{"id":36631,"date":"2025-07-04T16:57:44","date_gmt":"2025-07-04T19:57:44","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/continuamos-existindo-festa-camponesa-e-simbolo-de-resistencia-em-rondonia\/"},"modified":"2025-07-04T16:57:44","modified_gmt":"2025-07-04T19:57:44","slug":"continuamos-existindo-festa-camponesa-e-simbolo-de-resistencia-em-rondonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/continuamos-existindo-festa-camponesa-e-simbolo-de-resistencia-em-rondonia\/","title":{"rendered":"\u201cContinuamos existindo\u201d: Festa Camponesa \u00e9 s\u00edmbolo de resist\u00eancia em Rond\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_2810.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_2810-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_2810-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_2810-768x512.jpg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_2810-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/IMG_2810.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Foto: Grupo de Pesquisa e Extens\u00e3o REC\/UNIR<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Janelson Ferreira | MST\/Via Campesina<br \/>Da P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>Entre os dias 27 e 29 de julho, a oitava edi\u00e7\u00e3o da Festa Camponesa, em Jaru, Rond\u00f4nia, chamou aten\u00e7\u00e3o pela diversidade de sujeitos, alimentos, sementes, artes e express\u00f5es que apresentou. Com o lema \u201cpor ecologia integral e justi\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, a Festa, organizada pela Via Campesina, buscou chamar aten\u00e7\u00e3o para o papel dos povos tradicionais no enfrentamento, por meio de suas culturas, \u00e0 crise ambiental.<\/p>\n<p>\u201cQueremos demonstrar que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de superar a crise clim\u00e1tica e ambiental de forma individual, muito menos pelo mercado\u201d, afirmou Leila Meurer, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Segundo Meurer, a 8\u00aa Festa buscou afirmar que a agricultura camponesa e sua grande diversidade, valores e projeto de suas organiza\u00e7\u00f5es, traz consigo a possibilidade de supera\u00e7\u00e3o da crise ambiental e, sendo integral, est\u00e1 aliada a uma proposta tamb\u00e9m junto \u00e0s cidades.<\/p>\n<p>Ao todo, mais de 600 militantes da Via Campesina se envolveram na constru\u00e7\u00e3o da Festa. 11 estados brasileiros estavam representados, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es populares da Venezuela, Col\u00f4mbia e Bol\u00edvia. Al\u00e9m disso, a feira agroecol\u00f3gica que ocorreu durante a atividade contou com trinta bancas de alimentos e artesanatos, produzidos a partir do trabalho de camponeses, ind\u00edgenas e ribeirinhos na Amaz\u00f4nia.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com Beatriz Buffon, da dire\u00e7\u00e3o nacional do MST, a atividade resgata s\u00edmbolos e valores hist\u00f3ricos dos povos tradicionais como forma de se evidenciar a exist\u00eancia destes. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Queremos mostrar que continuamos existindo e seguiremos construindo meios de fortalecer o di\u00e1logo entre os povos tradicionais, mas, tamb\u00e9m, com a cidade\u201d<\/em>, afirmou Buffon.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Durante os tr\u00eas dias, a Festa Camponesa apresentou \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Jaru, debates em torno da crise ambiental, rodas de conversa sobre, entre outros temas, como agroecologia, sa\u00fade mental e desafios da juventude, al\u00e9m de oficinas pr\u00e1ticas sobre a\u00e7\u00facar mascavo, apicultura, recupera\u00e7\u00e3o de nascentes e demais. Pelas noites, diversas apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e musicais presentearam a cidade de mais de 50 mil habitantes com a pluralidade cultural dos povos tradicionais.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos adultos, 60 crian\u00e7as participaram da Ciranda Camponesa, contando com a colabora\u00e7\u00e3o de 27 cirandeiras e cirandeiros.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Troca de sementes crioulas refor\u00e7am povos tradicionais como guardi\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Na tarde do dia 28, todas as aten\u00e7\u00f5es de quem estava na Festa voltaram-se para a, j\u00e1 tradicional, troca de sementes crioulas. Neste ano, o momento contou com cerca de 300 variedades distintas de sementes. Um destaque especial foi o feij\u00e3o carioca, cultivado e melhorado h\u00e1 mais de 40 anos por fam\u00edlias camponesas, s\u00edmbolo de resist\u00eancia e preserva\u00e7\u00e3o das sementes crioulas.<\/p>\n<figure><figcaption><em>Foto: Brenda Spinosa<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<blockquote>\n<p><em>Na troca de sementes se encontram variedades que, \u00e0s vezes, a fam\u00edlia j\u00e1 havia perdido, ou estava com inten\u00e7\u00e3o de buscar, para multiplicar e garantir a possibilidade de seguir produzindo alimentos\u201d<\/em>, apontou Leila Meurer. <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>De acordo com a militante, a troca \u00e9 uma forma de fortalecer a biodiversidade como caminho para constru\u00e7\u00e3o e garantia da soberania alimentar.\u00a0<\/p>\n<p>O crescimento do uso de sementes geneticamente modificadas, em paralelo \u00e0 crescente extin\u00e7\u00e3o das sementes crioulas, \u00e9 denunciado pela Via Campesina. Segundo dados da ONU, 75% da diversidade de sementes foi perdida no s\u00e9culo passado. Estima-se que mais de 95% da soja cultivada no pa\u00eds seja a partir de sementes transg\u00eanicas, seguida pelo algod\u00e3o e pelo milho, com 89% e 88%, respectivamente. Isto faz com que o agroneg\u00f3cio seja o principal vetor de expans\u00e3o de sementes transg\u00eanicas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, j\u00e1 se sabe que os transg\u00eanicos podem causar alguns riscos \u00e0 sa\u00fade humana.\u00a0<\/p>\n<p>Para Beatriz Buffon, este contexto demonstra que a troca de sementes tamb\u00e9m \u00e9 um momento de den\u00fancia. \u201cQueremos mostrar na pr\u00e1tica uma diversidade e riqueza que o agroneg\u00f3cio jamais ter\u00e1, pois, enquanto eles buscam padronizar as sementes, por meio dos transg\u00eanicos, e, com isso, destruir a natureza, estamos aqui mostrando que somos os verdadeiros guardi\u00f5es das sementes e do meio ambiente\u201d, aponta.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9 Campon\u00eas levou comida de verdade para Jaru<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEstamos vendo que a fome \u00e9 uma arma de guerra, uma realidade concreta em Gaza, na Palestina\u201d, apontou Leila Meurer, durante a abertura do Caf\u00e9 Campon\u00eas. \u201cVivemos a triste realidade da fome e da m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o baseada em ultraprocessados que adoecem e causam sequelas e morte\u201d, denunciou.\u00a0<\/p>\n<figure><figcaption><em>Foto: Erica Oliveira<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo o Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios (OCHA, na sigla em ingl\u00eas), toda a popula\u00e7\u00e3o de Gaza est\u00e1 em risco de fome extrema. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>Gaza \u00e9 o lugar mais faminto do mundo. (\u2026) 100% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 em risco de fome extrema\u201d<\/em>, afirmou o porta-voz da OCHA, Jens Laerke.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para mostrar que \u00e9 poss\u00edvel superar esta realidade, na manh\u00e3 do domingo, 29, o Caf\u00e9 Campon\u00eas chamou aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de Jaru. Desde a madrugada, a milit\u00e2ncia da Via Campesina preparava os pratos para servir no Caf\u00e9. Ao amanhecer, mais de uma tonelada de alimentos, com 38 tipos de comida, j\u00e1 estavam prontos para serem compartilhados. Em volta das mesas, centenas de pessoas puderam apreciar, gratuitamente, toda a riqueza dos alimentos camponeses.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cMaterializamos na mesa o que defendemos politicamente\u201d, pontuou Beatriz Buffon. \u201cAlmejamos esta fartura para todas as pessoas, que todas possam ter acesso a alimento saud\u00e1vel e diverso\u201d, afirmou.\u00a0<\/p>\n<p>Para Meurer, o caf\u00e9 foi um momento de apresentar a diversidade de alimentos que geram sa\u00fade, sem ultraprocessados, alimento de verdade. \u201cO caf\u00e9 \u00e9 a prova de que temos a capacidade de produzir para alimentar, o que nos falta \u00e9 o investimento necess\u00e1rio, as condi\u00e7\u00f5es concretas \u2013 acesso \u00e0 terra, o direito de produzir incentivo para produ\u00e7\u00e3o e acesso \u00e0 bioinsumos\u201d, destacou.<\/p>\n<p><em>*Editado por Solange Engelmann<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/07\/04\/continuamos-existindo-festa-camponesa-e-simbolo-de-resistencia-em-rondonia\/\">\u201cContinuamos existindo\u201d: Festa Camponesa \u00e9 s\u00edmbolo de resist\u00eancia em Rond\u00f4nia<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/estamos-assistindo-a-uma-copa-descaradamente-subordinada-aos-interesses-do-dinheiro\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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