{"id":36505,"date":"2025-07-03T18:02:27","date_gmt":"2025-07-03T21:02:27","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/o-que-nos-faz-trilhar-as-bordas-de-vulcoes\/"},"modified":"2025-07-03T18:02:27","modified_gmt":"2025-07-03T21:02:27","slug":"o-que-nos-faz-trilhar-as-bordas-de-vulcoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/o-que-nos-faz-trilhar-as-bordas-de-vulcoes\/","title":{"rendered":"O que nos faz trilhar as bordas de vulc\u00f5es"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"691\" height=\"464\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot-2025-07-03-at-17-35-50-ca45be03993463788843bfd5d7df81d9avif-imagem-AVIF-700-467-pixels.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot-2025-07-03-at-17-35-50-ca45be03993463788843bfd5d7df81d9avif-imagem-AVIF-700-467-pixels.png 691w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot-2025-07-03-at-17-35-50-ca45be03993463788843bfd5d7df81d9.avif-imagem-AVIF-700-\u00d7-467-pixels-300x201.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Screenshot-2025-07-03-at-17-35-50-ca45be03993463788843bfd5d7df81d9.avif-imagem-AVIF-700-\u00d7-467-pixels-272x182.png 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 691px) 100vw, 691px\"><\/figure>\n<h3><strong>Estamos todos em Rinjani<\/strong><\/h3>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Juliana Marins, ao escalar o Monte do Vulc\u00e3o Rinjani, n\u00e3o mediu for\u00e7as para gerar sentido para sua pr\u00f3pria vida. A vida passa. Disso sabemos. Passa como um filme. \u00c0s vezes assistimos a ele como se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos nele. Outras vezes, tomamos parte. \u00c9 o que se pode distinguir entre o ser existente e o ser vivente. H\u00e1 pessoas que apenas existem, outras que, al\u00e9m de existir, escolhem viver. E viver \u00e9 sobre gerar sentido, para al\u00e9m do significado, n\u00e3o importa onde voc\u00ea esteja. Sim, sentido e significado s\u00e3o coisas t\u00e3o diferentes como existir e viver podem ser. Gerar sentido requer criatividade e inventividade. Por isso, muitas pessoas sucumbem, porque acham que o sentido da vida \u00e9 algo a ser recebido ou descoberto. Ledo engano. Quando perguntam \u201cqual o sentido da vida?\u201d, demonstram que n\u00e3o est\u00e3o trabalhando nele, la\u00e7am essa pergunta desde seu vazio de sentido. E \u00e9 no sentido que se toma a vida. Ela precisa de ingredientes, e eles s\u00e3o toda a nossa guerra e toda a nossa paz. Outro poss\u00edvel erro \u00e9 achar que o sentido da vida dispensa a nossa guerra interna. N\u00e3o, \u00e9 preciso de muitos ingredientes e a nossa guerra \u00e9 um deles. \u00c9 por isso que Juliana declarava na sua \u00faltima viagem: \u201cnunca me senti t\u00e3o viva!\u201d, ao falar de como ela se sentia bem em alguns momentos e mal em outros. Ao subir no Monte Rinjani, ela levou tudo com ela: sua paz e sua guerra, sua disposi\u00e7\u00e3o e seu cansa\u00e7o, para acrescentar algo na jornada do sentido de sua vida: conhecer mais o mundo, admir\u00e1-lo e aprender com ele. Mas eis que, no meio do seu percurso, houve o acidente: sua queda fatal no penhasco solit\u00e1rio do vulc\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas vezes, na hora em que acontece o que chamamos de morte, \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos assistindo ao fracasso da vida. Como se pud\u00e9ssemos, ainda, de alguma maneira permanecer, mas n\u00e3o consegu\u00edssemos. Ainda que tenhamos a certeza de que a morte \u00e9 o destino biol\u00f3gico do ser vivo, agimos como se ela fosse evit\u00e1vel de algum modo. Nossa inquieta\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica recusa as certezas da f\u00edsica. Quando reconhecemos uma partida fatal, recorremos ao \u201cpoderia\u201d isso, \u201ce se aquilo\u201d, como se o caminho para ela pudesse ter sido reajustado antes e postergado sua chegada. Assim, a morte fica lida como trag\u00e9dia, fatalidade, m\u00e1 not\u00edcia, na maioria das vezes. E a\u00ed nos abalamos. Por que ficamos t\u00e3o abalados com o acidente de Juliana? Por que o impacto disso reverberou muito mais do que outros tantos acidentes, incluindo desaparecimento e mortes, que acontecem entre trekkers e montanhistas? Guerras acontecendo no mundo, milhares de mortes notificadas, situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia extrema ocorrendo dentro e fora do Brasil, feminic\u00eddios em efeito cascata noticiados\u2026 Mas, o acidente de Juliana se destaca no abalo internacional. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Outras trag\u00e9dias que ocorrem entre trekkers e montanhistas nos chegam de modo muito remoto, sem precis\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, sem registro. O acidente de Juliana trouxe \u00e0 tona o fato de que outras pessoas j\u00e1 haviam se acidentado fatalmente no lugar. Mas nunca, jamais, tivemos not\u00edcias precisas e partilhadas mundialmente sobre isso at\u00e9 ent\u00e3o. O acidente de Juliana escancarou uma realidade que estava, por assim dizer, camuflada, no universo do turismo de risco da Indon\u00e9sia.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-4\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-4-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-4-4.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-4-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>O abalo mundial se refor\u00e7a pelo fator de que 1. Acompanhamos a not\u00edcia com detalhes da queda, com o registro de que ela estava viva; 2. Esperamos o resgate e ele n\u00e3o aconteceu em tempo. 3. O engajamento dos brasileiros, levando o caso a patamares mundiais. Aqui estamos diante do dilema do \u201cdeveria\u201d e do \u201ce se\u201d. Termos acompanhado o caso, com registro de Juliana viva e pass\u00edvel de resgate que n\u00e3o ocorreu, aponta para o sentimento inevit\u00e1vel que gera o pensamento: \u201cdeveria ter ocorrido\u201d, e \u201cse tivesse ocorrido?\u201d Mas esse pensamento n\u00e3o vem de modo flutuante. Est\u00e1 ancorado na partilha de um sentimento de pesar que, direcionado \u00e0 outra pessoa, insufla a experi\u00eancia da empatia, da tomada da dor do outro como a nossa e, acima de tudo, do sentimento humano de estranhamento sobre a fatalidade da morte, ainda que saibamos que esse seja o fim quando nosso corpo n\u00e3o resiste. Constatar isso e n\u00e3o ver revoga\u00e7\u00e3o da fatalidade, traz o peso do sentimento de \u201cperda\u201d, que gera o luto.<\/p>\n<p>A humanidade necessita de arqu\u00e9tipos para pensar sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o. O inconsciente coletivo, segundo Carl Jung, est\u00e1 cheio deles. Arqu\u00e9tipos que simbolizam a transforma\u00e7\u00e3o, a sabedoria, a alegria, o amor e assim por diante existem desde os prim\u00f3rdios. Mas, indo um pouco al\u00e9m disso, tamb\u00e9m geramos constantemente novos arqu\u00e9tipos, muitos deles de dimens\u00e3o espiritual, pol\u00edtica, social. Agora Juliana n\u00e3o \u00e9 mais apenas Juliana. Ela \u00e9 um arqu\u00e9tipo, um modelo, que passa a representar muitos outros e tantos outros seres, os que j\u00e1 se acidentaram e os que correm esse risco, n\u00e3o s\u00f3 em uma montanha ou um vulc\u00e3o, mas em qualquer lugar na vida. N\u00e3o estamos falando ou lamentando um caso espec\u00edfico em detrimento de outros. Quando recorremos \u00e0 Juliana, recorremos a uma imensid\u00e3o de referenciais: outros seres, diversas situa\u00e7\u00f5es, condenssados na representatividade que ela expressa. Passa a nos representar, humanamente, em nossa for\u00e7a e vulnerabilidade. Em suma, \u00e9 um sinal sobre a vulnerabilidade \u00e0 qual n\u00f3s nos lan\u00e7amos, paradoxalmente gra\u00e7as a nossa for\u00e7a, em situa\u00e7\u00f5es de limite e risco, sem amparo, seja f\u00edsico, moral ou emocional, sem seguran\u00e7a e, em \u00faltimo caso, sem possibilidade de reverter o fatal. S\u00e3o esses elementos que contornam o caso de Juliana, e os levam para um patamar muito al\u00e9m do que uma mera sele\u00e7\u00e3o flutuante de luto coletivo. Com isso, n\u00e3o podemos deixar de tamb\u00e9m frisar: em um momento de guerras \u00e9tnicas e geopol\u00edticas, com avan\u00e7os dos neofascismos, uma mulher negra, latino-americana e defensora da democracia ficou no centro de uma empatia partilhada mundialmente.<\/p>\n<p>No meio deste cen\u00e1rio h\u00e1 um dilema de discursos que alegam que ela facilitou a morte, por se arriscar. Sabemos que h\u00e1 caminhos que sugerem ser mais arriscados \u00e0 morte, mas tamb\u00e9m sabemos que n\u00e3o h\u00e1 como definir e precisar onde n\u00e3o h\u00e1 risco. Em outras palavras, dif\u00edcil \u00e9 dizer onde n\u00e3o h\u00e1 risco de morte a n\u00f3s no mundo. N\u00e3o \u00e9 sobre diminuir o fato da periculosidade alt\u00edssima do Monte Rinjani, mas, reconhecer tamb\u00e9m, como diria Jorge Lu\u00eds Borges, que \u201ctodos os caminhos levam \u00e0 morte\u201d. Enquanto isso, na Psican\u00e1lise, Freud fala que a vida \u00e9 movida por dois tipos de puls\u00e3o. A puls\u00e3o de vida e a puls\u00e3o de morte. Ambas buscam, de alguma maneira, se realizarem gerando prazer. Por qual puls\u00e3o Juliana era movida? Porque tantas pessoas arriscam suas vidas para subirem altas montanhas, vulc\u00f5es e afins? H\u00e1 lugares que sequer o resgate pode chegar, de t\u00e3o perigosos e humanamente invi\u00e1veis. \u00c9 o exemplo do Monte Everst. L\u00e1 existe um lema: \u201cmorreu na montanha, fica na montanha\u201d. Por que o Monte Everest, apesar de ter mais de trezentos corpos abandonados, atrai as pessoas para desafi\u00e1-lo? Seria a puls\u00e3o de vida ou a puls\u00e3o de morte? Vamos ao nosso arqu\u00e9tipo: o que Juliana Marins carregava consigo, por tr\u00e1s de seu sorriso e desejo de desbravar assumindo riscos? Muitas vezes a puls\u00e3o de vida est\u00e1 em desafiar a pr\u00f3pria possibilidade de morte e recusar a pot\u00eancia do seu risco. Ent\u00e3o, a pot\u00eancia de vida pode se confundir com pot\u00eancia de morte, quando ela se arrisca a ponto de fracassar. As puls\u00f5es n\u00e3o trabalham sozinhas, se entrela\u00e7am numa teia complexa. Da mesma forma, isso justifica o dilema que impressiona as pessoas diante da coragem que muitos indiv\u00edduos possuem de desafiar o risco da morte.<\/p>\n<p>Des\u00e7amos das montanhas. Voltemos para nossas casas, lugares comuns, parques e jardins. Lugares de riscos confort\u00e1veis. Ainda assim n\u00e3o estamos diante da seguran\u00e7a completa. Nada impede o nosso fim. A vida \u00e9 por um triz. Estamos em constante experi\u00eancia de risco. O avi\u00e3o, para ser mais seguro hoje, precisou ser muito arriscado um dia. Poder\u00edamos aplicar esse exemplo ao Monte Rinjani? Ele poderia ser seguro? Certamente, suas condi\u00e7\u00f5es naturais n\u00e3o o permitem. Mas poderia ser seguro o modo de pensar, refazer ou desfazer o tipo de turismo de risco, no quesito das limita\u00e7\u00f5es ambientais que se oferecem para as condi\u00e7\u00f5es humanas. Juliana nos aponta para a urg\u00eancia de repensarmos esses fatores. Juliana aponta para o fato de que n\u00e3o podemos simplesmente manter um tipo de turismo que permite acidentes com mortes e desaparecimentos sem que isso seja julgado, analisado e transmutado. N\u00e3o \u00e9 sobre uma busca por seguran\u00e7a e a nega\u00e7\u00e3o do risco como parte da vida, \u00e9 sobre uma possibilidade de equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Estamos todos em Rinjani. Repito, a vida \u00e9 por um triz. Rinjani n\u00e3o \u00e9 apenas mais um vulc\u00e3o. \u00c9 agora tamb\u00e9m, como Juliana, um arqu\u00e9tipo existencial. Como Juliana no Rinjani, a gente se anima e se cansa na jornada, a gente se desafia e assume muitos riscos no caminho para gerar algum sentido de vida. Qualquer movimento em desacordo por nos fazer cair fundo. E, qual o sentido disso? Podemos olhar, novamente, para Juliana e o Rinjani, e pensar.<\/p>\n<p>Que alguns escolhem viver para al\u00e9m de existir \u00e9 um fato. Os que apenas existem ficam assistindo sua exist\u00eancia como um filme distante numa sala de cinema, sem tomar parte. Se n\u00e3o tomam sua pr\u00f3pria vida, algu\u00e9m tomar\u00e1 por eles. E, para que se tome parte da vida, \u00e9 preciso assumir algum risco. Como diria a fil\u00f3sofa Anne Duffoumantelle, no livro <em>Elogio do risco<\/em> (2011), \u201cs\u00f3 arriscando-nos \u00e9 que deixamos de ser espectadores da nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia\u201d. Tudo \u00e9 risco. Mesmo o caf\u00e9 que voc\u00ea bebe numa bela manh\u00e3 pode chegar de um lote errado. O n\u00edvel de risco n\u00f3s contamos pela probabilidade e pelo n\u00edvel de convencionalidade ou conforto. \u00c9 mais prov\u00e1vel que o risco seja maior em outros contextos. Risco de qu\u00ea? De perder a vida?<\/p>\n<p>A vida n\u00e3o \u00e9 apenas sobre quantidade de tempo, mas sobre qualidade tamb\u00e9m. A garantia de seguran\u00e7a da vida n\u00e3o est\u00e1 em multiplicar a quantidade dos anos de exist\u00eancia, mas a qualidade de vida dentro dessa quantidade. Paga-se um pre\u00e7o pra isso: a coragem de gerar sentido. Juliana estava gerando seu sentido, realizando seu direito a isso.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/lojahucitec.com.br\/\" aria-label=\"CANCER\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CANCER-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CANCER-1.png 10920w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-300x37.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-1024x127.png 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-768x95.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-1536x190.png 1536w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-2048x253.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 10920px) 100vw, 10920px\" width=\"10920\" height=\"1350\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o importa se apenas existindo ou realmente vivos, n\u00f3s estamos todos em Rinjani. Ao que vem com isso, ainda que se tente evitar, pode ser fatal. \u00c0s vezes salvos, outras n\u00e3o, seguimos atravessando, abandonados e condenados, como diria Jean-Paul Sartre, \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o de liberdade. Pensar em \u201ce se\u201d e \u201cdeveria\u201d nos faz at\u00e9 entender como agir melhor entre n\u00f3s pr\u00f3prios, mas n\u00e3o muda a rota do que, fatalmente, possa ter ocorrido. O acidente pode ser um relevo na terra, mas pode ser tamb\u00e9m um acontecimento. Na terra lan\u00e7amos nossa exist\u00eancia, nossa vida. E, como diria a poeta Ad\u00edlia Lopes: \u201ca vida di\u00e1ria \u00e9 um acidente permanente\u201d. Estamos todos em Rinjani. Estamos numa exist\u00eancia vulner\u00e1vel, nos equilibrando, recuando e avan\u00e7ando diante, de um lado, do potencial vazio de sentido e, do outro, da potencial germina\u00e7\u00e3o de sentido. No entanto, \u00e9 preciso, como Juliana, nos sentirmos vivos, com nossa paz e nossa guerra, apesar do que vir\u00e1, ou exatamente por causa do que vir\u00e1, para todos n\u00f3s!<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura! Juliana Marins, ao escalar o Monte do Vulc\u00e3o Rinjani, n\u00e3o mediu for\u00e7as para gerar sentido para sua pr\u00f3pria vida. 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