde perdeu sua fam\u00edlia, pais e irm\u00e3os, exterminados pelas m\u00e3os de Wagner. Tendo sido poupado devido a sua qualidade de ourives, of\u00edcio muito \u00fatil ao Reich. E, em seguida, pela sua participa\u00e7\u00e3o na insurrei\u00e7\u00e3o de 1943. Finda a guerra, ele migrou para o Brasil em 1947. Veio para o Rio de Janeiro. Contraiu matrim\u00f4nio. Fez fam\u00edlia. Teve filhos. Separou-se. Foi para Goi\u00e2nia. Onde esperava terminar seus dias feliz. At\u00e9 que soube da pris\u00e3o de Stangl em S\u00e3o Paulo em 1967 e, agora, da apari\u00e7\u00e3o de Wagner em 1978.<\/p>\n<p>Sim: Wagner era Wagner.<\/p>\n<p>Atestou Stanislaw e atestaram tantos outros.<\/p>\n<p>O mundo inteiro, agora, sabia quem era a \u201cbesta\u201d e onde era o seu paradeiro. Wiesenthal, nisso, encaminhou dossi\u00eas alentados sobre os seus crimes para os grandes jornais do mundo inteiro.<\/p>\n<p>Nesses termos, \u00c1ustria, Pol\u00f4nia, Israel e Alemanha solicitaram a sua imediata extradi\u00e7\u00e3o. Mas ele foi levado preso de S\u00e3o Paulo para Bras\u00edlia, onde seria julgado e absolvido pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, que considerou seus crimes todos prescritos.<\/p>\n<p>Mas de que adiantava a liberdade com tanta gente querendo a sua morte?<\/p>\n<p>O saudoso Carlos Heitor Cony (1926-2018), pela <em>Manchete,<\/em> foi \u00e0 pris\u00e3o de Bras\u00edlia perguntar isso ao Wagner. Wagner hesitou em responder. Seguindo, assim, no dilema.<\/p>\n<p>Um dilema que o consumiu pelos seus \u00faltimos meses de vida. Levando-o a alucina\u00e7\u00f5es, manias de persegui\u00e7\u00e3o e instabilidades mentais e emocionais permanentes. Que, ao cabo, impuseram-no a decis\u00e3o de suicidar-se. Um suic\u00eddio tentado v\u00e1rias vezes. Tendo \u00eaxito em Atibaia, naquele 3 de outubro de 1980.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura! Foi no Brasil. No 3 de outubro de 1980. Na pequena Atibaia. Interior de S\u00e3o Paulo. 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