{"id":38240,"date":"2025-07-14T17:49:49","date_gmt":"2025-07-14T20:49:49","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/ensaio-ia-e-influencers-lavarao-a-nossa-louca\/"},"modified":"2025-07-14T17:49:49","modified_gmt":"2025-07-14T20:49:49","slug":"ensaio-ia-e-influencers-lavarao-a-nossa-louca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ensaio-ia-e-influencers-lavarao-a-nossa-louca\/","title":{"rendered":"Ensaio: IA e influencers lavar\u00e3o a nossa lou\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"639\" height=\"396\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/O-robot-e-as-consequencias-economico-juridicas-da-sua-utilizacao-de-Jose-Pinto-Antunes.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/O-robot-e-as-consequencias-economico-juridicas-da-sua-utilizacao-de-Jose-Pinto-Antunes.jpg 639w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/O-robot-e-as-consequencias-economico-juridicas-da-sua-utilizacao-de-Jose-Pinto-Antunes-300x186.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 639px) 100vw, 639px\"><figcaption>Imagem: istockphoto<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O avan\u00e7o de tecnologias baseadas em \u201cintelig\u00eancia artificial\u201d tem aumentado consideravelmente nos \u00faltimos anos e gerado uma s\u00e9rie de debates \u00e9ticos sobre o uso de propriedade intelectual, sobre o que \u00e9 arte, sobre o que \u00e9 de fato uma produ\u00e7\u00e3o aut\u00eantica ou exclusivamente o produto de um algoritmo que, de forma bem reducionista, \u00e9 apenas um reprodutor e detector de padr\u00f5es. Somado a isso temos a presen\u00e7a e atua\u00e7\u00e3o das big techs interferindo de forma \u00f3bvia e sem restri\u00e7\u00e3o regulamentar nenhuma em nossa realidade, favorecendo unicamente o interesse de alguns em detrimento dos coletivos. Mas acredito que um dos pontos mais centrais desse furac\u00e3o de capitalismo tardio \u00e9 a nossa total desconex\u00e3o da realidade. N\u00e3o foi necess\u00e1rio que as m\u00e1quinas nos dominassem e nos colocassem numa realidade simulada, como no filme <em>Matrix<\/em>, para que a sociedade contempor\u00e2nea perdesse a total refer\u00eancia do real.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea j\u00e1 teve um sonho, Neo, do qual tinha tanta certeza que era real? E se voc\u00ea n\u00e3o conseguisse acordar desse sonho? Como distinguiria o mundo dos sonhos do mundo real?\u201d, diz Morpheu a Neo ainda confuso sobre o que \u00e9 a Matrix, quando os dois se encontram em um quarto escuro, antigo, com cortinas pesadas e m\u00f3veis gastos. A mesma pergunta pode ser replicada a n\u00f3s, entretanto, fora do contexto dos sonhos \u2013 voc\u00ea j\u00e1 se envolveu de forma t\u00e3o \u00edntima com teu feed de tela infinita que depois de horas ali conseguiria distinguir o que \u00e9 real ou n\u00e3o de tudo que viu?<\/p>\n<p>Apesar de uma das refer\u00eancias mais \u00f3bvias do filme Matrix ser o mito da caverna de Plat\u00e3o, nos apeguemos a outra refer\u00eancia extremamente presente no filme, citada inclusive de forma direta quando nosso protagonista Neo em uma das primeiras cenas pega um livro de fundo falso intitulado <em>Simulacro e Simula\u00e7\u00e3o<\/em> de Jean Baudrillard que discute a rela\u00e7\u00e3o entre realidade, s\u00edmbolos e sociedade. O ensaio afirma de forma categ\u00f3rica que a sociedade atual substituiu a realidade por simulacros e descreve o processo gradual de como a realidade se torna algo sem qualquer referencial.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-2\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-2-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-2-3.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-2-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>O cora\u00e7\u00e3o da argumenta\u00e7\u00e3o de Baudrillard s\u00e3o as tr\u00eas ordens do Simulacro:<\/p>\n<p><em>De primeira Ordem<\/em> \u2013 Natural, Ut\u00f3pico, Imitativo: tem um alto valor simb\u00f3lico pois possui um referencial real, ou seja, est\u00e1 ligado diretamente ao original.<\/p>\n<p><em>De segunda Ordem <\/em>\u2013 Produtivo, Mec\u00e2nico, Industrial: reprodu\u00e7\u00e3o mecanizada em massa, cujo valor simb\u00f3lico, ou seja, o original j\u00e1 n\u00e3o importa tanto o que importa \u00e9 sua reprodu\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie.<\/p>\n<p><em>De terceira Ordem<\/em> \u2013 Cibern\u00e9tico, Virtual, Puro Signo: a realidade j\u00e1 n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<p>O exemplo usado por Baudrillard em suas argumenta\u00e7\u00f5es \u00e9 o mapa de Borges: um mapa t\u00e3o detalhado que cobre exatamente o territ\u00f3rio que representa. Com o tempo, o territ\u00f3rio se deteriora, e s\u00f3 o mapa (o simulacro) resta. Assim, vivemos num mundo de mapas sem territ\u00f3rio. Voltemos \u00e0 problem\u00e1tica inicial: o quanto nosso dia a dia tem, cada vez mais se assemelhando com o mapa de Borges? Submetidos a tecnologias que, em tese, deveriam nos servir mas agora s\u00e3o a nossa maior fonte de escravid\u00e3o. O mesmo ocorre em <em>Matrix<\/em>, as m\u00e1quinas que deveriam nos servir se tornam nossos escravizadores. E o princ\u00edpio de tal servid\u00e3o, de certa forma, \u00e9 o mesmo \u2013 nos colocou num mundo de simulacro de terceira ordem.<\/p>\n<p>Abrimos os celulares e nos plugamos de forma t\u00e3o inconsciente que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel dizer que existe, de fato, uma separa\u00e7\u00e3o entre um suposto mundo virtual e o nosso real. De forma que nossa realidade se tornou t\u00e3o esvaziada que quando nos vemos obrigados a desconectar nos deparamos com o desespero daquilo que Baudrillard vai chamar de <em>deserto do real <\/em>\u2013 que simboliza de forma direta um despojamento violento da realidade em detrimento do simulacro, ou seja, vivemos num mundo t\u00e3o saturado de s\u00edmbolos, imagens e signos que o real se perdeu. N\u00e3o importa mais de forma alguma o <em>eu<\/em> e sim a performance que posso realizar diante dos outros, somos instigados todos os dias a atuar num personagem que precisa constantemente demonstrar uma s\u00e9rie de caracteres para sermos aceitos \u2013 um simulacro de emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Isso tem aberto de forma significativa alguns caminhos: aqueles que se apagam com nostalgia doentia a um mundo pr\u00e9-simulacro, ainda que seu saudosismo seja um retrato t\u00e3o falso quanto a realidade. Outros, tapeados pelos s\u00edmbolos se dizem despertos e se apegam a fatos extremamente desconexos em rela\u00e7\u00e3o a qualquer poss\u00edvel vis\u00e3o de ess\u00eancia ou simulacro para se dizer diferente dos outros. E, por \u00faltimo, aqueles que, por inani\u00e7\u00e3o, ignor\u00e2ncia ou conformismo, aceitam ou n\u00e3o percebem que a nossa realidade j\u00e1 n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/circuito.ubueditora.com.br\/\" aria-label=\"circuito3anos-banner_outraspalavras\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/circuito3anos-banner_outraspalavras-2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/circuito3anos-banner_outraspalavras-2.jpg 729w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/circuito3anos-banner_outraspalavras-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 729px) 100vw, 729px\" width=\"729\" height=\"90\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Perceba as rela\u00e7\u00f5es com as redes sociais, influenciadores de todo tipo moldam de forma muito evidente os comportamentos, de forma que passamos em massa a reproduzir bord\u00f5es e padr\u00f5es de a\u00e7\u00e3o quase diretamente ap\u00f3s uma trend viral. Quantos pais e m\u00e3es, com condi\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o, passaram a comemorar o \u201cm\u00easvers\u00e1rio\u201d de seus filhos, ap\u00f3s esse fen\u00f4meno ser amplamente feito pelos ditos <em>influencers<\/em>? Tecnologias que deveriam nos permitir nos conectar e partilhar sobre n\u00f3s se tornaram, atrav\u00e9s dos algoritmos das redes, as nossas maiores correntes, tudo em nome do lucro de poucos. No come\u00e7o das redes poder\u00edamos nos perguntar: o algoritmo nos influencia ou n\u00f3s influenciamos ele? Hoje essa resposta est\u00e1 mais do que clara. Empresas gastam milh\u00f5es para moldar nossas opini\u00f5es e costumes, e isso existe para todos os gostos, g\u00eaneros, religi\u00f5es e posicionamentos pol\u00edticos. Se todos bebemos da mesma fonte, ainda que o meu pare\u00e7a diametralmente oposto ao do outro, n\u00e3o somos n\u00f3s escravos do mesmo senhor?<\/p>\n<p>Como dito anteriormente, a nostalgia \u00e9 uma das ferramentas que nos prende ao simulacro, porque, quando o real j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais aquilo que foi, \u00e9 a nostalgia que toma o centro do palco. Mitos de origem e sinais de realidade passam a ser sobrevalorizados \u2014 como rel\u00edquias de um tempo em que o real ainda parecia poss\u00edvel. Busca-se, ent\u00e3o, uma verdade de segunda ordem: objetiva, aut\u00eantica, mas apenas no discurso, pois a subst\u00e2ncia original j\u00e1 se perdeu. \u00c9 a escalada do vivido como espet\u00e1culo, da verdade como performance, da imagem como substituto da presen\u00e7a. O figurativo ressurge com for\u00e7a justamente onde o objeto real desapareceu. O que temos agora \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o desenfreada de realidade e refer\u00eancia \u2014 mais intensa e invasiva do que a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o material. \u00c9 nesse ponto que se instala a simula\u00e7\u00e3o: como uma estrat\u00e9gia de hiper-realidade que imita o real com tanta perfei\u00e7\u00e3o que o anula, dobrando-se sobre ele como um v\u00e9u que n\u00e3o esconde, mas dissuade.<\/p>\n<p>E muitos, embriagados de nostalgia, se perdem no suposto encontro da verdade atrav\u00e9s de uma caricatura grotesca do hiper-real e por supostamente fugirem de um senso comum sentem que tomaram a p\u00edlula vermelha. Se dizem despertos, mas assim como Cypher em <em>Matrix<\/em>, desejam ansiosamente voltar a simula\u00e7\u00e3o, porque, mesmo que seu simulacro seja um amontoado de pequenas realidades unido por uma teia de mentiras, ele pode performar como outsider, como aquele que conhece, aquele que supostamente viu o deserto do real e sobreviveu para contar a hist\u00f3ria; entretanto, n\u00e3o se pode produzir significado que n\u00e3o seja da realidade. Tudo isso para, no mundo, instigar uma rela\u00e7\u00e3o de consumo vazia. Chegamos a um est\u00e1gio do capitalismo que, diferente do seu in\u00edcio, n\u00e3o se preocupa mais em desenvolver as for\u00e7as produtivas, gerar inova\u00e7\u00e3o ou produzir competi\u00e7\u00e3o. Estamos no ponto dos grandes monop\u00f3lios que se apropriam das grandes ideias do passado para usar o que deveria ser um meio de liberta\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana, a tecnologia, no nosso maior cabresto. Consumimos hoje por um fetiche perform\u00e1tico, ou como cunhado por Marx o fetiche de mercadoria ou fetiche capitalista, que nada mais \u00e9 que a m\u00e1gica encenada pelo mercado: transforma objetos comuns em promessas de identidade, desejo e transcend\u00eancia \u2014 ocultando as estruturas que os produzem.<\/p>\n<p>A abordagem, al\u00e9m de Baudrillard, que mais me salta aos olhos diante dessa performance consumista s\u00e3o os escritos de Slavoj \u017di\u017eek, mais especificamente suas obras <em>O Mais Sublime dos Hist\u00e9ricos: Hegel e Lacan <\/em>de 1989 e <em>Bem-Vindos ao Deserto do Real <\/em>de 2002. Para Zizek o fetiche \u00e9 \u201cAquilo que voc\u00ea finge n\u00e3o saber, para continuar desejando\u201d, ou seja, te permite ignorar a realidade desconfort\u00e1vel por tr\u00e1s do objeto, desde que possa manter o prazer do consumo. Um mecanismo puramente ideol\u00f3gico: voc\u00ea sabe que o objeto \u00e9 falso, vazio, mas continua agindo como se ele fosse tudo aquilo que promete. Temos plena consci\u00eancia que a vida dos influenciadores \u00e9 uma mentira, que tudo ali existe \u00fanica e exclusivamente para performar sucesso para te convencer a comprar algo, mas ainda sim \u00e9 t\u00e3o bom saber o que Maria Flor vai aprontar hoje nos stories da Virg\u00ednia.<\/p>\n<p>Diante dos avan\u00e7os dessa suposta disrup\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que vivemos, embora de fato nada com poder transformador aconte\u00e7a desde o surgimento dos smartphones, at\u00e9 o direito de possuir nos foi negado. Tudo vem no formato \u201cas a service\u201d nada mais \u00e9 seu para se ter, mas tudo ali est\u00e1 colocado para ser desejado. N\u00e3o se compra mais filmes, assinamos um servi\u00e7o que te permite ver o filme. O mesmo se aplica a livros de m\u00eddia digital: voc\u00ea adquire apenas o direito de ler aquela obra, mas, vai al\u00e9m disso: nossa exist\u00eancia foi embalada, monetizada e entregue por assinatura. N\u00e3o temos mais casas, temos co-livings. N\u00e3o escolhemos m\u00f3veis, alugamos a decora\u00e7\u00e3o do m\u00eas. At\u00e9 cachorro, em alguns lugares, vem por assinatura \u2014 amor com prazo de validade. Cozinhar virou capricho: marmitas fitness, dark kitchens, chefs por app. Precisou de impressionar algu\u00e9m? Comida gourmet em 30 minutos, com amor embalado \u00e0 v\u00e1cuo. A pr\u00f3pria identidade virou um servi\u00e7o: alugamos roupas de luxo, contratamos curadores de feed, terceirizamos estilo. Trabalhamos em coworkings, somos freelancers \u00e0 la carte, vendemos nosso tempo e sa\u00fade mental por hora em plataformas. E quando o cora\u00e7\u00e3o aperta? Relacionamentos tamb\u00e9m se tornaram <em>on demand<\/em>. <em>Swipe<\/em>, conversa, <em>date<\/em>. Amor algor\u00edtmico. Em alguns lugares, at\u00e9 abra\u00e7o \u00e9 pago \u2014 <em>cuddle as a service<\/em>. Porque carinho sim, mas sem drama. At\u00e9 a sa\u00fade mental entrou no jogo. Medita\u00e7\u00e3o por app, terapia em caixinhas, emo\u00e7\u00f5es tratadas com notifica\u00e7\u00f5es: \u201cLembre-se de respirar\u201d. Vivemos uma exist\u00eancia fragmentada em pacotes mensais. A vida deixou de ser vivida e passou a ser curada. Ser virou parecer. Parecer virou monetizar. E nos apropriando novamente da obra de Baudrillard, podemos observar que n\u00e3o se trata mais de dissimular, mas, sim, simular. Porque dissimular \u00e9 fingir n\u00e3o ter o que se tem. Simular \u00e9 fingir ter o que n\u00e3o se tem. Um influencer dissimula tristeza; o outro simula felicidade, para o algoritmo n\u00e3o importa o que \u00e9 real, s\u00f3 o que engaja.<\/p>\n<p>Entretanto, a cereja do bolo \u00e9 apenas colocada nos anos ap\u00f3s 2020, com as IAs generativas sendo abertas ao p\u00fablico. Ferramentas extremamente poderosas que deveriam nos permitir realizar tarefas mecanizadas de forma brutalmente eficiente passam a ser usadas para emular ainda mais aquilo que n\u00e3o se \u00e9. Um copiloto para nossas atividades di\u00e1rias substitui o pensamento cr\u00edtico por um <em>prompt<\/em>. E a partir daqui come\u00e7a o fetiche visual, quando esses modelos baseados em textos nos permite roubar \u2013 isso mesmo roubar, a propriedade intelectual de artistas para que possamos ver como seriamos se fossemos desenhados naquele estilo, ou seja, permitimos que uma empresa lucre bilh\u00f5es com o trabalho de artistas, simplesmente para performar identidade na internet.<\/p>\n<p>O real se torna cada vez mais deserto e a nossa exist\u00eancia cada vez mais vazia; a tecnologia que deveria nos libertar das tarefas mec\u00e2nicas, repetitivas, bra\u00e7ais para nos permitir ter mais tempo de viver, tem sido a principal fonte de precariza\u00e7\u00e3o e escravid\u00e3o. Deixo aqui uma provoca\u00e7\u00e3o de Joana Maciejewska: \u201cEu quero que a Intelig\u00eancia Artificial lave a minha roupa e minha lou\u00e7a, para que eu possa escrever e criar minha arte e n\u00e3o contr\u00e1rio, n\u00e3o desejo que a lA crie arte e escreva, enquanto eu lavo a lou\u00e7a e coloco a roupa pra lavar.\u201d<\/p>\n<p>Celebremos ent\u00e3o, convocados por Georg Wilhelm e Friedrich Hegel, o fim da hist\u00f3ria.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, contribua com um PIX para <strong>outrosquinhentos@outraspalavras.net<\/strong> e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico.<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/tecnologiaemdisputa\/ensaio-ia-e-influencers-lavarao-a-nossa-louca\/\">Ensaio: IA e influencers lavar\u00e3o a nossa lou\u00e7a?<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/brasil-reduz-em-42-a-perda-de-floresta-umida-melhor-resultado-da-historia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/lula-cop30-stuckert-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Brasil reduz em 42% a perda de floresta \u00famida, mel...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/festival-sabores-da-cidade-em-santo-andre-mais-de-150-restaurantes-participam-do-evento-saiba-mais\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Festival Sabores da Cidade em Santo Andr\u00e9: mais de...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mulheres-ocupam-menos-de-30-do-secretariado-nos-estados-e-capitais\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/AngelaGuimaraes-1000x530-1-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Mulheres ocupam menos de 30% do secretariado nos e...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quase-um-dia-depois-hugo-motta-e-davi-alcolumbre-reagem-a-taxacao-de-trump-mas-ignoram-ataque-ao-stf\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Quase um dia depois, Hugo Motta e Davi Alcolumbre ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem: istockphoto Boletim Outras Palavras Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site Assinar Loading&#8230; Assinar Loading&#8230; Agradecemos! 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