{"id":36330,"date":"2025-07-03T04:00:00","date_gmt":"2025-07-03T07:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/expulsos-por-hidreletrica-em-goias-quilombolas-lutam-ha-duas-decadas-por-reparacao\/"},"modified":"2025-07-03T04:00:00","modified_gmt":"2025-07-03T07:00:00","slug":"expulsos-por-hidreletrica-em-goias-quilombolas-lutam-ha-duas-decadas-por-reparacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/expulsos-por-hidreletrica-em-goias-quilombolas-lutam-ha-duas-decadas-por-reparacao\/","title":{"rendered":"Expulsos por hidrel\u00e9trica em Goi\u00e1s, quilombolas lutam h\u00e1 duas d\u00e9cadas por repara\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 uma dor que n\u00e3o passa\u201d. Faz mais de duas d\u00e9cadas que a comunidade quilombola em que Dita Godinho vivia foi expulsa de suas terras, mas, ainda assim, os olhos da senhora de\u00a062 anos marejam ao falar do assunto. A fam\u00edlia dela foi uma das cerca de cinquenta que viram seu mundo ser inundado para dar lugar \u00e0 represa da usina hidrel\u00e9trica de Cana Brava, localizada na bacia do rio Tocantins, entre os munic\u00edpios de Mina\u00e7u e Cavalcante, no norte de Goi\u00e1s. A estrutura est\u00e1 em funcionamento desde 2002.<\/p>\n<p>Obrigadas a deixar para tr\u00e1s suas casas, hortas, ro\u00e7as e pomares, muitas das fam\u00edlias acabaram se estabelecendo em Mina\u00e7u, cidade de 27 mil habitantes a cerca de 30 quil\u00f4metros, onde est\u00e3o at\u00e9 hoje, formando o quilombo urbano S\u00e3o F\u00e9lix.\u00a0<\/p>\n<p><span>Duas d\u00e9cadas depois, elas ainda lutam para serem compensadas pela empresa e para receberem, do Incra, uma \u00e1rea em que possam retomar o modo de vida tradicional.<\/span><\/p>\n<p>\u201cA gente sofreu muito. A gente n\u00e3o tinha essa viv\u00eancia de cidade. E at\u00e9 hoje temos dificuldade, porque uma pessoa que mora na ro\u00e7a e chega na cidade, sem um curso superior, sofre muita discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, diz Dita.<\/p>\n<div>\n<div>\n    <strong>E a COP30 com isso?<\/strong>\n  <\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>\n        Mesmo energias consideradas mais \u201climpas\u201d, como a hidrel\u00e9trica \u2013 que s\u00e3o crucias para as metas de reduzir a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis -, podem causar impactos a popula\u00e7\u00f5es. Grupos quilombolas e da sociedade civil t\u00eam reivindicado mais participa\u00e7\u00e3o na COP justamente para pautar esse tipo de impacto;\n      <\/li>\n<li>\n        Recentemente, lideran\u00e7as apresentaram uma carta \u00e0 presid\u00eancia da confer\u00eancia pedindo que os pa\u00edses incluam metas espec\u00edficas para quilombolas, como a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria dos territ\u00f3rios.\n      <\/li>\n<\/ul><\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Primeira grande hidrel\u00e9trica privada do Brasil gera lucro para gringos, mas n\u00e3o paga quilombolas<\/strong><\/h3>\n<p>A usina de Cana Brava, que alagou 139 quil\u00f4metros quadrados (uma \u00e1rea equivalente a mais de 19.400 campos de futebol), foi a primeira grande barragem no pa\u00eds constru\u00edda integralmente por uma empresa privada, ent\u00e3o subsidi\u00e1ria da multinacional belga Tractebel. Hoje \u00e9 uma das 11 hidrel\u00e9tricas administradas pela multinacional francesa Engie Brasil, que, no primeiro trimestre deste ano, registrou um lucro l\u00edquido de R$ 823 milh\u00f5es.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"68662a73ed5c2\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Para a constru\u00e7\u00e3o do reservat\u00f3rio da hidrel\u00e9trica, foram inundados 139 km\u00b2 de terras<\/figcaption><\/figure>\n<p>For\u00e7adas a sair sem qualquer apoio da empresa ou do estado, algumas fam\u00edlias, como a de Dita, nunca foram indenizadas pelo empreendimento. <span>Desde 2018, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) pede \u00e0 Justi\u00e7a que a Engie seja condenada a pagar pelo menos 5% do faturamento bruto gerado pela hidrel\u00e9trica por danos materiais e morais coletivos<\/span>, que, na vis\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o, ainda n\u00e3o foram compensados e reparados.<\/p>\n<p>\u201cEu j\u00e1 n\u00e3o tenho nem l\u00e1grimas para chorar mais. Mas a gente nunca desiste da nossa indeniza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s nunca vamos desistir. \u00c9 direito nosso\u201d, diz a l\u00edder quilombola.<\/p>\n<p>Dita cresceu na comunidade quilombola, que come\u00e7ou a se formar a partir de 1949, \u00e0s margens do rio Maranh\u00e3o e do c\u00f3rrego S\u00e3o F\u00e9lix. As fam\u00edlias de origem Kalunga (um dos maiores e mais antigos quilombos do Brasil) pescavam e bebiam a \u00e1gua dos rios que, na \u00e9poca, era \u201ccristalina\u201d, como \u00e9 lembrado pela popula\u00e7\u00e3o. Cultivavam praticamente tudo que comiam e criavam alguns animais. Os filhos, quando casavam, constru\u00edam casas pr\u00f3ximas. Ningu\u00e9m pensava em sair de l\u00e1. At\u00e9 que veio a hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p>Inicialmente um projeto da empresa Furnas Centrais Hidrel\u00e9tricas, a usina come\u00e7ou a ser projetada ainda na d\u00e9cada de 1980. O empreendimento, por\u00e9m, s\u00f3 saiu do papel na d\u00e9cada seguinte, quando, em 1995, a Funda\u00e7\u00e3o Estadual do Meio Ambiente (FEMAGO), hoje transformada em Secretaria de Meio Ambiente, Recursos H\u00eddricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos emitiu a primeira licen\u00e7a necess\u00e1ria \u2013 antes mesmo do leil\u00e3o de licita\u00e7\u00e3o, s\u00f3 realizado em 1998 e vencido pela belga Tractebel. No mesmo ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) aprovou o contrato de financiamento da obra, que tamb\u00e9m contou com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).<\/p>\n<p>As fam\u00edlias quilombolas ouviram que n\u00e3o tinham outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser deixar o local que habitavam h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas. A algumas poucas foram oferecidas indeniza\u00e7\u00f5es em valores irris\u00f3rios, que, como denunciaram os quilombolas, foram, na \u00e9poca, na faixa de R$ 300 e R$ 600 (hoje, estaria entre R$ 1.200 e R$ 2.300). Agricultores familiares, pequenos garimpeiros e os ind\u00edgenas Av\u00e1-Canoeira tamb\u00e9m foram afetados pela constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p>\u201cA gente veio por conta pr\u00f3pria, porque ou sa\u00edamos, ou fic\u00e1vamos no meio da \u00e1gua. O munic\u00edpio mais pr\u00f3ximo era Mina\u00e7u. Quando a gente chegou aqui, essa \u00e1rea era mato. A gente ro\u00e7ou e fizemos os barracos improvisados de pl\u00e1stico\u201d, conta Dita.<\/p>\n<h3><strong>Quilombolas lutam pela regulariza\u00e7\u00e3o da comunidade<\/strong><\/h3>\n<p>Ao longo dos anos, os barracos da nova comunidade deram lugar a casas de alvenaria, muitas ainda com o reboco exposto, formando o bairro hoje chamado setor Nova Esperan\u00e7a \u2013 o nome, diz Dita, foi colocado pelos pr\u00f3prios moradores, que torciam por uma melhora.<\/p>\n<p>O bairro fica no sop\u00e9 de uma montanha de rejeitos de amianto, min\u00e9rio ainda usado na constru\u00e7\u00e3o civil em pa\u00edses como \u00cdndia e Tail\u00e2ndia e extra\u00eddo h\u00e1 mais de 60 anos em Mina\u00e7u pela Sama, empresa de origem francesa, hoje parte da brasileira Eternit SA. Depois de mais de sessenta anos dependendo economicamente do amianto, a cidade vive hoje um momento de passagem para a minera\u00e7\u00e3o de terras raras, um conjunto de min\u00e9rios essencial para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica (saiba mais <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2025\/07\/do-amianto-as-terras-raras-cidade-de-goias-vive-entre-passado-e-futuro-da-mineracao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Muitas fam\u00edlias, representadas pela Associa\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento da Comunidade dos Quilombolas de S\u00e3o F\u00e9lix, fundada e presidida por Dita e reconhecida pela Funda\u00e7\u00e3o Palmares, querem \u201cvoltar para a terra\u201d. Desde 2013, corre no Incra o processo para que haja a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria da comunidade, com titula\u00e7\u00e3o coletiva de uma \u00e1rea na zona rural, que ainda n\u00e3o teve seu per\u00edmetro delimitado, por estar em fase de estudos.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"68662a73ed85a\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Dita Godinho, lideran\u00e7a da comunidade quilombola S\u00e3o F\u00e9lix, fundadora e presidente da associa\u00e7\u00e3o de desenvolvimento da comunidade dos quilombolas de S\u00e3o F\u00e9lix<\/figcaption><\/figure>\n<p>O relat\u00f3rio antropol\u00f3gico, uma das etapas iniciais para a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, foi elaborado ainda em 2013. Mas, ao longo dos \u00faltimos 12 anos, o processo n\u00e3o avan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Questionado pela reportagem, o Incra afirmou que a regulariza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio ainda est\u00e1 na fase de elabora\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio T\u00e9cnico de Identifica\u00e7\u00e3o e Delimita\u00e7\u00e3o \u2013 uma etapa inicial, da qual o relat\u00f3rio antropol\u00f3gico faz parte. \u201cFalta, ainda, al\u00e9m do levantamento fundi\u00e1rio, a planta e o memorial descritivo do per\u00edmetro da \u00e1rea reivindicada pelas comunidades, e o cadastramento das fam\u00edlias quilombolas\u201d, afirmou o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o Incra, h\u00e1 uma expectativa \u201cconcreta\u201d de avan\u00e7os dos trabalhos com a chegada de novos servidores aprovados no Concurso P\u00fablico Nacional Unificado, que ofereceu 742 vagas para o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Em outra frente, o MPF entrou ainda em 2018 com uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra Engie, Uni\u00e3o, Ibama, Funai e governo de Goi\u00e1s por irregularidades no processo de licenciamento, danos ambientais e viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na constru\u00e7\u00e3o do empreendimento.<\/p>\n<p>Segundo o MPF, centenas de fam\u00edlias nunca foram reconhecidas como atingidas pelo empreendimento. J\u00e1 as que foram, receberam repara\u00e7\u00f5es insuficientes. A perda dos territ\u00f3rios e do modo de vida levou ao empobrecimento das fam\u00edlias.<\/p>\n<h3><strong>Territ\u00f3rio ind\u00edgena foi alagado por projeto \u201cmal feito\u201d de usina<\/strong><\/h3>\n<p>Al\u00e9m do impacto para a comunidade quilombola, o MPF tamb\u00e9m apontou que o licenciamento ambiental para a constru\u00e7\u00e3o da usina, conduzido pela ent\u00e3o FEMAGO, n\u00e3o foi capaz de identificar \u2013 e impedir \u2013 falhas no projeto. Dentre essas falhas, ficaram de fora os impactos sobre os ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Erros no projeto, diz a a\u00e7\u00e3o do MPF, elevaram o n\u00edvel da cota de inunda\u00e7\u00e3o do reservat\u00f3rio, provocando um alagamento n\u00e3o previsto de algumas \u00e1reas. Foi o que aconteceu com parte da Terra Ind\u00edgena Av\u00e1-Canoeiro.<\/p>\n<p>Os Av\u00e1-Canoeiro, que se chamam de \u00c3wa, ficaram conhecidos como um dos povos que mais resistiu ao processo de coloniza\u00e7\u00e3o no Brasil, recusando contatos pac\u00edficos. Ao longo dos s\u00e9culos, o povo teve que fugir de seus territ\u00f3rios origin\u00e1rios e acabou separado em dois grupos \u2013 ambos v\u00edtimas de muitos massacres, que reduziram drasticamente a popula\u00e7\u00e3o. Em 1983, as quatro pessoas restantes do grupo que havia se estabelecido no rio Maranh\u00e3o procuraram estabelecer contato com moradores da regi\u00e3o, o que levou ao reconhecimento da Terra Ind\u00edgena Av\u00e1-Canoeiro pela Funai, oficialmente demarcada em 1999. O territ\u00f3rio tamb\u00e9m foi parcialmente inundado pela barragem da hidrel\u00e9trica Serra da Mesa, tamb\u00e9m em Mina\u00e7u, que formou um dos maiores lagos artificiais do pa\u00eds.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"68662a73edaa1\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Segundo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, licen\u00e7a de funcionamento da usina de Cana Brava est\u00e1 vencida desde h\u00e1 quase 20 anos<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ainda de <a href=\"https:\/\/www.mpf.mp.br\/go\/sala-de-imprensa\/noticias-go\/mpf-pede-suspensao-das-atividades-de-usina-hidreletrica-no-norte-de-goias\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">acordo com o MPF<\/a>, a licen\u00e7a de funcionamento da usina de Cana Brava est\u00e1 vencida desde 2008. O processo de renova\u00e7\u00e3o foi passado para o Ibama, que tentou obter os documentos originais do projeto com a FEMAGO. Mas os documentos, dizem os \u00f3rg\u00e3os, simplesmente desapareceram.<\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o, o MPF pede que uma nova licen\u00e7a de funcionamento n\u00e3o seja concedida at\u00e9 que sejam solucionados todos os impactos socioambientais e que sejam cumpridas as medidas condicionantes \u2013 segundo relat\u00f3rio da Engie, at\u00e9 2024, 19 foram atendidas e outras quatro est\u00e3o em atendimento. O \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m pediu a suspens\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da empresa em linhas de financiamento e o cancelamento de benef\u00edcios fiscais. Al\u00e9m do pagamento de multa por danos morais e materiais coletivos.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em Goi\u00e1s, passados sete anos, o processo est\u00e1 em\u00a0\u201cfase de nomea\u00e7\u00e3o de peritos e avalia\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios periciais\u201d, depois da Justi\u00e7a determinar a \u201cprodu\u00e7\u00e3o de prova t\u00e9cnica pericial por um corpo t\u00e9cnico multidisciplinar\u201d, \u201cpara avaliar os impactos socioambientais da UHE Cana Brava\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Dita j\u00e1 esteve at\u00e9 na Embaixada da B\u00e9lgica para cobrar as autoridades pelos danos causados pela Tractebel. Mas, at\u00e9 agora, ela n\u00e3o recebeu respostas nem sabre o pagamento de alguma compensa\u00e7\u00e3o e nem sobre a regulariza\u00e7\u00e3o de uma nova \u00e1rea para a comunidade quilombola.<\/p>\n<p>\u201cEsse descaso da barragem com a gente \u00e9 o que mais d\u00f3i a vida toda\u201d, diz Dita. A dor n\u00e3o passa por esse \u201cesperar, esperar e esperar\u201d, que j\u00e1 dura 23 anos. \u201cO que eles fizeram com n\u00f3s n\u00e3o foi \u2013 e n\u00e3o \u00e9 \u2013 justo\u201d, afirma a l\u00edder.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/rogerio-propoe-homenagens-a-rubens-paiva-e-dorothy-stang-no-livro-dos-herois-e-heroinas-da-patria\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Rog\u00e9rio prop\u00f5e homenagens a Rubens Paiva e Dorothy...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/google-maps-mudara-nome-do-golfo-do-mexico-para-golfo-da-america-nos-eua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Google Maps mudar\u00e1 nome do Golfo do M\u00e9xico para Go...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/russia-diz-que-vai-endurecer-posicao-nas-negociacoes-sobre-guerra-na-ucrania-apos-ataque-a-residencia-de-putin\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">R\u00fassia diz que vai endurecer posi\u00e7\u00e3o nas negocia\u00e7\u00f5...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/presidente-afastado-da-coreia-do-sul-conservador-yoon-suk-yeol-se-recusa-novamente-a-depor-apos-prisao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Presidente afastado da Coreia do Sul, conservador ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 uma dor que n\u00e3o passa\u201d. Faz mais de duas d\u00e9cadas que a comunidade quilombola em que Dita Godinho vivia foi expulsa de suas terras, mas, ainda assim, os olhos da senhora de\u00a062 anos marejam ao falar do assunto. 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