{"id":38251,"date":"2025-07-14T18:47:59","date_gmt":"2025-07-14T21:47:59","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/os-olhos-de-jean-claude\/"},"modified":"2025-07-14T18:47:59","modified_gmt":"2025-07-14T21:47:59","slug":"os-olhos-de-jean-claude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/os-olhos-de-jean-claude\/","title":{"rendered":"Os olhos de Jean-Claude"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/jeanclaude-2048x1365.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/jeanclaude-1500x1000.jpg 1500w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/jeanclaude-300x200.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/jeanclaude-768x512.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/jeanclaude-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/jeanclaude-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/jeanclaude-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><figcaption>Foto: Leo Lara\/Universo Producao<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Jean-Claude Bernadet <\/strong>em entrevista a <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Se coloque no lugar dele.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 Jean-Claude Bernardet, nasceu na B\u00e9lgica em 1936 e foi morar na Fran\u00e7a ocupada pelos nazistas, veio para Brasil com fam\u00edlia aos 13 anos, se tornando um dos maiores intelectuais do pa\u00eds. Voc\u00ea tem renome, \u00e9 ensa\u00edsta, ex-professor de importantes universidades, cr\u00edtico de cinema, diretor do premiado \u201cS\u00e3o Paulo, Sinfonia e Cacofonia\u201d e de outras importantes produ\u00e7\u00f5es. \u00c9 roteirista de sucesso e ainda se arrisca como ator. Al\u00e9m disso, voc\u00ea tamb\u00e9m inventou o Combina-Cor, um famoso joguinho da Grow que mistura domin\u00f3 e paci\u00eancia.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-4\"><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA--11.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA--11.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-4-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p><a><\/a>Voc\u00ea j\u00e1 assistiu milhares de filmes e muitos deles centenas de vezes. Percorreu lugares remotos do pa\u00eds com um projetor pelo puro amor ao cinema. Isso com filmes politizados do Cinema Novo e com uma claustrof\u00f3bica Ditadura Militar em seu p\u00e9. Conheceu praticamente todos os grandes cineastas que o Brasil tem ou teve. Sua voz \u00e9 respeitada, voc\u00ea dedicou sua vida ao cinema, a olhar imagens em movimento projetadas magicamente em um tel\u00e3o. Agora voc\u00ea est\u00e1 quase cego. Um ressecamento da membrana que envolve seu olho se iniciou h\u00e1 alguns anos e a gradativa perda da vis\u00e3o \u00e9 inexor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Voc\u00ea aguarda num misto de inconformismo e for\u00e7a-relutante o dia em que o mundo ficar\u00e1 escuro por completo sob o prisma de sua vis\u00e3o. Ainda sim, voc\u00ea vai a Festivais, os convites s\u00e3o muitos. A paix\u00e3o, idem. A imagem \u00e9 emba\u00e7ada e seu pesar \u00e9 grande por n\u00e3o entender o idioma de alguns filmes, como em uma respectiva de filmes africanos, o que dificultou muito sua apreens\u00e3o das obras. E seu prazer, claro. Para escrever, voc\u00ea se mune de grossas lentes e lupas. Voc\u00ea produz, sua subjetividade n\u00e3o pode ser freada, coisas precisam ser ditas mesmo se custassem um esfor\u00e7o herc\u00faleo. O seu telefone toca. \u00c9 um estudante de jornalismo. Voc\u00ea atende. E \u00e9 claro, voc\u00ea pode dar uma entrevista.<\/p>\n<p>Mais de uma d\u00e9cada depois, voc\u00ea morre numa manh\u00e3 de s\u00e1bado, 12\/7. Al\u00e9m da degenera\u00e7\u00e3o ocular, voc\u00ea convivia com o HIV e um c\u00e2ncer reincidente na pr\u00f3stata que decidiu n\u00e3o tratar com quimioterapia, questionando altivamente que prorroga\u00e7\u00e3o da vida em si, mesmo quando gere mais sofrimento, seria boa: \u201cn\u00e3o me tratam com pessoa al\u00e9m do c\u00e2ncer, nem discutem o tema b\u00e1sico: devo me submeter \u00e0 agressividade do tratamento? Estou me libertando desta m\u00e1quina infernal. Sinto-me leve\u201d, voc\u00ea j\u00e1 havia escrito em um <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/historia-e-memoria\/tirei-o-corpo-fora\/\">artigo ao <em>Outras Palavras<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>Hoje, aquele jovem que te telefonou, que aprendeu tanto com seus livros, filmes e at\u00e9 com a \u00fanica conversa de pouco mais de uma hora que voc\u00eas tiveram, vem prestar sua homenagem. Infelizmente, voc\u00ea n\u00e3o ler\u00e1. <em>Mas n\u00e3o pense hoje o que voc\u00ea pensou ontem<\/em>, \u00e9 o que voc\u00ea sempre dizia, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p><strong>Como foi sua inf\u00e2ncia na Fran\u00e7a ocupada pelos nazistas?<\/strong><\/p>\n<p>O meu pai estava na Resist\u00eancia e, portanto, durante os tempos de guerra eu n\u00e3o o vi muito. Ent\u00e3o passamos uma parte da guerra em Paris, na casa de meus av\u00f3s, depois sa\u00edmos de Paris e fomos para uma casa que ficava numa pequena cidade, um vilarejo fora de Paris, onde n\u00e3o havia bombardeios.<\/p>\n<p><strong>Como foi o primeiro contato com S\u00e3o Paulo? Foi mais cacofonia ou sinfonia?<\/strong><\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00f3s chegamos ao Rio e tomamos o avi\u00e3o para S\u00e3o Paulo. Ficamos no Hotel S\u00e3o Paulo, se n\u00e3o me engano ficava na Pra\u00e7a das Bandeiras. E foi uma S\u00e3o Paulo cacofonia. Eu me lembro da minha m\u00e3e abrindo a janela, olhando a cidade e dizendo: \u201cEssa cidade me apavora\u201d.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m de cineasta, roteirista e cr\u00edtico de cinema, o senhor tamb\u00e9m \u00e9 ator. \u00c9 prazeroso se ver na tela?<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 um assunto muito delicado para mim. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 prazeroso, sempre sofro muito, n\u00e3o suporto minha imagem e tudo que fa\u00e7o acho muito ruim. Nos anos 1960, fiz v\u00e1rias pontas em diversos filmes, eu considerava importante para a forma\u00e7\u00e3o do cr\u00edtico se encontrar em equipes. Frequentei montagens, sets de filmagens, e acreditando que como observador tamb\u00e9m n\u00e3o era suficiente, entrei no meio, mas com a ideia de ter outros pontos de vistas al\u00e9m daquele do \u201cespectador dentro da sala de cinema\u201d. E n\u00e3o foi s\u00f3 isso, tamb\u00e9m fui roteirista do Joaquim Pedro [de Andrade] e do [Luis S\u00e9rgio] Person, fui assistente de dire\u00e7\u00e3o do Jo\u00e3o Batista [de Andrade]. Eu tive uma vis\u00e3o diferenciada da equipe. Quanto a minha imagem e a minha voz, eu sempre achei bastante desagrad\u00e1vel\u2026 Na verdade, insuport\u00e1vel. No entanto, em <em>Filmefobia<\/em> [2009, de Kiko Goifman], passei a superar essa dificuldade, \u00e9 um dos meus maiores e melhores pap\u00e9is. No <em>Filmefobia<\/em>, eu at\u00e9 me acho legal.<\/p>\n<p><strong>Um aspecto interessante de <\/strong><strong><em>Filmefobia<\/em><\/strong><strong> \u00e9 que ele abole as fronteiras cl\u00e1ssicas entre o ficcional e o documental.<\/strong><\/p>\n<p>Eu diria o seguinte: n\u00e3o h\u00e1 nenhuma tentativa de eliminar ou diluir as fronteiras entre fic\u00e7\u00e3o e document\u00e1rio. Simplesmente, existe a vontade de acabar com essas duas palavras. Eu n\u00e3o sei se o Kiko assume isso, acho que n\u00e3o tanto quanto eu, porque ele brinca muito se \u00e9 fic\u00e7\u00e3o ou document\u00e1rio, mas essas duas palavras s\u00e3o absolutamente equivocadas e se mant\u00e9m, talvez, apenas porque s\u00e3o uteis para pensar. Por\u00e9m elas dificultam o acesso a obras que tentam ser inovadoras. Essas palavras n\u00e3o se aplicam a <em>Filmefobia<\/em>, como tamb\u00e9m n\u00e3o se aplicam a <em>Serra da Desordem<\/em> [2006, de Andrea Tonacci] e a <em>Jogo de Cena<\/em> [2007, de Eduardo Coutinho]. Precisamos n\u00e3o tentar projetar sobre as obras o nosso vocabul\u00e1rio e os nossos conceitos, mas tentar absorver alguma coisa dessas obras mesmo que, como acontece atualmente, n\u00e3o tenhamos palavras para isso. S\u00f3 a obra propriamente dita vai al\u00e9m da nossa possibilidade de linguagem. Derrubei o seu question\u00e1rio?<\/p>\n<p><strong>Absolutamente. Eu especulava sobre uma permeabilidade entre esses dois conceitos como nova forma narrativa, mas o senhor demonstra que o conceito em si j\u00e1 \u00e9 simplista.<br \/><\/strong><br \/>Essa divis\u00e3o foi criada h\u00e1 muito tempo, baseada nos irm\u00e3os [Auguste e Louis] Lumi\u00e8re e [George] M\u00e9li\u00e8s. Os Lumi\u00e8re criam a vertente document\u00e1rio, M\u00e9li\u00e9s a vertente fic\u00e7\u00e3o. M\u00e9li\u00e8s, eu n\u00e3o sei exatamente em que ano, filmou a coroa\u00e7\u00e3o do rei da Inglaterra. Ele encenou essa coroa\u00e7\u00e3o e a noite projetou a pel\u00edcula em Londres. No dia seguinte, soube-se que tinha chovido tanto em Londres que a coroa\u00e7\u00e3o havia sido adiada. No entanto, na v\u00e9spera M\u00e9li\u00e8s apresentou a coroa\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0 sa\u00edda dos oper\u00e1rios da f\u00e1brica dos irm\u00e3os Lumi\u00e8re, ela foi filmada no m\u00ednimo cinco vezes. Ela \u00e9 encenada. O problema \u00e9 esse: estamos acostumados a ter um pensamento bin\u00e1rio, \u00e9 sim ou n\u00e3o, \u00e9 preto ou branco, \u00e9 fic\u00e7\u00e3o ou document\u00e1rio. Temos que fazer um enorme esfor\u00e7o para sair desse pensamento porque n\u00e3o \u00e9 verdade que a hist\u00f3ria do cinema esteja estruturalmente apoiada nessa divis\u00e3o. \u00c9 uma total ilus\u00e3o essa divis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como surgem as ideias de roteiros, como por exemplo, o de <\/strong><strong><em>C\u00e9u de Estrelas<\/em><\/strong><strong> [1996, de Tata Amaral], que foi muito elogiado e que, entre outros pr\u00eamios, ganhou de melhor roteiro no Festival de Bras\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p>Todos os roteiros que fiz sempre foram a partir de est\u00edmulos, nunca escrevo a partir de ideias pr\u00f3prias. E no <em>C\u00e9u de Estrelas<\/em> \u2013 que \u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o de um romance do Fernando Bonassi \u2013 a Tata j\u00e1 tinha tr\u00eas roteiros. Um escrito por ela, que ela n\u00e3o gostou. O do Fernando e que ela tamb\u00e9m n\u00e3o gostou e um terceiro, que ela encomendou de um roteirista profissional, e que tamb\u00e9m n\u00e3o a agradou. Ela disse que queria falar comigo e que n\u00e3o sabia o que fazer. No romance, o personagem principal \u00e9 o homem e o feminino \u00e9 realmente um personagem secund\u00e1rio sobre o qual temos pouqu\u00edssimas informa\u00e7\u00f5es. Descobri \u00e9 que uma das raz\u00f5es que fazia a Tata n\u00e3o gostar desses roteiros j\u00e1 escritos \u00e9 que ela n\u00e3o queria e n\u00e3o faria um filme cujo personagem principal fosse um homem. Somente depois de uma longu\u00edssima conversa fui perceber isso, ent\u00e3o inverti a estrutura: a Dalva vai ser a personagem principal e vamos inverter a estrutura do romance, eliminando quase tudo sobre o homem e inventando sobre a mulher. A minha atitude \u00e9 resolver um problema e esse era um problema para a Tata. Outro problema \u00e9 que um dos roteiros era totalmente \u201cfilme policial\u201d, com v\u00e1rios policiais cercando a casa, viaturas, sequestro, imagens noturnas. A Tata me disse que n\u00e3o teria dinheiro para isso e pediu que a dramaturgia tivesse rela\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas com as dificuldades de produ\u00e7\u00e3o. A\u00ed tomei a decis\u00e3o: \u201cVamos filmar dentro da casa e ponto final\u201d. Tudo que for exterior nos dir\u00e1 atrav\u00e9s de luzes e som. E, consequentemente, barateou consideravelmente o filme. Ent\u00e3o eu trabalho muito dessa forma, tentando equalizar as coisas, solucionando equa\u00e7\u00f5es, nunca trabalho sistematicamente.<\/p>\n<p><strong>Quando n\u00e3o se tem o azul, uso o amarelo, disse uma vez Picasso.<\/strong><\/p>\n<p>Pois \u00e9, \u00e9 isso. Exatamente isso.<\/p>\n<p><strong>Uma obra cl\u00e1ssica \u00e9 <\/strong><strong><em>S\u00e3o Paulo, Sinfonia e Cacofonia<\/em><\/strong><strong>, em que o senhor utiliza diversos fragmentos de outros filmes, de maneira intertextual. Essa obra nasceu da import\u00e2ncia que o senhor d\u00e1 para montagem em uma produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Nasceu da mesma forma que <em>C\u00e9u de Estrela<\/em>. Um dia estava na ECA [Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo-USP], me dirigindo para a sala de aula. A chefe de Departamento me disse: \u201cAh, eu esqueci\u2026 a reitoria tem uma verba para pequenas pesquisas e esqueci de falar para voc\u00ea, seria bom apresentar algo, s\u00f3 que fecha amanh\u00e3 as inscri\u00e7\u00f5es\u201d. Quando voltei da aula, escrevi algumas linhas e tentei. Escrevi sobre S\u00e3o Paulo no cinema, algo que poderia ser um ensaio, um cat\u00e1logo, talvez um levantamento da cidade no cinema brasileiro. Ganhamos a pesquisa e formamos um grupo de professores e alunos da ECA e da FAU [Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, tamb\u00e9m da USP] e come\u00e7amos a ver filmes, a discutir a presen\u00e7a da cidade no cinema, a fazer fichas e palavras-chaves. S\u00f3 que o projeto cresceu e n\u00e3o poder\u00edamos apresentar \u00e0 FAPESP [Funda\u00e7\u00e3o de Amparo a Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo] apenas um cat\u00e1logo, ent\u00e3o fizemos dois filmes e editamos no departamento. Hav\u00edamos comprado na It\u00e1lia uma moviola, que na \u00e9poca era uma puta moviola, e produzimos o som digital tamb\u00e9m no departamento. A partir disso, <em>S\u00e3o Paulo, Sinfonia e Cacofonia<\/em> foi feito. Minha vida \u00e9 feita disso: respostas a est\u00edmulos. Quando eu percebo bem um estimulo, sai uma boa resposta, quando eu percebo mal, vira uma cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p><strong>E como o senhor respondeu aos est\u00edmulos de Paulo Emilio Salles Gomes?<\/strong><\/p>\n<p>O do Paulo Em\u00edlio eu respondi muito bem, acho eu. Ele foi a primeira pessoa adulta de outra gera\u00e7\u00e3o que me levou a serio. Me achava um cara que tinha possibilidades. Mas eu era muito t\u00edmido e fechado e o Paulo me convenceu de meu potencial, me desafiava. \u201cVoc\u00ea vai fazer isso!\u201d, \u201cMas Paulo\u2026\u201d \u201cVoc\u00ea vai escrever!\u201d. E foi assim. O Paulo \u00e9 uma pessoa que transformou a minha vida, pelo seu humor, pelos seus paradoxos e pelo desafio de me colocar em situa\u00e7\u00f5es que eu teria que me superar. Mas tudo isso com muita simpatia. Foi uma rela\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria. Eu at\u00e9 fico emocionado de lembrar.<\/p>\n<p><strong>E aos est\u00edmulos, ou desest\u00edmulos, do Glauber Rocha?<\/strong><\/p>\n<p>Para falar a verdade, eu n\u00e3o respondi aos est\u00edmulos do Glauber Rocha. Porque como voc\u00ea sabe o Glauber me atacava muito, com boatos, mesquinharias e coisas desse tipo. Eu n\u00e3o respondi a isso porque entrar\u00edamos num tipo de briguinha e ressentimento, e eu odeio isso. E, por outro lado, Glauber e eu nos admir\u00e1vamos e nos respeit\u00e1vamos ostensivamente, os contatos pessoais que eu tive com ele sempre foram muito bons. Essas brigas s\u00f3 apareceram fora e na imprensa. Um dia ele se encontrou com o Mauricio Gomes Leite, um cineasta mineiro que tinha feito <em>Vida Provis\u00f3ria<\/em> [1968], e ele perguntou pro Glauber: \u201cMas por que voc\u00ea sempre ataca o Jean-Claude?\u201d. O Glauber respondeu: \u201cMas se eu n\u00e3o atacar o Jean-Claude, eu vou atacar quem?\u201d. \u00c9ramos, mais ou menos, os \u201cirm\u00e3os inimigos\u201d, foi uma forma bastante rica de dialogarmos. Sempre foi uma troca muito grande e n\u00e3o foram essas notas \u00e1cidas e \u00e1speras nos jornais e nos bares, e olha que ele soltava horrores, que afeta a admira\u00e7\u00e3o que sinto por ele como cineasta e o amor que tenho por seus filmes.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\">apoia.se\/outraspalavras<\/a><\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/historia-e-memoria\/os-olhos-de-jean-claude\/\">Os olhos de Jean-Claude<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/com-relatorio-favoravel-do-senador-rogerio-cae-aprova-indicacao-de-igor-muniz-para-diretoria-da-cvm\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Com relat\u00f3rio favor\u00e1vel do senador Rog\u00e9rio, CAE ap...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/familias-do-mst-ocupam-sede-do-incra-no-df-por-reforma-agraria\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/bdf-20250722-172255-f19971-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Fam\u00edlias do MST ocupam sede do Incra no DF por Ref...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/lula-entrega-chaves-em-maceio-e-celebra-2-milhoes-de-casas-contratadas\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/55057295569_0eaba1528d_c-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Lula entrega chaves em Macei\u00f3 e celebra 2 milh\u00f5es ...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ice-de-floripa-guarda-voluntaria-recem-criada-ja-ignora-regras-e-tem-legalidade-contestada-em-sc\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">ICE de Floripa? 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