{"id":37095,"date":"2025-07-07T18:09:28","date_gmt":"2025-07-07T21:09:28","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/a-crise-do-ocidente-e-o-desafio-dos-brics\/"},"modified":"2025-07-07T18:09:28","modified_gmt":"2025-07-07T21:09:28","slug":"a-crise-do-ocidente-e-o-desafio-dos-brics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-crise-do-ocidente-e-o-desafio-dos-brics\/","title":{"rendered":"A crise do Ocidente e o desafio dos Brics"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"568\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/250707-Colonialismo7b.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/250707-Colonialismo7b.jpg 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/250707-Colonialismo7b-300x166.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/250707-Colonialismo7b-768x426.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/250707-Colonialismo7b-700x387.jpg 700w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/250707-Colonialismo7b-219x121.jpg 219w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>MAIS:<\/strong><br \/>O texto a seguir \u00e9 o pr\u00f3logo do dossi\u00ea <strong>BRICS+ e o futuro soberano do Sul Global<\/strong>, produzido pela Rede Brasileira pela Integra\u00e7\u00e3o dos povos \u2013 Rebrip. A obra \u00e9 composta de dez artigos, que tratam de temas como Coopera\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Global; Com\u00e9rcio, Investimento e Finan\u00e7as; Mudan\u00e7a do Clima; Governan\u00e7a da Intelig\u00eancia Artificial e Estrutura e Coes\u00e3o dos BRICS. Pode ser baixada, na \u00edntegra, <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Dossie-BRICS_versao-PDF.pdf\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Por <strong>Graciela Rodriguez<\/strong> | Imagem: <strong>Luis Zerbini<\/strong>, <em>A primeira missa <\/em>(2014)<\/p>\n<p>Em evento recente, no \u00e2mbito do G20 no Rio de Janeiro, o professor Ha-Joon Chang, autor do famoso livro <em>Chutando a escada<\/em><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a>, comentou com surpresa que estava o tempo todo ouvindo os expositores e outras pessoas falando em crise; na crise civilizat\u00f3ria, econ\u00f4mica, clim\u00e1tica, alimentar, de sa\u00fade, e mais. \u201cSe voc\u00eas fossem ao Oriente e perguntassem \u00e0s pessoas sobre a crise, elas diriam, \u2018de que crise voc\u00ea est\u00e1 falando?\u2019\u201d<\/p>\n<p>Em todo caso, \u00e9 o chamado Ocidente Coletivo \u2013 nome informal dado aos pa\u00edses que foram aliados dos EUA durante a Guerra Fria, entre 1947 e 1991, principalmente da Europa \u2013 que est\u00e1 submerso numa crise profunda, que vai al\u00e9m das c\u00edclicas crises a que o capitalismo nos t\u00eam acostumado.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-GERAL\"><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-GERAL-9.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-GERAL-9.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-GERAL-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Na verdade, a ordem mundial atual, surgida depois da Segunda Guerra Mundial, est\u00e1-se desmoronando, e o deterioro provoca o caos que sentimos na regi\u00e3o, que por sua vez impacta o conjunto do planeta de diversas formas, dada a import\u00e2ncia hegem\u00f4nica do Ocidente, tanto econ\u00f4mica quanto militar.<\/p>\n<p>As inst\u00e2ncias institucionais multilaterais como o FMI, o Banco Mundial, a OMC e outras est\u00e3o deslegitimadas, junto com princ\u00edpios tais como o respeito pelas fronteiras dos pa\u00edses, a igualdade e autonomia dos estados, o princ\u00edpio de n\u00e3o inger\u00eancia, o direito de autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos. Todas, premissas basilares do sistema normativo e do direito internacional, princ\u00edpios que sustentariam o funcionamento considerado pac\u00edfico do mundo, ou dito de outro modo, que impediriam uma terceira guerra mundial. Isto considerado de um modo geral, apesar das \u201cguerras eternas\u201d promovidas pela pot\u00eancia hegem\u00f4nica em diversos pa\u00edses, quase sempre em cada um isoladamente, na velha l\u00f3gica do \u201cdividir para conquistar\u201d. De fato, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os EUA foram se transformando na \u201cpol\u00edcia do mundo\u201d, especialmente a partir da queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do fim da Guerra Fria, consolidando esse papel a partir de 2001 e sua \u201cguerra ao terrorismo\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, a globaliza\u00e7\u00e3o corporativa veio desde os anos 1980 impondo a hegemonia econ\u00f4mica norte-americana e a l\u00f3gica do livre comercio e do estado m\u00ednimo, promovendo tamb\u00e9m o pensamento \u00fanico e o \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d a partir do modelo neoliberal.<\/p>\n<p>Entretanto, todas essas receitas deram resultados muito diversos aos prometidos pela globaliza\u00e7\u00e3o produtiva e acabaram provocando fortes altera\u00e7\u00f5es na geopol\u00edtica global, multiplicando as crises financeiras a partir de meados dos anos 90, especialmente a partir dos avan\u00e7os sem regras do sistema financeiro internacional. Concomitantemente, o desmonte do sistema produtivo ocidental pela deslocaliza\u00e7\u00e3o das empresas em busca do barateamento do emprego, e da entrada do <em>hegem\u00f3n<\/em> em guerras destrutivas em busca de territ\u00f3rios e recursos, ampliou e aprofundou as crises, especialmente em 2008, quando a explos\u00e3o do sistema financeiro norte-americano fez a crise se espalhar pelas bolsas do mundo inteiro. No meio desse turbilh\u00e3o surge o BRIC em 2009, depois de ter contribu\u00eddo com as reservas dos pa\u00edses-membros para superar a crise, e j\u00e1 formando o G20 como parte dos pa\u00edses convidados pelo G7, diante da ingovernabilidade do sistema econ\u00f4mico internacional.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o BRIC (posteriormente BRICS, com a incorpora\u00e7\u00e3o da \u00c1frica do Sul) ir\u00e1 al\u00e9m desse primeiro momento de interven\u00e7\u00e3o para contribuir com a sa\u00edda da crise, colocando desde o come\u00e7o o desafio de superar o sistema hegem\u00f4nico unipolar, mostrando sua voca\u00e7\u00e3o de multilateriza\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio mundial e de promo\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o multipolar.<\/p>\n<p>A come\u00e7ar porque eles, desde o in\u00edcio, reconheceram a import\u00e2ncia de empenhar esfor\u00e7os conjuntos para o avan\u00e7o da diplomacia multilateral e um \u201csistema econ\u00f4mico justo e equilibrado\u201d<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a> refor\u00e7ando a necessidade de resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de conflitos e reafirmando a import\u00e2ncia do di\u00e1logo em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a e paz mundiais, como tamb\u00e9m a coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul.<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a><\/p>\n<p><strong>Contexto no Norte Global<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/www.fosforoeditora.com.br\/produto\/corsaria-70453\" aria-label=\"BANNER-outraspalavras-JULHO-cors\u00e1ria\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria.jpg 728w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/BANNER-outraspalavras-JULHO-corsaria-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Por se tratar de um resumo apertado, para prologar este dossi\u00ea organizado pela REBRIP, vamos tentar comentar aqui a nossa perspectiva sobre o BRICS e sua atual import\u00e2ncia no contexto da ordem internacional neoliberal, que desde 2009 s\u00f3 vem mantendo uma crise profunda e com evid\u00eancias not\u00f3rias de decl\u00ednio.<\/p>\n<p>Em 2025, encontramos os EUA em crise e com uma d\u00edvida ingovern\u00e1vel de mais de 120% do seu PIB, provocando incerteza pol\u00edtico-econ\u00f3mica no pr\u00f3prio pa\u00eds e no mundo. A chegada de Trump \u00e0 Casa Branca s\u00f3 tem tornado a situa\u00e7\u00e3o ainda mais conflituosa, acrescentando novos elementos \u00e0 guerra tarif\u00e1ria que os EUA v\u00eam promovendo com a China h\u00e1 anos. Algumas de suas propostas remetem \u00e0 quebra de pilares do conv\u00edvio internacional assentados no ultimo s\u00e9culo \u2013 de respeito \u00e0 integridade dos pa\u00edses e suas autonomias \u2013, como no caso da anexa\u00e7\u00e3o da Groenl\u00e2ndia, do Canal do Panam\u00e1 e do vizinho Canad\u00e1, exemplos de como vem-se provocando uma grande turbul\u00eancia global.<\/p>\n<p>J\u00e1 na Europa, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m mostra enorme instabilidade, e a perspectiva de continuidade da guerra na Ucr\u00e2nia, apesar das tortas tentativas de Trump de levar \u00e0 frente um cessar fogo, s\u00f3 multiplicam a situa\u00e7\u00e3o de crise e fragilidade da regi\u00e3o. Uma Europa que tomou para si uma guerra por representa\u00e7\u00e3o dos interesses norte-americanos do governo Biden, de avan\u00e7ar na fronteira leste europeia com a R\u00fassia, apesar dos alertas e at\u00e9 dos acordos assinados<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a> desde 2014, dos conflitos no Maidan, e da perspectiva de entrada da Ucr\u00e2nia na OTAN. Ou seja, uma guerra imposs\u00edvel de ser vencida pela Ucr\u00e2nia, e que deixou milhares de mortos e feridos. Uma trag\u00e9dia com consequ\u00eancias grav\u00edssimas para a economia e bem-estar europeus, que segue porque n\u00e3o se reconhece que \u00e9 uma guerra perdida, e pela arrog\u00e2ncia da dirig\u00eancia europeia em continuar um conflito completamente rejeitado por sua popula\u00e7\u00e3o, com um custo de 800 bilh\u00f5es de euros para a cria\u00e7\u00e3o de um parque armament\u00edcio pr\u00f3prio, que possa substituir o fim da colabora\u00e7\u00e3o norte-americana para a OTAN enfrentar a continuidade dessa guerra.<\/p>\n<p>Tudo isso somado \u00e0 crise instalada na ind\u00fastria europeia, \u00e0 fragiliza\u00e7\u00e3o do sistema energ\u00e9tico e \u00e0s in\u00fameras consequ\u00eancias sociais e clim\u00e1ticas dessas escolhas. Sem falar no legado da destrui\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia: maltrato aos migrantes nas fronteiras da \u201cEuropa fortaleza\u201d com o afrouxamento da defesa dos direitos humanos e at\u00e9 o abandono dos ideais humanit\u00e1rios explicitado no apoio a Israel, autor do genoc\u00eddio ainda em curso em Gaza.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, um Norte global que tem demonstrado a incapacidade do multilateralismo ocidental em lidar com as crises sist\u00e9micas do planeta: de sa\u00fade, econ\u00f3mica, social e ambiental, levando-nos \u00e0 atual descren\u00e7a de muitas popula\u00e7\u00f5es na pol\u00edtica e num futuro melhor.<\/p>\n<p><strong>Import\u00e2ncia do BRICS<\/strong><\/p>\n<p>Por outro lado, nos \u00faltimos 15 anos, vimos crescer simultaneamente outro processo: o do avan\u00e7o do BRICS, agora um bloco se expandindo de forma significativa, com a entrada de mais 6 pa\u00edses<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a>, formando o chamado BRICS+, com 11 pa\u00edses e uma longa fila de solicita\u00e7\u00f5es de ades\u00e3o. Isso, no contexto de surgimento e ascens\u00e3o do chamado \u201cSul Global\u201d, sendo este um conceito em debate que inclui caracter\u00edsticas como o princ\u00edpio de coopera\u00e7\u00e3o com benef\u00edcios m\u00fatuos, que d\u00e1 fundamento a uma perspectiva socioecon\u00f3mico diversa da hegem\u00f4nica, um espa\u00e7o de resist\u00eancia aos projetos coloniais. Um construto alternativo, que questiona as din\u00e2micas de poder existentes, buscando promover uma ordem internacional mais justa. Essas caracter\u00edsticas do que agora chamamos Sul Global j\u00e1 se encontraram de formas similares na hist\u00f3ria recente com outros nomes, como pa\u00edses n\u00e3o alinhados, ou Terceiro Mundo, trazendo sempre a l\u00f3gica de quem sofreu situa\u00e7\u00f5es coloniais.<\/p>\n<p>O BRICS constitui-se nesse contexto, mas agora enquanto \u201cpa\u00edses emergentes\u201d, com a perspectiva de se transformarem nas principais economias do mundo at\u00e9 2050, com grandes popula\u00e7\u00f5es e \u00e1reas territoriais extensas, somada a uma presen\u00e7a de peso em seus continentes. Isto evidentemente traz novos desafios, chances e caminhos para seu funcionamento e desempenho.<\/p>\n<p>O crescimento acelerado da China nesses poucos anos tornou o pa\u00eds uma pot\u00eancia econ\u00f4mica e tecnol\u00f3gica, que tem inclusive arrastado diversos pa\u00edses do sudeste asi\u00e1tico numa trilha de multiplica\u00e7\u00e3o das op\u00e7\u00f5es produtivas locais e regionais e de avan\u00e7o nas tecnologias digitais. A \u00cdndia, com enormes diferen\u00e7as pol\u00edticas com seu grande vizinho do norte, tem caminhado numa perspectiva de conv\u00edvio pacifico, que o di\u00e1logo pol\u00edtico no BRICS vem ajudando at\u00e9 o momento a manter. Por sua parte, a parceria estrat\u00e9gica da R\u00fassia com seu s\u00f3cio mais importante, a China, tem-se traduzido em acordos de intera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e associa\u00e7\u00f5es de interesse m\u00fatuo, que ajudaram a suportar as milhares de san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas recebidas dos EUA.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00c1frica do Sul e Brasil, apesar de serem s\u00f3cios menores, t\u00eam tido um papel qualitativo fundamental para criar as bases democr\u00e1ticas de processos importantes, como a cria\u00e7\u00e3o do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e do Acordo de Reservas Contingentes (CRA), al\u00e9m de aproximar amplas regi\u00f5es, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, onde s\u00e3o, respectivamente, polos continentais.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o s\u00f3 as transforma\u00e7\u00f5es das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas desses pa\u00edses foram importantes para o surgimento em 2009 desse novo bloco internacional. Mas tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas criadas pelas repetidas crises econ\u00f4mico-financeiras, com foco inicial no ocidente, e pelo decl\u00ednio pol\u00edtico e \u00e9tico do Ocidente Coletivo \u2013 EUA e seus aliados na OTAN \u2013 com as in\u00fameras guerras acontecidas no Sul Global, e que perduram at\u00e9 hoje, (escalando em trucul\u00eancia com o genoc\u00eddio em Gaza). Ambas as causas, econ\u00f4micas como tamb\u00e9m as raz\u00f5es \u00e9tico-pol\u00edticas, se entrela\u00e7am condicionando-se mutuamente.<\/p>\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas da crise sist\u00eamica<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o momento complexo que vivenciamos atualmente, acirrado com a elei\u00e7\u00e3o de Trump e o avan\u00e7o da ultradireita neoliberal.<\/p>\n<p>De fato, o novo presidente norte-americano tem-se mostrado bastante disruptivo. Entretanto, sua verborreia n\u00e3o consegue ocultar que as propostas de aumento seletivo das tarifas de importa\u00e7\u00e3o seguem uma linha de guerra comercial j\u00e1 desenhada por governos anteriores, e tamb\u00e9m que h\u00e1 continuidade no processo de fragiliza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es multilaterais (Castilho, 2025). Mas possivelmente, a maneira de fazer os an\u00fancios traga o estilo <em>shock<\/em> com o prop\u00f3sito de acelerar a \u201creciclagem global\u201d como conceituado por Varoufakis<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia deste mecanismo de reciclagem global \u00e9 simples: desde a d\u00e9cada de 1970, os deficits dos Estados Unidos proporcionaram a Alemanha, Jap\u00e3o e posteriormente, China, a demanda por produtos de suas f\u00e1bricas. Em troca, a Uni\u00e3o Europeia, Jap\u00e3o e, posteriormente, China enviaram seus lucros acumulados para <em>Wall Street<\/em> e seu subalterno, a <em>City<\/em> de Londres, para que fossem reciclados no setor rentista estadounidense: d\u00edvida privada e p\u00fablica, financeiriza\u00e7\u00e3o parasit\u00e1ria com investimentos em a\u00e7\u00f5es e bens imobili\u00e1rios.<\/p>\n<p>Esse mecanismo, que tem gerado deficits comerciais crescentes e uma gigantesca d\u00edvida nos EUA, ao mesmo tempo tem permitido o acumulo de renda na Europa do norte e no Leste asi\u00e1tico. E agora parece que o limite chegou, e Trump n\u00e3o tem feito mais que escancarar a perspectiva das elites americanas a seus principais aliados no mundo, abandonando seus s\u00f3cios, que parecem agora atordoados e oscilando entre a condena\u00e7\u00e3o e a perman\u00eancia ao lado de seus algozes.<\/p>\n<p>Acreditamos que o importante agora \u00e9 perceber que isso est\u00e1 possibilitando uma janela de oportunidade para nos repensar enquanto parte do Sul Global, procurar recuperar a economia produtiva do ponto de vista das cadeias de produ\u00e7\u00e3o que precisam ser reorganizadas e realizar a pendente tarefa da industrializa\u00e7\u00e3o, com inova\u00e7\u00e3o e bem-estar, envolvendo a regi\u00e3o, como fez a China com seus vizinhos.<\/p>\n<p><strong>O Brasil no BRICS, na reciprocidade<\/strong><\/p>\n<p>Quando se tem pela frente um cen\u00e1rio global com tanta incerteza e turbul\u00eancias, ter clareza sobre o rumo a seguir, em rela\u00e7\u00e3o ao modelo produtivo e de pa\u00eds que se constr\u00f3i, permite contar com um alicerce firme a partir do qual \u00e9 poss\u00edvel reagir frente aos desafios e oportunidades. Diante da quebra das cadeias produtivas explicitada ap\u00f3s a pandemia, o atual rearranjo global da produ\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e, e permite vislumbrar oportunidades para a retomada a m\u00e9dio e longo prazo da reindustrializa\u00e7\u00e3o brasileira, acompanhando o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e a urgente necessidade da transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono. No caso do Brasil, o atual contexto interno parece ainda insuficiente para nos permitir aproveitar essa oportunidade externa que se apresenta, a menos que o pa\u00eds tome as decis\u00f5es pol\u00edticas que se requerem neste momento.<\/p>\n<p>O BRICS faz parte dessa oportunidade que permite vislumbrar uma perspectiva de mudan\u00e7a nos rumos da atual e desigual divis\u00e3o internacional do trabalho, que nos empurra necessariamente ao modelo prim\u00e1rio exportador, ambientalmente insustent\u00e1vel, com escassa cria\u00e7\u00e3o de empregos e concentra\u00e7\u00e3o da renda, e sua consequente desigual distribui\u00e7\u00e3o social da riqueza. Temos agora a possibilidade de negociar no BRICS um lugar de trocas de inova\u00e7\u00e3o e tecnologia que nos permita caminhar para uma matriz produtiva com valor agregado, apoiando as pequenas e medias empresas com maiores condi\u00e7\u00f5es de criar emprego, e ampliando o enorme potencial da bioeconomia e das fontes de energia renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>E essa oportunidade que vem do BRICS aparece tanto por raz\u00f5es geopol\u00edticas, de construir um mundo multipolar, anti-hegemonista e que permita avan\u00e7ar numa distribui\u00e7\u00e3o do poder global a partir de m\u00faltiplos atores, como tamb\u00e9m a partir das possibilidades de facilita\u00e7\u00e3o das transfer\u00eancias de tecnologia e de investimentos capazes de alavancar a sustentabilidade do crescimento e a capacidade de supera\u00e7\u00e3o das enormes desigualdades brasileiras e da regi\u00e3o. Essa chance depende do di\u00e1logo construtivo e do peso da hist\u00f3ria de povos que v\u00eam buscando superar as experi\u00eancias coloniais e o \u201cchoque de civiliza\u00e7\u00f5es\u201d promovido pelo ocidente.<\/p>\n<p>A democracia liberal e o multilateralismo ocidental t\u00eam fracassado na sua tarefa de promover a paz e a prosperidade. Por isso \u00e9 preciso caminhar para a coexist\u00eancia civilizacional da humanidade, o que inclui a aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as e da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos.<\/p>\n<p>O BRICS, agora aumentando o n\u00famero de pa\u00edses e seu alcance global, \u00e9 um grupo com vis\u00f5es e perspectivas pol\u00edticas, culturais e civilizacionais muito diversas, mas empenhadas em trabalhar juntas na diversidade, em prol da melhoria da prosperidade global.<\/p>\n<p><strong>Apontamentos para a constru\u00e7\u00e3o de futuros poss\u00edveis do BRICS+<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de certas vis\u00f5es cr\u00edticas e resistentes \u00e0s mudan\u00e7as no cen\u00e1rio internacional, que querem ver um antiocidentalismo no BRICS+, o bloco vem-se firmando como um farol que busca iluminar um mundo multipolar, de respeito \u00e0s diferen\u00e7as hist\u00f3ricas, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais que nos desafiam no mundo globalizado.<\/p>\n<p>Por isso, temos aqui quest\u00f5es fundamentais a serem refletidas.<\/p>\n<p>\u2013 Em primeiro lugar, o BRICS \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o do Sul Global, e portanto, podemos dizer que, em ess\u00eancia, est\u00e1 formado por pa\u00edses que foram colonizados, \u201cn\u00e3o ocidentais\u201d na sua maioria, mas nem por isso antiocidentais. Entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio superar a narrativa anti-Brics, pelos muitos clich\u00e9s e preconceitos que a rodeiam. Pelo contr\u00e1rio, o BRICS vem sendo constru\u00eddo com uma estrat\u00e9gia n\u00e3o confrontacional, como expressado diversas vezes pelo embaixador Celso Amorim e outros l\u00edderes, aceitando as diferentes vis\u00f5es e buscando um mundo de paz e mais justo, e que fortale\u00e7a o desenvolvimento do Sul Global, superando o subdesenvolvimento, \u201cheran\u00e7a maldita\u201d do colonialismo.<\/p>\n<p>Um multilateralismo que tamb\u00e9m permita o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es multilaterais necess\u00e1rias \u2013 existentes e novas \u2013 que possam ser reformadas e atualizadas a partir de regras de conviv\u00eancia internacional, que condenem a fome, a pobreza, o racismo, o genoc\u00eddio, e todas as formas de neo-colonialidade, desigualdades e discrimina\u00e7\u00f5es. Destacamos inclusive que a luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o Palestina em Gaza e Cisjord\u00e2nia, fazendo frente ao brutal genoc\u00eddio praticado por Israel com o expl\u00edcito apoio do Ocidente, tem que se tornar bandeira simb\u00f3lica da pr\u00f3pria luta do Sul Global.<\/p>\n<p>Esse \u00e9, talvez, o maior desafio, e por isso para n\u00f3s, sociedade civil brasileira, \u00e9 da ordem do essencial buscar o conv\u00edvio harmonioso entre civiliza\u00e7\u00f5es milenares, prevalecendo como pr\u00e1tica permanente o combate e supera\u00e7\u00e3o das desigualdades e mazelas que resistem em todas as nossas sociedades. A proximidade cultural com EUA e Europa, tem de fato nos prejudicado, pois ela ajudou a perpetuar o colonialismo pol\u00edtico e cultural que foi a patina hegem\u00f3nica da submiss\u00e3o econ\u00f4mica de Am\u00e9rica Latina e outras regi\u00f5es aos pa\u00edses do Norte Global.<\/p>\n<p>Assim, e apesar de fortemente moldada pelo ocidente, nossa rica e milenar cultura indo-americana conseguiu (e ainda consegue) enriquecer-se com as contribui\u00e7\u00f5es das culturas africanas, e posteriormente de outros povos migrantes, e tamb\u00e9m fez e pode continuar a faz\u00ea-lo com as culturas asi\u00e1ticas. S\u00f3 o maior conhecimento rec\u00edproco e as trocas culturais poder\u00e3o frutificar na necess\u00e1ria coopera\u00e7\u00e3o internacional de benef\u00edcios m\u00fatuos, para construir um mundo civilizado que, pela primeira vez, experimenta com a comunica\u00e7\u00e3o online a maior aproxima\u00e7\u00e3o global at\u00e9 agora conhecida.<\/p>\n<p>\u2013 Em segundo lugar, acreditamos que o BRICS precisaria ter como objetivo harmonizar as rela\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses do Sul Global, utilizando a coopera\u00e7\u00e3o multidimensional e a \u201cconectividade econ\u00f3mica\u201d com recursos naturais, financeiros, tecnol\u00f3gicos e com lideran\u00e7a estatal, fatores que lhe proporcionam a autonomia necess\u00e1ria para o desenvolvimento com equidade e justi\u00e7a ambiental, superando a crise da qual fal\u00e1vamos e que surpreendia ao professor Ha-Joon Chang.<\/p>\n<p>Existe no Sul uma desconfian\u00e7a no sistema econ\u00f3mico hegemonizado pelo Norte Global, especialmente pelo desequil\u00edbrio dos EUA e as respostas tarif\u00e1rias exageradas impostas por Trump, que at\u00e9 extemporaneamente decretou \u201ca morte do BRICS\u201d. Alguns analistas enxergam nos EUA um certo decl\u00ednio agressivo que se evidencia no uso de mecanismos de puni\u00e7\u00e3o coercitivas \u2013 como as in\u00fameras san\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 R\u00fassia, mas tamb\u00e9m a outros estados \u2013, utilizados como armas econ\u00f4micas para impedir o crescimento de pa\u00edses rivais, avivando esse clima de desconfian\u00e7a, e criando fortes turbul\u00eancias.<\/p>\n<p>Da\u00ed que a perspectiva de resposta do BRICS tenha-se fortalecido no questionamento ao sistema monet\u00e1rio hegem\u00f4nico, buscando alternativas e solu\u00e7\u00f5es tais como o uso de moedas nacionais m\u00fatuas nas transa\u00e7\u00f5es comerciais, acordos de coopera\u00e7\u00e3o em inova\u00e7\u00e3o e tecnologia (para enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, de combate \u00e0 fome e de iniciativas em sa\u00fade global e local), trocas em processos industriais e de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e nas \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o, dentre outras.<\/p>\n<p>\u2013 Em terceiro lugar, tem sido levantada a quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do BRICS, e de aperfei\u00e7oamento de sua institucionalidade. At\u00e9 agora, o bloco tem funcionado sem secretariado nem estrutura permanente, como uma rede descentralizada.<\/p>\n<p>Entretanto, e apesar de certa necessidade de institucionaliza\u00e7\u00e3o e ao menos de centraliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, consideramos que<\/p>\n<p>num espa\u00e7o multilateral, resulta mais atraente esse formato flex\u00edvel que n\u00e3o exija uma mesma medida para todos. Nem regras r\u00edgidas que busquem avan\u00e7ar ideias como a moeda \u00fanica, que acabaria sendo centrada na China pela maior for\u00e7a e tamanho e \u00e0 qual a \u00cdndia provavelmente se oporia, ou utilizar um sistema de pagamentos no qual alguns pa\u00edses se sentiriam presos.<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote7sym\"><sup>7<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Justamente da\u00ed surge parte da efetividade do BRICS, desse formato mais flex\u00edvel, que tem permitido os 15 anos de andamento e do forte interesse de ades\u00e3o de um grande n\u00famero de pa\u00edses. O que ali\u00e1s, j\u00e1 significa um sucesso do BRICS por seu valor simb\u00f3lico de aglutina\u00e7\u00e3o dos anseios de multilateralismo existentes no Sul Global.<\/p>\n<p>Finalmente, para concluir com esta introdu\u00e7\u00e3o ao dossi\u00ea, queremos enfatizar a necessidade de o governo brasileiro comprometer-se com o aprofundamento e amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o social no Conselho Civil do BRICS, e de fato em todo \u00e2mbito negociador da PEB \u2013 Pol\u00edtica Externa Brasileira. Nesse sentido, a REBRIP demanda a cria\u00e7\u00e3o do CONPEB \u2013 Conselho Nacional de Pol\u00edtica Externa Brasileira, de car\u00e1ter consultivo e inclusivo da diversidade da sociedade brasileira em seu conjunto, para dar maior solidez \u00e0s a\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas e internacionais, e ser o canalizador dos processos participativos, a partir da autonomia da sociedade civil, e com respeito \u00e0 pol\u00edtica externa como pol\u00edtica p\u00fablica nacional.<\/p>\n<p>Maio, 2025<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote1anc\">1<\/a> CHANG, Ha-Joon. <strong>Chutando a escada<\/strong> \u2013 a estrat\u00e9gia do desenvolvimento em perspectiva hist\u00f3rica. S\u00e3o Paulo: UNESP, 2004.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote2anc\">2<\/a> Declara\u00e7\u00e3o de Ecaterimburgo. <a href=\"http:\/\/www.itamaraty.gov.br\/sala-de-imprensa\/\">www.itamaraty.gov.br\/sala-de-imprensa\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote3anc\">3<\/a> INESC\/REBRIP. <strong>Os BRICS e a participa\u00e7\u00e3o social sob a perspectiva de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil<\/strong>.2013.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote4anc\">4<\/a> Acordos de MInsk e negocia\u00e7\u00f5es em torno ao conflito no Maidan. 2024-2015 em Kiev e Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote5anc\">5<\/a> Pa\u00edses que passaram a ser membros do BRICS inicial; Ir\u00e3, Egito, Eti\u00f3pia, Emirados \u00c1rabes Unidos, Ar\u00e1bia Saudita e mais recentemente, Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote6anc\">6<\/a> VAROUFAKIS,Yanis. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/x.com\/yanisvaroufakis\/status\/1919498798461542465?t=O61JyU_YOcSfhn27MS2Vaw&amp;s=08\">https:\/\/x.com\/yanisvaroufakis\/status\/1919498798461542465?t=O61JyU_YOcSfhn27MS2Vaw&amp;s=08<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/#sdfootnote7anc\">7<\/a> DIESEN, G. <strong>BRICS versus Unipolar World Order<\/strong>. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/x.com\/Glenn_Diesen\/status\/1895940275064992067\">https:\/\/x.com\/Glenn_Diesen\/status\/1895940275064992067<\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\">apoia.se\/outraspalavras<\/a><\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/crise-do-ocidente-desafio-dos-brics\/\">A crise do Ocidente e o desafio dos Brics<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/unidade-fortalecida-e-calma-tensao-comuneiros-e-comuneiras-relatam-ambiente-interno-na-venezuela\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Unidade fortalecida e \u2018calma tens\u00e3o\u2019: comuneiros e...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-recebe-alta-e-deixa-hospital-esta-resolvido-ele-esta-curado-afirma-medico\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula recebe alta e deixa hospital: \u201cest\u00e1 resolvido...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mtst-ocupa-shopping-leblon-mais-luxuoso-da-zona-sul-do-rio-de-janeiro-pela-taxacao-dos-super-ricos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">MTST ocupa shopping Leblon, mais luxuoso da zona s...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/em-espera-por-decisao-do-copom-centrais-sindicais-criticam-galipolo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/ctbatocapa-1536x864-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Em espera por decis\u00e3o do Copom, Centrais Sindicais...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Boletim Outras Palavras Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site Assinar Loading&#8230; Assinar Loading&#8230; Agradecemos! 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