{"id":38677,"date":"2025-07-16T19:14:18","date_gmt":"2025-07-16T22:14:18","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/a-universidade-como-alvo-global\/"},"modified":"2025-07-16T19:14:18","modified_gmt":"2025-07-16T22:14:18","slug":"a-universidade-como-alvo-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-universidade-como-alvo-global\/","title":{"rendered":"A universidade como alvo global"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"675\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1c68f761-edd0-4f27-b0f4-36b132c60719-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1c68f761-edd0-4f27-b0f4-36b132c60719-1.jpg 1200w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1c68f761-edd0-4f27-b0f4-36b132c60719-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/1c68f761-edd0-4f27-b0f4-36b132c60719-1-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption>Manifestantes em solidariedade a Palestina na Universidade do Texto, nos EUA, em abril, durante ondas de protestos nas principais universidades do pa\u00eds \u2013 muitos deles violentamente reprimidos pela pol\u00edcia. Foto: Jay Janner\/Austin American-Statesman via AP<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este artigo integra o volume 38 do Caderno CRH, parceiro editorial de<em>\u00a0Outras Palavras<\/em>, organizado e editado pelo Centro de Estudos e Pesquisas e Humanidades (CRH\/UFBA), em coedi\u00e7\u00e3o com a Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA).\u00a0<a href=\"https:\/\/periodicos.ufba.br\/index.php\/crh\/issue\/view\/2878\"><strong>Leia mais.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A universidade p\u00fablica \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que se tornou, nos \u00faltimos anos, espa\u00e7o de interven\u00e7\u00f5es violentas de toda ordem. Desde acusa\u00e7\u00f5es de islamo-gauchismo em pa\u00edses como a Fran\u00e7a at\u00e9 interven\u00e7\u00f5es brutais contra estudantes e professores em solidariedade com a causa palestina,\u00a0 principalmente\u00a0 nos\u00a0 Estados\u00a0 Unidos\u00a0da Am\u00e9rica (EUA) e na Alemanha, o que vemos \u00e9 a\u00a0universidade\u00a0 p\u00fablica\u00a0 como\u00a0 espa\u00e7o\u00a0 de\u00a0 tensionamento\u00a0 social.\u00a0 No\u00a0entanto,\u00a0a\u00a0 lista\u00a0 \u00e9\u00a0 muito\u00a0 mais extensa. Em governos de extrema-direita, como o que vimos no Brasil e que vemos atualmente\u00a0na\u00a0 Argentina,\u00a0na\u00a0 Turquia,\u00a0 na\u00a0 Hungria\u00a0 e\u00a0 em Israel, for\u00e7as estatais operam toda forma de desmonte de financiamento e de estigmatiza\u00e7\u00e3o social contra a universidade p\u00fablica, isso quando n\u00e3o se trata de criminaliza\u00e7\u00e3o direta contra professores e estudantes.<\/p>\n<p>A sensibilidade aguda que a extrema-direita tem em rela\u00e7\u00e3o as universidades, centros de pesquisas e forma\u00e7\u00e3o mostra, a contrapelo, como\u00a0 a\u00a0 tese\u00a0 da\u00a0 obsolesc\u00eancia\u00a0 da\u00a0 universidade\u00a0 era\u00a0 simplesmente\u00a0 falsa\u00a0 (Salles,\u00a0 2020).\u00a0 Pois\u00a0 a\u00a0 extrema-direita\u00a0 n\u00e3o\u00a0 se\u00a0 engana\u00a0 a\u00a0 respeito\u00a0 da\u00a0 articula\u00e7\u00e3o\u00a0 profunda\u00a0 entre\u00a0 universidade,\u00a0 movimentos\u00a0 sociais\u00a0 e\u00a0 opini\u00e3o\u00a0 p\u00fablica.\u00a0 Por mais\u00a0que a universidade p\u00fablica tenha suas contradi\u00e7\u00f5es\u00a0 e\u00a0 seus\u00a0 n\u00facleos\u00a0 reacion\u00e1rios,\u00a0 ela\u00a0 \u00e9\u00a0 ainda a institui\u00e7\u00e3o sociais mais aberta e porosa a articula\u00e7\u00f5es\u00a0 com\u00a0 movimentos\u00a0 sociais\u00a0 que\u00a0 conhecemos\u00a0 (Safatle,\u00a0 2019).\u00a0 Mesmo\u00a0 produ\u00e7\u00f5es\u00a0 intelectuais aparentemente distantes da esfera pol\u00edtica cotidiana, como Jacques Derrida e sua desconstru\u00e7\u00e3o, tornaram-se an\u00e1temas da extrema-direita\u00a0 porque\u00a0 elas\u00a0 provaram\u00a0 ser\u00a0 capazes\u00a0 de\u00a0 mobiliar\u00a0 a\u00a0 imagina\u00e7\u00e3o\u00a0 social\u00a0 em\u00a0 quest\u00f5es \u00a0sens\u00edveis\u00a0 para\u00a0 a\u00a0 reprodu\u00e7\u00e3o\u00a0 da\u00a0 ordem\u00a0 social,\u00a0 como a sexualidade, o territ\u00f3rio, a origem, entre tantas outras.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\" aria-label=\"MAT\u00c9RIA-1\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-1-3.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-1-3.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-1-300x75.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>O\u00a0\u00a0caso\u00a0 da\u00a0\u00a0 mobiliza\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0 universit\u00e1ria\u00a0\u00a0 contra\u00a0 o\u00a0 genoc\u00eddio\u00a0 palestino\u00a0 \u00e9\u00a0 outro\u00a0 exemplo\u00a0 que\u00a0 nos\u00a0 deve\u00a0 fazer\u00a0 pensar.\u00a0 Durante\u00a0 anos,\u00a0 a\u00a0 universidade conheceu toda forma de discurso p\u00f3s-colonial, decolonial e contracolonial. Na maioria\u00a0 dos\u00a0 casos,\u00a0 esses\u00a0 discursos\u00a0 pareciam\u00a0 mais\u00a0 adaptados\u00a0 a\u00a0 comit\u00eas\u00a0 de\u00a0 diversidade\u00a0 de\u00a0 grandes empresas, a pol\u00edticas estatais de<em> colonial\u00a0 washing<\/em>\u00a0 do\u00a0 que\u00a0 interessados\u00a0 em\u00a0 ressoar quest\u00f5es presentes em lutas anticoloniais efetivas,\u00a0 como\u00a0 as\u00a0 que\u00a0 vimos\u00a0 no\u00a0 Vietn\u00e3,\u00a0 na\u00a0 \u00c1frica\u00a0 e\u00a0 na\u00a0 Am\u00e9rica\u00a0 Latina.\u00a0 Ho\u00a0 chi\u00a0 min,\u00a0 Thomas\u00a0 Sankara\u00a0 ou\u00a0 mesmo\u00a0 Subcomandante\u00a0 Marcos\u00a0 n\u00e3o eram exatamente as figuras mais presentes nas preocupa\u00e7\u00f5es de nossos intelectuais decoloniais. H\u00e1 de se perguntar a raz\u00e3o para tanto.<\/p>\n<p>Mas eis que explode um verdadeiro genoc\u00eddio\u00a0 colonial\u00a0 diante\u00a0 de\u00a0 nossos\u00a0 olhos,\u00a0 com\u00a0 os elementos cl\u00e1ssicos de apagamento do luto, de\u00a0dessensibiliza\u00e7\u00e3o,\u00a0 desumaniza\u00e7\u00e3o,\u00a0 indistin\u00e7\u00e3o\u00a0 entre\u00a0 civis\u00a0 e\u00a0 combatentes\u00a0 e\u00a0 destrui\u00e7\u00e3o\u00a0 generalizada. O sil\u00eancio da grande maioria dos intelectuais ditos p\u00f3s-coloniais contrasta com a compreens\u00e3o l\u00facida e irredut\u00edvel de massas de estudantes indignados, os \u00fanicos que realmente entenderam as verdadeiras consequ\u00eancias\u00a0 do\u00a0 que\u00a0 estavam\u00a0 a\u00a0 ouvir\u00a0 nos\u00a0 bancos\u00a0 universit\u00e1rios.\u00a0 Eles\u00a0 perceberam\u00a0 rapidamente\u00a0 que\u00a0 o genoc\u00eddio palestino era a express\u00e3o clara de como\u00a0 as\u00a0 sociedades\u00a0 capitalistas\u00a0 continuavam\u00a0 coloniais, como elas procuravam agora impor novas formas de gest\u00e3o sociais a partir da constitui\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios globais de dessensibiliza\u00e7\u00e3o social que poderiam simplesmente ser exportados (Safatle, 2024). Contra a consolida\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 tal\u00a0 consci\u00eancia,\u00a0 a\u00a0 rea\u00e7\u00e3o\u00a0 das\u00a0 administra\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias e do Estado foi imediata pois se tratava de impedir que as alian\u00e7as reais entre intelectuais e setores vulner\u00e1veis das popula\u00e7\u00f5es\u00a0 mundiais\u00a0 fossem\u00a0 constitu\u00eddas.\u00a0 Pois\u00a0 tais alian\u00e7as retiram dos gestores de s\u00edmbolos integrados ao mercado cr\u00edtico mundial o monop\u00f3lio\u00a0 da\u00a0 decis\u00e3o\u00a0 sobre\u00a0 o\u00a0 que\u00a0 merece\u00a0 nossa\u00a0 indigna\u00e7\u00e3o e revolta. \u00c9 para impedir processos dessa\u00a0 natureza\u00a0 que\u00a0 a\u00a0 universidade,\u00a0 ou\u00a0 o\u00a0 que\u00a0 restou dela, tornou-se um alvo global.<\/p>\n<p>Essa sua condi\u00e7\u00e3o de alvo global j\u00e1 vem daquilo que\u00a0 poder\u00edamos\u00a0 chamar\u00a0 de\u00a0 <em>enquadre neoliberal<\/em> da universidade p\u00fablica nos \u00faltimos trinta\u00a0 anos.\u00a0 Isso\u00a0 significa\u00a0 n\u00e3o\u00a0 apenas\u00a0 fazer\u00a0 a\u00a0 universidade depender sua exist\u00eancia de for\u00e7as econ\u00f4micas,\u00a0 mas\u00a0 tamb\u00e9m\u00a0 agir\u00a0 como\u00a0 uma\u00a0 empresa.\u00a0 Ou\u00a0 seja,\u00a0 ela\u00a0 dever\u00e1\u00a0 n\u00e3o\u00a0 apenas\u00a0 ser\u00a0 atrativa\u00a0 para\u00a0 investidores,\u00a0 captar\u00a0 verbas,\u00a0 mas\u00a0 funcionar como uma empresa, abrindo filiais, avaliando seus professores como avaliamos CEOs, avaliando produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica como avaliamos produtos\u00a0 no\u00a0 mercado,\u00a0 competindo\u00a0 internacionalmente\u00a0 como\u00a0 se\u00a0 f\u00f4ssemos\u00a0 empresas\u00a0 competindo pelo mercado acad\u00eamico mundial.<\/p>\n<p>H\u00e1\u00a0 maneiras\u00a0 de\u00a0 governos\u00a0 autorit\u00e1rios\u00a0 calarem\u00a0 universidades.\u00a0 Conhecemos\u00a0 tens\u00f5es\u00a0 dessa natureza no Brasil. Vimos durante o governo de Jair Bolsonaro aulas sendo invadidas por\u00a0membros\u00a0de\u00a0\u00a0extrema-direita,\u00a0\u00a0 estrangulamento\u00a0 financeiro\u00a0 de\u00a0 universidades,\u00a0 amea\u00e7as\u00a0 a\u00a0 professores\u00a0 que\u00a0 desempenham\u00a0 fun\u00e7\u00f5es\u00a0 p\u00fablicas,\u00a0 entre\u00a0 tantas\u00a0 outras\u00a0 coisas.\u00a0 Mas\u00a0 h\u00e1\u00a0 maneiras de governos ditos democr\u00e1ticos controlarem a universidade. Basta reconstru\u00ed-la a partir do modelo de uma empresa e tratar conhecimento como se fosse produto cujo valor \u00e9 medido por meio de seu \u201cimpacto\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Permanecer com o problema<\/strong><\/h3>\n<p>Diria que essa luta contra a universidade\u00a0 p\u00fablica\u00a0 vinda\u00a0 do\u00a0 Estado\u00a0 e\u00a0 dos\u00a0 mercados\u00a0 nas \u00faltimas d\u00e9cadas, uma luta sem tr\u00e9gua, tem uma raz\u00e3o objetiva de ser vinculada ao fato da universidade n\u00e3o ter mais lugar no interior do processo\u00a0 de\u00a0 reprodu\u00e7\u00e3o\u00a0 material\u00a0 da\u00a0 vida.\u00a0 Em\u00a0 uma\u00a0 din\u00e2mica\u00a0 de\u00a0 produ\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 empregos\u00a0 na\u00a0 qual os estratos m\u00e9dios s\u00e3o constantemente eliminados a partir de processos de reengenharia cont\u00ednua, na qual os empregos de n\u00edvel salarial mais\u00a0 baixos\u00a0 s\u00e3o,\u00a0 ao\u00a0 mesmo\u00a0 tempo,\u00a0 precarizados\u00a0 e\u00a0 elevados\u00a0 em\u00a0 seus\u00a0 padr\u00f5es\u00a0 de\u00a0 exig\u00eancia\u00a0 de forma\u00e7\u00e3o e na qual os estratos mais elevados\u00a0 s\u00e3o\u00a0 oligarquicamente\u00a0 garantidos\u00a0 (ou\u00a0 seja,\u00a0 eles s\u00e3o alcan\u00e7ados independente da forma\u00e7\u00e3o dos\u00a0 seus\u00a0 ocupantes),\u00a0 \u00e9\u00a0 uma\u00a0 das\u00a0 maiores\u00a0 mistifica\u00e7\u00f5es\u00a0 de\u00a0 nossa\u00a0 \u00e9poca\u00a0 insistir\u00a0 no\u00a0 bin\u00f4mio\u00a0 forma\u00e7\u00e3o\/empregabilidade.\u00a0 Para\u00a0 al\u00e9m\u00a0 de\u00a0 um\u00a0 conjunto de empregos de condi\u00e7\u00f5es e sal\u00e1rios cada vez mais deteriorados, a universidade n\u00e3o pode garantir ascens\u00e3o social ou simplesmente\u00a0 sobreviv\u00eancia\u00a0 econ\u00f4mica.\u00a0 Os\u00a0 processos\u00a0 de\u00a0 forma\u00e7\u00e3o\u00a0 necess\u00e1rios\u00a0 para\u00a0 operar\u00a0 no\u00a0 interior\u00a0 de nosso sistema econ\u00f4mico s\u00e3o, em larga medida, limitados, pontuais e de r\u00e1pida absor\u00e7\u00e3o (Rifkin, 2004; Graeber, 2022). Ou seja, eles poderiam ser feitos sem universidades, de forma menos onerosa, pelos centros de forma\u00e7\u00e3o. Os setores\u00a0 fundamentais\u00a0 da\u00a0 economia\u00a0 mundial\u00a0 e\u00a0 os\u00a0 atores\u00a0 reais\u00a0 da\u00a0 economia\u00a0 nacional\u00a0 sabem\u00a0 que podem sobreviver sem universidades. Eles podem\u00a0 sobreviver\u00a0 com\u00a0 uma\u00a0 educa\u00e7\u00e3o\u00a0 disciplinar,\u00a0 unidimensional\u00a0 e\u00a0 vinculada\u00a0 apenas\u00a0 \u00e0\u00a0 expectativa de valoriza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica fornecida pela educa\u00e7\u00e3o superior. Ou seja, a universidade n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1ria para a reprodu\u00e7\u00e3o da ordem econ\u00f4mica vigente.<\/p>\n<p>A\u00a0 pequena\u00a0 camada\u00a0 respons\u00e1vel\u00a0 pela\u00a0 organiza\u00e7\u00e3o\u00a0 estrat\u00e9gica\u00a0 da\u00a0 economia\u00a0 e\u00a0 da\u00a0 gest\u00e3o\u00a0 social pode ser formada em centros de excel\u00eancia constru\u00eddos para poucos em pa\u00edses centrais, coisa que a elite brasileira tem feito sistematicamente ao mandar seus filhos diretamente para estudar fora do pa\u00eds. Mesmo o desenvolvimento\u00a0 de\u00a0 pesquisas\u00a0 capazes\u00a0 de\u00a0 projetar\u00a0 cen\u00e1rios\u00a0 e\u00a0 permitir\u00a0 circular\u00a0 m\u00faltiplas\u00a0 perspectivas\u00a0 de\u00a0 interpreta\u00e7\u00e3o em conflito perde o sentido em um modelo de inser\u00e7\u00e3o capitalista no qual as elites locais perderam suas ilus\u00f5es de se constitu\u00edrem como\u00a0 burguesias\u00a0 nacionais\u00a0 e\u00a0 aceitam\u00a0 melhor serem representantes de modelos de integra\u00e7\u00e3o global cujos processos decis\u00f3rios se d\u00e3o muito longe daqui. Quando a extrema-direita ridiculariza a produ\u00e7\u00e3o em massa de diplomas, de certa forma ela tem raz\u00e3o. O sistema econ\u00f4mico atual funciona sem eles.<\/p>\n<p>Nesse\u00a0 horizonte,\u00a0 a\u00a0 universidade\u00a0 parece\u00a0 perder\u00a0 seu\u00a0 lugar.\u00a0 No\u00a0 entanto,\u00a0 talvez\u00a0 seja\u00a0 o\u00a0 caso\u00a0 de\u00a0 acrescentar\u00a0 mais\u00a0 uma\u00a0 vari\u00e1vel\u00a0 a\u00a0 tal quadro. Uma vari\u00e1vel muitas vezes negligenciada\u00a0 e\u00a0 que\u00a0 \u00e9,\u00a0 no\u00a0 entanto,\u00a0 absolutamente\u00a0 central. Pois a perda de lugar da universidade ocorreu, principalmente, porque saiu de cena a\u00a0 cren\u00e7a\u00a0 na\u00a0 necessidade\u00a0 de\u00a0 modelos\u00a0 de\u00a0 gest\u00e3o\u00a0 baseados\u00a0 na\u00a0 concilia\u00e7\u00e3o\u00a0 e\u00a0 integra\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 setores\u00a0 da\u00a0 popula\u00e7\u00e3o\u00a0 potencialmente\u00a0 desestabilizadores,\u00a0 como\u00a0 os\u00a0 trabalhadores\u00a0 pobres\u00a0 (geridos\u00a0 pelos\u00a0 sindicatos\u00a0 em\u00a0 rela\u00e7\u00f5es\u00a0 solidamente \u00a0estrat\u00e9gicas\u00a0 com\u00a0 o\u00a0 Estado),\u00a0 pequenos\u00a0 camponeses e a classe intelectual (alocada em universidades garantidas pelo Estado). O que nos\u00a0 leva\u00a0 \u00e0\u00a0 seguinte\u00a0 equa\u00e7\u00e3o:\u00a0 a\u00a0 universidade\u00a0 perdeu seu lugar porque as sociedades ocidentais n\u00e3o operam mais no interior de processos de\u00a0 media\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 conflitos\u00a0 sociais.\u00a0 A\u00a0 universidade dizia respeito a um operador singular de media\u00e7\u00e3o\u00a0 e\u00a0 controle\u00a0 de\u00a0 conflito\u00a0 social.\u00a0 Mas\u00a0 em um horizonte social no qual tal media\u00e7\u00e3o d\u00e1 lugar a uma acelera\u00e7\u00e3o das crises sem expectativa de coes\u00e3o social, n\u00e3o h\u00e1 porqu\u00ea preservar universidades.<\/p>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/lojahucitec.com.br\/\" aria-label=\"CANCER\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CANCER-1-1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CANCER-1-1.png 10920w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-300x37.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-1024x127.png 1024w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-768x95.png 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-1536x190.png 1536w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CANCER-1-2048x253.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 10920px) 100vw, 10920px\" width=\"10920\" height=\"1350\"><\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Sabemos que a hist\u00f3ria da universidade\u00a0 como\u00a0 institui\u00e7\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0 uma\u00a0 hist\u00f3ria\u00a0 recente.\u00a0 At\u00e9\u00a0 o\u00a0 come\u00e7o\u00a0 do\u00a0 s\u00e9culo\u00a0 XIX\u00a0 seu\u00a0 lugar\u00a0 era,\u00a0 em\u00a0 larga\u00a0 medida,\u00a0 o\u00a0 de\u00a0 um\u00a0 mero\u00a0 centro\u00a0 de\u00a0 forma\u00e7\u00e3o.\u00a0 Os\u00a0 principais\u00a0 pensadores\u00a0 e\u00a0 cientistas\u00a0 n\u00e3o\u00a0 eram\u00a0 professores\u00a0 universit\u00e1rios,\u00a0 n\u00e3o\u00a0 tinham\u00a0 c\u00e1tedras.\u00a0 O\u00a0 debate\u00a0 intelectual\u00a0 e\u00a0 art\u00edstico\u00a0 ocorre,\u00a0 em\u00a0 larga\u00a0 medida,\u00a0 fora\u00a0 de\u00a0 seus\u00a0 muros.\u00a0 O\u00a0 modelo\u00a0 de\u00a0 Wilheim\u00a0 von\u00a0 Humboldt\u00a0 (representado\u00a0 pela\u00a0 funda\u00e7\u00e3o\u00a0 da\u00a0 Universidade\u00a0 de\u00a0 Berlim,\u00a0 em\u00a0 1809)\u00a0 pode\u00a0 se\u00a0 impor nas sociedades ocidentais n\u00e3o apenas por prometer realizar expectativas de emancipa\u00e7\u00e3o\u00a0 atrav\u00e9s\u00a0 de\u00a0 uma\u00a0 forma\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 cunho\u00a0 humanista, mas principalmente por saber se colocar como pe\u00e7a fundamental de constitui\u00e7\u00e3o da ades\u00e3o social e desenvolvimento t\u00e9cnico do recente Estado-na\u00e7\u00e3o. A universidade ocidental, cujo modelo foi criado por Alexandre von Humboldt no come\u00e7o do s\u00e9culo XIX, tinha uma fun\u00e7\u00e3o clara de forma\u00e7\u00e3o de elites\u00a0 e,\u00a0 principalmente,\u00a0 de\u00a0 integra\u00e7\u00e3o\u00a0 da\u00a0 classe intelectual \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rio p\u00fablico.\u00a0 Tratava-se\u00a0 de\u00a0 uma\u00a0 estrat\u00e9gia\u00a0 t\u00edpica\u00a0 da\u00a0 l\u00f3gica\u00a0 da\u00a0 Restaura\u00e7\u00e3o,\u00a0 que\u00a0 visava\u00a0 eliminar\u00a0 os\u00a0 riscos\u00a0 de\u00a0 deriva\u00a0 revolucion\u00e1ria\u00a0 da\u00a0 classe intelectual, como se viu na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. N\u00e3o por outra raz\u00e3o, uma impressionante quantidade de intelectuais radicais ver\u00e1 as portas lhe serem fechadas no interior da universidade alem\u00e3 do s\u00e9culo XIX: Feuerbach,\u00a0 Bruno\u00a0 Bauer,\u00a0 Marx.\u00a0 Pois\u00a0 a\u00a0 integra\u00e7\u00e3o\u00a0 ter\u00e1 sempre que lidar com certos limites que s\u00f3\u00a0 poder\u00e3o\u00a0 ser\u00a0 incorporado\u00a0 tempos\u00a0 depois,\u00a0 atrav\u00e9s de caminhos tortuosos. Ou seja, gostaria\u00a0 de\u00a0 insistir\u00a0 nesse\u00a0 ponto,\u00a0 nosso\u00a0 modelo\u00a0 universit\u00e1rio\u00a0 \u00e9\u00a0 fruto\u00a0 de\u00a0 uma\u00a0 rea\u00e7\u00e3o.\u00a0 Ele\u00a0 foi\u00a0 a maneira que o Estado encontrou para paralisar a for\u00e7a revolucion\u00e1ria da alian\u00e7a entre classe\u00a0 intelectual\u00a0 e\u00a0 camadas\u00a0 populares.\u00a0 J\u00e1\u00a0 Edmund Burke (2017) reclamava de como as ideias abstratas dos fil\u00f3sofos haviam chegado \u00e0s massas e criado toda forma de viol\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Se voltarmos \u00e0 hist\u00f3ria da universidade em\u00a0 pa\u00edses\u00a0 colonizados,\u00a0 veremos\u00a0 mais\u00a0 claramente a natureza do processo silenciador que a\u00a0 constitui.\u00a0 Por\u00a0 exemplo,\u00a0 a\u00a0 primeira\u00a0 universidade\u00a0 da\u00a0 Am\u00e9rica\u00a0 Latina\u00a0 (San\u00a0 Marco,\u00a0 Peru)\u00a0 data do s\u00e9culo XVI. Ela se instaura no meio de uma guerra colonial contra um povo com largo conhecimento tecnol\u00f3gico e complexa cosmovis\u00e3o,\u00a0 a\u00a0 saber,\u00a0 os\u00a0 Incas.\u00a0 Uma\u00a0 das\u00a0 fun\u00e7\u00f5es\u00a0 da\u00a0 universidade\u00a0 foi\u00a0 impor\u00a0 um\u00a0 silenciamento\u00a0 cultural e epist\u00eamico que ir\u00e1 perdurar, de certa forma, at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>No\u00a0 entanto,\u00a0 seria\u00a0 incorreto\u00a0 reduzir\u00a0 a\u00a0 universidade\u00a0 a\u00a0 esse\u00a0 horizonte\u00a0 de\u00a0 silenciamento\u00a0 e\u00a0 de\u00a0 coopta\u00e7\u00e3o.\u00a0 Sua\u00a0 coopta\u00e7\u00e3o\u00a0 ser\u00e1\u00a0 inst\u00e1vel, ainda mais quando se tornar universidade\u00a0 de\u00a0 massa,\u00a0 integrando\u00a0 uma\u00a0 classe\u00a0 trabalhadora\u00a0 que\u00a0 tinha\u00a0 sua\u00a0 pr\u00f3pria\u00a0 experi\u00eancia\u00a0 de\u00a0 lutas\u00a0 sociais\u00a0 e\u00a0 forma\u00e7\u00e3o.\u00a0 A\u00a0 integra\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 novas\u00a0 classes\u00a0 sociais\u00a0 \u00e0\u00a0 universidade\u00a0 \u00e9\u00a0 tamb\u00e9m abertura de circula\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias e saberes.\u00a0 Lembremos,\u00a0 por\u00a0 exemplo,\u00a0 como\u00a0 em\u00a0 1900\u00a0 o\u00a0 n\u00famero\u00a0 de\u00a0 estudantes\u00a0 nas\u00a0 universidades francesas era de 29.000. Em 1950, ser\u00e1 de 137.000, em 1968, 587.000 e 2.300.000 em 2001 <em>[1]<\/em>.\u00a0 Este\u00a0 reposicionamento\u00a0 da\u00a0 universidade\u00a0 no\u00a0 interior\u00a0 da\u00a0 vida\u00a0 pol\u00edtica\u00a0 e\u00a0 social\u00a0 dava\u00a0 a\u00a0 ela\u00a0 uma\u00a0 nova\u00a0 import\u00e2ncia.\u00a0 Pois\u00a0 um\u00a0 corpo\u00a0 discente\u00a0 de\u00a0 classes\u00a0 diversificadas\u00a0 traz\u00a0 novas\u00a0 quest\u00f5es, novas tradi\u00e7\u00f5es de pensamento, novos problemas.<\/p>\n<h3><strong>Depois de maio<\/strong><\/h3>\n<p>Essa tens\u00e3o mostrou-se particularmente dram\u00e1tica a partir de 1968. H\u00e1 uma exacerba\u00e7\u00e3o\u00a0 da\u00a0 tens\u00e3o\u00a0 universidade\/estado\u00a0 a\u00a0 partir\u00a0 de\u00a0 maio de 1968 e, de certa forma, muito de nossa\u00a0 situa\u00e7\u00e3o\u00a0pode\u00a0 ser\u00a0 lida\u00a0 a\u00a0 partir\u00a0 deste\u00a0 pano\u00a0 de fundo. Pela primeira vez, de forma clara, as universidades se colocam como espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de revoltas contra os modos hegem\u00f4nicos de reprodu\u00e7\u00e3o material da vida.<\/p>\n<p>Ressalta-se\u00a0 como,\u00a0 durante\u00a0 certo\u00a0 tempo,\u00a0 o modelo do Estado do bem-estar social, gerado\u00a0 a\u00a0 partir\u00a0 do\u00a0 final\u00a0 da\u00a0 Segunda\u00a0 Guerra,\u00a0 com\u00a0 seu\u00a0 capitalismo\u00a0 de\u00a0 Estado,\u00a0 fora\u00a0 visto\u00a0 como\u00a0 uma\u00a0 esp\u00e9cie\u00a0 de\u00a0 modelo\u00a0 perfeito\u00a0 de\u00a0 gest\u00e3o\u00a0 de\u00a0 conflitos sociais. Friedrich Pollock (1983), em um\u00a0 ensaio\u00a0 cl\u00e1ssico,\u00a0 insistia\u00a0 na\u00a0 tese\u00a0 da\u00a0 passagem\u00a0 inexor\u00e1vel\u00a0 de\u00a0 um\u00a0 capitalismo\u00a0 privado para\u00a0 um\u00a0 capitalismo\u00a0 de\u00a0 alta\u00a0 regula\u00e7\u00e3o\u00a0 estatal,\u00a0 fosse\u00a0 ele\u00a0 totalit\u00e1rio\u00a0 (nazifascismo)\u00a0 ou\u00a0 democr\u00e1tico\u00a0 (socialdemocracia).\u00a0 Capitalismo\u00a0 no\u00a0 qual as decis\u00f5es econ\u00f4micas estariam submetidas \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das delibera\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o\u00a0 e\u00a0 limita\u00e7\u00e3o\u00a0 da\u00a0 for\u00e7a\u00a0 de\u00a0 transforma\u00e7\u00e3o\u00a0 dos\u00a0 conflitos\u00a0 de\u00a0 classe.\u00a0 Pollock\u00a0 chega\u00a0 a\u00a0 falar\u00a0 em\u00a0 uma\u00a0 substitui\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 problemas\u00a0 econ\u00f4micos\u00a0 por\u00a0 problemas\u00a0 administrativos,\u00a0 criando\u00a0 um\u00a0 horizonte\u00a0 racional\u00a0 de\u00a0 gest\u00e3o\u00a0 de\u00a0 conflitos\u00a0 sociais\u00a0 gra\u00e7as\u00a0 as\u00a0 promessas\u00a0 de\u00a0 integra\u00e7\u00e3o\u00a0 da\u00a0 classe\u00a0 trabalhadora\u00a0 devido\u00a0 \u00e0\u00a0 consolida\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 uma\u00a0 l\u00f3gica\u00a0 da\u00a0 provid\u00eancia\u00a0 e\u00a0 da\u00a0 assist\u00eancia\u00a0 social generalizada, que teria a capacidade de limitar os processos de espolia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Nesse\u00a0 horizonte,\u00a0 a\u00a0 fun\u00e7\u00e3o\u00a0 das\u00a0 universidades\u00a0 era\u00a0 garantir\u00a0 a\u00a0 ascens\u00e3o\u00a0 social\u00a0 e\u00a0 fornecer\u00a0 um\u00a0 espa\u00e7o regulado de liberdade de pensamento.<\/p>\n<p>Nesse sentido, maio de 1968 demonstrar\u00e1 a fragilidade dessa cren\u00e7a da possibilidade de\u00a0 regula\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 conflitos\u00a0 no\u00a0 interior\u00a0 de\u00a0 um\u00a0 capitalismo de Estado. Pois ele mostrou como as formas de regula\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora n\u00e3o foram capazes de impedir a consolida\u00e7\u00e3o de revoltas nos pa\u00edses centrais do capitalismo global.\u00a0 Revolta\u00a0 esta\u00a0 que\u00a0 visava\u00a0 o\u00a0 car\u00e1ter\u00a0 disciplinar deste mesmo Estado-provid\u00eancia, outrora\u00a0 visto\u00a0 como\u00a0 o\u00a0 modelo\u00a0 perfeito\u00a0 de\u00a0 gest\u00e3o\u00a0 social.\u00a0 Ou\u00a0 seja,\u00a0 as\u00a0 revoltas\u00a0 de\u00a0 maio\u00a0 de\u00a0 68\u00a0 e\u00a0 a\u00a0 for\u00e7a\u00a0 de\u00a0 sedi\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 seus\u00a0 conflitos\u00a0 mostraram\u00a0 os\u00a0 limites\u00a0 das\u00a0 promessas\u00a0 de\u00a0 integra\u00e7\u00e3o\u00a0 dessa\u00a0 forma\u00a0 de\u00a0 capitalismo\u00a0 e\u00a0 de\u00a0 suas\u00a0 estrat\u00e9gias\u00a0 de\u00a0 provid\u00eancia.\u00a0 Os\u00a0 pr\u00f3ximos\u00a0 modelos\u00a0 de\u00a0 gest\u00e3o\u00a0 nas\u00a0 sociedades\u00a0 capitalistas,\u00a0 se\u00a0 quisessem\u00a0 ter\u00a0 efic\u00e1cia real, deveriam operar de outra forma. Estava\u00a0 evidente\u00a0 a\u00a0 impot\u00eancia\u00a0 do\u00a0 discurso\u00a0 de\u00a0 integra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o com a figura\u00a0 do\u00a0 cidad\u00e3o\u00a0 do\u00a0 Estado-na\u00e7\u00e3o\u00a0 comum.\u00a0 Seria\u00a0 necess\u00e1rio deslocar os processos de regula\u00e7\u00e3o social para uma outra cena.<\/p>\n<h3><strong>A demiss\u00e3o dos intelectuais<\/strong><\/h3>\n<p>Para\u00a0 tanto,\u00a0 seria\u00a0 necess\u00e1rio\u00a0 paulatinamente\u00a0 neutralizar\u00a0 a\u00a0 universidade\u00a0 e\u00a0 sua\u00a0 classe\u00a0 de intelectuais, quebrar sua for\u00e7a de mobiliza\u00e7\u00e3o social e empurr\u00e1-los \u00e0 obsolesc\u00eancia. Muito haveria\u00a0 a\u00a0 se\u00a0 dizer\u00a0 a\u00a0 respeito\u00a0 de\u00a0 tais\u00a0 processos\u00a0 que ocorreram principalmente a partir dos anos oitenta. Eles responderam a m\u00faltiplos ritmos e a\u00a0 din\u00e2micas\u00a0 espec\u00edficas\u00a0 em\u00a0 v\u00e1rios\u00a0 pa\u00edses.\u00a0 Um\u00a0 pa\u00eds que tinha uma presen\u00e7a forte da classe intelectual\u00a0 na\u00a0 vida\u00a0 nacional,\u00a0 como\u00a0 o\u00a0 Brasil,\u00a0 n\u00e3o\u00a0 poderia seguir os mesmos processos que pa\u00edses de configura\u00e7\u00e3o social distinta. Esta an\u00e1lise, no entanto, ainda est\u00e1 por ser feita.<\/p>\n<p>Contudo,\u00a0 seria\u00a0 o\u00a0 caso\u00a0 de\u00a0 insistir\u00a0 aqui,\u00a0 e\u00a0 isso vale como uma cr\u00edtica que \u00e9 tamb\u00e9m uma autocr\u00edtica,\u00a0 que\u00a0 os\u00a0 processos\u00a0 n\u00e3o\u00a0 poderiam\u00a0 ocorrer sem a demiss\u00e3o da classe intelectual de sua\u00a0 fun\u00e7\u00e3o\u00a0 hist\u00f3rica\u00a0 de\u00a0 respons\u00e1vel\u00a0 pelo\u00a0 tensionamento de processos pol\u00edticos. A classe intelectual\u00a0 contempor\u00e2nea\u00a0 tende\u00a0 a\u00a0 esconder\u00a0 sua\u00a0 demiss\u00e3o\u00a0 pol\u00edtica\u00a0 por\u00a0 meio\u00a0 da\u00a0 pretensa\u00a0 cr\u00edtica\u00a0 a desejos de dirigismo e a cr\u00edtica a uma pol\u00edtica baseada na cren\u00e7a da for\u00e7a indutora de vanguardas letradas. Todos n\u00f3s conhecemos as cr\u00edticas feitas pelos pr\u00f3prios intelectuais a seu pretenso papel dirigista. N\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, processo pol\u00edtico sem um ato de nomea\u00e7\u00e3o do acontecimento \u2013 ato que exige a mobiliza\u00e7\u00e3o da capacidade da classe intelectual de criar resson\u00e2ncias espacio-temporais\u00a0 e,\u00a0 assim,\u00a0 redimensionar\u00a0 din\u00e2micas\u00a0 sociais.\u00a0 Uma\u00a0 nomea\u00e7\u00e3o\u00a0 n\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0 simplesmente\u00a0 uma\u00a0 descri\u00e7\u00e3o,\u00a0 ainda\u00a0 mais\u00a0 quando\u00a0 estamos\u00a0 a\u00a0 falar de processos pol\u00edticos populares. Ela \u00e9 um ato performativo que redimensiona a capacidade de transforma\u00e7\u00e3o dos agentes.<\/p>\n<p>A demiss\u00e3o pol\u00edtica dos intelectuais foi o\u00a0 resultado\u00a0 da\u00a0 converg\u00eancia\u00a0 de\u00a0 tr\u00eas\u00a0 fatores.\u00a0 Primeiro,\u00a0 vivemos\u00a0 em\u00a0 um\u00a0 movimento\u00a0 global\u00a0 de bloqueio das rela\u00e7\u00f5es entre universidade e sociedade\u00a0 civil.\u00a0 Isso\u00a0 se\u00a0 deve\u00a0 a\u00a0 uma\u00a0 forma\u00a0 de\u00a0 gest\u00e3o social que promete aos intelectuais a ascens\u00e3o\u00a0 ao\u00a0 posto\u00a0 de\u00a0 consumidores\u00a0 de\u00a0 servi\u00e7os\u00a0 globais,\u00a0 gra\u00e7as\u00a0 \u00e0\u00a0 internacionaliza\u00e7\u00e3o\u00a0 das\u00a0 universidades e \u00e0 submiss\u00e3o delas a processos de avalia\u00e7\u00e3o cujos m\u00e9todos s\u00e3o t\u00e3o opacos quanto dignos do Pai Ubu. Todos n\u00f3s sabemos bem como\u00a0 os\u00a0 processos\u00a0 de\u00a0 avalia\u00e7\u00e3o\u00a0 s\u00e3o\u00a0 indefens\u00e1veis n\u00e3o porque n\u00e3o devamos ser avaliados, mas porque eles n\u00e3o medem nada de maneira precisa.\u00a0 Como\u00a0 esperar\u00a0 avalia\u00e7\u00e3o\u00a0 racional\u00a0 se\u00a0 submetemos aos mesmos crit\u00e9rios universidades de massa, com mais de 100.000 alunos, e universidades\u00a0 de\u00a0 forma\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 elite,\u00a0 com\u00a0 n\u00e3o\u00a0 mais\u00a0 do\u00a0 que\u00a0 10.000\u00a0 alunos?\u00a0 O\u00a0 que\u00a0 significa\u00a0 realmente medir impacto por meio de incid\u00eancias\u00a0 de\u00a0 cita\u00e7\u00f5es?\u00a0 O\u00a0 que\u00a0 dizer\u00a0 de\u00a0 sistemas\u00a0 de\u00a0 avalia\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 publica\u00e7\u00f5es que\u00a0 n\u00e3o\u00a0 levam\u00a0 em\u00a0 conta livros? Como medir a influ\u00eancia de uma universidade no interior da vida nacional? Ou qual o sentido em esperar n\u00edveis de circula\u00e7\u00e3o de\u00a0 estudantes\u00a0 estrangeiros\u00a0 da\u00a0 ordem\u00a0 de\u00a0 25%\u00a0 em\u00a0 pa\u00edses\u00a0 que\u00a0 ainda\u00a0 precisam\u00a0 encontrar\u00a0 formas de integrar largas camadas de sua popula\u00e7\u00e3o ao sistema educacional superior?<\/p>\n<p>No entanto, a submiss\u00e3o a tais sistemas opacos\u00a0 de\u00a0 avalia\u00e7\u00e3o\u00a0 levou\u00a0 as\u00a0 universidades\u00a0 a\u00a0 se\u00a0 transformarem,\u00a0 no\u00a0 melhor\u00a0 dos\u00a0 casos,\u00a0 em\u00a0 guetos\u00a0 de\u00a0 luxo:\u00a0 um\u00a0 misto\u00a0 de\u00a0 ag\u00eancias\u00a0 de\u00a0 viagens para col\u00f3quios internacionais e consumo de produtos culturais globais com espa\u00e7o para a\u00a0 produ\u00e7\u00e3o\u00a0 especializada\u00a0 de\u00a0 um\u00a0 saber\u00a0 cujos\u00a0 resultados,\u00a0 muitas\u00a0 vezes,\u00a0 n\u00e3o\u00a0 s\u00e3o\u00a0 sequer\u00a0 publicados na l\u00edngua local de seus pa\u00edses, j\u00e1 que a\u00a0 transforma\u00e7\u00e3o\u00a0 do\u00a0 ingl\u00eas\u00a0 em\u00a0 l\u00edngua\u00a0 franca implica\u00a0 retornar\u00a0 a\u00a0 uma\u00a0 situa\u00e7\u00e3o\u00a0 medieval\u00a0 na\u00a0 qual a classe intelectual n\u00e3o pode mais ser lida pela popula\u00e7\u00e3o nacional da qual ela faz parte, um\u00a0 pouco\u00a0 como\u00a0 na\u00a0 Idade\u00a0 M\u00e9dia\u00a0 e\u00a0 seus\u00a0 pensadores que escreviam em latim. Com isso, os intelectuais\u00a0 foram,\u00a0 cada\u00a0 vez\u00a0 mais,\u00a0 perdendo\u00a0 relev\u00e2ncia como refer\u00eancias para a reflex\u00e3o da sociedade sobre si mesma. Quando as universidades n\u00e3o se submetiam diretamente a estes modelos, elas sentiam o risco de serem jogadas \u00e0 invisibilidade e irrelev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O\u00a0 Brasil,\u00a0 que\u00a0 conheceu\u00a0 no\u00a0 passado\u00a0 gera\u00e7\u00f5es\u00a0 de\u00a0 intelectuais\u00a0 p\u00fablicos\u00a0 de\u00a0 forte\u00a0 capacidade de influ\u00eancia no interior da vida social, viu\u00a0 seus\u00a0 professores\u00a0 universit\u00e1rios,\u00a0 em\u00a0 larga\u00a0 medida,\u00a0 se\u00a0 demitirem\u00a0 dessa\u00a0 fun\u00e7\u00e3o,\u00a0 como\u00a0 se\u00a0 sustent\u00e1-la\u00a0 fosse\u00a0 express\u00e3o\u00a0 de\u00a0 alguma\u00a0 forma\u00a0 de aus\u00eancia\u00a0 de\u00a0 rigor\u00a0 e\u00a0 diversionismo\u00a0 em\u00a0 rela\u00e7\u00e3o \u00e0s atividades acad\u00eamicas pretensamente reais.\u00a0 Melhor\u00a0 teria\u00a0 sido\u00a0 se\u00a0 a\u00a0 classe\u00a0 intelectual tivesse sustentado o trip\u00e9 pol\u00edtico que a ela compete, a saber, trabalho de base com setores desfavorecidos\u00a0 e\u00a0 vulner\u00e1veis,\u00a0 luta\u00a0 pela\u00a0 conquista da opini\u00e3o p\u00fablica a partir da ocupa\u00e7\u00e3o da imprensa e articula\u00e7\u00e3o internacional em redes\u00a0 de\u00a0 pesquisa,\u00a0 tendo\u00a0 em\u00a0 vista\u00a0 a\u00a0 an\u00e1lise\u00a0 de\u00a0 processos pol\u00edtico-sociais globais.<\/p>\n<p>No entanto, se estes s\u00e3o fatores que podem ser encontrados em praticamente todos os pa\u00edses com classe intelectual relevante, h\u00e1 um fator\u00a0 eminentemente\u00a0 local\u00a0 que\u00a0 merece\u00a0 nossa\u00a0 avalia\u00e7\u00e3o. Ele se refere \u00e0 rela\u00e7\u00e3o profunda entre classe intelectual e gest\u00e3o do Estado brasileiro. A Nova Rep\u00fablica serviu-se da classe intelectual\u00a0 como\u00a0 um\u00a0 dos\u00a0 setores\u00a0 mais\u00a0 importantes\u00a0 para\u00a0 o\u00a0 fornecimento\u00a0 de\u00a0 seus\u00a0 quadros\u00a0 de\u00a0 gest\u00e3o. O Brasil viu, nos \u00faltimos vinte anos, uma impressionante\u00a0 quantidade\u00a0 de\u00a0 intelectuais\u00a0 se\u00a0 transformar em presidentes da Rep\u00fablica, prefeitos,\u00a0 ministros\u00a0 e\u00a0 secret\u00e1rios\u00a0 de\u00a0 Estado.\u00a0 Normalmente, eram intelectuais que se serviam do discurso\u00a0 do\u00a0 \u00e9\u00a0 necess\u00e1rio\u00a0 fazer\u00a0 alguma\u00a0 coisa, temos uma responsabilidade para com o pa\u00eds. Entretanto, isso nunca significou entrar no Estado\u00a0 para\u00a0 implodir\u00a0 por\u00a0 dentro\u00a0 sua\u00a0 estrutura\u00a0 arcaica. Na verdade, tratava-se de fornecer ao Estado um melhor discurso de justifica\u00e7\u00e3o de seus\u00a0 arca\u00edsmos,\u00a0 al\u00e9m\u00a0 de\u00a0 produzir\u00a0 ajustes\u00a0 em\u00a0 seu\u00a0 funcionamento,\u00a0 quando\u00a0 n\u00e3o\u00a0 acab\u00e1vamos\u00a0 vendo\u00a0 estrat\u00e9gias\u00a0 de\u00a0 garantia\u00a0 de\u00a0 benesses\u00a0 de\u00a0 consultorias e assessorias. Os intelectuais n\u00e3o transformaram o Estado brasileiro, eles se integraram a ele.<\/p>\n<h3><strong>A limpeza final<\/strong><\/h3>\n<p>Esse\u00a0 artigo\u00a0 come\u00e7ou\u00a0 afirmando\u00a0 que\u00a0 a\u00a0 universidade\u00a0 p\u00fablica\u00a0 havia\u00a0 se\u00a0 tornado\u00a0 um\u00a0 alvo global. Por que isso ocorreria se sua classe intelectual\u00a0 n\u00e3o\u00a0 oferecia\u00a0 mais\u00a0 nenhuma\u00a0 s\u00e9ria\u00a0 amea\u00e7a\u00a0 de\u00a0 sedi\u00e7\u00e3o\u00a0 e\u00a0 desestabiliza\u00e7\u00e3o\u00a0 social?\u00a0 Gostaria de defender a tese de que vivemos em uma era de contrarrevolu\u00e7\u00e3o preventiva, como disse\u00a0 uma\u00a0 vez\u00a0 Florestan\u00a0 Fernandes\u00a0 a\u00a0 respeito\u00a0 da hist\u00f3ria brasileira. Isso significa que, diante de\u00a0 uma\u00a0 situa\u00e7\u00e3o\u00a0 de\u00a0 crise\u00a0 conexa\u00a0 e\u00a0 de\u00a0 possibilidade de desidentifica\u00e7\u00e3o generalizada com inst\u00e2ncias de reprodu\u00e7\u00e3o material da vida social, toda e qualquer possibilidade de questionamento com for\u00e7a de mobiliza\u00e7\u00e3o social deve ser paralisado em seu nascedouro.<\/p>\n<p>A\u00a0 coopta\u00e7\u00e3o\u00a0 das\u00a0 universidades\u00a0 e\u00a0 a\u00a0 capitula\u00e7\u00e3o\u00a0 da\u00a0 classe\u00a0 intelectual\u00a0 nunca\u00a0 foi\u00a0 um\u00a0 processo completo e sem falhas. Maio de 1968 serve como prova nesse sentido. Afinal, tanto tradi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias quanto a emerg\u00eancia de\u00a0 novos\u00a0 agentes\u00a0 tensionam\u00a0 a\u00a0 possibilidade\u00a0 de\u00a0 produ\u00e7\u00e3o\u00a0 do\u00a0 campo\u00a0 intelectual.\u00a0 A\u00a0 forma\u00a0 com\u00a0 que\u00a0 classes\u00a0 discentes\u00a0 recuperam\u00a0 saberes\u00a0 e\u00a0 aplicam\u00a0 a\u00a0 situa\u00e7\u00f5es\u00a0 presentes\u00a0 tamb\u00e9m\u00a0 n\u00e3o\u00a0 pode\u00a0 ser\u00a0 completamente\u00a0 controlada.\u00a0 Se\u00a0 h\u00e1\u00a0 algo que a experi\u00eancia hist\u00f3rica mostrou \u00e9 que a integra\u00e7\u00e3o das classes intelectuais nunca foi um\u00a0 processo\u00a0 sem\u00a0 possibilidade\u00a0 de\u00a0 produ\u00e7\u00e3o\u00a0 de efeitos inesperados ou de retomada das din\u00e2micas de revolta. Nesse sentido, a tend\u00eancia \u00e9\u00a0 que,\u00a0 cada\u00a0 vez\u00a0 menos,\u00a0 brechas\u00a0 sejam\u00a0 permitidas e que a adapta\u00e7\u00e3o da universidade a padr\u00f5es de esvaziamento cr\u00f4nico de fun\u00e7\u00f5es e de paradoxal\u00a0 sobretrabalho\u00a0 feito\u00a0 por\u00a0 avalia\u00e7\u00f5es\u00a0 que\u00a0 nada\u00a0 avaliam\u00a0 tendem\u00a0 a\u00a0 proliferar.\u00a0 Como disse\u00a0 inicialmente,\u00a0 a\u00a0 universidade\u00a0 n\u00e3o\u00a0 tem\u00a0 mais fun\u00e7\u00e3o social na reprodu\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias do est\u00e1gio atual do capitalismo, e sequer a necessidade de media\u00e7\u00e3o de conflitos sociais \u00e9 visto como algo com o qual os estados devam efetivamente lidar. O que indica a consci\u00eancia que devemos ter de nossa fragilidade e da urg\u00eancia de nossas lutas.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Nota:<\/strong><\/p>\n<p>PROST, Antoine. \u00c9ducation, soci\u00e9t\u00e9s et politiques. Une histoire de l\u2019enseignement de 1945 \u00e0 nos jours, Paris, \u00c9d. du Seuil, 1997. p. 139.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>BURKE, Edmund. Reflex\u00f5es sobre a revolu\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a. Campinas: Vide editorial, 2017<\/p>\n<p>GRAEBER, David. Trabalhos de merda: uma teoria. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 2022.<\/p>\n<p>POLLOCK, Friedrich; State Capitalism: Its Possibilities and Limitations. In:\u00a0 ARATO,\u00a0 Andrew;\u00a0 GEBHARDT,\u00a0 Eike.\u00a0 The Essential Frankfurt School Reader. Nova York: Continuum, 1983.<\/p>\n<p>PROST,\u00a0 Antoine.\u00a0 \u00c9ducation,\u00a0 soci\u00e9t\u00e9s\u00a0 et\u00a0 politiques.\u00a0 Une histoire de l\u2019enseignement de 1945 \u00e0 nos jours. Paris: \u00c9d. du Seuil, 1997.<\/p>\n<p>RIFKIN, Jeremy. O fim dos empregos. S\u00e3o Paulo: MBooks, 2004.<\/p>\n<p>SAFATLE,\u00a0 Vladimir.\u00a0 A\u00a0 revolu\u00e7\u00e3o\u00a0 conservadora\u00a0 no\u00a0 Brasil. 2019.\u00a0\u00a0 Dispon\u00edvel\u00a0\u00a0 em:\u00a0\u00a0 https:\/\/www.opendemocracy.net\/pt\/brazils-conservative-revolution-pt\/.\u00a0 Acesso\u00a0 em:\u00a0 28\u00a0 abr.\u00a0 2025.<\/p>\n<p>SAFATLE,\u00a0 Vladimir.\u00a0 Pensar\u00a0 ap\u00f3s\u00a0 Gaza.\u00a0 In:\u00a0 OLIVEIRA,\u00a0 Rafael. Gaza no cora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora Elefante, 2024.<\/p>\n<p>SALLES, Jo\u00e3o Carlos. Universidade p\u00fablica e democracia. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2020.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. Se voc\u00ea valoriza nossa produ\u00e7\u00e3o, seja nosso apoiador e fortale\u00e7a o jornalismo cr\u00edtico: <strong><a href=\"https:\/\/apoia.se\/outraspalavras\">apoia.se\/outraspalavras<\/a><\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/universidade-como-alvo-global\/\">A universidade como alvo global<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/petroleiros-do-norte-fluminense-suspendem-greve-apos-16-dias\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Petroleiros do Norte Fluminense suspendem greve ap...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/demonstration-in-brazil-condemns-trumps-plans-for-gaza-amid-heavy-police-presence-and-intimidation\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Demonstration in Brazil condemns Trump\u2019s pla...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/aprovado-parecer-de-rogerio-carvalho-que-obriga-plantoes-da-defensoria-publica-em-todos-estados\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Aprovado parecer de Rog\u00e9rio Carvalho que obriga pl...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/brasil-foi-o-mercado-de-veiculos-novos-que-mais-cresceu-no-mundo\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/veiculos-novos-1-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Brasil foi o mercado de ve\u00edculos novos que mais cr...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manifestantes em solidariedade a Palestina na Universidade do Texto, nos EUA, em abril, durante ondas de protestos nas principais universidades do pa\u00eds \u2013 muitos deles violentamente reprimidos pela pol\u00edcia. Foto: Jay Janner\/Austin American-Statesman via AP Boletim Outras Palavras Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site Assinar Loading&#8230; Assinar Loading&#8230; Agradecemos! 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