{"id":42804,"date":"2025-08-06T10:06:26","date_gmt":"2025-08-06T13:06:26","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/presidente-da-conab-precos-dos-alimentos-caem-e-devem-cair-ainda-mais-com-estoques\/"},"modified":"2025-08-06T10:06:26","modified_gmt":"2025-08-06T13:06:26","slug":"presidente-da-conab-precos-dos-alimentos-caem-e-devem-cair-ainda-mais-com-estoques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/presidente-da-conab-precos-dos-alimentos-caem-e-devem-cair-ainda-mais-com-estoques\/","title":{"rendered":"Presidente da Conab: \u201cpre\u00e7os dos alimentos caem e devem cair ainda mais com estoques\u201d"},"content":{"rendered":"<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"533\"src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-2.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-2.jpg 750w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-2-300x213.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\"><figcaption><em>J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel ver uma queda nos pre\u00e7os de alimentos como arroz e feij\u00e3o nos supermercados, afirma Pretto. Foto: Rafa Dotti<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por Denise Salom\u00e3o e Lucas Salum<br \/>Do Brasil de Fato<\/em><\/p>\n<figure><audio controls src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/bdf-20250805-183040-07848c.mp3\" preload=\"none\"><\/audio><figcaption><em>Ou\u00e7a a entrevista aqui<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Neste m\u00eas de julho,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/28\/pela-segunda-vez-sob-gestao-do-pt-brasil-deixa-mapa-da-fome\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o Brasil celebrou a sa\u00edda do Mapa da Fome<\/a>, um mecanismo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) que mede o \u00edndice de inseguran\u00e7a alimentar nos pa\u00edses.<\/p>\n<p>No entanto, esse \u00e9 apenas o primeiro passo na garantia de uma\u00a0alimenta\u00e7\u00e3o de qualidade\u00a0para a popula\u00e7\u00e3o brasileira. \u00c9 necess\u00e1rio atrelar outras pol\u00edticas p\u00fablicas que assegurem o acesso das pessoas a uma alimenta\u00e7\u00e3o digna, que privilegie alimentos\u00a0<em>in natura<\/em>\u00a0e minimamente processados.<\/p>\n<p>Isso inclui pensar pol\u00edticas que proporcionem mais seguran\u00e7a para os\u00a0agricultores familiares\u00a0e que viabilizem o abastecimento do mercado interno, como \u00e9 o caso da retomada, pelo governo federal, da pol\u00edtica de estoques p\u00fablicos de gr\u00e3os, que foi\u00a0abandonada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).\u00a0<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/01\/23\/presidente-da-conab-quer-retomar-estoque-para-baratear-comida-sem-intervencao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)<\/a>\u00a0\u00e9 de que neste ano a safra de arroz chegue a 12 milh\u00f5es de toneladas. O n\u00famero indica um crescimento em rela\u00e7\u00e3o a 2025 e, segundo o presidente do \u00f3rg\u00e3o, Edegar Pretto, reflete a confian\u00e7a dos pequenos agricultores nas pol\u00edticas implementadas.<\/p>\n<p>\u201cVamos colher mais de 12 milh\u00f5es de toneladas de arroz, que \u00e9 1.5 milh\u00e3o de toneladas a mais do que a safra do ano passado. Uma grande safra de feij\u00e3o, mais mandioca, mais hortali\u00e7as, porque os agricultores se viram de novo viabilizados economicamente produzindo para o nosso mercado interno. Traz de novo uma seguran\u00e7a e vai exatamente nessa dire\u00e7\u00e3o, da forma\u00e7\u00e3o de estoque\u201d, pontua Edegar Pretto, em entrevista ao Conversa Bem Viver, programa do\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong><\/p>\n<p>Pretto destaca que a forma\u00e7\u00e3o de estoque, al\u00e9m de beneficiar os produtores, tamb\u00e9m impactam diretamente no controle de pre\u00e7os para o consumidor que adiquire o produto na prateleira do supermercado.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cCom uma m\u00e3o, compramos pagando um pre\u00e7o melhor para quem produz, e quando o pre\u00e7o subir no supermercado, botamos esse produto no mercado para equilibrar os pre\u00e7os para os consumidores e garantir um produto com um pre\u00e7o justo para quem consome\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Confira entrevista na \u00edntegra:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Conversa Bem Viver<\/strong>:\u00a0<strong>Explica melhor o que \u00e9 o Mapa da Fome e que \u00edndices s\u00e3o esses que a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) estabelece para determinar que um pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 neste cen\u00e1rio?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o mecanismo que a ONU, via FAO, faz em todas as na\u00e7\u00f5es para medir o \u00edndice da inseguran\u00e7a alimentar e nutricional grave, quem vive realmente na inseguran\u00e7a cr\u00f4nica da alimenta\u00e7\u00e3o. O Brasil saiu da condi\u00e7\u00e3o de fome em 2014 porque atingiu um \u00edndice pelas medi\u00e7\u00f5es da FAO, de menos de 2,5% da popula\u00e7\u00e3o brasileira em inseguran\u00e7a alimentar grave ou severa. E foi esse patamar que o Brasil alcan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Eles levam em conta todos os dados que s\u00e3o produzidos em uma na\u00e7\u00e3o sobre a quest\u00e3o do emprego, nutri\u00e7\u00e3o, peso das crian\u00e7as, nutri\u00e7\u00e3o que as crian\u00e7as est\u00e3o tendo, renda familiar, uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que s\u00e3o avaliadas para dizer se uma na\u00e7\u00e3o est\u00e1 no Mapa da Fome ou n\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Isso foi poss\u00edvel l\u00e1 em 2014, nos dois governos do presidente Lula, um governo da presidenta Dilma [Rousseff], depois foi interrompido atrav\u00e9s daquele golpe. A primeira mulher brasileira saiu do poder atrav\u00e9s de um golpe, porque os mandat\u00e1rios que l\u00e1 estavam, o Congresso Nacional naquela oportunidade, al\u00e9m de n\u00e3o compreenderem a import\u00e2ncia de um projeto que a presidenta Dilma estava \u00e0 frente, foi tamb\u00e9m uma a\u00e7\u00e3o machista.<\/p>\n<p>A presidenta Dilma saiu do comando do Brasil sem nenhuma explica\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel formalmente. Sem cometer nenhum crime, na minha opini\u00e3o, tamb\u00e9m porque era uma mulher comandando o nosso pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<p>Foi l\u00e1 no governo da presidenta Dilma, em 2014,\u00a0 que n\u00f3s alcan\u00e7amos esse feito, a ONU anunciou para o mundo que o Brasil erradicou a fome. E bastou t\u00e3o pouco tempo para voltar novamente para o Mapa da Fome. Em 2020 foi declarada novamente a inseguran\u00e7a alimentar nutricional.<\/p>\n<p>A fome voltou com muita for\u00e7a no Brasil. Foi na pandemia, em 2020, e o abandono que o governo passado teve com os mais pobres. N\u00f3s vimos aquelas cenas tristes, as pessoas fazendo fila para conquistar um peda\u00e7o de osso com pouca prote\u00edna. Foi exatamente naquele momento que a fome voltou com tanta for\u00e7a.<\/p>\n<p>O presidente Lula assumiu em 2023, e 33 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o tomavam caf\u00e9, n\u00e3o almo\u00e7avam e n\u00e3o jantavam. Inseguran\u00e7a alimentar absoluta para 33 milh\u00f5es de brasileiros. Isso \u00e9 inconceb\u00edvel. Um pa\u00eds como o nosso, que se diz celeiro do mundo, que exporta muito, que manda produto para fora\u2026 n\u00f3s temos aqui um solo agr\u00edcola extraordin\u00e1rio, temos um povo trabalhador, a natureza foi t\u00e3o generosa com esse pa\u00eds, tudo que planta a gente colhe.\u00a0<\/p>\n<p>Como \u00e9 que n\u00f3s vamos conceber um pa\u00eds dessa dimens\u00e3o, que produz tanto \u2014 vamos ter esse ano a maior safra da nossa hist\u00f3ria \u2014 vermos as pessoas convivendo com a dor da fome? Por isso que o presidente Lula tirou essa como uma das suas prioridades. No seu terceiro mandato, quando ele foi eleito, ele disse: \u201cde novo, a nossa prioridade \u00e9 acabar com a fome\u201d.<\/p>\n<p>A nossa meta era o final de de 2026, e, gra\u00e7as \u00e0 for\u00e7a das pol\u00edticas p\u00fablicas, gra\u00e7as \u00e0 for\u00e7a da mobiliza\u00e7\u00e3o, da solidariedade do nosso pa\u00eds, n\u00f3s temos que compartilhar essa conquista.<\/p>\n<p>Obviamente \u00e9 um presidente que tem amor ao seu pa\u00eds, \u00e9 um governo federal atencioso com os mais pobres, mas \u00e9 fruto tamb\u00e9m da solidariedade do nosso povo. E temos exemplos que eu quero citar, como as cozinhas solid\u00e1rias, as cooperativas, associa\u00e7\u00f5es dos assentados da reforma agr\u00e1ria, da agricultura familiar brasileira que tem uma for\u00e7a extraordin\u00e1ria, pelas pol\u00edticas p\u00fablicas que n\u00f3s da Conab nos orgulhamos muito, porque estamos inseridos nelas.<\/p>\n<p>Um dos grandes instrumentos do Governo Federal para alcan\u00e7ar esse feito foi o PAA, Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos, que \u00e9 o principal programa que a Conab operacionaliza sob o nosso comando. \u00c9 um momento de grande celebra\u00e7\u00e3o, mas ainda temos uma jornada pela frente. Esses 2,5% da popula\u00e7\u00e3o brasileira em inseguran\u00e7a alimentar grave ainda \u00e9 uma legi\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>E n\u00f3s temos que lutar, trabalhar para que nenhum brasileiro tenha inseguran\u00e7a. Tem aqueles que ainda est\u00e3o na inseguran\u00e7a alimentar grave, mas tem aqueles em inseguran\u00e7a alimentar, que \u00e9 o cidad\u00e3o, a cidad\u00e3 que toma caf\u00e9, que almo\u00e7a, janta, mas vive na inseguran\u00e7a e na incerteza se no dia seguinte vai ter o que colocar na sua mesa. Ent\u00e3o, neste momento, que a gente celebra, n\u00f3s temos que responsavelmente tamb\u00e9m ir constituindo pol\u00edticas p\u00fablicas que sejam permanentes.<\/p>\n<p>A exemplo da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, que independente do abandono que um governante trata o SUS, trata a educa\u00e7\u00e3o, como foi no governo passado, tem pol\u00edticas muito consolidadas que permanecem. A quest\u00e3o da fome \u00e9 uma prioridade. Ent\u00e3o essas pol\u00edticas, temos que constitu\u00ed-las, porque independente de quem tiver no comando brasileiro, nenhum cidad\u00e3o do nosso pa\u00eds vai conviver com a dor da fome. Esse \u00e9 o caminho que n\u00f3s estamos indo.<\/p>\n<p>O PAA, as cozinhas solid\u00e1rias, as cestas de alimentos que a Conab operacionaliza s\u00e3o parte de uma a\u00e7\u00e3o muito conjunta de outros minist\u00e9rios, uma sinergia extraordin\u00e1ria de pol\u00edticas p\u00fablicas que foi poss\u00edvel em t\u00e3o pouco tempo o Brasil sair do Mapa da Fome.<\/p>\n<p>A Conab comprou via PAA e distribuiu, simultaneamente, 132 milh\u00f5es de quilos de alimentos. Vindo de onde? Das cooperativas, associa\u00e7\u00f5es, da agricultura familiar, assentados da reforma agr\u00e1ria, ind\u00edgenas, quilombolas, pescadores, ribeirinhos.<\/p>\n<p>Esse povo que produz comida boa, n\u00f3s compramos, pagamos um pre\u00e7o justo e simultaneamente os alimentos chegam nas periferias, na mesa de quem passa necessidade, em forma de cestas de alimentos ou atrav\u00e9s das cozinhas solid\u00e1rias que atendem a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, em situa\u00e7\u00e3o de rua, que n\u00e3o tem cozinha, que n\u00e3o tem fog\u00e3o em casa, que n\u00e3o tem g\u00e1s para fazer a sua alimenta\u00e7\u00e3o. As cozinhas solid\u00e1rias cumprem esse papel.<\/p>\n<p>O PAA est\u00e1 em 2115 munic\u00edpios. N\u00f3s organizamos uma rede muito potente de fornecedores. Hoje chegou a 5.700 cooperativas e associa\u00e7\u00f5es que mobilizam 133.000 fam\u00edlias de agricultores que produzem e vendem para o PAA. Veja que for\u00e7a extraordin\u00e1ria: mais de 350 tipos de alimentos n\u00f3s j\u00e1 compramos no PAA.\u00a0<\/p>\n<p>Eu tenho uma das causas de milit\u00e2ncia, causa de vida, que \u00e9 a luta para mobilizar homens para combater a viol\u00eancia contra as mulheres, garantir pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas que torne igualdade de g\u00eanero, que d\u00ea emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tamb\u00e9m para as mulheres. Mas n\u00e3o adianta s\u00f3 discursar. Quando voc\u00ea tem oportunidade, voc\u00ea tem que fazer.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00f3s estabelecemos no PAA uma marca. Cada projeto que uma cooperativa ou associa\u00e7\u00e3o apresentar para Conab para vender comida, tem que ter no m\u00ednimo 50% de participa\u00e7\u00e3o das mulheres. E na \u00faltima chamada que a Conab fez, n\u00f3s tivemos 80% de todo o alimento vendido para o PAA com a participa\u00e7\u00e3o das mulheres. Se voc\u00ea vai numa cozinha solid\u00e1ria em S\u00e3o Paulo, voc\u00ea vai ver que quem est\u00e1 no comando, quem est\u00e1 na linha de frente s\u00e3o as mulheres.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, essa p\u00e1gina \u2014 ou esse livro \u2014 que estamos escrevendo, de erradica\u00e7\u00e3o da fome outra vez, tem p\u00e1ginas maravilhosas com o protagonismo das mulheres. As mulheres do Brasil, na minha opini\u00e3o, junto com as pol\u00edticas p\u00fablicas do governo federal do presidente Lula, s\u00e3o as grandes protagonistas desta extraordin\u00e1ria conquista que n\u00f3s tivemos. Ent\u00e3o, \u00e9 um motivo de grande celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo tendo um caminho pela frente, n\u00f3s temos que bater palmas, vibrar, independentemente da nossa orienta\u00e7\u00e3o e prefer\u00eancia ideol\u00f3gica, do nosso partido pol\u00edtico, porque \u00e9 inconceb\u00edvel um pa\u00eds celeiro do mundo conviver com a dor da fome. Completamente inconceb\u00edvel.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Eu queria que a gente falasse um pouquinho mais sobre os estoques de alimentos de caf\u00e9, gr\u00e3os, arroz, mandioca, feij\u00f5es, que s\u00e3o alimentos b\u00e1sicos. Depois do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, vimos os estoques de alimentos zerados ou em n\u00fameros realmente muito \u00ednfimos. E sei o quanto o senhor est\u00e1 dedicado a isso. Mas os dados mais recentes que a gente tem na virada do ano passado para este ano ainda n\u00e3o apresentam de fato uma recupera\u00e7\u00e3o total desse patamar. Eu gostaria que o senhor atualizasse como anda essa recupera\u00e7\u00e3o dos estoques e indicasse uma previs\u00e3o. Ser\u00e1 que at\u00e9 o final do mandato do presidente Lula a gente j\u00e1 vai conseguir recuperar esses \u00edndices de 10, 15 anos atr\u00e1s?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito importante eu dizer novamente, se dependesse do governo passado que foi derrotado nas elei\u00e7\u00f5es, a Conab tamb\u00e9m seria extinta. Assim como foram muitas pol\u00edticas p\u00fablicas, a Conab se encaminhava para extin\u00e7\u00e3o. Eu sempre digo ao presidente quando ele me pergunta: \u201cE os estoques p\u00fablicos?\u201d Eu digo: \u201cPresidente, estamos trabalhando\u201d. Mas precisa duas quest\u00f5es que s\u00e3o b\u00e1sicas para formar estoques. Ter o que comprar e ter onde armazenar, onde guardar. E o Bolsonaro fechou 27 unidades armazenadoras nesta linha de extinguir a maior companhia de abastecimento da Am\u00e9rica Latina, que \u00e9 a nossa Conab. 27 das 91 unidades armazenadoras. Ficou 64 precisando muito de investimento para recuperar os nossos armaz\u00e9ns.\u00a0<\/p>\n<p>Mas principalmente a quest\u00e3o da fome e do pre\u00e7o dos alimentos, de as pessoas se alimentarem adequadamente, deixarem de comer mais ultraprocessados, a\u00e7ucarados, e comerem comida verdadeira, arroz, feij\u00e3o. Est\u00e1 tamb\u00e9m numa quest\u00e3o estrutural da agricultura do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Eu vou te dar um exemplo do que n\u00f3s estamos falando. At\u00e9 aqui, a maior safra agr\u00edcola do Brasil foi a safra de 2022, 2023. A Conab gera todos os dados agropecu\u00e1rios do Governo Federal. Todos os meses n\u00f3s colocamos em campo em torno de 100 t\u00e9cnicos em parceria com as universidades, com os institutos federais para apresentar para o Brasil, para o Governo Federal e para o mundo, qual \u00e9 a previs\u00e3o de safra dos 16 principais gr\u00e3os do nosso pa\u00eds. E l\u00e1 em 2023, n\u00f3s tivemos a maior safra agr\u00edcola at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>Mas, naquele mesmo momento, foi a menor lavoura plantada com arroz e feij\u00e3o dos \u00faltimos 47 anos. Sabe o que \u00e9 isso? O agricultor n\u00e3o tinha mais viabilidade econ\u00f4mica para produzir alimentos para o nosso mercado interno. Ent\u00e3o, mesmo o pequeno agricultor, corretamente, antes de botar semente na terra, ele faz os c\u00e1lculos. O que vai ser vi\u00e1vel e vantajoso economicamente?\u00a0<\/p>\n<p>E como n\u00e3o tinha mais as pol\u00edticas p\u00fablicas da Conab, n\u00e3o tinha mais o PAA, que tamb\u00e9m tinha sido extinto, n\u00e3o tinha mais forma\u00e7\u00e3o de estoque, n\u00e3o tinha mais o MDA, n\u00e3o tinha mais Plano Safra da cultura familiar, n\u00e3o tinha juro subsidiado para produzir comida, muitos pequenos agricultores migraram para onde? Para monocultura de exporta\u00e7\u00e3o. Migraram para a soja, para continuar no campo produzindo, e outros venderam o seu pequeno peda\u00e7o de terra, arrendaram o seu lote. E a agricultura brasileira vai produzindo muito, cada vez mais, como \u00e9 este ano.<\/p>\n<p>Maior safra da hist\u00f3ria do Brasil \u00e9 este ano. Segundo dados da Conab, 339 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os. Mas a grande e boa not\u00edcia \u00e9 que depois de 13 anos que a lavoura de arroz e de feij\u00e3o perdiam espa\u00e7o no campo do nosso pa\u00eds, n\u00f3s estamos retomando. Vamos colher agora uma das maiores safras de arroz.<\/p>\n<p>Vamos colher mais de 12 milh\u00f5es de toneladas de arroz, que \u00e9 1.5 milh\u00e3o de toneladas a mais do que a safra do ano passado. Uma grande safra de feij\u00e3o, mais mandioca, mais hortali\u00e7as, porque os agricultores se viram de novo viabilizados economicamente, produzindo para o nosso mercado interno. Traz de novo uma seguran\u00e7a. O que voc\u00ea tocou no assunto da forma\u00e7\u00e3o de estoque vai exatamente nessa dire\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que a gente faz? Como \u00e9 a pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o dos estoques p\u00fablicos?<\/p>\n<p>Quando tem uma safra maior de determinado produto, como \u00e9 essa safra do arroz, a Conab j\u00e1 previu no ano passado que n\u00f3s ter\u00edamos uma safra maior de arroz no Mercosul. E a \u00cdndia, que \u00e9 a maior produtora de arroz do mundo, produz mais de 200 milh\u00f5es de toneladas de arroz, teve uma supersafra e abriu novamente as exporta\u00e7\u00f5es, que ficou dois anos sem exportar arroz para o seu mercado interno.<\/p>\n<p>A Conab com as suas informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, j\u00e1 no ano passado, n\u00f3s j\u00e1 detectamos: vai ter muito mais arroz no Brasil e no mundo. Consequentemente, vai baixar o pre\u00e7o pro agricultor, que foi essa vis\u00e3o l\u00e1 do governo do presidente Lula e da presidenta Dilma, l\u00e1 atr\u00e1s, quando voltaram, quando come\u00e7aram a fazer novamente os estoques p\u00fablicos. Ent\u00e3o, n\u00f3s lan\u00e7amos um programa para arroz, por exemplo, \u00e9 o contrato de op\u00e7\u00e3o de venda. Ano passado, n\u00f3s lan\u00e7amos, o governo federal repassou para a Conab R$1 bilh\u00e3o de reais.<\/p>\n<p>N\u00f3s lan\u00e7amos o contrato de op\u00e7\u00e3o para comprar 500 mil toneladas de arroz. Botamos 20% acima do pre\u00e7o m\u00ednimo, que \u00e9 o custo de produ\u00e7\u00e3o e lan\u00e7amos um contrato opcional. O agricultor contratou com a Conab na hora de vender, se o pre\u00e7o do mercado estiver acima do contrato, ele pode vender para o mercado. N\u00e3o precisa honrar o contrato porque ele \u00e9 de op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas como n\u00e3o aconteceu isso, o pre\u00e7o caiu, como n\u00f3s previmos, o nosso pre\u00e7o colocado no contrato foi R$ 87,62, e hoje a saca de arroz no Sul, que produz 80% do arroz est\u00e1 R$ 68. Ent\u00e3o foi uma grande vantagem, uma grande pol\u00edtica que n\u00f3s oferecemos. Depois de 11 anos, a Conab voltou a fazer estoque de arroz.\u00a0<\/p>\n<p>Fazia 14 anos que n\u00e3o tinha trigo nos estoques. Compramos trigo ano passado. N\u00e3o \u00e9 ainda um grande volume como n\u00f3s gostar\u00edamos, mas o Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o precisa de um grande volume de estoque. N\u00f3s precisamos ter uma seguran\u00e7a alimentar nutricional para a popula\u00e7\u00e3o brasileira, e \u00e9 esse o caminho que n\u00f3s estamos seguindo. Produtos que t\u00eam mais dificuldade para estocar, como o feij\u00e3o, porque perde a qualidade com pouco tempo, estamos fazendo subven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem estiver vendendo abaixo do pre\u00e7o m\u00ednimo, n\u00f3s queremos fazer subven\u00e7\u00e3o, pagar o frete, pagar o escoamento dessa produ\u00e7\u00e3o para outras regi\u00f5es para ser vantajoso economicamente para o agricultor. Quando ele pensar de novo: \u201cO que que eu vou plantar?\u201d, ele vai lembrar: \u201cA Conab est\u00e1 funcionando, est\u00e1 comprando, garante pre\u00e7os, faz estoque, tem o PAA, tem o Penae, e ele torna vantajoso de novo produzir para o nosso mercado interno\u201d. Por isso, \u00e9 uma grande celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00ea v\u00ea o efeito dessas pol\u00edticas p\u00fablicas. Hoje estamos fazendo o leil\u00e3o para comprar milho. Estou te dando em primeira m\u00e3o. Vamos comprar mais 120 mil toneladas de milho. 2023 n\u00f3s compramos 360 mil toneladas de milho. A gente estoca o milho e vende depois aos pequenos criadores, [por meio] de um programa que a Conab tem, chamado Pro VB.<\/p>\n<p>[Trata-se do] Programa de Venda Balc\u00e3, voltado para pequenos criadores de cabra, de vaca, de galinha. Em qualquer lugar desse pa\u00eds, nos armaz\u00e9ns da Conab, agora se compra milho 30% mais barato do que vende o mercado. Olha s\u00f3 esse exemplo: 2023, quando n\u00f3s compramos as quase 400 mil toneladas de milho, deu uma supersafra de milho, especialmente aqui no Centro-Oeste, o pre\u00e7o m\u00ednimo do milho era R$ 44, e o mercado estava pagando R$33 a saca de milho.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00f3s compramos 360 mil toneladas, pagando R$ 11 a mais a saca de milho, estocamos. E com a seca que\u00a0 deu no in\u00edcio do ano passado no Nordeste, o milho l\u00e1 chegou a R$ 100 a saca. N\u00f3s compramos a R$ 44. N\u00f3s transportamos esse milho do Mato Grosso, Goi\u00e1s, para Bahia, para o Cear\u00e1 e vendemos l\u00e1 a R$ 60.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, al\u00e9m de vender mais barato para o pequeno criador, a gente equilibra os pre\u00e7os. A agropecu\u00e1ria est\u00e1 vendendo a R$ 100, chega a Conab e vende por R$ 60. Eles tamb\u00e9m t\u00eam que baixar o pre\u00e7o. E esse \u00e9 o sentido da pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o de estoque, que precisa regular pre\u00e7o tamb\u00e9m para os consumidores.<\/p>\n<p>Com uma m\u00e3o, a gente compra pagando um pre\u00e7o melhor para quem produz e, quando o pre\u00e7o subir no supermercado, a gente bota esse produto no mercado, equilibra os pre\u00e7os para os consumidores e garante um produto com um pre\u00e7o justo para quem consome, para consumir menos ultraprocessados, a\u00e7ucarados, como n\u00f3s estamos falando.<\/p>\n<p><strong>Frente a todos esses avan\u00e7os, todas essas pol\u00edticas, negocia\u00e7\u00f5es complexas, prevendo at\u00e9 um pouco do futuro, podemos esperar que frente a tudo isso, a gente veja o pre\u00e7o de produtos como feij\u00e3o e arroz ca\u00edrem nos mercados ou n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o que podemos avaliar nesse momento?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Podemos avaliar e podemos comprovar. Vai ao supermercado e olha. O arroz, ano passado, com a crise que teve no Rio Grande do Sul, na enchente, tivemos o estado que produz 70% do arroz, perdeu parte do arroz, desequilibrou os pre\u00e7os do mercado, subiu, muita gente correu para fazer estoque, desequilibrou o mercado. 5kg de arroz vendido a R$38, at\u00e9 mais de R$40.\u00a0<\/p>\n<p>Agora, eu j\u00e1 vi no supermercado 5 kg de arroz em promo\u00e7\u00e3o por R$ 14. Feij\u00e3o tamb\u00e9m baixou quase 40% o pre\u00e7o por esta supersafra, mas tamb\u00e9m pelas pol\u00edticas p\u00fablicas. E a supersafra est\u00e1 a\u00ed, a m\u00e3o do produtor, do agricultor, mas est\u00e1 a\u00ed tamb\u00e9m a m\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas. Ent\u00e3o, pode continuar olhando os supermercados que est\u00e1 caindo os pre\u00e7os e vai cair mais, se Deus quiser.\u00a0<\/p>\n<h2>Bem Viver<\/h2>\n<p>O programa de r\u00e1dio\u00a0<em>Bem Viver<\/em>\u00a0vai ao ar de segunda a sexta-feira, \u00e0s 7h, na\u00a0<strong>R\u00e1dio Brasil de Fato<\/strong>. A sintonia \u00e9 98,9 FM na Grande S\u00e3o Paulo. A vers\u00e3o em v\u00eddeo \u00e9 semanal e vai ao ar aos s\u00e1bados a partir das 13h30 no YouTube do\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0e TVs retransmissoras.<\/p>\n<p>Assim como os demais conte\u00fados, o\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0disponibiliza o programa Bem Viver de forma gratuita para r\u00e1dios comunit\u00e1rias, r\u00e1dios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conte\u00fado. Para ser inclu\u00eddo na nossa lista de distribui\u00e7\u00e3o, entre em contato por meio do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/radioagencia\/seja-parceiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">formul\u00e1rio<\/a>.<\/p>\n<p>Editado por: Geisa Marques<\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2025\/08\/06\/presidente-da-conab-precos-dos-alimentos-caem-e-devem-cair-ainda-mais-com-estoques\/\">Presidente da Conab: \u201cpre\u00e7os dos alimentos caem e devem cair ainda mais com estoques\u201d<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/\">MST<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/eleicao-em-israel-poe-permanencia-de-netanyahu-em-jogo-apos-genocidio-em-gaza\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-140415-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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Foto: Rafa Dotti Por Denise Salom\u00e3o e Lucas SalumDo Brasil de Fato Ou\u00e7a a entrevista aqui Neste m\u00eas de julho,\u00a0o Brasil celebrou a sa\u00edda do Mapa da Fome, um mecanismo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[3339,196,1241,221,379,573,17,191],"tags":[],"class_list":["post-42804","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-alimentacao","category-alimentos-saudaveis","category-conab","category-economia","category-entrevista","category-entrevistas","category-governo-lula","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42804"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42804\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}