{"id":43052,"date":"2025-08-07T06:00:00","date_gmt":"2025-08-07T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/marina-silva-fala-da-cop-de-belem-nao-vamos-matar-a-galinha-dos-ovos-de-ouro\/"},"modified":"2025-08-07T06:00:00","modified_gmt":"2025-08-07T09:00:00","slug":"marina-silva-fala-da-cop-de-belem-nao-vamos-matar-a-galinha-dos-ovos-de-ouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/marina-silva-fala-da-cop-de-belem-nao-vamos-matar-a-galinha-dos-ovos-de-ouro\/","title":{"rendered":"Marina Silva fala da COP de Bel\u00e9m: \u201cn\u00e3o vamos matar a galinha dos ovos de ouro\u201d"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras da decis\u00e3o do presidente Lula sobre o Projeto de Licenciamento aprovado no Congresso, conhecido como PL da Devasta\u00e7\u00e3o, a ministra Marina Silva diz acreditar na possibilidade de negociar com o Congresso uma medida provis\u00f3ria ou um projeto de lei do Executivo que possa substituir os pontos que desestruturam a legisla\u00e7\u00e3o ambiental e seriam vetados ou alterados por Lula \u2013 entre eles os mais pol\u00eamicos, como a Licen\u00e7a Ambiental Especial (LAE) e a Licen\u00e7a por Acordo e Compromisso (LAC).<\/p>\n<p>Para Marina, h\u00e1 uma \u201cpedagogia do preju\u00edzo\u201d, que pode levar o Congresso a separar o \u201ctrigo\u201d, a boa legisla\u00e7\u00e3o ambiental, que favorece inclusive novos acordos comerciais \u2013 em um momento que o tarifa\u00e7o de Donald Trump passa a valer para o Brasil \u2013 do \u201cjoio\u201d, o pedido de anistia para \u201calgu\u00e9m que atacou a nossa democracia\u201d, alvo da ocupa\u00e7\u00e3o do Congresso pelos bolsonaristas nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edtica \u00e9 um processo vivo e din\u00e2mico. Quem diria que entre aquelas sess\u00f5es agressivas que tivemos no Congresso Nacional, onde as pessoas ficavam acusando o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente de atrapalhar o desenvolvimento do pa\u00eds, de dar preju\u00edzo para os investidores brasileiros, quem diria que ia acontecer dos apoiadores deles mesmos serem os que d\u00e3o o maior preju\u00edzo?\u00a0Quem diria que o presidente dos Estados Unidos ia alegar taxa\u00e7\u00e3o de 50% nos produtos brasileiros usando a quest\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental e quest\u00f5es ligadas a desmatamento, explora\u00e7\u00e3o de madeira?\u201d, comenta a ministra, que chegou a ser hostilizada por senadores da extrema direita em audi\u00eancias sobre o PL da Devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora reconhecendo o contexto geopol\u00edtico desfavor\u00e1vel para negocia\u00e7\u00f5es multilaterais, a ministra mant\u00e9m o otimismo tamb\u00e9m sobre os resultados que poder\u00e3o ser obtidos na COP-30. Sem citar os Estados Unidos, a ministra se referiu \u00e0 confer\u00eancia como \u201cum mutir\u00e3o de 196 pa\u00edses\u201d que t\u00eam que tra\u00e7ar um roteiro para cumprir as decis\u00f5es tomadas em Dubai, como o limite de 1,5 grau para o aquecimento do planeta, e a transi\u00e7\u00e3o para o fim do uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e do desmatamento.<\/p>\n<p>\u201cSe os negacionistas n\u00e3o se importam com a vida, n\u00e3o se importam com o que diz a ci\u00eancia, n\u00f3s temos que mostrar que nos importamos. E um caminho que eu tenho advogado, e vejo j\u00e1 muitas pessoas tamb\u00e9m nessa mesma dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 o de que devemos sair da COP 30 com um grupo mandatado para fazer o mapa do caminho para o fim do uso de combust\u00edvel f\u00f3ssil, porque n\u00f3s temos que nos planejar para a mudan\u00e7a\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A ministra tamb\u00e9m disse que o pa\u00eds vai continuar firme em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 meta do desmatamento zero, apesar de reconhecer a complexidade trazida ao cen\u00e1rio pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, especialmente pelas queimadas, que prometem elevar as taxas de desmatamento que ser\u00e3o divulgadas durante a COP. E admitiu que o governo est\u00e1 muito preocupado com as quest\u00f5es log\u00edsticas, sobretudo de hospedagem, durante a confer\u00eancia em Bel\u00e9m, o que est\u00e1 monopolizando as discuss\u00f5es e amea\u00e7ando deixar algumas delega\u00e7\u00f5es fora do evento.<\/p>\n<p>\u201cUma COP \u00e9 uma grande oportunidade para o estado e para o pa\u00eds. Quantas mil pessoas vir\u00e3o de outros pa\u00edses e que poder\u00e3o transformar a cidade, o estado, a regi\u00e3o em um endere\u00e7o tur\u00edstico, nas mais diferentes modalidades, seja do ponto de vista do turismo de massa, do turismo cient\u00edfico, do turismo social, cultural? S\u00e3o imensas as possibilidades. Agora, se voc\u00ea criar um ambiente completamente desfavor\u00e1vel, isso vai ter um efeito contr\u00e1rio. N\u00f3s n\u00e3o podemos pensar em destruir a galinha dos ovos de ouro\u201d, disse, chamando de \u201cextors\u00e3o\u201d, os pre\u00e7os cobrados pelos hot\u00e9is.\u00a0<\/p>\n<figure><figcaption>Presidente da COP30 confirmou a alta nos pre\u00e7os de hospedagens em Bel\u00e9m, mas afirmou que o governo federal busca uma solu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Leia a entrevista aqui e assista na \u00edntegra no videocast <strong>Bom dia, Fim do Mundo!<\/strong>.<\/p>\n<div>\n<div data-init=\"0\" data-id=\"196294\" data-playing=\"0\">\n<div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<h2>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>EP 39<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tEspecial: entrevista com a ministra Marina Silva\t\t\t\t\t\t\t<\/h2>\n<div>\n<p>\n\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t<span>7 de agosto de 2025<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\u00b7<br \/>\n\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\tPodcast entrevista ministra em momento decisivo para o pa\u00eds<\/p>\n<div data-init=\"0\" data-id=\"196294\" data-playing=\"0\">\n<p>\t\t\t\t\t\t<audio src=\"https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/PGM-39_0708_audio.mp3\" preload=\"none\"><\/audio><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/span><\/p><\/div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><span>0:00<\/span><\/span><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span><span>-:\u2013<\/span><\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i>15<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i>15<\/p>\n<div>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i><\/p>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<i><\/i>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div><center>Veja mais epis\u00f3dios desta s\u00e9rie<\/center><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><strong>Vamos come\u00e7ar com a grande expectativa da semana, que \u00e9 em torno do veto ou da san\u00e7\u00e3o do presidente Lula sobre o PL do licenciamento ambiental, ou PL da devasta\u00e7\u00e3o. A senhora mesma j\u00e1 disse que esse projeto decepa a lei ambiental, quebra a coluna vertebral da prote\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil. Bom, termina nesta sexta (<em>08.08<\/em>) o prazo para o presidente Lula se manifestar, se posicionar sobre o PL. O que a senhora considera que \u00e9 imprescind\u00edvel mudar nesse texto que foi aprovado? Claro, a senhora n\u00e3o vai antecipar a decis\u00e3o do presidente Lula, mas o que a gente pode esperar que v\u00eam a\u00ed nos pr\u00f3ximos dias?<\/strong><\/p>\n<p>De fato, esse PL \u00e9 uma forma de decepar a estrutura do licenciamento ambiental brasileiro, e se ele n\u00e3o for reparado, o preju\u00edzo \u00e9 imenso, em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, tanto do ponto de vista da preserva\u00e7\u00e3o ambiental, quanto do ponto de vista da seguran\u00e7a jur\u00eddica, quanto da sa\u00fade p\u00fablica e dos interesses econ\u00f4micos e sociais do Brasil. Ent\u00e3o, olhando para esses mais de 60 artigos, mais de 300 dispositivos, al\u00edneas, par\u00e1grafos, incisos e assim por diante, o esfor\u00e7o que est\u00e1 sendo feito \u00e9 para que a gente, ao identificar tudo aquilo que desestrutura as bases do licenciamento brasileiro, que isso possa ser reparado.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que essa repara\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 feita unilateralmente pelo governo federal, ela \u00e9 feita em di\u00e1logo com o Congresso Nacional, porque, suponhamos que a decis\u00e3o do presidente seja por uma medida provis\u00f3ria, ela pode ser derrubada pelo Congresso, suponhamos que a decis\u00e3o do presidente seja de encaminhar um projeto de lei, o Congresso, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 quem vai aprovar ou n\u00e3o. Ent\u00e3o, tudo precisa, na democracia, de um di\u00e1logo intenso com o governo, com o Congresso, porque n\u00e3o basta vetar, voc\u00ea tem que colocar algo no lugar. E, quando eu estou falando em veto, estou falando desses pontos todos que ferem a estrutura do licenciamento ambiental brasileiro, um trabalho minucioso que vem sendo feito entre o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, a Casa Civil, com a participa\u00e7\u00e3o da Secretaria de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, e que ser\u00e1 levado hoje \u00e0 tarde<em> (06.08)<\/em> para o presidente Lula, em uma reuni\u00e3o, onde n\u00f3s estaremos ali oferecendo as possibilidades de repara\u00e7\u00e3o. Em seguida, teremos um intenso processo de conversa com relatores, com presidente das Casas, com l\u00edderes de bancada, com parlamentares que queiram conversar sobre essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O Congresso tem se mostrado muito refrat\u00e1rio aos temas ambientais, inclusive a gente se solidariza com a senhora, que passou por uma situa\u00e7\u00e3o muito desagrad\u00e1vel naquelas audi\u00eancias. Ent\u00e3o, eu queria saber se a senhora tem esperan\u00e7a de a gente ter um projeto de licenciamento que passe pelo Congresso e continue minimamente aceit\u00e1vel? A senhora acha que tem esse espa\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>O espa\u00e7o \u00e9 din\u00e2mico, a pol\u00edtica \u00e9 um processo vivo e din\u00e2mico. Voc\u00ea veja, quem diria que entre aquelas sess\u00f5es agressivas que tivemos no Congresso Nacional, onde as pessoas ficavam acusando o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, acusando os ambientalistas de atrapalhar o desenvolvimento do pa\u00eds, de dar preju\u00edzo para os investidores brasileiros, quem diria que ia acontecer dos apoiadores deles mesmos serem os que d\u00e3o o maior preju\u00edzo? Quem diria que o presidente dos Estados Unidos ia alegar taxa\u00e7\u00e3o de 50% nos produtos brasileiros, usando a quest\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental e quest\u00f5es ligadas a desmatamento, explora\u00e7\u00e3o de madeira?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, essas quest\u00f5es s\u00e3o din\u00e2micas. Eu mesma e o ministro Fernando Haddad vamos para Bruxelas, para dialogar com o Parlamento Europeu sobre a quest\u00e3o do acordo da Uni\u00e3o Europeia com o Mercosul e outras agendas de interesse do Brasil, mostrando que os acordos que n\u00f3s temos na agenda de clima, de biodiversidade, o acordo que n\u00f3s temos em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es que s\u00e3o fundamentais para poder viabilizar o acordo Uni\u00e3o Europeia com o Mercosul e que estaria sendo prejudicado em fun\u00e7\u00e3o desse PL.<\/p>\n<figure><figcaption>Para a ministra, o \u2018PL do devastamento\u2019 \u00e9 uma forma de decepar a estrutura do licenciamento ambiental brasileiro<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ent\u00e3o, eu sinto que h\u00e1 uma pedagogia, uma pedagogia inclusive da perplexidade pol\u00edtica que esse pa\u00eds entrou, de um pa\u00eds tentando interferir em outro pa\u00eds, na autonomia de seus poderes, utilizando instrumentos de taxa\u00e7\u00e3o comercial. E o Congresso \u2013 eles mesmos que tiveram que ir at\u00e9 os Estados Unidos, eu conversei com o senador Nelsinho Trad e ele dizia que teve que viajar porque ele ficou intensamente envolvido com essas quest\u00f5es do tarifa\u00e7o do presidente Trump. Por isso falo em uma pedagogia, que eu digo \u00e0s vezes que \u00e9 a pedagogia do luto, a pedagogia da dor, e nesse caso \u00e9 a pedagogia do preju\u00edzo.<\/p>\n<p>Ontem mesmo eu vi no Conselh\u00e3o uma jovem empreendedora de fruticultura dizendo que eles precisam que haja uma negocia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o permita que eles sejam completamente inviabilizados, porque a fruta tem um tempo, ela vai amadurecer e vai se perder aquela safra. Ent\u00e3o quem \u00e9 que est\u00e1 dando preju\u00edzo? Essa vis\u00e3o ideol\u00f3gica que n\u00e3o considera quest\u00f5es de natureza clim\u00e1tica, n\u00e3o considera quest\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica, n\u00e3o considera que as ideologias associadas ao negacionismo s\u00e3o o maior preju\u00edzo, e n\u00e3o a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p><strong>Mas a gente v\u00ea que o Congresso est\u00e1 especialmente incendi\u00e1rio nesse momento, ministra. Toda a manifesta\u00e7\u00e3o da direita, ocupando o plen\u00e1rio, essa imin\u00eancia da pris\u00e3o do Bolsonaro no julgamento do processo do golpe. A senhora acha que esse term\u00f4metro elevado vai impactar negocia\u00e7\u00f5es que interessam a todos n\u00f3s, como as negocia\u00e7\u00f5es sobre a PL da devasta\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que h\u00e1 uma disposi\u00e7\u00e3o de fazer essa separa\u00e7\u00e3o do joio e do trigo, e eu vou chamar de trigo uma boa legisla\u00e7\u00e3o ambiental e vou chamar de joio querer anistia para algu\u00e9m que atacou a nossa democracia e patrocinou tudo isso que aconteceu no dia 8 [de janeiro de 2023] e que agora as investiga\u00e7\u00f5es est\u00e3o mostrando um forte envolvimento dessas lideran\u00e7as pol\u00edticas e ainda mais articulando com outro pa\u00eds uma interfer\u00eancia pol\u00edtica para salvar a sua pr\u00f3pria pele.<\/p>\n<p>Eu tenho dito que geralmente a gente v\u00ea os l\u00edderes no mundo, obviamente que n\u00e3o tem nem escala de compara\u00e7\u00e3o, vou citar figuras como Gandhi, como Mandela, como Luther King, sacrificando-se em benef\u00edcio de seu pa\u00eds, de suas sociedades. E aqui no Brasil a gente v\u00ea essas caricaturas de lideran\u00e7a pol\u00edtica sacrificando os interesses sociais, econ\u00f4micos, ambientais do nosso pa\u00eds em fun\u00e7\u00e3o de salvarem a sua pr\u00f3pria pele, articulando para que haja uma interfer\u00eancia na nossa soberania e ainda vem vestir verde e amarelo e dizer que s\u00e3o patriotas.<\/p>\n<p>Eu acho que essa pedagogia est\u00e1 posta e uma parte do Congresso est\u00e1 fazendo essa separa\u00e7\u00e3o porque agora as pessoas est\u00e3o sentindo o preju\u00edzo. A pessoa olha e v\u00ea, bem, eu antes era um industrial e n\u00e3o estava com o risco de 50% em cima dos meus produtos, eu era um fruticultor que tamb\u00e9m n\u00e3o tinha esse medo, ent\u00e3o acho que tem sim um espa\u00e7o para o di\u00e1logo, independente de partido pol\u00edtico, at\u00e9 porque a disposi\u00e7\u00e3o do governo, a nossa disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre de dialogar para que essas repara\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo pensadas \u2013 e s\u00e3o repara\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, estruturais \u2013 preservem\u00a0essa coluna vertebral a que eu tenho me referido o tempo todo.<\/p>\n<p><strong>Ministra, um dos pontos mais cr\u00edticos do PL do licenciamento \u00e9 aquele que permite a licen\u00e7a ambiental especial, que foi colocada ali por uma emenda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e que permite que empreendimentos considerados estrat\u00e9gicos passem por um licenciamento muito r\u00e1pido, em apenas uma fase. Nessa proposta se viu uma possibilidade, por exemplo, de acelerar o licenciamento de novos po\u00e7os de petr\u00f3leo na Foz do Amazonas, em que o senador Alcolumbre tem interesse. Eu queria saber especificamente sobre esse item: como tentar remediar esse projeto?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 figura da LAE que foi proposta, \u00e9 claro que, por tudo que a gente ouve e as entrevistas que s\u00e3o dadas e reiteradas, h\u00e1 uma expectativa em rela\u00e7\u00e3o a alguns empreendimentos com complexidades ambientais muito grandes, como \u00e9 o caso, por exemplo, da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Amazonas e, at\u00e9 mesmo, o caso da BR 319. E todas essas quest\u00f5es que s\u00e3o novas e que t\u00eam subtra\u00e7\u00f5es de compet\u00eancias j\u00e1 estabelecidas historicamente do processo de licenciamento est\u00e3o sendo vistas com total aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 esse artigo, mas outros, tamb\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Licen\u00e7a por Ades\u00e3o e Compromisso, e outros dispositivos.<\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 LAE, talvez, fazer uma separa\u00e7\u00e3o. Uma coisa \u00e9 voc\u00ea ter um instrumento que possa dizer que aquele projeto \u00e9 priorit\u00e1rio, que ele \u00e9 estrat\u00e9gico. Isso acontece sem a figura da LAE. Quando o presidente Lula resolveu fazer a transposi\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco pelo risco de desabastecimento de algumas cidades foi uma decis\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de uma necessidade estrat\u00e9gica. Quando se teve que fazer um esfor\u00e7o enorme para as hidrel\u00e9tricas de Santo Ant\u00f4nio e Jirau em fun\u00e7\u00e3o da amea\u00e7a de apag\u00e3o foi estabelecido que aquele processo era priorit\u00e1rio. Agora, ao que, na minha opini\u00e3o, n\u00e3o se aplica? A quest\u00e3o de n\u00e3o passar pelas fases do licenciamento: a licen\u00e7a pr\u00e9via, a licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o e a licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o. Porque o fato do projeto ser estrat\u00e9gico n\u00e3o muda a realidade da natureza. Se voc\u00ea vai impactar um determinado ecossistema, isso n\u00e3o muda em fun\u00e7\u00e3o da nossa necessidade, seja por energia, seja por alimentos ou qualquer que seja o benef\u00edcio para n\u00f3s. A gente tem que ganhar velocidade, a gente at\u00e9 pode fazer a prioridade, mas sem diminuir as regras e os procedimentos que precisam ser adequadamente realizados. \u00c9 isso que n\u00f3s temos dito o tempo todo e \u00e9 isso que, com certeza, tem toda a chance de judicializar qualquer empreendimento de alto impacto que n\u00e3o passe pelos procedimentos, e os regramentos estabelecidos.<\/p>\n<p>Como eu sempre digo para voc\u00eas, o Minist\u00e9rio e o Ibama n\u00e3o s\u00e3o eles que tomam decis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a explorar ou n\u00e3o petr\u00f3leo, tanto \u00e9 que tem explora\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias outras bacias, mas n\u00f3s nos atemos aos aspectos da viabilidade ambiental, da din\u00e2mica do licenciamento em conformidade com os regramentos legais. E o Ibama faz isso em qualquer que seja o empreendimento quando \u00e9 da nossa compet\u00eancia, o licenciamento, pelo menos nos governos do presidente Lula. E, obviamente, que a Margem Equatorial tem um outro procedimento, n\u00f3s temos ali o pedido para fazer a prospec\u00e7\u00e3o, est\u00e1 em fase de licenciamento. O Ibama vai se pronunciar adequadamente nas fases necess\u00e1rias do licenciamento, que est\u00e1 sendo avaliado, mas n\u00f3s j\u00e1 tivemos ali um leil\u00e3o para 19 blocos para explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. A\u00ed tem uma complexidade, por isso que eu tenho insistido que \u00e9 fundamental fazer avalia\u00e7\u00e3o ambiental para a \u00e1rea sedimentar, porque a Foz do Amazonas \u00e9 uma bacia que n\u00e3o tem estudos, ela \u00e9 muito pouco estudada, praticamente n\u00e3o se tem informa\u00e7\u00f5es na medida e com a profundidade que aquela regi\u00e3o precisa.<\/p>\n<p>Qualquer que seja o empreendimento que vai ser feito, na modalidade que for feito, \u00e9 preciso que eles sejam lastreados de estudos, no caso das BRs \u00e9 avalia\u00e7\u00e3o ambiental estrat\u00e9gica, no caso de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo \u00e9 avalia\u00e7\u00e3o ambiental para a \u00e1rea sedimentar, para indica\u00e7\u00f5es de viabilidade ambiental ou n\u00e3o dos empreendimentos.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 todo mundo ansioso com essa COP em Bel\u00e9m, a gente sabe como ela \u00e9 importante para o planeta e, em especial, para o Brasil. Vou ter que perguntar para a senhora, porque isso acabou se tornando um tema, que \u00e9 a quest\u00e3o da infraestrutura e das hospedagens em Bel\u00e9m. Vendo que isso tomou espa\u00e7o de outros temas que seriam mais importantes, a senhora est\u00e1 preocupada com isso ou se acha que tem um exagero de cr\u00edticas a Bel\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, n\u00f3s temos dois trilhos da COP e n\u00f3s temos trabalhado intensamente neles. O trilho de infraestrutura, seguran\u00e7a, log\u00edstica \u00e9 coordenado pela Casa Civil, tem at\u00e9 uma secretaria extraordin\u00e1ria s\u00f3 para esses investimentos da COP 30 e h\u00e1 um esfor\u00e7o muito grande do governo federal para dar as respostas. E tem o trilho da parte de mobiliza\u00e7\u00e3o, negocia\u00e7\u00e3o e conte\u00fado. Eu me insiro na parte de mobiliza\u00e7\u00e3o, negocia\u00e7\u00e3o e conte\u00fado da COP 30, juntamente com o Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e a Presid\u00eancia da COP, mas obviamente que todos n\u00f3s trabalhamos conjuntamente no processo de retroalimenta\u00e7\u00e3o entre o acolhimento das pessoas que vir\u00e3o para a COP 30 e os resultados que n\u00f3s esperamos possam ser alcan\u00e7ados nesse momento t\u00e3o desafiador.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, no caso da infraestrutura, da hospedagem, das pessoas, \u00e9 motivo, sim, de preocupa\u00e7\u00e3o do governo federal. Tanto \u00e9 que tem sido feito um investimento enorme para criar alternativas para que possa acontecer esse acolhimento, inclusive com estrat\u00e9gias para que o volume de pessoas que v\u00e3o estar circulando em Bel\u00e9m possa ser adequadamente distribu\u00eddo. Por isso que a c\u00fapula dos chefes de Estado vai acontecer dois dias antes do in\u00edcio da COP 30.Tem todo um trabalho que vem sendo feito.<\/p>\n<figure><figcaption>Apesar da press\u00e3o de alguns pa\u00edses sobre os altos pre\u00e7os da hospedagem, embaixador afirma que a COP30 continua em Bel\u00e9m<\/figcaption><\/figure>\n<p>Agora, tem uma dificuldade imensa em rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os, porque n\u00e3o foi uma quest\u00e3o como acontece em outras COP. Voc\u00ea, Giovana, j\u00e1 cobriu muitas COP, sabe como \u00e9 esse processo. Geralmente, quando voc\u00ea tem uma COP, acontece de dobrar o valor das di\u00e1rias, no m\u00e1ximo triplicar. Isso \u00e9 um levantamento, uma m\u00e9dia que se fez. Agora, no caso de Bel\u00e9m, tem situa\u00e7\u00f5es de aumentar 15 vezes, 10 vezes os pre\u00e7os. A\u00ed \u00e9 o absurdo dos absurdos. Isso passa a ser uma esp\u00e9cie de extors\u00e3o e o governo brasileiro est\u00e1 trabalhando junto \u00e0s autoridades do estado para que essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o prejudique a necess\u00e1ria e leg\u00edtima participa\u00e7\u00e3o dos delegados, sobretudo de pa\u00edses em desenvolvimento, de pa\u00edses em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, porque n\u00e3o tem recursos para cobrir esses custos. Mas o presidente da COP, o ministro da Casa Civil, todos n\u00f3s temos trabalhado nessa dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 sim um motivo de preocupa\u00e7\u00e3o, tanto \u00e9 que temos nos debru\u00e7ado sobre ele incansavelmente.<\/p>\n<p>Agora, uma COP \u00e9 uma grande oportunidade para o estado, para um pa\u00eds, porque voc\u00ea faz investimentos na parte de infraestrutura que ficar\u00e3o como legado. Uma rede hoteleira, por exemplo, toda a parte de infraestrutura log\u00edstica, de transporte, para que voc\u00ea se torne um endere\u00e7o mais permanente de visita\u00e7\u00e3o. Quantas mil pessoas vir\u00e3o de outros pa\u00edses e que poder\u00e3o transformar a cidade, o estado, a regi\u00e3o em um endere\u00e7o tur\u00edstico, nas mais diferentes modalidades, seja do ponto de vista do turismo normal, do turismo de massa, seja do ponto de vista do turismo cient\u00edfico, do turismo social, cultural? S\u00e3o imensas as possibilidades. Agora, se voc\u00ea criar um ambiente completamente desfavor\u00e1vel, isso vai ter um efeito contr\u00e1rio. N\u00f3s n\u00e3o podemos pensar em destruir a galinha dos ovos de ouro.<\/p>\n<p>A oportunidade \u00e9 voc\u00ea entrar para o mapa do mundo, porque a COP passa a ser a COP de Bel\u00e9m, como \u00e9 a COP de Paris, como \u00e9 a COP de Copenhague, como \u00e9 a Rio 92. Veja o tamanho disso. O que voc\u00ea quer passar? Voc\u00ea quer passar uma lembran\u00e7a boa, ou voc\u00ea quer passar uma das piores refer\u00eancias que \u00e9 o que est\u00e1 sendo feito com essa atitude? \u00c9 por isso que o apelo \u00e9 que haja uma situa\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia de que voc\u00ea n\u00e3o pode destruir as possibilidades de anos e anos para um Estado promissor, como \u00e9 o caso do Par\u00e1, de termos um endere\u00e7o tur\u00edstico nas v\u00e1rias modalidades a que me referi, em fun\u00e7\u00e3o de achar que a COP vai ser um lugar para se fazer investimentos em termos de tirar lucros que s\u00e3o fora daquilo que a \u00e9tica comercial estabelece.<\/p>\n<p><strong>Agora falando mais especificamente sobre o seu papel na COP e como ministra do Brasil. Uma das coisas que mais se coloca das expectativas do Brasil \u00e9 mostrar o que \u00e9 a Amaz\u00f4nia, a import\u00e2ncia que ela tem para a regula\u00e7\u00e3o do clima e tamb\u00e9m para as nossas pr\u00f3prias emiss\u00f5es, tanto \u00e9 que a gente tem essa meta de zerar o desmatamento da Amaz\u00f4nia. A senhora e o governo conseguiram avan\u00e7ar bem nesse sentido nos dois primeiros anos, a gente teve uma queda importante, mas h\u00e1 o risco de fechar esse ano com uma alta do desmatamento. A pergunta \u00e9: se chegar ao desmatamento zero, essa meta t\u00e3o importante do Brasil, come\u00e7a a se mostrar mais dif\u00edcil do que o governo estava imaginando, at\u00e9 por conta das queimadas, talvez zerar o desmatamento n\u00e3o seja poss\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, primeiro que a meta de zerar o desmatamento, independente da dificuldade que a gente possa enfrentar, ela \u00e9 necess\u00e1ria. E o Brasil \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds do mundo que j\u00e1 tem a meta de zerar desmatamento at\u00e9 2030 e, de fato, n\u00f3s conseguimos avan\u00e7os significativos: quando voc\u00ea olha, comparando julho de 2024 com julho de 2025, n\u00f3s temos uma redu\u00e7\u00e3o no Brasil inteiro de 61% do desmatamento. N\u00f3s vamos entrar no per\u00edodo quente e no per\u00edodo dif\u00edcil para as queimadas a partir de agora, mas no ano passado, nesse mesmo momento, a gente j\u00e1 estava vivendo uma situa\u00e7\u00e3o avassaladora e, quando eu olho para o Brasil inteiro, comparando julho de 2024 com julho de 2025, eu tenho j\u00e1 uma queda nos inc\u00eandios de 61%. No caso da Amaz\u00f4nia, a queda \u00e9 de 89%, mas tem um fen\u00f4meno que voc\u00ea colocou muito bem, a quest\u00e3o da mudan\u00e7a do clima.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, n\u00f3s temos mais desmatamento por inc\u00eandio do que em fun\u00e7\u00e3o de corte raso e isso \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 para desistir da meta, \u00e9 para ajustar as pol\u00edticas, tomar as medidas e poder fazer esse enfrentamento. O fato de voc\u00ea ter uma doen\u00e7a que depois voc\u00ea descobre que ela \u00e9 mais grave do que voc\u00ea imaginava, n\u00e3o te faz abandonar o diagn\u00f3stico e, muito menos, de aplicar o tratamento necess\u00e1rio. Nosso compromisso de desmatamento zero n\u00e3o \u00e9 nem fun\u00e7\u00e3o da COP, \u00e9 um compromisso de campanha do presidente Lula, reiterado durante a transi\u00e7\u00e3o no programa de governo e na rearticula\u00e7\u00e3o do plano de preven\u00e7\u00e3o e controle do desmatamento, n\u00e3o s\u00f3 para a Amaz\u00f4nia, mas para todos os biomas brasileiros. Ent\u00e3o, o nosso compromisso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque n\u00f3s queremos ter uma boa foto na COP, \u00e9 porque n\u00f3s queremos ter uma boa foto no planeta porque n\u00f3s somos, inclusive, um pa\u00eds altamente vulner\u00e1vel. A Amaz\u00f4nia j\u00e1 est\u00e1 vivendo um processo de perda de umidade assustador. Os inc\u00eandios do ano passado foram maiores dentro de floresta prim\u00e1ria do que os inc\u00eandios que acontecem normalmente. Cerca de 51% desses inc\u00eandios, eles aconteceram em situa\u00e7\u00f5es completamente adversas, entrando em floresta prim\u00e1ria, coisa que a m\u00e9dia era algo em torno de 4% a, no m\u00e1ximo, 10%.<\/p>\n<p><strong>Inclusive, a senhora chegou a falar muito no ano passado de que os inc\u00eandios eram criminosos. Queria saber se isso avan\u00e7ou um pouco, se voc\u00eas conseguiram identificar quem s\u00e3o esses criminosos e se est\u00e3o conseguindo combater isso. A senhora falou que tem uma queda dos inc\u00eandios desde o ano passado para c\u00e1, mas eu at\u00e9 entendo que \u00e9 muito mais pela quest\u00e3o clim\u00e1tica do que, talvez, por uma a\u00e7\u00e3o efetiva de controle. Queria entender isso tamb\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Tem a quest\u00e3o clim\u00e1tica, sem sombra de d\u00favida, mas tem a\u00e7\u00e3o de controle. Aumentar a frota em 800 ve\u00edculos, aumentar para cerca de 4.300 brigadistas, ter 11 avi\u00f5es que aumentam em 75% a nossa capacidade de movimentar as brigadas, ter equipamentos para todos os brigadistas em condi\u00e7\u00f5es adequadas, todo o trabalho que vem sendo feito na sala de situa\u00e7\u00e3o, ter refor\u00e7ado o corpo de bombeiro, disponibilizando recursos do fundo Amaz\u00f4nia para todos os estados da Amaz\u00f4nia, ter uma a\u00e7\u00e3o de aumento da nossa capacidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o, de controle do IBAMA, do ICMBio, o trabalho com a Pol\u00edcia Federal, com a PRF, com todos os \u00f3rg\u00e3os de governo. Isso faz a diferen\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do clima. O clima tem um peso importante, sim, porque em condi\u00e7\u00f5es totalmente adversas, como est\u00e1 acontecendo agora em Portugal, n\u00e3o h\u00e1 tecnologia que resolva, como aconteceu no Canad\u00e1, como aconteceu nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Mas, com certeza, esse ano n\u00f3s intensificamos ainda mais a nossa capacidade de resposta. E essa capacidade de resposta e de pronta a\u00e7\u00e3o, independe at\u00e9 da quest\u00e3o clim\u00e1tica, porque muitas vezes essas vari\u00e1veis podem mudar e a gente est\u00e1 preparado. Por exemplo, a portaria de risco de inc\u00eandio \u00e9 lan\u00e7ada sempre em fevereiro, e ela foi feita. J\u00e1 tem v\u00e1rios estados que est\u00e3o decretando a proibi\u00e7\u00e3o do fogo, a lei de manejo integrado do fogo. Temos toda a estrutura\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo feita em reuni\u00f5es constantes com os estados, com os munic\u00edpios, agora mesmo, o secret\u00e1rio Andr\u00e9 esteve l\u00e1 no estado do Amazonas com mais de 75% dos secret\u00e1rios de meio ambiente recebendo treinamento e informa\u00e7\u00e3o para agir de forma integrada, independente de ideologia de partido pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Mas, como voc\u00ea disse, a preocupa\u00e7\u00e3o, ela est\u00e1 posta, e o compromisso permanece, independentemente da COP ou da n\u00e3o COP. N\u00f3s queremos ter um bom resultado, obviamente. Quem est\u00e1 se dispondo a sediar a COP nesse momento t\u00e3o desafiador de emerg\u00eancia clim\u00e1tica, tem que estar disposto a liderar pelo exemplo. E temos ajustado as medidas, por exemplo, no caso do desmatamento \u2013 n\u00f3s temos os dados mostrando que, pela primeira vez, inc\u00eandio est\u00e1 superando o desmatamento por corte raso. N\u00f3s somos bastante experientes no combate ao corte raso, voc\u00ea mesma falou dos resultados. Agora, em termos de situa\u00e7\u00f5es de inc\u00eandios agravados pela emerg\u00eancia clim\u00e1tica, acho que nenhum pa\u00eds do mundo tem essa capacidade de resposta \u00e0 altura, infelizmente. Por isso que s\u00e3o necess\u00e1rias as a\u00e7\u00f5es para enfrentar os problemas naquilo que \u00e9 a sua causa, que \u00e9 evitar a emiss\u00e3o de CO2 e que o planeta continue aquecendo.<\/p>\n<p><strong>Ministra, a gente tem essa esperan\u00e7a do que essa COP pode trazer, a senhora mesmo falou da gente sair da confer\u00eancia com um mapa para o fim do uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, para o fim do desmatamento, um financiamento de 1,3 trilh\u00e3o de d\u00f3lares. Mas neste momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem provocado separa\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses, a gente viu que n\u00e3o teve nem muita rea\u00e7\u00e3o a essa inger\u00eancia pol\u00edtica de Trump no Brasil, a senhora acha que essa quebra de solidariedade pode se refletir na COP ou tem como costurar um outro esp\u00edrito entre os pa\u00edses que leve \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dessas metas?<\/strong><\/p>\n<p>O embaixador Corr\u00eaa do Lago foi muito feliz quando disse que essa COP \u00e9 a COP do mutir\u00e3o. A ideia de um mutir\u00e3o de 196 pa\u00edses que ter\u00e3o que trabalhar juntos em um dos maiores desafios deste s\u00e9culo, que \u00e9 fazer o enfrentamento da mudan\u00e7a do clima, depois dos 10 anos do Acordo de Paris, depois da COP que nasceu no Rio de Janeiro, a COP do Clima, voltar para o Brasil em plena Amaz\u00f4nia, depois dela ter sido sediada por quatro pa\u00edses em desenvolvimento, acho que tr\u00eas deles pa\u00edses dos BRICS, isso tudo \u00e9 muito desafiador. Ent\u00e3o a COP 30 vai precisar de dar respostas para quest\u00f5es que s\u00e3o muito dif\u00edceis e complexas, de decis\u00f5es que j\u00e1 foram tomadas, essas, por exemplo de triplicar renov\u00e1vel, duplicar a efici\u00eancia energ\u00e9tica, n\u00e3o ultrapassar o 1,5 grau de temperatura da Terra e, ao mesmo tempo a transi\u00e7\u00e3o para o fim de combust\u00edvel f\u00f3ssil e de desmatamento.<\/p>\n<p>Como esse contexto geopol\u00edtico desfavorece esse encaminhamento, que j\u00e1 \u00e9 complexo, com certeza ele \u00e9 muito prejudicial, primeiro porque as guerras minam a solidariedade, minam as parcerias, criam situa\u00e7\u00f5es de desencontros e n\u00f3s temos al\u00e9m das guerras b\u00e9licas, uma guerra tarif\u00e1ria que est\u00e1 sendo feita pela maior pot\u00eancia econ\u00f4mica e b\u00e9lica do mundo em todas as dire\u00e7\u00f5es. Nesse momento o Brasil foi sem d\u00favida injustamente o pa\u00eds mais prejudicado com uma taxa\u00e7\u00e3o de 50%, isso n\u00e3o foi feito em rela\u00e7\u00e3o a nenhum pa\u00eds, mas o M\u00e9xico tamb\u00e9m em cerca de 30%, a Uni\u00e3o Europeia em 15%, a China, agora a \u00cdndia, todos sendo taxados porque um governo, por ser uma pot\u00eancia b\u00e9lica e uma pot\u00eancia econ\u00f4mica, acha que pode fazer interfer\u00eancia na soberania dos pa\u00edses. Mas se esse contexto \u00e9 ruim, por outro lado, ele cria um senso de responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que \u00e9 essencial. Se os negacionistas n\u00e3o se importam com a vida, se os negacionistas n\u00e3o se importam com o que diz a ci\u00eancia, n\u00f3s temos que mostrar que nos importamos e nesse sentido \u00e9 um esfor\u00e7o muito grande, por isso que tem os c\u00edrculos de mobiliza\u00e7\u00e3o, por isso que tem os enviados especiais, por isso que temos os campe\u00f5es da COP e temos inclusive um Balan\u00e7o \u00c9tico Global que est\u00e1 sendo feito para mobilizar cada continente na dire\u00e7\u00e3o de alcan\u00e7armos os resultados daquilo que n\u00f3s mesmos j\u00e1 decidimos.<\/p>\n<p>E um caminho que eu tenho advogado, e vejo j\u00e1 muitas pessoas tamb\u00e9m nessa mesma dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 o de que devemos sair da COP 30 com um grupo mandatado para fazer o mapa do caminho para o fim do uso de combust\u00edvel f\u00f3ssil, porque n\u00f3s temos que nos planejar para a mudan\u00e7a. A pior coisa que tem \u00e9 voc\u00ea n\u00e3o se planejar para a mudan\u00e7a e ser mudado abruptamente pela realidade \u2013 o Brasil s\u00f3 pode dizer que est\u00e1 buscando zerar o desmatamento em 2030, porque h\u00e1 20 anos atr\u00e1s n\u00f3s come\u00e7amos, n\u00f3s nos planejamos para isso. Ent\u00e3o, pa\u00edses produtores, pa\u00edses consumidores de energia oriunda de carv\u00e3o, de petr\u00f3leo e g\u00e1s, t\u00eam que fazer uma transi\u00e7\u00e3o justa e planejada para o fim do uso de combust\u00edvel f\u00f3ssil. A decis\u00e3o mais dif\u00edcil foi tomada em Dubai, que foi a de n\u00e3o ultrapassar o 1,5 grau de aumento de temperatura, triplicar o car\u00e1ter renov\u00e1vel, duplicar a efici\u00eancia energ\u00e9tica, fazer transi\u00e7\u00e3o para o fim do uso de combust\u00edvel f\u00f3ssil, perdas e danos e a quest\u00e3o de viabilizar os meios de implementa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o agora temos que mandatar um grupo para o que n\u00f3s queremos como indicadores de que de fato estamos alcan\u00e7ando os objetivos para o qual n\u00f3s nos planejamos, que \u00e9 o objetivo de zerar emiss\u00f5es em 2050, e a melhor forma de fazer isso \u00e9 estabelecendo esse mapa do caminho.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mais-de-740-mil-trabalhadores-ainda-nao-sacaram-o-abono-salarial-este-ano-saiba-como-consultar\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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