{"id":37908,"date":"2025-07-11T19:13:55","date_gmt":"2025-07-11T22:13:55","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/por-que-trump-teme-os-brics\/"},"modified":"2025-07-11T19:13:55","modified_gmt":"2025-07-11T22:13:55","slug":"por-que-trump-teme-os-brics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/por-que-trump-teme-os-brics\/","title":{"rendered":"Por que Trump teme os BRICS"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1018\" height=\"609\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/5156992508645978459.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/5156992508645978459.jpg 1018w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/5156992508645978459-300x179.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/5156992508645978459-768x459.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1018px) 100vw, 1018px\"><figcaption><em>Foto: Ricardo Stuckert<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Foi bem-sucedida a c\u00fapula dos BRICS, diferentemente do que muitos temiam (inclusive eu). Preocupado com o que me parecia o risco de um insucesso, enviei sugest\u00f5es e manifestei receios diversas vezes, tanto em p\u00fablico quanto em di\u00e1logos com integrantes do governo. Fiquei contente com os resultados e parabenizo as equipes do governo brasileiro e de outros pa\u00edses que contribu\u00edram para o sucesso, notadamente a R\u00fassia.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi por acaso que Donald Trump passou a exorbitar outra vez, durante e depois da c\u00fapula dos BRICS, pois ela confirmou que o grupo \u00e9, de fato, o principal contraponto no mundo \u00e0 hegemonia dos Estados Unidos e seus aliados. Na verdade, os resultados da c\u00fapula no Rio de Janeiro surpreenderam para melhor.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea econ\u00f4mico-financeira, algumas iniciativas importantes foram reafirmadas e desenvolvidas, algumas outras foram lan\u00e7adas. E o trabalho continuar\u00e1 \u2013 espero \u2013 no segundo semestre da presid\u00eancia brasileira. Deve-se notar que esses resultados positivos foram alcan\u00e7ados mesmo com problemas consider\u00e1veis que afetam o funcionamento dos BRICS. O artigo tratar\u00e1 desses problemas, de um lado, e das institui\u00e7\u00f5es e iniciativas financeiras do grupo, do outro.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-5\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-5-9.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-5-9.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-5-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Para n\u00e3o alongar demais o texto, deixo de lado as quest\u00f5es diplom\u00e1ticas e pol\u00edticas. Tratarei apenas das rea\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas de Trump.<\/p>\n<p>E \u00e9 t\u00e3o vasta a agenda econ\u00f4mica dos BRICS que nem poderei sequer abordar todas as iniciativas do grupo nesse campo.<\/p>\n<h3><strong>Lula e Trump<\/strong><\/h3>\n<p>Come\u00e7o com os destemperos de Donald Trump. Foi interessante a declara\u00e7\u00e3o do presidente Lula, logo antes da c\u00fapula, de que os BRICS precisam criar uma moeda alternativa para transa\u00e7\u00f5es internacionais. Declara\u00e7\u00e3o destemida, pois ignora, e faz bem de ignorar, as repetidas amea\u00e7as de Trump contra os BRICS e qualquer pa\u00eds que atue para destronar o d\u00f3lar da sua condi\u00e7\u00e3o de moeda de reserva internacional.<\/p>\n<p>Durante a nossa c\u00fapula, Trump voltou a amea\u00e7ar: \u201cQualquer pa\u00eds que venha a se alinhar com as pol\u00edticas antiamericanas dos BRICS ter\u00e1 de pagar uma tarifa ADICIONAL de 10%\u201d, escrevendo em letras mai\u00fasculas mesmo, e acrescentando que \u201cn\u00e3o haver\u00e1 exce\u00e7\u00f5es a esta pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>Logo depois da c\u00fapula, Trump fez declara\u00e7\u00f5es ainda mais agressivas, dizendo que os BRICS t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de \u201cdestruir o d\u00f3lar\u201d e que o grupo \u201cfoi criado para desvalorizar a nossa moeda\u201d. E foi enf\u00e1tico: \u201cO d\u00f3lar \u00e9 rei. Vamos mant\u00ea-lo assim. Se as pessoas quiserem desafi\u00e1-lo, podem. Mas ter\u00e3o que pagar um alto pre\u00e7o\u201d. Estipulou, al\u00e9m disso, que as novas tarifas entrar\u00e3o em vigor em 1\u00ba de agosto.<\/p>\n<p>No dia seguinte, deu um coice ainda maior: enviou uma carta aberta a Lula em que anunciou uma tarifa extra de 50% sobre a importa\u00e7\u00e3o de produtos do Brasil a partir de 1\u00ba de agosto, justificando esse tarifa\u00e7o, entretanto, sobretudo com quest\u00f5es pol\u00edticas internas nossas, em especial uma suposta ca\u00e7a \u00e0s bruxas contra o ex-presidente Bolsonaro, que \u201cdeve terminar IMEDIATAMENTE\u201d (mais uma vez em mai\u00fasculas), al\u00e9m de reclamar das \u201ccentenas de ordens de censura do Supremo Tribunal Federal brasileiro, SECRETAS e ILEGAIS (outra vez em caixa alta), dirigidas a plataforma de m\u00eddia social dos Estados Unidos\u201d. Reclamou, tamb\u00e9m, das barreiras tarif\u00e1rias e n\u00e3o-tarif\u00e1rias praticadas pelo Brasil. Curiosamente, os Estados Unidos t\u00eam expressivos super\u00e1vits comerciais com o Brasil h\u00e1 muito anos, o que d\u00e1 um car\u00e1ter totalmente descabelado \u00e0 carta de Trump.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Trump disparou de novo a sua metralhadora girat\u00f3ria tarif\u00e1ria contra diversos pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento, alguns deles dos BRICS.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Foi perfeita a nota do presidente Lula em resposta a Trump. Chama aten\u00e7\u00e3o a diferen\u00e7a de qualidade entre a missiva de Trump e a r\u00e9plica de Lula. A primeira totalmente aloprada (mais um sintoma da decad\u00eancia dos EUA); a segunda, firme e bem fundamentada.<\/p>\n<p>Lula acenou com retalia\u00e7\u00e3o, dizendo que o Brasil se reserva o direito de responder \u00e0 luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econ\u00f4mica, caso o tarifa\u00e7o entre mesmo em vigor. Postura altiva do nosso presidente, pois a carta aberta de Trump j\u00e1 amea\u00e7ara com aumentos adicionais de tarifas em caso de o Brasil aumentar suas tarifas sobre as exporta\u00e7\u00f5es dos EUA. E Trump ainda teve o desplante de escrever que, se Lula \u201celiminar as tarifas e barreiras n\u00e3o-tarif\u00e1rias\u201d, ele \u201ctalvez considere\u201d ajustar a sua carta.<\/p>\n<p>O que dizer de tudo isso? Bem, Trump chegou a falar, em ocasi\u00f5es anteriores, em tarifas de 100% e at\u00e9 200% sobre os BRICS por causa da suposta amea\u00e7a ao d\u00f3lar. Progresso, portanto!<\/p>\n<p>Enfim, foram novas grosserias do presidente dos Estados Unidos. Embora ele n\u00e3o tenha mencionado os BRICS na carta a Lula , \u00e9 razo\u00e1vel admitir que o sucesso da c\u00fapula do Rio tenha contribu\u00eddo para a explos\u00e3o de Trump.<\/p>\n<h3><strong>Os BRICS e o sistema monet\u00e1rio e financeiro controlado pelo Ocidente<\/strong><\/h3>\n<p>Diferentemente do que disse Trump nos dias recentes, repetindo v\u00e1rias declara\u00e7\u00f5es anteriores do mesmo naipe, os BRICS n\u00e3o pretendem atuar deliberadamente para destronar ou enfraquecer e muito menos \u201cdestruir o d\u00f3lar\u201d, mas sim criar alternativas aos sistemas internacionais dominados pelo Ocidente e centrados na moeda dos EUA. \u201cVamos com calma. N\u00e3o somos contra o d\u00f3lar, o d\u00f3lar \u00e9 que \u00e0s vezes \u00e9 contra n\u00f3s\u201d, disse o presidente Putin, sem ironia, em resposta a uma pergunta que tive a oportunidade de fazer a ele, em encontro anual do Clube Valdai em novembro do ano passado. Veja, leitor ou leitora, mesmo a R\u00fassia, que est\u00e1 efetivamente em guerra com o Ocidente, adota at\u00e9 agora uma linguagem moderada em rela\u00e7\u00e3o a propostas de desdolariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que o sistema monet\u00e1rio e financeiro internacional existente, controlado pelo Ocidente \u2013 isto \u00e9, o Fundo Monet\u00e1rio Internacional; o Banco Mundial e os bancos regionais de desenvolvimento tradicionais; a centralidade do d\u00f3lar como moeda internacional; o esquema SWIFT de pagamentos transfronteiri\u00e7os; as tr\u00eas principais ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco, entre outros elementos \u2013 apresenta claramente diversas defici\u00eancias graves. \u00c9 excludente, ineficiente e n\u00e3o atende \u00e0s necessidades dos pa\u00edses dos BRICS e do resto do Sul Global. Trata-se, no essencial, de um instrumento de poder e coer\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses do Atl\u00e2ntico Norte e seus aliados em outras partes do mundo. Por isso, precisamos criar mecanismos alternativos e independentes do Ocidente, sem deixar de participar, na medida do poss\u00edvel e conveniente, do sistema atualmente existente.<\/p>\n<p>Acredito que os BRICS, ou uma parte do grupo, continuar\u00e3o a desenvolver, com paci\u00eancia e profissionalismo, um novo sistema \u2013 n\u00e3o anti-Ocidental, mas p\u00f3s-Ocidental, para lan\u00e7ar m\u00e3o de uma express\u00e3o utilizada por Zhao Long, um economista chin\u00eas, em debate de que participei no Rio de Janeiro na semana passada.<\/p>\n<p>Isso ser\u00e1 feito ao longo dos pr\u00f3ximos anos quer Trump queira, quer n\u00e3o. E \u00e9 lament\u00e1vel que o presidente dos Estados Unidos n\u00e3o saiba controlar minimamente os seus destemperos.<\/p>\n<h3><strong>O peso do grupo BRICS<\/strong><\/h3>\n<p>Trump tem motivos para temer os BRICS? Provavelmente sim. Fazem parte do nosso grupo todos os maiores pa\u00edses do Sul Global. Agora somos 10 membros plenos (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China, \u00c1frica do Sul, Indon\u00e9sia, Ir\u00e3, Egito, Eti\u00f3pia e Emirados \u00c1rabes Unidos), al\u00e9m de outros 10 pa\u00edses parceiros. Os BRICS t\u00eam enorme peso econ\u00f4mico, demogr\u00e1fico e territorial. Considerando s\u00f3 os membros plenos, os BRICS ou BRICS+ respondem por nada menos que 50% da popula\u00e7\u00e3o do planeta (gra\u00e7as especialmente \u00e0 \u00cdndia e \u00e0 China), quase 40% do PIB mundial (gra\u00e7as \u00e0 China principalmente) e 30% do territ\u00f3rio global (gra\u00e7as sobretudo \u00e0 R\u00fassia, \u00e0 China e ao Brasil). N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o nosso grupo atrai tanta aten\u00e7\u00e3o no mundo inteiro.<\/p>\n<p>(Uma nota de rodap\u00e9: a Ar\u00e1bia Saudita foi convidada para ser membro pleno em 2023, mas ainda n\u00e3o respondeu, nem positiva, nem negativamente. A Argentina, convidada na mesma \u00e9poca, recusou. O que mostra, diga-se de passagem, que por motivos pol\u00edticos nem todos os pa\u00edses do Sul Global est\u00e3o prontos para aderir aos BRICS.)<\/p>\n<p>Outra compara\u00e7\u00e3o relevante para os BRICS: quando se consideram os top-10 do mundo em termos de popula\u00e7\u00e3o, PIB (medido por paridade de poder de compra) e territ\u00f3rio, verifica-se o seguinte. Cinco dos BRICS (\u00cdndia, China, Indon\u00e9sia, Brasil e R\u00fassia) figuram na lista dos 10 maiores pa\u00edses em popula\u00e7\u00e3o. Os mesmos cinco BRICS est\u00e3o entre os 10 maiores pa\u00edses em termos de tamanho da economia. E quatro deles fazem parte da rela\u00e7\u00e3o dos 10 maiores em extens\u00e3o geogr\u00e1fica (dos j\u00e1 mencionados, todos menos a Indon\u00e9sia).<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 nessas tr\u00eas listas, ressalte-se, e por isso mesmo intitulei o meu pen\u00faltimo livro <em>O Brasil n\u00e3o cabe no quintal de ningu\u00e9m<\/em>. O problema, entretanto, \u00e9 que muitos brasileiros cabem no quintal de qualquer um, inclusive e destacadamente Jair Bolsonaro, que Trump compreensivelmente tanto defende. Os americanos adoram vassalos. Mas n\u00e3o quero me desviar do assunto e volto aos BRICS.<\/p>\n<h3><strong>N\u00e3o devemos exagerar a import\u00e2ncia real dos BRICS enquanto grupo<\/strong><\/h3>\n<p>Cabe reconhecer, entretanto, que percentuais e listas como os acima mencionados podem dar uma ideia exagerada do peso real pr\u00e1tico dos BRICS enquanto grupo. H\u00e1 algumas dificuldades que ainda impedem os BRICS de exercer papel correspondente a seu peso relativo no mundo e isso vem prejudicando, como era de esperar, a presid\u00eancia brasileira do grupo em 2025. Sem pretender esgotar o assunto e nem mesmo listar todas essas dificuldades, vou falar um pouco de tr\u00eas delas: uma de natureza conjuntural \u2013 o risco de encurtamento da presid\u00eancia brasileira; e outras duas, mais estruturais e interligadas, que devem persistir no que resta de 2025 e nos anos seguintes \u2013 os riscos de expans\u00e3o excessiva dos BRICS e os riscos de paralisia do grupo por causa da nossa arraigada tradi\u00e7\u00e3o de decidir por consenso.<\/p>\n<ol>\n<li>Risco de encurtamento da presid\u00eancia brasileira<\/li>\n<\/ol>\n<p>O governo brasileiro cometeu o erro de marcar a c\u00fapula para o meio do ano, algo muito pouco usual e que arrisca reduzir a presid\u00eancia brasileira dos BRICS a um semestre apenas. O argumento, muito fraco, \u00e9 que o Brasil sedia a COP30 em novembro e que o pa\u00eds n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de organizar dois eventos internacionais em datas pr\u00f3ximas. Para l\u00e1 de question\u00e1vel. O Brasil, sendo como \u00e9 um dos principais pa\u00edses do mundo, tem sim como fazer isso, se n\u00e3o pensar pequeno. E, depois, convenhamos, a COP30 n\u00e3o dever\u00e1 alcan\u00e7ar resultados pr\u00e1ticos relevantes e ser\u00e1 provavelmente apenas mais uma ocasi\u00e3o para discursos e slogans simp\u00e1ticos. J\u00e1 os BRICS constituem o grupo de pa\u00edses que melhores condi\u00e7\u00f5es tem de modificar o quadro internacional.<\/p>\n<p>Esse problema foi mitigado no Rio de Janeiro pelo fato de ficarem previstas na Declara\u00e7\u00e3o dos L\u00edderes e em outros documentos, diversas reuni\u00f5es ministeriais, de bancos centrais, de xerpas e assessores ao longo do segundo semestre. Faltou, por\u00e9m, at\u00e9 onde pude perceber, um gancho fundamental \u2013 marcar uma reuni\u00e3o dos l\u00edderes dos BRICS para novembro por ocasi\u00e3o da c\u00fapula do G20 na \u00c1frica do Sul, em Joanesburgo, para a qual convergiriam as negocia\u00e7\u00f5es que ocorrer\u00e3o no segundo semestre. E n\u00e3o venham me dizer que isso \u00e9 imposs\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 nem dif\u00edcil. Os l\u00edderes do grupo j\u00e1 fizeram diversas reuni\u00f5es desse tipo, a primeira por iniciativa de Dilma Rousseff em 2011, e v\u00e1rias depois, inclusive no governo Bolsonaro, com comunicado p\u00fablico e tudo. S\u00e3o simples de organizar, e eu sei perfeitamente disso, pois participei desse processo em v\u00e1rios anos. Faz\u00edamos reuni\u00f5es em salas pequenas, com cerca de 25 a 30 pessoas presentes, os cinco l\u00edderes e mais alguns assessores. Hoje, \u00e9 um pouco mais complicado, pois o n\u00famero de pa\u00edses membros dobrou. Mas \u00e9 s\u00f3 reduzir o n\u00famero de pessoas que cada l\u00edder traz consigo, permitindo uma reuni\u00e3o menor e mais \u00edntima, como ocorria antes da expans\u00e3o do grupo. Ressalte-se que esse encontro dos l\u00edderes n\u00e3o \u00e9 uma segunda c\u00fapula. com toda a parafern\u00e1lia das c\u00fapulas, mas um encontro que, embora mais informal, costuma terminar com um comunicado do qual podem constar assuntos importantes.<\/p>\n<p>Por exemplo, as negocia\u00e7\u00f5es do Arranjo Contingente de Reservas (ACR), o fundo monet\u00e1rio dos BRICS, foram lan\u00e7adas, sob lideran\u00e7a do Brasil e da China, e mais do Brasil do que da China, numa reuni\u00e3o desse tipo que ocorreu em 2012, em Los Cabos, \u00e0 margem da c\u00fapula do G20 no M\u00e9xico. E devo dizer, entre par\u00eanteses, que essas negocia\u00e7\u00f5es s\u00f3 foram lan\u00e7adas naquele momento por causa do empenho da presidente Dilma, que n\u00e3o sossegou enquanto n\u00e3o foram vencidas as resist\u00eancias da \u00cdndia. (Um relato dessa negocia\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e at\u00e9 tumultuada em Los Cabos pode ser encontrado em <em>O Brasil n\u00e3o cabe no quintal de ningu\u00e9m<\/em>, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p\u00e1ginas 256 a 261.)<\/p>\n<p>Note-se que dos 10 membros atuais dos BRICS, quatro pa\u00edses \u2013 Egito, Emirados \u00c1rabes Unidos, Eti\u00f3pia e Ir\u00e3 n\u00e3o fazem parte do G20. Mas isso n\u00e3o \u00e9 problema. Bastaria a \u00c1frica do Sul convidar esses quatro pa\u00edses para vir a Joanesburgo, n\u00e3o para participar da c\u00fapula do G20, mas para se encontrar com os demais l\u00edderes dos BRICS \u2013 um encontro que pode ser, ali\u00e1s, mais importantes do que o do G20, agrupamento que est\u00e1 praticamente paralisado pelo agravamento do quadro geopol\u00edtico mundial e pela confronta\u00e7\u00e3o entre EUA e Europa, de um lado, e China e R\u00fassia, do outro.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Riscos decorrentes da expans\u00e3o dos BRICS e do modo de decidir do grupo<\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00e3o foi anunciado nenhum novo convite para a entrada de novos pa\u00edses, como membros plenos ou como parceiros. Bom ponto! O grupo j\u00e1 ficou grande demais, a expans\u00e3o por press\u00e3o da China foi apressada e mal planejada. Os crit\u00e9rios de escolha dos novos pa\u00edses n\u00e3o foram bem definidos. Faltou, por exemplo, assegurar o compromisso dos novos membros com princ\u00edpios j\u00e1 consolidados do grupo, o que parece j\u00e1 estar tumultuando as negocia\u00e7\u00f5es internas dos BRICS.<\/p>\n<p>Hora de sustar qualquer expans\u00e3o adicional. A raz\u00e3o \u00e9 que um grupo maior e mais heterog\u00eaneo tende a ter dificuldade de tomar decis\u00f5es pr\u00e1ticas, especialmente se entrarem pa\u00edses muito vulner\u00e1veis \u00e0s press\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas do bloco ocidental.<\/p>\n<p>Tanto mais que os BRICS \u2013ponto fundamental e pouco conhecido \u2013 s\u00e3o muito agarrados \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de decidir por consenso, entendido rigidamente como unanimidade. Assim, cada pa\u00eds individual tem poder de veto, o que dificulta o avan\u00e7o em temas controvertidos. Obviamente, quanto maior o grupo, mais dif\u00edcil fica alcan\u00e7ar consenso. J\u00e1 era dif\u00edcil quando t\u00ednhamos apenas cinco pa\u00edses. Posso dar o meu testemunho de como sofr\u00edamos para alcan\u00e7ar consenso mesmo com s\u00f3 cinco pa\u00edses. Com 10, as dificuldades crescem. Se o n\u00famero de membros plenos aumentar para 15 ou 20, o grupo corre o risco de se tornar inoperante, uma esp\u00e9cie de <em>talk shop<\/em>, uma inst\u00e2ncia para discursos e proclama\u00e7\u00f5es, n\u00e3o para decis\u00f5es de ordem pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Quando prevalece a exig\u00eancia de consenso, repito, cada pa\u00eds membro tem poder de veto, especialmente os maiores, mas tamb\u00e9m os menores. \u00c9 uma receita para paralisia. A \u00cdndia, por exemplo, se vale desse noddo modo de decidir para bloquear propostas em v\u00e1rias \u00e1reas e, particularmente, iniciativas monet\u00e1rias e financeiras que possam ferir interesses dos Estados Unidos, pa\u00eds com o qual ela deseja manter proximidade como contrapeso \u00e0 China, sua tradicional advers\u00e1ria. Esse comportamento da \u00cdndia j\u00e1 se notava h\u00e1 muito tempo, mas se intensificou no governo Modi e, mais ainda, acredito, com a volta de Trump \u00e0 presid\u00eancia e suas repetidas amea\u00e7as.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 permitir que certas iniciativas possam ser levadas adiante por um subgrupo dos BRICS, em base volunt\u00e1ria, ficando aberta a porta para aqueles que n\u00e3o desejem participar desde o in\u00edcio. A c\u00fapula do Rio reafirmou essa possibilidade, dando sequ\u00eancia ao que ocorreu na c\u00fapula de Kazan, na R\u00fassia, em outubro de 2024. Agora \u00e9 colocar em pr\u00e1tica.<\/p>\n<h3><strong>Apesar das dificuldades, houve progresso consider\u00e1vel no Rio<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o obstante todas essas dificuldades, a presid\u00eancia brasileira alcan\u00e7ou resultados significativos na \u00e1rea financeira. Explico brevemente alguns deles, sem seguir uma ordem de import\u00e2ncia ou prioridade.<\/p>\n<p>Primeiro resultado: a Declara\u00e7\u00e3o dos L\u00edderes foi impec\u00e1vel nas orienta\u00e7\u00f5es que deu \u00e0s duas principais iniciativas financeiras dos BRICS \u2013 o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), mais conhecido como Banco dos BRICS, e o Arranjo Contingente de Reservas (ACR).<\/p>\n<p>O NBD, que eu ajudei a fundar, \u00e9 de longe a mais importante das duas. Foi criado, recordo, para ser um banco do Sul Global para o Sul Global, servindo como de alternativa ao Banco Mundial e aos bancos regionais de desenvolvimento. Ainda n\u00e3o conseguimos chegar l\u00e1. A Declara\u00e7\u00e3o dos L\u00edderes frisou corretamente (\u201c<em>we strongly support<\/em>\u201d) a expans\u00e3o adicional do n\u00famero de pa\u00edses membros do NBD, o que \u00e9 indispens\u00e1vel para que ele seja, de fato, um banco global, como planej\u00e1vamos desde o in\u00edcio. Depois de 10 anos de exist\u00eancia, o NBD tem apenas 11 pa\u00edses membros. A ex-presidente Dilma, que atualmente preside o banco, est\u00e1 empenhada nessa quest\u00e3o e j\u00e1 teve algum sucesso, trazendo a Arg\u00e9lia, al\u00e9m da Col\u00f4mbia e do Uzbequist\u00e3o, novos membros anunciados na c\u00fapula do Rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Declara\u00e7\u00e3o recomendou, com toda raz\u00e3o, que o NBD realize mais opera\u00e7\u00f5es com moedas nacionais dos pa\u00edses membros. Tamb\u00e9m aqui o banco progrediu pouco nos seus 10 primeiros anos e continua predominantemente dolarizado tanto no lado do ativo como do passivo. Dilma Rousseff est\u00e1 trabalhando para elevar para 30% a participa\u00e7\u00e3o das moedas dos pa\u00edses membros do banco nas suas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Falta, ainda, melhorar a) a transpar\u00eancia e a comunica\u00e7\u00e3o do NBD, que \u00e9 inferior \u00e0 do Banco Mundial e do FMI; b) preencher posi\u00e7\u00f5es importantes que est\u00e3o vagas (por exemplo, a de economista-chefe do banco); e c) garantir que o NBD sempre respeite rigorosamente as suas regras de governan\u00e7a, algo que infelizmente n\u00e3o tem ocorrido. Mais importante ainda: a qualidade e efetividade dos empr\u00e9stimos do NBD precisam provavelmente melhorar \u2013 se bem que n\u00e3o se sabe exatamente como esse aspecto crucial est\u00e1 evoluindo, uma vez que, como mencionei, n\u00e3o h\u00e1 suficiente transpar\u00eancia do banco. O segredo a respeito levanta a suspeita de que nem tudo est\u00e1 indo bem nesse aspecto.<\/p>\n<p>O ACR \u2013 cuja negocia\u00e7\u00e3o foi liderada por minha cadeira no FMI, sob orienta\u00e7\u00e3o do ministro Guido Mantega \u2013 avan\u00e7ou nos seus 10 primeiros anos bem menos do que esper\u00e1vamos e menos do que o NBD, tendo ficado quase totalmente congelado pelo conservadorismo dos nossos bancos centrais. Ele foi concebido por n\u00f3s, recorde-se, para servir como alternativa ao FMI, objetivo que ainda est\u00e1 muito distante.<\/p>\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o dos L\u00edderes dos BRICS acerta em cheio quando frisa a conveni\u00eancia de desdolarizar um arranjo que \u00e9 100% dependente do d\u00f3lar. Acerta, tamb\u00e9m, quando pede que os novos membros dos BRICS possam ser inclu\u00eddos como membros do ACR.<\/p>\n<p>N\u00e3o me espantaria, entretanto, que os bancos centrais dos cinco pa\u00edses fundadores do ACR (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), ou alguns deles, estejam fazendo corpo mole com esses dois assuntos. Cabe \u00e0s autoridades pol\u00edticas, especialmente \u00e0s presid\u00eancias dos pa\u00edses e seus minist\u00e9rios da finan\u00e7as, garantir que os objetivos dos l\u00edderes do grupo sejam alcan\u00e7ados sem demoras desnecess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Faltou na Declara\u00e7\u00e3o dos L\u00edderes, men\u00e7\u00e3o a alguns outros pontos indispens\u00e1veis para o funcionamento do ACR. Por exemplo, a necessidade de ampliar o valor total do arranjo, que \u00e9 pequeno demais para permitir que ele funcione como alternativa ao FMI. E a necessidade de desvincul\u00e1-lo gradualmente do Fundo, uma vez que apenas 30% do valor da quota de cada pa\u00eds podem ser utilizados sem a exist\u00eancia de um acordo de alta condicionalidade com o FMI. Isso <em>defeats the purpose<\/em>, obviamente. Para o leitor ou leitora ter uma ideia do rid\u00edculo de certos posicionamentos, o Banco Central do Brasi nas negocia\u00e7\u00f5es que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do ACR chegou a defender 100% de vincula\u00e7\u00e3o ao FMI, causando espanto geral.<\/p>\n<p>Para permitir que a parcela livre, desvinculada do FMI, possa aumentar gradualmente para al\u00e9m dos 30% atuais, chegando no futuro a 100%, isto \u00e9, \u00e0 desvincula\u00e7\u00e3o total, \u00e9 essencial que se constitua uma Unidade de Monitoramento Macroecon\u00f4mico, como est\u00e1 previsto no Tratado que constituiu o ACR, assinado em 2014. Mais de 10 anos depois, pouco ou nada foi feito para criar essa unidade.<\/p>\n<p>Os chineses costumam pleitear que ela seja localizada em Xangai, no pr\u00e9dio do NBD. N\u00e3o \u00e9 m\u00e1 ideia, uma vez que facilitaria a sinergia entre as duas institui\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 a melhor alternativa, pois transformaria Xangai na nova Washington, sede do banco e do fundo monet\u00e1rio dos BRICS.<\/p>\n<p>Uma ideia melhor, do ponto de vista do Brasil e de outros membros dos BRICS, seria sediar a nova unidade dos BRICS no Rio de Janeiro. O prefeito Eduardo Paes manifestou a vontade de acolher um eventual secretariado do grupo. Uma forma de come\u00e7ar seria encontrar um espa\u00e7o para estabelecer essa nova unidade. (N\u00e3o precisa ser grande, pois n\u00e3o seria grande o n\u00famero requerido de economistas e outros funcion\u00e1rios.)<\/p>\n<p>Percebo, leitor ou leitora, que o artigo est\u00e1 ficando longo demais. Fiquei empolgado com o sucesso da presid\u00eancia brasileira no primeiro semestre de 2025. Apresso-me ent\u00e3o a concluir.<\/p>\n<p>Os BRICS n\u00e3o se limitaram a tratar dos mecanismos financeiros j\u00e1 existentes, o NBD e o ACR. Lan\u00e7aram ou refor\u00e7aram diversas iniciativas financeiras novas ou recentes. N\u00e3o posso deixar de pelo menos mencion\u00e1-las. Destaco as seguintes : a) o uso crescente de moedas nacionais em transa\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses (bypassando o d\u00f3lar); b) a constru\u00e7\u00e3o de uma plataforma de pagamentos internacionais alternativa ao Swift (que \u00e9 a plataforma controlada e manipulada pelo Ocidente); c) a cria\u00e7\u00e3o de um esquema de garantias multilaterais no \u00e2mbito do NBD; d) a cria\u00e7\u00e3o de uma bolsa de mercadorias alternativa \u00e0 de Chicago; e e) de mecanismos para melhorar capacidade dos nossos pa\u00edses de oferecer seguros e resseguros. Em todas essas \u00e1reas, os EUA e outros pa\u00edses do Ocidente manipulam, distorcem e fazem uso pol\u00edtico, no pior sentido da palavra, dos instrumentos existentes. Tudo isso foi explicado, em linhas gerais, na Declara\u00e7\u00e3o dos L\u00edderes e em outros documentos da c\u00fapula do Rio.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, menciono um assunto que tamb\u00e9m est\u00e1 pr\u00f3ximo do meu cora\u00e7\u00e3o \u2013 a reforma do FMI, institui\u00e7\u00e3o em que estive por oito anos, como diretor executivo pelo Brasil e outros 10 pa\u00edses. O documento apresentado na c\u00fapula, \u201c<em>BRICS Rio de Janeiro Vision for IMF Quota and Governance Reform<\/em>\u201d, est\u00e1 excelente. Al\u00e9m de reiterar nossas posi\u00e7\u00f5es tradicionais em mat\u00e9ria de quotas e votos (que s\u00e3o nos tempos atuais essencialmente inalcan\u00e7\u00e1veis), o documento especifica, o que \u00e9 mais importante na pr\u00e1tica, alguns objetivos mais vi\u00e1veis porque melhoram o FMI, mas n\u00e3o tocam nas mudan\u00e7as de governan\u00e7a bloqueados pelos EUA e pela Europa. Por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o de um quinto vice-diretor na Administra\u00e7\u00e3o do Fundo, alocando essa nova posi\u00e7\u00e3o para nacionais de pa\u00edses do Sul Global. Outro exemplo: a defesa do aumento dos votos b\u00e1sicos, o que favorece pa\u00edses pequenos, inclusive v\u00e1rios no nosso grupo no FMI, e que dentro de certos limites \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel (isto \u00e9, desde que n\u00e3o ameace o poder de voto de pelo menos 15%, que d\u00e1 aos EUA possiblidade de exercer veto em diversas decis\u00f5es fundamentais, aquelas que exigem supermaioria de 85%).<\/p>\n<h3><strong>E a nova moeda de reserva?<\/strong><\/h3>\n<p>Faltou um ponto central na Declara\u00e7\u00e3o dos L\u00edderes: a cria\u00e7\u00e3o de uma nova moeda de reserva, apoiada pelo presidente Lula. Esse \u00e9 o passo mais importante, mas enfrenta resist\u00eancia cerrada da \u00cdndia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os nossos banco centrais tamb\u00e9m atrapalham chegam a ponto de se dar o direito de interferir em quest\u00f5es geopol\u00edticas! O Banco Central do Brasil costuma ser um dos piores. Muito independente (em rela\u00e7\u00e3o ao governo eleito, mas n\u00e3o ao mercado financeiro), o nosso Banco Central se comporta frequentemente, nas negocia\u00e7\u00f5es do grupo, como se fosse um pa\u00eds separado \u2013 um 11\u00ba BRICS. Isso acontecia na minha \u00e9poca e continua acontecendo agora.<\/p>\n<p>Falta, portanto, enquadrar o Banco Central.<\/p>\n<p>Ressalto, para terminar, que foi muito precisa a declara\u00e7\u00e3o do presidente Lula a esse respeito. O que ele disse, reparem bem, foi que a nova moeda serviria para transa\u00e7\u00f5es <em>internacionais<\/em>.<\/p>\n<p>Diversos economistas russos, chineses e brasileiros, est\u00e3o trabalhando em alternativas para chegar a uma nova moeda. Eu mesmo desenhei um caminho, que talvez n\u00e3o seja o melhor. N\u00e3o vou abord\u00e1-lo de novo. Queria frisar um ponto apenas: uma nova moeda dos BRICS, ou de um subconjunto de pa\u00edses dos BRICS, n\u00e3o seria uma moeda \u00fanica, com um banco central comum, como existe na Europa. Nenhum dos economistas que participam dessa discuss\u00e3o tem isso em mente. \u00c9 por ignor\u00e2ncia ou m\u00e1-f\u00e9 daqueles que querem obstruir o processo que esse espantalho aparece volta e meia. Uma nova moeda, se vier a ser criada, seria uma moeda digital, paralela, para fins de transa\u00e7\u00f5es internacionais e deten\u00e7\u00e3o de reservas. Desempenharia todas as fun\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas de uma moeda \u2013 meio de pagamento, unidade de conta e instrumento de reserva \u2013 sem entretanto substituir as moedas nacionais dos pa\u00edses participantes e sem criar um banco central comum.<\/p>\n<p>Vamos discutir essas alternativas, sem medo e de modo profissional! O resto do Sul Global espera avan\u00e7os dos BRICS nessa \u00e1rea crucial. O sistema monet\u00e1rio e financeiro internacional, dominado pelos EUA e seus aliados (ou vassalos), n\u00e3o ser\u00e1 reformado de forma fundamental e corre at\u00e9 o risco de entrar em colapso.<\/p>\n<p>Trump pode espernear \u00e0 vontade e fazer muitos estragos, mas n\u00e3o escapar\u00e1 de apressar, por incompet\u00eancia e descontrole, o decl\u00ednio do Imp\u00e9rio Americano. Como nas trag\u00e9dias gregas, a tentativa dos protagonistas de fugir a seu destino s\u00f3 faz assegurar a sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>[Uma pequena parte deste artigo foi publicada na <em>Folha de S.Paulo<\/em>.]<\/p>\n<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Sem publicidade ou patroc\u00ednio, dependemos de voc\u00ea. Fa\u00e7a parte do nosso grupo de apoiadores e ajude a manter nossa voz livre e plural: <a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\"><strong>apoia.se\/outraspalavras<\/strong><\/a><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/por-que-trump-teme-os-brics\/\">Por que Trump teme os BRICS<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/projeto-propoe-capacitar-professores-e-conselheiros-tutelares-para-identificar-adultizacao-no-rj\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Projeto prop\u00f5e capacitar professores e conselheiro...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/brics-acelera-criacao-de-pix-global-para-paises-membros-e-cresce-tensao-com-eua\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">BRICS acelera cria\u00e7\u00e3o de \u2018Pix Global\u2019 para pa\u00edses-...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/uma-voz-do-nepal-o-que-houve-foi-uma-conspiracao-reacionaria\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Opcao-1-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Uma voz do Nepal \u2013 \u201cO que houve foi uma conspira\u00e7\u00e3...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/13o-na-black-friday-dicas-de-como-aproveitar-sem-cair-em-armadilhas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">13\u00ba na Black Friday: dicas de como aproveitar sem ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Ricardo Stuckert Boletim Outras Palavras Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site Assinar Loading&#8230; Assinar Loading&#8230; Agradecemos! 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