{"id":37561,"date":"2025-07-10T10:54:13","date_gmt":"2025-07-10T13:54:13","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/conflito-entre-os-kaapor-leva-justica-a-suspender-projeto-de-carbono-no-maranhao\/"},"modified":"2025-07-10T10:54:13","modified_gmt":"2025-07-10T13:54:13","slug":"conflito-entre-os-kaapor-leva-justica-a-suspender-projeto-de-carbono-no-maranhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/conflito-entre-os-kaapor-leva-justica-a-suspender-projeto-de-carbono-no-maranhao\/","title":{"rendered":"Conflito entre os Ka\u2019apor leva Justi\u00e7a a suspender projeto de carbono no Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>A JUSTI\u00c7A FEDERAL<\/strong> suspendeu temporariamente a implementa\u00e7\u00e3o de um projeto de gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono na Terra Ind\u00edgena Alto Turia\u00e7u, uma das \u00faltimas por\u00e7\u00f5es protegidas da Amaz\u00f4nia no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Publicada no final de maio, a decis\u00e3o aponta como justificativa poss\u00edveis falhas no processo de consulta aos Ka\u2019apor \u2014 um dos quatro povos que vivem no territ\u00f3rio \u2014 e a falta de regras para esse mercado em terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2024\/12\/o-que-sao-creditos-de-carbono\/\">Cr\u00e9ditos de carbono<\/a> s\u00e3o certificados gerados a partir da redu\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa da atmosfera. Um dos instrumentos que permite isso \u00e9 o <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2024\/12\/o-que-e-redd\/\">REDD+<\/a>, que recompensa comunidades por protegerem a floresta e evitarem o desmatamento. Empresas poluidoras compram esses cr\u00e9ditos para compensar suas emiss\u00f5es \u2014 e o Brasil, com suas florestas, t\u00eam crescido nesse mercado.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre a comercializa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono em terras ind\u00edgenas, reconhecida inclusive pela Funai [Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas], em manifesta\u00e7\u00e3o nos autos, imp\u00f5e uma conduta judicial pautada pela cautela\u201d, escreveu a ju\u00edza Aliana Rubim Cabral Capeletto na decis\u00e3o de primeira inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A ju\u00edza tamb\u00e9m destacou que, embora n\u00e3o se possa afirmar que o projeto seja ilegal, tampouco \u00e9 poss\u00edvel garantir que a consulta livre, pr\u00e9via e informada tenha ocorrido de forma leg\u00edtima e \u201crepresentativa de toda a coletividade ind\u00edgena afetada\u201d. A Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho), da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio, exige a consulta a popula\u00e7\u00f5es afetadas por projetos econ\u00f4micos.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Limite-Terra-Indigena-Alto-Turiacu-1024x576.jpg\" alt=\"Dentro da terra ind\u00edgena, floresta protegida; do lado de fora, destrui\u00e7\u00e3o (Foto: Ruy Sposati\/Rep\u00f3rter Brasil\/2022)\n\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Limite-Terra-Indigena-Alto-Turiacu-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Limite-Terra-Indigena-Alto-Turiacu-300x169.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Limite-Terra-Indigena-Alto-Turiacu-768x432.jpg 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Limite-Terra-Indigena-Alto-Turiacu-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Limite-Terra-Indigena-Alto-Turiacu.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Dentro da terra ind\u00edgena, floresta protegida; do lado de fora, destrui\u00e7\u00e3o (Foto: Ruy Sposati\/Rep\u00f3rter Brasil\/2022)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A <a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3575\">TI Alto Turia\u00e7u<\/a>, regularizada em 1982, tem 530 mil hectares (3,5 vezes o tamanho da cidade de S\u00e3o Paulo) e abriga mais de 4 mil ind\u00edgenas das etnias Ka\u2019apor, Temb\u00e9, Timbira e Awa Guaj\u00e1, al\u00e9m de povos isolados. Maior territ\u00f3rio demarcado do Maranh\u00e3o, forma com \u00e1reas vizinhas a maior extens\u00e3o florestal cont\u00ednua do estado. Contudo, sofre com invas\u00f5es de madeireiros, pecuaristas, ca\u00e7adores e garimpeiros.<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"77670\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"17a659f\" data-element_type=\"container\" data-settings='{\"background_background\":\"classic\"}'>\n<div>\n<div data-id=\"386385d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div>\n<h2>ASSINE NOSSA NEWSLETTER<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"6546917\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"html.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"8c2e333\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"button_width\":\"20\",\"step_next_label\":\"Next\",\"step_previous_label\":\"Previous\",\"button_width_mobile\":\"20\",\"step_type\":\"number_text\",\"step_icon_shape\":\"circle\"}' data-widget_type=\"form.default\">\n<div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<label for=\"form-field-email\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\tEmail\t\t\t\t\t\t\t<\/label><\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<button type=\"submit\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\"><\/i>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>Submit<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/button>\n\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<h2>Duas organiza\u00e7\u00f5es Ka\u2019apor em conflito\u00a0<\/h2>\n<p>O impasse op\u00f5e duas organiza\u00e7\u00f5es Ka\u2019apor: o Conselho de Gest\u00e3o Ka\u2019apor Tuxa Ta Pame, contr\u00e1rio ao projeto, e a Associa\u00e7\u00e3o Ka\u2019apor Ta Hury do Rio Gurupi, que \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 proposta, executada parceria com a empresa norte-americana Wildlife Works (WWC).<\/p>\n<p>O Conselho Tuxa Ta Pame, autor da a\u00e7\u00e3o\u00a0 judicial, se define como uma organiza\u00e7\u00e3o ancestral do povo Ka\u2019apor, tendo sido retomada em 2013. Na \u00e9poca, lideran\u00e7as Ka\u2019apor decidiram abolir a figura dos caciques \u2014 considerada um modelo de comando imposto pela Funai \u2014 para retomar o modo ancestral de organiza\u00e7\u00e3o do povo, em que as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas de forma coletiva por um conselho de <em>tux\u00e1s<\/em>.\u00a0<\/p>\n<p>O grupo defende uma gest\u00e3o aut\u00f4noma do territ\u00f3rio, <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/01\/indigenas-do-maranhao-buscam-romper-com-o-resto-da-sociedade\/\">como mostrou a <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> em 2018<\/a>, com m\u00ednima\u00a0 participa\u00e7\u00e3o do Estado em assuntos como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e seguran\u00e7a, al\u00e9m da recusa em negociar com empresas e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o ind\u00edgenas.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/01\/indigenas-do-maranhao-buscam-romper-com-o-resto-da-sociedade\/\"><strong>:: Leia tamb\u00e9m: Ind\u00edgenas do Maranh\u00e3o buscam romper com o resto da sociedade::\u00a0<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Os Ka\u2019apor s\u00e3o pioneiros na autodefesa do territ\u00f3rio e, desde 2013, contam com uma guarda florestal pr\u00f3pria que expulsa invasores, destr\u00f3i equipamentos ilegais e instala bases em \u00e1reas remotas.<\/p>\n<p>A autodefesa motivou <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2022\/02\/indigenas-kaapor-sao-ameacados-por-carro-com-adesivos-de-pre-candidato-a-governo-do-maranhao\/\">amea\u00e7as e ataques ao grupo<\/a>, levando alguns de seus membros a integrarem programas de prote\u00e7\u00e3o. Em 2022, um dos l\u00edderes, Sarap\u00f3 Ka\u2019apor, <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2022\/09\/vai-ter-guerra-apos-morte-suspeita-de-lideranca-guardioes-kaapor-se-unem-contra-garimpo-ilegal\/\">morreu<\/a> por envenenamento. Sua morte \u00e9 considerada <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2024\/04\/a-estranha-morte-a-espera-de-resposta-de-uma-lideranca-indigena-ameacada-no-maranhao\">suspeita<\/a> pelos parentes e passou a ser investigada pela Pol\u00edcia Federal, mas ainda sem conclus\u00e3o.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Kaapor_06_lunaeParracho.jpg\" alt=\"Para coibir as invas\u00f5es de suas terras, os Ka\u2019apor se revezam para destruir estradas abertas por madeireiros ilegais (Foto: Luna\u00e9 Parracho\/Rep\u00f3rter Brasil\/2022)\n\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Kaapor_06_lunaeParracho.jpg 800w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Kaapor_06_lunaeParracho-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Kaapor_06_lunaeParracho-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption>Para coibir as invas\u00f5es de suas terras, os Ka\u2019apor se revezam para destruir estradas abertas por madeireiros ilegais (Foto: Luna\u00e9 Parracho\/Rep\u00f3rter Brasil\/2022)<\/figcaption><\/figure>\n<p>No pedido \u00e0 Justi\u00e7a, o conselho Tuxa Ta Pame afirma que j\u00e1 comunicou \u00e0 Wildlife Works a rejei\u00e7\u00e3o ao projeto de carbono. \u201cN\u00e3o aceitamos a presen\u00e7a de sua empresa em nosso territ\u00f3rio, raz\u00e3o pela qual exigimos sua imediata retirada\u201d, escreveu o grupo em resposta a um e-mail da empresa.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Associa\u00e7\u00e3o Ka\u2019apor Ta Hury do Rio Gurupi, que negocia com a Wildlife Works, exerce uma rela\u00e7\u00e3o distinta com o territ\u00f3rio, aceitando tratos com agentes externos. Um exemplo \u00e9 o acordo mantido com a mineradora Vale, de quem recebe recursos financeiros, como compensa\u00e7\u00e3o pelos danos causados pela Estrada de Ferro Caraj\u00e1s \u2014 que conecta a mina de Caraj\u00e1s, em Parauapebas (PA), ao porto de S\u00e3o Lu\u00eds (MA).<\/p>\n<p>Segundo Iracadju Ka\u2019apor, lideran\u00e7a da Ta Hury, o projeto foi discutido em assembleia, aprovado por 24 lideran\u00e7as e depois submetido \u00e0 consulta comunit\u00e1ria.\u201cMas apenas quatro aldeias n\u00e3o querem\u201d, disse \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>Para Iracadju, eles t\u00eam direito a um projeto REDD+ por j\u00e1 realizarem a preserva\u00e7\u00e3o ambiental \u2014 assim como o Tuxa Ta Pame, a associa\u00e7\u00e3o Ta Hury tamb\u00e9m faz a vigil\u00e2ncia e monitoramento do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Segundo a Wildlife Works, o projeto \u00e9 de responsabilidade da associa\u00e7\u00e3o Ka\u2019apor. \u201cO projeto \u00e9 deles. N\u00f3s estamos l\u00e1 como assessores t\u00e9cnicos de uma imensa maioria de uma comunidade que nos convidou para fazer a consulta\u201d, diz Monique Vanni, diretora da empresa no Brasil. \u201cJuntamos eles fora do territ\u00f3rio, fizemos v\u00e1rias conversas aprofundadas sobre riscos financeiros de projetos de REDD+, governan\u00e7a coletiva, gest\u00e3o de recursos e afins, porque a gente sentiu que eles precisavam estar mais preparados\u201d, continua.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"677\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-06-27-at-125154-e1752156379131-1024x677.jpeg\" alt=\"Encontro realizado entre a Wildlife Works e ind\u00edgenas da associa\u00e7\u00e3o Ka'apor Ta Hury dentro da TI Alto Turia\u00e7u (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Wildlife Works)\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-06-27-at-125154-e1752156379131-1024x677.jpeg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-06-27-at-12.51.54-e1752156379131-300x198.jpeg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-06-27-at-12.51.54-e1752156379131-768x508.jpeg 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-06-27-at-12.51.54-e1752156379131.jpeg 1210w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Encontro realizado entre a Wildlife Works e ind\u00edgenas da associa\u00e7\u00e3o Ka\u2019apor Ta Hury dentro da TI Alto Turia\u00e7u (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Wildlife Works)<\/figcaption><\/figure>\n<h2>\u2018Carbono \u00e9 o novo madeireiro\u2019, afirma lideran\u00e7a do Tuxa<\/h2>\n<p>As quatro aldeias Ka\u2019apor que apoiam o conselho Tuxa Ta Pame s\u00e3o representadas por seis lideran\u00e7as, entre elas Itahu Ka\u2019apor. Ele faz parte do programa de prote\u00e7\u00e3o do estado do Maranh\u00e3o por ter recebido amea\u00e7as de ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas. Isso por conta do processo de retirada de madeireiros, iniciado em 2013, que foi acompanhado pela expuls\u00e3o de representantes da Funai e da Sesai (sa\u00fade ind\u00edgena), a quem o conselho apontava como coniventes com as invas\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAtacaram e queimaram as aldeias por causa desse conflito com madeireiros. A gente n\u00e3o quer outro sofrimento. O cr\u00e9dito de carbono est\u00e1 chegando como o novo madeireiro para n\u00f3s\u201d, afirma..<\/p>\n<p>Itahu sustenta que a associa\u00e7\u00e3o Ta Hury n\u00e3o representa o Tuxa e critica sua origem: \u201cA associa\u00e7\u00e3o \u00e9 pelo branco. Quem criou foi a Funai, em 2003. N\u00e3o foi criada pelo povo.\u201d<\/p>\n<p>As posi\u00e7\u00f5es de Itahu s\u00e3o resultado de um longo processo de constru\u00e7\u00e3o dos Ka\u2019apor. Quando o mercado de carbono entrou no territ\u00f3rio, em 2023, o conselho Tuxa Ta Pame organizou uma s\u00e9rie de encontros por meio do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jumueharendakeruhu\/\">Centro de Forma\u00e7\u00e3o Saberes Ka\u2019apo<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cTodo m\u00eas a gente se re\u00fane [no centro de forma\u00e7\u00e3o] para estudar geografia, portugu\u00eas, matem\u00e1tica, hist\u00f3ria, filosofia, sociologia\u201d, conta o antrop\u00f3logo Jos\u00e9 Mendes, que atua junto ao conselho. Ao longo do ano passado, o grupo Ka\u2019apor fez debates sobre mercantiliza\u00e7\u00e3o da natureza versus projeto de bem viver, ele diz.<\/p>\n<p>No meio desse processo, o conselho Tuxa Ta Pame <a href=\"https:\/\/www.wrm.org.uy\/pt\/artigos-do-boletim\/os-projetos-de-carbono-sao-projetos-de-morte\">organizou um encontro<\/a> com comunidades ind\u00edgenas, trabalhadores rurais e quilombolas, com apoio do Movimento Mundial em Defesa das Florestas Tropicais (WRM, na sigla em ingl\u00eas). O grupo publicou uma<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Declaracao-Encontro-REDD-PORT-1-com-assinaturas-Final.pdf\"> declara\u00e7\u00e3o<\/a> que classifica\u00a0 o mercado de carbono como mais um modelo de explora\u00e7\u00e3o extrativista do territ\u00f3rio, compar\u00e1vel \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, ao petr\u00f3leo, \u00e0s hidrel\u00e9tricas e ao agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>\u201cO REDD permite que as empresas continuem poluindo e n\u00e3o reduzam as emiss\u00f5es de polui\u00e7\u00e3o\u201d, diz a declara\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 uma maquiagem verde que permite as empresas continuarem seus neg\u00f3cios poluindo\u201d, <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Declaracao-Encontro-REDD-PORT-1-com-assinaturas-Final.pdf\">continua o texto<\/a>.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"780\" height=\"513\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Fora-WildLife-.jpeg\" alt=\"Nos *TUXA TA PAME* do Povo Ka'apor da TI Alto Turia\u00e7u no Maranh\u00e3o reunimos com parentes e amigos de povos e Comunidades tradicionais de 6 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina nos dias 8 a 12 de julho de 2024 e dizemos *N\u00c3O A REDD, *NAO ao MERCADO DE CARBONO* , a FALSA SOLU\u00c7\u00c3O AMBIENTAL, a amea\u00e7a a nossa Autonomia. Dizemos NAO a Empresa *WORD LIFE WORKS* que n\u00e3o respeita nossa autonomia, est\u00e1 financiando a divis\u00e3o do nosso povo atrav\u00e9s de um falso Protocolo de consulta livre, pr\u00e9via e informada para um grupinho de pessoas onde tem n\u00e3o indigenas agressores do territ\u00f3rio, pessoas de outras etnias e outras que dizem ser Ka'apor. (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o\/Jumu'eha Renda Keruhu)\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Fora-WildLife-.jpeg 780w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Fora-WildLife--300x197.jpeg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Fora-WildLife--768x505.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 780px) 100vw, 780px\"><figcaption>Encontro de comunidades ind\u00edgenas, quilombolas e tradicionais na TI Alto Turia\u00e7u, em julho de 2024, organizado pelo Conselho Tuxa Ta Pame (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Jumu\u2019eha Renda Keruhu)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O grupo tamb\u00e9m critica o impacto da eletricidade. \u201cTanta luz, tanto som, tanto alcoolismo, trouxe muitos problemas para n\u00f3s\u201d, disse Itahu em entrevista <a href=\"https:\/\/www.wrm.org.uy\/pt\/artigos-do-boletim\/nao-a-energia-a-vida-alem-da-eletricidade\">divulgada recentemente<\/a> no site do Movimento das Florestas Tropicais. \u201cA gente precisa do escuro e para os animais tamb\u00e9m, que ficam andando \u00e0 noite. (\u2026) E para os encantados, para o mundo espiritual\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2>\u2018Estamos nos tempos modernos\u2019, diz Iracadju, da associa\u00e7\u00e3o Ta Hury<\/h2>\n<p>Para Iracadju, os recursos do mercado de carbono s\u00e3o necess\u00e1rios para remunerar e capacitar os guardi\u00f5es da associa\u00e7\u00e3o Ta Hury. As verbas recebidas da Vale tamb\u00e9m ajudam na prote\u00e7\u00e3o territorial.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s tamb\u00e9m fizemos uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o ter mais negocia\u00e7\u00e3o [com invasores], para n\u00e3o ter mais invas\u00e3o no territ\u00f3rio\u201d, conta.\u00a0<\/p>\n<p>Ele relata dificuldades para enfrentar inc\u00eandios florestais e defende a capacita\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u201cSe a gente se capacitar na parte de tecnologia, a gente vai [poder] monitorar a parte de inc\u00eandio. A gente tem que buscar conhecimento, trabalhar com tecnologia, para podermos combater. A gente est\u00e1 num tempo moderno\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Antigo membro do Tuxa Ta Pame, Iracadju critica o conselho por n\u00e3o dialogar: \u201cA gente respeita a lideran\u00e7a de cada um, ent\u00e3o a gente quer que eles tamb\u00e9m respeitem a nossa organiza\u00e7\u00e3o\u201d, diz. \u201cEles nunca vieram debater com a gente. Eles fazem a coisa muito individual.\u201d<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/encontro-ta-hury-1024x768.jpg\" alt=\"Um dos encontros organizados pela Associa\u00e7\u00e3o Ka'apor Ta Hury para falar do projeto de cr\u00e9ditos de carbono (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Associa\u00e7\u00e3o Ta Hury)\"><figcaption>Um dos encontros organizados pela Associa\u00e7\u00e3o Ka\u2019apor Ta Hury para falar do projeto de cr\u00e9ditos de carbono (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Associa\u00e7\u00e3o Ta Hury)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Outro ponto de tens\u00e3o entre as duas associa\u00e7\u00f5es \u00e9 o acordo de conviv\u00eancia firmado em 2013. Esse pacto previa que n\u00e3o haveria negocia\u00e7\u00f5es com invasores do territ\u00f3rio. Segundo os <em>tux\u00e1s<\/em>, Iracadju violou esse acordo.<\/p>\n<p>\u201cEle n\u00e3o cumpriu. Ele continua fazendo negocia\u00e7\u00f5es. E depois que ele se afastou, est\u00e1 fazendo as coisas do jeito que ele quer. Por isso est\u00e1 fazendo boiada, bebida dentro do territ\u00f3rio e muita festa\u201d, diz Itahu. \u201cDo lado dos tux\u00e1s n\u00e3o, a gente t\u00e1 orientando\u201d, completa.<\/p>\n<p>Questionado, Iracadju diz n\u00e3o saber do que seria o acordo e afirma que as cr\u00edticas s\u00e3o apenas para sujar a imagem da associa\u00e7\u00e3o Ta Hury. Ele tamb\u00e9m negou as negocia\u00e7\u00f5es com madeireiros. \u201cIsso foi em 2005, com outras lideran\u00e7as\u201d, defende-se.<\/p>\n<h2>Justi\u00e7a reconhece fragilidade no processo de consulta\u00a0<\/h2>\n<p>Se por um lado a associa\u00e7\u00e3o Ta Hury afirma ter o apoio da maioria das aldeias, por outro, o conselho Tuxa Ta Pame diz que isso n\u00e3o significa que ele n\u00e3o deva ser ouvido. \u201cN\u00e3o \u00e9 um debate eleitoral, de uma maioria sobre uma minoria, como na sociedade n\u00e3o ind\u00edgena\u201d, explica o assessor jur\u00eddico do conselho, Lu\u00eds Ant\u00f4nio Pedrosa.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO Tuxa Ta Pame \u00e9 uma entidade de representa\u00e7\u00e3o de um segmento minorit\u00e1rio, mas que n\u00e3o deixa tamb\u00e9m de representar esse segmento. Ningu\u00e9m pode negar essa capacidade de representa\u00e7\u00e3o\u201d, continua Pedrosa.<\/p>\n<p>O argumento da representatividade do conselho de <em>tux\u00e1s <\/em>tamb\u00e9m foi considerado pela decis\u00e3o judicial. \u201cO fato de um grupo significativo do povo Ka\u2019apor, articulado sob a lideran\u00e7a do Conselho Tuxa Ta Pame, declarar expressamente sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o do projeto e alegar aus\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o efetiva na consulta, fragiliza a legitimidade democr\u00e1tica do processo de consentimento conduzido at\u00e9 o momento\u201d, decidiu a ju\u00edza.<\/p>\n<p>A diretora da Wildlife Works no Brasil, Monique Vanni, reconhece que a divis\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o interna dos Ka\u2019apor. Mas ela questiona a representatividade dos <em>tux\u00e1s<\/em> e de seus aliados, assim como os debates realizados pelo grupo.\u00a0\u201cCom as oficinas e assembleias [que fizemos com a associa\u00e7\u00e3o Ta Hury], a gente promoveu um imenso processo de reencontro, reuni\u00e3o e cura de antigas m\u00e1goas. Mas sobrou um microgrupinho de cem pessoas, totalmente dominadas por um ente externo, altamente financiado e manipulado por organiza\u00e7\u00f5es antimercado\u201d, disse \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>Iracadju tamb\u00e9m defende o processo de consulta, que j\u00e1 teria sido conclu\u00eddo. \u201cFoi explicado que a gente tem que preservar a floresta para poder vender o cr\u00e9dito. Isso a gente j\u00e1 faz.\u201d<\/p>\n<p>Mas Itahu rebate. \u201cA natureza n\u00e3o tem import\u00e2ncia para eles, por isso eles querem negociar. Mas o Tuxa n\u00e3o pensa assim. N\u00f3s temos que proteger o territ\u00f3rio para nossos filhos, n\u00e3o para o dinheiro. A gente quer a natureza.\u201d<\/p>\n<p>Para o l\u00edder dos <em>tux\u00e1s<\/em>, o maior problema \u00e9 a Wildlife Works no territ\u00f3rio, que estaria agravando a divis\u00e3o e amea\u00e7ando a autonomia do povo Ka\u2019apor. \u201cA gente n\u00e3o quer entregar nossa autonomia para a empresa, que n\u00e3o \u00e9 daqui\u201d, diz. \u201cA gente j\u00e1 sofreu muito com os madeireiros e n\u00e3o quer mais ataques nem amea\u00e7as, nem contra n\u00f3s, nem contra a natureza\u201d, conclui.<\/p>\n<figure>\n<div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<div data-elementor-type=\"container\" data-elementor-id=\"75228\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div data-id=\"5e8db1e6\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"36eb6c91\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"6f52f515\" data-element_type=\"container\">\n<div data-id=\"65d9f401\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"divider.default\">\n<div>\n<div>\n\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"134a1245\" data-element_type=\"container\">\n<div>\n<div data-id=\"10fe55fe\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div>\n<p>Leia tamb\u00e9m<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div data-id=\"3c9495ae\" data-element_type=\"widget\" data-settings='{\"template_id\":\"75221\",\"columns\":1,\"row_gap\":{\"unit\":\"px\",\"size\":10,\"sizes\":[]},\"_skin\":\"post\",\"columns_tablet\":\"2\",\"columns_mobile\":\"1\",\"edit_handle_selector\":\"[data-elementor-type=\"loop-item\"]\",\"row_gap_tablet\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]},\"row_gap_mobile\":{\"unit\":\"px\",\"size\":\"\",\"sizes\":[]}}' data-widget_type=\"loop-grid.post\">\n<div>\n<div>\n\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2025\/07\/justica-barra-projeto-carbono-maranhao-divisao-kaapor\/\">Conflito entre os Ka\u2019apor leva Justi\u00e7a a suspender projeto de carbono no Maranh\u00e3o<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/china-lidera-transicao-energetica-global-e-concentra-30-da-capacidade-eletrica-mundial\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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