{"id":35263,"date":"2025-06-26T19:07:06","date_gmt":"2025-06-26T22:07:06","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/agricultura-familiar-via-para-superar-a-policrise\/"},"modified":"2025-06-26T19:07:06","modified_gmt":"2025-06-26T22:07:06","slug":"agricultura-familiar-via-para-superar-a-policrise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/agricultura-familiar-via-para-superar-a-policrise\/","title":{"rendered":"Agricultura familiar, via para superar a policrise?"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"980\" height=\"653\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/5109547314892090680.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/5109547314892090680.jpg 980w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/5109547314892090680-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/5109547314892090680-768x512.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/5109547314892090680-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 980px) 100vw, 980px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Em um per\u00edodo hist\u00f3rico marcado pelo industrialismo e pelos protocolos burocratizados de organiza\u00e7\u00e3o dos processos produtivos, n\u00e3o resta d\u00favida quanto \u00e0 import\u00e2ncia da celebra\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.fao.org\/brasil\/noticias\/detail-events\/en\/c\/1103086\/\">D\u00e9cada<\/a> da Agricultura Familiar, estabelecida pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, no per\u00edodo de 2019 a 2028. Ao jogar luzes sobre esta que corresponde \u00e0 mais numerosa categoria profissional do planeta, a iniciativa da ONU contribui para posicionar a agricultura familiar como ator relevante na agenda pol\u00edtica internacional. Chama a aten\u00e7\u00e3o, em particular, para qualidades intr\u00ednsecas ao seu modo de produ\u00e7\u00e3o e a seu modo de vida que devem ser valorizadas e desenvolvidas como condi\u00e7\u00e3o incontorn\u00e1vel para o equacionamento de cr\u00edticos dilemas que confrontam as sociedades contempor\u00e2neas ao cen\u00e1rio de colapso socioecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A conjuga\u00e7\u00e3o desses dilemas foi definida pelo fil\u00f3sofo franc\u00eas Edgar Morin como uma \u201cpolicrise\u201d: m\u00faltiplas crises interconectadas, que se amplificam umas \u00e0s outras, tornando imposs\u00edvel o acionamento de solu\u00e7\u00f5es efetivas para uma crise singular de forma desvinculada das solu\u00e7\u00f5es para as demais. Desgra\u00e7adamente, as propostas de solu\u00e7\u00e3o que v\u00eam merecendo maior aten\u00e7\u00e3o e apoio p\u00fablico at\u00e9 o momento caracterizam-se exatamente pelo enfoque fragment\u00e1rio e setorial adotado. Por essa raz\u00e3o, fazem parte do rol do que se convencionou denominar de \u201cfalsas solu\u00e7\u00f5es\u201d. Falsas, porque n\u00e3o entregam as efetivas respostas aos problemas a que se dirigem. Tamb\u00e9m porque, ao serem implementadas, acabam por acentuar outras crises. A instala\u00e7\u00e3o de grandes parques para capta\u00e7\u00e3o de energia solar ou e\u00f3lica em territ\u00f3rios ocupados por comunidades da agricultura familiar \u00e9 um exemplo paradigm\u00e1tico dos efeitos contradit\u00f3rios gerados pelas falsas solu\u00e7\u00f5es. Em nome de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em dire\u00e7\u00e3o a uma matriz baseada em \u201cenergias limpas\u201d, bloqueiam-se caminhos promissores para a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica justa (que, necessariamente, deve contemplar a dimens\u00e3o energ\u00e9tica).<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico da policrise indica que as solu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o alcance dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), ou para a supera\u00e7\u00e3o dos desafios contemplados nas tr\u00eas conven\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas surgidas em 1992, no Rio de Janeiro (mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, biodiversidade e desertifica\u00e7\u00e3o), n\u00e3o vir\u00e3o de iniciativas setoriais orientadas por m\u00e9tricas reducionistas. Para que sejam efetivas, as solu\u00e7\u00f5es devem concatenar respostas \u00e0s variadas dimens\u00f5es (ou sintomas) da policrise. Isso significa que somente enfrentando a raiz comum das crises interconectadas ser\u00e1 poss\u00edvel interromper os ciclos viciosos que as realimentam, abrindo espa\u00e7o para o desenvolvimento de c\u00edrculos virtuosos que apontam para a supera\u00e7\u00e3o estrutural das mesmas. Alterar os padr\u00f5es econ\u00f4micos que organizam as formas como as sociedades modernas se apropriam dos bens e servi\u00e7os da natureza e a ela devolvem seus res\u00edduos \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o incontorn\u00e1vel para o enfrentamento da policrise em sua raiz.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-4\"><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-4-5.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/MATERIA-4-5.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-4-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p><a><\/a> \u00c9 exatamente por possibilitar a mudan\u00e7a em larga escala nesses padr\u00f5es econ\u00f4micos que atribu\u00edmos papel decisivo \u00e0 agricultura familiar no equacionamento da policrise. Para justificar essa afirma\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante divisar precisamente o que entendemos por \u201cagricultura familiar\u201d. N\u00e3o se trata de um preciosismo conceitual desprovido de consequ\u00eancias. O conceito delimita realidades muito contrastantes no que se refere \u00e0s formas de relacionamento da agricultura com a natureza e com a sociedade. N\u00e3o porque corresponda a uma agricultura praticada em pequenas extens\u00f5es. As grandes virtudes da agricultura familiar para as sociedades contempor\u00e2neas n\u00e3o v\u00eam do fato de que seja realizada em pequenas escalas. V\u00eam exatamente do fato de que ela \u00e9 \u2026 familiar. A for\u00e7a de trabalho que aciona os meios de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 proporcionada pelas fam\u00edlias gestoras desses meios de produ\u00e7\u00e3o. Estas, por sua vez, dependem dos frutos gerados pelo seu pr\u00f3prio trabalho para se reproduzirem a curto, m\u00e9dio e longo prazos. Em s\u00edntese, o que define agricultura familiar \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o social do trabalho e n\u00e3o o tamanho da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Agricultura familiar \u00e9, portanto, uma forma espec\u00edfica de praticar a agricultura. Suas virtudes a serem reconhecidas e desenvolvidas encontram-se exatamente nessa forma peculiar de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho (seu modo de produ\u00e7\u00e3o), que correspondente a um igualmente peculiar processo econ\u00f4mico (seu modo de vida). No plano microecon\u00f4mico, o trabalho na agricultura familiar est\u00e1 estruturado para manejar um leque diversificado de produ\u00e7\u00f5es integradas entre si, conformando complexas teias econ\u00f4mico-ecol\u00f3gicas na escala da paisagem por meio do uso m\u00faltiplo do territ\u00f3rio. A manuten\u00e7\u00e3o de sistemas produtivos biodiversos e o manejo da biomassa s\u00e3o determinantes para fechar ciclos ecol\u00f3gicos alimentados pela energia solar captada pela fotoss\u00edntese.<\/p>\n<p>Trata-se de uma economia de diversidade (ou de escopo) e n\u00e3o de uma economia de escala, pr\u00f3pria dos processos industriais. V\u00e1rias produ\u00e7\u00f5es geradas na mesma unidade produtiva otimizam o uso de recursos end\u00f3genos e reduzem, ou mesmo eliminam, a depend\u00eancia estrutural em rela\u00e7\u00e3o aos insumos agroqu\u00edmicos altamente intensivos em energia (al\u00e9m de t\u00f3xicos para a sa\u00fade humana e ambiental). Nesse sentido, \u00e9 uma economia altamente eficiente do ponto de vista da convers\u00e3o energ\u00e9tica. Se, de fato, queremos promover uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, evitando emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, \u00e9 necess\u00e1rio levar muito mais a s\u00e9rio a agricultura familiar como eficiente conversora de energia nos processos de produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>Mas esse tipo de economia agr\u00edcola s\u00f3 ter\u00e1 chance de se multiplicar e se consolidar em n\u00edvel micro se estiver integrada no n\u00edvel meso em sistemas territorializados de distribui\u00e7\u00e3o e abastecimento alimentar que valorizem economicamente a produ\u00e7\u00e3o diversificada e culturalmente adaptada que lhe \u00e9 pr\u00f3pria. Sistemas territorializados de distribui\u00e7\u00e3o e abastecimento aproximam a produ\u00e7\u00e3o ao consumo em um duplo sentido: a) o f\u00edsico, permitindo a redu\u00e7\u00e3o substancial do consumo energ\u00e9tico com processamento, embalagem, refrigera\u00e7\u00e3o e transporte da produ\u00e7\u00e3o; b) o social, reduzindo a cadeia de intermedia\u00e7\u00e3o que drena o valor produzido para fora do territ\u00f3rio, em detrimento da remunera\u00e7\u00e3o do trabalho da agricultura familiar. Portanto, a efetividade da agricultura familiar como portadora de respostas \u00e0 policrise depende de seu acoplamento estrutural a sistemas agroalimentares territorializados. Isso significa que suas potencialidades n\u00e3o poder\u00e3o ser desenvolvidas com o direcionamento de investimentos p\u00fablicos exclusivamente para as suas unidades de produ\u00e7\u00e3o. O foco dos investimentos deve abranger o conjunto do sistema agroalimentar, contemplando todos os elos que encadeiam a produ\u00e7\u00e3o ao consumo.<\/p>\n<p>Fortalecer a economia da agricultura familiar implica tamb\u00e9m a amplia\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o agr\u00e1rio ocupado por ela. Esse \u00e9 o sentido contempor\u00e2neo da quest\u00e3o agr\u00e1ria e esse deve ser o objetivo primordial da reforma agr\u00e1ria. Em termos econ\u00f4micos, trata-se de \u201cdar escala a economias de escopo\u201d. Por outro lado, para conter o aprofundamento das crises, \u00e9 necess\u00e1rio restringir as economias de escala e seus impulsos expansionistas sobre os espa\u00e7os agr\u00e1rios. Na pr\u00e1tica, esses impulsos se materializam na grilagem de terras, com a expropria\u00e7\u00e3o de direitos territoriais de povos ind\u00edgenas e povos e comunidades tradicionais e no desmatamento para abertura de novas \u00e1reas para produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria vinculada a cadeias de valor altamente consumidoras de energia f\u00f3ssil e toxificadoras do meio ambiente. O expansionismo avan\u00e7a tamb\u00e9m sobre \u00e1reas ocupadas por unidades familiares em crise em fun\u00e7\u00e3o dos ambientes econ\u00f4micos e institucionais hostis ao desenvolvimento e \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o de suas economias. Do ponto de vista institucional, o expansionismo \u00e9 favorecido por altera\u00e7\u00f5es nas regula\u00e7\u00f5es ambientais, fundi\u00e1rias, sanit\u00e1rias, fiscais e tribut\u00e1rias impostas aos Estados por segmentos econ\u00f4micos que delas se beneficiam.<\/p>\n<p>Portanto, a solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o agr\u00e1ria no s\u00e9culo XXI n\u00e3o se dar\u00e1 com o simples parcelamento e distribui\u00e7\u00e3o de terras \u00e0 agricultura familiar. O reconhecimento p\u00fablico da agricultura familiar n\u00e3o ser\u00e1 suficiente se o ambiente econ\u00f4mico e institucional a induz a funcionar como um agroneg\u00f3cio de pequena escala. Ali\u00e1s, exatamente como ocorreu no Brasil ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o, em 1995, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Ao impulsionar trajet\u00f3rias de desenvolvimento das unidades familiares orientadas pela especializa\u00e7\u00e3o produtiva em commodities destinadas \u00e0 ind\u00fastria e \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o e na elevada depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos mercados de insumos e servi\u00e7os, o Pronaf atuou no sentido de bloquear ou mesmo de destruir as qualidades intr\u00ednsecas da agricultura familiar que deveriam ser promovidas.<\/p>\n<p>Uma importante inflex\u00e3o nessa orienta\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria ocorreu a partir de 2003, com o in\u00edcio do primeiro mandato do presidente Lula. Assistimos nesse momento ao surgimento de uma nova gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas destinadas a responder \u00e0 prioridade pol\u00edtica do governo, o combate \u00e0 fome e \u00e0 desnutri\u00e7\u00e3o. Iniciativas como o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), as compras institucionais, incluindo as compras pelo Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE), os programas de cisternas no semi\u00e1rido brasileiro figuram entre as novidades institucionais mais expressivas criadas no bojo dessa importante inflex\u00e3o no desenho das pol\u00edticas para a agricultura familiar.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/armasdacritica.boitempoeditorial.com.br\/\" aria-label=\"ADC30_Engels_anuncio_OP\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/ADC30_Engels_anuncio_OP-3.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/ADC30_Engels_anuncio_OP-3.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/ADC30_Engels_anuncio_OP-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Os efeitos positivos dessa inflex\u00e3o foram n\u00edtidos no semi\u00e1rido brasileiro, onde se encontra metade dos estabelecimentos familiares do pa\u00eds. Em menos de duas d\u00e9cadas, o cen\u00e1rio de uma regi\u00e3o historicamente marcada por n\u00edveis extremos de priva\u00e7\u00e3o e de vulnerabilidade social se modificou positivamente impulsionado pela dinamiza\u00e7\u00e3o da economia da agricultura familiar. Concorreu para essa r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o um conjunto de pol\u00edticas voltadas a prover servi\u00e7os p\u00fablicos e prote\u00e7\u00e3o social para as fam\u00edlias agricultoras. No entanto, foram as orienta\u00e7\u00f5es das pol\u00edticas focadas no fortalecimento das economias da agricultura familiar que marcaram a especificidade regional da a\u00e7\u00e3o p\u00fablica. No lugar de induzir a vincula\u00e7\u00e3o subordinada \u00e0s cadeias de valor do agroneg\u00f3cio, as pol\u00edticas concebidas e implementadas em conjunto com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil reunidas na Articula\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido (ASA) criaram condi\u00e7\u00f5es adequadas para o desenvolvimento de trajet\u00f3rias de intensifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica baseadas na diversifica\u00e7\u00e3o produtiva, no manejo dos meios de produ\u00e7\u00e3o end\u00f3genos (solo, \u00e1gua, agrobiodiversidade, trabalho etc.) e no escoamento da produ\u00e7\u00e3o mercantil em circuitos curtos de comercializa\u00e7\u00e3o. Em que pese a perman\u00eancia de fortes bloqueios estruturais ao desenvolvimento rural na regi\u00e3o, notadamente a elevada concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, o semi\u00e1rido brasileiro \u00e9 palco de uma experi\u00eancia virtuosa de implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas \u201cclimaticamente inteligentes\u201d, melhor designadas regionalmente como de \u201cconviv\u00eancia com o semi\u00e1rido\u201d.<\/p>\n<p>Apesar dessa inflex\u00e3o positiva do in\u00edcio dos anos 2000, ela se mostrou insuficiente para superar a perspectiva produtivista que orientou a cria\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas para a agricultura familiar em meados dos anos 1990. A maior parcela dos recursos financeiros destinados pelos Planos Safra da agricultura familiar segue sendo canalizada para financiar a produ\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em> em sistemas de monocultura manejados com uso intensivo de agroqu\u00edmicos e outros insumos e servi\u00e7os comerciais. Como resultado, um segmento minorit\u00e1rio acaba se apropriando da maior parte dos recursos p\u00fablicos destinados \u00e0 categoria, tornando-se estruturalmente dependente do sistema financeiro e agroindustrial. Por outro lado, o segmento majorit\u00e1rio, que inclui um expressivo contingente de fam\u00edlias sem-terra e com pouca terra, permanece \u00e0 margem dos benef\u00edcios das pol\u00edticas de desenvolvimento rural e agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Face ao aprofundamento e \u00e0 interconex\u00e3o das crises ecol\u00f3gica, clim\u00e1tica, social, alimentar e sanit\u00e1ria, \u00e9 urgente a cria\u00e7\u00e3o de uma nova inflex\u00e3o nas pol\u00edticas para a agricultura e para a alimenta\u00e7\u00e3o. Poder\u00edamos design\u00e1-la como uma \u201cinflex\u00e3o agroecol\u00f3gica\u201d. Tal inflex\u00e3o implica o aprofundamento e a complementa\u00e7\u00e3o da inflex\u00e3o realizada no in\u00edcio dos anos 2000. Aprofundamento, porque deve estar orientada a intensificar e diversificar os instrumentos de pol\u00edticas destinadas a valorizar o trabalho da agricultura familiar na produ\u00e7\u00e3o de alimentos em quantidade, qualidade e diversidade.<\/p>\n<p>As bases iniciais para esse aprofundamento j\u00e1 est\u00e3o delineadas na Pol\u00edtica Nacional de Abastecimento Alimentar (PNAAB) e na Pol\u00edtica Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (PNSAN). Fortalecer os planos nacionais que derivam dessas pol\u00edticas (Planab, Plansan) com or\u00e7amentos e meios de implementa\u00e7\u00e3o robustos \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para esse aprofundamento. No presente quadro de restri\u00e7\u00e3o fiscal e elevadas taxas de juros de mercado, uma medida de alta efetividade nessa inflex\u00e3o agroecol\u00f3gica seria financiar ambos os planos com parte dos recursos do tesouro atualmente destinados a equalizar juros do cr\u00e9dito subsidiado para a produ\u00e7\u00e3o de commodities pela agricultura familiar.<\/p>\n<p>A inflex\u00e3o anterior, que reconheceu e valorizou o trabalho de produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis e adequados pela agricultura familiar, seria complementada com o reconhecimento e a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho realizado para reproduzir os pr\u00f3prios meios de produ\u00e7\u00e3o. Trata-se de reconhecer o trabalho investido na regenera\u00e7\u00e3o da infraestrutura ecol\u00f3gica dos agroecossistemas (solos, \u00e1gua, biodiversidade), que ser\u00e1 acionada nos futuros ciclos produtivos. Trata-se tamb\u00e9m de reconhecer o trabalho dedicado \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho familiar, seja com a produ\u00e7\u00e3o alimentar destinada ao autoconsumo ou com o tempo dedicado \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas e de cuidados. Trata-se, em s\u00edntese, de reconhecer e valorizar a agricultura familiar como uma institui\u00e7\u00e3o que articula organicamente o trabalho humano ao trabalho da natureza, vinculando de forma coerente a produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e social. Portanto, al\u00e9m de produzir bens essenciais para o consumo da sociedade, o processo de trabalho na agricultura familiar produz \u201cservi\u00e7os agroecossist\u00eamicos\u201d.<\/p>\n<p>Como externalidades positivas do processo econ\u00f4mico realizado na escala micro dos estabelecimentos familiares e comunidades rurais, os servi\u00e7os agroecossist\u00eamicos podem se traduzir em respostas coerentes a m\u00faltiplas crises confrontadas pelas sociedades na escala macro. Nesse sentido, contrasta com a economia do agroneg\u00f3cio, cujo padr\u00e3o de crescimento econ\u00f4mico na escala micro \u00e9 gerador de externalidades negativas que est\u00e3o na raiz das crises enfrentadas na escala macro.<\/p>\n<p>Ao regenerar e\/ou manter a integridade da base biof\u00edsica dos agroecossistemas, os servi\u00e7os agroecossist\u00eamicos produzidos pela agricultura familiar devem ser promovidos como estrat\u00e9gia de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e de revers\u00e3o de processos de degrada\u00e7\u00e3o dos solos e dos corpos h\u00eddricos. Emiss\u00f5es evitadas de gases de efeito estufa e a manuten\u00e7\u00e3o de sistemas agroalimentares com elevados n\u00edveis de resili\u00eancia frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas devem ser igualmente reconhecidos e valorizados como servi\u00e7os agroecossist\u00eamicos prestados pela agricultura familiar.<\/p>\n<p>Valorizar servi\u00e7os agroecossist\u00eamicos significa tamb\u00e9m reconhecer a import\u00e2ncia dos trabalhos dom\u00e9sticos e de cuidados para a economia da agricultura familiar, buscando superar a carga desproporcional que pesa sobre as mulheres na execu\u00e7\u00e3o dessas atividades. Igualmente, significa descortinar para a juventude rural horizontes de trabalho economicamente mais promissores e cultural e identitariamente mais estimuladores.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas p\u00fablicas valorizadoras dos servi\u00e7os agroecossist\u00eamicos devem fomentar o desenvolvimento e o emprego de pr\u00e1ticas de manejo t\u00e9cnico baseadas em processos biol\u00f3gicos, contribuindo para fechar ciclos ecol\u00f3gicos na escala da paisagem agr\u00edcola e assegurando a manuten\u00e7\u00e3o de elevados n\u00edveis de autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos mercados de insumos e servi\u00e7os. A intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os agroecossist\u00eamicos na agricultura familiar est\u00e1 igualmente associada ao desenvolvimento e ao financiamento facilitado de m\u00e1quinas e equipamentos adaptados ao manejo de sistemas produtivos complexos, diminuindo a penosidade e aumentando a produtividade do trabalho.<\/p>\n<p>A Pol\u00edtica Nacional de Agroecologia e Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica (PNAPO) e o seu instrumento operacional, o Planapo, bem como a Pol\u00edtica Nacional de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o para a Agricultura Familiar e a Agroecologia (PNPIAF), o Programa Nacional de Redu\u00e7\u00e3o de Agrot\u00f3xicos (Pronara) e o Plano Nacional de Juventude e Sucess\u00e3o Rural incorporam um conjunto de iniciativas coerentes para a promo\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os agroecossist\u00eamicos pela agricultura familiar. No entanto, de forma equivalente \u00e0 PNAAB e \u00e0 PNSAN, permanecem subfinanciados e desarticulados entre si.<\/p>\n<p>O fortalecimento e a articula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas, planos e programas p\u00fablicos nacionais antes referidos \u00e9 um primeiro e indispens\u00e1vel passo para a necess\u00e1ria e urgente inflex\u00e3o agroecol\u00f3gica da a\u00e7\u00e3o do Estado. Ao reconhecer e potencializar a voca\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da agricultura familiar para a produ\u00e7\u00e3o conjugada de alimentos saud\u00e1veis e adequados e de servi\u00e7os agroecossist\u00eamicos, essa inflex\u00e3o poder\u00e1 abrir um importante caminho para o equacionamento combinado de crises vivenciadas nacional e globalmente. Os servi\u00e7os agroecossist\u00eamicos, diferente dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, n\u00e3o s\u00e3o mensurados por m\u00e9tricas reducionistas. Tampouco podem ser regulados pelos mercados. Sua valoriza\u00e7\u00e3o deve ser realizada na esfera p\u00fablica, como resultado do amplo reconhecimento social dos m\u00faltiplos papeis econ\u00f4micos, ecol\u00f3gicos e culturais exercidos pela agricultura familiar em benef\u00edcio das sociedades do presente e do futuro.<\/p>\n<p>O contexto de realiza\u00e7\u00e3o da 30\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP30) no Brasil \u00e9 uma excepcional oportunidade para posicionar a agricultura familiar na agenda pol\u00edtica internacional como ator determinante na reestrutura\u00e7\u00e3o dos sistemas agroalimentares, respons\u00e1veis por um ter\u00e7o das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa e por aproximadamente dois ter\u00e7os das emiss\u00f5es no Brasil. Posicionar a agricultura familiar na agenda internacional significa dar visibilidade e tirar partido de suas peculiaridades e voca\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas somente desenvolvidas na escala micro, o que implica a necessidade de descentraliza\u00e7\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o dos sistemas de governan\u00e7a sobre os sistemas agroalimentares. Em termos concretos, significa incorporar estrat\u00e9gias agroecol\u00f3gicas para o fortalecimento da agricultura familiar visando \u00e0 territorializa\u00e7\u00e3o dos sistemas agroalimentares nos Planos Nacionais de Adapta\u00e7\u00e3o e de Mitiga\u00e7\u00e3o, bem como nas metas estabelecidas nas Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (NDCs).<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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