{"id":41368,"date":"2025-07-30T19:00:46","date_gmt":"2025-07-30T22:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/misoginia-online-dos-jovens-machos-ressentidos\/"},"modified":"2025-07-30T19:00:46","modified_gmt":"2025-07-30T22:00:46","slug":"misoginia-online-dos-jovens-machos-ressentidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/misoginia-online-dos-jovens-machos-ressentidos\/","title":{"rendered":"Misoginia online dos jovens-machos ressentidos"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"659\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-11.jpeg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-11.jpeg 1280w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-11-300x154.jpeg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Sem-titulo-11-768x395.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><figcaption>Imagem: Daniel Zender \/Newyorker<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por <strong>Nuria Alabao<\/strong>, no <em>CTXT<\/em> | Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Os jovens homens votam mais na extrema direita do que suas equivalentes femininas, e as pesquisas mostram uma forte rea\u00e7\u00e3o antifeminista em boa parte da Europa. As causas s\u00e3o m\u00faltiplas e complexas, mas uma que perpassa todos os estudos indica que esses jovens passam um tempo consider\u00e1vel em f\u00f3runs da internet, redes sociais ou YouTube consumindo materiais antifeministas dos mais variados tipos.<\/p>\n<p>Nesses espa\u00e7os digitais, muitos jovens se politizam em um sentido reacion\u00e1rio, ou seja, embora a entrada para esses discursos possa ser a dificuldade de conquistar algu\u00e9m, o medo do futuro, a solid\u00e3o ou a incerteza sobre como construir sua identidade masculina em uma realidade marcada pelo feminismo, acaba se formando ali um universo reacion\u00e1rio que pode empurrar esses jovens a apoiar projetos pol\u00edticos antidemocr\u00e1ticos, que buscam aprofundar as desigualdades sociais. Algo que as extremas direitas fazem bem \u00e9 transformar mal-estares diversos em rea\u00e7\u00e3o antifeminista \u2013 ou anti-imigrante ou negacionista. \u00c9 a\u00ed que tamb\u00e9m se originam algumas das causas do voto jovem em direitas radicais.<\/p>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-1-6.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/MATERIA-1-6.png 681w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-1-300x75.png 300w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" width=\"681\" height=\"171\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A <em>manosfera<\/em> \u00e9 o nome dado a um conjunto de comunidades online onde se articulam discursos masculinos antifeministas, que v\u00e3o desde o simples vitimismo e choramingos at\u00e9 o mais \u00e1cido \u00f3dio mis\u00f3gino. Essas comunidades funcionam em grande parte como subculturas digitais, com suas pr\u00f3prias filosofias e c\u00f3digos. N\u00e3o s\u00e3o homog\u00eaneas, nem necessariamente se excluem entre si, nem explicam algo por si s\u00f3, e al\u00e9m disso s\u00e3o dif\u00edceis de investigar, embora a academia tenha se esfor\u00e7ado para nome\u00e1-las e mergulhar em seus conte\u00fados. Muitas coisas tamb\u00e9m acontecem em redes de mensagens direta entre pessoas \u2013 WhatsApp, Telegram etc. \u2013, onde \u00e9 muito mais dif\u00edcil observar e onde se reproduzem l\u00f3gicas de grupo, a <em>fratria<\/em> masculina \u2013 o refor\u00e7o das opini\u00f5es dentro de um coletivo de pares.<\/p>\n<p>A <em>manosfera<\/em> \u00e9 atravessada pela convic\u00e7\u00e3o de que o feminismo, mais do que igualdade, promove \u00f3dio contra os homens, e \u00e9 nela que se formam boa parte dos argumentos antifeministas que os jovens depois reproduzem. S\u00e3o os que usam em discuss\u00f5es contra professoras \u2013 ou outras alunas \u2013 nas aulas: se h\u00e1 um fen\u00f4meno f\u00e1cil de confirmar na educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 o crescimento dessa reatividade tanto no ensino m\u00e9dio quanto na universidade. Algumas professoras relatam que o novo \u201cesporte universit\u00e1rio\u201d \u00e9 o de \u201cderrubar sua professora\u201d \u2013 verbalmente, entende-se.<\/p>\n<p>Provavelmente, o mais grave \u2013 j\u00e1 que os discursos n\u00e3o precisam se transformar automaticamente em atitudes \u2013 \u00e9 que a esfera digital tamb\u00e9m \u00e9 o lugar de onde parte o ass\u00e9dio contra feministas com visibilidade ou contra mulheres que adentraram espa\u00e7os dominados por essas ideias, como a subcultura gamer. Esse antifeminismo busca transformar as redes sociais em espa\u00e7os hostis ao feminismo. Um exemplo extremo desse ass\u00e9dio digital foi a divulga\u00e7\u00e3o de imagens e dados pessoais de ativistas, ou at\u00e9 de v\u00edtimas de agress\u00f5es, como ocorreu com a v\u00edtima de <em>La Manada<\/em> \u2013 nesse caso, pela primeira vez na Espanha, tanto a plataforma digital quanto alguns dos que compartilharam essas informa\u00e7\u00f5es privadas foram condenados \u00e0 pris\u00e3o. A misoginia \u00e9 monetizada em plataformas que sustentam senhores tecnofeudais, enriquecidos com o abuso online. Segundo Ekaitz Cancela e Anita Fuentes, n\u00e3o se pode entender esse modelo de neg\u00f3cios sem reconhecer sua capacidade de explorar a misoginia, o machismo e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a viol\u00eancia para aumentar lucros.<\/p>\n<p>Sem pretens\u00e3o de esgotar o tema, nesta s\u00e9rie analisaremos algumas dessas subculturas digitais que, justamente, oferecem a esses jovens \u2013 muitas vezes isolados \u2013 um senso de pertencimento e comunidade.<\/p>\n<h3><strong>Ressentimento sexual: da inseguran\u00e7a juvenil ao neg\u00f3cio da objetifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>A vitimiza\u00e7\u00e3o masculina se alimenta das inseguran\u00e7as t\u00edpicas de jovens que est\u00e3o entrando no mundo da sexualidade e t\u00eam a percep\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o as mulheres que \u201cescolhem\u201d nos relacionamentos. Alguns deles, al\u00e9m disso, t\u00eam pouco contato com garotas de sua idade e n\u00e3o compreendem bem suas viv\u00eancias e perspectivas. Esse distanciamento reflete tanto a redu\u00e7\u00e3o do tamanho das fam\u00edlias \u2013 com um aumento significativo de filhos \u00fanicos \u2013 quanto as din\u00e2micas de isolamento social p\u00f3s-covid, agravadas por uma sociabilidade mediada digitalmente que favorece exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica m\u00e1xima, mas com contato f\u00edsico m\u00ednimo. Essas s\u00e3o, em parte, as cicatrizes da pandemia que aceleraram tend\u00eancias sociais pr\u00e9-existentes, voltadas \u00e0 individualiza\u00e7\u00e3o. O lazer dos jovens ocorre cada vez mais online, de casa. N\u00e3o \u00e9 surpreendente que os dados revelem uma piora generalizada na sa\u00fade mental juvenil em ambos os sexos e mais suic\u00eddios, especialmente entre homens.<\/p>\n<p>Nenhuma inquieta\u00e7\u00e3o humana deixa de ser transformada em neg\u00f3cio, e as preocupa\u00e7\u00f5es dos jovens com relacionamentos tamb\u00e9m s\u00e3o um nicho de mercado explorado pelos chamados <em>\u201cartistas da conquista\u201d<\/em>. Um dos pioneiros \u00e9 o norte-americano Roosh V, que escreve manuais de autoajuda para homens heterossexuais em busca de sexo casual. Ele publicou mais de uma d\u00fazia de e-books sobre t\u00e9cnicas de sedu\u00e7\u00e3o em diversos pa\u00edses, quase como guias de viagem para sexo. Seus textos ensinam t\u00e9cnicas para \u201cmanipular\u201d mulheres, descrevendo o ato sexual com linguagem t\u00e9cnica e desumanizada: \u201cinser\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cdomina\u00e7\u00e3o\u201d e \u201csucesso\u201d.<\/p>\n<p>Na Espanha, figuras como Mario Luna ou \u00c1lvaro Reyes adotaram estrat\u00e9gias similares e oferecem cursos e conte\u00fados que reproduzem a mesma l\u00f3gica. O primeiro d\u00e1 conselhos sobre o que fazer quando uma mulher te ignora: \u201cAtaque seu ponto fraco\u201d, \u201cdestrua seu ego\u201d. Esses influencers transformam inseguran\u00e7as juvenis em um receitu\u00e1rio mercantilizado de t\u00e9cnicas de sedu\u00e7\u00e3o que objetificam tanto homens quanto mulheres, atribuindo-lhes valores num\u00e9ricos \u2013\u201dvoc\u00ea pode ser um homem nota 5 com uma namorada nota 10 se usar nossas t\u00e9cnicas\u201d\u2013 e apresentando relacionamentos como transa\u00e7\u00f5es de consumo. Seus m\u00e9todos incluem estrat\u00e9gias como \u201cdeixe-a esperando para se tornar desej\u00e1vel\u201d, que reduzem rela\u00e7\u00f5es humanas a f\u00f3rmulas mec\u00e2nicas de domina\u00e7\u00e3o. E, spoiler, isso funciona cada vez menos com as jovens que participaram da recente onda feminista e est\u00e3o cada vez menos dispostas a aceitar maus-tratos.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/circuito3anos-banner_outraspalavras-6.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/circuito3anos-banner_outraspalavras-6.jpg 729w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/circuito3anos-banner_outraspalavras-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 729px) 100vw, 729px\" width=\"729\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Quando esses m\u00e9todos absurdos de conquista falham (como inevitavelmente acontece ), jovens com dificuldades para encontrar trabalho, amigos e que passam muito tempo na internet podem encontrar ref\u00fagio em grupos de incels (celibat\u00e1rios involunt\u00e1rios). Esses grupos criam uma comunidade para rapazes que, isolados em seus quartos com seus computadores, interpretam sua falta de sucesso amoroso como prova de uma conspira\u00e7\u00e3o sist\u00eamica. Os incels constroem uma cosmologia onde as mulheres ocupam uma posi\u00e7\u00e3o de poder \u2013\u201das que escolhem\u201d\u2013, enquanto os homens ficam subordinados. Aqui reaparece uma categoriza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica que divide as pessoas entre \u201calfas\u201d e \u201cbetas\u201d, numa l\u00f3gica competitiva que reproduz valores de mercado. A ambival\u00eancia atinge seu \u00e1pice, j\u00e1 que acabam refor\u00e7ando ideologicamente justamente o que lhes causa mal-estar: a hierarquiza\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o entre pessoas que valem e n\u00e3o valem segundo padr\u00f5es f\u00edsicos de beleza e valores ultrapassados de masculinidade: dureza, moto, m\u00fasculos, dinheiro\u2026<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, o espa\u00e7o incel tamb\u00e9m representa o dualismo das extremas direitas. Por um lado, h\u00e1 essa vincula\u00e7\u00e3o entre masculinismo e individualismo neoliberal atrav\u00e9s de seus fil\u00f3sofos de refer\u00eancia, que identificam sucesso na vida com acumula\u00e7\u00e3o de riqueza: \u201cse voc\u00ea tem dinheiro, ter\u00e1 mulheres\u201d. Ideias n\u00e3o t\u00e3o distantes das demais imagens sociais sobre o que significa vencer na vida. Por outro lado, alguns desses discursos evocam um suposto passado onde as rela\u00e7\u00f5es entre g\u00eaneros seriam mais simples \u2013 casais se uniam em matrim\u00f4nio muito jovens, mantinham rela\u00e7\u00f5es monog\u00e2micas e seguiam pap\u00e9is tradicionais de g\u00eanero. Reivindicam que, nessa constru\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria, n\u00e3o haveria tanta press\u00e3o est\u00e9tica para criar v\u00ednculos afetivos.<\/p>\n<p>As vers\u00f5es mais extremas das comunidades incels conectam essas vis\u00f5es com teorias do supremacismo branco como a do \u201cgrande substitui\u00e7\u00e3o\u201d. J\u00e1 sabemos: as popula\u00e7\u00f5es ocidentais estariam sendo substitu\u00eddas por homens de \u201coutras\u201d etnias ou religi\u00f5es, aqui representados como machos hipersexuais reprodutivamente superiores que apagar\u00e3o os genes brancos. Em 2019, essa teoria foi usada como justificativa para o massacre de cinquenta pessoas na Nova Zel\u00e2ndia. Um dos alertas mais urgentes \u00e9 justamente essa radicaliza\u00e7\u00e3o violenta de alguns incels, que resultou em ataques em v\u00e1rias partes do mundo: Toronto, Inglaterra, Turquia\u2026<\/p>\n<p>Esses ataques podem ser vistos como uma forma extrema de sair do isolamento, de existir, de serem ouvidos, de for\u00e7ar o mundo a escut\u00e1-los. \u201cPrecisam matar\u201d, dizia Pablo Stefanoni, \u201cpara serem lidos\u201d. No entanto, a maioria dos jovens que se identificam com essas narrativas n\u00e3o se tornar\u00e1 violenta, pois para isso outros fatores precisariam convergir. \u201cA maioria tem hist\u00f3rico de isolamento social e muita frustra\u00e7\u00e3o. Muitos sofreram abusos familiares, bullying, falta de habilidades sociais\u2026 at\u00e9 transtornos do espectro autista n\u00e3o tratados\u201d, afirma o especialista Gabriel Luis Isla Joulain.<\/p>\n<h3><strong>A grande ren\u00fancia: homens \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte<\/strong><\/h3>\n<p>Num momento em que tamb\u00e9m consumimos \u201cestilos de vida\u201d e face \u00e0s frustra\u00e7\u00f5es do mundo amoroso, surge outra op\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria: a ren\u00fancia total a relacionamentos. Os \u201ccelibat\u00e1rios volunt\u00e1rios\u201d \u2013 movimentos como MGTOW (Men Going Their Own Way) ou \u201cNo Fuckers\u201d\u2013 pregam a rejei\u00e7\u00e3o total de rela\u00e7\u00f5es com mulheres, incluindo em alguns casos abstin\u00eancia sexual at\u00e9 mesmo da masturba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O novo masculinismo oscila assim entre competi\u00e7\u00f5es de espermatozoides \u2013 como exibi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia reprodutiva, uma das grandes obsess\u00f5es da extrema direita \u2013 e complexos hoteleiros em Bali \u201cs\u00f3 para homens\u201d que queiram ficar fortes ou trabalhar sem distra\u00e7\u00f5es femininas \u2013 as \u00fanicas mulheres que ver\u00e3o, segundo os an\u00fancios, s\u00e3o as que est\u00e3o a seu servi\u00e7o, cozinham ou fazem massagens.<\/p>\n<p>Vale refor\u00e7ar novamente que cada subcultura masculinista na internet se organiza em torno de um circuito espec\u00edfico de produ\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de valor, onde a aten\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e as rela\u00e7\u00f5es afetivas dos usu\u00e1rios s\u00e3o instrumentalizadas para monetiza\u00e7\u00e3o em plataformas capitalistas.<\/p>\n<p>Dessa forma, esses grupos online oferecem uma explica\u00e7\u00e3o aparentemente coerente para inseguran\u00e7as sexuais e de g\u00eanero: a culpa \u00e9 das mulheres, como se um mundo s\u00f3 de homens fosse a solu\u00e7\u00e3o para a complexidade e vulnerabilidade inerentes a estabelecer rela\u00e7\u00f5es significativas com qualquer pessoa, independentemente de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Muitas das imposi\u00e7\u00f5es da masculinidade \u2013 o que se exige deles para conformar sua identidade de g\u00eanero: ser dominantes, firmes, ganhar mais que mulheres\u2026 \u2013, embora isso esteja mudando, entram em conflito com as expectativas de mulheres impactadas pela onda feminista.<\/p>\n<p>As mulheres transformaram significativamente o significado de ser mulher, ampliando possibilidades e op\u00e7\u00f5es de vida. J\u00e1 muitos jovens homens ficam presos entre as demandas das \u201cnovas masculinidades\u201d e velhas expectativas que persistem. Inclusive, muitas garotas ainda se atraem pela figura do \u201ccara dur\u00e3o com moto\u201d.<\/p>\n<p>Assim, quando as possibilidades se multiplicam, a complexidade aumenta, tornando a constru\u00e7\u00e3o da identidade masculina mais dif\u00edcil e, por vezes, levando a becos digitais sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>A masculinidade n\u00e3o \u00e9 uma identidade dada, mas um processo em constante constru\u00e7\u00e3o, marcado por tens\u00f5es entre o que se sup\u00f5e que voc\u00ea deve ser e o que realmente pode alcan\u00e7ar. Nunca se chega l\u00e1 (com a feminidade acontece algo similar).<\/p>\n<p>Essa condi\u00e7\u00e3o permanente de frustra\u00e7\u00e3o gera mal-estares profundos, especialmente nos jovens, que muitas vezes carecem de ferramentas para process\u00e1-los coletivamente ou nome\u00e1-los politicamente.<\/p>\n<p>Em vez de interpretar esse mal-estar como fruto de mandatos de g\u00eanero imposs\u00edveis, da precariedade existencial ou do isolamento emocional, alguns o transformam em ressentimento contra mulheres, culpadas por suas insatisfa\u00e7\u00f5es afetivas ou sexuais.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a l\u00f3gica por tr\u00e1s de subculturas digitais como a incel, que convertem frustra\u00e7\u00e3o masculina em ideologia mis\u00f3gina e organiza\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria. Seu perigo reside exatamente nisso: em articular uma resposta pol\u00edtica reacion\u00e1ria a m\u00faltiplas ang\u00fastias.<\/p>\n<p>Em vez de tentar romper com os mandatos que os oprimem, esses jovens refor\u00e7am mecanismos centrais de sua pr\u00f3pria domina\u00e7\u00e3o, como pap\u00e9is de g\u00eanero patriarcais. Mas essa domina\u00e7\u00e3o tradicional \u00e9 cada vez menos vi\u00e1vel: faltam condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para sustent\u00e1-la (a maioria esmagadora das mulheres n\u00e3o depende mais de homens para sustento), e elas tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o dispostas a aceit\u00e1-la.<\/p>\n<p>Esse modelo de homem dominante desmorona-se por si s\u00f3. Diante dessa realidade, restam duas op\u00e7\u00f5es: abandonar de vez os pap\u00e9is de domina\u00e7\u00e3o ou ficar presos no ciclo destrutivo do ressentimento. O feminismo deveria acompanhar tamb\u00e9m esse processo de libera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Como extrema direita politiza frustra\u00e7\u00f5es pessoais. Os impactos no mundo offline e a monetiza\u00e7\u00e3o do antifeminismo. 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