{"id":40251,"date":"2025-07-25T10:34:48","date_gmt":"2025-07-25T13:34:48","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/mesmo-a-partir-da-desvantagem-social-nos-tivemos-e-temos-condicoes-para-criar-novos-rumos-afirma-ana-flavia-magalhaes-pinto\/"},"modified":"2025-07-25T10:34:48","modified_gmt":"2025-07-25T13:34:48","slug":"mesmo-a-partir-da-desvantagem-social-nos-tivemos-e-temos-condicoes-para-criar-novos-rumos-afirma-ana-flavia-magalhaes-pinto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mesmo-a-partir-da-desvantagem-social-nos-tivemos-e-temos-condicoes-para-criar-novos-rumos-afirma-ana-flavia-magalhaes-pinto\/","title":{"rendered":"\u201cMesmo a partir da desvantagem social, n\u00f3s tivemos e temos condi\u00e7\u00f5es para criar novos rumos\u201d, afirma Ana Fl\u00e1via Magalh\u00e3es Pinto"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Consciencia_Negra_FilipeAugustoPeres-1-1024x682-1.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Consciencia_Negra_FilipeAugustoPeres-1-1024x682-1.jpg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Consciencia_Negra_FilipeAugustoPeres-1-1024x682-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Consciencia_Negra_FilipeAugustoPeres-1-1024x682-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption><em>Tereza de Benguela vive em cada mulher negra que se recusa \u00e0 subalternidade, que tece comunidades e que luta por terra. Foto: \u00a0Filipe Augusto Peres.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Jan Schoenfelder*<br \/>Para P\u00e1gina do MST<\/em><\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o das mulheres negras na luta abolicionista ainda \u00e9 pouco reconhecida, apesar de seu papel decisivo. Muito antes da forma\u00e7\u00e3o de movimentos organizados, elas j\u00e1 enfrentavam o racismo e o patriarcado, articulando formas de resist\u00eancia e liberdade fora dos registros oficiais. <\/p>\n<p>Pesquisadoras v\u00eam resgatando figuras como Maria Firmina dos Reis e Chiquinha Gonzaga, mas o processo de invisibiliza\u00e7\u00e3o continua. Hoje, a cidadania negra permanece limitada \u2014 n\u00e3o mais pela escravid\u00e3o formal, mas pelas estruturas persistentes do racismo e do patriarcado. <\/p>\n<p>A soci\u00f3loga Luiza Bairros, por exemplo, lembrava que reduzir essas mulheres \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas \u00e9 apagar sua pot\u00eancia pol\u00edtica e hist\u00f3rica. O passado, nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 apenas mem\u00f3ria: \u00e9 uma for\u00e7a ativa que contesta a narrativa de que a resist\u00eancia negra foi secund\u00e1ria na constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para entender este contexto hist\u00f3rico e conhecer os seus efeitos para as lutas do presente, conversamos com a professora e historiadora <strong>Ana Fl\u00e1via Magalh\u00e3es Pinto<\/strong>**, da Universidade de Bras\u00edlia (UNB), <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/07\/25\/25-de-julho-mulheres-negras-ocupam-a-rua-por-bem-viver-e-reforma-agraria-popular\/\">neste 25 de julho \u2013 Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha<\/a>. Neste di\u00e1logo, podemos compreender passado ecoa ainda hoje, desafiando a ideia de que a resist\u00eancia negra \u00e9 mero coadjuvante na hist\u00f3ria.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"953\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ana-flavia-magalhaes-unb-arquivo-pessoal-e1753450251323.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ana-flavia-magalhaes-unb-arquivo-pessoal-e1753450251323-953x1024.jpg 953w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ana-flavia-magalhaes-unb-arquivo-pessoal-e1753450251323-279x300.jpg 279w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ana-flavia-magalhaes-unb-arquivo-pessoal-e1753450251323-768x825.jpg 768w, https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/ana-flavia-magalhaes-unb-arquivo-pessoal-e1753450251323.jpg 1350w\" sizes=\"(max-width: 953px) 100vw, 953px\"><figcaption><em>Historiadora, Ana Fl\u00e1via Magalh\u00e3es Pinto (UNB), avalia que muitas hist\u00f3rias de mulheres negras n\u00e3o se perderam no anonimato  e passaram a ser recuperadas nas pesquisas cient\u00edficas, tornando vis\u00edveis a ag\u00eancia das mulheres negras no abolicionismo. Foto: Arquivo pessoal. <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Leia abaixo na \u00edntegra a entrevista:<\/em><\/p>\n<h5><strong>MST \u2013 Muito pouco se fala de mulheres negras na hist\u00f3ria do abolicionismo. Quem eram essas mulheres e como era a participa\u00e7\u00e3o delas?<\/strong><\/h5>\n<p><strong>Ana Fl\u00e1via Magalh\u00e3es Pinto (AFM) \u2013 <\/strong>Antes do abolicionismo organizado, mulheres negras j\u00e1 lutavam por liberdade e at\u00e9 mesmo viviam na liberdade, confrontando os limites impostos a elas por uma sociedade estruturada em hierarquias de ra\u00e7a e g\u00eanero. A historiografia brasileira nos \u00faltimos cinquenta anos tem produzido importantes resultados de pesquisa que tornam vis\u00edveis essas ag\u00eancias de mulheres negras. Infelizmente, fazer com que esse repert\u00f3rio ganhe grandes p\u00fablicos ainda \u00e9 um grande desafio, pois as matrizes de mem\u00f3ria hegem\u00f4nicas est\u00e3o fundamentadas na reprodu\u00e7\u00e3o desse apagamento e \u00e9 dif\u00edcil furar essa bolha. Mas \u00e9 fato que j\u00e1 contamos com um movimento que lida com essa demanda, voltado \u00e0 supera\u00e7\u00e3o dessa fragilidade. Quanto \u00e0 presen\u00e7a de mulheres negras, s\u00e3o muitas as hist\u00f3rias de mulheres negras que n\u00e3o se perderam no anonimato em seu tempo, sobretudo nos anos finais da escravid\u00e3o legal, e que est\u00e3o sendo lembradas hoje, como Maria Firmina dos Reis, Chiquinha Gonzaga, Cacilda dos Reis, Amanda Paranagu\u00e1 D\u00f3ria, Claudina Fortunata Sampaio. Isso sem falar em milhares de outras que atuaram em per\u00edodos anteriores.<\/p>\n<h5><strong>MST \u2013 Os dilemas das mulheres negras livres e os limites da cidadania negra t\u00eam hoje parecen\u00e7a com o que acontecia nos tempos abolicionistas? Escraviza\u00e7\u00e3o e racismo t\u00eam o mesmo peso?<\/strong><\/h5>\n<p><strong>AFM \u2013<\/strong> Sim. Ainda vivemos interdi\u00e7\u00f5es semelhantes aos que eram postos \u00e0 cidadania de mulheres no momento da independ\u00eancia, h\u00e1 duzentos anos, e que t\u00eam sido atualizadas ao longo do tempo. A escravid\u00e3o n\u00e3o explica tudo. O racismo \u00e9 algo que precisa ser bem compreendido. Luiza Bairros, important\u00edssima intelectual-ativista negra e int\u00e9rprete do Brasil, h\u00e1 cerca mais de uma d\u00e9cada, bem no contexto deste Julho das Pretas, disse o seguinte: \u201cEu tenho uma dificuldade muito grande de falar sobre mulheres negras desse lugar de v\u00edtima, da oprimida, da mais explorada, etc. [\u2026], porque eu n\u00e3o acredito mais nisso. Voc\u00ea pode me mostrar todas as estat\u00edsticas e eu as consulto com certa frequ\u00eancia e vejo as mulheres negras nos grandes n\u00fameros. Elas permanecem na situa\u00e7\u00e3o de desvantagem total, mas isso n\u00e3o \u00e9 o mesmo que dizer que elas vivem uma situa\u00e7\u00e3o de se deixar abater ou se deixar vencer pelos obst\u00e1culos colocados pela sociedade. \u00c9 por isso que, mesmo a partir da desvantagem social, n\u00f3s tivemos e temos as condi\u00e7\u00f5es para criar novos rumos para as nossas vidas; e ao criar rumos novos para as nossas vidas, n\u00f3s criamos esses rumos tamb\u00e9m para o conjunto da comunidade negra\u201d. \u00c9 dessa forma que tenho me esfor\u00e7ado para compreender a exist\u00eancia das mulheres negras em nossa sociedade.\u00a0<\/p>\n<h5><strong>MST \u2013 O estudo da hist\u00f3ria das resist\u00eancias socioculturais afrobrasileiras permite resgatar ou forjar a identidade dos negros no Brasil?<\/strong><\/h5>\n<p><strong>AFM \u2013 <\/strong>Apenas colecionar epis\u00f3dios de resist\u00eancias socioculturais afro-brasileira n\u00e3o resolve o problema que estamos enfrentando. Podemos levantar milhares de hist\u00f3rias e isso n\u00e3o alterar um problema b\u00e1sico: a ideia de que as pessoas negras s\u00e3o coadjuvantes numa narrativa em que o grande protagonista \u00e9 o sujeito branco, concentrador de renda e poder. Temos vivido uma perigosa exposi\u00e7\u00e3o a uma matriz narrativa em que n\u00f3s pessoas negras somos sistematicamente apresentadas como complemento ou medida de refer\u00eancia para a afirma\u00e7\u00e3o da grandeza de pessoas brancas. Disso decorre o v\u00edcio em encontrar a figura negra que faria as vezes de uma personalidade branca: ele \u00e9 o Hegel negro, para posicionar um grande fil\u00f3sofo negro. <\/p>\n<p>H\u00e1 um historiador haitiano que o Brasil precisa ler com bastante aten\u00e7\u00e3o, chamado Michel Rolph Trouillot, que nos ensina tanto a dimensionar esse problema quanto a pensar para al\u00e9m dessas matrizes de sentidos. Em seu livro \u201cSilenciando o passado\u201d, ele diz algo que tenho repetido nos meus cursos e di\u00e1logos cotidianos por considerar decisivo. Segundo ele, as narrativas s\u00e3o for\u00e7as menos vis\u00edveis que o arsenal b\u00e9lico, a afirma\u00e7\u00e3o da propriedade e as confronta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas expl\u00edcitas. Mas nem por isso elas s\u00e3o menos poderosas. Por isso, precisamos, sim, promover um mapeamento voltado a reposicionar as vidas negras na hist\u00f3ria, mas isso n\u00e3o deve significar apenas tir\u00e1-las do esquecimento e coloc\u00e1-las como elemento decorativo numa paisagem em suas exist\u00eancias n\u00e3o deem medida ao vivido em sua profundidade. Porque n\u00e3o foi assim que a gente negra sobreviveu a sistem\u00e1ticos projetos de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h5><strong>MST \u2013 Pode-se afirmar que existe um conceito de negritude brasileiro?<\/strong><\/h5>\n<p><strong>AFM \u2013 <\/strong>Se por negritude voc\u00ea se refere ao entendimento do que \u00e9 ser uma pessoa negra, eu diria que esse \u00e9 um conceito em disputa. Ao longo de gera\u00e7\u00f5es, que remontam pelo menos ao s\u00e9culo 19, intelectuais-ativistas negros\/as t\u00eam analisado as experi\u00eancias de africanos e seus descendentes no Brasil. N\u00e3o por acaso, muitos t\u00eam destacado que as promessas da chamada mesti\u00e7agem n\u00e3o produzem a reden\u00e7\u00e3o prometida aos menos escuros, embora isso seja um artif\u00edcio importante nos jogos de poder que produzem uma hierarquiza\u00e7\u00e3o racial perversa, respons\u00e1vel por uma das mais profundas desigualdades sociorraciais do planeta. <\/p>\n<p>Nesse sentido, desde o final do s\u00e9culo 20, quando houve inclusive a reinser\u00e7\u00e3o do quesito cor\/ra\u00e7a no Censo promovido pelo IBGE, a produ\u00e7\u00e3o e a an\u00e1lise de dados estat\u00edsticos desagregados por ra\u00e7a\/cor permitiram evidenciar aquilo que se sabia por meio da observa\u00e7\u00e3o cotidiana: pretos e pardos, na condi\u00e7\u00e3o de pessoas racializadas e associadas negativamente ao passado escravista e colonial, vivenciam experi\u00eancias muito pr\u00f3ximas, sobretudo no que diz respeito \u00e0s interdi\u00e7\u00f5es \u00e0 cidadania e aos direitos humanos. Trata-se de um quadro em que pretos, pardos e ind\u00edgenas vivem em condi\u00e7\u00f5es opostas aos brancos. <\/p>\n<p>Havendo marcas da ascend\u00eancia africana nos corpos e na cultura e sendo dif\u00edcil a afirma\u00e7\u00e3o do pertencimento \u00e9tnico no que diz respeito \u00e0 ascend\u00eancia ind\u00edgena, o Movimento Negro estabeleceu um arranjo conceitual em que a somat\u00f3ria de \u201cpretos\u201d e \u201cpardos\u201d corresponderia ao contigente populacional \u201cnegro\u201d. A mesti\u00e7agem, como instrumento de estabiliza\u00e7\u00e3o do racismo \u00e0 brasileira, foi ent\u00e3o desafiada. Ocorre que esse \u00e9 um dos pilares do racismo como patrim\u00f4nio brasileiro. <\/p>\n<p>Quando me refiro ao racismo como patrim\u00f4nio nacional estou querendo chamar aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, ao longo de s\u00e9culos, temos assistido a esfor\u00e7os especialmente protagonizados pelas elites brancas locais de instituir e naturalizar as desigualdades raciais, que passam por interditar as possibilidades de articula\u00e7\u00e3o entre quem \u00e9 racialmente discriminado nesta sociedade. Isso faz com que, mesmo com tantas evid\u00eancias, a defini\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 ser uma pessoa negra no Brasil segue em disputa.<\/p>\n<h5><strong>MST \u2013 Como se d\u00e1 a resist\u00eancia negra contempor\u00e2nea no Brasil?<\/strong><\/h5>\n<p><strong>AFM \u2013 <\/strong>As organiza\u00e7\u00f5es e ativistas dos Movimentos Negro e de Mulheres Negras atuam nas mais diferentes frentes no Brasil e t\u00eam produzido resultados em todas elas. Mesmo que aqu\u00e9m das demandas, em muitos casos, dada gravidade dos problemas enfrentados, esses resultados t\u00eam sido eficientes em impedir projetos de genoc\u00eddio e epistemic\u00eddio e isso n\u00e3o \u00e9 pouca coisa. Historicamente, a maneira como o movimento negro atua desafia modelos convencionais e faz com que muitos n\u00e3o percebam ou admitam a sua capilaridade e seu impacto. <\/p>\n<p>Dado o seu alcance, muitos questionam o fato de que o movimento negro n\u00e3o consegue se fazer um movimento de massas. Mas como dizer que um movimento \u00e9 t\u00edmido e limitado e produz a mudan\u00e7a na pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o que o brasileiro tem da sua imagem nas \u00faltimas d\u00e9cadas? Como um movimento sem relev\u00e2ncia induz um processo de altera\u00e7\u00e3o da expectativa de uma popula\u00e7\u00e3o inteira por acesso ao ensino superior? Como um movimento \u00e9 in\u00f3cuo, mas incomoda grupos hegem\u00f4nicos quando o assunto \u00e9 seguran\u00e7a p\u00fablica? Enfim, a resist\u00eancia negra est\u00e1 a\u00ed para quem tem olhos para ver ou que limpou as lentes para enxergar melhor.<\/p>\n<h5><strong>MST \u2013 O que o significado universal do conceito <em>negritude <\/em>implica? E o conceito de <em>branquitude<\/em>?<\/strong><\/h5>\n<p><strong>AFM \u2013<\/strong> Primeiramente, \u201cnegritude\u201d e \u201cbranquitude\u201d n\u00e3o s\u00e3o termos que funcionam em oposi\u00e7\u00e3o e em condi\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia. O conceito de negritude foi criado na primeira metade do s\u00e9culo 20, bastante associado a formula\u00e7\u00f5es de intelectuais negros em di\u00e1spora. A impress\u00e3o de que ele teria sido formulado na Fran\u00e7a adv\u00e9m da import\u00e2ncia que determinados encontros tiveram na promo\u00e7\u00e3o da consolida\u00e7\u00e3o da categoria. <\/p>\n<p>Ocorre que essa formula\u00e7\u00e3o passa pela percep\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias compartilhadas e pela formula\u00e7\u00e3o de uma comunidade imaginada em perspectiva transnacional. Negritude torna-se, portanto, uma plataforma de afirma\u00e7\u00e3o das exist\u00eancias e da humanidade de gente de origem africana no mundo. Isso, por certo, n\u00e3o exclui as possibilidades de reconhecimento de especificidades locais, fruto das peculiaridades dos eventos hist\u00f3ricos vivenciados pela diversidade de sujeitos existentes nessa coletividade maior. <\/p>\n<p>Branquitude, por sua vez, \u00e9 um conceito que est\u00e1 mais associado a uma estrutura de poder firmada na ideia de hegemonia\/superioridade da pessoa branca, algo que pode ser observado em diferentes contextos. A branquitude no Brasil se estrutura em alguma medida de forma distinta do que se v\u00ea no Canad\u00e1 ou na Noruega, mas h\u00e1 pontos de converg\u00eancia que possibilitam a observa\u00e7\u00e3o para al\u00e9m de uma escala restrita. Ou seja, estamos diante de duas categorias que, se bem operadas, nos ajudam a enxergar coisas que a naturaliza\u00e7\u00e3o do racismo atrapalha.<\/p>\n<h5><strong>MST \u2013 Somos um pa\u00eds com a maioria da popula\u00e7\u00e3o composta por pessoas negras. Quem n\u00e3o gosta delas sente exatamente o qu\u00ea?<\/strong><\/h5>\n<p><strong>AFM \u2013 <\/strong>N\u00e3o posso falar por elas, mas acho que elas t\u00eam s\u00e9rios problemas, coisa que compromete sua capacidade de ser humano como algo favor\u00e1vel ao bem comum.<\/p>\n<h5><strong>MST \u2013 A luta contra o machismo e o racismo terminar\u00e1 como?<\/strong><\/h5>\n<p><strong>AFM \u2013<\/strong> Como terminar\u00e1, eu n\u00e3o sei. O que sei \u00e9 que tenho uma vida que decidi dedicar a esta luta. Tamb\u00e9m intuo que ela terminar\u00e1 se um dia formos capazes de superar estruturas de domina\u00e7\u00e3o que demandam a subordina\u00e7\u00e3o daquelas e daqueles entendidos como \u201cos outros\u201d.<\/p>\n<p><em>*Jornalista, Chef de Cozinha e membro do Coletivo de Comunica\u00e7\u00e3o do Marmitas da Terra<\/em>.<\/p>\n<p><em>**Ana Fl\u00e1via Magalh\u00e3es \u00e9 historiadora, professora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), e integrante da Rede de Historiadoras\/es Negras\/os e da equipe Cultne. Atualmente, tamb\u00e9m atua como coordenadora-geral do GT sobre Arquivos Comunit\u00e1rios da Associa\u00e7\u00e3o Latino-americana de Arquivos (GTAC\/ALA). \u00c9 coordenadora-geral da exposi\u00e7\u00e3o \u201cReintegra\u00e7\u00e3o de Posse: Narrativas da presen\u00e7a negra na hist\u00f3ria do Distrito Federal\u201d; e comp\u00f5e a equipe curatorial da exposi\u00e7\u00e3o \u201cConstituinte de um Brasil Poss\u00edvel\u201d. Entre 2023 e 2025, foi Diretora-Geral do Arquivo Nacional do Brasil.<\/em><\/p>\n<p><em>***Editado por Pamela Oliveira.<\/em><\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/07\/25\/mesmo-a-partir-da-desvantagem-social-nos-tivemos-e-temos-condicoes-para-criar-novos-rumos-afirma-ana-flavia-magalhaes-pinto\/\">\u201cMesmo a partir da desvantagem social, n\u00f3s tivemos e temos condi\u00e7\u00f5es para criar novos rumos\u201d, afirma Ana Fl\u00e1via Magalh\u00e3es Pinto<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/pesquisa-identifica-205-milhoes-de-brasileiros-sem-acesso-a-internet\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Pesquisa identifica 20,5 milh\u00f5es de brasileiros se...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/projeto-propoe-ampliacao-da-guarda-municipal-e-reestruturacao-da-carreira-em-porto-alegre\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Projeto prop\u00f5e amplia\u00e7\u00e3o da Guarda Municipal e ree...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/poesia-o-peixe-na-rede\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/3Semana-5-1110-Autores-OP-DowborFinancismo-1-3-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Poesia:   O peixe na rede<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/assembleia-aprova-relatorio-sobre-herbicidas-hormonais-e-propoe-mudancas-na-legislacao-do-rs\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Assembleia aprova relat\u00f3rio sobre herbicidas hormo...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n<\/div> <script>\n\t\t\t\t\t\t  jQuery(document).ready(function( $ ){\n\t\t\t\t\t\t\t\/\/jQuery('.yuzo_related_post').equalizer({ overflow : 'relatedthumb' });\n\t\t\t\t\t\t\tjQuery('.yuzo_related_post .yuzo_wraps').equalizer({ columns : '> div' });\n\t\t\t\t\t\t   })\n\t\t\t\t\t\t  <\/script> <!-- End Yuzo :) -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tereza de Benguela vive em cada mulher negra que se recusa \u00e0 subalternidade, que tece comunidades e que luta por terra. 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