{"id":35904,"date":"2025-07-01T10:31:23","date_gmt":"2025-07-01T13:31:23","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/sobreviventes-de-feminicidio-denunciam-abandono-e-transformam-dor-em-mobilizacao-coletiva\/"},"modified":"2025-07-01T10:31:23","modified_gmt":"2025-07-01T13:31:23","slug":"sobreviventes-de-feminicidio-denunciam-abandono-e-transformam-dor-em-mobilizacao-coletiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sobreviventes-de-feminicidio-denunciam-abandono-e-transformam-dor-em-mobilizacao-coletiva\/","title":{"rendered":"Sobreviventes de feminic\u00eddio denunciam abandono e transformam dor em mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva"},"content":{"rendered":"<p>A invisibilidade de corpos e a voz das <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/12\/16\/sobreviventes-de-feminicidio-relatam-marcas-da-violencia-e-ausencia-de-politicas-para-seguirem-vivas\/\">sobreviventes de feminic\u00eddio <\/a>marcaram o segundo dia do semin\u00e1rio Feminic\u00eddio: entre a misoginia e o negacionismo, realizado no Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). As mesas realizadas na \u00faltima sexta-feira (27) tiveram media\u00e7\u00e3o da promotora legal Maria In\u00eas Nunes Barcelos.<\/p>\n<p>Sobrevivente de tentativa de feminic\u00eddio, a ativista<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/11\/25\/nao-podemos-romantizar-qualquer-ato-de-violencia-diz-carol-santos\/\"> Carol Santos <\/a>enviou uma carta lida por Eliane Bruel. \u201cEscrever esse texto \u00e9 minha forma de estar presente, mesmo diante das dores e aus\u00eancias. N\u00e3o posso permitir que as sequelas calem minha voz, como j\u00e1 tentaram tirar minha vida. Foi justamente por viver na pele tantas formas de viol\u00eancia, descaso e abandono que compreendi a urg\u00eancia de transformar essa dor em mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Coordenadora do Coletivo Feminino Plural e fundadora do movimento Inclusivass, Santos relatou os impactos de 25 anos de viol\u00eancias f\u00edsicas, emocionais e institucionais. No texto, ela narrou a dor cr\u00f4nica provocada por les\u00e3o medular e a dor permanente causada por viol\u00eancia obst\u00e9trica. Em 2021,  Santos criou o projeto Hist\u00f3rias Contadas a Partir das Viv\u00eancias, para acompanhar outras sobreviventes. \u201cVimos como o Estado ainda prefere contar os corpos do que garantir vida e dignidade (\u2026) Seguirei firme por todas n\u00f3s. N\u00e3o descansarei enquanto houver mulheres lutando e hist\u00f3rias a serem contadas\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sobrevivente de uma tentativa de feminic\u00eddio, em 2002, antes da cria\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminic\u00eddio, Fabiane Lara, presidenta da Associa\u00e7\u00e3o das Promotoras Legais Populares, revelou que levou anos para perceber ter sido v\u00edtima. \u201cQuando contei minha hist\u00f3ria para a Carol, percebi que eu era uma v\u00edtima, n\u00e3o a culpada.\u201d A escuta impulsionou a milit\u00e2ncia como promotora legal popular nas periferias. \u201cEssa luta tomou um sentido maior do que a experi\u00eancia individual de uma mulher negra que sobreviveu a uma tentativa de feminic\u00eddio\u201d, exp\u00f4s.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>Lara criticou a neglig\u00eancia do Estado e a aus\u00eancia de<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/06\/25\/comissao-externa-aprova-criacao-de-um-comite-tecnico-com-pesquisadoras-para-pensar-politicas-publicas\/\"> pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas<\/a>. \u201c\u201cO diagn\u00f3stico das mulheres v\u00edtimas s\u00f3 aumenta. Isso tem um significado importante. N\u00e3o \u00e9 porque temos uma lei. A lei diagnostica. Mas muito pouco foi feito para, de fato, reduzir os casos de feminic\u00eddio.\u201d A presidenta tamb\u00e9m  questionou a recria\u00e7\u00e3o da Secretaria de Pol\u00edticas para as Mulheres (SPM), ap\u00f3s uma d\u00e9cada<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/06\/25\/apos-uma-decada-rs-retoma-secretaria-de-politicas-para-as-mulheres\/\"> sem estrutura espec\u00edfica<\/a>. \u201cA luta agora \u00e9 por or\u00e7amento e participa\u00e7\u00e3o popular. Essa \u00e9 a etapa mais dif\u00edcil.\u201d <\/p>\n<p>A presidenta avalia que as  sobreviventes s\u00e3o esquecidas e as  que perdem a vida viram apenas n\u00fameros, muitas vezes escondidos. Desde a cria\u00e7\u00e3o da Lei do Feminic\u00eddio, em 2015, at\u00e9 o final de 2024, o Rio Grande do Sul registrou 2.919 tentativas e 935 feminic\u00eddios consumados, segundo dados do Observat\u00f3rio da Viol\u00eancia contra a Mulher, da Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica. De janeiro a maio de 2025, foram 116 tentativas e 30 feminic\u00eddios consumados. Segundo levantamento da Lupa Feminista, entre o in\u00edcio de 2025 e o dia 7 de junho, foram registrados 35 feminic\u00eddios no estado.   <\/p>\n<p>Ao final, Lara refor\u00e7ou a for\u00e7a das redes comunit\u00e1rias e concluiu dizendo que a misoginia mata. \u201cN\u00e3o h\u00e1 como combater o feminic\u00eddio sem combater a misoginia. A utopia que precisamos acreditar \u00e9 a de uma vida sem viol\u00eancia. Porque cada vez que a gente perde uma de n\u00f3s, a gente perde um peda\u00e7o da gente.\u201d<\/p>\n<h4>Vereadora aponta aus\u00eancia de pol\u00edticas e refor\u00e7a a utopia como motor<\/h4>\n<p>A vereadora de Pelotas Fernanda Miranda (Psol) destacou o ciclo cont\u00ednuo de viol\u00eancias, como a obst\u00e9trica,<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/06\/18\/movimentos-feministas-apresentam-propostas-a-comissao-externa-da-camara-dos-deputados\/\"> ainda invisibilizada<\/a>. \u201cMesmo com dossi\u00eas e den\u00fancias, h\u00e1 quem se preocupe mais com prest\u00edgio do que com vidas.\u201d A parlamentar falou da \u201cmorte simb\u00f3lica\u201d de mulheres anuladas por depend\u00eancia econ\u00f4mica, maternidade imposta e aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes. \u201cElas vivem uma vida que n\u00e3o \u00e9 sua, que n\u00e3o escolheram, submetidas at\u00e9 a morte,  que pode acontecer de v\u00e1rias formas e nem sempre \u00e9 investigada.\u201d<\/p>\n<p>Miranda relatou epis\u00f3dios de viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero dentro da C\u00e2mara Municipal e criticou a omiss\u00e3o dos homens na luta contra o machismo: \u201cEles gritam \u2018viol\u00eancia de g\u00eanero\u2019 quando lhes conv\u00e9m, mas n\u00e3o se reconhecem como agressores. N\u00e3o querem ouvir o que \u00e9 letramento, nem mudar.\u201d  A parlamentar denunciou ainda a  falta de pol\u00edticas p\u00fablicas e apelou por a\u00e7\u00e3o e escuta. \u201cSomos n\u00f3s que nos seguramos. Cad\u00ea o Estado?\u201d E reafirmou: \u201cA culpa nunca \u00e9 da mulher. Mas nela recaem julgamento e vergonha. Mesmo com dor, seguimos. \u00c9 a utopia que nos move.\u201d<\/p>\n<h4>A invisibilidade dos corpos<\/h4>\n<p>Na mesa seguinte, dedicada \u00e0 invisibilidade, a psic\u00f3loga e conselheira do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, Samantha Medeiros Ferreira, falou sobre o lesboc\u00eddio, termo criado a partir de um dossi\u00ea sobre assassinatos de l\u00e9sbicas no Brasil. \u201cOs principais assassinos s\u00e3o homens, mas, diferente do feminic\u00eddio, geralmente n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o afetiva. O motivo \u00e9 o \u00f3dio \u00e0 exist\u00eancia l\u00e9sbica.\u201d<\/p>\n<p>Ferreira citou o caso de<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pr\/parana\/noticia\/2023\/02\/25\/juri-condena-acusados-da-morte-de-ana-paula-campestrini-somadas-as-penas-passam-de-50-anos.ghtml\"> Ana Paula Campestrini<\/a>, assassinada em 2021, em Curitiba. Ap\u00f3s 17 anos de casamento, ela iniciou um relacionamento com uma mulher. O ex-marido passou a persegui-la e control\u00e1-la. \u201cWagner dizia aos filhos que a m\u00e3e os havia abandonado para viver com mulheres.\u201d Ele confessou o crime, executado por um amigo. O Minist\u00e9rio P\u00fablico reconheceu a lesbofobia como motiva\u00e7\u00e3o. \u201cEsse reconhecimento d\u00e1 dignidade \u00e0 dor. \u00c9 essencial para garantir direitos e afirmar nossa exist\u00eancia.\u201d<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/seminario-lara.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/seminario-lara-225x300.jpg 225w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/seminario-lara-768x1024.jpg 768w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/seminario-lara-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/seminario-lara-750x1000.jpg 750w, https:\/\/assets.brasildefato.com.br\/2025\/06\/seminario-lara-1140x1520.jpg 1140w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/seminario-lara.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\"><figcaption>\u201c Mesmo com dor, seguimos. \u00c9 a utopia que nos move\u201d, afirma vereadora Fernanda Miranda \u2013 Foto: Lupa Feminista\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<h4>Justi\u00e7a, m\u00eddia e apagamento: estere\u00f3tipos que matam de novo<\/h4>\n<p>Em sua interven\u00e7\u00e3o a professora Rochele Felini Fachinetto falou sobre a pesquisa que analisa julgamentos no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Par\u00e1. Segundo ela o objetivo \u00e9 compreender como o marcador de g\u00eanero tem sido incorporado ao processamento judicial, especialmente nas etapas dos julgamentos pelo Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n<p>Desde 2023, foram analisados cerca de 40 casos, incluindo processos e julgamentos, para investigar como os atores da justi\u00e7a compreendem o feminic\u00eddio e as representa\u00e7\u00f5es sociais que orientam essa defini\u00e7\u00e3o penal. A professora tamb\u00e9m lembrou o caso de \u00c2ngela Diniz, nos anos 1970, quando o feminicida, Doca Street, foi absolvido por \u201cleg\u00edtima defesa da honra\u201d. \u201cEsse julgamento impulsionou o debate sobre viol\u00eancia de g\u00eanero.\u201d<\/p>\n<p>Fachinetto criticou estere\u00f3tipos que dificultam o reconhecimento da viol\u00eancia, como a exig\u00eancia de que mulheres sejam \u201cboas esposas\u201d ou \u201cm\u00e3es dedicadas\u201d. \u201cPor muito tempo, o feminic\u00eddio foi restrito \u00e0 esfera dom\u00e9stica, em rela\u00e7\u00f5es conjugais, cis-heterossexuais, e frequentemente envolvendo mulheres brancas. Havia uma relut\u00e2ncia do sistema de justi\u00e7a em reconhecer o marcador de g\u00eanero na morte dessas mulheres.\u201d Por fim, defendeu mais di\u00e1logo entre coletivos, academia e justi\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/01\/observatorio-digital-visa-proteger-mulheres-do-feminicidio-no-rs\/\">jornalista Niara de Oliveira<\/a>, coautora do livro <em>Hist\u00f3rias de morte matada, contadas feito morte morrida<\/em>, criticou a cobertura da m\u00eddia sobre feminic\u00eddios.   A autora apontou o uso da voz passiva e a culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima. \u201cQuase todas as mat\u00e9rias dizem \u2018mulher \u00e9 morta\u2019, como se a morte acontecesse sozinha.\u201d O livro que tamb\u00e9m \u00e9 assinado pela jornalista Vanessa Rodrigues, \u00e9 resultado de um ano de pesquisa que abrangeu quatro d\u00e9cadas de not\u00edcias, desde o caso Angela Diniz at\u00e9 a campanha do Levante Feminista contra o feminic\u00eddio, <\/p>\n<p>De acordo com Oliveira, a imprensa muitas vezes se pauta apenas pela vers\u00e3o oficial, sem questionar ou investigar a fundo, e isso contribui para a subnotifica\u00e7\u00e3o dos crimes. Ainda analisando o comportamento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a jornalista criticou o uso de \u201csuposto\u201d \u2013 mesmo com confiss\u00e3o -, a exibi\u00e7\u00e3o de imagens sensuais e o apagamento do agressor. \u201cMesmo quando o agressor confessa o crime, \u00e9 o rosto da mulher que estampa as not\u00edcias. A v\u00edtima vira protagonista apenas na hora da morte.\u201d <\/p>\n<p>Por fim, alertou para o negacionismo institucional. \u201cFeminic\u00eddios tratados como homic\u00eddios comuns impedem pol\u00edticas eficazes. Feminic\u00eddio \u00e9 crime de \u00f3dio. N\u00e3o \u00e9 por amor, nem por descontrole. \u00c9 misoginia. Criminalizar esse \u00f3dio \u00e9 essencial. A imprensa precisa fazer autocr\u00edtica.\u201d<\/p>\n<h4>\u201cA cisgeneridade ainda \u00e9 invis\u00edvel nas an\u00e1lises sobre viol\u00eancia de g\u00eanero\u201d<\/h4>\n<p>A mestranda Ella Brites participou da mesa sobre invisibilidade e provocou a aus\u00eancia da cisgeneridade como categoria anal\u00edtica. \u201cAquilo que est\u00e1 invis\u00edvel \u00e9 o que n\u00e3o foi nomeado, o que n\u00e3o foi observado.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ela, a cisgeneridade, condi\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o mudou de g\u00eanero, ancora as desigualdades entre homens e mulheres. \u201cS\u00f3 h\u00e1 regime heterossexual porque a cisgeneridade opera.\u201d Ela aponta que essa l\u00f3gica naturaliza a viol\u00eancia e invisibiliza os assassinatos de pessoas trans. \u201cPara olhar com generosidade e urg\u00eancia os assassinatos de pessoas trans, precisamos romper a naturaliza\u00e7\u00e3o da cisgeneridade que estrutura nosso olhar.\u201d<\/p>\n<p>As falas da mesa reafirmam: combater o feminic\u00eddio exige nomear viol\u00eancias, romper com a misoginia estrutural e fortalecer os v\u00ednculos entre mulheres que resistem nas margens do abandono.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/01\/sobreviventes-de-feminicidio-denunciam-abandono-e-transformam-dor-em-mobilizacao-coletiva\/\">Sobreviventes de feminic\u00eddio denunciam abandono e transformam dor em mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/\">Brasil de Fato<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/sem-saida-por-fartura-de-provas-mendonca-vira-alvo-de-bolsonaristas-apos-despachar-pf-contra-ciro-nogueira\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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