{"id":37911,"date":"2025-07-11T19:23:33","date_gmt":"2025-07-11T22:23:33","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/para-uma-nova-sociologia-do-amor\/"},"modified":"2025-07-11T19:23:33","modified_gmt":"2025-07-11T22:23:33","slug":"para-uma-nova-sociologia-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/para-uma-nova-sociologia-do-amor\/","title":{"rendered":"Para uma nova Sociologia do Amor"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1196\" height=\"600\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1196_600-1631889777-ConversasSobreArte_XIX.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1196_600-1631889777-ConversasSobreArte_XIX.jpg 1196w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1196_600-1631889777-ConversasSobreArte_XIX-300x151.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1196_600-1631889777-ConversasSobreArte_XIX-768x385.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1196px) 100vw, 1196px\"><figcaption>Arte: \u201cDia de Ver\u00e3o\u201d (1926), de Georgina de Albuquerque<br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Alva Gotby<\/strong>, no <em><a href=\"https:\/\/www.versobooks.com\/en-gb\/blogs\/news\/5555-lay-all-your-love-on-me?srsltid=AfmBOoq1qPgTmfpQQimXZbElTRSoMTIWhjZHRjy40I0jTahuWqC6_DUM\">Verso Books<\/a><\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Em um mundo caracterizado pela racionalidade de mercado e pela incessante mercantiliza\u00e7\u00e3o, a emo\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito \u00e9 vista como uma esfera de liberdade. Aparentemente espont\u00e2neas e an\u00e1rquicas, nossas vidas emocionais s\u00e3o constru\u00eddas como externas \u00e0 esfera da produ\u00e7\u00e3o \u2013 o oposto do trabalho.<\/p>\n<p>Mas, como muitos cr\u00edticos culturais apontaram, nossos sentimentos s\u00e3o organizados de maneiras espec\u00edficas. O termo de Raymond Williams, \u201cestrutura de sentimento\u201d, descreve como as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o profundamente sociais e pol\u00edticas, em vez de inerentes \u00e0 personalidade aut\u00eantica dos sujeitos. Ainda assim, h\u00e1 algo intrigante na no\u00e7\u00e3o persistente de que o sentimento deveria, idealmente, ser separado das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Especialmente quando se trata do amor, esse sentimento mais valorizado, temos a sensa\u00e7\u00e3o de que ele \u00e9 a ant\u00edtese das rela\u00e7\u00f5es capitalistas.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-GERAL\"><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-GERA-11.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-GERA-11.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-GERAL-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>O amor supostamente tem muito trabalho a fazer no mundo atual. Criar filhos saud\u00e1veis e felizes, compensar trabalhos exaustivos e estressantes, dar sentido a vidas que de outra forma seriam vazias. A fam\u00edlia, baseada no par rom\u00e2ntico, n\u00e3o \u00e9 apenas uma forma de sociabilidade, mas uma aspira\u00e7\u00e3o, algo que supostamente pode satisfazer todas as nossas necessidades e desejos. O amor \u00e9 cobrado em excesso, mas frequentemente falha em cumprir suas promessas.<\/p>\n<p>As mulheres heterossexuais, em particular, tendem a se decepcionar com o casamento na realidade e as rela\u00e7\u00f5es familiares, percebendo que seus parceiros masculinos costumam se retrair emocionalmente. Em seu panfleto de 1975, <em>Wages Against Housework<\/em>, a feminista marxista Silvia Federici escreve: \u201cEles chamam de amor, n\u00f3s chamamos de trabalho n\u00e3o remunerado\u201d. O que significaria teorizar o amor como uma forma de trabalho? Como podemos pensar nossa depend\u00eancia emocional dos outros em termos pol\u00edticos, e n\u00e3o como express\u00f5es de uma subjetividade individual e interior? Quero propor o conceito de <em>reprodu\u00e7\u00e3o emocional<\/em> como uma forma de abordar como a reprodu\u00e7\u00e3o social est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 emo\u00e7\u00e3o e aos la\u00e7os afetivos \u00edntimos.<\/p>\n<p>Assim como as pessoas precisam de comida, \u00e1gua e abrigo, todos temos necessidades emocionais. Para continuarmos funcionando \u2013 e, crucialmente, para continuarmos trabalhando \u2013 essas necessidades precisam ser atendidas de alguma forma. No entanto, at\u00e9 que ponto essas necessidades s\u00e3o realmente satisfeitas depende da posi\u00e7\u00e3o de cada um dentro das rela\u00e7\u00f5es e hierarquias sociais.<\/p>\n<p>De modo t\u00edpico, aqueles na base da hierarquia social muitas vezes sobrevivem com o m\u00ednimo, enquanto os mais privilegiados tendem a ter suas necessidades de conforto emocional atendidas por outros. A maioria de n\u00f3s s\u00f3 pode aspirar a uma vida em que nossas necessidades emocionais sejam plenamente atendidas \u2013 onde nosso trabalho seja prazeroso e gratificante, onde tenhamos tempo suficiente para relaxar e nos divertir, e onde outras pessoas possam satisfazer nossos desejos de intimidade e calor emocional. Mas essa aspira\u00e7\u00e3o a um ideal emocional nunca totalmente alcan\u00e7ado tem, em si mesma, uma importante fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Uso o termo <em>reprodu\u00e7\u00e3o emocional<\/em> para nomear os processos pelos quais as necessidades emocionais s\u00e3o constitu\u00eddas, normalizadas e satisfeitas. A reprodu\u00e7\u00e3o emocional \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o do bem-estar emocional e a reprodu\u00e7\u00e3o do investimento emocional nas ideologias dominantes. Como as necessidades emocionais s\u00f3 s\u00e3o satisfeitas por meio de formas ideol\u00f3gicas, esses processos costumam ser uma coisa s\u00f3.<\/p>\n<p>Neste mundo, muitas vezes s\u00f3 nos sentimos verdadeiramente confort\u00e1veis quando investimos no quadro ideol\u00f3gico dominante da sociedade. Partindo do princ\u00edpio de que n\u00e3o h\u00e1 nada natural ou inevit\u00e1vel na organiza\u00e7\u00e3o de nossas vidas emocionais, quero questionar como certas necessidades e desejos s\u00e3o constitu\u00eddos como fundamentais para \u201ca boa vida\u201d e como a satisfa\u00e7\u00e3o emocional de algumas pessoas \u00e9 vista como mais importante que a de outras.<\/p>\n<p>As feministas h\u00e1 muito percebem como as mulheres s\u00e3o frequentemente levadas a sacrificar seus pr\u00f3prios desejos para atender \u00e0s necessidades dos outros \u2013 especialmente maridos, filhos e outros familiares. Mas tamb\u00e9m podemos refletir sobre como certas necessidades emocionais feminizadas j\u00e1 s\u00e3o constitu\u00eddas como a necessidade de cuidar dos outros e que recompensas emocionais as mulheres podem obter por serem \u201cespecialistas em amor\u201d \u2013 realizando o trabalho de zelar e cuidar dos outros. Dessa forma, podemos pensar nos investimentos subjetivos que a reprodu\u00e7\u00e3o emocional pode exigir e em como o trabalho reprodutivo molda e naturaliza certas formas de subjetividade.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>Entendendo as necessidades emocionais como historicamente vari\u00e1veis, e n\u00e3o como dadas naturalmente ou como express\u00f5es de uma interioridade subjetiva aut\u00eantica, podemos come\u00e7ar a teorizar como essas necessidades e as rela\u00e7\u00f5es que as satisfazem s\u00e3o historicamente espec\u00edficas. Na transi\u00e7\u00e3o para o capitalismo, com uma distin\u00e7\u00e3o cada vez mais clara entre vida profissional e vida privada, a fam\u00edlia passou a ser fortemente associada \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o emocional \u2013 nosso ref\u00fagio em um mundo sem cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante o s\u00e9culo XIX, a justificativa ideol\u00f3gica para o casamento passou a ser baseada no amor, e n\u00e3o no status ou em conex\u00f5es sociais. Esperava-se cada vez mais que os pais, e especialmente as m\u00e3es, formassem la\u00e7os emocionalmente intensos com seus filhos. A emo\u00e7\u00e3o tornou-se fortemente feminizada, j\u00e1 que o ideal de feminilidade (burguesa e branca) inclu\u00eda criar uma esfera de amor para a qual os homens pudessem retornar ao fim do dia, onde o mundo externo das rela\u00e7\u00f5es impessoais de compet\u00eancia pudesse desaparecer, e o indiv\u00edduo fosse valorizado por si mesmo.<\/p>\n<p>No entanto, as rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas foram apagadas na constru\u00e7\u00e3o burguesa do indiv\u00edduo possessivo implicitamente masculino, que, como escreve C.B. MacPherson, \u00e9 visto como \u201cessencialmente o propriet\u00e1rio de sua pr\u00f3pria pessoa ou capacidades, n\u00e3o devendo nada \u00e0 sociedade por elas\u201d. Dessa forma, o fato de que essas capacidades dependiam do trabalho das mulheres na esfera dom\u00e9stica foi apagado socialmente.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que as normas familiares burguesas se generalizaram no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, esses ideais passaram a impactar tamb\u00e9m as fam\u00edlias da classe trabalhadora, embora de forma desigual. Embora muitas fam\u00edlias trabalhadoras n\u00e3o conseguissem viver plenamente esses ideais, eles criaram um horizonte aspiracional, onde \u201ca boa vida\u201d de satisfa\u00e7\u00e3o emocional era cada vez mais imaginada como existindo exclusivamente na esfera dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>A vida familiar tornou-se assim impregnada de significados emocionais, sendo imaginada como o \u00fanico local das necessidades emocionais. Ao mesmo tempo, rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o-dom\u00e9sticas foram constru\u00eddas como menos importantes e at\u00e9 prejudiciais \u2013 amea\u00e7ando a santidade da fam\u00edlia nuclear e a exclusividade de seus la\u00e7os emocionais.<\/p>\n<p>Sob o capitalismo, a reprodu\u00e7\u00e3o emocional \u00e9 uma quest\u00e3o altamente privatizada, no sentido de que principalmente rela\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas e familiares \u00edntimas e exclusivas s\u00e3o vistas como levando a uma vida emocionalmente satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Os la\u00e7os emocionais s\u00e3o constru\u00eddos como um jogo de soma zero, onde a intensidade da emo\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada pela exclusividade da rela\u00e7\u00e3o. Ama-se apenas o pr\u00f3prio parceiro, os pr\u00f3prios filhos. O amor aparece como um recurso finito, que \u00e9 diminu\u00eddo e desvalorizado quando se espalha fora de seu dom\u00ednio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Essa constru\u00e7\u00e3o da esfera dom\u00e9stica est\u00e1 intimamente relacionada \u00e0 reformula\u00e7\u00e3o da feminilidade durante a era vitoriana, quando as mulheres foram cada vez mais levadas a aspirar ao ideal do \u201canjo do lar\u201d \u2013 uma figura que poderia ser m\u00e3e tanto para seu marido quanto para seus filhos.<\/p>\n<p>Embora esse ideal tenha mudado significativamente ao longo do s\u00e9culo XX, elementos dele permanecem nas constru\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas da fam\u00edlia. A feminilidade contempor\u00e2nea \u00e9 marcada por contradi\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que as mulheres s\u00e3o cada vez mais solicitadas a serem tanto cuidadoras femininas, atendendo \u00e0s necessidades emocionais dos outros, quanto indiv\u00edduos possessivos que s\u00e3o donos de suas pr\u00f3prias capacidades.<\/p>\n<p>O que constitui \u201cfam\u00edlia\u201d tornou-se at\u00e9 certo ponto mais flex\u00edvel nas \u00faltimas d\u00e9cadas, \u00e0 medida que a coabita\u00e7\u00e3o sem casamento, o div\u00f3rcio e as parcerias l\u00e9sbicas e gays se tornaram cada vez mais aceit\u00e1veis e as mulheres alcan\u00e7aram maiores n\u00edveis de independ\u00eancia financeira.<\/p>\n<p>No entanto, o fato de que mais pessoas se divorciam pode n\u00e3o sugerir que as pessoas est\u00e3o menos desengajadas no casamento, mas sim que o casamento frequentemente falha em cumprir sua promessa de \u201cfelizes para sempre\u201d.<\/p>\n<p>Especialmente as mulheres frequentemente percebem que a promessa de reciprocidade emocional no casamento \u00e9 dif\u00edcil de realizar na pr\u00e1tica. Em vez disso, elas tendem a ser tornadas respons\u00e1veis pelo bem-estar geral da fam\u00edlia e pelo trabalho de manter rela\u00e7\u00f5es emocionais \u00edntimas.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 forma como o capitalismo estruturou o trabalho e a vida familiar, tornando-os dif\u00edceis de conciliar, um parceiro dentro do casal frequentemente assume uma responsabilidade desproporcional pelo bem-estar f\u00edsico e emocional da fam\u00edlia, enquanto o outro parceiro passa mais tempo realizando trabalho remunerado.<\/p>\n<p>Embora muitos relacionamentos contempor\u00e2neos comecem com a ambi\u00e7\u00e3o de igualdade e reciprocidade emocional, as divis\u00f5es tendem a se sedimentar ao longo de linhas de g\u00eanero, especialmente se houver crian\u00e7as na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>As supostas habilidades \u201cnaturais\u201d das mulheres para gerenciamento emocional e manuten\u00e7\u00e3o de relacionamentos s\u00e3o complementadas pela aparente incapacidade emocional dos homens. Nas rela\u00e7\u00f5es heterossexuais, os homens frequentemente aparecem como emocionalmente desqualificados \u2013 muito imaturos emocionalmente e desalinhados com as necessidades emocionais dos outros para assumir a responsabilidade pelo bem-estar da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A identidade de g\u00eanero est\u00e1, assim, intimamente relacionada a formas de trabalho qualificado, mesmo quando n\u00e3o \u00e9 vivenciada como tal. Um aspecto fundamental das constru\u00e7\u00f5es modernas do \u201camor\u201d \u00e9 que ele \u00e9 entendido como o oposto do trabalho. Chamar a manuten\u00e7\u00e3o dos relacionamentos e do bem-estar emocional das pessoas de \u201ctrabalho\u201d parece implicar que essas rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o genu\u00ednas.<\/p>\n<p>As pessoas que realizam o trabalho emocional reprodutivo devem, portanto, tamb\u00e9m fazer o esfor\u00e7o adicional de esconder sua atividade como trabalho, apresentando-a ao inv\u00e9s disso como o estado emocional natural do amor \u2013 um estado de ser, n\u00e3o de fazer.<\/p>\n<p>Mas as fronteiras entre os mundos privado e p\u00fablico do capitalismo s\u00e3o sempre inst\u00e1veis. Em muitos casos, bab\u00e1s e cuidadores passam mais tempo com as crian\u00e7as do que seus pais. Idosos solit\u00e1rios s\u00e3o cuidados por volunt\u00e1rios e trabalhadores de cuidados. Ap\u00f3s o decl\u00ednio da dona de casa como um papel de trabalho normativo, simplesmente n\u00e3o h\u00e1 tempo suficiente para passar com os membros da fam\u00edlia \u2013 especialmente porque os ideais emergentes da \u201cmaternidade intensiva\u201d exigem que as crian\u00e7as sejam cuidadas por um adulto 24 horas por dia.<\/p>\n<p>O cuidado emocional em particular \u00e9 notoriamente intensivo em trabalho e, muitas vezes, dif\u00edcil de tornar mais eficiente. N\u00e3o podemos atender nossas necessidades emocionais mais rapidamente com facilidade, e embora a tecnologia possa atender cada vez mais nossa necessidade de entretenimento, ainda n\u00e3o foi capaz de substituir completamente a intera\u00e7\u00e3o humana face a face. Leva tempo para tentar desfazer alguns dos efeitos das condi\u00e7\u00f5es frequentemente prejudiciais e emocionalmente desgastantes sob as quais trabalhamos e vivemos.<\/p>\n<p>Muitos te\u00f3ricos apontaram para a preval\u00eancia contempor\u00e2nea de servi\u00e7os mercantilizados contendo trabalho emocional \u2013 como trabalho de cuidado, terapia, trabalho sexual e atendimento ao cliente. As mulheres s\u00e3o frequentemente as pessoas chamadas a mercantilizar suas supostas habilidades femininas naturais para atender \u00e0s emo\u00e7\u00f5es dos outros. Dessa forma, muitas mulheres que deixaram a esfera dom\u00e9stica pela esfera do trabalho remunerado se viram realizando o mesmo tipo de trabalho para clientes, chefes e colegas que anteriormente realizavam para maridos, filhos, parentes e amigos.<\/p>\n<p>No trabalho emocional mercantilizado, as trabalhadoras feminizadas s\u00e3o frequentemente encorajadas a criar uma sensa\u00e7\u00e3o geral de gentileza e calor emocional, e suprimir qualquer raiva ou outros sentimentos negativos. Isso pode estabelecer um padr\u00e3o cada vez mais alto de desempenho emocional que clientes, colegas, pacientes e consumidores esperam dos trabalhadores de servi\u00e7os. A aus\u00eancia de tal desempenho (sorrisos frequentes, voz calorosa, linguagem corporal amig\u00e1vel, palavras calmantes) \u00e9 frequentemente interpretada como grosseria ou raiva.<\/p>\n<p>As empresas querem contratar trabalhadores com personalidades \u2018naturalmente\u2019 amig\u00e1veis, mas tendem a codificar que tipo de comportamento \u00e9 esperado de seus funcion\u00e1rios. \u00c0 medida que o trabalho emocional em fun\u00e7\u00f5es voltadas para o cliente se torna mais comum, a necessidade de explorar essas capacidades aumenta, ent\u00e3o as empresas agora exigem que seus trabalhadores exibam sorrisos \u2018genu\u00ednos\u2019 e simpatia \u2018real\u2019.<\/p>\n<p>No entanto, esses servi\u00e7os n\u00e3o podem compensar totalmente o trabalho realizado por familiares e amigos. A dicotomia capitalista entre dinheiro e emo\u00e7\u00e3o dita que, se temos que pagar por isso, n\u00e3o \u00e9 amor verdadeiro. Continuamos a aspirar encontrar nossos ref\u00fagios, mesmo quando eles continuam a nos decepcionar. Os fortes investimentos emocionais nas pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es que facilitam a explora\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o remunerado das mulheres tornam muito mais dif\u00edcil lutar contra a atual estrutura de sentimento.<\/p>\n<p>Ou seja, a pr\u00f3pria forma da rela\u00e7\u00e3o de trabalho, e nosso apego a ela, obstruem a luta no terreno da reprodu\u00e7\u00e3o emocional. Isso apesar do fato de que o sistema atual n\u00e3o \u00e9 muito bem-sucedido em alcan\u00e7ar seu suposto objetivo de criar bons sentimentos \u2013 muitas pessoas est\u00e3o de fato solit\u00e1rias e infelizes. No entanto, h\u00e1 um sentimento generalizado de que todos poder\u00edamos ser felizes se apenas nos esfor\u00e7\u00e1ssemos um pouco mais, ou organiz\u00e1ssemos nossas rela\u00e7\u00f5es emocionais de maneira mais equitativa e rec\u00edproca.<\/p>\n<p>Contra esse reformismo emocional, eu e muitos outras buscamos abolir a fam\u00edlia como o centro de nossas vidas emocionais, abrindo assim a possibilidade de novas formas de satisfazer nossas necessidades e de criar necessidades completamente novas. Embora muitas pessoas tenham apontado corretamente para a possibilidade de ampliar a esfera daquelas rela\u00e7\u00f5es atualmente reservadas \u00e0 fam\u00edlia, acho importante tamb\u00e9m destacar que nossas no\u00e7\u00f5es atuais de rela\u00e7\u00f5es familiares s\u00e3o constitu\u00eddas atrav\u00e9s da exclus\u00e3o de outras formas de v\u00ednculos.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es familiares n\u00e3o podem simplesmente se tornar mais inclusivas. A fam\u00edlia como a conhecemos \u00e9 constru\u00edda atrav\u00e9s de suas exclus\u00f5es constitutivas \u2013 as pessoas que vemos como n\u00e3o-fam\u00edlia. Parte do problema \u00e9 que algumas pessoas s\u00e3o completamente exclu\u00eddas de quaisquer v\u00ednculos familiares e, portanto, provavelmente sofrer\u00e3o com a falta de relacionamentos emocionalmente satisfat\u00f3rios, a menos que alguma outra forma de sociabilidade ocupe o lugar da fam\u00edlia. Mas atualmente h\u00e1 muito pouco apoio material, legal ou ideol\u00f3gico para organiza\u00e7\u00f5es alternativas da vida emocional.<\/p>\n<p>Para aqueles que est\u00e3o (parcial ou totalmente) inclu\u00eddos na forma familiar, a neglig\u00eancia emocional e at\u00e9 mesmo o abuso s\u00e3o t\u00e3o frequentes que n\u00e3o podemos entend\u00ea-los como exce\u00e7\u00f5es, mas sim como padr\u00f5es inerentes \u00e0 forma familiar. Talvez o fato de a reprodu\u00e7\u00e3o emocional ser t\u00e3o profundamente feminizada tenha algo a ver com essas formas de neglig\u00eancia. \u00c9 simplesmente muito dif\u00edcil e cansativo para uma pessoa sustentar os la\u00e7os \u00edntimos de uma fam\u00edlia e cuidar do bem-estar de todos os seus membros. Quando isso se torna o trabalho de um \u00fanico indiv\u00edduo, a m\u00e3e-esposa, \u00e9 prov\u00e1vel que ocorram casos de neglig\u00eancia \u2013 assim como sentimentos de amargura e ressentimento, levando ao abuso.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas as pessoas s\u00e3o exclu\u00eddas da forma familiar. A estrutura de sentimento da pr\u00f3pria fam\u00edlia \u00e9 de \u2018bondade\u2019, talvez o valor familiar burgu\u00eas central. Isso significa que outros sentimentos s\u00e3o suprimidos e n\u00e3o podem ser explorados sem amea\u00e7ar a continuidade da fam\u00edlia. O isolamento das trabalhadoras emocionais feminizadas dentro de suas fam\u00edlias tamb\u00e9m significa que as lutas contra a forma familiar tendem a ser lidas como descontentamento puramente individual. Como sugere Federici, as mulheres s\u00e3o \u201cvistas como esposas irritantes, n\u00e3o como trabalhadoras em luta\u201d. Os maus sentimentos aparecem como descontentamento com a pr\u00f3pria fam\u00edlia, e n\u00e3o com a forma familiar como tal. A normaliza\u00e7\u00e3o da monogamia cont\u00ednua \u00e9 uma express\u00e3o da resist\u00eancia individualizada ao casal rom\u00e2ntico e \u00e0 fam\u00edlia. No entanto, os problemas de descontentamento emocional, neglig\u00eancia e abuso n\u00e3o est\u00e3o dentro do casal individual ou da fam\u00edlia nuclear em si, e uma mudan\u00e7a de parceiro, portanto, n\u00e3o pode resolver as contradi\u00e7\u00f5es da reprodu\u00e7\u00e3o emocional como a conhecemos.<\/p>\n<p>Muitos de nossos desejos e necessidades est\u00e3o atualmente investidos em relacionamentos que n\u00e3o t\u00eam capacidade de apoiar todas essas necessidades. Isso leva a uma situa\u00e7\u00e3o em que tanto aqueles que aspiram ao ideal da fam\u00edlia quanto aqueles que s\u00e3o exclu\u00eddos dela provavelmente sofrer\u00e3o com a falta de bem-estar emocional e a escassez de relacionamentos emocionalmente satisfat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Assim como o capitalismo de forma mais ampla, a organiza\u00e7\u00e3o atual da reprodu\u00e7\u00e3o emocional n\u00e3o pode atender \u00e0s necessidades para as quais supostamente foi criada para responder. Em vez disso, o bem-estar se acumula no topo das hierarquias sociais, onde as pessoas est\u00e3o protegidas do sofrimento dos outros, enquanto aqueles permanentemente exclu\u00eddos das rela\u00e7\u00f5es familiares s\u00e3o estigmatizados como portadores de maus sentimentos.<\/p>\n<p>Continuamos tentando cuidar uns dos outros em um mundo que muitas vezes \u00e9 t\u00e3o hostil a formas de satisfa\u00e7\u00e3o emocional fora das rela\u00e7\u00f5es mais normativas \u2013 isto \u00e9, fora das formas que simultaneamente reproduzem o investimento emocional em estruturas ideol\u00f3gicas, materiais e legais.<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de reprodu\u00e7\u00e3o emocional tenta nomear algumas das formas como todos somos dependentes uns dos outros, mas como essas depend\u00eancias est\u00e3o atualmente atadas a estruturas que continuam a prejudicar a maioria das pessoas. Somente reconstruindo essas estruturas podemos desenvolver sistemas de cuidado que reconfigurariam as formas como cuidamos uns dos outros e nos permitiriam reformular nossas necessidades e desejos.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura! Por Alva Gotby, no Verso Books | Tradu\u00e7\u00e3o: R\u00f4ney Rodrigues Em um mundo caracterizado pela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37912,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[9801,5511,9802,9803,9804,5836,9805,6956,9806,9807,9808,9809],"tags":[],"class_list":["post-37911","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amor-e-trabalho","category-capa","category-cuidado","category-emocoes-humanas","category-estrutura-de-sentimento","category-exploracao-do-trabalho","category-familia-nuclear","category-feminismos","category-imaginario-romantico","category-reproducao-afetiva","category-reproducao-sexual-do-trabalho","category-trabalho-reprodutivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37911\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37912"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}