{"id":35522,"date":"2025-06-27T16:00:22","date_gmt":"2025-06-27T19:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/vladimir-herzog-e-a-luta-pela-democracia\/"},"modified":"2025-06-27T16:00:22","modified_gmt":"2025-06-27T19:00:22","slug":"vladimir-herzog-e-a-luta-pela-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/vladimir-herzog-e-a-luta-pela-democracia\/","title":{"rendered":"Vladimir Herzog e a luta pela democracia"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 88 anos, em 27 de junho de 1937, nascia Vladimir Herzog. Filho de judeus iugoslavos que fugiram do regime nazista, Herzog chegou ao Brasil quando ainda era crian\u00e7a. Ele estabeleceu uma s\u00f3lida carreira como jornalista, ao mesmo tempo em que se aproximou de movimentos culturais de vanguarda no cinema e no teatro.<\/p>\n<p>Durante a ditadura, Herzog se tornou militante do Partido Comunista Brasileiro, compondo a ala dos intelectuais da organiza\u00e7\u00e3o. Na condi\u00e7\u00e3o de diretor de jornalismo da <em>TV Cultura<\/em>, ele se destacou pela coragem em produzir mat\u00e9rias com cr\u00edticas \u00e0 ditadura e ajudou a expor uma epidemia de meningite que fora negligenciada pelo regime.<\/p>\n<p>Herzog foi torturado e assassinado nos por\u00f5es do DOI-CODI ap\u00f3s ser convocado para prestar depoimento. Ele foi um dos 12 militantes do PCB mortos pelo regime durante o cerco ao partido no ano de 1975.<\/p>\n<p>Os militares tentaram ocultar o assassinato afirmando que Herzog cometera suic\u00eddio. A morte do jornalista causou grande como\u00e7\u00e3o e o culto ecum\u00eanico realizado em sua homenagem na Catedral da S\u00e9 se transformou em um marco hist\u00f3rico da luta pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<h3>Primeiros anos e forma\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Vlado Herzog nasceu em Osijek, na Cro\u00e1cia, ent\u00e3o parte do Reino da Iugosl\u00e1via. Ele era filho de Zora Wolner e Zigmund Herzog, um casal de comerciantes judeus. Seu pai era dono de uma pequena loja de porcelanas em Banja Luka, uma cidade da B\u00f3snia e Herzegovina onde a fam\u00edlia viveu at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 40.<\/p>\n<p>Em abril de 1941, ap\u00f3s a eclos\u00e3o da Segunda Guerra Mundial, a Iugosl\u00e1via foi invadida pela Alemanha nazista. O pa\u00eds foi desmembrado e ocupado pelas for\u00e7as do Eixo e um Estado fantoche colaboracionista foi instalado na Cro\u00e1cia.<\/p>\n<p>Perseguidos por sua origem judaica, os Herzog tiveram sua casa e seu com\u00e9rcio em Banja Luka confiscados pelos nazistas. Temendo por sua seguran\u00e7a, a fam\u00edlia fugiu para a It\u00e1lia, onde viveu clandestinamente at\u00e9 1944, passando por Fonzaso, Fermo e Magliano di Tenna, at\u00e9 chegarem ao campo de refugiados de Bari.<\/p>\n<p>Em 1946, a fam\u00edlia imigrou para o Brasil, fixando resid\u00eancia em S\u00e3o Paulo. Na cidade, Herzog frequentou o Col\u00e9gio Presidente Roosevelt e estudou teatro no Instituto Cultural \u00cdtalo-Brasileiro, interessando-se ainda por fotografia, cinema, m\u00fasica e literatura. Ele atuou em companhias teatrais amadoras como \u201cMuse Italiche\u201d e \u201cI Guitti\u201d, onde contracenou com L\u00e9lia Abramo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s concluir o ensino secund\u00e1rio no Col\u00e9gio Estadual de S\u00e3o Paulo, Herzog ingressou no curso de filosofia da USP. Durante a gradua\u00e7\u00e3o, ele come\u00e7ou a namorar a estudante Clarice Ribeiro Chaves, sua futura esposa.<\/p>\n<h3>Carreira jornal\u00edstica e atividades culturais<\/h3>\n<p>Herzog iniciou sua carreira como jornalista em 1959, colaborando com a reda\u00e7\u00e3o do jornal \u201c<em>O Estado de S. Paulo<\/em>\u201d. Foi nessa \u00e9poca que ele come\u00e7ou a assinar suas mat\u00e9rias como \u201cVladimir\u201d, por julgar que o nome \u201cVlado\u201d soava estranho para os brasileiros.<\/p>\n<p>J\u00e1 em sua estreia, Herzog foi incumbido de cobrir a visita do fil\u00f3sofo franc\u00eas Jean-Paul Sartre ao Brasil em 1960 \u2014 um dos intelectuais a quem mais admirava e que teve grande influ\u00eancia em sua forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ele tamb\u00e9m trabalhou na cobertura de eventos como a inaugura\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia e a posse de J\u00e2nio Quadros.<\/p>\n<p>Unindo a nova carreira \u00e0 paix\u00e3o pela arte, Herzog se especializou no jornalismo cultural. Em 1962, ele viajou para a Argentina para cobrir o Festival Internacional de Mar del Plata, ocasi\u00e3o em que travou contato com o cineasta Fernando Birri, o \u201cpai\u201d do Novo Cinema Latino-Americano \u2014 movimento que preconizava a valoriza\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es locais e a ruptura com o modelo industrial hollywoodiano.<\/p>\n<p>De volta ao Brasil, Herzog se aproximou de personalidades como Paulo Em\u00edlio Salles Gomes, Rud\u00e1 de Andrade e Jean-Claude Bernardet, entre outros intelectuais ligados \u00e0 Cinemateca Brasileira. O jornalista atuou na organiza\u00e7\u00e3o de mostras e cineclubes e participou de semin\u00e1rios e cursos de cinema. Em 1963, Herzog produziu o curta-metragem \u201c<em>Marimb\u00e1s<\/em>\u201d, sua \u00fanica obra cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o golpe de 1964 e a subsequente instala\u00e7\u00e3o da ditadura militar, Herzog foi desligado do jornal \u201c<em>O Estado de S. Paulo<\/em>\u201d. O per\u00edodo foi marcado pela intensifica\u00e7\u00e3o de sua atua\u00e7\u00e3o cultural. Entre 1964 e 1965, Herzog auxiliou na produ\u00e7\u00e3o de dois document\u00e1rios produzidos por Thomaz Farkas: \u201c<em>Subterr\u00e2neos do Futebol<\/em>\u201d e \u201c<em>Viramundo<\/em>\u201c. Ele tamb\u00e9m se acompanhou os movimentos culturais vinculados \u00e0 esquerda, incluindo o teatro popular de Augusto Boal e o cinema novo de Nelson Pereira dos Santos.<\/p>\n<h3>BBC, Revista Vis\u00e3o e milit\u00e2ncia no PCB<\/h3>\n<p>Em 1965, Herzog e sua esposa se mudaram para Londres. Ele havia assinado um contrato de tr\u00eas anos para atuar no Servi\u00e7o Brasileiro da <em>BBC<\/em>. Na emissora brit\u00e2nica, Herzog produziu mat\u00e9rias sobre cultura e entretenimento, fez adapta\u00e7\u00e3o radiof\u00f4nica de pe\u00e7as de teatro e coordenou a cobertura da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol na Copa do Mundo de 1966.<\/p>\n<p>Em paralelo ao trabalho na <em>BBC<\/em>, Herzog escrevia artigos para peri\u00f3dicos do Brasil e atuava em prol da divulga\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro na Europa. Ele ajudou a organizar semin\u00e1rios abordando a produ\u00e7\u00e3o nacional e viabilizou a inclus\u00e3o de filmes brasileiros em eventos internacionais como o Festival de Floren\u00e7a e o Festival de Mannheim.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m durante a estadia em Londres que nasceram os dois filhos de Herzog e Clarice \u2014 Ivo, em agosto de 1966, e Andr\u00e9, em abril de 1968. De volta ao Brasil em 1969, Herzog atuou em uma ag\u00eancia de publicidade. No ano seguinte, ele foi convidado para trabalhar na revista \u201c<em>Vis\u00e3o<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Fundada nos anos 50, a revista havia se consolidado como um dos peri\u00f3dicos de maior prest\u00edgio no pa\u00eds, tanto por reunir profissionais altamente qualificados quanto por manter uma linha editorial independente \u2014 sendo um dos raros ve\u00edculos que ousavam fazer cr\u00edticas \u00e0 ditadura.<\/p>\n<p>Herzog assumiu o posto de editor de cultura da revista \u201cVis\u00e3o\u201d, produzindo mat\u00e9rias sobre cinema, teatro e televis\u00e3o. Ele se destacaria em especial pelo artigo \u201cA crise da cultura brasileira\u201d, escrito em colabora\u00e7\u00e3o com Zuenir Ventura, denunciando o desmonte do setor cultural pelo regime militar.<\/p>\n<p>Nesse mesmo per\u00edodo, Herzog tornou-se militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), engrossando a ala dos intelectuais da agremia\u00e7\u00e3o. Mesmo n\u00e3o tendo aderido \u00e0 luta armada contra o regime, o PCB era uma das organiza\u00e7\u00f5es mais visadas pelos \u00f3rg\u00e3os da repress\u00e3o, sendo for\u00e7ado a manter todas as suas a\u00e7\u00f5es na clandestinidade.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-223587\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/vherzog.jpg\" alt=\"\" width=\"378\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/vherzog.jpg 378w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/vherzog-300x243.jpg 300w, https:\/\/operamundi.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/vherzog-150x121.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 378px) 100vw, 378px\"><figcaption>Fotografia de Vladimir Herzog <br \/>Autor desconhecido\/Wikimedia Foundation<\/figcaption><\/figure>\n<h3>TV Cultura<\/h3>\n<p>Herzog iniciou sua atividade docente no in\u00edcio dos anos 70, quando foi convidado por Perseu Abramo para assumir o cargo de professor de jornalismo da Funda\u00e7\u00e3o Armando \u00c1lvares Penteado (FAAP). Posteriormente, ele tamb\u00e9m daria aulas na Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes da USP, al\u00e9m de ter uma breve passagem pela TV Universit\u00e1ria da UFPE.<\/p>\n<p>Simultaneamente, Herzog retomou suas atividades cinematogr\u00e1ficas, iniciando os preparativos para a produ\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio sobre a Guerra de Canudos e escrevendo roteiros para a adapta\u00e7\u00e3o do livro \u201c<em>Doramundo<\/em>\u201d, de Geraldo Ferraz. Tamb\u00e9m interagiu com v\u00e1rios nomes ligados ao chamado \u201cteatro de agress\u00e3o\u201d, marcado pelos roteiros politizados, de contesta\u00e7\u00e3o ao regime militar.<\/p>\n<p>Em 1973, Herzog foi convidado por Fernando Pacheco Jord\u00e3o para coordenar a reda\u00e7\u00e3o do programa \u201c<em>Hora de Not\u00edcia<\/em>\u201d, da <em>TV Cultura<\/em>. O telejornal se destacaria pela abordagem cr\u00edtica sobre os acontecimentos pol\u00edticos e pela preocupa\u00e7\u00e3o com a tem\u00e1tica da cidadania.<\/p>\n<p>Herzog seria afastado do \u201c<em>Hora da Not\u00edcia<\/em>\u201d em 1974, mas retornaria \u00e0 <em>TV Cultura<\/em> j\u00e1 no ano seguinte, aceitando o convite de Jos\u00e9 Mindlin, ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Cultura do governo paulista, para assumir a dire\u00e7\u00e3o de jornalismo da emissora.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do projeto, Herzog empreenderia uma corajosa cobertura jornal\u00edstica, denunciando suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o e irregularidades cometidas pela ditadura e produzindo mat\u00e9rias sobre os problemas sociais do Brasil.<\/p>\n<p>Por meio da <em>TV Cultura<\/em>, Herzog exp\u00f4s a grave epidemia de meningite que havia sido negligenciada e ocultada pela ditadura militar. Os governos de M\u00e9dici e Geisel haviam ignorado o avan\u00e7o da epidemia e, ao inv\u00e9s de comprarem vacinas e investirem em a\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, preferiram intervir nos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o para impedir a divulga\u00e7\u00e3o de dados sobre o avan\u00e7o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Foi somente ap\u00f3s o caso ser revelado pela <em>TV Cultur<\/em>a que os \u00f3rg\u00e3os federais come\u00e7aram a tomar medidas para tentar controlar a epidemia.<\/p>\n<h3>O assassinato<\/h3>\n<p>Refletindo o clima de descontentamento com a ditadura, as elei\u00e7\u00f5es parlamentares de 1974 foram marcadas pelo avan\u00e7o do MDB \u2014 o partido da oposi\u00e7\u00e3o consentida ao regime. Os resultados eleitorais alarmaram os generais, que responderam intensificando a repress\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de esquerda.<\/p>\n<p>Com o PCdoB j\u00e1 desarticulado pelos massacres da Guerrilha do Araguaia, os militares voltaram sua aten\u00e7\u00e3o ao PCB. Em janeiro de 1975, Elson Costa e Hiran de Lima Pereira, dois membros do comit\u00ea central, foram assassinados. No m\u00eas seguinte, o jornalista Jayme Miranda foi morto.<\/p>\n<p>Em abril de 1975, tombou Nestor Vera. Em maio, Itair Jos\u00e9 Veloso. Em agosto, os militares mataram Alberto Aleixo, Jos\u00e9 Ferreira de Almeida e Maximino de Andrade Netto. Entre setembro e outubro, foram assassinados Pedro Jer\u00f4nimo de Souza, Jos\u00e9 Montenegro de Lima e Orlando Bonfim J\u00fanior.<\/p>\n<p>O assassinato de Herzog fecharia o ciclo de massacres dos militantes do PCB no ano de 1975. O jornalista era especialmente detestado pela c\u00fapula do regime militar, enfurecida com suas cr\u00edticas e den\u00fancias. Ele se tornaria alvo de uma incisiva campanha persecut\u00f3ria.<\/p>\n<p>O general Ednardo D\u2019\u00c1vila Mello, comandante do II Ex\u00e9rcito, passou a acusar o governador paulista, Paulo Egydio Martins, de estar dando \u201cguarida a comunistas\u201d, ao passo que o Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE) instaurou uma ca\u00e7ada contra \u201ccomunistas infiltrados\u201d nos \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, os deputados estaduais Wadih Helu e Jos\u00e9 Maria Marin, ambos pertencentes \u00e0 ARENA, iniciaram uma campanha contra a gest\u00e3o de Herzog na <em>TV Cultura<\/em>.<\/p>\n<p>Em 24 de outubro de 1975, Herzog foi convocado pelos militares para prestar esclarecimentos sobre suas liga\u00e7\u00f5es com o PCB. A pris\u00e3o de Herzog foi uma de dezenas efetuadas pelos agentes da Opera\u00e7\u00e3o Jacarta, conduzida pelo DOI-CODI \u2014 principal \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o da ditadura.<\/p>\n<p>Durante o interrogat\u00f3rio, Herzog passou por uma tortura brutal. Foi encapuzado, atado a uma cadeira, sufocado com amon\u00edaco, submetido a longas sess\u00f5es de espancamento e choques el\u00e9tricos. Ele faleceu no dia seguinte, em 25 de outubro de 1975, aos 38 anos de idade.<\/p>\n<h3>Sepultamento e repercuss\u00e3o<\/h3>\n<p>A ditadura militar afirmou que Vladimir Herzog havia cometido suic\u00eddio, enforcando-se com uma tira de pano em uma janela. As pr\u00f3prias fotografias anexadas ao laudo, entretanto, desmentiam a vers\u00e3o do regime, mostrando o jornalista com as pernas flexionadas tocando o ch\u00e3o \u2014 uma posi\u00e7\u00e3o em que o enforcamento seria muito improv\u00e1vel.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o oficial n\u00e3o convenceu ningu\u00e9m. Durante o sepultamento no Cemit\u00e9rio Israelita do Butant\u00e3, o rabino Henry Sobel recusou-se a seguir os protocolos para suic\u00eddio, reconhecendo tacitamente que o jornalista fora assassinado.<\/p>\n<p>Em 31 de outubro de 1975, milhares de pessoas compareceram \u00e0 Catedral da S\u00e9, no centro de S\u00e3o Paulo, para participar de um ato ecum\u00eanico em homenagem a Herzog. A cerim\u00f4nia, organizada por l\u00edderes religiosos como Dom Paulo Evaristo Arns, Henry Sobel e Jaime Wright, converteu-se em uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es da sociedade civil contra a ditadura militar desde a promulga\u00e7\u00e3o do AI-5.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o em torno do caso Herzog impulsionou o movimento em prol da redemocratiza\u00e7\u00e3o. Jornalistas de diversos ve\u00edculos come\u00e7aram a publicar mat\u00e9rias questionando a vers\u00e3o oficial do governo.<\/p>\n<p>A press\u00e3o p\u00fablica resultaria em uma senten\u00e7a hist\u00f3rica: em outubro de 1978, o juiz M\u00e1rcio Jos\u00e9 de Moraes admitiu que Herzog havia sido assassinado e ordenou a responsabiliza\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o. Foi a primeira decis\u00e3o do tipo ocorrida no \u00e2mbito da justi\u00e7a comum.<\/p>\n<p>Em 1992, Pedro Ant\u00f4nio Mira Grancieri, um ex-agente do DOI-CODI, admitiu em uma declara\u00e7\u00e3o para a revista <em>Isto\u00c9<\/em> que havia participado do interrogat\u00f3rio de Herzog no dia de sua morte. Diante da revela\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico solicitou abertura de inqu\u00e9rito para investigar Grancieri, mas o pedido foi rejeitado pela justi\u00e7a com base na Lei da Anistia.<\/p>\n<p>A causa da morte no atestado de \u00f3bito de Herzog foi corrigida em mar\u00e7o de 2013, por ordem do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo. Em 2018, o governo brasileiro foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, pela falta de investiga\u00e7\u00e3o, julgamento e puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pela morte de Vladimir Herzog.<\/p>\n<p>O jornalista empresta seu nome ao Pr\u00eamio Vladimir Herzog, criado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de S\u00e3o Paulo e voltado a laurear reportagens que promovam a cidadania e a defesa dos direitos humanos. Em 2009, foi criado o Instituto Vladimir Herzog, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos dedicada a preservar a mem\u00f3ria de seu patrono.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/pensar-a-historia\/vladimir-herzog-e-a-luta-pela-democracia\/\">Vladimir Herzog e a luta pela democracia<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/\">Opera Mundi<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/vereadores-do-pl-em-fortaleza-exibem-bandeiras-de-eua-e-israel-na-camara-municipal-e-perfis-criticam-viralatismo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Vereadores do PL em Fortaleza exibem bandeiras de ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/combate-a-fome-a-aposta-na-participacao-popular\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/photo_4929331530832743603_y-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Combate \u00e0 fome: a aposta na participa\u00e7\u00e3o popular...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/microbolsas-big-techs\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Microbolsas Big Techs<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-austeridade-nao-deu-certo-em-nenhum-pais-do-mundo-diz-lula-em-abertura-da-reuniao-do-banco-dos-brics\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">\u2018A austeridade n\u00e3o deu certo em nenhum pa\u00eds do mun...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 88 anos, em 27 de junho de 1937, nascia Vladimir Herzog. Filho de judeus iugoslavos que fugiram do regime nazista, Herzog chegou ao Brasil quando ainda era crian\u00e7a. Ele estabeleceu uma s\u00f3lida carreira como jornalista, ao mesmo tempo em que se aproximou de movimentos culturais de vanguarda no cinema e no teatro. 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