{"id":38583,"date":"2025-07-16T13:07:58","date_gmt":"2025-07-16T16:07:58","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/pilhas-de-mineracao-da-samarco-de-200-metros-de-altura-preocupam-moradores-de-mariana\/"},"modified":"2025-07-16T13:07:58","modified_gmt":"2025-07-16T16:07:58","slug":"pilhas-de-mineracao-da-samarco-de-200-metros-de-altura-preocupam-moradores-de-mariana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pilhas-de-mineracao-da-samarco-de-200-metros-de-altura-preocupam-moradores-de-mariana\/","title":{"rendered":"Pilhas de minera\u00e7\u00e3o da Samarco de 200 metros de altura preocupam moradores de Mariana"},"content":{"rendered":"<p>Mais uma bofetada na cara. \u00c9 assim que Mauro Marcos da Silva, integrante da Comiss\u00e3o de Atingidos pela Barragem de Fund\u00e3o (CABF), define o <span>novo plano da mineradora Samarco de construir duas pilhas de rejeito, no munic\u00edpio de Mariana, em Minas Gerais. Cada uma das pilhas pode chegar a at\u00e9 200 metros de altura.<\/span> Uma delas deve ficar a menos de 300 metros de casas habitadas.<\/p>\n<p>Bento Rodrigues e Camargos, comunidades que estar\u00e3o mais pr\u00f3ximas das novas estruturas, foram os primeiros distritos atingidos no <a href=\"https:\/\/apublica.org\/tag\/desastre-de-mariana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">maior desastre ambiental<\/a> do Brasil, quando a barragem de Fund\u00e3o, da Samarco, rompeu em 2015, provocando uma avalanche de mais de 30 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de lama t\u00f3xica. O \u201ctsunami\u201d de lama matou 19 pessoas \u2013 al\u00e9m de incont\u00e1veis animais e plantas. E chegou at\u00e9 o mar, contaminando todo o rio Doce, que des\u00e1gua no litoral do Esp\u00edrito Santo.\u00a0<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, a empresa paga <a href=\"https:\/\/apublica.org\/nota\/mariana-mineradoras-correm-por-acordo-antes-de-julgamento-na-europa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">indeniza\u00e7\u00f5es<\/a> aos atingidos, realiza a\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o ambiental e faz repasses para pol\u00edticas p\u00fablicas como parte do acordo de repara\u00e7\u00e3o fechado em novembro do ano passado.<\/p>\n<div>\n<div>\n<h2>Por que isso importa?<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>As pilhas de rejeito que a Samarco quer construir em \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0s comunidades s\u00e3o apresentadas como alternativas \u00e0s barragens, mas especialistas apontam que ainda n\u00e3o h\u00e1 regula\u00e7\u00e3o para as pilhas.<\/li>\n<li>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais apontou falhas e omiss\u00f5es no licenciamento ambiental da barragem da Samarco que rompeu em Mariana, em 2015. A proximidade da barragem com a comunidade tamb\u00e9m contribuiu para o desastre.<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>Agora, Mauro e outros moradores de Bento Rodrigues e de Mariana, que <a href=\"https:\/\/apublica.org\/nota\/mariana-mineradoras-correm-por-acordo-antes-de-julgamento-na-europa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nem se recuperaram<\/a> totalmente do desastre, temem os impactos das novas estruturas planejadas para o descarte de rejeitos da minera\u00e7\u00e3o de ferro \u2013 como aumento de poeira, barulho e tr\u00e1fego de ve\u00edculos, altera\u00e7\u00e3o da paisagem e, principalmente, risco de deslizamento ou colapso das estruturas.\u00a0<\/p>\n<p><span>\u201cTanto a pilha de Bento quanto a de Camargos v\u00e3o estar muito pr\u00f3ximas do rio Gualaxo do Norte, que foi soterrado por 400 metros c\u00fabicos de rejeito\u201d, disse Mauro<\/span> \u00e0 <strong>Ag\u00eancia<\/strong> <strong>P\u00fablica<\/strong>. \u201cA gente v\u00ea a possibilidade de se repetir todo o desastre novamente, n\u00e3o sei se daqui a cinco ou vinte anos, mas fica esse fantasma de uma repeti\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As pilhas, que est\u00e3o previstas para entrarem em opera\u00e7\u00e3o somente a partir de 2028, fazem parte do plano da Samarco (propriedade da Vale e da mineradora multinacional BHP) de retomar totalmente sua produ\u00e7\u00e3o, que foi paralisada depois do rompimento de Fund\u00e3o e retomada, parcialmente, em 2020.\u00a0<\/p>\n<p>As duas \u201cmontanhas artificiais\u201d ser\u00e3o instaladas em \u00e1reas ainda bem preservadas, com vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Uma delas ter\u00e1 at\u00e9 221 metros de altura (o equivalente a um pr\u00e9dio de 74 andares) e ficar\u00e1 a 1,2 km do centro de Bento Rodrigues.\u00a0<\/p>\n<p>A outra, de at\u00e9 190 metros de altura (que equivaleria a cinco est\u00e1tuas do Cristo Redentor empilhadas) est\u00e1 prevista para ficar a menos de 300 metros de uma edifica\u00e7\u00e3o em Camargos. As compara\u00e7\u00f5es de altura foram calculadas por pesquisadores do Conterra, Grupo de Pesquisa e Extens\u00e3o sobre Conflitos em Territ\u00f3rios Atingidos, da Universidade Federal de Ouro Preto.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6877dac93e03e\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><\/figure>\n<h3><strong>A\u00e7\u00e3o popular tenta barrar a\u00e7\u00e3o de mineradora<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cEu tenho um sentimento de muita revolta. E isso s\u00f3 mostra que a empresa, o estado, os munic\u00edpios, ningu\u00e9m aprendeu nada. E a sensa\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 que para eles a vida n\u00e3o importa. Lugares n\u00e3o importam. \u00c9 sempre o lucro falando acima de tudo\u201d, disse M\u00f4nica Santos, tamb\u00e9m moradora de Bento Rodrigues e parte da CABF.<\/p>\n<p>Na Justi\u00e7a, uma <span>a\u00e7\u00e3o popular pede a suspens\u00e3o tempor\u00e1ria do licenciamento ambiental do empreendimento at\u00e9 que a Samarco apresente novos estudos que considerem cen\u00e1rios de chuvas extremas, provocadas pela crise clim\u00e1tica, para garantir a seguran\u00e7a do descarte dos rejeitos.<\/span> A a\u00e7\u00e3o est\u00e1 tramitando na justi\u00e7a estadual, na comarca de Mariana, que solicitou manifesta\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual, da Advocacia-Geral do Estado e da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a a\u00e7\u00e3o, o estudo das estruturas de armazenamento de rejeitos n\u00e3o considerou que as chuvas t\u00eam se tornado mais frequentes e intensas com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Se as chuvas ultrapassarem os registros hist\u00f3ricos, os sistemas de drenagem podem n\u00e3o ser projetados na capacidade adequada para evitar infiltra\u00e7\u00f5es e poss\u00edveis deslizamentos, conforme a a\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Questionada pela <strong>P\u00fablica<\/strong>, a Samarco afirmou que \u201ca seguran\u00e7a das estruturas \u00e9 prioridade absoluta\u201d e que realizou estudos contemplando cen\u00e1rios de chuvas extremas.<\/p>\n<p>\u201cO material a ser disposto nas pilhas \u00e9 s\u00f3lido e o projeto contempla todos os crit\u00e9rios geot\u00e9cnicos, hidrol\u00f3gicos e ambientais, inclusive cen\u00e1rios de eventos extremos de chuvas, conforme exigido por normas brasileiras e padr\u00f5es internacionais. As pilhas foram projetadas com sistemas de drenagem, estabilidade e controle que asseguram a integridade das estruturas ao longo de sua vida \u00fatil\u201d, disse a empresa por meio de nota. \u00a0<\/p>\n<p><span>\u201cN\u00f3s n\u00e3o somos contra a minera\u00e7\u00e3o. S\u00f3 pedimos uma a\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel, que n\u00e3o agrida tanto o meio ambiente e que seja uma coisa 100% segura\u201d<\/span>, diz Mauro. \u201cSe quisessem fazer um projeto de forma mais segura e sustent\u00e1vel \u00e9 poss\u00edvel. Tamb\u00e9m seria poss\u00edvel fazer em outro local\u201d.<\/p>\n<p>Cr\u00edticos do empreendimento afirmam que ao prever a instala\u00e7\u00e3o de pilhas t\u00e3o pr\u00f3ximas \u00e0s comunidades, <span>o projeto violaria a garantia de \u201cn\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o\u201d<\/span>, prevista pela <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2025\/07\/corte-idh-reconhece-que-paises-tem-de-evitar-dano-ao-clima\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Corte Interamericana<\/a> de Direitos Humanos para garantir uma repara\u00e7\u00e3o integral.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA garantia de n\u00e3o-repeti\u00e7\u00e3o inclui medidas que os estados t\u00eam que tomar para que aquelas comunidades que foram atingidas por viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos possam ter a garantia de que novas viola\u00e7\u00f5es n\u00e3o v\u00e3o acontecer\u201d, explica Bernardo Campomizzi, advogado especialista em direito ambiental e miner\u00e1rio.\u00a0<\/p>\n<p>A Samarco disse \u00e0 <strong>P\u00fablica <\/strong>que \u201creafirma seu compromisso com a repara\u00e7\u00e3o definitiva, com a n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o de danos e com o desenvolvimento de suas opera\u00e7\u00f5es de forma segura, transparente e respeitosa com as comunidades, o meio ambiente e a sociedade\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Pr\u00e9via do PL da devasta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O projeto da Samarco, chamado de \u201cLongo Prazo\u201d, inclui, al\u00e9m das pilhas, a continuidade de lavra em minas j\u00e1 existentes, disposi\u00e7\u00e3o de rejeitos em cava confinada, amplia\u00e7\u00e3o de uma pilha j\u00e1 existente e instala\u00e7\u00e3o de um sistema de correias transportadoras.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo a empresa, \u201co projeto mant\u00e9m o modelo produtivo atual, com sistema de filtragem e empilhamento a seco, sem utiliza\u00e7\u00e3o de barragens para disposi\u00e7\u00e3o de rejeitos\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>A Samarco afirmou ainda que todos os estudos \u201cambientais, sociais e de engenharia\u201d que fundamentaram o processo de licenciamento foram \u201crealizados por equipes t\u00e9cnicas multidisciplinares\u201d. \u201cOs estudos seguiram rigorosamente as normas vigentes e foram submetidos \u00e0 an\u00e1lise t\u00e9cnica dos \u00f3rg\u00e3os competentes, com ampla transpar\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o social\u201d, disse.<\/p>\n<p>No final de junho, o Conselho Estadual de Pol\u00edtica Ambiental aprovou a licen\u00e7a ambiental do projeto com uma \u201cs\u00e9rie de condicionantes\u201d, conforme nota enviada \u00e0 reportagem pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais, incluindo medidas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades e iniciativas de monitoramento.\u00a0<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6877dac93e358\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Vista do complexo Germano, da Samarco, que ter\u00e1 as atividades miner\u00e1rias ampliadas pelo Projeto Longo Prazo<\/figcaption><\/figure>\n<p><span>A autoriza\u00e7\u00e3o foi concedida no modelo estadual de \u201clicen\u00e7a concomitante\u201d<\/span>, em que as tr\u00eas licen\u00e7as exigidas para esse tipo de empreendimento (pr\u00e9via, de instala\u00e7\u00e3o e de opera\u00e7\u00e3o) s\u00e3o analisadas em uma \u00fanica fase \u2013 diferentemente do licenciamento trif\u00e1sico, em que cada uma \u00e9 analisada separadamente, em uma etapa espec\u00edfica.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEsse caso ilustra como o processo de licenciamento ambiental em Minas Gerais \u00e9 uma antecipa\u00e7\u00e3o, um laborat\u00f3rio do <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2025\/07\/pl-do-licenciamento-quer-levar-brasil-para-1960-diz-feldmann\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PL da Devasta\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d, diz Daniel Neri, que estuda conflitos ambientais relacionados \u00e0 minera\u00e7\u00e3o em Minas Gerais e \u00e9 professor de f\u00edsica no Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Daniel faz um paralelo com o projeto de lei do licenciamento ambiental (apelidado de PL da Devasta\u00e7\u00e3o por organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas), que deve ser votado nesta semana pela C\u00e2mara dos Deputados. O projeto,<a href=\"https:\/\/apublica.org\/2025\/05\/pl-do-licenciamento-e-maior-retrocesso-diz-ex-presidente-do-ibama\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> que flexibiliza e simplifica<\/a> o licenciamento em todo o pa\u00eds para diferentes tipos de empreendimento, tamb\u00e9m prev\u00ea uma modalidade de licen\u00e7a em que a viabilidade da instala\u00e7\u00e3o, amplia\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de um empreendimento \u00e9 atestada em uma \u00fanica etapa, \u00e9 a Licen\u00e7a Ambiental \u00danica (LAU).\u00a0<\/p>\n<p>Inicialmente, a proposta inicial, vinda da C\u00e2mara dos Deputados, exclu\u00eda atividades de grande porte de minera\u00e7\u00e3o do PL \u2013 as atividades teriam que ser reguladas por outra lei espec\u00edfica. Mas os senadores, ao analisarem o texto, inclu\u00edram a minera\u00e7\u00e3o no novo projeto de licenciamento.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Vale tudo para a minera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n<p>Um dos problemas apontados por especialistas no setor de minera\u00e7\u00e3o \u00e9 que, no caso das pilhas de rejeito e est\u00e9ril, <span>ainda n\u00e3o h\u00e1 uma regulamenta\u00e7\u00e3o federal espec\u00edfica para essas estruturas \u2013 diferentemente das barragens, que, depois dos desastres, foram submetidas a uma lei com uma s\u00e9rie de obriga\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>\u201cCada mineradora faz da sua cabe\u00e7a\u201d, disse o engenheiro Julio Grillo, ex-superintendente do Ibama em Minas Gerais e vice-presidente do Instituto F\u00f3rum Permanente S\u00e3o Francisco. \u201cAs mineradoras est\u00e3o contando com o fato de n\u00e3o termos uma legisla\u00e7\u00e3o para, se eventualmente uma pilha cair, elas falarem que n\u00e3o tem culpa\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, por exemplo, limites para a altura das pilhas ou restri\u00e7\u00f5es de dist\u00e2ncia de comunidades. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 defini\u00e7\u00e3o estabelecida para quais c\u00e1lculos deveriam ser feitos para garantir que essas pilhas suportem o pr\u00f3prio peso e que possam resistir a chuvas extremas, cada vez mais frequentes e intensas por causa da crise clim\u00e1tica.\u00a0<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6877dac93e58e\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Vista de parte do distrito de Camargos, pr\u00f3xima da \u00e1rea prevista para uma das pilhas de rejeito<\/figcaption><\/figure>\n<p>Grillo chama aten\u00e7\u00e3o para o caso da pilha de rejeitos da mineradora Jaguar Mining, que, em dezembro do ano passado, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mg\/centro-oeste\/noticia\/2024\/12\/12\/mais-de-250-pessoas-foram-realocadas-apos-deslizamento-em-pilha-de-rejeitos-em-mg.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">deslizou<\/a> e chegou a atingir sete im\u00f3veis em Concei\u00e7\u00e3o do Par\u00e1 (MG). Pelo menos 251 pessoas tiveram que ser realocadas. Para ele, a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel \u00e9 a de que a pilha n\u00e3o aguentou o pr\u00f3prio peso, fazendo com que a parte debaixo deslizasse.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><span>Esse n\u00e3o foi o \u00fanico acidente recente envolvendo pilhas de rejeito.<\/span> Em janeiro de 2022, tamb\u00e9m em Minas Gerais, uma pilha de rejeito e est\u00e9ril da mineradora francesa Vallourec <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mg\/minas-gerais\/noticia\/2022\/01\/11\/imagens-flagram-momento-em-que-o-dique-de-mineradora-transborda-em-nova-lima-na-grande-bh.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">deslizou<\/a>, provocando o transbordamento de um dique de \u00e1gua dentro de uma mina, que, por sua vez, interditou a BR-040 por quase dois dias e tamb\u00e9m causou a remo\u00e7\u00e3o de moradores.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cQuase que eu fui atingida. Eu estava levando minha m\u00e3e para um procedimento m\u00e9dico em Belo Horizonte. Nem cinco minutos depois que a gente passou [na estrada], minha m\u00e3e pegou o telefone e j\u00e1 tinha chegado a mensagem do deslizamento\u201d, contou M\u00f4nica Santos, v\u00edtima do rompimento de Fund\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o <a href=\"https:\/\/observatoriodamineracao.com.br\/exclusivo-estrutura-da-vallourec-que-cedeu-em-mg-teve-reuniao-extraordinaria-licenciamento-expresso-e-alertas-de-ambientalistas-em-sua-ampliacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Observat\u00f3rio da Minera\u00e7\u00e3o<\/a>, a expans\u00e3o da pilha da Vallourec tamb\u00e9m havia sido feita no modelo de licenciamento concomitante.<\/p>\n<p>Outra pilha de rejeitos, da AngloGold Ashanti, causou p\u00e2nico entre os moradores de Santa B\u00e1rbara (MG), depois do aparecimento de eros\u00f5es, tamb\u00e9m em 2022, como noticiou o jornal <a href=\"https:\/\/www.otempo.com.br\/cidades\/erosao-em-pilha-de-rejeitos-da-anglogold-assusta-moradores-de-distrito-1.2607910\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Tempo<\/a>. A mineradora informou que fez obras emergenciais na pilha e que ela permanece em constante monitoramento.<\/p>\n<h3><strong>Pilhas x barragens<\/strong><\/h3>\n<p>As pilhas de rejeito e est\u00e9ril (res\u00edduo n\u00e3o aproveitado pela minera\u00e7\u00e3o, descartado antes mesmo do processo de tratamento do min\u00e9rio) s\u00e3o apresentadas como alternativas mais seguras \u00e0s barragens de rejeito, especialmente depois do <a href=\"https:\/\/apublica.org\/tag\/brumadinho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">rompimento da barragem<\/a> do C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, da Vale, em Brumadinho (MG), que matou 272 pessoas no in\u00edcio de 2019.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEssas pilhas sempre foram usadas na minera\u00e7\u00e3o, principalmente para est\u00e9ril\u201d, explica Euler de Carvalho Cruz, presidente do Instituto F\u00f3rum Permanente S\u00e3o Francisco, organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil especializada em sustentabilidade, meio ambiente e minera\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cOs rejeitos, tradicionalmente, eram colocados em barragens. Eles s\u00e3o derivados de um tratamento do min\u00e9rio que leva \u00e1gua, ent\u00e3o sai aquela lama. [\u00c9] mais f\u00e1cil colocar a lama numa barragem em vez de secar aquilo. Filtrar e secar \u00e9 mais caro. Sempre colocaram em barragens e deu no que deu. Para evitar os crimes que aconteceram, come\u00e7aram a filtrar os rejeitos, secar e empilhar\u201d, completa Euler.<\/p>\n<p>Em tese, o dano potencial do deslizamento ou colapso de uma pilha de rejeitos \u00e9 menor do que o do rompimento de uma barragem. Ainda assim, o risco existe. E, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, \u00e9 ampliado pela aus\u00eancia de uma regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para essas estruturas.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cMesmo fora do Brasil n\u00e3o existe ainda uma experi\u00eancia consolidada para esse empilhamento, depende muito do tipo de material, da forma de empilhar, da compacta\u00e7\u00e3o, da drenagem. Elas precisam de muito estudo, de muito teste\u201d, afirma Euler.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com a Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), um projeto espec\u00edfico para a regulamenta\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a dessas pilhas est\u00e1 previsto na agenda regulat\u00f3ria do \u00f3rg\u00e3o para o bi\u00eanio 2025\/2026.\u00a0<\/p>\n<p><span>A ag\u00eancia informou \u00e0 <strong>P\u00fablica<\/strong> que existem 768 pilhas de rejeito ou de rejeito e est\u00e9ril no pa\u00eds \u2013 a maior parte delas em Minas Gerais, que concentra quase 35% do total.<\/span> Esse n\u00famero, no entanto, foi compilado a partir de dados declarados pelos pr\u00f3prios empreendedores e, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, \u00e9 prov\u00e1vel que seja subestimado.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Bento Rodrigues: \u201c\u00e9 como se a comunidade n\u00e3o existisse\u201d<\/strong><\/h3>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6877dac93e83d\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Moradores lembram desastre na Festa S\u00e3o Bento, realizada no ano passado. A edi\u00e7\u00e3o deste ano est\u00e1 marcada para o pr\u00f3ximo dia 26<\/figcaption><\/figure>\n<p>A an\u00e1lise dos riscos do projeto da Samarco, realizada no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), classificou como \u201calto\u201d o risco de um deslizamento, ruptura ou desmoronamento das pilhas de rejeito. De uma s\u00e9rie de riscos, este foi o \u00fanico cuja severidade foi categorizada como \u201ccatastr\u00f3fica\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o do conselho ambiental que aprovou a licen\u00e7a ao projeto, um representante da Samarco afirmou que a mineradora incorporou \u201ctodas as tecnologias dispon\u00edveis e melhores pr\u00e1ticas de mercado\u201d para garantir a seguran\u00e7a das pilhas, que seriam monitoradas 24h por uma sala de controle. Ele tamb\u00e9m disse que o distrito de Camargos demandou informa\u00e7\u00f5es complementares sobre a estrutura e que a mineradora demonstrou a \u201cexist\u00eancia de uma barreira f\u00edsica natural que impede qualquer chegada de rejeito\u201d na comunidade.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 <strong>P\u00fablica<\/strong>, a empresa disse que a barreira natural \u00e9 um morro que fica entre a pilha e a comunidade, \u201crefor\u00e7ando a seguran\u00e7a do local\u201d. Segundo a Samarco, a comunidade \u201cn\u00e3o sofrer\u00e1 impactos diretos da opera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ainda assim, o trauma do rompimento de Fund\u00e3o permanece. O estudo de impacto incluiu uma pesquisa com moradores de Camargos e Santa Rita Dur\u00e3o (outra comunidade pr\u00f3xima aos empreendimentos). Ao serem perguntados sobre os aspectos negativos das atividades miner\u00e1rias, quase 40% dos entrevistados apontou a inseguran\u00e7a associada ao risco de rompimento de barragens.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cNuma reuni\u00e3o com a Samarco um m\u00eas antes do rompimento, em 2015, um funcion\u00e1rio disse que a barragem era t\u00e3o segura que ele dormiria com a fam\u00edlia embaixo dela a qualquer momento. Um m\u00eas depois, rompeu\u201d, conta Mauro, cuja fam\u00edlia viveu em Bento Rodrigues por gera\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6877dac93ea28\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>As manchas laranja e rosa representam as pilhas de rejeito e est\u00e9ril planejadas pela Samarco<\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 os moradores de Bento sequer foram considerados no estudo produzido pela mineradora. Para Mauro e M\u00f4nica, \u00e9 como se \u201ca comunidade n\u00e3o existisse\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Eles questionam por que a mineradora escolheu locais t\u00e3o pr\u00f3ximos \u00e0s comunidades para instalar as pilhas. O estudo oferece uma pista: \u201ca Samarco procurou selecionar \u00e1reas economicamente vi\u00e1veis, sem restri\u00e7\u00f5es legais ou de tamanho que pudessem, de alguma forma, impedir a amplia\u00e7\u00e3o das atividades do empreendimento\u201d.<\/p>\n<p>Uma das pilhas ficar\u00e1 ao lado da estrada de acesso entre o territ\u00f3rio de origem de Bento Rodrigues, atingido pelo rejeito, e o Novo Bento Rodrigues, \u00e1rea do reassentamento coletivo. A estrada \u00e9 usada semanalmente por grupos de moradores que ainda mant\u00e9m seus v\u00ednculos com Bento original e frequentam o local para a realiza\u00e7\u00e3o de celebra\u00e7\u00f5es religiosas, sepultamentos e outros eventos comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p><span>\u201cBento continua existindo, por mais que tenha sido parcialmente destru\u00eddo e que tenha rejeito, Bento n\u00e3o morreu. N\u00e3o acabou. E de novo o territ\u00f3rio sofrer\u00e1 todos os impactos<\/span>: barulho, poeira, tr\u00e2nsito, mudan\u00e7a na paisagem. Sa\u00edmos do espeto e ca\u00edmos na brasa\u201d, diz Mauro.\u00a0<\/p>\n<p>A <strong>P\u00fablica <\/strong>perguntou para a Samarco se ela avaliou outros locais para as pilhas e por que acabou decidindo por \u00e1reas pr\u00f3ximas a Bento Rodrigues e Camargos. A empresa respondeu que conduziu um \u201crobusto estudo de alternativas locacionais, com an\u00e1lise t\u00e9cnica, legal, socioecon\u00f4mica e ambiental, utilizando matrizes comparativas para determinar a melhor solu\u00e7\u00e3o para a localiza\u00e7\u00e3o das estruturas\u201d. \u201cAs alternativas foram amplamente avaliadas para garantir a minimiza\u00e7\u00e3o de riscos e de impactos\u201d, completou.<\/p>\n<p>\u201cReafirmamos que o projeto n\u00e3o intercepta o per\u00edmetro de tombamento de Bento Rodrigues de origem e respeita integralmente a legisla\u00e7\u00e3o patrimonial e ambiental vigente. O Novo Bento Rodrigues encontra-se a cerca de 3,5 km do empreendimento e n\u00e3o ser\u00e1 afetado diretamente\u201d, disse a empresa.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6877dac93ec12\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Moradores fazem prociss\u00e3o em Bento Rodrigues, em 2019<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m da proximidade das pilhas, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com o sistema de correias transportadoras (presas de forma suspensa em estruturas met\u00e1licas e que funcionam ininterruptamente, produzindo ru\u00eddo). O sistema passar\u00e1 em parte do trajeto da Estrada Real, rota tur\u00edstica e hist\u00f3rica, e a apenas 400 metros de uma cachoeira.\u00a0<\/p>\n<p>O parecer da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Meio Ambiente, que analisou o estudo do projeto da mineradora, afirma que o rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em 2015, enfraqueceu o turismo na regi\u00e3o, o que pode ser agravado, agora, pela pilha e pelas correias transportadoras.\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma s\u00e9rie de impactos ao patrim\u00f4nio cultural do munic\u00edpio de Mariana, como aponta Flora Passos, coordenadora do Conterra e professora de arquitetura e urbanismo na UFOP.\u00a0<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6877dac93edc4\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" aria-label=\"Ampliar\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on-async--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\" data-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Vista da Igreja Matriz de Nossa Senhora Concei\u00e7\u00e3o, patrim\u00f4nio tombado de Camargos<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em Camargos, a Igreja Matriz de Nossa Senhora Concei\u00e7\u00e3o \u00e9 tombada a n\u00edvel federal e o pr\u00f3prio n\u00facleo urbano foi tombado a n\u00edvel municipal. Em Bento Rodrigues, a Igreja das Merc\u00eas, que escapou do rejeito de Fund\u00e3o, \u00e9 tombada pelo munic\u00edpio e pelo estado. H\u00e1 ainda v\u00e1rios s\u00edtios arqueol\u00f3gicos na regi\u00e3o, entre eles o Abrigo Mirandinha, que conta com pinturas pr\u00e9-coloniais e est\u00e1 localizado em uma \u00e1rea privada da Samarco.<\/p>\n<p>\u201cAs pilhas v\u00e3o impactar n\u00e3o s\u00f3 a ambi\u00eancia desses patrim\u00f4nios, mas a visibilidade deles tamb\u00e9m. E mesmo assim os conselhos e \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio aprovaram o projeto, diz Flora.\u00a0<\/p>\n<p>O projeto foi analisado pelos conselhos municipais de cultura e patrim\u00f4nio e pelo instituto estadual de preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio. Segundo a Samarco, as \u201cdevidas compensa\u00e7\u00f5es\u201d foram discutidas \u2013 ainda que perguntada, a empresa n\u00e3o especificou o valor delas. \u201cTodos os compromissos pactuados ser\u00e3o cumpridos pela empresa, dentro dos tr\u00e2mites legais e institucionais\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Moradores entrevistados durante o estudo de impacto ambiental afirmam que o projeto da Samarco pode trazer como benef\u00edcio a gera\u00e7\u00e3o de empregos diretos e indiretos, al\u00e9m do fortalecimento das atividades comerciais e de servi\u00e7os. Mais da metade dos entrevistados n\u00e3o apontou aspectos negativos ligados ao projeto.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAo longo dos anos, foi criada uma min\u00e9rio-depend\u00eancia em Mariana\u201d, diz Mauro. \u201cSe acabar a minera\u00e7\u00e3o em Mariana, acaba Mariana.\u00a0<\/p>\n<p>A d\u00favida \u00e9 se a expectativa de gera\u00e7\u00e3o de empregos, ao menos diretos, vai se confirmar. Quando perguntados se algu\u00e9m da fam\u00edlia trabalha ou j\u00e1 trabalhou diretamente na Samarco, 90% dos entrevistados em Mariana disseram que n\u00e3o. Durante as entrevistas, os moradores tamb\u00e9m reclamaram que as empresas mineradoras n\u00e3o priorizam a contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra local e relataram que \u201ch\u00e1 poucos projetos sociais voltados para os reais interesses da comunidade\u201d.\u00a0<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/movimentos-sociais-organizam-luta-contra-o-racismo-e-a-violencia-policial-em-joao-pessoa\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Movimentos sociais organizam luta contra o racismo...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/comite-olimpico-internacional-aprova-suspensao-provisoria-de-restricoes-a-russia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/coi-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional aprova suspens\u00e3o pro...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/jornalistaslivres.org\/por-um-cinema-de-ocupacao\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Por um Cinema de ocupa\u00e7\u00e3o<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/seminario-na-camara-discute-enfrentamento-a-violencia-politica-de-genero-e-raca\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Semin\u00e1rio na C\u00e2mara discute enfrentamento \u00e0 viol\u00ean...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma bofetada na cara. \u00c9 assim que Mauro Marcos da Silva, integrante da Comiss\u00e3o de Atingidos pela Barragem de Fund\u00e3o (CABF), define o novo plano da mineradora Samarco de construir duas pilhas de rejeito, no munic\u00edpio de Mariana, em Minas Gerais. 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